Manchetes

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Reforma da reforma" - Prof. Mauro Gagliardi

Uma entrevista fantástica sobre a Sagrada Liturgia foi publicada recentemente pela Agência Católica Zenit, com o professor Mário Gagliardi, professor de liturgia dos Legionários de Cristo, sobre o livo que acaba de publicar sobre o assunto (com prólogo de ninguém menos que Dom Mauro Piacenza, secretário da Congregação para o clero), chamado "Liturgia fonte di vita – Prospettive teologiche".

Creio que a entrevista é muito ousada e profética, no que diz respeito ao que tanto temos escrito sobre a "reforma da reforma".

Destaco o seguinte trecho da entrevista, sobre o Reforma Litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II:

“Após o Vaticano II, uma comissão dedicada a isso trabalhou para levar a cabo a reforma geral da liturgia, pedida pelo Concílio. Os resultados concretos desta reforma, segundo admitiram o então cardeal Ratzinger e outros muitos especialistas, não correspondem em todos os detalhes concretos ao texto da Sacrosanctum Concilium.

Aqui, as posturas divergem: uns falam de traição ao Concílio e, ainda mais, à Igreja e à sua imemorial tradição litúrgica, e desejariam uma anulação completa da reforma, à qual seguiria uma restauração da liturgia à situação de 1962, quando não antes.

Outros, pelo contrário, tendem quase a fazer uma canonização da reforma, da maneira como se levou a cabo e dos resultados, e se mostram às vezes inclusive agressivos quando alguém lança a hipótese, certamente não de anulá-la, mas somente de revisá-la e corrigi-la.

Ambas as posturas, a meu ver, estão equivocadas. E estas perspectivas nos impedem também de avaliar de forma correta algumas importantes decisões que o Santo Padre tomou. Contudo, existe uma terceira via, que é a correta, e que consiste em favorecer o desenvolvimento homogêneo da tradição litúrgica da Igreja.”

Sobre a Missa Tridentina (a forma tradicional de celebração do Rito Romano, celebrada normalmente até a Reforma Litúrgica, posteriormente restrita a autorização dos Bispos Locais e atualmente liberada universalmente pelo Santo Padre desde 2007 com Motu Próprio “Sumorum Pontificum”), é dito na entrevista:

“Desde a publicação do motu próprio Summorum Pontificum, há mais de dois aos, muitas vezes os jornais, revistas e sites mostram notícias de declarações e/ou decisões de membros do clero, que parecem ir em uma direção diversa da desejada pelo documento pontifício. Neste sentido, pode-se dizer que uma parte, que eu não saberia quantificar, de bispos e sacerdotes parece não estar entusiasmada com a ideia de ver uma nova difusão da celebração da Missa segundo o uso mais antigo.

Os motivos desta postura podem variar e está claro que aqui não podemos fazer uma análise profunda. Minha opinião é que, se o Santo Padre decidiu favorecer, através da sua decisão, os que desejam celebrar ou participar da forma mais antiga do rito romano, aqueles que não amam especialmente esta forma – e, portanto, não desejam valer-se pessoalmente da faculdade concedida – não deveriam colocar obstáculos à realização de uma normativa que, tendo emanado da Suprema Autoridade, tem valor para toda a Igreja. Certamente, pode haver casos particulares, em que os amantes do rito de São Pio V tenham pretensões excessivas.”

Para ler a entrevista, na íntegra:

http://www.zenit.org/article-23077?l=portuguese
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