Manchetes

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Divina Liturgia em honra de Santo André, na Sé Patriarcal ortodoxa de Constantinopla

View Comments

Embora não sejam da Igreja Católica, estando separados da Comunhão com o Papa, os ortodoxos conservam um rito litúrgico católico, o rito bizantino. Daí que as fotos a seguir, ainda que mostrando cristãos que, infelizmente, se separaram de Roma em 1054, retratam uma liturgia católica e apostólica.

Ademais, não é qualquer paróquia ortodoxa que estamos mostrando, senão a antiquísima Sé de Constantinopla, governada por aquele que é o primus inter pares na ortodoxia oriental.

Enfim, não se trata de uma festa qualquer. É a festa de Santo André, Apóstolo, o patrono do Patriarcado de Constantinopla, e considerado seu fundador: após pregar o Evangelho na Trácia, seguiu para onde Bizâncio (que depois se tornou Constantinopla, hoje Istambul), onde, no hoje bairro de Argirúpolis, fundo a primeira igreja cristã, ordenando como Bispo a Santo Estaquis, um dos 7o discípulos de Cristo. A Igreja de Constantinopla/Bizâncio nasceu em Argirúpolis, fundada por Santo André. De fato, Sua Santidade, Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, é o Sucessor de Santo André, como Sua Santidade, o Papa Bento XVI é o Sucessor de São Pedro.

O dia 30 de novembro é a festa de Santo André tanto no calendário romano quanto no bizantino, e é tradição que, nessa data, uma delegação católica de Roma, enviada pelo Papa, vá a Constantinopla festejar seu patrono, em um sinal de que se busca a plena unidade com os ortodoxos, para que voltem à Igreja e a estar cum et sub Petro. Da mesma forma, no dia 29 de junho, festa de São Pedro, os ortodoxos enviam, a mando do Patriarca de Constantinopla, uma legação a Roma.

No Santo André deste ano, o Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, entregou uma carta de Bento XVI a Bartolomeu I, no qual reafirma o desejo de união e de esforço verdadeiramente ecumênico.

A delegação católica, junto com o Cardeal Koch e do seu secretário, D. Brian Farrell, LC, teve um encontro com o Patriarca, e assistiu à Solene Divina Liturgia por ele celebrada na Catedral Patriarcal de São Jorge no Fanar.

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

Fonte das fotos: Patriarcado de Constantinopla

Teologia do Corpo e Liturgia - Francisco Dockhorn (Palestra)

View Comments

Esta formação mostra a ligação entre a maravilhosa "Teologia do Corpo", do saudoso Papa João Paulo II, e a Liturgia da Igreja.

Contém dois áudios que se completam, de palestras feitas por mim em Setembro de 2010, na Comunidade Totus Mariae (São Carlos-SP) e no Ministério Anticorpos (Vitória da Conquista-BA).


A linguagem utilizada é bastante simples e popular.


A transcrição da formação encontra-se em:

http://www.reinodavirgem.com.br/liturgia/teologia-do-corpo-liturgia.html

Link para baixar o áudio:

http://www.4shared.com/account/audio/9e-OA9tq/Teologia_do_Corpo_e_Liturgia__.html

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Piedade e fidelidade: desabafo a alguns sacerdotes

View Comments
"Coerentemente com o que prometeram no rito da sagrada Ordenação e cada ano renovam dentro da Missa Crismal, os presbíteros presidam, «com piedade e fidelidade, a celebração dos mistérios de Cristo, especialmente o Sacrifício da Eucaristia e o sacramento da reconciliação». Não esvaziem o próprio ministério de seu significado profundo, deformando de maneira arbitrária a celebração litúrgica, seja com mudanças, com mutilações ou com acréscimos. (Instrução Redemptionis Sacramentum, 31)

Não é o Salvem a Liturgia quem diz isso. É a autoridade DA IGREJA. Por mais que um sacerdote ou um Bispo diga o contrário, a Igreja é clara: não se pode deformar a liturgia, "seja com mudanças, com mutilações ou com acréscimos", e isso é um esvaziamento do "próprio ministério" do padre. Um padre que, por exemplo, omite textos previstos na Missa, modifica outros, insere alguns demais, inventa ritos, deixa de observar as normas, deixa de usar a casula, permite "palmas" na Missa, rock, pop, Comunhão self-service, uso excessivo de ministros extraordinários da Comunhão etc, está "deformando de maneira arbitrária a celebração litúrgica".

É preciso que os padres presidam "com piedade e fidelidade". Repito: PIEDADE (sem Missas-show, sem dessacralização, sem gestos de qualquer jeito) e FIDELIDADE (sem invenção de ritos, sem mudar as palavras, sem acrescentar, sem tirar). E isso "coerentemente com o que prometeram no rito da sagrada ordenação."

É a Igreja quem assim ensina. Por que alguns padres prometem uma coisa e depois não a cumprem?

Cada sacerdote que celebra a Missa "do seu jeito" está traindo, de modo gravíssimo, o solene juramento que professou no dia de sua ordenação: observar as normas, obedecer a Igreja.

Pense nisso, senhor padre, antes da próxima reunião de sua "equipe de liturgia", em que tantos rasgam o Missal e querem substituir os milenares ritos da Igreja por suas próprias convicções e falsas criatividades.

domingo, 28 de novembro de 2010

Mitos Litúrgicos Comentados - Mito 28: Farisaísmo?

View Comments

Este estudo é baseado no artigo "Mitos Litúrgicos", que escrevi e foi revisado por Sua Excelência Reverendíssima Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen (RS). O artigo lista 32 idéias equivocadas sobre a Sagrada Liturgia e contra-argumento com a palavra oficial da Santa Igreja. Foi publicado em Fevereiro de 2009 e pode ser lido na íntegra em:

http://www.salvemaliturgia.com/2009/04/mitos-liturgicos.html

Nesta vigésima oitava postagem, postamos o Mito 28, juntamente com um comentário atual a respeito, aprofundando o assunto.

-------

Mito 28: "Procurar obedecer à leis é farisaísmo"

Não é, se essas leis forem leis instituídas por Deus ou por quem Deus delega tal
poder.

O que Nosso Senhor censurou nos fariseus NÃO foi a preocupação em obedecer em santas leis de Deus. O próprio Senhor disse:

"Se guardardes os Meus Mandamentos, sereis constantes no Meu Amor, como também Eu guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto no Seu Amor." (Jo 15, 10-11)

E ainda:

"Não julgueis que vim abolir a lei e os profetas. Não vim para abolir, mas sim para levá-los à perfeição. Pois em verdades vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um
traço da lei. Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aqueles que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus." (Mt 5, 17-19)

A lei divina precisa ser obedecida. Os erros que Nosso Senhor condenou nos fariseus foram dois: o fato de eles ensinarem uma coisa e viverem outra ("Este povo somente Me honra com os lábios; mas seu coração está longe de Mim" – Mc 7,6); e o fato de eles interpretarem a lei de forma errada em algumas ocasiões ("Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens" – Mc 7,8), como no caso da proibição deles em relação às curas realizadas em dia de Sábado.

Não existe distinção entre obedecer diretamente a Deus e obedecer a lei da Santa Igreja. Nosso Senhor confiou a São Pedro, o primeiro Papa (Mateus 16,18-19), o poder de ligar e desligar. O Catecismo da Igreja Católica explica que "o poder de ligar e desligar" significa a autoridade de absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja." (n. 553) Por isso, recusa de sujeição à lei da Santa Igreja é pecado contra o 1º mandamento (Cat.,
n. 2088-2089)

Obedecer à lei da Santa Igreja é obedecer à Deus; obedecer à Deus é obedecer também a lei da Santa Igreja.

---------

Comentário sobre este Mito (28/11):

Muitos de nós, que zelemos pela defesa da doutrina católica, das normas litúrgicas e do esplendor litúrgico, acabamos sendo rotulados de "fariseus".

Depois dos esclarecimentos que prestamos acima, fica evidente que tais acusadores NÃO tem RAZÃO; mas tem RAZÕES.

Explico:

Vejamos o que disse Nosso Senhor:

"Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e maldade. Insensatos!" (Lc 11, 39-40)

Existe um "farisaísmo moderno" que é, a pretexto de uma grande (e necessária!) valorização dos atos externos da Sagrada Liturgia (da correta doutrina a respeito da Santa Missa como Renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor, da Presença Real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, do Sacerdócio - ver Catecismo da Igreja Católica, n. n. 1667-1673; 1362-1377; 1411), da obediência às normas litúrgicas, do dobrar os joelhos nos momentos adequados, da bela ornamentação do espaço sagrado e do altar, do incenso, do latim, do canto gregoriano, de se vestir adequadamente para participar da Santa Missa, do uso do véu por parte das mulheres, e assim por diante...elementos estes necessários de serem valorizados!), cair em uma certa indiferença ou desleixo em relação à disposição interior e à vida espiritual.

Então, corre-se os perigos de:

• Falar-se (e com razão!), que Nosso Senhor está verdadeiramente e substancialmente presente na Hóstia Consagrada...mas não haver dedicação a permanecer alguns momentos em adoração!

• Falar-se (e com razão!) do valor infinito e desconcertante do que a Santa Missa é a Renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor, através do qual Ele paga pelos nossos pecados...mas não haver esforço em combater os pecados pessoais!

• Falar-se (e com razão!) da necessidade de se ajoelhar na Consagração e do valor de receber o Corpo de Deus de joelhos e diretamente na boca...mas não dobrar-se verdadeiramente o coração diante de Deus, através de uma vida em que Deus seja verdadeiramente o centro!

• Falar-se (e com razão!) da necessidade se utilizar vasos sagrados (cibório, cálice...) de materiais nobres e artisticamente belos para acolher o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor...mas não haver verdadeiro empenho em acolher Nosso Senhor na própria alma, de forma apaixonada, com verdadeira adoração, amor profundo, carinho e bons propósitos!

• Falar-se (e com razão!) do vestir-se de forma decente e adequada para participar da Santa Missa, e inclusive do uso do véu pelas mulheres...mas não haver esforço profundo para viver a virtude da pureza em atos e pensamentos!

• Falar-se (e com razão!) da necessidade de se obedecer as normas litúrgicas promulgadas pela Santa Igreja...mas não haver esforço em obedecer a Deus através de uma busca completa de fidelidade a Ele!

• Falar-se (e com razão!) do preceito que a Santa Igreja instituiu para os católicos participarem da Missa Dominical inteira...porém, cumprir-se o preceito, mas não o “espírito” dele: sem amor profundo pelo Santo Sacrifício da Missa...e nem se cogitar participar da Santa Missa em dias cuja a participação não é preceituada!

• Falar-se (e com razão!) do valor da Santa Missa celebrada com beleza, esplendor e solenidade para que se manifeste ao mundo a grandeza do que é celebrado no altar...mas não se amar as almas verdadeiramente a ponto de se doar pela salvação delas em oração, penitência e apostolado!

• Ler-se (e com razão!) o Catecismo da Igreja Católica, o Código de Direito Canônico e outros documentos, livros e escritos sobre a doutrina, a disciplina e a liturgia católica...mas não haver interesse em ler os grandes autores da vida espiritual que a Santa Igreja tem, e por isso desconhecer a real beleza de uma vida de fidelidade a Deus, e os meios para trilhar esse caminho!

Dom Antonio Keller, Bispo de Frederico Westphalen-RS, em sua entrevista concedida ao nosso blog, falou desta realidade da seguinte forma:

“Sem autêntica vida espiritual, ou seja, para a Liturgia, sem a autêntica interioridade, a Liturgia torna-se tão somente ritualismo farisaico. Metros e metros de pano, quilos e quilos de incenso, etc.. não servem para nada quando não existe um apaixonado amor a Cristo, a Sua Igreja e a Seu Povo. Vejo com esperança toda esta movimentação em relação à busca de uma Liturgia mais fiel à normativa da Igreja, mas penso que isto só não seja suficiente para uma autêntica renovação eclesial: precisamos não somente de gente que celebre ou que participe da Liturgia bem celebrada... Precisamos de gente SANTA que celebre e participe bem da Liturgia bem celebrada.”

E mais adiante, diz Dom Antonio ao final da entrevista:

“Quero dizer aos leitores que procurem, antes de tudo, viver a Liturgia, com interioridade e atenção. Repito o que já anteriormente disse: a autêntica participação na Liturgia exige interioridade, alma, amor a Deus. Vivamos a Liturgia não só na sua exterioridade tão bonita e necessária, mas principalmente, no que ela realiza de ato de amor a Deus.”

Também o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, da Arquidioce de Cuiabá-MT e amigo do Salvem a Liturgia, eu sua entrevista concedida ao nosso blog, tocou neste assunto, quando perguntado:

"Alguns padres mais novos começam a vestir batina, a usar clergyman, a celebrar com decoro, a se interessar pelo latim, pela forma ordinária bem celebrada (inclusive com latim e canto gregoriano), pela Missa Tridentina. Também leigos bem formados estão despertando e tomando iniciativas apostólicas para promover a Liturgia de acordo com o que nos manda a Santa Igreja e conforme a tradição da Igreja. O que diz V. Revma. disso tudo?"

A resposta do Pe. Paulo Ricardo foi:

"Vejo com bons olhos porque vejo a boa vontade desses jovens. Embora deva admitir que é necessário que toda essa boa vontade seja acompanhada de uma boa formação espiritual. Porque toda esta embalagem precisa ser acompanhada de conteúdo. Quanto eu era seminarista, no final da década de 80, já se notava na Europa uma tendência de os seminaristas serem mais conservadores do que os seus próprios formadores dentro dos seus seminários. No entanto, muitas vezes, por falta de formação espiritual, de uma vida ascética de disciplina, esta boa vontade dos seminaristas caiu na vazies de uma vida incoerente com aquilo que se propunha. "

Pe. Paulo continua, apontando uma solução:

"Penso que é muito importante que o padre ame a sua batina, mas mais importante ainda é que ele honre a sua batina. Porque em alguns lugares tem tido um efeito devastador jovens sacerdotes se vestirem com a tradição e levarem uma vida moral em completo desrespeito com a Tradição. Por isso, vejo com bons olhos a boa vontade desses padres jovens e seminaristas, e ao mesmo tempo vejo com apreensão porque penso que é necessário dar a eles uma formação espiritual e ascética que corresponda a essa boa vontade. É aquilo que eu tentei fazer quando escrevi o meu livro sobre a Terapia das Doenças Espirituais."

Diante do todo o exposto, é evidente que a solução para este problema é uma autêntica ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA!

É preciso haver não somente um zelo em defender a doutrina católica, o autêntico esplendor litúrgico da Santa Igreja e as normas litúrgicas. Claro que TAMBÉM isso, mas NÃO APENAS isso: é preciso desenvolver uma autêntica ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA.

Ela se dá através do encontro não somente com uma doutrina, mas com uma Pessoa, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Diz o Santo Padre Bento XVI, logo no início da sua primeira encíclica, chamada “Deus Caritas Est”, que no “início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.” (n.1)

E um encontro pessoal com Nosso Senhor que, como exclama São Paulo, “me amou e se entregou POR MIM!” (Gl 2,20) É DEUS que, POR MIM (!), “aniquilou-se a si mesmo” (Fl 2,7), assumiu nossa condição humana (!) no Ventre imaculado da Santíssima Virgem; “tornando-se obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2,8), POR MIM (!); se oferecendo continuamente ao Pai Eterno de forma mística no altar, pelas mãos do sacerdote, POR MIM (!); se fazendo presente verdadeiramente e substancialmente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na Hóstia Consagrada, para chegar até MIM!

E São Paulo continua: “POR ISSO Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus SE DOBRE TODO O JOELHO no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para Glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor.” (Fl 2,9-11)

Como não se desconcertar totalmente com isso? Este encontro pessoal com Nosso Senhor é uma experiência única, que envolve a pessoa inteira: intelecto, emoções e comportamento.

A aparição da estrela que levou os Reis Magos a encontrar Nosso Senhor no presépio “os encheu de profunda alegria”. E a seguir, eles “entraram na casa, acharam o menino com Maria, Sua Mãe, prostraram-se diante Dele e O adoraram” (Mt 2,10-11). Esta é a alegria de ter Deus-Amor Sacramentado no altar! Viva Jesus!

Vivemos em uma crise de fé e moral, e em termos apostólicos, portanto, antes ainda de se falar da importância dos atos externos que a Sagrada Liturgia conserva e das normas litúrgicas, é preciso levar as pessoa a terem, pela fé, este encontro pessoal com Nosso Senhor. Isso dará sentido para todo o resto. É preciso anunciar o Santo Evangelho! E ele tem como centro o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor, que renova este Santo Sacrifício no altar e se faz Presença Eucarística junto de nós.

São João da Cruz, doutor da Santa Igreja, nos ensina que “amor se paga com amor”. São Luiz Maria Montfort nos ensina: "Jesus, nosso divino amigo, deu-se inteiramente a nós sem reserva, seu corpo e sua alma, suas virtudes, graças e méritos. (...) Ele ganhou-me inteiramente dando-se inteiramente a mim. A justiça e a gratidão exigem, portanto, que lhe demos tudo que pudermos. Foi Ele o primeiro a ser liberal para conosco; sejamos também nós generosos para com Ele."

Esta é a consequente busca da conversão interior que Nosso Senhor nos chama (“Convertei-vos e crede no Evangelho!”; Mc 1,15), que dará todo o sentido para os lindos e necessários atos externos que a Sagrada Liturgia conserva.

Algumas frases dos santos canonizados pela Santa Igreja alimentam a nossa alma:

"Toda a santidade e toda a perfeição de uma pessoa consiste em amar a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso maior bem, nosso Salvador." (Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Santa Igreja)

"Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição de escravo; ou buscamos o atrativo na recompensa, assemelhando-nos aos mercenários, ou pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedeçamos." (São Basílio Magno)

"O Amor não é amado!" (São Francisco de Assis)

"Deus tem sede de que nós tenhamos sede Dele." (Santo Agostinho, doutor da Santa Igreja)

"A alma do justo é nada menos que um paraíso, onde o Senhor, como Ele mesmo diz, acha suas delícias." (Santa Teresa De Ávila, doutora da Santa Igreja)

"Não é para ficar (somente) no cibório de ouro que Jesus desce todos os dias do céu, mas para encontrar outro céu que lhe é intimamente mais caro que o primeiro: o céu da nossa alma, feita à imagem dele, o templo vivo da adorável Trindade." (Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Santa Igreja)

"Eis o Coração que tanto tem amado os homens, que a nada tem se poupado até se esgotar e consumir para testemunhar-lhes o seu amor; e em reconhecimento não recebo da maior parte deles senão ingratidões por meio das irreverências e sacrilégios, tibiezas e desprezo que usam para comigo neste Sacramento de amor. E o que mais me custa é serem corações a mim consagrados os que assim me tratam." (Jesus a Santa Maria Margarida Alacoque)

"Quando você for comungar, deseje todo aquele amor que jamais um coração teve para Comigo, e eu receberei este amor como você gostaria que fosse" (Jesus a Santa Matilde)

Que conclusão tiramos disso tudo?

É importante, então, para compreendermos aquilo que NÃO É o farisaísmo, compreendermos aquilo que É o farisaísmo.

Nesse sentido, existem duas distorções litúrgicas que precisam ser evitadas:

Uma delas é superestimar as atitudes internas em detrimento das externas. Muitos justificam esse equívoco afirmando que "o que importa é o coração" A estes, vale lembrar que aqui não cabe a aplicação deste princípio, pois isso implicaria colocar-se em contraposição com grande parte das normas litúrgicas da Santa Igreja, bem como com os diversos sinais e símbolos litúrgicos (paramentos, velas, flores, incenso, gestos do corpo, e assim por diante...), que partem da necessidade de se manifestar com sinais externos a fé católica a respeito do que acontece no Santo Sacrifício da Missa, bem como manifestar externamente a honra devida a Deus.

A atitude interna é fundamental, mas desprezar as atitudes externas é um erro. Por exemplo: ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e sibstancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377; e que Ele se faz presente durante a Santa Missa, que é a renovação do Seu Único e Eterno Sacrifício, consumado de uma vez por todas na cruz e tornado presente no altar, pelas mãos do sacerdote (Cat. 1362-1372; 1411). Mas como vamos convencer o mundo disso, se em ATOS EXTERNOS tratarmos a Hóstia Consagrada como um alimento qualquer?

A este respeito, escreveu o saudoso Papa João Paulo II: "De modo particular torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da Presença Real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. (...) Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo." (Mane Nobiscum Domine, n. 18)

A outra distorção possível é o oposto desta: superestimar as atitudes externas em detrimento das internas; se esta distorção for algo radicalizada, é um erro pior ainda que o citado acima, podendo se tornar inclusive uma fonte de pecado - pode ser o caso de quem faz uma genuflexão com cuidado externo, para mostrar “como sou santo”, ao invés de fazê-la para honrar Jesus Eucarístico. O ato externo é necessário, mas pelos MOTIVOS CERTOS!

Concluímos esta postagem com as palavras do Pe. Paulo Ricardo, na nossa citada entrevista.

O Pe. Paulo Ricardo, na mencionada entrevista, foi perguntado:

"Aos que querem a Missa mais sóbria, de acordo com as normas, com incenso, latim, paramentos bonitos, logo se lhes acusam de "rubricistas" ou de "obtusos", "antiquados" e até de "fariseus". Dizem que a Missa tem que ser "alegre", com improvisação, sem se prender a fórmulas. Alegam que pra Jesus, “o que importa é o coração, é o interior”. Como responder a tudo isso?"

Pe. Paulo respondeu:

"Unum facere et alium non omittere. Fazer uma coisa e não omitir a outra. Ou seja, observar as normas litúrgicas e obedecê-las não é algo que está divorciado com o coração. É necessário escolher as duas coisas. Obediência das normas e soprar sobre estas normas, que são letra morta, o Espírito com o qual elas foram elaboradas. O espírito que é uma verdadeira tradição espiritual da Igreja. Por isso, essa dicotomia é uma falsa alternativa. Seria como pedir a uma pessoa que escolhesse entre o corpo e a alma, dizendo a ela ou ela fica com a alma ou ela fica com o corpo. A única resposta possível é dizer: eu não escolho, eu fico com os dois. Eu fico com a norma litúrgica e fico com o coração.

E ainda, continha o Pe. Paulo:

"Existe uma idéia equivocada que pensa que o Evangelho é incompatível com a lei, ou seja, que o Espírito sopra onde quer e que uma lei só iria matar a verdadeira fidelidade ao Evangelho de Cristo. Mas esse idéia é equivocada. O Evangelho de Cristo é uma Palavra que me vincula. Quanto eu dou o meu assentimento de fé a Cristo, eu estou necessariamente vinculado a Palavra Dele, e portanto, na própria natureza do Evangelho e da resposta de fé, existe algo que me vincula e que me limita. Eu não posso trair a Palavra de Cristo. Eu não possa transformá-la em uma outra Palavra. Eu preciso aceitá-la, ser fiel a ela e transmiti-la como eu recebi. Isto que acontece com a Palavra deve acontecer também com o Sacramento. O que seria de nós, se nós disséssemos que eu preciso transmitir a Palavra de Deus com liberdade e criatividade? Terminaria que no curso de uma década, a Palavra de Deus pregada já não seria mais a Palavra de Cristo; talvez não seria nem necessário esperar uma década. A mesma coisa acontece com o Sacramento. O que me garante que o Sacramento que eu hoje celebro é o mesmo Sacramento do Cristo de 2000 anos atrás? É simplesmente o fato de que Ele deixou um Sacramento. E esse Sacramento me vincula, e eu preciso fazer de tudo para que esse Sacramento seja transmitido ao longo dos séculos tal qual ele é. Por isso, o Espírito, a liberdade e o Evangelho não são incompatíveis com a lei, a tradição e o vinculo necessário para que a Palavra e o Sacramento de Cristo seja os mesmos através dos séculos."

Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente aprovadas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração:

"Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."

Que a Grande Mãe de Deus, Mãe da Eucaristia, pela Sua Poderosa Intercessão, nos conceda a graça de crer, adorar, amar e zelar pelo Santíssimo Corpo do Deus-Amor Sacramentado, pelo Santo Sacrifício da Missa, Sagrada Liturgia da Igreja e por uma autêntica espiritualidade litúrgica e vida de santidade...


sábado, 27 de novembro de 2010

Missa tridentina em honra do Beato Newman, na Itália

View Comments

image

No Brasil, temos padres oratorianos. Quem sabe um dia noticiamos uma Missa antiga em honra do beato aqui na Terra de Santa Cruz.

Anotações para o Tempo do Advento - forma ordinária

View Comments
Rezam as Normas para o Ano Litúrgico e o Calendário Romano:
"O tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa." (NALC, 39)
Nesse sentido, o roxo é a cor ditada pelas rubricas, como de espera penitencial, ainda que não tão rigorosa quanto a da Quaresma. De fato, o Advento é uma "pequena Quaresma" em preparação ao Natal. Preparando-nos para celebrar a primeira vinda de Cristo no Natal, aguardamos, neste exílio, pela segunda, em que Ele deve nos achar livres do pecado. O chamado à santidade é também a tônica, pois, do Advento.

Algumas anotações oficiais, tiradas do Diretório Litúrgico da CNBB, para o Advento que começa amanhã, nos ajudam a que as celebrações seja conforme as rubricas e a tradição do rito romano:
1. O órgão e os outros instrumentos musicais devem usar-se, e o altar orna-se com flores, com aquela moderação que convém ao caráter próprio deste tempo, de modo q não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. No Domingo Guadete (3º do Advento), pode-se usar a cor-de-rosa (CB, n. 236).

2. Na celebração do matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, dá-se sempre a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos e a se absterem do pompa demasiada.

3. Até o dia 16, inclusive, não se permitem as Missas para diversas circunstâncias, votivas ou cotidianas pelos defuntos, a não ser que a utilidade pastoral o exija (IGMR, n. 333). Mas podem ser celebradas as Missas das memórias que ocorrem, ou dos Santos inscritos no Martirológio nos respectivos dias (IGMR, n. 316b).
Vejam que, conforme a primeira frase do número 3, a Missa Rorate, do Comum de Nossa Senhora, por motivo pastoral, pode ser celebrada, segundo ilustramos em um artigo do Salvem.

A partir de hoje, último sábado do Tempo Comum, começa, nas Completas, a antífona mariana Alma Redemptoris Mater.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Convite: Vigília pelo Nascituro em Brasília

View Comments

image

Na aurora da salvação, é proclamado como feliz notícia o nascimento de um menino...
(João Paulo II. EV n.1)

Dia: 27 de novembro de 2010
Local: Paróquia do Santíssimo Sacramento (606 L2 Sul)

Programação:

  • 19h30 - Missa com bênção das Gestantes
  • 20h30 - Benção dos Presépios
  • Até às 24h - Oração diante do Santíssimo Sacramento pelas crianças nascentes do mundo inteiro.

Fonte: http://www.promotoresdavida.org.br/component/content/article/1-destaque/293-vigilia-pelo-nascituro

Missais quoditianos de D. Gaspar Lefebvre à venda

View Comments

O amigo Paulo Ghetti nos informa que tem disponíveis, para venda, em seu excelente site Missa Tridentina, alguns missais quotidianos de fiéis, de autoria de D. Gaspar Lefebvre, edição 1963, por apenas R$ 115,00. Os missais são novos, nunca foram usados.

A obra é bilíngue, latim-português, e é das mais clássicas em nosso idioma, com bons comentários a cada dia litúrgico, informações sobre o calendário, explicação sobre as partes da Missa, bem como enriquecido de inúmeras orações (ao acordar, ao dormir, Via Sacra, terço, exame de consciência, ladainhas oficiais, orações públicas indulgenciadas etc). Os missais de fiéis foram um grande fruto do chamado “movimento litúrgico”, e ajudar a disseminá-los hoje certamente favorecerá sua ressurreição.

O Paulo ainda informa que venderá apenas um missal por pessoa, pois o objetivo é que a pessoa que o adquira realmente o use ao participar da forma extraordinária, e não revender.

Clique na figura abaixo para ser redirecionado ao site e adquirir.

 

image

Convite: Vigília pelo Nascituro em Franca, SP

View Comments

Recebemos, por e-mail, do sacerdote amigo, Pe. Michel Rosa:

 

Senhores Excelentíssimos Bispos,
Reverendíssimos Sacerdotes,
Caros filhos e filhas em Jesus Cristo.

Por mandato de Sua Santidade o Papa Bento XVI e respondendo a este mandato, nossa Diocese de Franca, na pessoa de nosso bispo diocesano Dom Pedro Luis Stringhini, estamos promovendo, em unidade com a Igreja Universal e nossos pastores, a Vigília pelo Nascituro.

Terá início no dia 27, sábado às 20 horas no Salão da Cúria Diocesana com a Santa Missa e em seguida adoração ao Santíssimo Sacramento até as 06:00 da manhã do domingo, tendo término com a Santa Missa do Primeiro Domingo do Advento.

Gostaríamos de contar com a vossa ajuda para a divulgação e, se possível com a vossa presença. Deus nos ajude!

Para maiores informações acessar o site da nossa Diocese de Franca ou o site “Missa Tridentina”.

Pe. Michel Rosa

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

BENTO XVI: Luce del Mondo (Luz do Mundo): Comentários sobre a Liturgia (I).

View Comments
Publicamos alguns trechos do livro-entrevista: BENTO XVI Luce del mondo: Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi. Una Conversazione com Peter Seewald. Libreria Editrice Vaticana: Cidade do Vaticano, 2010.

O livro foi lançado ontem em Roma, em Italiano e Alemão publicamos agora duas perguntas seguidas das respostas do Santo Padre, o Papa Bento XVI.

Qual é o renovamento verdadeiro, o renovamento justo? Uma vez o senhor falou com palavras dramáticas que o destino da fé da Igreja se decide "na relação com a liturgia". Uma pessoa desentendida  poderia pensar: ao final de contas  não é uma questão secundária as formas que se utilizam na Missa, quais as posições que fazem e quais as ações que cumprem?
A Igreja se torna visível aos homens de diversos maneiras: na Caritas, nos projetos missionários, mas o lugar no qual se faz realmente uma maior experiência de Igreja é na liturgia. E é justo que seja assim. Na verdade o sentido da Igreja é de permitir que nos voltemos para DEUS e deixar que DEUS entre no mundo.  A liturgia é um ato pelo qual acreditamos que Ele vem até nós e nós o tocamos. É o ato pelo qual se cumpre o essencial: entramos em contato com DEUS, Ele vem a nós e somos iluminados por Ele.
Na liturgia somos edificados e fortalecidos de duas maneiras: de um lado, escutando a sua Palavra, nós O sentimos falar verdadeiramente, Ele nos indica a estrada a seguir; do outro lado pelo fato que Ele mesmo se doa a nós no PÃO Transubstanciado. Naturalmente as palavras podem ser diversas e as posições do corpo diferentes. Por exemplo, na Igreja Oriental existem alguns gestos diversos dos nossos. Na Índia, um gesto idêntico que temos em comum há em parte um significado diferente. O que realmente importa é que: no cerne esteja verdadeiramente a Palavra de DEUS e a realidade do Sacramento; que DEUS não vem a nós através da investigação do pensamento ou numa palavra fria e exagerada, e que a liturgia não se torna uma auto-representação. (p. 215-216)
 
Por isto que a liturgia é algo que foi dado? Preestabelecido?

Não somos nós a fazer qualquer coisa, nós não mostramos a nossa criatividade, nem tudo aquilo que sabemos fazer. Porque a liturgia não é um show, não é um teatro, não é um espetáculo, mas recebe sua vitalidade de um Outro. E isto deve também se tornar evidente. Por isto que a forma litúrgica preestabelecida é importante. Esta forma pode ser reformada naquilo que é específico, mas não é algo que a comunidade pode produzir. Não se trata de um produzir  para si, mas se trata de um sair de si para dar-se a Ele e fazer-se tocar por Ele.
Neste sentido é importante não só a expressão mas também o caráter comunitário e unitário desta fórmula.  Essa pode variar nos diversos ritos, mas deve sempre ter aquilo que a precede e que provém da plenitude da fé da Igreja, da plenitude da sua  tradição, da plenitude da sua vida e não derivada simplesmente da moda do momento. (p. 216-217)

Fotos de Missa Rorate no Seminário Internacional São Pedro, da FSSP, em Wigratzbad, em 2009

View Comments

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

image

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pe. Paulo Ricardo: o Piedoso Uso do Véu (palestra)

View Comments
Compartilhamos esta formação, a respeito do uso do véu das igrejas; foi ministrada pelo Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, da Arquidiocese de Cuiabá-MT e amigo do "Salvem a Liturgia", no grupo Cor Mariae.


Link para baixar
:

Saiba mais: blog "Velatam ad Dei Gloriam" ("Velada para a Glória de Deus"), a respeito do uso do véu.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Convite: Vigília convocada pelo Papa na cidade de Rio Grande, RS

View Comments

Recebemos por e-mail:

Sábado, dia 27/11, às 17h30, na Catedral de São Pedro, em Rio Grande, RS, realizar-se-á a celebração da Vigília pela Vida do Nascituro, convocada pelo Papa Bento XVI. Haverá  I Vésperas do 1º domingo do Advento (Liturgia das Horas) e Bênção das Gestantes.

A finalidade sobrenatural do ano litúrgico

View Comments

O ano litúrgico está chegando ao fim, e outro começa com o próximo I Domingo do Advento. Servimo-nos da oportunidade para apresentar um excerto do magnífico tratado “Historia de la liturgia”, de Mario Righetti:

A Igreja compôs, laboriosamente, através dos séculos e compõe hoje em dia as próprias festas, segundo a frase de Tertuliano, com a mesma finalidade com que presidiu o surgir e o organizar-se do primeiro núcleo festivo. Os mistérios da vida de Cristo, junto com as gestas dos santos, que foram seus mais fiéis imitadores, são para ela como um memorial, ao qual todo cristão deve constantemente atender para realizar com Cristo e por Cristo a própria formação sobrenatural. O ano litúrgico não quer ser, portanto, uma simples evocação histórica dos fatos da redenção, nem sequer uma gloriosa resenha de heróicas figuras de santos. Mais que uma página de história, é uma página de vida, daquela vida divina que se nos dá por ter Cristo vindo a terra. Ut vitam habeant et abundantius habeant.

Mas para que isto se realize, é necessário estabelecer contato entre Cristo santificador e seus fiéis. Esse contato vivo e vivificante foi estabelecido desde o princípio pela Igreja na Missa e nos sacramentos.

O Cristo que se reproduz na Santa Missa e se oferece no altar é o Cristo da Encarnação no seio da Virgem, do nascimento em Belém, vida escondida em Nazaré; o mesmo Jesus que no Cenáculo instituiu a Eucaristia; que sofreu, morreu e ressuscitou, e que subiu aos céus e que lá em cima, junto do Pai, perpetua seu sacerdócio. Eis aqui porque, nas várias solenidades do ano, exceto no Ofício e no prefácio diriascálico próprio do dia, é sempre e sobretudo a Missa a que serve para celebrar os mistérios de Cristo e os aniversários de seus santos. De igual maneira, quer a Igreja celebre as múltiplas festas marianas, quer a consagração de seus sacerdotes e as bênçãos núpcias sobre os novos esposos, é sempre o sacrifício eucarístico o que constitui o rito central da solenidade, já que, pelos méritos da Cruz e da plenitude da graça que há em Cristo-cabeça, flui todo carisma ao organismo todo da Igreja, que é precisamente seu Corpo Místico, seu verdadeiro pleroma, como a chama o Apóstolo. Essa união dos cristãos a Cristo está belamente expressa na liturgia, que de cada altar faz uma espécie de tumba, onde, sob a mesa palpitam os ossos dos mártires, a fim de que associem a humildade de seu sacrifício capital à Paixão do Senhor.

Desta forma, a liturgia dos santos não resulta uma liturgia colateral, senão que se use e se enxerta toda na divina liturgia dos mistérios de Cristo. Na única liturgia cristã revive Cristo: Cristo-cabeça na celebração de seus mistérios redentores; Cristo-corpo na celebração da liturgia santoral. Naqueles, Cristo comunica à Igreja sua vida; nesta, a Igreja oferece por Cristo ao Pai a santidade que recebeu de seu Esposo.

Depois, nada há tanto em função dos mistérios de Cristo celebrados e revividos no ciclo litúrgico como os sacramentos, efetiva comunicação vital da alma ao grande mistério da graça, dada por Cristo na Encarnação e participada através das sete artérias sacramentais. A liturgia dos sacramentos derivou, inclusive historicamente, do ano eclesiástico, e ninguém ignora a íntima conexão do Batismo e da Eucaristia com o mistério pascal, das Ordens sagradas com as Têmporas, da consagração dos óleos sacramentais com a Quinta-feira Santa, da Penitência com a Quarta-feira de Cinzdas e a Sexta-feira Santa, do catecumenato com a Quaresma etc. Quer dizer, a Igreja não separa os sacramentos dos mistérios de Cristo revividos no ciclo litúrgico, senão que estão vinculados essencialmente e levam sua virtude santificadora às almas.

domingo, 21 de novembro de 2010

Homilia do Pe. Rivero, LC, sobre Cristo Rei

View Comments

CRISTO REI

Qual é a novidade de Cristo Rei?

Pe Antonio Rivero, L.C.

Reis existiram desde sempre: David, Salomão...Reis no império romano. Reis, muitos reis existiram antes de Cristo, em tempo de Cristo e depois de Cristo.

Qual a novidade de Cristo Rei?

Falar de reis é forte demais. O homem de ontem, de hoje e de sempre rejeita a idéia de se submeter a um rei. Queremos a autonomia, amamos a independência, lutamos pela nossa liberdade quase ilimitada. Parece que aceitar a realidade de um rei ofenderia a nossa liberdade e impediria a nossa realização pessoal e o nosso desenvolvimento pessoal e social.

Qual a novidade de Cristo Rei?

É só um título de honra, de etiqueta, ou pelo contrário, um título essencial que Cristo ganhou com seu sangue derramado na cruz? É um título de conquista ou um título simbólico?

A novidade está se compararmos nosso Cristo Rei aos reis da terra. Como são ou foram alguns de nossos reis temporais?

Os reis da terra de ordinário pensam em poder, grandeza, domínio, investimentos, leis para submeter e conservar a ordem civil, social, política e econômica; leis que às vezes pisoteiam a lei de Deus e inclusive a lei natural.

Estes reis temporais castigam os rebeldes com prisões, cobram os impostos. É verdade, também fazem melhoras em muitos campos materiais, sobretudo quando as eleições se aproximam, e assim poder ganhar pontos. Estes reis com freqüência também atacam a Igreja. São reis para quem o fim justifica os meios.

E como é nosso Cristo Rei?

Cristo Rei veio para servir, não para ser servido.

Cristo Rei veio para dar, não para exigir.

Cristo Rei veio para unir, não para criar confusões e divisões entre partidos.

Cristo Rei veio para perdoar, não para se vingar.

Cristo Rei veio para pagar as dívidas contraídas por nossos pecados.

Cristo Rei veio para abrir as prisões do coração.

Cristo veio para trazer-nos o céu aqui na terra.

Cristo é um Rei atípico e, em certo sentido, utópico. Utopia que é fruto de seu amor, pois Ele fará que essa utopia se realize. Veio instaurar o seu Reino de amor, de justiça, de paz, de verdade, de santidade e de graça.

Cristo não é um Rei que exige privilégios ou uma obediência cega. Mas um Rei que convida a lutar e trabalhar no seu Reino com a arma do amor, para estabelecer esse reino “utópico” e assim possa converter-se em Reino “pan-tópico”, ou seja, um Reino espalhado no mundo todo. Quando acontecerá este sonho de Cristo?

Cristo é um Rei humilde que agüenta as ofensas de seus súbditos e amigos íntimos. Confia neles e espera a volta a seu exercito, caso eles foram embora.

Que atitudes diante a este Cristo Rei?

Uns olhavam a Cristo de longe, nos diz o evangelho de hoje. Lástima!

Outros zombavam de Cristo. Triste!

Sabemos que seus amigos escaparam por medo. Como assim?

Só uns poucos ficaram a seu lado: Nossa Senhora, João, algumas mulheres e o bom ladrão. Parabéns!

E nós? Que zonas de nossa vida ainda não pertencem a Cristo Rei? A nossa mente com seus critérios racionalistas? O nosso coração com afetos nem sempre limpos e santos? A nossa vontade que às vezes é preguiçosa e caprichosa, frouxa e doentia?

O nosso mundo pertence já a Cristo Rei? Por que então expulsam a Cristo de tantos lugares, de tantos gabinetes presidenciais, de tantos palcos culturais, de tantas empresas financeiras...?

As nossas famílias deixaram a Cristo entrar? Só assim acabariam as brigas, as divisões, os divórcios, a falta de amor e compreensão... Cristo, ao entrar, perfumaria cada lar com a paz e o amor, e adiantaria o céu já aqui na terra.

A nossa Igreja só escuta a mensagem de Cristo ou também outras mensagens destorcidas e ambíguas, que nada tem a ver com o evangelho deste Rei Jesus? A Igreja prega sempre este Reino utópico de Cristo para que um dia possa ser um reino “pan-tópico” ou tem vergonha e medo?

Peçamos a graça de que Cristo ganhe o nosso mundo, a nossa Igreja, as nossas famílias, os nossos corações...com a força do seu amor.

Cristo Rei, bem-vindo a nossa vida, a nosso mundo, a nossa Igreja, a nosso lar! Escutamos a tua voz e queremos seguir teus mandatos que nos libertam do pecado e traem o aroma do céu. Viva Cristo Rei!

Pe Antonio Rivero, L.C.

Fotos do Rito da Criação de Cardeais, no Consistório Ordinário de 2010

View Comments

Pope Benedict XVI (L) leads a consistory at St Peter's basilica on November 20, 2010 at The Vatican. 24 Roman Catholic prelates will join today the Vatican's College of Cardinals, the elite body that advises the pontiff and elects his successor upon his death.

 

image

 

 

 

 

 

Itaque auctoritate omnipotentis Dei, sanctorum Apostolorum Petri et Pauli ac Nostra hos venerabiles Fratres creamus et sollemniter enuntiamus Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinales.

 

 

O canto do Evangelho por um diácono, parte do rito da criação de cardeais

 


Ad honorem Dei omnipotentis et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, tibi committimus Titulum (vel Diaconiam) N. In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. R. Amen.

 

 

image

O Arcebispo de Aparecida, no Brasil, Dom Raymundo Damascendo Cardeal Assis recebendo o barrete

 

image

Novamente, agora sendo cumprimentado pelos demais membros do Colégio Cardinalício

 

image

Dom Albert Malcolm Cardeal Ranjith Patabendige Don, grande promotor da liturgia digna e fiel

 

image

Dom Velasio Cardeal De Paolis, CS, Presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé, e Delegado Apostólico aos Legionários de Cristo. Recentemente, S. Emncia. celebrou Missa no rito antigo.

 

image

Dom Raymond Leo Cardeal Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, e um grande defensor não só da liturgia digna na forma ordinária, como vivo promotor da forma extraordinária.

 

image

Dom Domenico Cardeal Bartolucci, Maestro Perpétuo da Pontifícia Capela Musical Sistina, sacerdote de grande valor e amor à liturgia, e que celebra exclusivamente na forma extraordinária.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...