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sábado, 12 de junho de 2010

Nobre simplicidade: um exemplo prático

Diz o Revmo. D. Peter Elliott, renomado liturgista australiano, em uma de suas obras: "Mesmo a menor das igrejas, com um padre e apenas alguns servos e leitores, pode alcançar aquele mesmo senso de ordem esplendorosa e graciosa solenidade que encontramos nas melhores catedrais e basílicas". (cf. Ceremonies of the Modern Roman Rite, 2nd ed. Ignatius Press, n. 38).

Em nosso país é bastante difícil contarmos com um material e condições satisfatórias para que uma liturgia realmente solene se concretize. Mas, dentro de nossas limitações, há ainda alguns com boa vontade de oferecer o melhor para Deus.

Um ano atrás, no Domingo da Ascensão do Senhor, 24 de maio de 2009 (Domingo mais próximo ao dia dedicado a Santa Rita de Cássia, 22 de maio), foi realizada a Santa Missa numa modesta capela do distrito de Sousas, em Campinas-SP, dedicada a Santa Rita, capela esta aliás construída por meu pai, grande devoto da Santa. O pequeno local de oração abriga no máximo umas 10 pessoas em seu interior, mas isso não impediu que a Missa contasse com a presença de 70 fiéis do distrito, que assistiram a missa ao redor da capela, de pé o tempo todo.

O celebrante convidado, Pe. João Batista de Azevedo Jr., incardinado no Ordinariato Militar do Brasil, cedeu todo o material litúrgico de seu próprio uso para adornar a Igreja de modo que todos os elementos estivessem presentes: castiçais sobre o altar, castiçais menores para a Imagem de Santa Rita e Frei Galvão, três toalhas para o altar, um Círio Pascal de tamanho adequado à capela, os livros litúrgicos, suporte para o Missal, e todos os vasos sagrados indispensáveis à celebração. Devidamente paramentado com uma linda casula, não se importou nem um pouco de celebrar junto à mesa que servia de altar fixo à parede na posição versus Deum. A consagração da Eucaristia foi cantada em latim.

As músicas cantadas foram escolhidas diretamente por mim, que também estava responsável pelos ensaios do pequeno grupo de cantores. Optei por escolher peças em vernáculo, para respeitar a simplicidade da cultura local e não dar ares de ostensividade. Ainda assim, todas as peças do ordinário foram cantadas conforme a letra prescrita no Missal, e o Próprio foi escolhido adequadamente de acordo com a solenidade do dia.

O tempo foi escasso e o repertório não era conhecido sequer pelos cantores, então o resultado estava longe de ser perfeito, ainda assim foi a missa mais bela de muitas daquelas pessoas que lá estavam. Não houve ninguém que parece ter se incomodado com o padre "de costas para o povo" ou rezando em latim algumas partes. Todos conseguiram adentrar ao grande mistério que pela primeira vez se manifestava naquele modesto templo devocional.

Notamos, assim, que em todas as situações, não importando as limitações espaciais, com um pouco de esforço e dedicação, pode-se oferecer a Missa de forma digna e sóbria.

Abaixo, algumas fotos da celebração.



























2 comentários:

  1. Que simpática igrejinha! Me lembrei da Porciúncula do Poverello de Assis. :)

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  2. E há quem confunda simplicidade com relaxo. As fotos falam por si mesmas.Parabéns!
    Pe.Donisete

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