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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A música intolerável na Liturgia

Quero convidar o leitor a imaginar comigo uma situação.

Suponhamos uma cerimônia, na Grã-Bretanha, em que seja cantado o tão conhecido hino nacional daquele país, "God save the Queen". O leitor sabe que essa frase significa "Deus salve a Rainha", e que quando o monarca é um homem a frase é "God save the King", "Deus salve o Rei".

Agora o leitor imagine que alguém responsável pela cerimônia queira "dar uma variada", "atrair os jovens", "atualizar-se" ou coisa assim. E então decide substituir o "God save the Queen" pela famosa "Dancing Queen", da banda sueca ABBA.

Afinal, a letra de "Dancing Queen" também fala em Rainha, ora. Está lá. E a Rainha dessa música tem dezessete anos e dança, bem mais atraente do que uma Rainha poderosa e gloriosa como "God save the Queen" pede a Deus. A Rainha do ABBA é menos distante do fiel comum, parece-se mais com a filha ou irmã dele, ou com a própria jovem fiel. Uma Rainha mais aceitável, que não seja melhor que eu em nada.

Não preciso me estender muito na imaginação. O que quero dizer é que as Missas celebradas no Brasil, em sua maioria, realizam substituições do mesmo naipe de trocar "God save the Queen" por "Dancing Queen". Isto é: uma substituição completamente absurda, para a qual ainda se procura achar uma justificativa ("mas a letra fala na Rainha").

Se o exemplo, por ser estrangeiro, estiver distante demais de algum dos leitores, sugiro imaginar uma cerimônia cívica no Exército em que os presentes não cantem o Hino Nacional Brasileiro, mas cantem "Meu país", do Ivan Lins.

A mesma substituição está acontecendo na Liturgia; obviamente este fato não é novo, tampouco acontece apenas no Brasil. Algumas pessoas não percebem que isto é absurdo porque estão dessensibilizadas; muitas delas só conhecem a Missa com a música errada; além da formação litúrgica pobre ou inexistente, e em alguns casos simplesmente distorcida.

As "bandas católicas" que fazem música pop (ou outros gêneros populares) com letras católicas exercem grande fascínio sobre um número não pequeno de fiéis. Eu gostaria de sugerir que esta influência fosse usada pelos seus próprios integrantes no sentido de deixar claro aos fiéis e aos músicos litúrgicos que esse tipo de música não se destina à Liturgia de maneira nenhuma.

Já era terrível a presença, há tempos estabelecida, de gêneros interioranos brasileiros na Missa, como guarânias, valsas, forrós, xaxados, marchas-rancho. Agora acontece esta invasão do pop. Não podemos tolerar esse tipo de situação. O leitor perceba que já se transformou a Liturgia num programa de auditório: se uma música está nas paradas de sucesso, entra. Será que ainda é necessário dizer que a Liturgia não é isso? Por quanto tempo é necessário dizer o óbvio?

Não sei por quanto tempo é necessário dizer o óbvio; mas, uma vez que exista alguém que não saiba, é preciso dizê-lo. E não existe "alguém". Existe uma massa numerosíssima.

Meu apelo é no sentido de:

1 - extirpar da Missa toda peça musical que não utilize o texto correto;

2 - retirar da Missa toda música pop (inclusive das "bandas católicas") ou de gêneros populares (não me refiro ao canto religioso popular encorajado pelo papa Pio XII).

Ainda que se tenha de dar estes passos em etapas, eles certamente levam ao caminho da correta celebração litúrgica. O ganho espiritual será tanto maior quanto mais fiel se for às verdadeiras leis litúrgicas.

Este texto se dedica a falar das coisas que não se devem fazer. Ainda daremos nossa contribuição positiva, propondo as coisas que se devem ou se podem fazer.
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