Manchetes

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

E se as TVs católicas transmitissem Missas em latim?

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O que acham os nossos leitores de somarmos esforços e pedirmos às TVs católicas brasileiras, transmissões periódicas em latim da Santa Missa? É uma maneira bem concreta, bem prática, de colaborarmos no apostolado de promoção da liturgia bem celebrada, como nos pede, reiteradamente, o Santo Padre, o Papa Bento XVI.

A idéia é que tenhamos, em cada TV, diariamente, a Missa em latim na forma ordinária (moderna), e, AO MENOS, semanalmente a Missa em latim na forma extraordinária (tridentina). E que as Missas dominicais em latim, em ambas as formas, sejam solenes (com diáconos/subdiáconos) ou, no mínimo, cantadas.

Escrevam, nos comentários, suas sugestões. Pretendemos mandar este post e os comentários aos responsáveis pela veiculação da programação de uma delas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Missa na forma ordinária em latim com canto gregoriano em Curitiba

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Missa simples na forma ordinária celebrada em latim e acompanhada de canto gregoriano. Será nesse Domingo, dia 03 de outubro, em Curitiba. Abaixo o banner de convite (cedido pelo leitor e estudioso de canto gregoriano Paulo Valente):


domingo, 26 de setembro de 2010

Paramentos anglicanos e Anglicanorum Coetibus

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Por ocasião da organização futura dos Ordinariatos para os anglicanos que se convertem à fé católica, haverá, ao que tudo indica, uma disciplina litúrgica apropriada, possivelmente recolhendo a boa experiência do Anglican Use e seu Book of Divine Worship, talvez complementada com pelas antigas versões do Book of Common Prayer e do Anglican Missal.

Um tema que não se vê comentar, entretanto, é o do uso dos paramentos tradicionais anglicanos, que possuem uma leve diferenciação em relação aos católicos.

É certo que na High Church - de que formam parte os grupos anglo-católicos da Comunhão Anglicana e as províncias da Traditional Anglican Communion -, os clérigos usam, no que chamam de Missa, paramentos semelhantes aos nossos, quando não os mesmos: alva, cíngulo, amito, estola, casula, dalmática. E, celebrando o Ofício Divino de modo solene, usam o pluvial. As cores são geralmente as mesmas.

Todavia, embora improvável, é perfeitamente possível que setores da Low Church e da Broad Church se convertam, pela via da Anglicanorum Coetibus, e esses grupos, como se sabe, não costumam primar pela manutenção de paramentos sofisticados: para seus clérigos, tanto na Missa quanto no Ofício, basta que usem a batina, a sobrepeliz e o típete (e, quando Bispos, a quimera).

Mesmo os da High Church usam a quimera e o típete, quando celebram o Ofício Divino de modo menos solene, e, ainda que seja solene, por vezes no Ofício da Manhã e no da Noite. Há ainda o colarinho de pregação, também chamado peitilho ou colarinho genebrino, que os clérigos utilizam para assistir os Ofícios e a Missa como parte de sua veste coral, ou sobre a batina em sermões extralitúrgicos.

Toda essa variedade deve ser levada em conta ao estabelecer as normas litúrgicas dos anglicanos convertidos ao catolicismo.

Uma sugestão é que se adotem todos os padrões rigorosos da High Church, por serem mais próprios do que se poderia chamar tradicional. Se o que se deve preservar, segundo o ethos da Anglicanorum Coetibus, é o patrimônio tradicional anglicano, e sabemos que a Broad Church e a Low Church não enfatizam esse patrimônio na esfera da liturgia, o natural é que busquemos na High Church - até por ser mais exteriormente católica - a inspiração.

Assim, para a Missa, os clérigos anglicanos católicos adotariam a mesma padronização dos católicos latinos: alva, amito, cíngulo, estola, com a casula aos sacerdotes e a dalmática aos diáconos. Já é assim para os anglo-católicos. E os Bispos utilizariam as mesmas insígnias: báculo, anel, mitra. O uso do "conjunto Low Church", só com o típete ou a quimera, e batina com sobrepeliz, restaria descartado para a Missa.

Para o Ofício de Vésperas rezado de modo menos solene, batina, sobrepeliz, típete e, quando Bispos, a quimera por cima. Para as Vésperas Solenes, batina, sobrepeliz, estola, pluvial e, se Bispos, a mitra. Os demais Ofícios, solenes ou não, com a batina, sobrepeliz, típete e, quando Bispos, também a quimera.

Ao celebrar os sacramentos fora da Missa, dar bênçãos solenes e distribuir a Comunhão também fora da Missa, usariam batina, sobrepeliz, típete e, quando Bispos, igualmente a quimera.

Como veste coral, para assistir aos ritos sagrados, batina, sobrepeliz (ou roquete para os Bispos), típete e, quando Bispos, também a quimera. O colarinho de pregação poderia ser usado, dependendo do costume local.

O leitor instituído, quando faz uma leitura na Missa, usa, em cima da sobrepeliz e batina, ou da alva, um típete azul.

Para os ritos que admitem a quimera, ou como veste coral suplementar, ao Bispo seria facultado o uso da chamarra.

A batina dos Bispos anglicanos também é somente a violeta, nunca a preta com faixa violeta.

Para melhor visualização dos leitores não-acostumados aos paramentos específicos do anglicanismo - que, na verdade, eram usados, smj, pelo clero católico romano medieval na Inglaterra -, damos algumas imagens abaixo:

File:Cotton bands.jpg
O colarinho de pregação

File:William Laud.jpg
A quimera é essa echarpe negra grossa

File:Choirhabit.jpg
O típete é essa echarpe negra, semelhante a uma estola

A chamarra é esse "colete" longo vermelho


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mitos Litúrgicos Comentados - Mito 20: Entender tudo é preciso?

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Este estudo é baseado no artigo "Mitos Litúrgicos", que escrevi e foi revisado por Sua Excelência Reverendíssima Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS). O artigo lista 32 idéias equivocadas sobre a Sagrada Liturgia e contra-argumento com a palavra oficial da Santa Igreja. Foi publicado em Fevereiro de 2009 e pode ser lido na íntegra em:


http://www.salvemaliturgia.com/2009/04/mitos-liturgicos.html


Nesta vigésima postagem, postamos o Mito 20, juntamente com um comentário atual a respeito, aprofundando o assunto.


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Mito 20:


"Para participar bem da Missa é preciso entender a língua que o padre celebra"


Não é.


Embora possa ser útil compreender a língua que o padre celebra (e por isso são amplamente divulgados os missais com tradução em latim / português, nos meios em que a Santa Missa é celebrada em latim), o principal é contemplar o Mistério do Santo Sacrifício que se renova no altar, e para isso não é necessário compreender todas as palavras.


Missa não é jogral.


O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, afirma ("O sal da terra"):

"A Liturgia é algo diferente da manipulação de textos e ritos, porque vive, precisamente, doque não é manipulável. A juventude sente isso intensamente. Os centros onde a Liturgia é celebrada sem fantasias e com reverência atraem, mesmo que não se compreendam todas as palavras." ---


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Comentário sobre este ponto (24/09):


Vemos hoje muitos se rejubilarem em ver o latim "supultado", dizendo com entusiasmo:

"Graças a Deus que hoje Missa é português, antigamente era latim e ninguém entendia nada!"


Ora, e hoje, que a Missa é em português, quem entende o que é a Santa Missa?


Quem sabe hoje que ela é a Renovação do Santo Sacrifício de Cristo e o que isso significa?


Pois a Santa Missa é a Renovação do Seu Único e Eterno Sacrifício, consumado de uma vez por todas na cruz e tornado presente no altar, oferecido a Deus Pai, pois pelas mãos do sacerdote; pois na Santa Missa, Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, n. 1362-1377; 1411).


Será mais gente do que na época que as Missas eram em latim?


Como escreveu o Dr. Rafael Vitola em artigo na postagem anterior desta série:


"Na Missa não precisamos entender as palavras, precisamos entender é o que está acontecendo. De outra sorte, pergunto: é preciso que o povo entenda as PALAVRAS da Missa? Não! O que é preciso é entender a PRÓPRIA Missa! Todos entendemos todas as palavras da Missa? Claro que não. Há muitas passagens de altíssima teologia, que quase ninguém entende.Mas isso não nos impede de colher frutos da Missa. Se o entendimento das palavras da Missa fosse necessário para cresceres espiritualmente e para apreenderes os frutos da liturgia, então só doutores em teologia iriam à Missa, só eles se beneficiariam. (...) Importa entender que a Missa é o Sacrifício da Cruz e nos unirmos a esse atosublime. Não importa entender o que as palavras da Missa dizem. Ajuda? Sim, podeajudar, mas importar não importa. E quem quiser acompanhar as palavras podedecorar a Missa em latim, como decora o português, e ainda acompanhar pelos missais e folhetinhos.(....) O motivo de muitos não gostarem do latim é por não terem entendido o que é a Missa, ainda. A Missa é PARA DEUS, não para os homens. Não somos nós que temosde entender as palavras, mas Deus."


Realmente, como falmamos anteriormente, a Santa Missa, em essência, é para Deus e não para os fiéis, pois ela é a Renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor, oferecido a Deus Pai pelas mãos do sacerdote. Embora, como foi dito, os fiéis que participam da Santa Missa se beneficiam. Pois na Missa, Nosso Senhor "se sacrifica sem derramamento de sangue, e nosaplica os frutos da sua Paixão e Morte." (Catecismo de São Pio X, n. 254) Assim, nós somos BENEFICIÁRIOS da Missa, mas o DESTINATÁRIO é Deus.

Essa consciência de que A MISSA É PRA DEUS, certamente, é um dos elementos que falta para muitos compreenderem o valor do latim.


Porém, vamos também um outro elemento no homem moderno, de natureza esssencialmente anticristã e mesmo antireligiosa, que é barreira para o latim na Liturgia: o RACIONALISMO.


Em que sentido se dá esse racionalismo?


Antes de explicitarmos a resposta, importa compreender que a Doutrina Católica defende um equilíbrio entre a fé e a razão. O saudoso Papa João Paulo II escreve que "a fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade." (Fides et Ratio, 1) Antes disso, o Concílio Vaticano I (1797) em 1870 já havia definido a respeito da fé e da razão: "Jamais pode haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé, dotou o espírito humano da luz da razão".


Pela luz natural da razão, podemos compreender que Deus existe. O Concílio Vaticano I (n. 1785) definiu que a "Santa Igreja crê e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, por meio das coisas criadas." Também pela razão podemos identificar os sinais da Revelação de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo, através dos milagres de Nosso Senhor e dentro da Sua Santa Santa Igreja, e das evidências históricas da Origem Divina da Igreja (Catecismo da Igreja Católica, n. 156). Pela fé, que é a uma adesão da inteligência e da Vontade à Verdade revelada por Deus em Nosso Senhor, podemos conhecer algo a mais da Verdade a respeito de Deus e de nós, além do que a luz natural da razão revela (Catecismo da Igreja Católica, n. 155).


O "fideísmo" (fé sem razão) é um desequlíbrio, é comum o vermos em declarações que expressam uma mentalidade de origem protestante e gnóstica, que desmerecem a matéria, o ser humano e a razão humana, com frases do tipo: "Não estude, senão você vai perder a fé!"


O desequilíbrio oposto é o "racionalismo" (razão sem a fé), que tem o seu grau mais extremado no ateísmo ("não é possível provar pelo método científico que Deus existe, logo, Deus não existe...") e no agnosticismo ("não é possível provar pelo método científico que Deus existe, logo, não podemos saber se Deus existe"), que é um ateísmo prático; ou mesmo no relativismo pós-moderno, onde a razão, já divorciada da fé, busca certezas matemáticas daquilo que ela não pode dar e acaba negando-se a si mesmo, afirmando que e a verdade não pode ser conhecida de maneira objetiva, então cada um tem a "sua verdade"; ou seja, a razão sem a fé logo acaba distorcida e negando a própria razão.


Entretanto, este racionalismo, que teve a sua maior manifestação à partir do iluminismo, influenciou os próprios católicos e certas correntes teológicas, e mesmo a teologia litúrgica.

De clara influencia racionalista é, por exemplo, a pretensão de "querer abarcar toda a realidade" dentro da nossa cabeça, e por isso, querer tirar de cena aquilo que é Mistério e o que aponta para o Mistério.

Ora, Deus não cabe dentro de nossa cabeça, e para nós, Nele sempre haverá Mistério!


Esta tendência racionalista, de tirar o Mistério, acontece mesmo dentro do campo litúgico, onde vemos a pretensão de eliminar aquilo que "nem sempre compreendemos" e que aponta para o Mistério de Deus, que é algo que nossa razão não consegue abarcar completamente. E este é um dos motivos da oposição ao latim, ao esplendor, ao incenso...

Rafael Vitola Brodbeck, diretor do nosso blog, em um artigo publicado a alguns meses atrás, aborda esta temática no campo litúrgico, da seguinte forma:

"Em um país de esmagadora maioria de analfabetos, iríamos eliminar as letras, os sinais de pontuação, a gramática? Se a resposta ao analfabetismo é a alfabetização, a resposta a um século que não lê os símbolos é ensinar-lhes o seu significado, não propor seu banimento! O homem advindo do racionalismo não entende os símbolos, não é capaz de aprofundar no belo, vê o fausto e o esplendor como farisaísmo estéril ou triunfalismo."


O mesmo assunto foi abordado também alguns meses atrás em artigo de nosso blog por Taiguara Fernandes de Sousa, também membro da nossa equipe, onde ele afirma:

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"O homem moderno parece ter uma necessidade de entender tudo, de saber de tudo. O homem moderno acha-se tão superior que não admite mistérios, não admite símbolos, não admite segredos. Hoje, efetivamente, como aos pagãos, poder-se-ia falar na “loucura da Cruz” (I Coríntios 1,18) porque, para o homem racionalista moderno, um mistério tão grandioso como a Salvação dos homens na Cruz por Cristo, como a Transubstanciação na Missa, um Deus assim tão inefável e transcendente, que não cabe na mente humana, seria uma loucura. (...)

A Missa, na cabeça de muitos, deixou de ser Mysterium Fidei e passou a ser Mysterium rationis, mistério da razão; isso causa conseqüências nefastas: seria preciso adaptar a Liturgia À melhro maneira de o homem entendê-la, pois ela é um mistério de sua razão; o homem é posto no centro, e Deus daí é retirado; o antropocentrismo penetra, e com ele os abusos. (...)


Por que esta necessidade de que o homem saiba por seus sentidos de tudo que se passa? É o racionalismo que penetrou na Missa; o homem agora não se contenta com o Mistério, precisa ouvir tudo, saber de tudo; sua razão orgulhosa não permite que ele não saiba de tudo. (...)


A rejeição do latim por muitos fiéis, sacerdotes e Bispos é também reflexo da penetração do racionalismo. O latim que possui profundo sentido teológico: além de ser a conexão com as inúmeras gerações passadas da Igreja, preserva melhor o sentido dos textos, protege-os das evoluções das línguas vernáculos e, assim, das corruptelas de doutrina, além de ser a língua da Igreja de Roma, o que demonstra perfeitamente a comunhão com esta Igreja, “com a qual todas as outras Igrejas devem se conformar”, segundo Santo Irineu. O Papa Beato João XXIII, na Constituição Apostólica Veterum Sapientia, dá inúmeras razões para que o latim permaneça como a língua da Liturgia. Paulo VI lamentou sua perda diversas vezes. João Paulo II quis recuperá-lo. Bento XVI permanece na luta pelo seu resgate. O latim, por não ser uma língua do cotidiano, expressa muito bem o Mistério de Deus: inefável e incompreensível em sua Majestade, a Deus a Igreja não se dirige como se dirige ao povo, na sua língua pátria; a Igreja se dirige a Deus por uma língua própria para Ele, uma língua solene, uma língua que a razão humana tem dificuldade de entender, como tem dificuldade de entender a Deus. Por isso mesmo o latim cria um ambiente de solenidade, de transcendência, de sagrado, de Mistério. Mysterium Fidei. Mas rejeita-se o latim, apesar de seu profundo sentido. A justificativa para essa rejeição injustificável? É comumente dito que “o povo não entende”. Esta justificativa é denúncia máxima da penetração do racionalismo na Liturgia. Por que o povo precisa entender tudo na Missa e não apenas o essencial – como de Deus não entendemos tudo, mas só o essencial, que Ele mesmo nos revelou? Por que é preciso que o povo saiba o que se diz a cada ato? Por que é necessário que o povo escute claramente cada palavra, que a razão humana entenda todo o texto, em seus mínimos detalhes? Porque, para o homem moderno, nada tem razão de ser se não passa pela sua razão; o homem moderno tem que entender tudo, sua ambição é pela onisciência. (...)... e, assim, não se nota que o sentido máximo da Liturgia não está dentro da mente humana, que a Liturgia tem seu sentido maior justamente fora da mente humana, em Deus, que é Mistério. (...)


Para resolver o problema do racionalismo, um dos primeiros e mais imediatos passos é a restauração do latim na celebração a Missa Nova e sua preferência em relação às línguas vernáculas. (...)

Mas nada disso adiantará se não for feita uma reforma das convicções do homem moderno. É preciso que o católico moderno não caia na tentação de idolatrar-se ou idolatrar sua razão, como tristemente faz a Modernidade, em seu infeliz racionalismo. É preciso reconhecer nossa pequenez diante de Deus, a pequenez de nossa razão perante o Seu Mistério. Em suma, é preciso ter humildade. Ir à Missa com humildade e reconhecer-se pequeno, indigno. Essa é uma atitude de todo necessária para consertar este grave problema do racionalismo na Liturgia, que tantas más e graves conseqüências vem provocando. A Liturgia não é mysterium rationis ou mysterium populi: ela é Mysterium Fidei, expressão do Mysterium Dei."


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Para exemplificar todo esse caráter "mistérico" da Santa Missa, olhemos para diferentes maneiras de expressar isso em diferentes formas litúrgicas.

Cito, para isso, mais uma vez o Taiguara, no mesmo artigo mencionado:


"Na forma tradicional do Rito Romano, todo o Ofertório e o Cânon eram rezados em voz baixa, de forma que só o sacerdote o pudesse ouvir, mas não o povo. O sentido é de que esta Oração santíssima deveria ser envolvida em mistério, preservado do barulho mundano, resguardado pelo sacerdote num manto de silêncio sagrado, como era resguardada por um véu a Arca da Aliança no Templo. No Oriente ainda há Ritos cuja Consagração é celebrada em completo mistério no interior de um presbitério, sem que o povo possa vê-lo ou ouvi-lo. Hoje em dia há quem se escandalize em saber que na Missa Tradicional o povo não ouve o Cânon. (....) Por que esta necessidade de que o homem escute tudo? Por que esta necessidade de que o homem saiba por seus sentidos de tudo que se passa?"


No oriente, vela-se o presbitério para expressar o Sagrado.


Na tradição do Ocidente, vela-se a voz para expressar o Sagrado.


São diferentes formas de manifestar o Mistério.


É neste contexto de indicar com sinais aquilo que é Sagrado que a Santa valoriza o latim: uma língua especial, mistérica.


Complementando ainda as afirmações de Rafael e Taiguara, é curioso observar que hoje, ao mesmo tempo em que se exclui da Liturgia o latim por "o povo não entender tudo", se valoriza em ambientes católicos e protestantes formas de oração em que os fiéis se dirigem a Deus com sons inexprimíveis...

Uma pequena partilha pessoal:

Quanto escrevi no artigo a frase "Missa não é jogral", pensava comigo: o Mistério Eucarístico é algo muito mais profundo do que simplesmente ler, escutar e estender textos. Isso é só a casca.

Mas infelizmente, vejo que a Santa Missa é vivida assim por muita gente, e talvez pela falta de testemunho da nossa parte.

Eu lembro que quando criança eu achava muito entediante ir a Santa Missa, e em parte, atribuo isso também a falta de sacralidade e de mística das Missas que ia. Parecia que era vivido no ambiente como um jogral, onde se lê, se escuta, se canta...

E vejam: NÃO estou dizendo isso necessariamente pela falta do latim, mas pela falta de sacralidade e esplendor em geral.

É uma consciência litúrgica que se precisa despertar para compreender o valor do latim: contemplação, adoração, Sacralidade, Mistério, em oposição ao racionalismo e ao relativismo que nos cerca.

Contudo, tendo visto esse signficado litúrgica das coisas, vejamos agora a nossa realidade pastoral. Como vimos na postagem anterior, O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI (no livro "O sal da Terra", de 1996), reconhece que a "nossa cultura mudou tão radicalmente nos últimos trinta anosque uma liturgia celebrada exclusivamente em latim envolveria um elemento de estranheza que, para muitos, não seria aceitável."


O que queremos NÃO é acabar com acabar com a língua vernácula, mas promover a língua latina. Penso que um dos caminhos é investir no uso do latim (talvez apenas durante a Liturgia Eucarística, em um primeiro momento) ***quando o público é suficientemente formado e preparado para isso*** - por exemplo, nas Misssas celebradas para alguns institutos, comunidades e grupos particulares.


O "Cardeal (Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramento) também sugeriu que as paróquias maiores tenham uma Missa em latimpelo menos uma vez por semana e que as paróquias rurais e menores a tivessem pelo menos uma vez ao mês." (ACI Imprensa, 16 de Novembro de 2006)

Um dos caminhos também é avaliar a possibilidade promover em paróquias Missas em Latim (talvez apenas durante a Liturgia Eucarística, em um primeiro momento), talvez começando, por exemplo, uma vez por mês ou a cada dois meses, talvez em um ***horário alternativo*** (ou seja, em um horário onde normalmente NÃO haja Missa, para que os que não apreciem o latim não sintam-se constrangidos).

Se o público da paróquia estiver suficientemente preparado e formado, pode-se partir para a iniciativa de algumas Missas em Latim (talvez também apenas durante a Liturgia Eucarística, em um primeiro momento) nas principais Solenidades Litúrgicas do ano (como Páscoa, Natal, Corpus Christi, Maria Mãe de Deus...), para posteriormente ir tornando mais frequentes essas celebrações em latim.


Algo que penso ser bastante útil, para estas novas experiências litúrgicas, é ter nesse casos os livrinhos ou folhetos com a tradução "latim /português", para todos acompanharem o Rito (embora, como o Santo Padre falou na citação mais acima, NÃO seja estritamente necessário entender cada apalavrinha)...


Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração:


"Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."


Que a Grande Mãe de Deus, Mãe da Eucaristia, pela Sua Poderosa Intercessão, nos conceda a graça de crer, adorar, amar e zelar pelo Santíssimo Corpo do Deus-Amor Sacramentado e pelo Santo Sacrifício da Missa...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Exaltação da Santa Cruz: Missa em rito bizantino na paróquia ucraniana de Prudentópolis, PR

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A Divina Liturgia foi rezada na Paróquia Ucraíno-católica de São Josafat, em Prudentópolis, PR, pelo Padre Eufrem Krefer, OSBM, o pároco, na festa da Exaltação da Santa Cruz (14/09), às 10hs. A paróquia pertence à Eparquia Ucraniana de Curitiba.

As fotos abaixo foram tiradas e gentilmentes cedidas para o Salvem pelo amigo e leitor Ivan Chudzik, a quem agradecemos a caridade.

02. Iconóstase fechada antes da Liturgia II 03. Celebrante incensa a iconóstase antes da Liturgia I 05. Celebrante incensa os fiéis antes da Liturgia 06. Celebrante beija o altar antes de iniciar a Liturgia 07. Bendito seja o Reino do Pai e do Filho e do Espírito Santo 11. Celebrante saúda com a paz para a proclamação do Evangelho II 13. Hino dos Querubins I 17. Incensação dos fiéis 19. Grande Entrada I 21. Celebrante cobre os olhos com o véu do cálice no Credo 23. Celebrante inclina-se em adoração após a Consagração 27. Comunhão nas duas espécies II 28. Ritos finais 29. Bênção final 31. Celebrante beija a Cruz após as prostrações 32. Celebrante fecha a porta régia ao fim da Liturgia 33. Altar-mor 34. Altar-mor e sacrário 35. Altar-mor e retábulo de São Josafat 36. Relábulo de São Josafat I 38. Relíquia no relábulo de São Josafat 39. Proskomídia (credência) 40. Ícone da Teotokos 41. Ícone de Jesus Cristo 42. Altar lateral direito 43. Tetrapódio 44. Cruz para adoração 45. Altar lateral esquerdo 46. Confessionário 47. Nave central e iconóstase I 48. Nave central e iconóstase II 52. Fonte 53. Fonte para a bênção da água 54. Campanário I 55. Campanário II 58. Monumento ao Sagrado Coração II 59. Fachada I

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Rumo à FSSP

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Estimados(as) amigos(os) em CRISTO,

Salve MARIA!

Como sabem, tenho a alegria de estudar no Mater Ecclesiae do Brasil, sob a direção dos Legionários de Cristo, como seminarista da Arquidiocese Militar do Brasil. Entretanto, ao terminar o curso de filosofia neste ano de 2010, ingressarei na Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, onde estudarei teologia no seminário de Witgratzbad na Alemanha.

Importante lembrar que a Fraternidade de São Pedro não se encontra no Brasil por não ter vocações brasileiras. Os jovens interessados podem entrar em contato comigo.

A missão deles na Nigéria, aqui.

Conto com a oração de todos!

Viva o Papa!

Algumas fotos da FSSP:



Seminaristas e sacerdotes rezando o Breviário Romano
Os Padres da FSSP com Sua Santidade Bento XVI


O então Cardeal Ratzinger celebrando o Rito Tridentino na FSSP.
Sua Santidade Bento XVI e o Fr. John Berg, Superior Geral da Fraternidade de São Pedro.

Vésperas Solenes na Basílica de São Pedro

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Publicamos algumas fotos das II Vésperas Solenes do Domingo 05 de setembro de 2010 na Basílica de São Pedro.

Altar da Cátedra de Sâo Pedro






Coro

Cabido da Basílica de São Pedro




Eminentíssimo Senhor Cardeal Angelo Comastri - Arcipreste da Basílica
(O cardeal entrando ao final, não preside mas assiste a cerimônia)


o Coro

O Cônego fazendo uma breve explicação da leitura.
Incensação do Altar durante o Cântico Evangélico (Magnificat)




Incensação do fiéis.

Cardeal Comastri
Saída do Cardeal antes da procisão (o caredeal sai para a Sacristia para se paramentar para a Santa Missa que é logo a seguir).
Procissão de Saída






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