Manchetes

sábado, 11 de julho de 2009

O barrete e o solidéu

Barrete
O barrete é um objeto quadrangular provido geralmente de 3 palas e quase sempre de um pompom. Sua cor varia de acordo com o clérigo, podendo ser usado por todos. O barrete tem uma representação de autoridade. Ao pronunciar uma sentença, por exemplo, os juízes na antiguidade utilizavam o barrete. Os doutores (acadêmicos) utilizam o barrete em funções solenes. O padre, durante a confissão, utilizava obrigatoriamente o barrete para simbolizar exatamente que era ele em posição de Juiz que estava absolvendo o penitente. Nas funções litúrgicas, igualmente, para demonstrar a função de autoridade, junto com os outros clérigos. Ainda hoje é profundamente recomendável que o padre faça uso do barrete no exercício de suas funções. Ao lado temos a representação de um barrete tradicional: ao lado destacamos as palas, em número de três; ao lado destaca-se o pompom ao centro e pode-se ver com maior precisão as três palas (o lado sem pala é o da orelha esquerda) . Também vemos o solidéu, este consta de oito partes costuradas entre si com uma pequena proeminência. Barrete e solidéu tem a sua cor definida de acordo com o clérigo.


Cores e Hierarquia
O barrete é preto com borla preta para os padres e diáconos, Para os monsenhores Capelães de Sua Santidade, Prelados de Honra e Protonatários Supranumerários é munido de borla violeta. Para os Protonatários Numerários deve possuir borla vermelha. Os bispos usam barrete violeta. Os cardeais usam barrete todo vermelho e sem borla. O papa, embora esteja em desuso, faz uso do barrete branco. Ao lado temos um barrete de monsenhor, abaixo um cardinalício (detalhe para a ausência de borla) e um episcopal.

CardealBispoMonsenhor
Uso durante as celebrações
Como a mitra, é retirado durante várias partes da celebração, : nas preces introdutórias, nas orações presidenciais, nos hinos quando são cantados de pé, durante o evangelho, a oração dos fiéis, o credo e toda a liturgia eucarística, desde depois de receber os dons até retomando-o após a oração após a comunhão. Diferentemente da mitra, não se usa barrete para dar a bênção final ou oração sobre o povo, seja na missa seja fora dela. O barrete pode ser usado com as vestes corais (nas quais é obrigatório), com casula ou pluvial, ou ainda apenas com estola para o sacramento da confissão. Abaixo temos um bispo em vestes corais que faz uso do barrete violeta, um cardeal que usa barrete vermelho com o pluvial e um padre que ouve as leituras da missa usando barrete preto. Quando se usa mitra, não se faz uso do barrete.

D. Eusébio Cardeal Scheid usando barrete e pluvialSacerdote cisterciense celebrando a Missa no rito ordinário
Uso fora das celebrações
O uso do barrete também pode dar-se fora das celebrações, podendo acompanhar a batina, mormente quando usa-se mantel. Abaixo observamos Dom Antônio Keller fazendo uso do barrete violeta com mantel e um padre que usa seu barrete preto com a mesma capa.


Outros modelos de barrete
O barrete pode apresentar-se em outros modelos, todavia a variação das cores e o uso é o mesmo. Nas imagens mostramos um barrete preto com borla vermelha e um violeta.

Solidéu
O solidéu é uma pequena calota que os clérigos usam na cabeça. Sendo preto para os padres, para todos os monsenhores é preto com frisos violáceos. Todo violeta para os bispos, vermelho para os cardeais e branco para o papa. Nas figuras abaixo temos as diferentes cores de solidéu. No detalhe os frisos violeta do solidéu dos monsenhores.

Barrete Cardinalício
Após a abolição do galero cardinalício, o barrete tomou seu lugar na principal cerimonia do colégio: a criação. Quando o papa escolhe um homem para se tornar cardeal, a cerimonia que marcava o ingresso dele no colégio dos cardeais era o recebimento do galero (chapéu de abas largar e munido de borlas). Atualmente o cardeal recebe o barrete de cor vermelha como se mostra na figura abaixo. Em virtude de tal importância, os cardeais são proibidos de usar barrete com vestes comuns, isto é, seu uso resume-se às vestes sagradas e às vestes corais.

Cônegos
Os cônegos usam barrete de acordo com as determinações próprias de cada cabido. Geralmente usam barretes pretos com pompom violeta. Alguns, principalmente cônegos catedrálicos de sedes cardinalícias, usam pompom vermelho. Abaixo temos uma foto de Monsenhor João Clá Dias, cônego da basílica papal Santa Maria Maior e os cônegos catedrálicos de Frederico Westphalen com seu bispo.

15 comentários:

Guilherme disse...

Kairo, padres podem utilizar o solidéu? O tempo todo?

Kairo Neves disse...

Padres podem usar solidéu sim, totalmente preto. Algumas ordens religiosas podem usá-lo de outra cor, como marrom ou mesmo branco, de acordo com o a cor do habito. Não o utilizam em todas as situações, retiram-no em algumas circunstâncias.

Uislei disse...

Kairo:
No item : uso fora das celebrações vc colocou além da foto de D. Keller uma foto de um outro bispo,no lugar da foto do padre que vc escreveu.
Do mais eu gostei pacas do tópico.
Vou recomendar para meus amigos.

Alipio disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Adilson Magri disse...

Nossos Cônegos Catedráticos, o cadeirante é falecido ...

Anônimo disse...

Li na revista que tinha uma foto do Mons. João Cônego de Santa Maria Maggiore, mas não tem a foto...????

Anônimo disse...

tudo na liturgia tem um significado, pode me dizer o que quer dizer o que significa as três palas do barrte? Porque o barrete de cardeal não tem Ponpom?

Iacobus conimbricensis disse...

Na verdade, o uso do barrete fora das celebrações não é liturgicamente correcto. Fora da liturgia, o clérigo deve usar o chapéu eclesiástico, de acordo com a hierarquia que ocupa na Igreja.
Já agora, deixo-vos um pequeno texto de D. António Coelho (OSB) no seu Curso de Liturgia Romana, onde nos explica, exactamente, o aparecimento destas duas peças da indumentária eclesiástica:
«1. Nos primeiros séculos os membros da Hierarquia exerciam as suas funções litúrgicas descobertos. Nos séculos VIII e IX cobriam-se com o amicto. No século X o amicto e o capuz do pluvial foram sensivelmente reduzidos e separados do resto do vestuário. Daí uma espécie de boina, um diminutivo do capuz ou birrus, chamado por isso, biretum.
2. Da sua forma primitiva (mole e cingido à cabeça) resta um vestígio, o solidéu. […]
3. O barrete actual é uma das fases de deformação do antigo capuz.»
Tiago Monteiro Dias.

Kairo Rosa Neves de Oliveira disse...

O barrete não é paramento, assim sendo, faz parte das vestes dos clérgos. Seu uso fora da liturgia só é ilícito aos cardeais, conforme foi descrito acima.

Fabio Junior disse...

olá Gostaria de saber se qualquer Cônego Regular pode usar barrete e solidéu branco. Pois vi um Cônego Regular a da Ordem do Premonstratense usando.

Anônimo disse...

eu tenho uam foto de um cônego Premonstratense com barrete na cabeça e gostaria de mandar pra vc pra colocar no site. Eu tbm já fui premonstratense em salvador na Bahia e lá os cônegos usam o solidéu, pois eu era costureiro e fiz muitos solidéis para os confrades, forte abraço.

Kairo Rosa Neves de Oliveira disse...

Pode enviar a foto para kairo@salvemaliturgia.com

Anônimo disse...

Mas isso é um "costume" adotado por aquela canonia e não uma tradição de toda a Ordem Premonstratense.

Anônimo disse...

Um fato interessante que gostaria de colocar aqui à respeito da Ordem Premonstratense é que em um certo momento na sua história houve uma "rebelião" de Abades que resolveram abolir o uso da mitra para a sua categoria, portanto, usariam somente o báculo. Estes alegavam que a mitra era um pouco de ostentação para eles que deveriam ser pastores na simplicidade. Graças a Deus isso não pegou e ainda hoje os abades da Ordem recebem a mitra e o báculo no dia de sua benção. Mas, o espirito de rebeldia ainda reluta as vezes...

Anônimo disse...

sim infelizmente a rebeldia existe, somente a canonia Premonstratense de Montes Claros em Minas Gerais ainda cantam cantos gregorianos em seus ofícios , por as demais já modernizaram tudo. Um pena isso.

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