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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Roquete e sobrepeliz

Introdução
Roquete e sobrepeliz são duas vestes muito semelhantes. Seus papéis também podem se confundir. Apresentamos aqui a história de tais peças de maneira resumida. Tratamos ainda de seus usos na liturgia e suas principais diferenças.
O Roquete

Do que se trata
Trata-se de uma "túnica" de cor branca. Geralmente feita de linho fino ou tecido semelhante. Atinge os joelhos. Distingue-se da sobrepeliz principalmente pelas mangas mais estreitas, frequentemente enfeitados com rendas. Pode ser forrada nos punhos e/ou na barra.

Roquete com punhos forrados de vermelho
Quem usa e como usa
Esta peça é usada na atualidade por bispos e alguns prelados. Entretanto o direito de usar pode ser concedido à outros: como os cônegos da igreja catedral. Seu uso se dá com as vestes corais. Não é uma veste sacra, não podendo ser utilizado como um substituto para o sobrepeliz. Quando o bispo se troca, pode manter o roquete sobre a batina, colocando sobre eles o amito, a alva e os demais paramentos. Não pode, porém usar a sobrepeliz sobre o roquete, no caso de administrar algum sacramento.


Cardeal em vestes corais com roquete

História
As primeiras conhecimento do uso do Roquete datam do século IX. Trata-se de um inventário dos paramentos do clero romano. Neste ele é chamado "camisia". O nome "rochettum" apareceu em Roma no século XIV, não demorou muito para substituir todas as demais denominações.
Fora de Roma, tal paramento também era usado. No império franco (século IX) , como "Clericalis alba"; e na Inglaterra (século X), sob o nome de "oferslip". No início do século XII, o Roquete é mencionado por Gerloh de Reichersperg como "Talaris túnica". A partir do século XIII em diante, é frequentemente encontrado nos textos sobre liturgia.Um bom exemplo da "camisia" do século XII é o Roquete de Thomas Becket, o único sobrevivente medieval.

Roquete de Thomas Becket

O IV Concílio de Latrão prescreveu seu uso para os bispos que não pertencem a uma ordem religiosa, tanto na igreja quanto em todas as demais aparições públicas.
Significado
Com o resumo de seu uso aos bispos e alguns prelados, o roquete ganhou ao longo do tempo, o significado de autoridade e jurisdição.

Protonatário apostólico com manteleta sobre roquete em São Pedro

Papa em vestes corais com roquete, detalhe nas mangas com renda

Dom Eugênio Cardeal Sales com roquete na posse de Dom Orani

O então cardeal Ratzinger com roquete

Pio XII com roquete

D. António Barreto, Bispo do Porto (Portugal)

Papa João XXIII

Bispos de roquete nas vestes corais

A sobrepeliz
Do que se trata
Veste branca usada pelos sacerdotes em rituais que não se juntou à missa, por vários ministros no exercício de suas funções. A liturgia sempre quis colocar uma veste branca como base, à semelhança dos 24 anciãos que estão nos céus em volta do trono do Cordeiro (Ap 4, 4).
Não se sabe ao certo, o início do uso da sobrepeliz. Sem dúvida era originalmente uma veste reservada para procissões enterros e ocasiões semelhantes. Na Inglaterra e na França, já era encontrada no século XI. Na Itália, somente no século XII. Fora usada em casos isolados, como na administração de alguns sacramentos. Ao fim deste século já era característica do baixo-clero em suas funções litúrgicas. A vestição da sobrepeliz sobre os clérigos após a tonsura é descrita nos livros litúrgicos nos séculos XIV e XV. Os agostinianos tiveram, certamente,um papel fundamental na propagação do uso da sobrepeliz, usando-a nos serviços litúrgicos e como parte do próprio hábito. Nesta última função a sobrepeliz foi sendo substituída pelo escapulário. Originalmente, a sobrepeliz era uma vestimenta longa chegando aos pés, no século XIII começou a se reduzir, até atingir a forma que tem hoje. Seu nome se deve aos países nórdicos, onde era endossada sobre roupas de pele, por conta do clima frio.
Acólitos
A sobrepeliz é usada por acólitos que servem à missa como turiferário, cruciferário, ceroferário, etc, tanto na forma ordinária como na forma extraordinária do rito romano. Conforme era usada pelos agostinianos e posteriormente em toda a Itália, no fim do século XII.

Forma ordinária do rito romano celebrada pelo Papa Bento XVI

Acólito servindo na forma extraordinária do rito romano

Idem
Cerimoniários
Um dos casos mais notáveis do uso da sobrepeliz é pelos cerimoniários. Eles endossam a sobrepeliz sobre o hábito talar que lhes é conveniente. Abaixo tem-se algumas fotos dos cerimoniários pontifícios usando sobrepeliz.

Cerimoniários assistindo ao papa durante o rito do lava-pés. Observe que Mons. Guido Marini (à direita) usa sobrepeliz com renda e não roquete. Observe as mangas: são largas.

Na celebração da sexta-feira santa, durante o rito da adoração da Santa Cruz.
Vestes corais
Nas vestes corais o roquete pode ser substituído pela sobrepeliz, conforme determinação da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.
Papa em vestes corais com sobrepeliz

Cardeal Serafim com vestes corais cardinalícias com sobrepeliz.

Cardeal Serafim com sobrepeliz com renda em Vitória

Administração dos sacramentos
Sempre que o sacerdote confere algum sacramento for da missa, faz uso da sobrepeliz sobre hábito talar e com estola. A cor desta de acordo com o sacramento em questão. Tal prática é antiga e já encontra na Itália no século XII.





Diáconos, Presbíteros e Acólitos assistentes
Na forma extraordinário do rito romano, os diáconos-assistentes usam sobrepeliz. Eles vestem-se ainda com batina e dalmática ao desempenharem sua função. Deixam à mostra, a parte inferior da batina.
De igual maneira, o presbítero-assistente e os acólitos-assistentes usam a sobrepeliz sob o pluvial; o primeiro com amito.
À frente do bispo, os dois diáconos assistentes e o presbítero assistente.

Procissão: os diáconos assisntes à frente do bispo. Podemos observar claramente as sobrepelizes.Pontifical ao trono na forma extraordinária, os diaconos-assistentes estão à frente com dalmáticas

Diferenças básicas
Concluindo esta pequena esplanação acerca dessas duas vestimentas. Gostaria de enfatizar as diferenças básicas entre os atuais modelos de roquete e sobrepeliz. O primeiro é estreito, apresenta grande quantidade de rendas e notavelmente mandas unidas às da batina. A sobrepeliz é mais larga, não possui necessariamente rendas e, se as possui, é em menos quantidade. As mangas são mais largas e não rentes às da batina. Abaixo detalhe das mangas:

Roquete

Sobrepeliz

Bibliografia:
  • Decreto da Congregação dos Ritos de 10 de janeiro de 1852
  • M. Magistretti, vestuário igreja em Milão, II ed., Milão 1905, pp. 30-34: G. Braun, suas vestes, trad. ital., Turim 1914, pp. 81-84, E. Roulin, Linges. insignes et liturgiques vêtements, Paris 1930, pp. 28-34
  • M. Magistretti, Delle vesti ecclesiastiche in Milano, II ed., Milano 1905, pp. 30-34: G. Braun, I paramenti sacri, trad. ital., Torino 1914, pp. 81-84; E. Roulin, Linges. insignes et vêtements liturgiques, Parigi 1930, pp. 28-34.Enciclopedia Cattolica, IV, Città del Vaticano, 1950.
  • http://en.wikisource.org/wiki/Catholic_Encyclopedia_(1913)/Surplice
  • http://en.wikisource.org/wiki/Catholic_Encyclopedia_(1913)/Rochet

20 comentários:

  1. gostaria de saber sobre que hábitos religiosos é possível usar a sobrepeliz?
    Franciscanos, Carmelitas, Dominicanos, beneditinos...
    Pelo texto já vi que os agostinianos usam...

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  2. Gostaria de saber qual a diferença entre uma dalmática e uma tunicela

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    1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. Via de regra, pode-se usar sobrepeliz sobre qualquer hábito que seja dito talar, isto é, que chegue aos calcanhares. Não sendo permitido seu uso para hábitos que não o sejam, como o hábito dos Arautos do Evangelho.
    Sobre dalmática e tunícela trataremos em uma próxima postagem, comentando os elemntos que elas contêm e também o formato e a história.

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  4. No rito extraordinário os sub-diáconos usam a tunicela,esta difere da dalmática em geral por não não ter faixa horizontal entre as clavi.
    Assim a tunicela só tem as duas faixas paralelas verticais, e a dalmática possui duas faixas verticais e duas horizontais.
    Mas hoje em dia as contruções de dalmáticas estão sem estas faixas, dificultando a diferenciação de uma para a outra.

    Ass: Uislei

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  5. João:
    O uso da batina completa com todos os acessórios é permitido aos acólitos não-instituídos (leigos) apenas quando estes estão desempenhando as suas funções. Não podendo usá-los fora destas situações. A sobrepeliz pode ser usada por ambos (acólitos e cerimoniários).
    Os acólitos podem usar os 2 paramentos (Batina+ sobrepeliz ou túnica+cíngulo), mesmo que estes sejam leigos.
    Eu prefiro usar a túnica, por 2 motivos: é menos calorenta e pelo preço (com 50 reais vc faz uma). A batina + sobrepeliz só usaria se eu tivesse dinheiro para comprá-la (é muito cara) e para fazer uma batina genérica vc precisa de uma excelente costureira (que irá cobrar os olhos da cara)

    Ass: Uislei

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  6. Para Uislei:

    O que é 'caro' para você?
    Eu sou cerimoniário (vocacionado) e fiz batina+siobrepeliz para mim sob medida com costureira e não gastei muito - posso dizer que foi BEM mais barato do que os paramentos de uma "Arte Sacro" da vida...

    CLareo que não estou sendo esnobe, juntei dinheiro uns 3 meses para não pesar no orçamento :D

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  7. Bom dia!

    No artigo acima se falou de Sobrepeliz e Roquete mas, se confundiu por vezes com a Cotta. Esta por sua vez é a veste coral de prelados inferiores (Monsenhores - Capelães de S.S., Prelados de Honra e Pronotarios Apostólicos) e alguns padres, párocos em Roma.
    Se equivoca ao dizer que a veste de Mons. Marini é uma Sobrepeliz com rendas, o correte é que ela é uma Cotta.
    Via de regra esta é curta no corpo, terminada em rendas assim como nas mangas, que são um pouco mais curtas que a Sobrepeliz. Não leva bordado interno da cor da batina a quem tem direito ( como na roquete ).
    O final do Cerimonial dos Bispos da Novus Ordo (revisado por S.E. Mons Piero Marini) traz um documento da Secretaria de Estado vaticana referente as vestes eclesiásticas (pouco detalhado) por isso é bom ver alguns outros da Sagrada Congregação dos Ritos (S.C. do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, nomenclatura posterior ao II Concílio)

    Marco Victorino

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  8. Não é o patriarca de Lisboa....

    é D. António Barreto, Bispo do Porto (Portugal)... o processo de beatificação está a decorrer em Roma!

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  9. Como então se chama aquela espécie de "alva" que os bispos ou até mesmo padre e ou diáconos usam depois do amito, que parecem uma sobrepeliz, porém, que vai até os pés, sendo como renda no final no punho e do joelhor para baixo

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  10. Poderia colocar o link de alguma foto? Pela sua descrição me parece que trata-se mesmo uma alva, um modelo com muita renda que deixa transparescer a batina.

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  11. gostaria de saber se cerimoniario pode usar tunica com cingulo?

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  12. Sou acolito mas acho que minha sobrepeliz ta muito grande ela vai até o joelho!

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    1. não se preocupe sobrepeliz é grande mesmo, eu sou mestre de cerimonias e meu sobrepeliz vai ate o joelho.
      O sobrepeliz pode ser substituído roquete é quase a mesma coisa só que não chega nem no joelho.

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  13. Não, A sobrepeliz não pode ser substituído pelo roquete: são vestes diferentes.

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  14. Gostaria de saber se alguém possa me passar algum documento da Igreja que explica a liberdade do uso da batina + sobrepeliz durante a missa pra acólitos não instituídos??
    Pois nosso Bispo está nos questionando onde está escrito que podemos usar batina + sobrepeliz na Missa, por ele estas vestes são de seminaristas e clérigos, ele não proibiu o uso, porém está querendo que a gente mostre a ele o que a Igreja diz sobre isso.
    Acredito que isso seja uma lição de casa, mas não estou encontrando rsrss!!!

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    Respostas
    1. Está no item 36 da instrução geral do Cerimonial dos bispos, conforme você pode verificar no site:
      http://www.portalcarismatico.com.br/menu/download/Cerimonial%20dos%20Bispos.pdf

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  15. Ageu, é verdade.. É muito difícil achar algo sobre isso... Estamos montando uma nova equipe de acólitos não instituídos na paróquia e não consigo encontrar de jeito nenhum algum documento que diga algo sobre isso.. Vejo em muitas paróquias, os acólitos e cerimoniários usando batina, inclusive com o colarinho romano, mas vejo também lugares em que não se usa o colarinho romano... Bem como, lugares que o cerimoniário usa a batina violácea... Outros não... Não sei se isso cabe uma conversa com o bispo, e se ele autorizar, usa.. Se não, não.. Vamos procurar... Pessoal ajudem, por favor.

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  16. Queria saber se coroinhas só podem usar o sobrepeliz ou ele pode ser substituído pelo roquete?

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  17. Há um pequeno erro!
    O Bispo do Porto retratado na foto é D. António Barroso e não Barreto!

    Cumprimentos

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