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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

As cores litúrgicas do Advento

A cor própria do advento é o roxo, usado desde as I Vésperas do I Domingo do Advento até a última missa que antecede a da Noite de Natal. Nesse período, só se usa outra cor para as festas e solenidades, como a Imaculada Conceição, e para o III Domingo do Advento, Domingo Gaudete, quando se usa o rosa. Isso é conhecido por todos aquele que trabalham na organização da liturgia nas comunidades paroquiais, nos oratórios, nos monastérios, etc.

Existe, entretanto, uma "proposta" que sugere a utilização de outras cores no tempo do advento. O grande argumento é que o roxo remete à penitência e o advento é um tempo de feliz espera. Um argumento simplório que evidencia um total desprezo pela construção da liturgia durante séculos e propõe mudanças cirúrgicas na mesma. As cores litúrgicas não devem ser vistas como "legendas" da celebração, mas como um dos elementos que constituem a mesma. O roxo relaciona-se tão bem com a penitência quaresmal, quanto com a sobriedade e preparação, próprios do tempo do advento. Esses dois usos não se excluem, mas se completam; tendo-se como significado final a conversão, comum aos dois tempos e também ao sacramento da penitência, em que figura.

Um caso similar é o vermelho, que tanto é usado na celebração dos mártires, quanto nas celebrações do Espírito Santo. Uma mesma cor que serve muito bem a ambas as ocasiões, apesar de não terem, ao menos a primeira vista, um mesmo significado.

Voltando à tão proposta, com a saída do roxo do advento, existiria a necessidade de uma cor para lhe substituir. E existem duas candidatas a "cor subsitutita", alguns dizem que deve-se usar o rosa em todo o tempo do Advento, outros que deve-se introduzir o lilás entre as cores litúrgicas e destiná-lo a esse tempo. Uma sugestão mais esdrúxula que a outra.

O rosa já tem seu lugar na liturgia. É usado, como já disse, no Domingo Gaudete, além de no IV Domingo da Quaresma, Domingo Laetare. Seu uso em todo o período do Advento levaria a uma desastrosa perda destes dois domingos, que possuem uma relação particular com sua respectivas liturgias da palavra e outras partes do próprio, além de marcarem um dia de júbilo dentro de tempos particularmente sóbrios.

O uso do lilás é defendido para preservar os domingos de rosa. Ele seria uma cor intermediária entre o rosa e o roxo. Considerando que o rosa é cor intermediária entre roxo e branco, apenas a confusão gerada por tanto "intermediarismo" nas cores já seria um bom ponto para não se utilizar tal cor. Mas existem motivos melhores para excluir o lilás. Primeiro, o lilás não é cor do rito romano e sua introdução nos paramentos litúrgicos constituiria um abuso grave, tão grave quanto o uso do laranjado. Segundo, por que constitui um artificialismo; o povo não relaciona lilás com preparação para o Natal, ao contrário, relaciona o roxo com preparação.

Por fim, se alguma paróquia realmente precisa da invenção de uma cor litúrgica criada ex nihil para entender que Quaresma não é Advento, essa pobre comunidade necessita, urgentemente, de uma boa catequese litúrgica.
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