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quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Divina Eucaristia

Para meditação sobre a Eucaristia, inestimável dom, publicamos um texto da Ordem da Santa Cruz e do Opus Angelorum:

É interessante ver que o Senhor realizou as Suas maiores obras nas últimas horas de Sua vida terrena. Sua Paixão, começando com a agonia no Monte das Oliveiras até o Seu último suspiro na cruz, é obra maior do que todos os Seus milagres juntos e, por isso, estas horas foram as mais decisivas da vida do Senhor. Se Ele não tivesse passado estas horas de Sua Paixão, nós ainda não seríamos redimidos. Faltaria o mais importante daquilo que fez em nosso favor.

Afinal, foi no alto da Cruz que Ele consumou a Sua obra, dizendo "Tudo está consumado!"

Por ser obra tão grande, perfeita e importante, a Paixão de Jesus sempre ficará presente na história, como escreve o Catecismo da Igreja Católica: "Quando chegou Sua hora, viveu o único evento da história que não passa: Jesus morre, é sepultado, ressuscita dentre os mortos e está sentado à direita do Pai 'uma vez por todas'. É um evento ... único ... (que) abraça todos os tempos e nele se mantém presente" (cf. Cat. 1085). Este texto do Catecismo nos fala claramente: a Paixão, morte e ressurreição do Senhor é algo presente também em nossos dias. E se perguntarmos como isso é possível, devemos olhar para o Mistério da Santíssima Eucaristia. O Senhor não abandonou os Apóstolos sem antes ter deixado o Santíssimo Sacramento, que é a perpetuação de tudo o que Ele tinha feito em favor de Seus amados.

Isto é algo que nós homens nunca conseguiremos imitar. Podemos, por exemplo, filmar um acontecimento e depois ver novamente o que aconteceu no filme. Por exemplo, o filme de Mel Gibson sobre a Paixão de Cristo, mesmo se fosse uma filmagem de Jesus mesmo em Sua Paixão, é muito diferente daquilo que é a Santa Missa. Este filme seria menos real do que aquilo que acontece na Missa, pois mostraria como foi a Paixão, mas na Paixão mesma não mudaria nada, enquanto a celebração da Santa Missa faz presente o acontecido de tal maneira que misteriosamente podemos participar naquilo que Jesus fez nestas horas e receber o fruto de Sua obra maravilhosa.

Ao instituir o Santíssimo Sacramento, o Senhor deu aos homens a possibilidade de viver perto d'Ele e de unir cada instante da vida com a Sua obra e Sua vida, Sua Encarnação, Paixão, morte e ressurreição. Com isso, Ele quis provocar uma mudança radical de toda nossa vida. Em seguida, vamos tentar aplicar isso a nosso trabalho, pois o Senhor quer mudar também o sentido do trabalho humano por meio da Santíssima Eucaristia.

A Santíssima Eucaristia e o trabalho humano

Já no início de Seu discurso sobre o Pão da vida disse: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará" (Jo 6, 27). Quer dizer que ao instituir o Santíssimo Sacramento, o Senhor quis mudar realmente o sentido de nosso trabalho. "Trabalhai não pela comida que perece" é uma palavra que toca a raiz de nossa existência, pois todo homem tem que trabalhar para ganhar o pão de cada dia, senão vai morrer de fome. E o próprio São Paulo nos exorta: "Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer" (2 Tess 3, 10).

A Santíssima Eucaristia é algo tão precioso que não pode haver coisa alguma em nossa vida sem relação com este "Santíssimo e Diviníssimo" Mistério. Quando o Senhor nos admoesta "Trabalhai não pela comida que perece", podemos perceber por detrás destas palavras a Sua preocupação de que, ao começar a trabalhar pelo pão que perece e pelas coisas terrenas - nos esqueçamos do grande Dom da Santíssima Eucaristia. O Senhor não quer que trabalhemos sem nos aproximar mais do Pão celeste por meio deste mesmo trabalho.

E, de fato, o nosso trabalho tem uma ligação íntima com a Santíssima Eucaristia. Não reza o sacerdote no ofertório da Santa Missa: "Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de Vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano, que agora Vos apresentamos, e para nós se vai tornar Pão da vida"?

Por meio desta prece, o sacerdote oferece todo nosso trabalho ao Pai Celeste. Desta maneira tudo o que fazemos é transformado e é participação na obra do Senhor. Mas não somente isso, até podemos dizer que sem o trabalho humano nem haveria Missa,
pois não teríamos pão se ninguém semeasse o trigo e o colhesse, se outro não fizesse deste trigo farinha, se outro não fizesse da farinha uma massa e desta massa um pão.

Vemos que o sentido de nosso trabalho não é simplesmente ganhar dinheiro, o sustento da vida, por mais necessário que seja isso, mas o trabalho tem um sentido muito mais profundo. E a Santa Missa nos revela este sentido: como o pão é feito por meio do trabalho humano e depois é transformado no Corpo de Cristo, assim todo nosso trabalho deve servir para a edificação do Corpo de Cristo, também pelo Seu Corpo Místico que é a Santa Igreja, o Reino de Deus na terra.

O Senhor poderia ter escolhido outra coisa, por exemplo, uma pedra preciosa para ser transformada em Seu Corpo e uma fruta saborosa a ser transformada em Seu Sangue, mas não quis assim. Usou pão, que desde o paraíso perdido o homem ganha "no suor de seu rosto", e com isso nos ensina que sem esforço humano, sem trabalho da parte dos homens, Ele não quer realizar o mistério da transubstanciação. O Senhor não quer converter qualquer coisa em Seu Corpo, mas escolheu o pão que exige de nossa parte a colaboração para preparar o Divino Mistério, como também quer a colaboração dos sacerdotes na transformação do pão em Seu Corpo. "Trabalhai, não pela comida que perece" eis a razão de nosso trabalhar: o Pão do céu!

Recebemos um salário pelo trabalho, e assim deve ser. Mas, ao ofertar o nosso trabalho ao Senhor na Missa pelas mãos do sacerdote, Ele aceita também tudo o que fizemos, se foi na reta intenção que o realizamos, e nos "paga" também o salário: nos dá o Pão do céu! Este é o verdadeiro salário de nossas obras. São as moedas celestes, as graças que nos fazem merecer entrar pela porta do céu.

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