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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O sagrado contraste

A liturgia no pós-concílio, por conta da própria reforma ou por hábitos adquiridos, perdeu em diferentes níveis contrastes presentes em seus ritos. Essas grandes diferenças ou mudanças na liturgia nos fazem compreender as diferenças e "distâncias" entre as coisas celestes. A seguir, discutimos alguns deles:

Vigilia Pascal
Na vigília pascal celebrada segundo a forma extraordinária do rito romano, temos uma interessante troca de paramentos roxos por paramentos brancos. Há muitos que vêm nesse gesto uma duplicidade de cores que "desconfigura" o caráter pascal dessa vigília. Se concordassemos com tal afirmação e com a mudança no missal que prevê o uso da cor festiva desde o início, teríamos que também que aprovar uma mudança nos evangelhos para dizer que as mulheres foram visitar o túmulo Jesus na manhã de domingo já felizes!

Essa mudança brusca de cor, mostra-nos a grande mudança que o júbilo pascal representa em relação à tristeza em que se encontravam os discípulos depois da sexta-feira na Paixão de Nosso Senhor.
Missa Pontifical
Nas mudanças da liturgia podemos observar dois grandes contrastes que se referem à liturgia episcopal. O primeiro é entre duas formas de liturgia episcopal: a missa pontifical propriamente dita ou pontifical ao trono e a missa pontificaleta ou pontifical ao faldistório. A primeira forma é a missa reversava à igreja catedral e se realiza da cátedra, possui alguns diferenciais no rito entre eles, que o bispo se senta do lado direito do presbitério, que possui seis acólitos-assistentes e que estes usam pluvial. A segunda é mais simples, o bispo senta-se num faldistório à esquerda do altar e é servido por apenas quatro acólitos-assistentes.

O segundo contraste é entre essa forma de missa e a missa presidida pelos presbíteros. A missa dos presbíteros, mesmo as solenes, eram rezadas completamente do altar; não possuem ordinariamente presbítero assistente; usa no máximo seis velas. Essas diferenças são pequenas e nem todas sumamente benéficas, por exemplo, a separação entre liturgia da palavra e liturgia eucarísica é muito apropriada também para a liturgia presbiteral. No entanto, o somatório de todas elas é fundamental para diferenciar essas duas formas de missa, tendo como objetivo final apresentar o bispo como Sumo-Sacerdote de seu povo, distinto dos presbíteros.
Patena
A nível diário, podemos citar o uso, na forma extraordinária do rito romano, de retirar a patena de baixo da hóstia no momento do ofertório e recolocá-la apenas próximo do momento da comunhão.

O contraste encontra-se no fato de a espécie do vinho manter-se no cálice, mais sagrado e geralmente mais precioso vaso litúrgico. Assim, enquanto a hóstia é "derramada" em um quadrante periférico do corporal, o precisíssimo sague mantém-se magestodo no cálice ocupando o centro do corporal: paixão e epifania sobre o mesmo altar.
Sacralidade
Muito se fala do retorno da sacralidade na liturgia, mas o que é a sacralidade se não um contraste? Não um contraste entre mais alegre e mais triste, mais enfeitado e mais modesto ou mais episcopal e mais presbiteral, mas entre dois termos absolutos o sagrado e o profano. É essa diferenciação das coisas de uso diário que nos faz enxergar o sagrado como sagrado.
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