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sábado, 29 de outubro de 2011

Usando vestes negras

Tradução nossa do New Liturgical Movement:

 

O Dia de Finados está bem próximo, e por isso eu gostaria de continuar nossa tradição anual do New Liturgical Movement em aproveitar esta ocasião para apelar aos nossos sacerdotes que usem paramentos negros tanto para Finados quanto para Missas de Réquiem, genericamente, de acordo com o rito romano moderno - eu especifico a liturgia moderna porque no usus antiquior o preto é o que está previsto para esses dias e, então, nenhum apelo é necessário, enquanto que nas rubricas da liturgia moderna, o preto, o roxo ou branco são permitidos como opções válidas. (Nota: Eu falo em geral, excluindo a consideração específica de Requiem para jovens e crianças batizadas, onde a tradição é o uso do branco).

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Mas por que fazê-lo? Nas últimas décadas, por vezes alguns indivíduos têm tentado usar o argumento de que o uso do negro é contrário à esperança cristã na ressurreição dos mortos. Assim, alguns desses mesmos indivíduos têm protestado contra o uso do preto - e mesmo o roxo - para tais ocasiões, a despeito do uso continuado pela Igreja dessa cor litúrgica. Em respostra, eu gostaria de salientar que este não é um caso de "ou isso, ou aquilo", mas de "isso e aquilo". Em que pese os cristãos serem um povo de esperança enraizada na ressurreição, issto não invalida a resposta naturalmente emocional da tristeza ou do pranto, nem o fato de que estamos cientes também da realidade do pecado, da morte e do julgamento. Tal consciência e reserva é simplesmente uma consciência e uma reserva que brota do reconhecimento de uma realidade espiritual genuína, e o mero fato de que isso não pode ser equiparado a um desespero ou a uma esperança insuficiente na ressurreição dos mortos. Na verdade, não dar o reconhecimento adequado a essas realidades já é, em si, um problema.

Se olharmos para o ano litúrgico da Igreja, nós vemos como ele traz consigo momentos de festa, bem como momentos de jejum; que traz momentos de exuberância e alegria, e momentos da mais sombria reserva, penitência e jejum. As liturgias da Semana Santa dão, sozinhas, um exemplo particularmente condensado disto. Cada uma dessas partes ajuda-nos em aspectos particulares dentro de seus tempos determinados e nas ocasiões específicas, e também são necessariamente entendidos em relação ao e como parte de um todo maior. A perde de qualquer dessas partes resulta em uma pintura incompleta.

O uso do preto, o qual corresponde ao reconhecimento da tristeza e do lamento, do pecado, da morte e do juízo, é uma manifestação ou parte desse quadro mais completo. (E, neste ponto, gostaria de referir este está sendo considerado principalmente no contexto litúrgico e cultural do Ocidente.)

Em um nível simbólico e teológico, o tom sombrio e reservado dos paramentos negros pode ser entendido como uma lembrança da realidade dolorosa do pecado (pessoal e original) e da realidade da morte que entrou no mundo com a Queda. Ele manifesta uma espécie de santa e prudente reserva. Ele pode enfatizar a realidade do purgatório e a necessidade de orações que devemos oferecer pelos mortos - uma das sete obras de misericórdia espiritual. Da mesma forma, nós, os vivos, somos relembrados dos "quatro novíssimos" e da necessidade de cuidar do estado de nossas próprias almas, trabalhando por nossa salvação.

Em um nível cultural e pastoral, no Ocidente o preto tem uma associação particularmente forte com o simbolismo da dor e do luto. Consequentemente, o negro pastoralmente reconhece e se une à natural e perfeitamente normal resposta emocional frente a perda de um ente querido: ou à tristeza que entrou no mundo mediante o pecado e a morte.

Como um símbolo, pois, o uso do preto fala forte e pungentemente sobre uma variedade de níveis e seu uso é tão meritório que deve ser encorajado.

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