Este estudo é baseado no artigo "Mitos Litúrgicos", que escrevi e foi revisado por Sua Excelência Reverendíssima Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS). O artigo lista 32 idéias equivocadas sobre a Sagrada Liturgia e contra-argumento com a palavra oficial da Santa Igreja. Foi publicado em Fevereiro de 2009 e pode ser lido na íntegra em:
http://www.salvemaliturgia.com/2009/04/mitos-liturgicos.htmlNesta terceira postagem, postamos o Mito 4, juntamente com um comentário atual a respeito, aprofundando o assunto.
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Mito 4: "Na consagração deve-se estar em pé"
Na Consagração os fiéis devem estar de joelhos, em sinal de adoração.
Quanto aisso a lei da Santa Igreja é clara em afirmar na Instrução Geral no MissalRomano (n. 43), que determina que os fiéis estejam "de joelhos durante a consagração, exceto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande númerodos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, quenão estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflecte após a consagração."
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Comentário sobre este Mito (30/04):
Começo relatando dois absurdos que já vi:
1. Um curso de formação (?) litúrgica, onde se ensinou que na Consagração os fiéis não devem estar de joelhos, mas de pé, em sinal de prontidão (!!!) Ora, isso atenta diretamente contra o espírito da Liturgia e as próprias determinações expressas do Missal, como vimos acima.
2. Uma livraria católica (?) onde estava sendo vendido um livro que dizia algo como: se ajoelhar é sinal de humilhação, e não devemos nos humilhar diante de nada nem de ninguém (!!!).
E partindo-se do princípio da nossa fé católica Presença Real e Sacramental de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia Consagrada, e do seu Santo Sacrifício que é renovado na Santa Missa (ver Catecismo da Igreja Católica, n. 1362-1372; 1374-1377; 1411), percebemos que esta questão é gravíssima!
Para compreendermos melhor a gravidade de tudo isso, passemos a palavra ao Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu maravilhoso livro "Introdução ao Espírito da Liturgia":
"É possível que a posição de joelhos se tenha tornado estranha à cultura moderna - na medida que esta última se tenha afastado da Fé, não reconhecendo mais Aquele perante o qual o gesto correte é instrinseco é - estar de joelhos. Quem aprende a ter fé, também aprende a ajoelhar-se; uma Fé ou uma Liturgia que desconhecesse a genuflexão seria afetada num ponto central. Onda ela se perdeu, tem que ser reaprendida, para que a nossa oração permaneça na Comunidade dos Apóstolos, dos Mártires, de todo o Cosmos e em união com o próprio Jesus Cristo."
Com efeito, o Papa friza que aqui NÃO estamos falando de um elemento acessório da Sagrada Liturgia, mas a um elemento CENTRAL, pois diz respeito a ADORAÇÃO A DEUS!
Com efeito, vemos hoje, também no campo litúrgico, um movimento revolucionário igualitarista, que odeia toda a forma de superioridade, e por isso todo o tipo de hierarquia, e que em última instância quer livrar-se de Deus, ou em sua forma atenuada, da idéia de manifestar a adoração devida a Ele.
E o Papa escreve também, entrando concretamente neste problema:
"Há círculos com bastante influência que tentam dissuadir-nos de nos ajoelhar. A argumentação é a de esse ato não condinzer com a nossa cultura (aliás, com qual?) de não ser adequado para uma pessoa reta e emancipada que encara Deus, ou então não ser apropriado para uma pessoa livre, não necessitando, consequentemente, de ajoelhar-se."
Continua o Papa, mostrando a origem cristã do ato de dobrar os joelhos para adorar:
"Com efeito, a posição de joelhos dos Cristão não é nenhuma forma de inculturação de costumes existentes, mas sim a expressão da cultura cristã, capaz de transformar uma cultura existente devido a uma nova e mais profunda compreensão da experiência de Deus. A origem da genuflexão não se encontra numa cultura qualquer - ela é provienente da Bíblia e do seu conhecimento de Deus. Na Biblia, o significado central da posição de joelhos poe observar-se pelo fato da palavra Proskynein surgir 59 vezes só no Novo Testemento, das quais 24 vezes no Apocalipse - o livro da Liturgia Celeste, que é apresentada à Igreja como padrão da Liturgia."
Com efeito, diz o Salmo 94: "Vinde, inclinemo-nos em adoração, de joelhos diante do Senhor que nos criou." (v.6) Na Sagrada Liturgia, esse gesto passou a simbolizar a adoração a Nosso Senhor, presente no Santíssimo Sacramento, como o próprio São Paulo escreve: "Ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, no céu, na terra e nos infernos." (Fl 2,10)
Nessas tristes situações que citamos, vejo algo como se fosse uma "joelhofobia", como escrevemos em um
artigo; e isto está em desacordo com o espírito da liturgia e em desobediência explícita à lei da Santa Igreja. Escuto para isso argumentações como: "Deve-se estar não de joelhos,mas em pé como sinal de prontidão"; ou "A Eucaristia é banquete e ninguém come ajoelhado"; ou ainda "A Eucaristia é para ser comida, não para ser adorada".Ora, todas estas argumentações estão equivocadas (como o próprio artigo dos Mitos demonstra, nas contra-argumentações dos mitos 1, 2, 3 e 4)!
Para compreendermos bem as consequências desse processo que tem acontecido ao noso redor, retomamos alguns pontos que comentamos a respeito do Mito 2:
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Dizem alguns teólogos modernistas que a Liturgia, durante séculos, teve "erroneamente", como centro, a Presença Eucarística de Nosso Senhor (!). Tais modernistas compreender bem o valor dos símbolos para o ser humano, e para que suas novas concepções litúrgicas sejam aos poucos assimiladas, fazem uestão de desprezar os sinais externos da Liturgia que apontam para sua verdadeira essência e para a adoração de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada:
- o dobrar os joelhos para adorar
- as paramentações completas do sacerdote que celebra
- o altar esplendoroso, ornamentado com castiçais e arranjos de flores
- o uso frequente do incenso
- o valor do latim como língua sagrada
- a Santa Missa celebrada em "Versus Deum" ("Voltado para Deus", com sacerdote e povo voltados para a mesma direção, como o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, recomenda que se faça no seu livro "Introdução ao Espírito da Liturgia")
...e assim por diante.
Muitas dessas atitudes destes liturgistas modernistas são sustentadas por muitos dos demais Mitos Litúrgicos que estamos estudando no artigo citado. Estes e outros aspectos serão estudados com maior profundida durante esta sequência de postagens, quando estudarmos os demais Mitos.
Ignorar o valor desses sinais sagrados é ignorar a própria alma humana, a influência do meio externo e a importância dos elementos simbólicos. A Liturgia católica é extremamente humana: compatível com todas as necessidadesdo ser humano.
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Nesse sentido, se eu estou ajoelhado, estou recordando a mim mesmo e a quem me vê que NÃO estou diante de algo qualquer, mas DIANTE DE DEUS. E isso me incentiva a Adorá-lo!
É interessante perceber que os modernistas podem militar pela abolição de outros elementos litúrgicos também para propagar suas idéias litúrgicas revolucionárias, como por exemplo:
- Abolir o ato da genuflexão, no sentido de dobrar um dos joelhos, quando se entra ou sai de um local sagrado em que haja Sacrário, e dizendo: "Basta uma inclinação". Não basta! Além de isso atentar contra o próprio espírito da Liturgia Católica, como mostramos acima, atenta expressamente contra as normas litúrgicas, que dizem. Diz a Instrução Geral do Missa Romano (n.274):
A inclinação se faz é para o altar, como afirma a mesma Instrução no n. 275. Para o Santíssima Sacramento, se faz genuflexão, como demonstramos acima.
- Abolir o uso de genuflexórios dentro das igrejas, capelas e oratórios; o genuflxório, além de por si só já ser um incentivo a dobrarmos nossos joelhos, é algo que surgiu exatamente para servir, nesse sentido, a autêntica Lituria Católica .