Manchetes

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Solenidade de Pentecostes em Frederico Westphalen - RS

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Irmãos e irmãs, na noite na qual se deu vida ao alegre tempo Pascal, o “dia de cinqüenta dias”, no momento de acender o Círio, nós aclamamos a Cristo nossa Luz. E a luz do Círio pascal nos acompanhou nestes cinqüenta dias e contribuiu não pouco a nos fazer recordar a grande realidade do Mistério pascal.

Hoje, no dia de Pentecostes, ao fechar-se o Tempo da Páscoa, o Círio é apagado, este sinal nos é tirado, também porque, educados na escola pascal do mestre Ressuscitado e cheios do fogo dos dons do Espírito Santo, agora, devemos ser nós, “Luz de Cristo” que se irradia, como uma coluna luminosa que passa no mundo, em meio aos irmãos, para guiar-nos no êxodo em direção ao céu, à “terra prometida” definitiva.

Veremos agora, no desenrolar do ano litúrgico, resplender a luz do Círio Pascal, sobretudo em dois momentos importantes do caminhar da Igreja: Na primeira Páscoa que viveram os seus filhos com a recepção do Batismo, e por ocasião da última Páscoa, quando, com a morte, ingressarão na verdadeira vida. (do Rito para Apagar o Cirio Pascal)

No dia 23 de maio, passado, a Igreja celebrou a Solenidade de Pentecostes, podemos dizer que é o aniversário de fundação da Igreja, e de sua Missão Evangelizadora, o Espirito Santo, vem até Maria e até os discipulos em forma de linguas de fogo é o cumprimento da promessa de Jesus, de que nós nunca estariamos sós, porque o Pai, nos enviaria o Espirito Santo.

Nesta solenidade, se apaga o Cirio Pascal, a luz de Cristo, como foi três vezes entoado solemente na Vigilia Pascal, nós é tirada, porque devemos nós agora, ser o resplendor desta luz de Cristo Ressuscitado.

Na Catedral Santo Antonio em Frederico Westphalen, a última missa da Solenidade de Pentecostes, com o prescrito Rito, foi celebrada por S. E. R. Dom Antonio Carlos, Bispo Diocesano, que após a oração depois da comunhão, como prescrito, presidiu o rito para apagar o cirio pascal, como vemos nas fotos abaixo.

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A incensação do Cirio Pascal, no inicio da celebração

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Homilia

(Nota-se o uso da dalmatica episcopal pelo Bispo, bem como do uso do barrete pelo Cônego Leonir, pároco da Catedral)

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Inicio do Rito Para Apagar o Cirio Pascal

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Faz-se inclinação ao Cirio Pascal

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E em seguida o Bispo o apaga, enquanto se canta um hino a Cristo Ressuscitado

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Benção Solene do Dia de Pentecostes

Digna-Te, ó Cristo, nosso dulcíssimo Salvador, de acender as nossas lâmpadas da fé; que em Teu templo elas refuljam constantemente, alimentadas por Ti, que sois a luz eterna; sejam iluminados os ângulos escuros do nosso espírito e sejam expulsas para longe de nós as trevas do mundo/.

Faz que vejamos, contemplemos, desejemos somente a Ti, que só a Ti amemos, sempre no fervente aguardo de Ti, Que vives e reinas pelos séculos dos séculos/.

A consagração é oração!

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Publico a seguir um belo artigo, publicado há 10 anos, pela revista 30 Giorni, que veio a ser republicado recentemente na mesma revista no mês de fevereiro deste ano.
Retomada brevemente a história da composição do decreto dogmático do Concílio de Trento sobre o santíssimo sacrifício da missa, aprovado em setembro de 1562.
O processo de composição do decreto evidenciava que o chamado Cânon Romano (a atual Oração Eucarística I) foi declarado imune de qualquer erro, diante das contestações dos reformadores, na medida em que reúne nada mais que as próprias palavras do Senhor, a tradição apostólica e patrística.
No ano passado, o papa Bento XVI, na homilia da missa “In Coena Domini” da Quinta-feira Santa, comentando o Cânon Romano, sublinhou um aspecto importante relacionado a esse Cânon, dizendo que em todas as suas partes é oração. Ouçamos outra vez suas palavras, como sempre mais claras que qualquer comentário: “A narração da instituição não é uma frase autônoma, mas começa por um pronome relativo: ‘Qui’ pridie. Este ‘Qui’ liga toda a narração à frase anterior da oração: ‘... se converta para nós no Corpo e Sangue de vosso amado Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo’ [... ut nobis Corpus et Sanguis fiat dilectissimi Filii tui Domini nostri Iesu Christi. Qui pridie...].
Deste modo, a narração fica unida à oração anterior, ao Cânon inteiro, e torna-se ela mesma oração. Não é de modo algum uma simples narração aqui inserida nem se trata de palavras de autoridade, como um todo à parte, que interromperiam mesmo a oração. É oração. E somente na oração se realiza o ato sacerdotal da consagração, que se torna transformação, transubstanciação dos nossos dons de pão e vinho em Corpo e Sangue de Cristo”.
Nos dá vontade de perguntar se esse critério não pode e não deve ser estendido, ou seja, se é possível haver na Igreja outra forma de realização de qualquer tipo de potestas (inclusive a potestas iurisdictionis), que não seja oração.
Este artigo – escrito no atribulado período compreendido entre a primeira e a segunda Guerra do Golfo e sob a impressão deixada por acontecimentos que, entre outras coisas, deram a conhecer a todos a existência da antiquíssima comunidade católica do Iraque – diz, além disso, que, diante de tantas contestações dos “próximos”, a confirmação da apostolicidade da fé contida no Cânon Romano veio em Trento, no verão de 1562, graças a um bispo proveniente do Iraque (a terra dos Caldeus). Impressionava-nos e ainda nos impressiona que um antigo predecessor dos patriarcas dos Caldeus, Raphaël Bidawid, falecido em 2003, e do atual, Emmanuel Delly – que nas páginas desta edição nos faz ouvir ainda a voz daquela pequena e indefesa comunidade –, tenha expresso uma unidade tão imediata na fé e na oração, capaz de superar de um só golpe qualquer estranheza de língua e cultura. E já há dez anos o artigo mencionava a China, ainda mais distante que o Iraque, e no entanto já tão próxima.
Por Lorenzo Cappelletti
(Revista 30 Giorni nella Chiesa e nel mondo, n. 2/3 2010)

domingo, 30 de maio de 2010

"Cenas" do XVI Congresso Eucarístico Nacional

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Postamos aqui algumas "cenas" que ocorreram durante diversos momentos do XVI Congresso Eucarístico Nacional. Algumas belíssimas e alguns abusos litúrgicos.



O chamado "Altar-Monumento" que tenta imitar (em tamanho ampliado)
a tenda da primeira missa em Brasília, há 50 anos

A procissão de entrada dos Bispos, na quinta-feira, dia 13 de maio


O beijo do altar

Uma das cenas mais belas: o Cardeal Dom Frei Cláudio Hummes, OFM, o Cura da catedral de Brasília,Monsenhor Marcony Vinícius e o Núncio Apostólico, Dom Lourenço Baldisseri que,
em meio ao barulho da procissão, faziam sua adoração ao Senhor Sacramentado

A procissão com o Santíssimo Sacramento, no sábado, dia 15 de maio
Detalhe: uso do Pálio e da capa com o véu de ombros


A adoração dos Bispos no Simpósio Teológico

A recepção dos Bispos, na subida para o "Presbitério", pela
Guarda Presidencial

Os Fuzileiros Navais guardando a Cruz da 1ª Missa de Brasilia


A Orquestra da Escola de Música de Brasília

Parte do Coral de 1000 vozes voluntárias

O Coração de São João Maria Vianney

Relíquia: Gota do Coração de São Vicente de Paulo,
sob a custódia dos Franciscanos Conventuais



Que postura estranha a desse padre, não?!

Um "belo" modelo de túnica de um padre!
(A moda pode pegar!)


Sacras para o Invitatório, em latim, da Liturgia das Horas - II

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Pouco mais de um mês atrás o Salvem a Liturgia trouxe aos leitores algumas sacras para o Invitatório do Ofício Divino em latim, na sua Forma Ordinária.

Ficaram faltando as sacras para o Advento, para o Natal e para as Solenidades do Senhor.

A do Natal ainda fica para a próxima - mas já oferecemos as sacras para o Advento [e Natal] e para as Solenidades do Senhor.

Antífonas e Salmo 94 para o Advento e Natal - 428 kb, JPG


Esperamos que sejam úteis para aqueles que rezam ou gostariam de rezar ao menos o Invitatório da Liturgia das Horas em latim. Lembramos também que os arquivos podem ser revelados em papel fotográfico 20 x 30.

ATUALIZAÇÃO. Agradeço ao Álvaro, que escreveu nos comentários, por me avisar: a sacra do Advento traz também as antífonas do Tempo do Natal... perdoem-me tamanha distração! [16-6-2010]

sábado, 29 de maio de 2010

Dom Antonio Carlos Rossi Keller apóia o Salvem a Liturgia!

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Nosso grande amigo, Dom Antonio Keller, Bispo da diocese gaúcha de Frederico Westphalen, nos mandou a seguinte mensagem de apoio ao apostolado do Salvem a Liturgia.

Trata-se de um dos Prelados mais zelosos do Brasil, pelo que louvamos a Deus por seu apoio. Palavras fortes, corajosas, e, por isso mesmo, tão necessárias, como um remédio amargo, porém poderoso.

"A celebração da Missa, como ação de Cristo e do povo de Deus hierarquicamente ordenado, é o centro de toda a vida cristã, tanto para a Igreja, quer universal quer local, como para cada um dos fiéis. Nela culmina toda a ação pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, bem como todo o culto pelo qual os homens, por meio de Cristo, Filho de Deus, no Espírito Santo, prestam adoração ao Pai. Nela se comemoram também, ao longo do ano, os mistérios da Redenção, de tal forma que eles se tornam, de algum modo, presentes. Todas as outras acções sagradas e todas as obras da vida cristã com ela estão relacionadas, dela derivam e a ela se ordenam". (IGMR, 16)

Estas palavras, tiradas da Instrução Geral do Missal Romano, expressam a realidade que deve estar por trás de cada celebração litúrgica, especialmente, no que se refere à Santa Missa.

Hoje, a meu ver, vivemos ainda tempos tristes... Muita coisa já mudou e melhorou em relação à liturgia. Mas ainda há do que se lamentar. O espírito do "brincar" com a liturgia sagrada, expressão reveladora de uma mentalidade absurda, predomina em muitos recantos deste Brasil.

Assim, "Salvem a Liturgia" vem, de forma corajosa e objetiva, oferecer uma inspiração de rebeldia e de reação a tudo aquilo que significa a desagregação, o vandalismo, o minimalismo, a irresponsabilidade e tantos outros defeitos em relação à Sagrada Liturgia.

Este Apostolado web tem não só meu apoio, mas principalmente, meu incentivo a que, com coerência, competência e principalmente fidelidade às Normas Litúrgicas emanadas pela legítima autoridade da Igreja, possa ser um ponto de referência a tantos que buscam com sinceridade e amor viver a Liturgia.

Parabéns! Sigam em frente com coragem. Vocês estão fazendo um grande bem à Igreja.

+ Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen, RS

Santa Missa na Forma Extraordinária no CEN - "Final"

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Publicamos aqui a parte final da desta Santa Missa, desde a Purificação dos Vasos, pós-comunhão. As fotos completas podem ser vistas no flickr, clicando nos links, no final desta postagem.

Purificação dos Vasos sagrados

O pós-comunhão - Detalhe para a posição de "ação de graças" e piedade dos membros do coro


Posicionamento dos Diáconos e Acólitos durante o término da purificação dos vasos

O coro dos Seminaristas

O Lavabo

"Ite, missa est!"
A Bênção final

As palavras finais de Dom Rifan e Agradecimentos
"Na Santa Missa todos os dias é Sexta-feira da Paixão e Domingo de Páscoa:
renovamos o Sacrifício do Senhor e nos alegramos por Sua Ressurreição."

O Coral entoando o "Aleluia", de Händel:



Os Bispos que se fizeram presentes

A Saída

No final, Dom Rifan acolheu cada um que quis ir ter com ele.



Veja mais fotos no flickr (Parte 1)
                                flickr (Parte 2)

A dimensão sensível na liturgia

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Não se pode estudar o homem desconhecendo que se trata de um ser profundamente integralizado por suas diferentes facetas. O aspecto espiritual reflete-se no intelectual, bem como no cultural, no sentimental, e assim por diante. Uma análise que queira ter sucesso nesse campo precisa, desse modo, ser necessariamente uma análise integral.

Se é assim em qualquer campo de estudo, o é também na liturgia. Embora culto a Deus, a liturgia é culto a Deus oferecido por pessoas e, sendo atividade humana, também nela estão presentes as distintas dimensões do homem.

Nesse sentido, a sensibilidade é uma área que não pode ser descurada. Sim, a finalidade do culto público é a adoração a Deus, mormente pela Santa Missa, na qual Cristo renova Sua entrega ao Pai pelo perdão dos pecados da humanidade. Todavia, há um aspecto secundário mesmo nas ações dirigidas primariamente a Deus, que é a edificação do homem. Quando cultua o Senhor, volta o homem edificado. E essa edificação é, como ação humana, refletida em todas as suas dimensões, incluindo a sensível.

A narração do esplendor das cerimônias católicas, antes do período de crise por que passsaram a partir dos anos 70, nos mostra almas que, adorando a Deus, edificavam-se espiritualmente também pelo entusiasmo diante da beleza. O Cardeal Ratzinger, em sua vasta literatura sobre teologia litúrgica, não hesita em conferir à sensibilidade e à estética do culto um papel importante na evangelização dos povos. É bem verdade, repetimos, que o apostolado não é o fim da liturgia, porém dela pode decorrer aquele, sem sombra de dúvida.

O fausto nas Missas pontificais, a beleza das velas e tochas em uma procissão de Corpus Christi, a sobriedade solene do canto gregoriano, o espetáculo espiritual da polifonia sacra, o profundo gosto estético de paramentos bem escolhidos, a delicadeza na composição das orações litúrgicas, o cuidado com cada gesto cerimonial, o aparato externo da celebração, bem como o contexto de todo o drama litúrgico, sobretudo o que desemboca no Calvário renovado pela Missa, fala claramente à dimensão sensível do homem. É por isso que, para combater a excessiva austeridade do culto protestante, a Igreja incentivou a arte barroca que, com certos exageros lícitos, procurava cativar o homem e impedi-lo de ser seqüestrado pela frieza da liturgia da Reforma.

Evidentemente que, historicamente, a liturgia dos primórdios não era tão elaborada quanto a que se desenvolveu nos anos imediatamente anteriores à Idade Média. Todavia, nunca foi semelhante ao rigor impassível e, diria, desumano, do protestantismo. A ação de Cristo na Sexta-feira Santa, morrendo no Calvário, não foi algo normal, e sim revestido de profundo impacto externo: a batalha dramaticamente espiritual no Getsêmani, a vigília a ponto de sua sangue, terremoto e céus escurecendo, mortos ressuscitando e andando por Jerusalém, o véu do Templo se rasgando de alto a baixo, o perdão de São Dimas. Mesmo a antecipação da Cruz na última ceia não foi um culto frio à moda protestante, mas algo que recordou o ricamente elaborado ritual judaico da Páscoa, e com uma multitude de sinais: o lava-pés, as palavras que indicavam que o pão e o vinho eram agora Seu Corpo e Seu Sangue, e o convite à oração no horto. Definitivamente, a liturgia católica nasceu simbólica.

Ademais, por sua raiz gnóstica, o protestantismo vê um eterno conflito, sem possibilidade de armistício, entre a matéria e o espírito, e, se quer salvar o último, sacrifica o primeiro. Daí o desprezo, cada vez mais freqüente, à medida em que avançam as distintas seitas protestantes, pelo aspecto mais pomposo do cerimonial litúrgico. Nós, católicos, não desvinculamos o homem de seus múltiplos aspectos. O homem que deve ser salvo é o homem inteiro, espírito e matéria. Daí que nossa liturgia, ao prestar culto a Deus, presta-o com toda a sua integralidade humana: é a adoração, como pedia Cristo, em espírito e em verdade. E, se o homem todo cultua ao Senhor, o homem todo volta edificado desse encontro em que precisa até mesmo descalçar as sandálias.

Foi por desconhecer ou ignorar todo esse pensamento, que acompanhou a Igreja desde os primórdios – lembremos que a luta contra a heresia do gnosticismo foi a primeira a ser travada pelos teólogos católicos –, que se introduziu, a partir da segunda fase do movimento litúrgico (pelos anos 30 em diante), certos elementos puristas que desejaram uma liturgia desapegada de certos conteúdos mais sensíveis.

A motivação desses liturgistas estava certa: a liturgia não se pode imiscuir irresponsavelmente com outros aspectos da vida espiritual a ponto de desvalorizar o que é essencial. Entretanto, as conclusões tiradas esse desvio – chamado por isso, liturgicismo – são equivocadas: tudo o que não é essencial (como as devoções privadas, o terço, os belíssimos paramentos, o esplendor do culto, as explicações alegóricas dos ritos etc) é ruim. Ora, isso passa claramente dos limites, pois ignora o desenvolvimento da liturgia e o próprio fato de que nasceu distinta do mover-se comum do homem.

É do liturgicismo que nasce o que se costuma chamar minimalismo litúrgico. Se o essencial na liturgia é o sacrifício de Cristo e, por extensão, aquilo que diretamente a ele se refere, sendo todo o resto (beleza dos paramentos, uso generoso do incenso, canto gregoriano, orações ao pé do altar, último Evangelho) meramente acidental, então esses acidentes devem ser removidos. O minimalismo litúrgico, impregnado de liturgicismo, considera o acidental um mal, e essa postura deriva da mesma matriz gnóstica que originou o protestantismo. Ela antagoniza o acidental ao essencial, e até mesmo não distingue, entre os acidentes, que alguns são mais importantes do que outros, e que a linguagem simbólica da liturgia existe para que o homem saiba o que está fazendo ao cultuar a Deus e, secundariamente, seja edificado em sua integralidade.

Do minimalismo litúrgico não está livre, é verdade, a reforma conduzida por Mons. Bugnini. Sem embargo, esse equívoco em termos de liturgia se fez presente menos nas rubricas do Novus Ordo do que num comportamento geral de liturgistas impregnados dos erros liturgicistas. Se as instruções advindas da reforma davam a opção de escolher entre o vernáculo e o latim, entre o versus populum e o versus Deum, entre o uso ou não do incenso, sempre se passou a escolher, salvo raríssimas exceções – como no Vaticano ou em grupos tidos como mais conservadores – pela alternativa menos pomposa. Até mesmo as permissões pontuais para, em situações excepcionais, se usar ministros leigos na distribuição da Comunhão Eucarística ou do sacerdote trajar túnica e estola ao invés de alva, amito, cíngulo, estola e casula, se tornaram a regra, ainda que contra a lei.

O pensamento liturgicista foi além do que diziam as rubricas – pouco claras, é verdade, e que, no dizer de alguns, foram imprecisas o suficiente para que se adotassem as opções mínimas na quase totalidade dos casos.

Diziam: o altar é essencialmente para o sacrifício? Removam-se as velas, que, aliás, na sua idéia, estavam em demasia, e todos os demais objetos. Assim, para o deleite dos gnósticos liturgicistas, o altar digno e simbólico de Cristo e Sua soberania, se tornou nada mais do que uma mesa de banquete, à moda protestante, e, em casos mais radicais, um cubo amorfo perdido no presbitério.

Outro exemplo é o dos acólitos. Precisa-se apenas de um ou dois que exerçam, de fato, funções bem claras, e, em Missas mais solenes, alguns outros para ajudar o Bispo. Todos os demais, que serviam para embelezar, dar solenidade ao rito, ou despertar nos jovens a vocação sacerdotal, deveriam ser eliminados, pois acidentais. E o acidente, para o liturgicista, é algo a ser evitado. Em celebrações solenes, era comum, pela própria dignidade da celebração, colocar vários acólitos. Era um modo de dignificar, de solenizar, de chamar a atenção. A função não é apenas pragmática, mas de embelezamento. Mas, claro, o minimalismo litúrgico não “casa” bem com esse tipo de pensamento...

A arquitetura eclesiástica e a arte litúrgica também sofreram com o liturgicismo e sua aversão à beleza tradicional e às devoções – rechaço de imagens do Sagrado Coração, por exemplo.

O apego à letra das rubricas, desconectando-as do espírito litúrgico tradicional que permeou nosso rito, também é um fruto do minimalismo.

O resultado disso foi a frieza de certas celebrações litúrgicas, que já se delineavam nos anos 50 e 60, e passaram a dominar os ambientes, europeus e norte-americanos sobretudo, nos 70 e início dos 80.

Não tardou a reação. O homem, desejoso de simbolismo, vindo a perdê-lo na liturgia católica, buscou-o em outro local.

E o próprio protestantismo, outrora tão frio e austero, já trilhava um caminho de recuperação simbólica, ainda que, por desvinculado da verdade, com sinais um tanto quanto estranhos. Daí, em níveis mais comedidos, os coros gospel das igrejas batistas de negros americanos, ou o southern gospel profundamente enraizado na mentalidade dos cowboys brancos presbiterianos e batistas, a vivacidade dos reavivamentos, sobretudo metodistas, e, em ambientes mais radicais, a histeria de certos grupos pentecostais, seus gritos, suas unções, suas “quedas” no Espírito Santo.

No seio do catolicismo, essa perda do simbolismo foi sentida de tal forma que movimentos do tipo “encontrista” procuraram em seus retiros e reuniões, recuperar o senso de sagrado. Isso se viu, por exemplo, nas “orações de mãos dadas”, nos momentos de espiritualidade com luzes apagadas (para gerar um ambiente emocional), nas canções religiosas de conteúdo adocicado e intimista, e, nos últimos anos, pela invasão do pentecostalismo católico, com suas palmas na Missa, seu pop-rock, seus êxtases.

Minou o minimalismo litúrgico a expressão sensível da fé, e, em sua falta, se a buscou em outros ambientes, sedento que estava o homem da mesma. Como disse, informalmente, o Prof. Carlos Ramalhete:

O efeito que os carismáticos procuram com um violão com pedal de delay arpejando acordes menores enquanto uma voz empostada proclama inanidades é uma caricatura patética do efeito de um coral gregoriano em uma igreja na penumbra, com incenso flutuando no ar. Quando eles tiverem acesso às riquezas da liturgia clássica, é extremamente provável que encontrem nelas a busca do sensível que os move a destruir a liturgia moderna.

É por isso que, embora a maioria dos mais velhos de hoje – que eram jovens rebeldes nos anos 60 – não goste da liturgia romana em sua forma extraordinária, ou, quando se trata da forma ordinária, desprezam o latim, o canto gregoriano, e tudo o que lembra algum viés tradicional, o gosto por todas essas riquezas se acha presente entre muitos jovens. Sofreram demais a frieza e não gostaram do inverno litúrgico. Alguns buscam “aquecer-se” na distorção do sensível dos templos neopentecostais – com suas rosas ungidas, suas correntes de prosperidade com pastores impondo as mãos sobre o povo, seus exorcismos fantásticos –, ou na versão católica da busca por espiritualidade “palpável”. Outros, em contato com a Missa pós-conciliar bem feita – ainda que sem desvincular-se totalmente de alguns defeitos do liturgicismo –, ou com a Missa tridentina, consideram-nas a melhor proteção contra a geada minimalista que cai sobre suas cabeças.

Nesse diapasão, a promoção da liturgia bem feita, com farto uso de latim, incentivo ao gregoriano, paramentos bonitos, efeitos estéticos visualmente aferíveis, constitui-se, sim, em poderosa ferramenta de evangelização. Ainda que o motivo principal por que defendemos a Missa tradicional e a Missa moderna de acordo com as rubricas seja outro – a inclusão no desenvolvimento orgânico da liturgia, a melhor expressão da fé católica no sacrifício da Missa e nos dogmas eucarísticos, o culto a Deus como Ele quer ser cultuado –, não se pode olvidar desse aspecto acessório que muito lembra o velho conselho: a beleza salvará o mundo!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mito Litúrgicos Comentados - Mito 8: Sacerdócio feminino?

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Este estudo é baseado no artigo "Mitos Litúrgicos", que escrevi e foi revisado por Sua Excelência Reverendíssima Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS). O artigo lista 32 idéias equivocadas sobre a Sagrada Liturgia e contra-argumento com a palavra oficial da Santa Igreja. Foi publicado em Fevereiro de 2009 e pode ser lido na íntegra em:

http://www.salvemaliturgia.com/2009/04/mitos-liturgicos.html

Nesta oitava postagem, postamos o Mito 8, juntamente com um comentário atual a respeito, aprofundando o assunto.

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Mito 8: "A Igreja pode vir a ordenar mulheres"

Não pode. O saudoso Papa João Paulo II definiu que a Santa Igreja não tem a faculdade de ordenar mulheres, quando em 1994, publicou a Carta Apostólica "Ordinatio Sacerdotalis", que afirma explicitamente:

"Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a
ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja."

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Comentário sobre este Mito (28/05):

Esta questão da impossibilidade do "sacerdócio feminino" é muito clara segundo a Doutrina Católica. Posteriomente a este documento citado, em 1995, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé publicou:

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Dúvida: "Se a doutrina segundo a qual a Igreja não tem faculdade deconferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica "Ordinatio sacerdotalis", deve ser considerada pertencente ao depósito da fé."

Resposta: Afirmativa."Esta doutrina exige um assentimento definitivo, já que, fundada na Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o início, é proposta infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm.Lumen gentium, 25, 2). Portanto, nas presentes circunstâncias, o SumoPontífice, no exercício de seu ministério próprio de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), propôs a mesma doutrina, com uma declaração formal, afirmando explicitamente o que deve ser mantido sempre, em todas as partes e por todos os fiéis, enquanto pertencente ao depósito da fé."

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Resposta, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou sua publicação.

Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 28 de outubro de 1995.
+ JOSEPH Cardeal RATZINGER

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Também afirma a "Nota doutrinal ilustrativa da fórmula conclusiva da Professio Fidei", da mesma Congregação para a Doutrina da Fé, de 29 de Junho de 1998, no n.11:

"No que diz respeito ao ensinamento mais recente acerca da doutrina da ordenação de sacerdotal reservada exclusivamente aos homens, há que considerar um processo semelhante. O Sumo Pontífice, embora não quisesse chegar a uma definição dogmática, entendeu todavia reafirmar que tal doutrina deve aceitar-se de modo definitivo, enquanto,fundada sobre a Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja, foi proposta INFALIVELMENTE pelo Magistério Ordinário e Universal."

Este documento coloca este aspecto da doutrina referente à impossibilidade de ordenar mulheres dentro das verdades colocadas no parágrafo 2 do cânon 750. E o mesmo parágrafo fala à respeito destas verdades:

"Opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais preposições consideradas definitivas."

Machismo? Preconceito? Desvalorização da mulher? De forma alguma!

O Catecismo da Igreja Católica (n. 369) afirma:

“Homem e mulher são criados em idêntica dignidade, à imagem de Deus”.

Porém, tendo a mesma dignidade, homem e mulher tem diferenças de funções. Não reconhecer essas diferenças seria o mesmo que querer que o homem engravide, o que evidentemente, atentaria contra a natureza.

Existe hoje, em nossa sociedade, um Processo Revolucionário igualitarista, que se manifesta por um feminismo que pretende que homem e mulher sejam iguais em tudo, mesmo nas suas legítimas e sadias diferenças biológicas, psicológicas e espirituais, tratando todas as diferenças como " diferenças culturais", que seriam "fruto de um sistema opressor", construído a partir de uma "moral burguesa". No vocabulário dos agentes dessa Revolução Anticristã, podemos entender "moral burguesa" como sinônimo de "moral cristã". Não é à toa que o que mais se rejeita nesses movimento é dom de maior dignidade que Deus concedeu a mulher: a maternidade!

O Sacerdócio Ministerial é uma participação peculiar no Único e Eterno Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, que ofereceu-se a si mesmo no altar da Cruz para pagar pelos nossos pecados; e se oferece a cada dia no Santa Sacrifício da Missa, que a Renovação do Sacrifício do Calvário; e Nela se faz verdadeiramente e substancialmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Nosso Senhor se encarnou como homem. Varão; e escolheu apenas homens para perpetuar o Seu sacerdócio na terra (Cat., n; 456-469; 599.615-; 1356-1401; 1546-1547).

Aliás, a Criatura mais Perfeita e mais Digna de Deus, a Sua própria e Santíssima Mãe, a Imaculada Virgem Maria, que excede no máximo grau em santidade e graça todas as demais criaturas, é uma mulher (Cat.; 487-507; 963-972). E jamais foi ordenada!


Essa posição favorável à ordenação de mulheres infelizmente é defendida por muita "gente importante" no Brasil. Por exemplo, a religiosa Ione Buyst, que defende posições doutrinais e litúrgicas claramente modernistas, defendendo expressamente o mito do sacerdócio feminino. E infelizmente é vista como "grande autoridade" em Liturgia por muita gente no Brasil...

E quanto a questão das "coroinhas meninas" e "acólitas", o que podemos pensar?

Primeiro precisamos tirar essa pergunta do raciocínio “pode-não-pode”. É evidente que as normas litúrgicas promulgadas pela Santa Igreja precisam ser obedecidas, e que a obediência a Deus passa necessariamente pela obediência à Santa Igreja (Cat, n. 2088-2089). Porém, a riqueza do tesouro que é a Sagrada Liturgia vai muito mais além do “pode-não-pode”, e se limitar somente a ele é uma visão litúrgica reducionista e legalista.



A Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos se pronunciou oficialmente sobre essa questão, em uma carta data de de 15 de março de 1994 (Protocolo 2482/93). O documento está transcrito na íntegra mais abaixo.

Mas em resumo, o documento:

- Não se opõe a que as meninas sirvam como coroinhas ou “acólitas”, se para isso houver justas razões pastorais e se isso for feito com autorização dos Bispos locais.

- Afirma que “sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos”, e relaciona isso à questão vocacional: “Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.”

- Afirma que nenhum Bispo tem a obrigação de autorizar coroinhas meninas em sua diocese – “a autorização dada a este propósito por alguns Bispos não pode minimamente ser invocada como obrigatória para os outros Bispos.”

Pode-se concluir e pensar ainda:

1. Todo aquele que atua no ministério acólito, e for homem ou menino, em tese pode vir a receber o Sacramento da Ordem, no Diaconato (mesmo Diaconato Permanente) ou mesmo do Sacerdócio (salvo algum impedimento específico); isso já é motivo razoável para que se dê prioridade aos varões nesse serviço.

2. É preciso colocar na balança que, indiretamente, meninas ou mulheres atuarem como coroinhas ou “acolitas” tem o forte perigo de ser uma propaganda do mito do “sacerdócio feminino”: “Ah, que bonitinhas, poderiam ser padres”...“olha, a Igreja já permite que as meninas e mulheres sejam coroinhas, que elas sirvam o altar, daqui a pouco pode permitir que sejam padres...” ou ainda, as próprias meninas (principalmente se forem mal orientadas) crescerem com o desejo de serem “sacerdotisas”.

O saudoso gigante Dom Estevão Bettencourt assim resume a questão (Revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 457, Ano 2000, Pág. 285):

“A Santa Sé não se opõe a que meninas e senhoras sirvam ao altar na qualidade de acólitas (coroinhas). Todavia lembra que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar por parte dos meninos.”

Algumas paróquias adotam soluções interessantes para lidar com essas questões pastorais:



- Montam um grupo para realizar as leituras da Santa Missa, formado exclusivamente por mulheres (além, é claro, dos leitores instituídos, que canonicamente são sempre homens; ver Cânon 230,); embora o serviço de leitor, de alguma forma, se aproxima do ministério de Sacerdote e Diácono, é uma aproximação menor do que o serviço do altar propriamente dito.

- Em tais paróquias, as Ministras Extraodinárias da Sagrada Comunhão (mulheres) atuam levando o Corpo de Deus para os doentes, fora da Santa Missa; nestas paróquias, quando há a justa necessidade de haver Ministro Extraordinário da Comunhão durante a Santa Missa (vr Redemptionis Sacramentum, n. 151): , quem atua são os homens.



Segue, abaixo, o referido documento, na íntegra.

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CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
FUNÇÕES LITÚRGICAS

Comunicação da Congregação do Culto Divino a respeito das funções litúrgicas confiadas aos leigos, de acordo com a resposta do Pontifício Conselho para a interpretação dos Textos Legislativos.

Roma, 15 de março de 1994.Protoc. 2482/93

A Sua Excelência ReverendíssimaDom Luciano P. Mendes de Almeida S.J.Presidente da CNBB Excia. Reverendíssima,

Julgo ser meu dever comunicar aos Presidentes das Conferências Episcopais que será brevemente publicada em "Acta Apostolicae Sedis" uma interpretação autêntica do cân. 230 § 2 do Código de Direito Canônico.

Como é sabido, pelo referido cân. 230 § 2, estabelecia-se que:

"Laici ex temporanea deputatione in actionibus liturgicis munus lectoris implere possunt; item omnes laici muneribus commentatoris, cantoris alusve ad norman iuris fungi possunt".[1]

Ultimamente foi perguntado ao Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos se as funções litúrgicas, que, segundo o estipulado no citado cânon, podem ser confiadas aos leigos, poderiam ser desempenhadas indistintamente por homens e mulheres e se, entre tais funções, poder-se-ia incluir também a de servir ao altar, em pé de igualdade com as outras funções indicadas pelo mesmo cânon.

Na reunião de 30 de Junho de 1992, os Padres do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos examinaram a seguinte dúvida, que lhes fora posta:

"Utrum inter munera liturgica quibus laici, sive viri sive mulieres, iuxta C. I. C. can 230 § 2, fungi possunt, adnumerari etiam possit servitium ad altare".[2]

A resposta foi a seguinte: "Affirmative et iuxta instructiones a Sede Apostolica dandas".[3]

Posteriormente o Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida em 11 de julho de 1992 ao Exmo. e Revmo. Mons. Vincenzo Fagiolo, Arcebispo emérito de Chieti-Vasto e Presidente do mencionado Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, confirmou tal decisão e ordenou que fosse promulgada. O que brevemente acontecerá.

Ao comunicar a essa Conferência Episcopal quanto fica dito, sinto o dever de precisar alguns aspectos do cân. 230 § 2 e da sua interpretação autêntica:

1) O Cân. 230 § 2 tem caráter permissível e não impositivo: "Laici (...) possunt". Portanto, a autorização dada a este propósito por alguns Bispos não pode minimamente ser invocada como obrigatória para os outros Bispos.

De fato, compete a cada Bispo em sua diocese, ouvido o parecer da Conferência Episcopal, emitir um juízo prudente sobre como proceder para um regular incremento da vida litúrgica na própria diocese.

2) A Santa Sé respeita a decisão que alguns Bispos, por determinadas razões locais, adotaram, com base ao previsto no cân. 230 § 2, mas contemporaneamente a mesma Santa Sé recorda que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos. Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais.

Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.

3) Se, em qualquer diocese, com base no cân. 230 § 2, o Bispo permitir que, por razões particulares, o serviço do altar seja prestado também por mulheres, isso deverá ser bem explicado aos fiéis, à luz da norma citada, e recordando que ela encontra já uma larga aplicação no fato de as mulheres desempenharem muitas vezes o serviço de leitor na liturgia e poderem ser chamadas também a distribuir a Sagrada Comunhão, como Ministros Extraordinários da Comunhão, e realizarem outras funções, como previsto no § 3 do mesmo cân. 230.

4) Deve, ainda, ficar claro que os referidos serviços litúrgicos dos leigos são cumpridos "ex temporanea deputatione" a critério do Bispo, sem que haja qualquer direito a desempenhá-los por parte dos leigos, homens ou mulheres que sejam.

Ao comunicar quando referido, esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos quis cumprir o mandato recebido do Sumo Pontífice de dar instruções para ilustrar o cân. 230 § 2 do C. I. C. e a interpretação autêntica desse cânon, que proximamente será publicada.

Assim, os Bispos poderão desempenhar melhor a sua missão de serem, na própria diocese, moderadores e promotores da vida litúrgica, no âmbito das normas vigentes na Igreja Universal.
Em profunda comunhão com todos os membros dessa Conferência, tenho o prazer de me professar.

Card. Javierre

Em defesa das assembleias que não cantam

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Este belo texto foi escrito por Jeffrey Tucker, do New Liturgical Movement, e lá publicado em 11 de Abril passado. O Salvem a Liturgia apresenta sua tradução.

* * *

Em defesa das assembleias que não cantam, por Jeffrey Tucker
traduzido por Alfredo Votta

Se você acha que o povo da sua paróquia católica canta bem, faça uma visita à igreja batista da sua cidade. O cantor anunca a música. Todo mundo, sem exceção, pega um hinário. Tocam a introdução e o hino começa. Vem um som que quase te derruba da cadeira. Você canta junto, mas, não importa quão alto você cante, você não faz diferença. Para o batista é um dia normal, mas para o católico é qualquer coisa de muito impressionante.

Por muitas gerações as pessoas se têm perguntado porque as paróquias católicas não fazem assim. Nós bem que tentamos bastante. Nenhuma retórica é mais furiosa do que a dos músicos católicos e suas frustrações com suas paróquias.

E por que as pessoas não obedecem? É como ouvir pessoas denunciando crianças por não ser comportarem direito. Estão sempre exigindo. Até tentam intimar as pessoas à “participação ativa”. Escolhem música com base no tanto que as pessoas vão cantar junto, como se isso fosse a única coisa que importa.

Por décadas isso tem acontecido, e mesmo assim nada muda.

Mas será que não estamos confundindo as coisas? A sensibilidade que leva os batistas a fazer estas coisas não teve que lhes ser imposta. Não houve treinamento. O hino, para tal comunidade, é sua própria voz, música que vem do povo para celebrar sua unidade de propósito e de crença.

É a própria homilia deles, para si mesmos, isto é o que eles são, algo em que eles acreditam como seu e que tem seu propósito interno completamente independente de qualquer ação no altar ou qualquer função litúrgica ou sacramental. Tal canto acontece no mesmo espírito de uma canção patriótica num evento cívico, exceto pelo fato de que a letra é diferente. Não é forçado, é orgânico ao seu modo de culto.

Esse tipo de canto não é orgânico à liturgia católica, cuja música não é um fim em si mesma. Seu propósito é acompanhar alguma outra ação: procissões, meditação de um Salmo entre leituras, diálogos com o celebrante ou alguma outra atividade. O papel do canto cabe primordialmente à schola e ao cantor, não ao povo. E o povo sabe disso. E é assim desde os primeiros registros [da liturgia].

É permitido ao povo (e ele é mesmo encorajado a isso) cantar certas partes especiais como o Ordinário da Missa (e o Sanctus pode ser tecnicamente chamado de um hino), mas a música não está dividida em métrica previsível; a linguagem está em prosa, e não em poesia rimada. Sem exceção, todo católico se reserva o direito se de manter silenciosamente em oração, sabendo muito bem que, ele cantando ou não, isto não faz diferença nas graças oferecidas na Missa. Somos livres para participar externa ou internamente, como desejarmos.

A música é parte integrante da liturgia, nascida nela. Não é o povo quem a faz. Não somos nós que a geramos. O povo pode ser parte dela, mas não é sua responsabilidade. E quando os fiéis cantam, não é para reforçar sua percepção de membros de uma comunidade. É para participar mais inteiramente das ações sagradas que ocorrem de maneira litúrgica. Isto vem de dentro da liturgia, não é imposto de fora. Isto não vem do povo. Vem, sim, da oração na qual o povo é convidado, mas não obrigado, a participar. Você pode fazer todo tipo de convocação, pode gritar e exigir. Mas, no final, o senso católico de papel do povo no canto não vai mudar.

Aqui está a ideia controversa que eu gostaria de colocar: não há nada errado com isso. Na verdade, o povo talvez esteja mais certo do que as “autoridades” que o estão sempre denunciando. E se o povo em algum momento começasse a cantar como batistas, no contexto de cultura paroquial que eu conheço, o novo ethos surgiria em detrimento do foco primário do Rito Romano. O ritual católico não se baseia no povo e não se centra nele. Não é dado pela comunidade como um presente entre os membros. É um dom de Deus que Lhe oferecemos de volta, algo que recebemos humildemente como uma bênção e uma ocasião de graça, enquanto oferecemos nossas vidas de volta para Deus, em sacrifício.

É por isso que o hino – que eu defino aqui como uma música estrófica, dividida metricamente, com rimas e em vernáculo – tradicionalmente não tem lugar na liturgia católica, especialmente na Missa (não incluo os hinos do Ofício, que não se encaixam nesta minha definição). Mesmo os estudos que investigam o uso de hinos da Missa católica encontram esse tipo de hino somente depois do Concílio de Trento, como influência do crescente uso de hinos no culto protestante. Antes disso, o uso de hinos era desconhecido.

O povo não canta a procissão. Não canta o Próprio da Missa. Canta partes da Missa de acordo com a tradição local e o impulso privado, mas nada jamais lhe foi exigido neste sentido.

Em outras palavras, eu sugeriria que há razões tradicionais e válidas pelas quais os católicos não cantam nas celebrações da maneira que os batistas cantam, exceto em ocasiões extremamente raras. Isto nunca será a norma, e se viesse a ser, no contexto cultural atual, eu diria que algo errado aconteceu com o rito.

Uma comunidade elevando a voz dessa maneira sugere uma comunidade em celebração não-sacramental. No contexto católico podemos ver isto numa peregrinação ou numa reunião de celebração em honra a um santo padroeiro. Mas na liturgia é outra coisa que acontece. Estamos transcendendo o que somos e indo além das amarras do tempo e do espaço.

O que devemos sentir é uma grande reverência. Devemos nos tornar gradualmente menos cônscios de nós mesmos e dos outros e cada vez mais conscientes da atemporalidade. O visível está presente, mas nós nos tornamos conscientes do que antes era invisível.

Eu me lembro de um baile de igreja no qual as pessoas gritavam a letra da música que estavam dançando. Não há nenhum problema em que católicos cantem assim neste contexto, com as luzes piscando e os corpos se movendo. O que acontece aí? Nada sagrado, nada milagroso, nada litúrgico. Só uma festa. Nessa situação os católicos cantam como qualquer outro. Por que não fazem a mesma coisa na Missa? Eu diria que se os católicos forem cantar assim na Missa, teremos que recriar a sensação que leva as mesmas pessoas a gritarem num baile.

Imagine observar um milagre mesmo num contexto não-litúrgico. Qual é o impulso: cantar o mais forte possível ou ficar em silêncio? Se alguém interrompe a cena com gritos, nós nos perguntaríamos se essa pessoa está consciente do que está acontecendo. Mesmo no nosso tempo de liturgia mundana e conversas rasas no altar, o senso católico continua sendo o de ver a liturgia como algo solene, não algo que fazemos por nossa própria conta, mas algo a que nos devemos submeter.

O impulso é o de se manter em silêncio. Claro, somos livres para cantar o Glória, os diálogos, o Sanctus, o Agnus Dei, desde que de modo compatível com a atmosfera de oração. Mas sempre tentamos não forçar nossas vozes acima do volume à nossa volta. É um impulso de humildade. Cantar acima dos outros e arrogância são contrários àquilo que acreditamos dever fazer.

Permitam-me esclarecer que não sou diferente de nenhum outro músico católico. Eu gosto de saber que as pessoas estão cantando. Isso me inspira a cantar o Glória e o Sanctus. Eu gostaria de ouvir o Credo cantado por todos, toda semana. Eleva-me saber que a assembleia aprendeu um novo Kyrie e responde bem ao coro.

Tampouco sou ingênuo. Mesmo no volume mais forte, o canto católico sempre será uma fração do volume dos protestantes. O fato é que cantar é o que os protestantes fazem. É o que eles têm. É algo desejado pela comunidade porque eles entendem estes símbolos e propósitos.

O que nós fazemos é diferente. Não estamos num círculo fechado. Colocamo-nos em direção ao Oriente, em direção à eternidade. Isto muda tudo. Devemos permitir que isto aconteça, adaptar a isso as nossas expectativas, e ser gratos pelo fato de que os católicos não perderam completamente o senso de que eles devem diminuir para que Deus cresça.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Workshop “Restaurando o Sagrado com a Santa Missa Tradicional”, em Fátima, Portugal

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Recebemos a seguinte notícia de Portugal:

FATIMA - SANCTA MISSA - 2010 - POSTER

UIOGD

Caríssimo,

Queremos apresentar mais algumas novidades relativamente ao Workshop Restaurando o Sagrado com a Santa Missa Tradicional que irá decorrer em Fátima, do dia 08 ao dia 11 de Setembro deste ano.

As conferências serão realizadas no Hotel Fátima, conforme a indicação no horário. A Santa Missa será oficiada na Capela do Opus Angelorum (Mosteiro de Santa Cruz, Rua S. João Eudes, 22; 2495-651 Fátima) todos os dias, excepto no dia 10 em que será oferecida no Altar da Basílica de Nossa Senhora de Fátima. O honorário da inscrição no Workshop é de 50€.

O alojamento e refeições serão da responsabilidade dos participantes que poderão encontrar várias casas ou hotéis disponíveis em Fátima. Não obstante deixamos o contacto do serviço de alojamento do Santuário de Fátima (seal@fatima.pt) pois poderá revelar-se útil.

Deste modo, pedimos, que confirme a sua participação, formalizando a inscrição com os seguintes dados:

Nome completo

Diocese (e para os Religiosos, indicar também Congregação)

Estado (leigo, seminarista, religioso(a), diácono, sacerdote)

Contacto telefónico

Aguardamos, pois, o seu contacto. Estamos disponíveis para eventuais dificuldades.

Novamente apelamos à sua oração e à ajuda na divulgação do mesmo.

In corde Iesu

A organização de Sancta Missa - Portugal

_________________________________________

PROGRAMA

Quarta-feira, 8 Setembro 2010

17h30 – 19h00 Missa Solemnis in Forma Extraordinaria (1962 Missale Romanum)

Local: Capela do Opus Angelorum, Fátima

19h30 – 20h30 Pausa para Jantar

20h00 – 20h45 Abertura do Secretariado

21h00 – 22h30 Conferência de Abertura

Local: Hotel Fátima

Quinta-feira, 9 Setembro 2010

09h00 – 09h45 Abertura do Secretariado

Local: Hotel Fátima

10h00 – 11h20 Conferência

Local: Hotel Fátima

11h30 – 12h50 Conferência

Local: Hotel Fátima

13h00 – 15h00 Pausa para Almoço

15h00 – 16h30 Conferência

Local: Hotel Fátima

17h30 – 19h00 Missa Cantata (Rito Bracarense)

Local: Capela do Opus Angelorum, Fátima

19h30 – 20h30 Pausa para Jantar

21h00 – 22h20 Conferência

Local: Hotel Fátima

Sexta-feira, 10 Setembro 2010

09h00 – 09h45 Abertura do Secretariado

Local: Hotel Fátima

10h00 – 11h20 Conferência

Local: Hotel Fátima

11h30 – 12h50 Conferência

Local: Hotel Fátima

13h00 – 15h30 Pausa para Almoço

16h00 – 17h30 Conferência

Local: Hotel Fátima

18h00 – 19h00 Pausa para Jantar

20h00 – 22h00 Missa Solemnis in Forma Extraordinaria (1962 Missale Romanum)

Local: Basílica de Nossa Senhora de Fátima

Sábado, 11 Setembro 2010

09h00 – 10h15 Conferência de encerramento

Local: Hotel Fátima

10h45 – 12h00 Missa Solemnis in Forma Extraordinaria (1962 Missale Romanum)

Local: Capela do Opus Angelorum, Fátima

Reforma da reforma: Batismo e Missa versus Deum na forma ordinária, no Mato Grosso

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O Pe. Marcos Ferruci, pároco de Nossa Senhora das Dores, em Barão do Melgaço, MT, celebrou um solene Batismo, após o qual ofereceu o Santo Sacrifício da Missa versus Deum. Tanto o Batismo quanto a Missa foram na forma ordinária, e com muito zelo litúrgico. Uma reforma da reforma está acontecendo no Centro-Oeste brasileiro!

Para os que quiserem entrar em contato com o referido sacerdote, por favor utilizem o e-mail: padremarcosferrucci@yahoo.com.br

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