Manchetes

domingo, 24 de maio de 2009

Incensação

O queimar incenso ou a incensação exprime reverência e oração, como vem significado na Sagrada Escritura. No rito de Paulo VI permite-se o uso de incenso em todas as missas, sempre que convier pastoralmente. Em algumas circunstâncias seu uso é obrigatório:
  • Missa Estacional do Bispo
  • Dedicação de Igreja e Altar
  • Confecção do Santo Crisma
  • Quando se transportam os santos óleos
  • No transporte dos Santos Óleos
  • Na exposição solene do Santíssimo Sacramento
Via de regra, deve-se usar também o incenso:
  • Apresentação do Senhor
  • Domingo de Ramos
  • Missa da Ceia do Senhor
  • Vigília Pascal
  • Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo
  • Solene Transladação das relíquias
  • Em geral, procissões que se fazem com solenidade



"Suba a minha prece como incenso à tua presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina" Sl 140,2




Preparação
Para o uso de inceso prepare-se turíbulo, naveta e incenso. O turíbulo tem quatro correntes, três que sustentam onde estão as brasas e uma a tampa. Deve ser segurado da com a mão esquerda na parte superior (para maior comodidade pode-se usar o médio na argola superior e o mínimo na inferior) e com a mão direita as correntes todas juntas próximas à parte inferior.
A naveta deve conter uma pequena colher e incenso suficiente para a celebração, este deve ser puro, de suave odor, ou se com outra substância, cuide-se que seja muito superior sua parcela.










Bênção do Incenso

O turiferário e o naveteiro se aproximam do sacerdote. Este se estiver junto do assento, senta-se, se não põe de pé. Ele lança por três vezes incenso no turíbulo pegando-o com a colher da naveta. Em seguida, abençoa-o com o sinal da cruz sem nada dizer.


Maneiras de Incensar

No rito romano, a maneira da incensação possui algumas regras práticas e poucas, mas que merecem ser respeitadas. Primeiramente, quando se incensa faz-se reverência antes e depois da incensação, menos ao altar e às oblatas. Quem é incensado também faz reverência profunda.

Com três ductos do turíbulo incensa-se: "o Santíssimo Sacramento, as relíquias da santa Cruz e as imagens do Senhor expostas à veneração pública, as oblatas para o sacrifício da Missa, a cruz do altar, o Evangeliário, o círio pascal, o sacerdote e o povo.

Com dois ductos incensam-se as relíquias e imagens dos Santos expostas à veneração pública, e só no início da celebração, quando se incensa o altar." Lembremo-nos que as imagens de Nossa Senhora e outro Santo que contenham a imagem de Jesus Menino são incensadas com três ductos.

Um uso comum, mormente quando se usa casula gótica (com mangas amplas) é que o diácono, o cerimoniário ou um acólito segure a casula, evitando que ela se queime. A maneira mais prática e funcional é segurar a parte da frente puxando-a levemente para trás. De modo que não deforme a casula. O santíssimo sacramento é incensado de joelhos.


Uso dentro da Missa

Usa-se nas seguintes partes da Missa:

  • a) durante a procissão de entrada;
  • b) no princípio da Missa, para incensar a cruz e o altar;
  • c) na procissão e proclamação do Evangelho;
  • d) depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar as oblatas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;
  • e) à ostentação da hóstia e do cálice, depois da consagração.

Além das demais procissões e ocasiões que as rubricas próprias do rito exijam. Não se deve usar incenso em apenas uma destas partes, salvo rito especial como dedicação de igrejas.


a,b)Antes da missa, o sacerdote impõe incenso no turíbulo e o abençoa. Em seguida, na procissão de entrada o turiferário vai acompanhado do naveteiro à frente da cruz. O naveteiro sempre à direita e um pouco atrás. Chegando ao altar, sobem sem fazer reverência profunda e esperam que o sacerdote revencie o altar e o beije. Coloca-se incenso novamente, se for necessário. Incensa-se o altar, a cruz, as imagens dos santos expostos à veneração pública e as relíquias.

c)Durante a Aclamação os acólitos se aproximam do sacerdote que permanece sentado. Ajoelham-se para a bênção do incenso. Levantando-se afastam-se dele e aguardam até que o sacerdote ou o diácono peça a bênção para proclamar o evangelho. dirigem-se processionalmente até o ambão. Chegando, lê-se o evangelho; após dizer "O senhor esteja convosco" e "Proclamação..." o sacerdote (ou o diácono) incensa o livro ao centro, à esquerda e à direita. Devolve o turíbulo para o turiferário. que aguarda a leitura do evangelho (a menos que a fumaça atrapalhe aquele que lê o evangelho) Então saem turiferário, ceroferários e naveiteiro pelo caminho mais curto após a leitura do evangelho. O diácono, se for o caso, leva o livro ao celebrante só ou acompanhado pelo cerimoniário.

d)Após o sacerdote rezar "De coração contrito e humilde...". Os acólitos aproximam-se dele, este abençoa o incenso. Em seguida incensa as oblatas, a cruz, o altar; não porém relíquias ou imagens.

Uma das principais mudanças do Concílio Vaticano II foi a exigência, sempre que possível, do altar separado da parece para permitir, entre outras coisa a incensação completa do mesmo. Assim a incensação do altar faz-se com simples ictus do seguinte modo:

"a) se o altar está separado da parede, o sacerdote incensa-o em toda a volta;

b) se o altar não está separado da parede, o sacerdote incensa-o primeiro do lado direito e depois do lado esquerdo."

Durante o ofertório, na Missa, junta-se à incensação do altar, à das oblatas e da cruz da seguinte forma:

"Se a cruz está sobre o altar ou junto dele, é incensada antes da incensação do altar; aliás, é incensada quando o sacerdote passa diante dela. O sacerdote incensa as oblatas com três ductos do turíbulo, antes de incensar a cruz e o altar, ou fazendo, com o turíbulo, o sinal da cruz sobre as oblatas." A forma acima dita, o sinal da cruz sobre as oblatas ,é feito da seguinte forma em duas partes. Tal rito constava no cerimonial tridentino, sendo reintroduzido no missal de 2002 pelo Papa João Paulo II:

a) Em forma de cruz, com 3 cruzes, dizendo as respectivas fórmula:


" 1. INCENSUM 2. ISTUD 3. A TE 4. BENEDICTUM 5. ASCENDAT 6. AD TE, DOMINE "


b) Em forma de círculo com 3 círculos, com as fórmulas:

"7. ET DESCENDAT SUPER NOS 8. MISERICORDIA 9. TUA"



e) Após a incensação no ofertório, turiferário, naveteiro, um diácono (se existirem vários) e ceroferários se dirigem para a porta da igreja. Ao entoar do Sanctus, entram na na igreja em direção ao altar na seguinte ordem: cerimoniário, naveteiro e turiferário, ceroferários dois a dois, diácono. Chegando ao presbitério ficam de pé, sem subir nele ficando na seguinte ordem, da esquerda pra direita: cerimoniário, ceroferário(s), turiferário, diácono, naveteiro, ceroferário(s). Ajoelham-se na epíclese e ficam ajoelhados até o fim da oração eucarística. Saindo enquanto se canta "Amém". Saem na mesma ordem que entratam.

Os ceroferários podem ser 6, 4 ou apenas 2. Podem ainda ausentar-se. Caso o diácono não possa incensar, o turiferário toma o seu lugar ao centro.



Liturgia das Horas

"Na liturgia das horas pode-se usar incenso nas Laudes e Vésperas, quando celebradas solenemente. Durante o canto evangélico incesa-se o sacerdote, o altar e o povo."

Na falta do diácono para incensar o sacerdote, ao altar e o povo, fá-l0 um acólito.


A incensação na exposição do Santíssimo Sacramento e em sua bênção será tratado em postagem própria sobre esses ritos.

Esse texto foi feito com base no Cerimonial dos Bispos, números de 84 a 98; Introdução Geral do sobre o Missal Romano, números 276 e 277, 173 e 178.







18 comentários:

  1. Post muito bom!
    Ainda com relação à incensação, sempre tive uma dúvida: qual a diferença entre ducto e icto?

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  2. Muito obrigado! Mataram todas as minhas dúvidas.

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  3. Um ponto interessante, mas poucas vezes lembrado, é o poder exorcístico do incenso abençoado, quando utilizado em um ambiente.

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  4. Que bom que gostaram! Que esta postagem sirva para correção de erros litúrgicos e para uma maior utilização do incenso nas celebrações. Quanto aos ductos e ictus, isso já foi falado na postagem. Icto é o "jogar" do turíbulo para frente uma vez e ducto é o dobro disso, lançar e puxar o turúbulo 2 vezes.

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  5. Gostaria de saber se haverá a diferenciação entre como se dá uma exposição solene e a não-solene do SS. Sacramento. Grata.

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  6. Evelyn,

    Exposição solene é a feita no ostensório. A simples é a feita na âmbula/píxide.

    Visto isso, é bom saber que existem regras a seguir. A solene requer que o padre/diácono vista pluvial embaixo do umeral pouco antes da bênção e durante ela. Pode ser usado também na exposição (no ato de colocar o Ssmo. no ostensório). E deve ser usado na reposição. O incenso é obrigatório.

    Na simples, o pluvial e o incenso são facultativos.

    Leigos só podem, com autorização do Bispo, expor o Ssmo. de modo simples, nunca solene.

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  7. Rafael,

    e quanto ao incenso... ele é 'obrigatório' em toda exposição solene? Ou facultativo?

    Ia perguntar se um leigo pode colocar o SS. no ostensório e que tipo de veste deveria usar... mas acho que não é permitido, visto sua última frase.

    Ocorre muito frequentemente em minha paróquia de a exposição se dar pelos MECEs, ser colocado, retirado do ostensório e ser levado para o tabernáculo por eles. O padre só aparece na benção. E por ser no ostensório é solene né? Não se usa incenso também.

    Estou acompanhando o site e vou aguardar algo sobre como 'resolver' esse tipo de erro.

    Parabéns por esse apostolado!
    Deus te abençoe.

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  8. Gente, De onde surgiu esses movimentos circulares sobre as oblatas? e porque o ultimo é ao contrario?

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  9. E qual é a oração latina para a benção do incenso?

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  10. Oi, gente!

    Tenho visto frequentemente espécies de "incensários" (não sei se é assim que se chama) que me parecem ser para usar em casa. Posso comprar um desses e usá-lo na minha humilde "Igreja Doméstica" se for o caso?Posso usá-lo em minhas orações pessoais ou apenas se for rezar a Liturgia das Horas?Poderia usar para a Liturgia das Horas estando sozinha caso meu marido não possa rezar comigo?Ou como igreja doméstica deveria usar apenas quando estivéssemos reunidos para rezar?Desde já agradeço! Rayana

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  11. DA ONDE POR FAVOR VOCES TIRARAM TUDO ISSO SOBRE A INCENSAÇÃO?? TEM UM SEMINARISTA NA MINHA PARÓQUIA QUE ELE NAO CONCORDA COM ISSO E MANDOU EU PESQUISAR NAS FONTES DE VOCES..... EU SOU COORDENADOR DOS COROINHAS E ACÓLITOS E ESTAVA PEDINDO PARA ELES FICAREM AJOELHADOS ATÉ O FINAL DA DOXOLOGIA, MAS DAÍ ELE VEIO E MANDOU A GENTE PARAR COM ISSO!!!! ME AJUDEM!!

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  12. Tenho a mesma dúvida da Rayana. Posso usar incenso nas minhas orações domésticas?

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  14. Post muito bom!! Parabéns!!
    Só que ainda não ficou claro a diferença de ductos e icto mesmo com o seu comentario. gostaria de uma explicação mais clara. Obg

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  15. Boa Noite... tem uma imagem que nao está aparecendo.. e queria muito poder ve-la! obg pela compreensão

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  16. Sou membro de um grupo de acólitos em Curitiba e sempre paira uma dúvida na tempo pascal. Posso incensar o Círio Pascal durante todo o Tempo Pascal ou somente no sábado santo? Existe alguma orientação oficial da santa sé para esta prática litúrgica?

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  17. Olá, boa tarde!

    Gostaria de tirar uma duvida referente à liturgia das horas. Quando rezamos dentro da missa solene a liturgia das horas (uma Vésperas), no cântico evangélico: Magníficat ,podemos incensar o altar normalmente durante o cântico? Ou não é necessário, pois ele já foi incensado durante a missa.

    Abraço!

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  18. Post excelente!
    Poderiam também explicar sobre ducto e icto.

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