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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Jubileu de Prata do Pe. Manoel Macedo de Faria

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Trazemos algumas fotos da Santa Missa Solene em ação de graças pelos 25 anos de Sacerdócio do Pe. Manoel Macedo de Faria, ocorrida em Itaperuna, 21 de dezembro de 2013.

Pe. Manoel foi ordenado sacerdote no dia 18 de dezembro de 1989, em Varra-Sai, RJ, por Dom Antonio de Castro Mayer.



































Mais fotos podem ser vistas aqui.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Etapa final do I Concurso de Presépios do Salvem a Liturgia!

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Conforme havia sido anunciado no cronograma de nosso concurso de presépios, deu-se ontem a escolha dos três finalistas para a sua segunda e final etapa.

Como dito nas regras do concurso, esta etapa final se dará da seguinte forma:
Vocês escolherão os vencedores.  Colocaremos o álbum em destaque em nossa página e divulgaremos o concurso, ambas as fases, em nosso blog. Vocês podem usar seus murais para pedir que as pessoas curtam a foto, podem utilizar a página da paróquia, podem enviar e-mails para seus contatos pedindo que curtam, podem fazer vídeos pedindo curtidas em redes sociais, outras, inclusive, que não seja o facebook. Usem a criatividade para angariar curtidas. Só serão aceitas curtidas até às 11h59 do dia 6 de janeiro. O resultado será divulgado à meia noite do dia 6 de janeiro. Os membros do Apostolado não poderão curtir as fotos. E os participantes não podem pedir que os membros do Salvem a Liturgia as curtam! 
A premiação do concurso, como já dissemos anteriormente, é cortesia de nossa parceira, a loja de vestimentas litúrgicas Ars Sacra. Os três finalistas já garantiram seu prêmio, que será distribuído assim:
O Primeiro colocado ganhará: 1 pala e um manustérgio
O segundo colocado: 1 manustérgio
O terceiro colocado: 1 manustérgio

Alfaias Ars Sacra - fotos ilustrativas

E, finalmente, eis os três presépios finalistas, escolhidos pelos membros de nosso apostolado:

Arquidiocese de Niterói
Cidade: Sao Pedro da Aldeia - RJ
Pároco Pe Helcimar Sardinha
Inscrito por Diego Cardoso Serpa


Montado pelo Pe Luiz Antonio Silva Filho
Inscrito por Hailton Júnior


Inscrito por Pe. Leandro dos Santos

Para votar, basta clicar no link acima e curtir a foto no Facebook.

Pedido: Fotos de Missas de Natal

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Pedimos aos nossos leitores que nos enviem fotos de missas de Natal celebradas com zelo e decoro, para publicarmos em nosso site, como já fizemos em outras ocasiões.


Desejamos a todos os nossos leitores e colaboradores, dado que ainda estamos na Oitava de Natal, um Santo e Feliz Natal.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Advento – Memória, Vigília e Mística, por Marcelo Câmara

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Imagem retirada do Pinterest

Nestes últimos momentos do Advento, quando o Menino Deus, já encarnado no seio da Virgem Santíssima, está prestes a sair de seu ventre imaculado, trago algumas palavras de um artigo que li recentemente, de autoria de Marcelo Câmara:
«07. Parece ser mais simples meditarmos os mistérios já ocorridos na História da Salvação, como a encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo, do que aqueles mistérios cuja a realização ainda está por concretizar-se [refere-se aqui à segunda vinda de Cristo]. Não podemos, entretanto, deixar de entendê-los no contexto único que eles compõem. É inegável, de qualquer forma, que a proximidade do Natal torna mais presente a imagem do Menino Jesus, de modo que se faz mais freqüente a nossa reflexão sobre o grande amor de Deus manifestado no nascimento de Seu filho unigênito, cheio de graça e de verdade, para dar ao mundo uma nova vida. Quão grande é o amor de Deus! Perfeito em si mesmo, assume a forma humana – bem como muitas de suas decorrências: nossas necessidades, doenças, sofrimentos, lágrimas(!) – para resgatar-nos de nossas profundas imperfeições. Deus verdadeiro e homem verdadeiro, participante da natureza humana e divina simultaneamente, Jesus Cristo veio divinizar a humanidade e derrotar justamente aquele mal que nos aflige e não O aflige: veio ser o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Em sua Epístola aos Filipenses, São Paulo nos fala de maneira muito profunda sobre a encarnação de Jesus Cristo: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tomando a semelhança humana”. Esvaziar-se. Trata-se de uma palavra-chave neste ponto da reflexão. Imagine o infinito tomando uma forma finita, imagine o todo-poderoso assumindo a fragilidade de uma criança, imagine aquele para quem todas as coisas foram feitas acomodado na simplicidade extrema de uma manjedoura. Bondade tamanha, por amar “até o extremo”, só poderíamos mesmo encontrar em Deus! Colocando-se entre suas criaturas, na forma tão singela de um menino, Jesus Cristo – Deus que assume a natureza humana – começa a dar seu testemunho de amor pela humanidade. Entre José e Maria, dois Santos, na pobreza da manjedoura, ele dá seu primeiro grande testemunho de amor na qualidade de Deus encarnado. Entre os dois ladrões, no alto do Calvário, pendendo em uma cruz, ele dá seu último testemunho de amor antes de ser glorificado pela ressurreição. Em ambos os testemunhos, um esvaziamento inefável. Jesus Cristo, na manjedoura e no Calvário, oferta provas irrefutáveis de seu amor sem fim e deve ser por todos amado, adorado e glorificado.
«08. Há um lugar especial no qual Jesus quer ser acolhido, sendo que o Advento e o Natal são sempre propícios para fazermos memória disto: no coração de cada homem – independente de qualidades, condição social, raça, língua – Jesus quer estabelecer morada. São Bernardo foi o responsável pela associação desta “segunda vinda do Senhor” – a primeira é a natividade e terceira é a Sua volta – ao período litúrgico do Advento. Esta vinda intermediária tem natureza espiritual, concerne ao tempo presente – ao hoje –, depende do nosso sim e compõe o significado místico do Advento e do Natal. Melhor deixar a palavra com o próprio São Bernardo: “Esta vinda intermediária é como entrada que conduz da primeira para a última vinda. Na primeira, Cristo foi a nossa redenção, na segunda, surgirá como nossa vida; nesta vinda intermediária ele é o nosso repouso e o nosso consolo”. Há belos textos, nas Sagradas Escrituras, que falam desta vinda do Senhor ao coração do homem, e que denotam o sentido de comunhão que deve reger a relação entre Deus e o fiel. Exemplo disto está no livro do Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo”. Alguns bem-aventurados abrem-se de tal forma a Cristo que são capazes de afirmar, em um testemunho cristão sem igual, que sua relação com o Ele já tomou conta de todo o seu viver: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo quem vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Que o Advento e o Natal deste Ano Santo possam produzir em cada cristão frutos espirituais abundantes, fortalecendo nossa relação com o Mestre de Nazaré, nascido pobre em Belém, que nos revela a face invisível de Deus Pai Criador e nos envia o Espírito Santo Paráclito.»
O artigo, intitulado "Advento – Memória, Vigília e Mística", pode ser lido na íntegra aqui.



Marcelo Henrique Câmara, autor deste artigo, foi um jovem da Arquidiocese de Florianópolis que, embora tenha passado pouco tempo por esta vida, viveu-a intensamente, preparando-se para a vida eterna, onde, com as graças de Deus e da Virgem Santíssima - assim esperamos -, já se encontra contemplando a Deus face-a-face.

Testemunhos de graças recebidas já aparecem em seu túmulo. Também por isso, foi aprovada uma oração para devoção privada a ele. Esta, bem como sua biografia e testemunhos, podem ser vistos no sítio aberto com o propósito de divulgar sua vida.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Hierarquia e Ministério III

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A Santa Sé quis reformar as ordens menores com base em alguns princípios, o principal deles, que se recuperassem os autênticos ministérios litúrgicos. O exorcista e o ostiário já não desempenhavam uma função litúrgica da mesma forma como em sua origem. O exorcista, por que os exorcismos passaram a ser desempenhados exclusivamente pelos sacerdotes com autorização do Bispo, e o ostiário, por suas funções serem na prática, serviço do sacristão. O sacristão, por sua vez, ganhou importância dentro da forma ordinária.


A ordem dos leitores, embora fosse a mais antiga e cuja função litúrgica mais facilmente se identifica, viu-se privada nas missas solenes das leituras que passaram às ordens maiores; de maneira particular a epístola que passou a ser cantada pelo subdiácono. A ordem dos acólitos, podemos dizer que exercia seu ministério da forma mais coerente com a sua origem e, por isso mesmo, era tido como a primeira das ordens menores, na qual o clérigo deveria permanecer um ano inteiro.


Jovens servem ao Papa portando o livro e o microfone

Essas duas ordens foram conservadas, tornando-se, porém ministérios. A ordem maior do subdiaconato, todavia, foi abolida, de modo que se restituíssem as funções mais próprias para os dois ministérios. O ministério do subdiácono foi repartido entre leitores e acólitos. Servir ao sacerdote e ao diácono passou a ser serviço do acólito, enquanto que fazer as leituras, com exceção do evangelho, voltou a ser função do leitor. 

Não podemos dizer que foi tão frutuosa a supressão do subdiaconato como foram das outras duas ordens menores, por que como já dissemos o subdiaconato desempenhava um papel muito importante na missa solene. Este papel deveria ser completamente preenchido pelo acólito, no serviço, pelo leitor, no anúncio, e pelo próprio diácono em alguns pequenos outros ritos como dizer à assembleia “levantemo-nos” ao fim das ladainhas. Isso parece ter sido o desejo de Paulo VI em seu Motu Proprio no que realiza essas mudanças, mas na prática não vemos nem sombra disso. Isso se deve, em parte, pela maneira com que os ministérios leigos foram recebidos por toda a igreja.

Para entender melhor as reformas das ordens menores, partamos de um rápido comentário sobre  a reforma do diaconato. O diaconato enquanto ordem no sentido sacramental do termo, manteve-se naturalmente como algo da estrutura clerical. O diaconato permanente serviu para que o esta ordem deixasse de ser apenas um ponto de passagem em direção ao sacerdócio, mas se tornasse uma ordem estável com ministros permanentes. 

Leitor instituído, vestindo amito, alva e cíngulo, proclamando uma leitura na Santa Missa

As ordens menores, como sendo originalmente ministérios leigos, quis a reforma que voltassem a apresentar este caráter; embora permanecessem como etapas em preparação o diaconato e o sacerdócio. Algo importantíssimo que devemos saber sobre estes ministérios é que eles são leigos não para “laicizar” os seminaristas. O verdadeiro motivo de tornar tais ordens ministérios leigos é por que o Concilio desejou ardentemente que fossem conferidas aos leigos, àqueles que não se preparam para o sacerdócio, mas simplesmente tem como objetivo servir a Deus por meio do ministério recebido.

Com tais ministérios tornando-se próprios dos leigos, todas as paróquias passam a usufruir deles e tê-los como comuns; essa atitude demonstra uma solicitude pastoral magnífica. Esses ministérios não tem, todavia, o objetivo de encerrar em si o serviço litúrgico a que se propõe. No que diz respeito ao ministério dos leitores, o Cerimonial dos Bispos diz que “terá também a seu cuidado, quando necessário, preparar os fiéis que, nas ações litúrgicas, hão de ler a sagrada Escritura”. Mostrando que o ministério instituído não deve substituir, mas guiar o ministério não instituído.

A mesma situação se refere à atuação dos acólitos instituídos nas paróquias. O Cerimonial dos Bispos ao falar dos acólitos diz que “Quando for mister, ensinará aqueles que exercem algum ministério nas ações litúrgicas, seja os que levam o livro, a cruz, as velas, o turíbulo, seja os que exercem outras funções semelhantes”. Mostra-se portanto que os acólitos devem auxiliar no serviço daqueles que exercem esse ministério de maneira não-instituída (coroinhas), segundo o antigo costume da igreja e, mais, que destes meninos saiam os futuros acólitos instituídos para o serviço na paróquia. 

Seminaristas servem como turiferário, naviculário e ceroferários na procissão do Evangelho

A esse ponto vemos que a nossa realidade foge muito dessa proposta. Se por um lado as dioceses insistem em reservar para os candidatos às ordens sacras os ministérios de leitor e acólito; por outro as paróquias quase não tem coroinhas e quando os tem, não é muito comum que seja um grupo formado de meninas.

A realidade de muitas paróquias é o largo uso de Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística. Este é um ministério não é em si mal, pode inclusive ser útil à comunidade. Mas o uso que se faz atualmente deste ministério é uma verdadeira perversão da participação do leigo na liturgia. Esse ministério é visto como instituído sendo confiado aos leigos de maneira ordinária e permanente, contrariam as recomendações do Beato Papa João Paulo II  que diz, na Redemptionis Sacramentum, que os ministros extraordinários são “ministérios de mera suplência” (152) que devem existir “somente por verdadeira necessidade” e “não está previsto para assegurar uma plena participação aos leigos, mas sim que, por sua natureza, ou suplementação e provisoriedade”(151).

 O ponto mais alarmante é, todavia, que estes ministros precedem os coroinhas e os próprios acólitos instituídos na função que deveriam ser deles. Realiza-se inclusive o tremendo abuso litúrgico de dar aos MECE no rito de sua instituição tocar a âmbula com o pão a ser consagrado, como na instituição dos acólitos.
Acólito instituído purifica os vasos sagrados ao fim da comunhão

O Beato diz ainda, no mesmo documento, que “onde, por necessidade, recorra-se ao serviço dos ministros extraordinários, multipliquem-se especiais e fervorosas petições para que o Senhor envie um sacerdote para o serviço da comunidade e suscite abundantes vocações às sagradas ordens.”. E as nossas comunidades vão exatamente na contra-mão disso: faz-se uso desses ministérios sem necessidade. Em vez que se promover práticas para que suscite vocações como os coroinhas uma vez que “do conjunto destas crianças, ao longo dos séculos, tem surgido um número considerável de ministros consagrados” (47), pratica-se o oposto substituindo-se tais grupos pelos MECE.

Nesse sentido, as paróquias e dioceses são chamados a deixar de pegar este "atalho" e pôr em prática a proposta da reforma litúrgica de formar e instituir acólitos e leitores, bem como promover os grupos de coroinhas meninos para o bem vocacional da diocese e para que sejam formados a longo prazo os futuros ministros instituídos.


Vários acólitos à frente do altar na Basílica de São Pedro

A cerca da instituição desses ministros é útil saber que sua instituição é permanente e universal, para toda a Igreja. Seguem as regras descritas pelo Cân. 230 § 1 e regulamentado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Para serem instituídos acólitos ou leitores os candidatos devem ser homens, maiores de idade e ainda que:

Demonstrem maturidade humana e vida cristã  exemplar.
2   Tenham firme vontade de servir a Deus e participem, há algum tempo, de atividades pastorais, numa comunidade eclesial, na qual sejam bem aceitos.
3    Estejam preparados, doutrinal e praticamente, para exercerem conscientemente  o seu ministério.
     Façam seu pedido ao Ordinário próprio, livremente e por escrito, e, se casado, com o consentimento da esposa.

Uma vez que tenham recebido a devida formação e tenham seu pedido sido aceito pelo Bispo, é-lhes concedido o ministério por meio de rito litúrgico. Este rito já não mais se chama ordenação e, naturalmente, não constam mais os ritos da procissão ou ladainha de todos os santos. É um rito mais simples; que mantém todavia a entrega do livro ao leitor e do recipiente com o pão ou o vinho ao acólito. A instituição de acólitos se faz dentro da missa e a de leitor da missa ou da celebração da palavra. Não se permite instituir no leitorato e acolitato um mesmo ministro na mesma celebração, mas deve-se respeitar um intervalo entre a recepção de um e outro ofício, regulamentado pelo direito. É válido lembrar, ainda, que estes ministérios não dá direito ao sustento ou à remuneração por parte da Igreja.

Uma vez recebido o ministério são funções do leitor fazer as leituras da missa, na falta do salmista, recitar o salmo entre as leituras e, na falta do diácono, enuncia as intenções da oração universal. O acólito pode levar a cruz na procissão de entrada, durante toda a celebração aproxima-se do diácono ou do sacerdote para lhes apresentar o missal ou lhes servir no que for preciso. Na liturgia eucarística prepara o altar e, se for o caso, leva para o altar o pão e o vinho levados pelos fiéis. Entrega o turíbulo ao sacerdote, na ausência de diácono e incensa o sacerdote e o povo. O acólito, por sua própria instituição é ministro extraordinário da comunhão, segundo o Cân. 910 § 2. Ao fim da comunhão o acólito pode purificar os vasos sagrados.

A Igreja, toda ela ministerial, nunca esteve tão longe da nós e justamente quando as estruturas canônicas e litúrgicas permitem uma tão ativa participação do leigo na liturgia. É vergonhoso que dioceses que elogiam o Concílio Ecumênico Vaticano II de uma maneira tão enfática, não se proponham a usufruir da riqueza dos ministérios litúrgicos. Os clérigos que dizem que a Igreja era clericalista no pré-concílio são os primeiros a dizer que ministério instituído é "coisa de seminarista". E continuamos tomando os caminhos mais fáceis, fazendo "missa das crianças" em vez de educá-las no serviço do altar, conceder ministérios "provisórios" de forma permanente, fugindo do verdadeiro Espírito da Liturgia.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Hierarquia e Ministério II

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O Concílio Ecumênico Vaticano II quis, pelo bem da Igreja Latina, reformar a disciplina das antigas ordens menores no sentido de que voltassem a ser ministérios leigos. Muito se fala do clericalismo presente na Igreja antes do Concílio e, mais precisamente, antes do Movimento Litúrgico do século XX. Para entendermos melhor como era de fato a realidade e como isso se traduzia em relação aos ministérios litúrgicos precisamos entender o que eram as ordens menores e o sub-diaconado, bem como as reformas que aconteceram e a criação dos ministérios. Neste post trataremos das ordens da forma extraordinária, no próximo dos ministérios da forma ordinária.
A Hierarquia da Igreja constituía-se das ordens maiores e das ordens menores. As ordens maiores eram quatro: dos Bispos, dos presbíteros, dos diáconos e dos sub-diáconos. Vale notar que as três primeiras são ordens no sentido sacramental da palavra, isto é, existem por seu vínculo com o sacramento, sendo portanto imutáveis em sua essência. O sub-diaconato, embora na igreja latina fosse considerado ordem maior, é considerado ordem menor no oriente, algo que reflete melhor sua real natureza. Esta ordem não é instituição divina, de tal forma que quando o Bispo confere o subdiaconato a um fiel, faz na realidade um sacramental e não um verdadeiro sacramento; embora na forma extraordinária chama-se “ordenação” este rito.

Ordenação de subdiáconos
O sub-diaconato, como já dissemos no outro artigo, desempenhava um papel muito importante na missa solene, que se definia como missa com diácono e subdiácono que vestiam, salvo em tempos de penitencia, dalmática e tunícela, respectivamente. O sub-diácono usava ainda o distintivo das ordens maiores, isto é, o manípulo. Este paramento era notadamente omitido quando se permitia, na falta de algum clérigo da ordem dos subdiáconos, que um acólito desempenhasse tal função.

 Procissão de entrada, o subdiácono carrega a cruz processional em meio aos acólitos.
Vale lembrar que existem, na atualidade, paróquias que celebram a forma extraordinária do Rito Romano em meio a uma estrutura canônica relacionada à forma ordinária, a Santa Sé permite então que um acólito, instituído segundo a forma ordinária do Rito, oficie como subdiácono, segundo a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei (Prot. No. 24/92, 7 de junho de 1993), mantendo-se a omissão do manípulo, mas extinguindo-se todas as demais restrições, como enxugar os vasos sagrados e colocar a água no cálice, dado que aos acólitos instituídos atualmente são permitidos. Ressaltemos ainda que a Santa Sé não proíbe que o acólito da forma ordinária vista a tunícela, enquanto realiza as funções de subdiácono; nos parece que não seria nenhum absurdo que a autoridade competente aprovasse seu uso também para os acólitos na forma ordinária.

 Carta da Comissão Eclesia Dei, clique para ler.
As ordens menores eram 4: dos acólitos, dos exorcistas, dos leitores e dos ostiários. Essas ordens se recebiam por sacramental, como os subdiáconos e também recebiam o nome de ordenação. Era costume que numa mesma missa se realizasse várias ou até mesmo todas as ordenações menores e ainda a de subdiácono.




O ostiário recém ordenado trancando uma das portas da igreja

Os hostiários, menor de toda as ordens, são os porteiros, que tem o dever de abrir e fechar as portas da igreja, excluir da igreja os indignos e tocar o sino para chamar os fiéis; esta ordem já é citda pelo Papa Cornélio em carta escrita próxima ao ano 251. Em sua ordenação o ostiário recebe as chaves da Igreja e o Bispo lhe adverte que deve prestar contas a Deus acerca do que fecha com tais chaves. 

Ostiário tocando o sino no rito de ordenação
A ordem dos leitores é tida como a mais antiga das ordens menores, tendo seu início na necessidade da leitura dos textos sagrados e posteriormente passando esta tarefa àqueles que se preparavam para receber o sacramento da ordem, constituindo-se assim uma ordem menor. Na sua ordenação o Bispo lhe entrega o livro contendo o texto sagrado.

Bispo dando o livro para os leitores tocarem durante o rito da ordenação
 
O exorcista é o antigo ministério da expulsão dos demônios, que todavia foi cedido aos sacerdotes. Enquanto ordem menor tem como funções mandar sair da igreja no momento em que se inicia a liturgia eucarística os não-comungantes, isto é, os catecúmenos que ainda não receberam este direito e os excomungados que o perderam, além de algumas outras funções litúrgicas. Na sua ordenação recebe do Bispo o livro dos exorcismos, cujas fórmulas o Bispo lhe recomenda que saiba de cor.
O acolitato é o mais alto grau das ordens menores é o primeiro servo das ordens maiores, a eles cabiam acender a luz das igrejas, servir como ceroferário, de levar a água e o vinho para o altar, tanto que em sua ordenação recebia dois objetos: um castiçal apagado para acender e uma galheta vazia para encher. 


Bispo dando o castiçal para o acólito tocar no rito de sua ordenação
 
Segundo o direito canônico antigo, todas estas ordens eram clericais, sendo seus integrantes clérigos diante do direito canônico comungando de privilégios e obrigações. Todavia, não se entrava no estado clerical pela recepção da primeira das ordens, mas por um outro rito ainda: a primeira tonsura, realizada também de maneira litúrgica pelo Bispo.

Bispo realizando o rito da tonsura 
 
Vemos assim que todas essas ordens e também a primeira tonsura constituíam uma verdadeira escada para o sacerdócio. Uma escada verdadeiramente formosa e bela, de muitos degraus, todos eles com uma origem muito antiga. Todavia, muitos desses degraus já não mais representavam um ofício litúrgico do ponto de vista prático e, como se eram muitos ao longo da formação do sacerdote, eram ocupados por um curto período de tempo. 
O Servo de Deus Padre João Batista Reus diz em seu curso de liturgia que a primeira tonsura não se deve conferir antes de ter iniciado o curso teológico; o subdiaconato se recebia no fim do terceiro ano de teologia, o diaconato no início do quarto e o presbiterado no meio deste mesmo ano. Restam então um espaço de apenas 3 anos para 4 ordens menores. Como o direito canônico previa que o clérigo devesse permanecer durante 1 ano no acolitato, durante os dois outros anos o clérigo que recebeu a primeira tonsura passa pelas outras três ordens menores. Os clérigos menores corriam na escada!
 
Representação alegórica das ordens menores e maiores e a tonsura

Mais ou menos o que acontece, na forma ordinária, em algumas dioceses, cujos clérigos custam permanecer os seis meses que o Direito Canônico exige na ordem do diaconato antes de serem ordenados presbíteros. 
Esse pouco espaço de tempo impedia que houvesse estabilidade nessas ordens, não apenas nas menores, mas também no subdiaconato e diaconato, tornando corriqueiras e necessárias as substituições. Veja que com os clérigos exercendo o ministério por menos de um ano completo, toda a diocese ficava sem, por exemplo, leitores durante parte do ano entre o período em que uma turma recebia o ministério de exorcista e o momento em que a próxima recebia o ministério de leitor. 
Também semelhante às dioceses que não tem diáconos permanentes e que mantém os clérigos na ordem do diaconato durante seis meses (ou menos!). É apenas o mesmo problema, que o Concílio se propôs a resolver, se repetindo 50 anos depois do seu encerramento.
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