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terça-feira, 20 de abril de 2010

Ritos Iniciais da Missa II

Por D. José Palmeiro Mendes, OSB,
Abade Emérito do Abadia Nossa Senhora de Montserrat (Mosteiro de São Bento), no Rio de Janeiro, RJ

Kyrie eleison

Temos aqui um resquício da língua grega na liturgia latina. Kyrie, eleison, ou seja, Senhor, tende piedade de nós (mais literalmente: Senhor, piedade). Trata-se de uma aclamação já conhecida dos pagãos, uma aclamação honorífica endereçada ao imperador, a um general vencedor de uma guerra ou mesmo a um deus. Era um grito de júbilo, como que um “viva!”. Em si não tem sentido de perdão, não constituindo uma fórmula de ato penitencial, como vemos alguns sacerdotes fazer (outra coisa é a 3ª fórmula de ato penitencial, mencionada em nosso artigo anterior, que integra o Kyrie com três invocações a Cristo). Mas é claro que exprime sempre uma súplica, sendo, p.ex., também utilizada como resposta a intercessões do Ofício Divino.
Sabemos, por Etéria, que em Jerusalém, pelo ano 400, no fim do ofício de Vésperas, um diácono propunha intenções, muitas vezes nomes de pessoas, às quais um grupo de crianças respondia Kyrie eleison. As Constituições Apostólicas (cerca de 380) nos mostram que depois da despedida dos diversos grupos, catecúmenos, etc, havia uma intenção à qual os fiéis respondiam Kyrie eleison.A origem do Kyrie na missa romana é controverso e não vamos entrar aqui nas hipóteses levantadas.
As invocações do atual Missal, a serem cantadas ou recitadas, são três, seguindo-se sua repetição, totalizando então seis vezes: duas vezes Kyrie, duas vezes Christe e mais duas vezes Kyrie. Não se exclui um número maior de repetições por causa da índole das diversas línguas, da música ou das circunstâncias (cf. Instrução Geral sobre o Missal, 52).De fato, a partir do final do séc. VIII o número tinha sido fixado em três Kyrie, três Christe e novamente três Kyrie. No atual Gradual Romano temos diversos casos em que aparecem três vezes cada aclamação, totalizando portanto nove vezes.
Daí o sentido trinitário que vai tomar este canto. Tal interpretação, porém, não é a primitiva, tratando-se na verdade de um canto em que os fiéis aclamam a Cristo e imploram a sua misericórdia, não apenas quando dizem “Christe eleison”. O Senhor, o Kyrios, é sempre Jesus Cristo. O termo Kyrios, na tradução grega da Bíblia dos Setenta, traduz o nome inefável de Deus e a profissão de fé cristã consiste em aplicá-lo a Jesus (cf. Rm 10,9: “Se confessares com tua boca que Jesus é o Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre mortos, serás salvo”).Ele, após fazer-se obediente até a morte, é proclamado para a glória de Deus Pai: “Jesus é o Senhor” (cf. Fl 2, 9-11).
A súplica do Kyrie é no fundo um louvor dirigido àquele que é invocado. O brado de súplica exprime a confiança na bondade e no poder de Jesus Cristo. É um louvor que brota da humildade, uma súplica que parte de um espanto, que louva e adora. Se vê o sentido triunfal que possui em muitas melodias gregorianas.
O número de nove invocações, a que acima nos referimos, foi fixado pelo Papa São Gregório Magno. Se diz que ele tinha diante dos olhos a Cristo cercado pelos nove coros de anjos, que o louvam como Senhor. (cf. Theodor Schnitzler, Missa mensagem de vida, pp. 104-107).

Enfim, lembremos que algumas vezes o Kyrie é omitido: quando precedem determinadas funções, como a bênção e aspersão da água benta aos domingos, ou uma procissão (como no Domingo de Ramos e a festa da Apresentação do Senhor) ou quando a missa está integrada a uma hora canônica, como Laudes e Vésperas.

Glória

“O Glória é uma hino antiqüíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo,m glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. Entoado pelo sacerdote ou, se for o caso, pelo cantor ou o grupo de cantores, é cantado por toda a assembléia, ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores ou pelo próprio grupo de cantores. Se não for cantado, deve ser recitado por todos juntos ou por dois coros dialogando entre si.
É cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes.”

Aprofundemos um pouco estas considerações fundamentais da Instrução geral sobre o Missal Romano (53).
O Glória é uma das mais antigas composições da Igreja.A redação mais antiga conhecida se encontra nas Constituições Apostólicas (cerca de 380), em que falta ainda a parte cristológica. O Código Alexandrino, do séc. V, corresponde quase literalmente ao texto atual. É um dos chamados “salmos não bíblicos”, compostos a maneira dos hinos do Novo Testamento. Era cantado, na Liturgia bizantina, no ofício das matinas. Era assim também em Jerusalém no séc. V. Tinha uma função semelhante a que possui hoje o Te Deum (entre estes dois hinos há um paralelismo também de estrutura). No séc. VI já é mencionado em Roma, introduzido na missa do dia de Natal . Há várias versões do Gloria, uma delas até de tendência ariana. Somente o bispo entoava este hino no Natal, e conservou tal privilégio por muito tempo, ainda no séc. VIII .É atribuída ao Papa Símaco (498-514) a extensão do Glória aos domingos e às festas dos mártires, mas o canto cabia sempre ao bispo. No séc. VIII já aparece na Gália, proferido por qualquer celebrante. Mas um documento do séc. XI ainda diz que também um simples sacerdote podia entoar tal hino, mas acompanhando o bispo (de início só na Páscoa). No final do séc. XIII temos disposições limitando o canto do Glória e o proibindo em certos tempos do ano e em algumas celebrações. O Missal Romano atual o reduziu ainda mais: é dito aos domingos (mas não os do Advento e da Quaresma), solenidades e festas e, facultativamente, em quaisquer missas de caráter mais festivo.
Este canto permanece uma marca de solenidade, sendo um louvor ao Pai, indo até dar-lhe graças por sua glória e que anuncia a paz aos homens que são objeto da boa-vontade divina. É também uma contemplação do Filho, sentado à direita ao Altíssimo. O Espírito Santo é igualmente nomeado no final, mas ele se revela na inspiração muito próxima das Escrituras do conjunto do hino (cf. Robert Cabié, “A Eucaristia” in “A Igreja em Oração – Introdução à Liturgia” (nova edição) sob a direção de A.G. Martimort, p.70-71).
“Enquanto o Kyrie é mais uma invocação de veneração do que um canto, o Gloria in excelsis foi desde o início um hino, um canto. Mesmo que por suas origens o Kyrie e o Gloria sejam claramente distintos, não se pode ver um contraste entre eles: o Gloria é um reforço do Kyrie como adoração e oração. Nem o Kyrie, nem o Gloria foram – como se pensa – compostos em vista da missa. O Gloria era na origem um dos cantos da Igreja antiga, composto tendo como modelo os cantos bíblicos, como o Magnificat e os salmos do Antigo Testamento” (Johannes Hermans, “La Celebrazione dell´Eucaristia – per una comprensione teologico-pastorale della Messa secondo il Messale Romano”, Torino 1985, p. 186).
Julga-se que desde o início fosse um canto de todo o povo: na liturgia romana era entoado pelo bispo, que se voltava em direção ao povo e depois era cantado por todo o povo.
Percorramos agora, com a ajuda de Hermans, o texto deste hino. Ele inicia com um versículo do Evangelho (Lc 2, 14). O termo ‘gloria’ significa originalmente, no uso bíblico, o esplendor revelado de Deus; o Glória não é por isso um dar honra a Deus, mas mais uma profissão daquele esplendor que lhe cabe. É o reconhecimento de um fato histórico, a revelação de Deus na história, e do plano salvífico divino que continua e que deve continuar a realizar-se; trata-se de uma constatação e de um anúncio. A paz de que se fala, é a paz e a salvação do reino escatológico e messiânico, a paz que dá Cristo e que por isso transcende muito a toda paz de origem terrena, mas que se realiza já aqui sobre a terra por graça de Deus. A expressão latina ‘bonae voluntatis’, traduzida por “(homens) por ele amados”, tem um significado diverso daquele que a antiga tradução (‘de boa vontade’) fazia pensar. Não se trata tanto da benevolência dos homens para com Deus, mas da boa vontade de Deus, de sua benevolência. Os homens da ‘boa vontade’ são por isso os homens que Deus escolheu e nos quais se compraz, os homens que Deus ama.
Após este versículo introdutório começa a primeira estrofe, o louvor de Deus. A glorificação de Deus consta de uma sucessão de breves conceitos que exprimem uma única idéia de homenagem a Deus. Com um reagrupamento de expressões que indicam a ação humana de louvor e de agradecimento e os nomes de Deus (cf. também o Te Deum), é cantada a glória de Deus: Laudamus Te, benedícimus Te, adoramus Te, glorificamus Te, gratias agimus Tibi propter magnam gloriam tuam: verbos diversos que exprimem todos a atitude de louvor de ação de graças; seguem os nomes com que são indicados Deus: Domine Deus, Rex caelestis, Deus Pater omnipotens. De tudo resulta uma festiva confissão do nome de Deus.
Com as palavras ‘Domine Fili unigenite’ começa a parte cristológica. Também aqui se trata de uma homenagem. A proclamação de ação de graças e da glória de Deus leva naturalmente o crente à confissão do nome do Filho de Deus, no qual a benevolência do Pai e a glória de Deus se tornaram visíveis sobre a terra. Em primeiro lugar Cristo é indicado com vários apelativos; depois, como uma litania, seguem as implorações que pedem sua obra para a salvação do mundo, para obter misericórdia e favor. Cristo é chamado, com as palavras de João Batista, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Daquele que é o ‘Senhor’, se implora, como no Kyrie, misericórdia (“tende piedade de nós”). O tríplice implorar termina com uma invocação àquele que agora está à direita do Pai. É depois expressa uma tríplice motivação da invocação, dirigida aquele que só ele merece o nome de ‘Senhor’. Em contraposição aos reconhecimentos de divindades que os pagãos davam, os cristãos chamam apenas Jesus Cristo de ‘o Senhor’; os crentes sabem também que toda santidade cristã é só uma irradiação e uma participação na santidade do único santo, o Senhor.
A parte cristológica do Glória conclui com uma profissão de fé trinitária: o louvor de Deus torna-se um louvor a Jesus Cristo como revelação da glória de Deus e profissão de fé no Deus Trino. O hino assume assim um caráter claramente doxológico.
Encerremos observando que não se pode substituir o Glória por um outro canto ou com um texto análogo (paráfrases), como infelizmente as vezes se faz. Apenas para as celebrações eucarísticas com as crianças se podem usar textos – para o Glória, o Credo, o Santo e o Cordeiro de Deus – que sejam um pouco diferentes dos textos litúrgicos, desde que aprovados (Diretório de Missas com Crianças, 31).

Oração da coleta

Após o “Senhor, tende piedade de nós” (Kyrie, eleison) e, se for o caso, o “Glória”, o sacerdote faz um breve momento de silêncio e, então, profere a oração denominada “coleta”, também chamada “oração do dia’. É propriamente a primeira oração da missa, eis que até agora tivemos uma antífona (Introito), palavras de introdução, uma aclamação (Kyrie), um hino (Glória).
“Estas orações tem um lugar marcante na liturgia. Elas são solenemente pronunciadas ou cantadas. Mas nem os fiéis nem os celebrantes parecem ter notado sua importância. É raríssimo que sejam o objeto de uma pregação que as explique. Ninguém as grava, como se grava por vezes uma leitura bíblica ou um salmo. É porque, muitas vezes, são ditas rapidamente. Ninguém então tem o tempo de se dar conta de seu conteúdo. Com efeito, são breves e densas. Para serem compreendidas, teriam necessidade que se prestasse a elas uma atenção sustentada, e talvez também alguns conhecimentos litúrgicos” (Pe. Adrian Schenker, OP, prefácio ao livro de D. Patrick Hala, monge de Solesmes “Habeamus gratiam – Commentaire des collectes du Temps Ordinaire”, Solesmes, 2002: ele se refere tanto à coleta como às orações sobre as oferendas e depois da comunhão).
A propósito, é bom conhecer a palavra “eucologia”. Trata-se da ciência que estuda as orações e as leis que governam a sua formulação. Em sentido menos próprio, porém já em uso corrente, é o conjunto das orações contidas em um formulário litúrgico, em um livro ou, em geral, nos livros de uma tradição litúrgica (cf. o verbete de autoria de Matias Augé no “Dicionário de Liturgia”, Edições Paulinas 1992, pp. 415-423). À eucologia maior pertencem as orações mais complexas, como os prefácios, as orações eucarísticas, as bênçãos solenes. À eucologia menor, pertencem as orações mais simples. Pode-se dizer que a ‘coleta’ é a mais importante oração dentro da eucologia menor, exprimindo a índole da celebração.

O sacerdote convida a assembléia à oração,dizendo: “Oremos”. Segue-se, então, um momento de silêncio em que o sacerdote e todos os presentes tomam consciência de que estão na presença de Deus e fazem sua oração particular. Não deve ser demasiado breve –pois então não daria para nada, seria uma ficção o silêncio – nem demasiado longo.Alguns liturgistas falam em aproximadamente dez segundos. E então o padre se volta para Deus e profere a oração, como que recolhendo as orações de cada um dos presentes (o termo “collecta”, “colligere”, significa “colher”, “recolher”... e aí se vê por que se usa o mesmo termo para a “coleta” de dinheiro ou outros dons que são recolhidos durante o ofertório).
A oração é proferida pelo sacerdote de braços estendidos, o que lembra as mãos estendidas e cravadas do Ressuscitado. É o gesto tradicional do orante.
Conforme antiga tradição da Igreja, a oração costuma ser dirigida a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo (o atual Missal só tem três orações que são dirigidas a Cristo: sexta-feira da I semana do Advento, manhã de 24 de dezembro, Corpus Christi). A conclusão exprime este sentido trinitário: “Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo” (ou se menciona o Filho no final: “Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo”).
O povo, unindo-se à súplica do sacerdote, faz sua a oração, aclamando: “Amém”. Trata-se de palavra de origem hebraica que significa: “é verdade”, “é assim”, “é digno de aprovação”. Outras vezes ainda vamos nos referir a ela. Embora uma simples palavrinha, oxalá nunca deixe de ser dita, alta e bom som, de forma consciente, pelos fiéis, mostrando que estão participando atenta e ativamente do rito.
Antigamente na mesma Missa, conforme o dia, se diziam duas ou mesmo três orações, proferindo-se apenas a conclusão “Por nosso Senhor...” no final (por exemplo: a oração própria do dia + a oração da oitava de uma grande festa + a oração de um santo; ou então: a oração própria da festa do dia + oração própria de uma ordenação sacerdotal). Hoje isso não deveria se verificar mais, pois a Instrução Geral sobre o Missal Romano é clara: Na Missa sempre se diz uma única oração do dia” (nº 54), o que nem sempre é seguido.

Muitas das coletas da Missa são de uma venerável antiguidade – algumas até do séc. V - tendo como fontes antigos livros litúrgicos dos sécs. VI, VII, VIII... Há orações provavelmente compostas por Padres da Igreja, como S. Leão Magno e S. Gregório Magno; outras se inspiraram neles e em Santo Agostinho, Santo Ambrósio, S. Cesário de Arles, etc. Criou-se mesmo um “estilo romano” das orações, que vem da liturgia romana clássica, que é a destes tempos antigos: as orações são concisas, objetivas, numa linguagem quase jurídica, estilo ritmado, enfim textos nada poéticos e sem sentimentalismo. Isto se vê especialmente quando tomamos os textos em latim ou fazendo uma tradução literal das coletas (a tradução portuguesa do Missal feita pela CNBB as vezes se afasta bastante do texto latino e se espera agora uma tradução um pouco mais literal, pedida pela Santa Sé). O Missal contém também algumas coletas feitas recentemente, por ocasião da reforma litúrgica pós-conciliar, redigidas de forma especial a partir de textos do Concílio Vaticano II (por exemplo, nas Missas para diversas circunstâncias). Tais coletas são facilmente identificadas por terem um texto grande, sem a brevidade romana.

As coletas são compostas geralmente em três partes:
- uma invocação inicial: dirigida, como dissemos, a Deus Pai, lembra um atributo de Deus (todo-poderoso, eterno, cheio de misericórdia...), contém uma memória, a recordação do ato salvífico ou a vontade salvífica de Deus;
- súplica: mostra a atitude de humildade do suplicante (as vezes se resume numa palavra);
- desejo: fazemos um pedido, ainda que de forma genérica.
Tomemos, como exemplo, a coleta da Missa da Noite de Natal, que remonta aos meados do séc. VII (Sacramentário Gelasiano):
1ª parte: Ó Deus – diz simplesmente, sem evocar nenhum outro atributo da divindade; e aí prossegue recordando o ato salvífico da noite do Natal: “que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz”;
2ª parte: a súplica consiste simplesmente na palavra “concedei”;
3ª parte: pedimos “que, tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu sua plenitude”.

Chamando a atenção para a oração da coleta, queremos, de forma especial, convidar os leitores a passarem a prestar atenção a ela, tanto quando a ouvem sendo proferida pelo sacerdote na celebração eucarística, como preparando a missa, ou quando retomam os textos posteriormente, na ação de graças, lendo o pequeno Missal dominical ou cotidiano ou o folheto da missa dominical.Uma boa idéia é tomá-las mesmo como objeto da “lectio divina”. São textos muito ricos de conteúdo, que precisam ser lidos e relidos, pois o profundo pensamento teológico que transmitem nem sempre é assimilado numa simples escuta. Querendo participar de modo bem consciente da celebração eucarística, podemos nos perguntar: “O que a Igreja nos faz pedir ao Senhor nesta missa?” Isto sabemos pela oração da coleta. Lendo e meditando estas orações aprendemos também a rezar melhor, deixando de pedir – ou pedindo menos ou de forma secundária – pequenas coisas, mas abrindo nossos corações para os grandes pedidos, por vezes pedidos fundamentais em vista de nossa salvação, que a Igreja, dirige ao Pai em nome de todos os seus filhos. O conjunto destas orações constituem, como bem diz o bispo beneditino de Mende, na França, Mons. Robert Le Gall, “uma pequena suma cinzelada de vida espiritual, plena de finura e profundidade”. “As fórmulas da tradição romana – diz ele – em razão de sua concisão, são muitas vezes pequenas jóias que se devem repetir, aprender, reaprender, para guardar no “palácio do coração”, como S. Gregório Magno gostava de falar, o sabor dos mistérios celebrados” (prefácio do livro de D. Patrick Hala, “La spiritualité de l´Avent à travers les collectes”, Solesmes 2004). É belo pensar que muitas destas orações foram proferidas por gerações e gerações de bispos e sacerdotes, alimentando a vida espiritual de muitos santos.

“Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e
como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa
graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os
vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade
do Espírito Santo” (coleta do XI domingo do Tempo Comum).

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