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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ad Limina Apostolorum: O sacerdote é servidor da liturgia e não o seu inventor nem o seu produtor

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dom Rifan participará da Peregrinação Summorum Pontificum em Roma

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Dom Fernando Rifan, Ordinário da Administração Apostólica São João Maria Vianney, ligada à Forma Extraordinária do Rito Romano, estará participando da Peregrinação do Povo Summorum Pontificum (Una Cum Papa Nostro) deste ano.

Além dele, participam da peregrinação, que acontece de 24 a 27 de outubro em Roma, o Cardeal Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Ecclesia Dei, e Dom Athanasius Schneider. A programação prevê uma Missa Pontifical na Basílica de São Pedro no sábado (26), dia em que o Cardeal Hoyos celebra seu 61° aniversário de ordenação sacerdotal.


O secretário-geral da peregrinação, Guillaume Ferluc, em entrevista à revista americana The Remnant, comentou o convite a Dom Rifan e os frutos da Jornada Mundial da Juventude do Rio (grifos meus):
Para o acompanhamento da nossa prática religiosa, para se poder ir à missa tradicional nas próprias paróquias, é preciso que haja sacerdotes, e por conseguinte, seminários que os formem e bispos que os ordenem. Actualmente, Dom Fernando Rifan é o único bispo em todo o mundo que tem por missão pastoral fazer isso mesmo; por isso, pareceu-nos importante tê-lo entre nós!

Além disso, recebemos excelentes testemunhos das Jornadas Mundiais da Juventude do Rio de Janeiro, durante as quais, Dom Fernando Rifan esteve encarregado da catequese dos jovens do Juventutem, um grupo cujo apostolado assenta na liturgia tradicional. A igreja esteve cheia, as celebrações tiveram grande dignidade e as pregações foram muito apreciadas.

Até há pouco, quem poderia imaginar que, no Brasil, centenas de jovens poderiam seguir três dias de pregações e missas, e confessar-se a sacerdotes ligados à tradição da Igreja? E tudo isso com o apoio oficial da Igreja? Naturalmente, poder-se-á objectar que era apenas um bispo entre 300, mas já é um primeiro passo dado e algo de adquirido, tanto mais que o lugar que aí se destinou ao Juventutem foi um lugar simbólico: a antiga Catedral do Rio de Janeiro, um local carregado de história e marcado pela fé das gerações passadas.

Sobretudo, as Jornadas foram uma boa ilustração de como a liturgia tradicional atrai os jovens. Por essa razão, não temos o direito de ficarmos apenas abrigados debaixo das nossas certezas, mas devemos antes ir ao encontro de todos aqueles que desejam ter uma maior presença do sagrado e da solenidade na sua vida de fé.
Desta mesma entrevista, destaco a resposta de Ferluc quando questionado sobre a relação entre este novo pontificado do Papa Francisco e os católicos tradicionais (grifos meus):
Sabemos bem que a história da Igreja não ficou parada em 1962, como também não se completou com o pontificado de Bento XVI. Este novo pontificado do Papa Francisco parece dever ser visto como um convite para uma reflexão sobre o facto de que a liturgia e a tradição da Igreja não são algo de um grupo restrito, isto é, de uma elite, como alguns parecem achar.

Partindo das palavras do Papa, inclinar-me-ia mesmo a defender que a liturgia tradicional, com todo o seu esplendor que nos manifesta a presença de Deus, é de facto uma liturgia que nos leva à humildade. Na liturgia tradicional, a actuosa participatio dos fiéis é uma participação humilde, feita de silêncio, de adoração, de genuflexões, de súplica, de acção de graças… tudo atitudes que nos lembram alguém que sofre, que são próprias do homem que está em dificuldade e que pede ajuda.

Não esqueçamos que por entre os sacerdotes mais célebres elevados à honra dos altares, muitos são os que foram simples padres que poderíamos dizer “do campo”, na medida em que estiveram em contacto com os estratos mais humildes do povo. Penso no Santo Cura d’Ars, no Padre Orione, no Padre Pio… Mesmo se as suas celebrações eram marcadas pela maior das solenidades, elas não excluíam quem quer que fosse, desde o camponês à mãe de família, pessoas que nunca precisaram de estudar latim na Universidade ou em qualquer outra escola de prestígio para se poderem sentir parte integrante da liturgia e do culto que assim se prestava a Deus.
O restante da entrevista pode ser lida no Paix Liturgique.

Já a programação completa e mais informações em português encontram-se no site oficial.

Atualização: Dom Fernando Rifan publicou um texto sobre sua participação na peregrinação, que pode ser lido em seu blog pessoal.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Peregrinação ao Cristo contará com padre da Fraternidade São Pedro

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Um padre da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP) estará participando da III Peregrinação Nacional ao Cristo Redentor, cujas edições anteriores já divulgamos aqui.

Fica a todos o convite para a edição deste ano:
A peregrinação de 2013 será dia 27 de OUTUBRO! Com a presença do Pe. Romanovski, FSSP, que celebrará a Santa Missa às 10:00 na Capela do Colégio das das Irmãs Marcelinas [Colégio Santa Marcelina].

Estr. do Açude, 250 - Tijuca, Rio de Janeiro, 20531-330

Depois seguiremos para o CRISTO Redentor!

Obs.: Nos encontraremos na Praça Afonso Viseu como de costume antes da Missa, para quem não souber como chegar no colégio.

Compartilhem, amigos peregrinos!

Foto da I Peregrinação
Pe. Jonathan Romanoski, FSSP
Mais informações no site oficial.

Atualização: O Pe. Romanoski estará no Brasil a partir desta quarta-feira (23).

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A "episcopalite" do Rito Romano - reflexão sobre os tipos de missa nas rubricas da forma ordinária

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"Episcopalite" é um termo jocoso usado para falar do mal que parecem aqueles que desejam o ministério episcopal. De certa forma, a liturgia presbiteral da forma ordinária do Rito Romano padece de uma certa inclinação à episcopalização, isto é, já não se distingue tão bem como na forma extraordinária a missa do presbítero e a missa do bispo como na forma extraordinária.

Nas rubricas da forma extraordinária notamos uma graduação bem mais clara entre as diferentes formas de missa. Há uma clara distinção entre missa alta (solene) e missa baixa  (simples) com a presença ou ausência de diácono e sub-diácono e estes ministros eram responsáveis por modificar consideravelmente os ritos de toda a missa, mas de maneira notável da liturgia da palavra. A epístola e o evangelho passam de tarefas do sacerdote para tarefas desses ministros, por exemplo.

 Missa Solene na forma extraordinária, com diácono e Subdiácono

Missa simples na forma extraordinária, sem diácono ou subdiácono

Para a forma ordinária, a Introdução Geral do Missal Romano traz dois tipos de missa: "com diácono" e "sem diácono", talvez estivesse aí a antiga distinção entre os tipos de missa. Todavia, não nos parece que a presença do diácono por si só torne a missa solene. Vale lembrar que os diáconos podem auxiliar em missas menos simples, podendo inclusive fazer uso apenas de estola sobre a alva, como diz a Introdução Geral do Missal Romano:

"119.      Na sacristia preparam-se as vestes sagradas (cf. nn. 337-341) do sacerdote, do diácono, e dos outros ministros, segundo as diferentes formas de celebração:
a) para o sacerdote: alva, estola e casula ou planeta;
b) para o diácono: alva, estola e dalmática; esta, por necessidade ou por motivo de menor solenidade, pode omitir-se;
c) para os outros ministros: alva ou outras vestes legitimamente aprovadas."

Celebração ferial na forma ordinária com assistência de diácono, todavia missa simples

Estaria aí, no uso da dalmática, a clara distinção entre missa solene e missa simples na forma ordinária? É uma leitura possível, mas ainda há de se levar em conta a proibição de presbíteros servirem vestidos como diáconos, realizando todavia a função destes, como nos lembra o Cerimonial dos Bispos:

"22.        Se faltarem diáconos, [os presbíteros] supram alguns ministérios dos diáconos, sem porém se apresentarem com vestes diaconais."

Deve-se considerar então o caso da missa solene (até mesmo pontifical) com a ausência de diáconos propriamente ditos. Vê-se assim que a definição de missa solene da forma ordinária é bastante confusa, ou ainda inexistente. Parece-nos que na forma ordinária os tipos de missa não são, como dizemos em linguagem de exatas, "discretizados".  Não existe uma distinção clara entre onde acaba a missa solene e onde começa a missa simples, ao contrário, existem missas mais solenes e menos solenes conforme possuam mais ou menos elementos característico de solenidade.

Embora isso não seja algo tradicional no rito romano, que sempre manteve os tipos de missa muito bem definidos (rezada, cantada e solene), essa subjetividade poderia ter um lado pastoral bom, uma vez que permite às diferentes comunidades terem missa solene de acordo com suas possibilidades e não manteria, por exemplo, às paróquias que carecem de diácono, privadas da missa (mais) solene.

É claro que efeitos colaterais existem, como a perda gradual da noção de missa solene e a necessidade de se celebrar ao menos algumas vezes no ano a missa solene com TODOS os elementos de solenidade do rito. Quantas paróquias no nosso país perderam completamente o incenso ou mesmo o uso da missa cantada?

Nesse sentido de abolir tipos bem definidos de missa, muitas vezes se suprime até mesmo a diferenciação entre missa dominical e missa semanal. Embora a reforma litúrgica tenha feito um trabalho louvável nesse sentido, acrescentado uma leitura aos domingos, insistido na primazia do dia do Senhor e criado todo um esquema de leituras para as missas feriais, cuja liturgia da palavra deixou de ser simplesmente repetição do domingo, não é raro que em algumas comunidades não se tenha esse uma diferenciação clara entre tais missas.

Seria bom que alguns elementos facultativos da santa missa fossem reservados às missas dominicais, por exemplo, a procissão do ofertório, na qual fiéis levam as oferendas até o sacerdote, a oração dos fiéis e o beijo da paz. Não se esquecendo é claro dos elementos que obrigatoriamente estão presentes na missa dominical e ausentes nas missas feriais como o glória e o creio.

No que diz respeito à liturgia episcopal acontece algo semelhante. Embora a missa estacional (pontifical) tenha um elemento inconfundível e decisivo o bispo — na forma ordinária, existe pouca diferença entre a missa solene e a missa estacional do bispo. Isso ocorre pela perda de alguns elementos que são próprios da missa pontifical que nem mesmo o bispo faz uso em missas mais simples.

O primeiro e principal elemento é a cátedra. Na forma extraordinária também chamada de trono, possui  uma arquitetura distinta, inclusive com o baldaquino, proibido pelo Cerimonial dos Bispos reformado, de modo que só existe ainda apenas naquelas catedrais construídas antes da reforma litúrgica. A cátedra embora na forma ordinária ainda exista e seja exclusiva para uso do bispo é usada também nas missas mais simples celebradas por ele e não apenas para a missa pontifical ao trono. Também o presbítero passou na forma ordinária a ter uma cadeira: a sédia (sede). Em tese a sédia se distingue notavelmente da cátedra; na prática, porém, essa diferença só se observa na catedral, quando um presbitero celebra e deixa a cátedra vazia. 

 Cátedra de Atenas, na Grécia, apesar da simplicidade destaca-se pelo dossel

Existe ainda um segundo elemento episcopal a se comentar, o faldistório, que entrou em extinção. Ele é usado para o bispo se ajoelhar, para se sentar para algum rito sacramental ao centro do presbitério ou proferir a homilia, mas seu principal uso na forma extraordinária, e apenas nesta, é ser usado quando o bispo celebrava fora da catedral, nas demais igrejas da diocese (ou os bispos auxiliares mesmo na catedral), o Bispo senta-se ao lado esquerdo do presbitério no faldistório. Na forma ordinária com as sédias em cada igreja, é ali no lugar costumeiro do presbítero que o Bispo se senta, prescindindo de faldistório.

Ao redor deste dois elementos, cátedra e faldistório, podemos discutir toda a dinâmica da liturgia episcopal na forma antiga do Rito. A liturgia do Bispo gira ao redor da cátedra, assim a missa do bispo é muito bem dividida entre "ritos da cátedra" e "ritos do altar". Inclusive os ministros que servem na missa estão associados a um ou outro elemento. Existem os ministro da cátedra: dois diáconos-assistentes, um presbítero-assistente e seis acólitos-assistentes; e os do altar: um diácono, um subdiácono e  acólitos.

 À frente, ministros da cátedra; atrás e mais próximo ao bispo, ministros do altar.

No início da liturgia, o bispo se dirige ao altar, faz ali todos os ritos inicias, das orações ao pé do altar até a incensação do altar, inclusive. A partir daí se dirige para a cátedra. É nela que acontecem todos os demais ritos anteriores à preparação do altar. As bênçãos do subdiácono e do diácono por ocasião das leituras da epístola e do evangelho, e também a do incenso para este último, são realizados da cátedra estando Bispo sentado. Na liturgia do presbítero, o seu assento não é "lugar litúrgico", não se realizam ali ritos; na liturgia presbiteral tudo se faz no altar, desde a bênção dos ministros até a do incenso tudo é feito do altar e de pé, não compete ao presbítero sentar-se para realizar ritos sagrados.

Bento XVI recebe sentado o pão e o vinho dos fiéis

Na forma ordinária, vemos que a liturgia do presbítero é muito tendenciosa à episcopalização, ao se aproximar muito da liturgia antiga do Bispo no que se refere ao local de execução dos ritos da primeira parte da missa e também nos ritos finais. Desde os ritos iniciais até a preparação do altar, o presbítero realiza de sua "cátedra", inclusive abençoando o incenso e o diácono para a leitura do evangelho sentado. Embora este detalhe não fique claro para a missa do presbítero na IGMR, o o excelente "Cerimonies of The Modern Roman Rite" de Dom Peter Elliott nos números 385-386 afirma que estes ritos são executados dessa forma e não com o sacerdote de pé.

No que diz respeito à homilia, o presbítero sobe sempre ao púlpito: ele é o local próprio da pregação. O Bispo, porém, fazer a pregação de seu lugar, a cátedra e a faz sentado por sua dignidade episcopal. Neste sentido, o caminho para confusão das liturgias é o oposto, não é tanto o sacerdote que executa o rito de forma mais próxima à liturgia do Bispo, até por que as rubricas da forma ordinária proibem claramente o sacerdote de pregar sentado, ainda que possa fazer a homilia de sua sédia. O que acontece é que cada vez mais os Bispos deixam de pregar sentados, ou mesmo de pregar da cátedra (ou faldistório), utilizando aquilo que é permitido pelas rubricas novas fazer a homilia do ambão, do púlpito ou de outro lugar conveniente.

 O Bispo profere a homilia sentado na forma ordinária

Vemos, portanto que a dinâmica característica da missa do presbítero e da missa do Bispo foram quebradas na forma ordinária do Rito Romano. Assim, quando o Bispo celebra uma missa, essa já não se apresenta com diferenças tão acentuadas em relação ao que se esperaria nas rubricas da forma extraordinária. E isto esvazia de simbolismo o ministério episcopal cujo detentor não é "primus inter pares" com seus presbíteros, mas é Sumo Sacerdote à frente de seu presbitério.

Para diferenciar estes dois tipos de missa seria bom um trabalho em duas frentes. A primeiro é dos próprios presbíteros de evitarem usar de elementos que possam ser demasiadamente episcopais, é claro que nem tudo pode ser deixado de lado. Por exemplo, o sacerdote na missa com o povo não está autorizado a realizar do altar os ritos iniciais as rubricas determinam que estes ritos sejam feitos da sédia. Mas naquilo em que há liberdade poderiam realizar do altar ou, se da sédia, ao menos que não permanecessem sentados. É o caso por exemplo de receber os dons trazidos pelos fiéis, seria melhor que o presbítero se levantasse ou se dirigisse à entrada do presbitério ou, ainda, ao altar.

Também seria interessante que os bispos fizessem um uso mais amplo daquilo que é próprio e exclusivo deles, não apenas os paramentos, mas também os gestos que são tradicionalmente episcopais, como a saudação "Pax Vobis" ou permanecer sentados para diversos ritos, o que inclui a homilia, ter diáconos e outros ministros que o sirvam na cátedra e outros no altar, abençoar os fiéis com o livro dos evangelhos; porém mais uma vez deve-se saber os limites que as rubricas novas impõem. Por exemplo não podem os diáconos que assistem o bispo na cátedra fazer uso de dalmática sobre a sobrepeliz ou deixar de usar estola, e o presbítero-assistente já não existe no rito novo.

O papa abençoando os fiéis com o evangeliário após a proclamação do evangelho, forma ordinária

É notável que para que a litúrgica retome perfeitamente a distinção entre liturgia presbiteral e a liturgia episcopal existe a necessidade de uma reforma das rubricas, isso não significa retirar a sédia do espaço celebrativo, mas retirar dela as funções próprias da cátedra e recolocar esses ritos no altar quando a missa é celebrada por presbítero. Também a posição da cátedra, à direita, em contraposição à esquerda onde se senta o presbítero e a reintrodução dos ministros assistentes da cátedra com paramentos distintos para as missas estacionais.

Da mesma forma que existe a necessidade de uma distinção mais clara por parte das rubricas entre missa solene e missa simples, talvez algo focado no uso da dalmática pelos diáconos e quem sabe permitir-se novamente que presbíteros sirvam e vistam-se como diáconos a fim de se ter sempre o ministério diaconal tão característico da missa solene nas rubricas da forma extraordinária.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A grandeza na Liturgia aponta para a Beleza de Deus

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Os sinais externos da sagrada Liturgia não são um insulto à pobreza material dos filhos da Igreja, mas um incentivo à piedade dos fiéis



O venerável Papa Pio XII, em sua encíclica sobre a sagrada Liturgia, explicava que "todo o conjunto do culto que a Igreja rende a Deus deve ser interno e externo". Esta realidade decorre da própria constituição humana, ao mesmo tempo física e espiritual, e da vontade do Senhor, que "dispõe que pelo conhecimento das coisas visíveis sejamos atraídos ao amor das invisíveis".

Este ensinamento explica porque os atos litúrgicos da Igreja sempre foram realizados em templos majestosos, com materiais tão nobres e paramentos trabalhados com inúmeros detalhes. Assim é, não porque a Igreja esteja apegada aos bens materiais ou preocupada em entesourar riquezas, mas porque ao Senhor deve ser oferecido sempre o melhor e o mais belo.

Assim pensava São Francisco, o poverello de Assis. Ele passou toda a sua vida como um pobre entre os pobres, mas, quando falava de Jesus eucarístico, condenava o desprezo e o pouco caso com que muitos celebravam os santos mistérios. Em uma carta aos sacerdotes, Francisco pedia a eles que considerassem dentro de si "como são vis os cálices, os corporais e panos em que é sacrificado" muitas vezes nosso Senhor. E insistia: "Onde quer que o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que o tirem dali para colocá-lo e encerrá-lo num lugar ricamente ordenado" [01]

Na França do século XIX, os lojistas comentavam entre si: "No campo há um pároco magro e mal arranjado, com ares de não ter um centavo no bolso, mas que compra para sua igreja tudo o que há de melhor". Era São João Maria Vianney, que vivia em pobreza extrema, mas não hesitava em ornar a casa de Deus com o mais nobre e o mais digno. Em 1820, escreveu ao prefeito de Ars: "Desejaria que a entrada da igreja fosse mais atraente. Isso é absolutamente necessário. Se os palácios dos reis são embelezados pela magnificência das entradas, com maior razão as das igrejas devem ser suntuosas" [02].

Toda esta preocupação do Cura d’Ars mostrava um verdadeiro amor a Deus e às almas. Ele encheu a igreja de sua cidade com belíssimas imagens e pinturas, porque, dizia ele, "não raro as imagens nos abalam tão fortemente como as próprias coisas que representam". O santo francês compreendia mais do que ninguém como não só era possível, mas também salutar, que o material e o terreno apontassem para as realidades celestes.

No entender do cardeal Giovanni Bona, um monge cisterciense do século XVII citado por Pio XII, "Se bem que, com efeito, as cerimônias, em si mesmas, não contenham nenhuma perfeição e santidade, são todavia atos externos de religião que, como sinais, estimulam a alma à veneração das coisas sagradas, elevam a mente à realidade sobrenatural, nutrem a piedade, fomentam a caridade, aumentam a fé, robustecem a devoção, instruem os simples, ornam o culto de Deus, conservam a religião e distinguem os verdadeiros dos falsos cristãos e dos heterodoxos." [03]

Percebe-se, deste modo, como pondera mal quem diz que a beleza das igrejas do Vaticano e o esplendor dos vasos e ornamentos sagrados deveriam ser renunciados, como se, com isto, a Igreja estivesse se exibindo indevidamente ou ofendendo os mais pobres.

Quem pensa desta forma ainda não compreendeu o que é verdadeiramente a Liturgia e qual é o seu verdadeiro tesouro. Não entendeu que até os sinais externos das ações litúrgicas, manifestados especialmente na Santa Missa, devem indicar Aquele que é a Beleza. E não pense que, persistindo nesta mentalidade, diverge em um ponto pouco importante da fé da Igreja. Nunca é tarde para recordar o anátema do Concílio de Trento: "Se alguém disser que as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa são mais incentivos de impiedade do que sinais de piedade — seja excomungado".



sábado, 12 de outubro de 2013

Solenidade de Nossa Senhora de Aparecida, por Gabriel Frade

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Na solenidade da Padroeira de nossa nação, disponibilizamos um trecho do comentário de Gabriel Frade, publicado anteriormente no ZENIT, para a data de hoje.

12 de outubro: Solenidade de Nossa Senhora de Aparecida

Padroeira do Brasil

Leituras: Est 5, 1b-2;7,2b-3; Sl 44; Ap 12, 1.5.13a.15-16a; Jo 2, 1-11

Por Gabriel Frade* 
A história é bastante conhecida.

O conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, governador da capitania, ao fazer uma viagem para o interior, em direção à terra das Minas, passa pelo vale do Paraíba.

Ao chegar em Guaratinguetá (SP), nas cercanias da atual cidade de Aparecida, se faz necessária a preparação de um banquete para toda a comitiva. Alguns pescadores, depois de várias tentativas infrutíferas, continuam lançando suas redes no rio Paraíba do sul no afã de buscar o pescado para a mesa de sua excelência.

Puxam a rede, mas é só desilusão: não há um peixe sequer, apenas a sujeira habitual do fundo do rio. Em determinado lance, em meio à sujeira na rede, os pescadores percebem algo pequenino que lhes chamou particularmente a atenção: era o corpo de uma estátua. Via-se claramente que era a imagem de uma santa.

Por respeito, resolvem guardar o fragmento no fundo do barco envolvido num lenço. Afinal a Igreja ensinava que era preciso dar um fim adequado às imagens religiosas, mesmo quando quebradas.

Lançam as redes mais uma vez. Desta vez, fato deveras intrigante, percebem algo um pouco menor: era a cabeça da mesma estátua.

Em seguida, ao lançar as redes mais uma vez, encontram uma superabundância de peixes. Isso só podia ser um sinal dos céus: aquela estatuazinha da Virgem apareceu-lhes, eles pobres trabalhadores, para lhes conceder alguma graça e algum consolo. A estátua é prontamente recolhida e levada carinhosamente para a casa dos pescadores, onde é colocada num pequeno oratório, tornando-se o centro do afeto das famílias daquela localidade.

Depois de tantos anos, a estátua enegrecida pelo fumo de tantas velas acendidas pelos devotos, se tornará nacionalmente conhecida pelo nome ligado ao evento de sua origem: Nossa Senhora de Aparecida.

Em linhas gerais, esta é a história dos inícios e que foi contada de geração em geração.

Algo semelhante havia ocorrido alguns séculos antes no México: lá, a Virgem aparece também a um pobre índio, e sua aparição, conhecida como Nossa Senhora de Guadalupe, está marcada por elementos que dialogaram profundamente com a cultura indígena, oprimida pela colonização de então.

Curiosamente, também o fato da aparição da Imaculada Conceição Aparecida, trará consigo elementos que dialogaram com as várias culturas presentes no Brasil de ontem e de hoje.

Da mesma forma como a mãe amorosa que tem muitos filhos, e deve lidar com a índole de cada um de forma diferenciada, no Brasil, a Virgem de Aparecida se mostrará ao seu povo com características tais, que cada cultura que compôs inicialmente o povo brasileiro provavelmente pôde enxergar elementos de identificação próprios, encontrando um particular consolo maternal na Virgem.

Nesse sentido, ao pensarmos na sociedade colonial, talvez os negros escravos encontrassem na Virgem negra uma consolação e uma proximidade tal, que só uma mãe negra poderia oferecer. Os índios, por outro lado, talvez vissem nessa Mãe surgida das águas do rio, uma linguagem evocativa de seus grandes mitos, como aquele de Iara, a Senhora d’água. Os brancos portugueses viam provavelmente nessa Senhora também a figura de suas mães brancas, presas numa pátria longínqua.

Dessas percepções particulares, se fez mais fácil a compreensão de Maria, a Mãe do Senhor e nossa Mãe.

Desde sua aparição, no início do século XVIII, Nossa Senhora de Aparecida continua consolando seu povo e intercedendo junto a Deus por nós: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida – eis o meu pedido! – e a vida do meu povo – eis o meu desejo!” (primeira leitura).

Assim como a estátua encontrada no fundo do rio, a segunda leitura do livro do Apocalipse, nos traz a imagem da mulher que está para ser submersa por um rio de água vomitado por uma serpente (v. 15). Essa imagem nos lembra como há sempre a possibilidade de algo querer submergir a mulher, imagem da Igreja, por causa do menino ao qual ela trazia no ventre e ao qual dera à luz.

Analogamente, assim como a terra veio em socorro da mulher (v. 16a), a estátua da Virgem está hoje conservada na basílica nacional de Aparecida, construída no alto de um morro, onde todos os seus filhos podem desfrutar de sua consolação maternal; encontrando aí, por meio de sua intercessão, a alegria da vida.

De fato, é o que encontramos no Evangelho do dia: pela intercessão da Mãe, a água, símbolo de nossa vida oprimida pelo pecado, torna-se vinho fino, símbolo inebriante da alegria da vida eterna concedida a nós gratuitamente pelo Cristo Senhor.
* Natural de Itaquaquecetuba (São Paulo), Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Entrega das alfaias da I Promoção Salvem a Liturgia & Ars Sacra

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Trazemos o relato da entrega das alfaias de nossa primeira promoção ao sacerdote para quem elas foram presenteadas:
Boa noite,

Entreguei as alfaias no domingo (15/09) para o Padre Faustino. Ele ficou muito emocionado e gostou muito das alfaias. E quando eu disse que o sorteio foi realizado pelo site do Salvem a Liturgia ele sorriu, pois muitos dos nossos seminaristas usam o site como forma de compreender a  reforma da reforma e creio eu que o Padre costuma acessar o site de vocês.

Padre Faustino é o Vigário da minha paróquia e o primeiro sacerdote do Instituto dos Servos da Divina Misericórdia, ele pode ser considerado um sacerdote jovem, pois foi ordenado no dia 04 de agosto deste ano. Estou te enviando a foto que tirei junto ao Padre quando entreguei as alfaias para ele e algumas fotos que foram tiradas no dia de sua ordenação sacerdotal, entre as quais uma foto tirada junto com o nosso bispo Dom Francisco e com o fundador do Instituto, Padre Sérgio.

Muito obrigada pelas alfaias,
Em Cristo
Ana Urbano

Muito nos alegra saber que este nosso simples apostolado recebe a confiança de tantos seminaristas e sacerdotes. Pedimos aos nossos leitores que não deixem de rezar por nós e por todos aqueles que lutam pela restauração da Liturgia.

Como já foi mencionado, haverá um segundo sorteio, com data ainda por definir. Aguardem!

Por fim, eis as demais fotos mencionadas no relato:






terça-feira, 8 de outubro de 2013

Papa Francisco: A Missa não é um evento social

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Fonte: ACI Digital

Foto: Rodrigo Balladares Muñoz (CC BY-NC-SA 2.0)

VATICANO, 04 Out. 13 / 12:50 am (ACI/EWTN Noticias).- Na homilia da Missa que presidiu ontem na Casa Santa Marta onde reside, o Papa Francisco afirmou que a Missa não é um evento social, mas uma festa em que se faz presente Deus e não pode ser "domesticada" pelo hábito.

O Papa afirmou que "toda semana vamos à igreja, ou quando alguém morre vamos ao funeral… e essa memória, muitas vezes, nos aborrece porque não é próxima. É triste, mas a Missa muitas vezes se transforma em um evento social e não estamos próximos da memória da Igreja, que é a presença do Senhor diante de nós".

O Papa Francisco se inspirou na passagem do Livro do Neemias, na primeira leitura de ontem, para centrar sua homilia no tema da memória. O Povo de Deus, observou, "tinha a memória da Lei, mas era uma memória distante", aquele dia, por outro lado, "a memória se fez próxima" e "isto toca o coração". Choravam "de alegria, não de dor", disse o Santo Padre, "porque tinham a experiência da proximidade da salvação":

"E isso é importante não somente nos grandes momentos históricos, mas nos momentos da nossa vida: todos temos a memória da salvação, todos. Mas, pergunto-me: esta memória está perto de nós, ou é uma memória um pouco distante, um pouco difusa, um pouco arcaica, um pouco de museu? Pode ir longe… E quando a memória não está próxima, quando não temos esta experiência de proximidade da memória, esta entra em um processo de transformação, e a memória se transforma em uma simples recordação".

Quando a memória se torna distante, acrescentou o Papa, "transforma-se em lembrança; mas quando se faz próxima, transforma-se em alegria e esta é a alegria do povo". Isto, disse também, constitui "um princípio da nossa vida cristã". Quando a memória se faz próxima, reafirmou, "faz duas coisas: aquece o coração e dá alegria".

"E esta alegria é nossa força. A alegria da memória próxima. Por outro lado, a memória domesticada, que se afasta e se converte em uma simples lembrança, não aquece o coração, não nos dá alegria e não nos dá força. Este encontro com a memória é um evento de salvação, é um encontro com o amor de Deus que fez historia conosco e nos salvou; é um encontro de salvação. E é tão bom ser salvos, que é preciso festejar".

O Pontífice ressaltou que "quando Deus vem e se aproxima sempre há festa". E "muitas vezes –constatou– nós os cristãos temos medo de festejar: esta festa simples e fraterna que é um dom da proximidade do Senhor".

A vida, acrescentou, "nos leva a afastar esta proximidade, e a manter somente a lembrança da salvação, não a memória que está viva". A Igreja, destacou, tem a "sua memória" que é a "memória da Paixão do Senhor". "Também conosco, advertiu o Papa, acontece que afastamos esta memória e a transformamos em uma lembrança, em um evento habitual".

Para concluir o Papa Francisco alentou a pedir ao Senhor "a graça de ter sempre a sua memória perto de nós, uma memória próxima e não domesticada pelo hábito, por tantas coisas, e distanciada numa simples lembrança" 

domingo, 6 de outubro de 2013

A primeira Missa cantada do Pe. Rodrigo da Rosa Cabrera

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Trazemos algumas fotos da primeira Missa cantada (na Forma Extraordinária) celebrada pelo Pe Rodrigo da Rosa Cabrera na Capela São Miguel, Santa Maria, RS, que foram publicadas por ele em uma rede social.

Pe. Rodrigo também nos deixou a seguinte mensagem:

Prezado Daniel, a Missa na forma extraordinária acontece na capela S. Miguel aos segundos e quartos domingos, às 18hs sempre. É possível afirmar que tivemos um singelo aumento na participação. Algumas pessoas vieram e se tornaram assíduas. Há um grupo de seminaristas que ajudam no órgão e nos cantos. Queremos ainda melhorar a divulgação. Temos a alegria de ser a única (SUMMORUM PONTIFICUM) do estado do RS. Já celebrados noutra ocasião numa paróquia, S. José de Pinhal Grande e estamos preparando uma celebração aqui em Quevedos. Interessante notar que na capela S. Miguel a maior parte dos interessados são jovens e adultos jovens. Deixo minha saudação e benção.





sábado, 5 de outubro de 2013

Fotos Exclusivas da Santa Missa do Papa Francisco em Assis

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No dia do Santo Padroeiro da Itália, São Francisco de Assis, aniversário Onomástico de Sua Santidade, o Papa Francisco, realizou a visita prometida e querida desde o início do seu pontificado à terra do Santo que inspirou a escolha do seu nome e inspira os rumos do seu reinado.

Como lhe é costume, de modo sóbrio, celebrou a Santa Missa na parte externa da Basílica e Sacro Convento de São Francisco, assistido por uma multidão de mais de 100 mil fiéis. Após esta, seguiu-se um dia inteiro de visitações e peregrinações aos principais lugares franciscanos: Porciúncula, Basílica de Santa Clara (São Damião), Rivotorto, Cárceres, São Rufino... Sempre acompanhado dos Ministros Gerais da Ordem Franciscana, em seus ramos: OFM, OFMConv. e OFMCap., assim como o Ministro Geral da TOR e outros seculares consagrados (OFS).

A seguir, algumas fotos exclusivas, feitas pelos frades que lá estiveram, aos quais agradecemos a gentileza do envio das mesmas. Muitas delas, dispensam legendas. Noutras constam os devidos créditos.

Mais informações sobre a visitação à Basílica e breve história do "Pobrezinho de Assis", pode-se acessar AQUI.

À chegada do Santo Padre, os frades mostram e explicam alguns dos afrescos
de Giotto, na Basílica Superior

(Foto: cantonuovo.eu)


Um dos momentos mais marcantes: A oração do Papa Francisco diante do
túmulo de São Francisco ou, como ficou conhecido, "Francisco encontra São Francisco"
ou ainda, "Francisco de Roma encontra Francisco de Assis"
(Foto: RaiNews)

Saída da Basílica para o seu Pátio
Detalhe para o uso da Férula do Papa Paulo VI,
como parece ser o gosto do Papa Francisco fora da Basílica de São Pedro

(Foto: sanfrancescopatronoditalia.it)





Composição do "Presbitério" e Saudação do Bispo de Assis

Os dois Diáconos Assistentes são Permanentes

Detalhe da Lamparina com o óleo que queima em honra do Santo,
oferecido pelos cidadãos da Úmbria e seus representantes políticos
                                
                                                                         (Foto: cantonuovo.eu)







(Foto: sanfrancescopatronoditalia.it)
Homilia: "De onde começa o caminho de Francisco para Cristo?
Começa do olhar de Jesus na cruz.
Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele."
(Foto: cantonuovo.eu)
Oração Universal
Procissão e entrega dos Dons para o Sacrifício










(Foto: cantonuovo.eu)
Após ser abençoado, o óleo que queima diante do túmulo de São Francisco
(Foto: sanfrancescopatronoditalia.it)


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