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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ainda a reforma da reforma. Ou, "Sem Missa tridentina, ao menos, Missa moderna bem celebrada!"

Para trabalharmos com o real - que faria ser uma utopia a proibição pura e simples do rito moderno -, uma solução seria que a "reforma da reforma" procurasse é fazer "retroceder" o rito NOVO, introduzindo nele rubricas e práticas, pouco a pouco, que o fizessem cada vez mais similar ao rito tradicional.

Quando falamos em "reforma da reforma", não se trata de mexer no Missal de 1962, ao menos não por enquanto, e sim no Missal de 1970. Se o rito tradicional ficasse como o de 1965, seria um erro, mas se o rito moderno é que voltasse ao de 1965, ou ao de 1962 mas com algumas práticas do rito novo preservadas, já seria uma boa notícia.

E, depois, quando o rito moderno ficasse muito mais "inserido na tradição litúrgica", aí, sim, uma unificação seria algo natural, e só se introduziria pontos positivos do rito novo no rito antigo se fosse respeitado o princípio do desenvolvimento orgânico.

Um maior rigor na vigilância do rito novo, io incentivo ao gregoriano e à polifonia, a obrigatoriedade do versus Deum e da Comunhão de joelhos e na boca, bem como um mais amplo uso do latim, seriam primeiros passos. Depois, a troca do atual ofertório pelo tradicional, o uso exclusivo do Cânon Romano, regras mais claras quanto aos tipos de Missa, restauração das Quatro Têmporas, das Rogações, da Septuagésima, das Missas de Réquiem tradicionais, etc, seriam outros passos a serem implementados no rito moderno, mantendo, NELE - e só nele, nada de, por enquanto, mexer no rito tradicional -, os pontos positivos.

Em conversa com o Paulo Ghetti Frade, ouvi dele uma preciosa analogia:

Após o que eu chamo de antidoto inicial que ajudaria o Rito Novo a se aproximar do Rito Antigo ficaria bem mais fácil fazer as modificações mais profundas como as do ofertório.

De um certo modo, o antídoto inicial pode também ser comparado a uma anestesia geral antes de uma complicada cirurgia.

Gostei da analogia com os procedimentos médicos. É esse, aliás, o "goal" do Salvem a Liturgia, e penso ser o mote do Papa. Ampliar o uso da forma extraordinária e favorecer um modo "tradicional" de celebrar a forma ordinária.

Eu insisto na celebração "ortodoxa" da forma ordinária não porque a considere exatamente igual em seus acidentes à extraordinária, ou para fingir que tudo está ótimo, e sim para evitar uma dicotomia que muito prejudicaria uma correção de percurso: qual seja, o isolamento da forma extraordinária como "rito dos que não querem bagunça", como se a forma ordinária pudesse ser feita de qualquer jeito. Se assim acontecer, tenho pena de nossos irmãos nas paróquias que não têm acesso ao rito tradicional.

Ora, se o privilégio da correção litúrgica, da sobriedade (por mais que o rito novo tenha defeitos em comparação com o antigo, ele pode, sim, ser sóbrio), da solenidade (idem), estiver com o rito antigo, aqueles católicos que não têm acesso a ele, por falta de formação, por preferência teológica ou espiritual (da qual eu discordo, mas penso ser legítima dado o atual estado de coisas), por "birra" do pároco ou do Bispo (a que eles não têm direito, mas que, na prática, sabemos que acontece), estarão condenados a ter Missa no rito novo em sua pior variação. Tiramos deles a possibilidade de, já que não têm Missa tridentina, ter, ao menos, Missa moderna bem celebrada.

Primeiros passos são esses: popularizar o rito tridentino (a forma extraordinária), e celebrar de modo ortodoxo o rito moderno. Segundo passo: introduzir no rito novo elementos tradicionais, paulatinamente, até que ambas as formas fiquem muito parecidas. Só no fim, poderá haver uma unificação e, aí, sim, os pontos positivos que sobreviverem do rito novo podem ir para o único rito romano que haveria.

Não sei a opinião dos leitores, mas eu vejo pontos positivos no rito moderno e que poderiam permanecer na eventual e futura unificação. Evidentemente, dado o atual estado de coisas, não é nada prudente tomar qualquer decisão agora. Em tempos de crise, não se decidem assuntos tão sérios. É até a aplicação de uma das regras de Santo Inácio. Todos somos afetados pelas paixões, e é natural que elas desempenhem alguma influência na tomada de decisão. Em tempos de crise, as paixões aumentam, e são más conselheiras.

Alguns poderiam indagar: "Não seria melhor voltar logo o rito tridentino e abandonar o novo?"

Fazer as coisas no "canetaço" é ignorar as disposições de alma dos fiéis. Pode ser tão traumático como foi a implementação do rito novo. As coisas devem seguir um desenvolvimento harmônico. De modo natural, com passos firmes, mas prudentes, de Roma e seus colaboradores, as coisas entram nos eixos.

Não nos cabe forçar as coisas, mas, além de rezar, criar as condições para que o Papa e seus auxiliares, seja na Santa Sé, seja nos institutos especialmente preocupados com a liturgia, possam fazer o seu trabalho.

De toda sorte, quais pontos positivos do rito de Paulo VI poderiam permanecer não só em sua reforma, como em um eventual e futuro rito unificado? Um elemento penso ser pacífico: maior número de leituras nos Domingos e Solenidades.

Poderia elencar outros: as preces dos fiéis, os novos prefácios e as novas coletas (desde que, em nenhum dos dois casos, se perca as antigas), algumas bênçãos do Ritual Romano, o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, a possibilidade do uso do incenso mesmo na Missa não-solene, talvez (TALVEZ, pois não estou bem certo quanto a isso) a possibilidade do canto do Ordinário (e só do Ordinário) mesmo nas Missas rezadas, a possibilidade de EVENTUAL concelebração (não como está atualmente, mas em algumas ocasiões bem definidas pelo Direito), o "omissões" no Confiteor (embora esteja presente implicitamente no "atos", é bom para lembrar o fiel atual, tão acomodado, que se peca desse modo, a meu ver, o tipo de pecado predominante na época hodierna), algumas duplicidades evitadas (como o coro cantar o Gloria, e o padre, em vez de simplesmente cantar junto, rezá-lo vox submissa), a introdução do Pater Noster nas Laudes e nas Vésperas, as coletas distintas para cada dia da semana nas Completas, a melhor disposição das Matinas/Ofício de Leituras (em que pese ter sido um desastre modificar o tradicional Ofício de Trevas), a possibilidade de se fazer o Matrimônio e a Crisma DENTRO da Missa (após a homilia), a obrigatoriedade da homilia nos dias de festas de preceito.

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