Manchetes

domingo, 31 de outubro de 2010

Frades Franciscanos da Imaculada ordenam nove diáconos na Forma Extraordinária do Rito Romano

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Sua Excia. D. Velasio de Paolis, Arcebispo Titular de Thelepte, atualmente atua como presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé e Delegado Pontifício para a Congregação dos Legionários de Cristo, ordenou nove diáconos para os Franciscanos da Imaculada. Mons. Velasio também em breve será criado Cardeal no dia 20 de novembro. A Missa Pontifical foi celebrada na sua forma extraordinário do Rito Romano.



Algumas, via John Sonnen do Orbis Catholicus e NLM.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mitos Litúrgicos Comentados - Mito 24: Imagens nas igrejas?

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Este estudo é baseado no artigo "Mitos Litúrgicos", que escrevi e foi revisado por Sua Excelência Reverendíssima Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS). O artigo lista 32 idéias equivocadas sobre a Sagrada Liturgia e contra-argumento com a palavra oficial da Santa Igreja. Foi publicado em Fevereiro de 2009 e pode ser lido na íntegra em:


http://www.salvemaliturgia.com/2009/04/mitos-liturgicos.html

Nesta vigésima quarta postagem, postamos o Mito 24, juntamente com um comentário atual a respeito, aprofundando o assunto.

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Mito 24: "Não se deve ter imagens dos santos nas igrejas"

Deve-se ter, sim.

Diz a Instrução Geral do Missal Romano (n.318):

"De acordo com a antiqüíssima tradição da Igreja, expõem-se à veneração dos fiéis, nos edifícios sagrados, imagens do Senhor, da bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos, as quais devem estar dispostas de tal modo no lugar sagrado, que os fiéis sejam levados aos mistérios da fé que aí se celebram."

O que é ponderado, porém, na mesma referência:

"Tenha-se, por isso, o cuidado de não aumentar exageradamente o seu número e que a sua disposição se faça na ordem devida, de tal modo que não distraiam os fiéis da celebração. Normalmente, não haja na mesma igreja mais do que uma imagem do mesmo Santo. Em geral, no ornamento e disposição da igreja, no que se refere às imagens, procure atender-se à piedade de toda a comunidade e à beleza e dignidade das imagens."

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Comentário sobre este Mito (30/10):

Há uns anos atrás, estava eu conversando com as senhoras que cuidam de um local católico, e pediram sugestões para onde colocar uma imagem do Santo Padre Pio de Pietrelcina.

Então eu sugeri, na melhor da intensões: "Na capela, quem sabe..."

Elas quase pularam no meu pescoço e começaram a discursar que já passou o tempo em que se colocava imagens dos santos na capela, e que "depois do Concílilio Vaticano II não é mais assim"...

O que pensar disso?

O equívoco destas senhoras, que possívelmente por falta de formação talvez estivessem também na melhor das intensões, é evidente.

Vamos procurar nesta postagem então responder, objetivamente, 3 questões:

- Qual é a nossa fé católica a respeito disso?

- O que o Concílio Vaticano II nos fala a respeito disso?

- O que está por detrás desta tendência à retirada das imagens dos santos que vemos na crise após o Concílio Vaticano II?

Em primeiro lugar, é evidente que pode haver um "devocionismo popular" que nos coloca a mediação dos santos intercessores como se ela fosse independente da Mediação de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Vontade Divina, ou mesmo de uma forma superticiosa. Um exemplo disso creio que são as famosas correntes de oração à Santo Expedito que prometem uma graça a quem espalhar determinado número de folhetos folhetos em igreja.

É evidente também que, como mostra a citação do Missal que colocamos acima ("Normalmente, não haja na mesma igreja mais do que uma imagem do mesmo Santo.", pode haver um exagero no número das imagens dos santos e anjos de uma forma que polua o ambiente litúrgico e se repitam desnecessariamente. Já vi uma igreja, por exemplo, com 8 imagens diferentes da Santíssima Virgem, o que considerei um exagero.

Mas partimos da questão central:

O que nos ensina a Santa Igreja a respeito do culto e da Intercessão da Santíssima Virgem e ds santos?

Os santos, que a Santa Igreja canoniza, foram fiéis seguidores de Nosso Senhor, e para nós modelo de virtude. Sobretudo a Santíssima Virgem, que como diz Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, é modelo de todas as virtudes.

A Santa Igreja honra a Deus com um culto de adoração, que a teologia chama de "latria"; honra normalmente aos santos com um culto de veneração, que a teologia chama de "dulia"; e honra a Virgem Maria com o culto máximo de veneração, que a teologia chama de "hiperdulia".

Embora a Virgem Maria se dê o culto máximo de veneração, é um culto que difere essencialmente do culto de adoração prestado à Deus, como explica o próprio Concílio Vaticano II, falando do culto de veneração à Virgem (Lumen Gentium, n. 66):

"Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente."

Diz o Catecismo da Igreja Católica (n. 957), citando o próprio Concílio Vaticano II (Lumen Gentium, n.49), que os santos que estão no Céu intercedem por nós que estamos na Terra:

"Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Elas não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançam na terra pelo Único Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio."

Esta mediação dos santos, portanto, é subordinada a Única Mediação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Catecismo (n. 969), também citando o Concílio (Lumen Gentium, n. 61-62), destaca o papel da intercessão da Santíssima Virgem:

"De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo Ela se tornou para nós Mãe na Ordem da Graça (...) Esta Maternidade de Maria na economia da graça perdura inunterruptamente, a partir do consentimento que Ela prestou na anunciação que, sob a cruz resolutamente manteve, até a perpétua consumação de todos os eleitos. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercesão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna (...). Por isso, a Bem-Aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Protetora e Medianeira."

Continua o Catecismo, ainda citando o Concílio (n. 60), frizando a subordinação a Unica Mediação de Cristo também a Santíssima Virgem:

"A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a Mediação Única de Cristo; pelo contrário, até ostenta Sua Potência, pois todo o salutar influxo da Bem-Aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se em Sua Mediação, dela depende inteiramente e dela aufere a sua força."

O Concílio Vaticano II, por fim, exorto "os teólogos e os pregadores da palavra divina a que, ao considerarem a singular dignidade da Mãe de Deus, se abstenham com cuidado, tanto de qualquer falso exagero, como também de demasiada pequenez de espírito." (Lumen Gentium, 67) Portanto, por um lado, se há um falso exagero naqueles que afirmam que a Virgem Maria seria a "quarta pessoa da Santíssima Trindade" ou a "encarnação do Espírito Santo" (como já ouvi!), por outro lado não podemos falar da Virgem Maria com um espírito de pequenez, como se ela fosse simplesmente uma fiel seguidora de Nosso Senhor, e ignorar aquilo que a Ela é: Virgem Mãe de Deus, Imaculada, Assunta ao Céu em Corpo e Alma, Rainha do Céu e da Terra,

Em outros termos, poderíamos colocar o papel dos santos na nossa salvação da seguinte forma: quem salvo é Cristo, Único Mediador entre Deus e os homens (ITim, 2,5). Mas quem salva é o Cristo inteiro, o Corpo de Cristo todo, que é a Igreja, Cabeça e Membros (ICor 12,27). Neste sentido, pela nossa intercessão, todos somos chamados a colaborar na Redenção, e de alguma sermos "co-redentores" (Col 1,24), como explica o Pe. Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, no seu livro "Maria, Espelho da Igreja"; a Santíssima Virgem é "Co-Redentora" por excelência (papas usaram este termo para referir-e a Ela) pois colaborou na Redenção de uma forma toda especial.

Aliás, se nós que somos membros da Igreja e estamos na terra, podemos rezar uns pelos outros, porque não o faríamos no Céu, quando estamos mais próximos ainda de Deus?

Ainda em relação a intercessão da Virgem e dos santos, dois grantes teológos marianos da Igreja nos explicam maravilhosamente o papel da hierarquia celeste (intercessão da Virgem e dos santos) para que as graças de Deus chegem a nós e o quanto é ato de humildade para nós suplicarmos a intercessão Deles.

Pois os santos que estão no Céu estão mais próximos de Deus do que nós, e existe uma ordem hierarquica no derramamento das graças.

Nos ensina Santo Afonso de Ligório (livro "A oração", cap.1):

"A ordem estabelecida por Deus, segundo Dionísio, é que todas as coisas sejam referidas a Deus, por meio das últimas mediações. Ora, como os santos do céu estão próximos de Deus, a ordem da lei divina requer que nós, enquanto viveremos neste mundo e estivermos longe do Senhor, sejamos conduzidos a Ele pelos santos
que são os medianeiros. E isso acontece quando Deus derrama por eles, sobre nós, os efeitos de sua Bondade. Nossa volta para Deus deve corresponder ao curso da distribuição de suas graças. Assim como os benefícios de Deus chegam até nós pela intercessão dos santos, do mesmo modo devemos nós chegar até Deus, a fim de
recebermos novamente seu auxílio, por intermédio dos santos. Esta é a razão porque temos os santos como nossos intercessores e ao mesmo tempo como nossos medianeiros, diante de Deus, pedindo-lhes que roguem por nós. (...) Não é por defeito de seu misericórdia, senão para que seja mantida a ordem supra
explicada."

Continua Santo Afonso:

"É verdade que devemos invocar só a Deus como Autor das graças. Entretanto, somos obrigados também à intercessão dos santos, para observar a ordem, que Deus estabeleceu para a nossa salvação, isto é, que os inferiores se salvem, implorando o auxílio dos superiores. E, se assim é, falando dos santos, quanto mais não devemos recorrer também à intercessão da Divina Mãe, cujas súplicas, junto de Deus, valem mais do que as de todos os santos do paraíso?"

São Luis Maria Montfort também afirma ("Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", n.83):

"É muito mais perfeito, porque é mais humildade, tomar um medianeiro para nos aproximarmos de Deus. Se nos apoiarmos sobre nossos próprios trabalhos, habilidades, e preparações, para chegar a Deus e agradar-lhe, é certo que todas as nossas obras de justiça ficarão manchadas e peso insignificante terão junto de Deus, para movê-lo a unir-se a nós e nos atender, pois como acabo de demonstrar, nosso íntimo é extremamente corrupto. E não foi sem razão que Ele nos deu medianeiros junto de sua majestade. Viu nossa iniquidade e incapacidade,
apiedou-se de nós, e para dar-nos acesso às suas misericórdias, proporcionou-nos intercessores poderosos junto de sua grandeza."

Também o Papa Bento XVI, quando esteve no Brasil, na homilia da canonização do Frei Galvão, disse:

"Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora."

Medianeira de todos as Graças. Assim é a Virgem Maria, e é digna de ser venerada como tal!

Este culto à Virgem Maria e aos santos se expressa, entre outras formas, através do culto à Suas Santas Imagens. A acusação protestante de que a Santa Igreja Católica cai na idolatria ao cultuar as Santas Imagens também carece de fundamento, pois um estudo atento das Sagradas Escrituras mostra que Deus não proíbe em si mesma a confecção de imagens dos que estão no Céu, como os protestantes alegam. O que Deus proíbe é a idolatria às imagens que havia nas práticas dos povos pagãos (Ex 20, 1). Prova disso é que Ele mesmo ordena à seguir que se faça a imagem de dois querubins (Ex 25, 18)!

A respeito das santas imagens, o Concílio Vaticano II exorta a "observar religiosamente quanto foi estabelecido no passado acerca do culto das imagens de Cristo, da bem-aventurada Virgem e dos santos." (Lumen Gentium, 67)

O Concílio se refere naturalmente ao que foi definido em Nicéia e Trento. Afirma o II Concílio de Nicéia (ano 787):

"Nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico ou em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas, e ruas; sejam elas imagem do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos. (...) Com efeito, quanto mais essas imagens forem contempladas, tanto mais os que virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração. (...) A honra tributada a imagem, na realidade, pertence aquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido."

O Concílio de Trento (séc. XVI), por sua vez, afirma:

"Quanto às Imagens de Cristo, da Santíssima Virgem e de outros Santos, se devem ter e conservar especialmente nos templos e se lhes deve tributar a devida honra e veneração, não porque se creia que há nelas alguma divindade ou virtude pelas quais devam ser honradas, nem porque se lhes deva pedir alguma coisa ou depositar nelas alguma confiança, como outrora os gentios, que punham suas esperanças nos ídolos (cfr. Sl 134, 15 ss), mas porque a veneração tributada às Imagens se refere aos protótipos que elas representam, de sorte que nas Imagens que osculamos, e diante das quais nos descobrimos e ajoelhamos, adoremos a Cristo e veneremos os Santos, representados nas Imagens. Isto foi sancionado nos decretos dos Concílios, especialmente no segundo de Nicéia contra os iconoclastas. (...) Se alguém ensinar ou pensar de modo contrário a estes decretos — seja excomungado."

Em tempo: o "iconoclasmo" é a tendência de, contrapondo-se a tudo o que estamos dizendo, querer abolir o culto referentes as Santas Imagens. Se fez presente, de forma muito concreta, na Revolução Protestante, diante da qual o Concílio de Trento se opõe, reafirmando a fé e a tradição litúrgica católica.

Também o Catecismo (n. 1159-1161) confirma tudo isso, nos colocando as Santas Imagens na Liturgia como imagem do Mistério da Encarnação:

"A imagem sagrada, o «ícone» litúrgico, representa principalmente Cristo. Não pode representar o Deus invisível e incompreensível: foi a Encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova «economia» das imagens: A iconografia cristã transpõe para a imagem a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra esclarecem-se mutuamente."

Também sobre as Imagens da Virgem Santíssima e dos santos, o Catecismo nos confirma (n. 1161):

"Todos os sinais da celebração litúrgica fazem referência a Cristo: também as imagens sagradas da Mãe de Deus e dos santos. De facto, elas significam Cristo que nelas é glorificado; manifestam «a nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1) que continuam a participar na salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Através dos seus ícones, é o homem «à imagem de Deus», finalmente transfigurado «à sua semelhança», que se revela à nossa fé – como ainda os anjos, também eles recapitulados em Cristo."

Também o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu maravilhoso livro "Introdução ao Espírito da Liturgia", também nos fala desta questão, também relacionando ao Mistério da Encarnação:

"A isenção das imagens não é compatível com a Encarnação de Deus. Mediante os seus atos históricos, Deus entrou no mundo dos nossos sentidos, a fim de se tornar transparente em relação a ele. A imagens do belo, que tornam visível o mistério de Deus invisível, fazem parte do culto cristão."

E conclui, com a sua característica clareza:

"O iconoclasmo não é uma opção cristã."

O Papa ainda nos explica a respeito do sentido espiritual das Santas Imagens:

"As imagens de Cristo e dos santos não são fotografias. A sua natureza é conduzir para além daquilo que se consegue comprovar somente ao nível material, despertar os sentidos interiores tal com ensinar um novo olhar, capaz de distinguir o invisível dentro do visivel. A sacralidade da imagem baseia-se presisamente na sua proveniência do olhar interior, o qual gera uma visão interior. Ela deve ser fruto de uma contemplação interior, de um encontro da fé com a nova realidade do Ressucitado que gera o olhar interior e leva ao encontro da oração com o Senhor. As imagens são assistentes da Liturgia; consequentemente, a oração e a contemplação, em que elas se formam, devem participar na oração e na visão contempladora da Igreja; tanto a dimensão eclesiástica como a ligação interior à História da fé, inclusive escritos e tradição, que são componentes essenciais da arte sacra."

E São João Damasceno testemunha, em citação que aparece também no Catecismo (n. 1162):

"A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, e, tal como o espectáculo do campo, impele o meu coração a dar glória a Deus."

Portanto, as imagens dos santos, na Liturgia, nos recordam deles como nossos modelos e intercessores, a quem honramos com culto de veneração. E como modelos que são, nos apontam para o Mistério Eucarístico que se compre no altar.

E quando ao Mito de que o Concílio Vaticano II se contrapôs ao culto referente as Santas Imagens do Santos, o que pensar?

Muitos hoje afirmam que o Concílio Vaticano II tem dito "isso" e "aquilo", mas nunca abriram um documento do Concílio para ver o que ele realmente diz.

Como podemos perceber em tudo que falamos acima, ao contrário de se comtrapor ao culto das Santas Imanges dos santos, o Concílio VALORIZOU tal culto. Retomemos o que diz a Lumen Gentium (n; 67), do Concílio Vaticano II, que exorta a "observar religiosamente quanto foi estabelecido no passado acerca do culto das imagens de Cristo, da bem-aventurada Virgem e dos santos." (Lumen Gentium, 67).

Repetir o Mito de que o Concílio Vaticano II se contrapôs a este culto referentes as Santas Imagens é o típico exemplo do que o Papa Bento XVI tem chamado de "hermenêutica da ruptura", que consiste em interpretar o Concílio em descontinuidade com os pronunciamentos anteriores do Sagrado Magistério da Igreja.

Com efeito, o Papa Bento XVI, mais concretamente desde o seu discurso de 22 de Dezembro de 2005 aos Cardeais, Arcebispos e Prelados da Cúria Romana, tem defendido a chamada "hermenêutica da continuidade", isto é, a compressão do Concílio Vaticano II em comunhão com os pronunciamentos anteriores do Sagrago Magistério.

O Concílio Vaticano II é um concílio autêntico, mas é o 21o Concílio da História da Santa Igreja. Antes dele, há 20 outros Concílios!

E além disso, o texto do Concílio Vaticano II é claro em confirmar, efetivamente, o culto relacionado as Santas Imagens.

Vamos agora a ultima questão:

O que está por detrás desta tendência à retirada das imagens dos santos que vemos na crise após o Concílio Vaticano II?

Com efeito, houve após o Concílio um "novo iconoclasmo", como o Papa reconhece no seu mavilhoso livro "Introdução ao Espírito da Liturgia":

"...o Iluminismo baniu a fé para uma espécie de gueto intelectual e social; a cultura atual afastou-se dela e tomou um outro curso, de maneira que a fé ou se refugiou no historicismo, imitando o passado, ou se perdeu na resignação e na abstinência cultural, o que posteriormente conduziu a um novo iconoclasmo, que por muitos foi visto praticamente como o encargo do Concílio Vaticano II. O iconoclasmo, cujos primeiros sinais na Alemanha retomam com certeza aos anos vinte, eliminou muito de indigno e de Kitsh, mas também deixou um vazio, cuja pobreza estamos hoje a sentir fortemente. Como é que as coisas hão-de continuar? Vive-se atualmente uma crise numa dimensão jamais vista não só na arte sacra, mas também na arte em geral."

O Papa relaciona, portanto, este "novo iconoclasmo" do século XX a crise cultural, que mais profundamente é uma crise de fé.

Essa crise tras para a Liturgia uma espécie de mentalidade "funcional", que é uma mentalidade do "não-precisa", em que quer-se aboliar justamente aquilo que nos aponta para o Mistério, para o Céu, para aquilo que "não é possível abarcar" dentro da nossa cabeça; quer-se abolir também os "intermedários" entre nós e Deus, abolindo as imagens dos santos e anjos, partindo de uma mentalidade que no fundo, pensa: "eu, por mim mesmo,posso chegar até Deus".

O Papa prossegue, explicando da seguinte forma:

"A crise de arte reflete, por sua vez, a crise da existência humana que, precisamente em tempos de extremo aumento de domínio mundial ao nível material, atingiu - face as questões transcendentes de orientação humana a nível material - um estado de cegueira que quae pode ser desdignado por uma cegueira de espírito. Deixou de haver respostas comuns a vários tipos de perguntas: como havemos de viver, como podemos lidar com o problema da morte, se nossa existência tem um porquê e qual (...) Assim, o nosso mundo visual já não trancende as aparições dos sentidos, sendo a torrente de imagens que nos rodeiam o fim da imagem em si: além do fotografato, já não há nada para ver. Sendo assim, nem a Arte dos Ícones nem a Arte Sacra podem existir, pois elas baseiam-se num olhar mais extenso."

Depois do Concílio Vaticano II, esta tendência iconoclasta foi reforçada pelas idéias modernistas de um indiferentismo religioso, em que "tanto faz ser católico ou protestante".

Há liturgistas modernistas, que aderem a este indiferentismo religioso, que compreendem bem o valor dos símbolos para o ser humano, e para que suas novas concepções teológicas litúrgicas sejam aos poucos assimiladas, desejam abolir os sinais externos que apontam para aquilo que a Santa Igreja sempre acreditou; e nesta questão das imagens, para minimizar as diferenças entre católicos e protestantes, desejam que as imagens da Santíssima Virgem e dos santos vão deixando de ser utilizadas.

Muitos até, talvez até bem intencionados, aderem a este processo, na tentativa de agradar os protestantes.

A consequência é a fé católica é que sai ferida, pois os próprios fiéis católicos ficam confusos com isso, e a Santa Igreja nunca quis que a verdade deixasse de ser evidenciada. A catequese e a aplogética (arte de defender a fé) da Santa Igreja sempre se deu, em sua tradição litúrgica, também pelos SINAIS EXTERNOS.

É preciso perceber esta movimentação modernista e revolucionária que existe hoje, para nos posicionarmos.

Com efeito, essa tendência de se retirar das igrejas e capelas as imagens dos santos é modernista e tende ao protestantismo, no sentido de negarmos elementos que nos fazem católicos.

Penso que a imagem da Santíssima Virgem próxima ao altar é algo que NÃO deve faltar, e que é muito importante uma imagem do Castíssimo São José (que na teologia católica, abaixo da Virgem, está acima de todos os demais anjos e santos) e, se for o caso, do santo padroeiro da igreja ou capela.

Em relação a Virgem Maria, com efeito, Ela é Mulher Eucarística, como afirma o saudoso Papa João Paulo II na Ecclesia de Eucharistia (n. 53), a critura que está mais intimamente ligada ao Santo Sacrifício do Seu Diviníssimo Filho; adorando-O no Céu e no Santíssimo Sacramento, Ela oferenceu o Seu Filho ao Pai no Calvário para a nossa salvação, de alguma se ofereceu junto com Ele em Sacrifício.


O Cardel Agostinho Bea, confessor do Papa São Pio X (conhecido como "Papa do Santíssimo Sacramento"), afirmou que a Virgem, desde o momento de Sua Gloriosa Assunção em Corpo e Alma ao Céu, "pode encontrar-se corporalmente onde quer que se implore Sua Intercessão Maternal e Poderoso Auxílio". E o Papa João Paulo nos fala em uma de suas catequeses (26/07/1997): "A Assunção favorece a plena comunhão de Maria não só com Cristo, mas também com cada um de nós; Ela está ao nosso lado, porque o Seu estado Glorioso lhe permite acompanhar-nos no nosso ininerário diário".

Em vista desta presença da Virgem junto a Eucaristia, São Pedro Julião Eymard lhe dá o título de "Senhora do Santíssimo Sacramento".

Existe, portanto, uma PRESENÇA MARIANA misteriosa junto aos altares de Deus, e a imagem da Virgem próxima ao altar aponta pra isso!

Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração:

"Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."

Que a Grande Mãe de Deus, Mulher Eucarística, Virgem da Eucaristia e Mãe do Santíssimo Sacramento, pela sua Poderosa Intercessão, junto com todos os Anjos e Santos de Deus, nos concedam a graça de, também pelas suas santas imagens, amar, adorar e defender o nosso Deus Amor-Sacramento, bem como todos os Mistérios da Fé Católica...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bento XVI: "A liturgia da Igreja tem sido para mim desde a minha infância, a atividade central da minha vida."

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Teologia da Liturgia: "Opera Omnia" de JOSEPH RATZINGER, Vol. 11

"A liturgia da Igreja tem sido para mim desde a minha infância, a atividade central da minha vida." (BENTO XVI. Opera Omnia: Teologia della Liturgia. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2010)

A "Opera Omnia" de S. S. Bento XVI está organizada em 16 volumes. As publicações estão sendo feitas primeiramente na Alemanha. Contudo, a Libreria Editrice Vaticana já iniciou a publicação em língua italiana.

É importante salientar que dos 16 volumes, o volume da Liturgia é o de numero 11 e foi o primeiro a ser publicado. No Prefácio, o Santo Padre justifica esta sua escolha:
Quando eu decidi, depois de alguma hesitação, aceitar o projeto de uma edição de todos os meus trabalhos, eu estava imediatamente convicto que tinha que confiar uma ordem de prioridades ao Conselho Editorial e, portanto, o primeiro volume a ser publicado deveria ser o dos meus escritos sobre a liturgia. (BENTO XVI. Opera Omnia: Teologia della Liturgia, Prefacio da Edicao Italiana)
Ainda no Prefácio o Santo Padre comenta as controversias que surgiram após a publicacao do seu livro: "Uma introdução ao Espirito da Liturgia" e que constitui a publicação central deste Volume. Sobre este assunto o Santo padre confidencia que chegou a pensar em retirar da publicação o capitulo "O Altar e a orientação da oração na Liturgia" pois muitos reduzem a reflexão do então cardeal a um desejo de ver novamente a Missa Celebrada "de costas para o povo" (Sobre esta expressão vide: Por que é inadequado dizer que o padre celebra "de costas para o povo" na Missa Tridentina?). O proprio Papa afirma qual era o seu interesse naquele momento:
O resultado é bastante claro: a idéia de que o padre e as pessoas devem olhar-se mutuamente em oração surgiu apenas no cristianismo moderno, e é completamente estranho à antiga. O sacerdote e o povo certamente não rezam um ao outro, mas para o único Senhor. Então na oração olham na mesma direção: ou para o Oriente como um símbolo cósmico do Senhor que vem, ou onde isso não for possível, em direção a uma imagem de Cristo na abside, ou ainda a uma cruz, ou simplesmente para o céu, como o Senhor fez em sua oração sacerdotal da véspera de sua paixão (Jo 17, 1). Enquanto isso está, felizmente, sendo aceita cada vez mais a proposta que fiz no final do capítulo do meu livro: não avançar com novas transformações arquitetonicas, mas simplesmente pôr a cruz no centro do altar, para a qual possamos, sacerdotes e fieis, olhar juntos e nos deixar guiar de tal modo que juntos rezemos voltados para o Senhor. (BENTO XVI. Opera Omnia: Teologia della Liturgia, Prefacio da Edição Italiana)
Esperamos que esta grande colaboração do Santo Padre auxilie de forma efetiva nas ações litúrgica das nossas em nossas paróquias.

Após esta belissima comprovação do amor que o Santo Padre tem pela liturgia torna-se quase evidente que estamos vivenciado o Pontificado do "Papa da Liturgia". Assim, como São Pio X tornou-se conhecido como o Papa da Eucarista!




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Investidura de dois monges beneditinos do Brasil na Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro

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A Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro de Jerusalém é uma associação de fiéis (não, portanto, um instituto religioso com membros professos), contando com leigos, clérigos seculares e regulares em suas fileiras. É uma das ordens de cavalaria do tempo das Cruzadas, de caráter religioso-militares, ainda existentes, ao lado da Ordem de Malta (hospitalários; instituto religioso, mas com leigos também), Ordem dos Cavaleiros Teutônicos (instituto religioso e igualmente com leigos), e Ordem de São Lázaro e São Maurício (comenda da Dinastia de Sabóia, mas continuadora da antiga ordem cruzada).

No Subsídios Litúrgicos, lemos o convite, que retransmitimos, da investidura entre os Cavaleiros do Santo Sepulcro, de dois monges beneditinos do Brasil:


A Ordem de Cavalaria do
Santo Sepulcro de Jerusalém
,
o Mosteiro de São Bento da Bahia e o Mosteiro de São Bento de Pouso Alegre
noticiam a celebração de
Santa Missa Solene de
Investidura de
Sua Paternidade Reverendíssima
D. Emanuel d’Able do Amaral, O.S.B,
e de
Sua Reverendíssima
D. Bento de Lyra Albertin, O.S.B
na Ordem do Santo Sepulcro,
a ser oficiada por Sua Excelência Reverendíssima
D. Gregório Paixão, O.S.B,
às 10:00 horas do dia 30 de outubro de 2010, sábado, na
Basílica de São Sebastião do
Mosteiro de São Bento da Bahia,
ao Largo de São Bento, nº 1,
Salvador (BA),
oportunidade na qual será instalada a
Delegação Magistral do Santo Sepulcro
de São Salvador da Bahia.

Missa na forma extraordinária, em Franca, no último 11 de setembro

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O Pe. Michel Rosa da Silva celebrou, Catedral de Franca, às 15h a Missa do XXVI Domingo Pós-Pentecostes, segundo a forma extraordinária (rito antigo, tridentino, tradicional). Abaixo algumas fotos deste Santo Sacrifício:

Altar preparado para a Santa Missa na Catedral Nossa Senhora da Conceição

Início da Missa

Início da Missa

Início da Missa

Preparação do Altar

Preparação do Altar

"Introíbo ad Altare Dei..."

Intróito

"Munda cor meum..."

Homilia

Ofertório

"Suscipe Sancte Pater..."

"HOC EST ENIM CORPUS MEUM"

"Ecce Agnus Dei..."

"Corpus Domini Nostri Jesu Christi custodiat animam tuam in vitam aeternam."


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Peregrinação do distrito da França da FSSP a Ars com o Seminário

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O Seminário São Pedro, Wigratzbad, da FSSP foi em peregrinação a Ars, cidade onde morou o grande Pároco São João Maria Vianey, junto com o Distrito da Fraternidade na França entre os dias 18 e 19 de setembro.

Confiram as belíssimas fotos!
















Congresso teológico no Seminário Maria Mater Ecclesiae

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Adveniat Regnum Tuum!

Todos estão convidados! Evento aberto ao público!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Liturgia e vida

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Tomo as lições do professor de liturgia no Seminário Interdiocesano Maria Mater Ecclesiae, em Itapecerica da Serra, SP, Pe. Antonio Rivero, LC, a quem tenho a honra e a alegria de conhecer, para explanar, na coluna deste mês, sobre alguns aspectos da liturgia vivida em cada circunstância.

O referido sacerdote se indaga, em uma sua apostila para uso no seminário:

“Por que às vezes se dá essa separação? De um lado, a celebração; de outro, nossa vida não responde a essa celebração. A resposta é singela: pelo pecado e por nossa miséria.”

No tempo da graça, em que o véu do Templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo, não deve haver essa dicotomia entre liturgia e vida. Somos chamados, como bem nos ensinou Nosso Senhor, a adorar o Pai em espírito e em verdade. Os ritos, importantíssimos, traduzem uma vivência plena e real. E, se é real, não se manifesta apenas durante os minutos da Missa, ou enquanto folheamos o breviário, ou recebemos os sacramentos. A adoração católica é interna e externa, nas palavras de Pio XII em sua encíclica Mediator Dei.

A santificação do cristão se dá pela ação da graça que nos chegam pelos sacramentos, que celebramos na liturgia. Os sacramentos são os canais da graça, sem a qual não podemos ser salvos, não podemos ser santos. A liturgia é a celebração desses sacramentos, é o espaço apropriado para a fluência da graça em nossa alma.

Na Santa Missa, assistimos à atualização da Cruz, ao espetáculo no qual, sobre o altar, usando-se do sacerdote a Ele unido pelo sacramento da Ordem, Cristo Jesus se oferece por nossa salvação. Na Eucaristia, unimo-nos intimamente a esse Jesus que, após ter-se oferecido ao Pai em sacrifício, se nos dá em alimento no seu verdadeiro Corpo e no seu verdadeiro Sangue. Nos demais sacramentos, há um acréscimo da graça santificante. Toda a liturgia fala de santificação, e não apenas a simboliza, como que a torna atual, real, concreta. Tudo isso é verdade.

Todavia, a santificação não é processo que se esgota na liturgia ou nos sacramentos. O homem que assiste Missa, que comunga, que se confessa, que caminha em procissão, que recita a Liturgia das Horas, é um homem integral, completo. Não um fantasma. E, como concreto que é, o homem se movimenta por diferentes espaços, fazendo de sua vida uma teia com distintas circunstâncias. Nessas circunstâncias é que ele é chamado a se santificar. A graça recebida nos sacramentos, celebrada na liturgia, atua nesse homem não só no espaço físico da igreja, e sim também na sua oração pessoal devocional, no seu estudo, no seu apostolado, no seu trabalho, na sua vivência em família, no seu descanso, no seu lazer.

A liturgia que é bem vivida em si mesma deve favorecer, impulsionar a que seja bem vivida também nos outros aspectos. O homem que vive bem a Missa, vive bem seu trabalho, deveres de estado, ocupações familiares, diversões etc. Em todos esses locais e ambientes devemos, a partir da liturgia, agir como Cristo, pensar como Cristo, amar como Cristo, sentir como Cristo.

Por outro lado, se a liturgia é transportada, em seu caráter espiritual, a outros ambientes para que sejam como que seu prolongamento, podemos, de outra sorte, dizer que damos vida à própria liturgia. É uma troca. O trabalho e o estudo se vivificam quando são expressão de uma liturgia bem vivida; sem embargo, a liturgia é melhor vivida quando a continuamos nos nossos afazeres cotidianos, por mais simples e “laicais” que pareçam.

Evidentemente, a liturgia não precisa de vida, no sentido mais estrito, dado que ela é justamente a fonte da nossa vida. Aqui tomamos o vocábulo em uma expressão mais poética, para ressaltar uma liturgia percebida com mais entusiasmo por todas as potências de nossa alma.

Desse modo, o primeiro lugar em que o Pe. Rivero diz que a liturgia deve ser feita vida é a oração. Liturgia é ação pública, oficial, da Igreja, mesmo quando um sacerdote, sozinho, celebra a Santa Missa sem nenhum fiel a assistir, mesmo quando um monge, no silêncio do claustro, balbucia o hino de Laudes. A oração a que o padre legionário se refere, então, não é a litúrgica, e sim a pessoal, devocional, ação privada.

A oração será tanto mais autêntica quanto mais beber na fonte inesgotável da liturgia. Não como certos liturgistas do século XX, que condenavam, na prática, as formas privadas de piedade, ou a relegavam a um segundo plano, como se fossem meramente toleradas como ações de almas mais simples. A devoção deve, sim, ser incentivada: o terço, a via sacra, as novenas, as adaptações do breviário, as bandeiras, as visitas... Porém, tudo isso deve se inebriar da liturgia.

A oração pessoal é o campo da luta, do combate entre nossa alma, com a ajuda da graça, e o demônio. A oração é também a própria luta. E nos nutrimos para essa peleja não só da própria oração, como da liturgia. Além disso, se a liturgia é o meio no qual o processo de santificação se dá, em que conformamos nossa alma à vontade de Deus, essa santificação é como que facilitada pela abertura de nossa alma, o que conseguimos formamos nossa inteligência, nossa vontade e nossas paixões no terreno próprio da oração. A oração abre nossa alma para os bens que recebemos na liturgia. Daí que precisemos cultivar, para uma liturgia bem vivida, uma oração bem feita, de íntimo relacionamento com Cristo, e aumento da amizade entre Ele e nossa alma.

Nossa santificação é um processo, e depende de nossa disponibilidade. Essa entrega nossa a Deus, para que Ele nos santifique – na liturgia e pela liturgia –, se forja pela ação do Espírito Santo e nossa liberdade durante a oração pessoal. Fazendo oração, nos fazemos receptivos à ação da graça.

Por outro lado, não só de oração vivemos. Até os religiosos contemplativos sabem do valor do trabalho. Reza e trabalha, é o conselho de São Bento, o patriarca do monaquismo no Ocidente.

Trabalhar por trabalhar é uma escravidão, um fardo. Só pela graça de Deus, somos libertos disso, em Cristo Jesus, e o trabalho se torna ocasião de grande júbilo, e locus de santidade. Assim como o sofrimento sem Cristo não tem sentido, o trabalho sem Ele é apenas uma pena imposta pelo pecado e uma forma de ganhar dinheiro. Pela graça, conquistada na Cruz, e celebrada na liturgia – e conferida também na liturgia –, o trabalho se converte em um meio pelo qual podemos, mediante as obras de nossas mãos e o fruto de nosso intelecto, dar “maior glória à Trindade e benefício à humanidade inteira”, no dizer do Pe. Rivero.

No trabalho, como na cultura, o homem reflete o que celebrou na liturgia. A liturgia é a obra de Deus no homem, e o trabalho e a cultura são obras do homem com Deus. Para que isso seja verdade, o homem precisa estar em graça, e isso só se consegue com a plena participação sacramental. Da liturgia, então, parte o homem para santificar o mundo do trabalho e da cultura. “Liturgizados”, o trabalho e a cultura adquirem novo significado. O Espírito Santo deifica o homem na liturgia para que ele humanize o mundo, e isto ele o faz pelo labor e pela construção cultural. A cultura e o trabalho, prossegue o Pe. Rivero, são como uma iconografia do Espírito Santo e do homem, e se assim não forem, serão sinais do inimigo do homem, o diabo.

A cultura e o trabalho, transformados pela graça, através da ação do homem transformado por Deus na liturgia, nos simboliza a beleza. E a beleza, bem o sabemos por Santo Tomás, tem a Deus por fonte. Não é a beleza um aspecto dos ritos litúrgicos?

Não há momento, período, recinto de nossa pobre existência nesta terra de exílio em que a luz da liturgia não possa ou não deva chegar. Da oração ao trabalho e a cultura, do espiritual ao material. E, por conta disso, da vivência plena da liturgia em cada circunstância de nosso viver, brotará um maior compromisso com Deus, Nosso Senhor, com a Igreja por Ele fundada, com a comunidade humana, com os pobres, nossos irmãos a quem devemos compaixão, e com todos aqueles a quem somos destinados para fazer apostolado.

Sem um coração completamente transformado pela vida da liturgia, não desempenharemos a contento a missão que nos foi designada por Deus. Ao contrário, vivendo a vida da liturgia plenamente, faremos vida a oração, o trabalho, a cultura, a sociedade, os pobres, o apostolado. A liturgia dará vida a tudo isso, e será mais vida à medida em que transportarmos o que celebramos para dentro do que vivemos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Anunciado o III Congresso Romano sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum

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Recebemos, por e-mail, do Pe. Almir de Andrade, FSSP, um comunicado do Pe. Fr. Vincenzo Nuara, OP, dando notícia de um congresso sobre o Summorum Pontificum, e pedindo divulgação.

Agradecemos a confiança no Salvem, e divulgamos os dados abaixo, conforme o Fr. Nuara:

Comunicado Oficial

A Associação “Giovani e Tradizione” e o Sodalício “Amicizia Sacerdotale Summorum Pontificum” comunicam oficialmente a data do III Congresso sobre o Motu Proprio “Summorum Pontificum” de Sua Santidade Bento XVI:

Roma, Angelicum, 13 a 15 de maio 2011.

Tema: O Motu Próprio “Summorum Pontificum”, uma esperança para a Igreja.

Na tarde de sexta-feira 13 de maio se dará início aos trabalhos com o pré-congresso, reservado somente aos sacerdotes, religiosos e candidatos ao sacerdócio.

Sábado, 14 de maio, o congresso prevê duas sessões, uma pela manhã e outra pela tarde.

O congresso será arrematado com a Santa Missa Pontifical na Basílica de São Pedro, ao altar da Cátedra, no domingo 15 de maio 2011, celebrada por Sua Eminência Reverendíssima o Senhor Cardeal Antonio Canizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

Depois da Santa Missa os participantes do congresso estarão presentes ao “Angelus” com o Santo Padre Bento XVI, ao meio-dia, na Praça de São Pedro.

Mais informações serão oferecidas em breve no site: www.giovanietradizione.org

Roma, 13 de outubro de 2010.

A. M. D. G.

Padre, use o preto em finados! Mesmo na forma ORDINÁRIA!

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Ao contrário do que muitos pensam, o preto não foi abolido, como cor litúrgica, de nossos paramentos para as Missas e Ofícios de defuntos. Ele apenas restou facultativo, ao lado do igualmente opcional roxo.

E não estou falando do rito antigo. É do rito novo mesmo, a forma ordinária, pós-conciliar. É o rito moderno que permite, na esteira do que sempre se usou, o preto.

Para a "reforma da reforma", nada melhor do que manter a tradição. O rito romano sempre utilizou o preto nas celebrações exequiais. Eis aí um modo prático de nos situarmos na hermenêutica da continuidade, de que o Papa Bento XVI, tem falado.

Embora, pelo Novus Ordo, o roxo seja lícito, o melhor é resgatar o preto, lícito, porém esquecido. Ele é bem mais significativo, deixando o roxo apenas para os tempos penitenciais. Usar o preto deixa bem clara a distinção entre a Quaresma e o dia de finados, por exemplo.

Além de ser esteticamente bem mais apropriado. A mensagem transmitida por um sacerdote com sua casula negra é impactante. Não é de símbolos que o homem moderno para a nova evangelização ser eficaz?

Vejam alguns modelos de casulas góticas e romanas na cor negra:















Abaixo, fotos de Missas com paramentos pretos:




Benedictine Altar Arrangement




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