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domingo, 15 de agosto de 2010

O rito dominicano

A estrutura do rito dominicano é semelhante à do rito romano. Aliás, os ritos ocidentais são todos muito parecidos. Há diferenciações o suficiente, todavia, para que o consideremos um rito particular, autônomo, e não apenas um uso próprio do mesmo rito.

A preparação do cálice ocorre não no Ofertório, como no rito romano, e sim quando o celebrante chega ao altar. Até o início da Missa, ademais, ele usa o amito como um capuz sobre a sua cabeça. Em relação à forma extraordinária do rito romano, distingue-se o rito dominicano, outrossim, pela ausência do Salmo Judica me, e pelo Confiteor mais curto, em que se invoca São Domingos. O Confiteor mais curto e a ausência do Judica me foram, segundo alguns especialistas, inspirações para a reforma do rito romano em seu uso moderno.

O Gloria é iniciado no centro do altar, terminando em frente ao Missal. O mesmo com o Credo.

A hóstia e o cálice formam uma mesma e única oblação no Ofertório, com a prece Suscipe Sancta Trinitas. As uniões de mãos no Cânon são diversas das prescritas no rito romano. Há também a previsão, ainda no Cânon, de ter os braços em forma de crucifixo em certas partes. Não há oração na Comunhão do Sangue pelo padre.

Já na Missa Solene, outras diferenças existem em relação ao rito romano: o cálice é levado em procissão até o altar durante o canto do Glória, e o corporal é aberto pelo diácono enquanto o subdiácono canta a Epístola. Assim que termina de cantá-la, vai o subdiácono ao altar, com os ministros sentados, e prepara o cálice. Há uma incensão dos ministros durante o canto do Prefácio. Os movimentos cerimoniais são diferentes dos previstos pelas rubricas do rito romano.

Há também distinções no breviário, e na notação e melodia de alguns cantos gregorianos, que, aliás, nem sempre são os mesmos previstos para os mesmos atos no rito romano.

O Ano Litúrgico dominicano é dividido em duas partes: Advento até a Trindade, e Trindade até o Advento.

Também a Confissão no rito dominicano não pede, quando solene, o hábito/batina com sobrepeliz e estola roxa, mas apenas o hábito completo (com a capa preta), sem estola. A fórmula da absolvição também é distinta. Há diferenças também na Unção dos Enfermos, como o rito do beijo na cruz, que, aliás, foi aproveitado para o rito romano atual.

Os dominicanos abandonaram o seu rito próprio, nos anos 70, adotando, em massa, o rito romano moderno, hoje chamado "forma ordinária do rito romano". Todavia, segundo parecer da Comissão Ecclesia Dei, os superiores provinciais da Ordem dos Pregadores poderão autorizar, no espírito do Motu Proprio Summorum Pontificum, que autorizou universalmente o uso do rito romano tradicional, antigo, "forma extraordinária", que seus sacerdotes celebrem o rito dominicano próprio.

A Fraternidade São Vicente Ferrer, de inspiração dominicana, mas autônoma em relação à Ordem dos Pregadores, sendo um instituto religioso específico, preserva a liturgia dominicana antiga.

Além disso, mesmo no rito romano moderno, quando celebrado pelos dominicanos, alguns elementos do antigo rito dominicano foram mantidos, a exemplo dos cistercienses. A bênção das palmas no Domingo de Ramos, por exemplo, mesmo no rito atual, romano, ordinário, pode ser executada segundo o antigo rito dominicano.

Desse modo, dentro da Ordem dominicana, temos, hoje, duas possibilidades:

a) celebrar o rito romano moderno, com as derrogações autorizadas pela Ordem e pela Santa Sé e que se encontram na tradição litúrgica dominicana;
b) celebrar, quando autorizado pelos priores provinciais, o rito dominicano.



















































































































































































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