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domingo, 3 de abril de 2011

Homilia de Mons. José Francisco Falcão

Venha a nós o vosso reino!
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Homilia de Mons. José Francisco Falcão, Bispo auxiliar eleito da Arquidiocese Militar do Brasil, na Cerimônia de Acolitato e Leitorato.


Desejo, antes de tudo, saudar afetuosamente o Reverendíssimo Reitor desse Seminário, Pe. Deomar, em cuja pessoa contemplo, abraço e reverencio todos os demais membros da equipe de formadores, os professores, os alunos e os funcionários do Seminário Maria Mater Ecclesiae. Como sacerdote eleito para o Episcopado e para o ofício de Bispo Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil, trago o ósculo santo, o carinho e a bênção do Sr. Arcebispo, D. Osvino José Both, que se encontra neste momento em retiro espiritual com o clero do nosso Ordinariado, em Itaici. Com a minha presença, desejo que possais reconhecer o apreço e a admiração do nosso presbitério militar e dos leigos e leigas que integram a nossa Igreja particular por todos vós, família legionária do Senhor. Desejo também manifestar a minha estima, a minha proximidade em orações e o meu particular reconhecimento por todos os Legionários de Cristo espalhados no mundo inteiro. Vós, diletos Legionários, sois amados filhos da Igreja. Vós já fizestes e ainda continuais a fazer um bem imenso à Igreja Católica, pois a formação que dispensais aos jovens que se preparam para o sacerdócio ministerial ou ordenado é absolutamente fiel ao Sucessor de Pedro e à grande Tradição da Igreja. Desejamos que essa Obra perdure sempre. Não esqueçais: a vossa dor é a nossa dor, as vossas alegrias são as nossas alegrias. Se estais com o Papa e o Papa vos ama, nós vos amamos com o Santo Padre! Muito obrigado por esse serviço eclesial tão relevante!


Daqui a pouco, serão conferidos pela Igreja os ministérios de Leitor e Acólito a três dos seminaristas do Ordinariado Militar do Brasil que aqui estudam. Nós nos rejubilamos em Deus por esse significativo acontecimento eclesial, pois se trata de um passo importante que dão esses nossos irmãos rumo ao sacerdócio ministerial ou ordenado.

Na Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio Ministeria Quaedam, com a qual se estabelecem algumas normas a respeito da ordem sacra do Diaconado, o Servo de Deus Papa Paulo VI afirma: “Os Ministérios de Leitor e de Acólito sejam confiados àqueles que desejam consagrar-se especialmente a Deus e à Igreja, enquanto candidatos à Ordem do Diaconado ou do Presbiterado. A Igreja, que não deixa nunca de tomar o Pão da Vida, da mesa tanto da Palavra de Deus quanto do Corpo de Cristo, e de distribuí-lo aos fiéis, julga ser muito oportuno que os candidatos às Ordens sacras, quer com o estudo quer com o exercício gradual dos ministérios da Palavra e do Altar, através de um contato íntimo, meditem nesse duplo aspecto da função sacerdotal e se familiarizem com ele. Disso resultará a autenticidade do mesmo ministério, que lhe dará também grande eficácia. Os candidatos, então, aproximar-se-ão das Ordens sacras plenamente conscientes da sua vocação, ferventes de espírito, desejosos de servir ao Senhor, dispostos a perseverar na oração e generosos no prover às necessidades dos santos”.

Amados irmãos, o leitor é instituído para uma função que lhe é própria: ler a Palavra de Deus na assembleia litúrgica. Por isso, na Missa e em outras ações sagradas, é ele quem faz as leituras, exceto a do Evangelho; na falta do salmista, recita o salmo entre as leituras; e, na falta do diácono, enuncia as intenções da oração universal. Tem também a seu cuidado, quando necessário, preparar os fiéis que, nas ações litúrgicas, hão de ler a sagrada Escritura.

Por sua vez, o acólito é instituído para ajudar o diácono e ministrar ao sacerdote. O seu serviço, portanto, é cuidar do altar, ajudar o diácono e o sacerdote nas ações litúrgicas, principalmente na celebração da Missa. Também lhe pertence, como ministro extraordinário, distribuir a sagrada comunhão, segundo as normas do direito. Quando necessário, ele deverá ensinar aqueles que exercem algum ministério nas ações litúrgicas, seja os que levam o livro, a cruz, as velas, o turíbulo, seja os que exercem outras funções semelhantes.

Diletos seminaristas, como leitores, lembrai-vos da dignidade da Palavra de Deus e da importância do vosso ofício. Prestai assídua atenção à maneira de dizer e pronunciar os textos sagrados, de modo que a Palavra de Deus seja percebida com toda a clareza pelos que participam do culto divino. Ao anunciardes a palavra divina aos outros, vós mesmos deveis acolhê-la com docilidade e meditá-la com diligência, para dela dardes testemunho com o vosso modo de viver.

Caro seminarista, para mais dignamente exerceres a função de acólito, procura participar diariamente da sagrada Eucaristia com fervor e piedade, busca alimentar-te dela e adquire a respeito dela um conhecimento cada vez mais elevado. Empenha-te em penetrar o sentido íntimo e espiritual das ações que realizarás, de modo que, todos os dias, te ofereças inteiramente a Deus e te entregues com sincero amor ao Corpo místico de Cristo, quer dizer, ao povo de Deus, cuidando principalmente dos fracos e dos enfermos.

Não foi casual, mas providencial, que a liturgia da instituição dos ministérios de leitor e acólito ocorresse no tempo sagrado da Quaresma. Esse precioso período do Ano Litúrgico, que tem como finalidade preparar os nossos corações para a digna celebração da Páscoa do Senhor, é um convite a cada um de nós, especialmente aos seminaristas, para que voltemo-nos para Deus com sinceridade de espírito, retidão de consciência e honestidade de coração, e busquemo-Lo enquanto Ele se deixa achar, invoquemo-Lo enquanto Ele está perto. Nesse tempo favorável, a Igreja nos convida, segundo as primeiras palavras do capítuto 12 da Carta aos Hebreus, a nos desvencilhar do pecado e a correr para o certame que nos é proposto, tendo os nossos olhos fixos no autor e consumador da nossa fé, Cristo Jesus. Na luta contra o pecado, ainda não resistimos até à efusão de sangue. Deus não nos quer apenas bons, Deus não nos quer apenas melhores; Deus nos quer Santos: Sede Santos como Eu sou santo (Lv 19, 2). Jesus nos quer perfeitos: Sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48)!

A liturgia que nós acabamos de ouvir é um rico ensinamento sobre como buscar essa santidade almejada.

Na primeira leitura, escutamos a denúncia de Jeremias contra os pecados do povo e, em especial, os pecados dos chefes do povo e dos representantes oficiais da religião de Israel. Ao se pronunciar daquela forma, o profeta cumprira o seu dever; fora intransigente com o pecado, pois tinha consciência de que agira em nome de Deus para suscitar a conversão. Por causa disso, fora envolvido em uma perseguição. Acusado de “perturbador da ordem”, era caçado pelos seus inimigos que buscavam surpreendê-lo em algo de que pudessem acusá-lo, para acabar com a sua vida. Por outro lado, esses seus adversários não podiam deixar de reconhecê-lo como profeta. Diziam que, se acabassem com ele, não iriam contra o profetismo nem contra as instituições religiosas que regiam a Israel. O profeta lamenta-se diante de Deus porque os mesmos a quem ele serviu a Palavra e por quem intercedeu, agora querem a sua morte.

Amados irmãos, o texto de Jeremias recorda-nos que não é simples nem fácil aceitar as consequências de nossa ação profética perante os homens. Por vezes, o cristão, na fidelidade a Jesus e à sua Igreja, deverá levantar a sua voz contra os pecados dos homens que ferem a Deus e as suas criaturas. Em muitas situações, tais denúncias podem suscitar maus propósitos no coração dos que vierem a se considerar afetados em seu interesses cheios de maldades e de injustiças. Nem por isso devemos ficar mudos. Assim pensaram os confessores da fé, assim agiram os mártires da nossa Igreja. A angústia do profeta Jeremias faz-nos lembrar das angústias da Igreja em todos os tempos. Pensemos, por exemplo, na dor que o Santo Padre tem experimentado, recentemente, pelos ataques ferozes à sua pessoa e a nossa Igreja... Não obstante, o Senhor nos ensina que devemos rezar pelos nossos inimigos, por todos os que nos perseguem e maltratam. Rezemos pelos que atacam a nossa Igreja. O esforço sincero de conversão é a melhor resposta que podemos dar aos que nos desejam o mal. Nos momentos mais difíceis da história da nossa Igreja, em que ela foi atacada e perseguida, o que a revigorou, o que a levantou, o que a sustentou, o que a dignificou foi a santidade. Precisamos de santos! Santidade, apenas santidade, nada mais que santidade é o que precisa a Igreja de Jesus!

O Santo Evangelho que escutamos é um precioso ensinamento sobre aquilo que o Senhor Jesus considera essencial para os pretendem segui-lo: o serviço humilde, radical, incondicional ao próximo, em contraposição à busca do prestígio, das glórias, das primeiras posições, do reconhecimento dos outros. Escutamos a bem intencionada mãe dos filhos de Zebedeu fazer um pedido a Jesus: Manda que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda (Mt 20, 21). A resposta de Jesus a esse apelo nos mostra que não existe prêmio sem esforço, recompensa sem luta, triunfo sem labuta, vitória sem batalha, conquista sem disputa. De fato, o céu é prêmio, que será dado a quem perseverar em Cristo; é recompensa, que será concedida a quem não desanimar no seguimento de Cristo; é repouso, que será oferecido a quem não desistir de ser fiel a Cristo; é vitória, que obterá aquele que não desertar de militar em Cristo, por causa de Cristo e para a glória de Cristo.

Perseveremos na fé. Busquemos, nesta vida, a fidelidade ao Senhor Jesus. Até o último instante de nossas vidas, pertençamos a Ele, para, em breve, habitarmos com e Ele e com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

Amém.
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