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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Para os coroinhas


É muito comum que se refiram à batina usada sob a sobrepeliz por coroinhas como "túnica" preta ou vermelha. Chegando a dizer que a batina é algo clerical e por isso mesmo inapropriado aos coroinhas. Isso é um equívoco. Em primeiro lugar por que aqueles que servem à liturgia, embora não sejam clérigos, se equiparam a eles; usam vestes clericais como a batina e a sobrepeliz e têm lugar no presbitério. 

Não é incomum ou mesmo errado que por vezes essa batina seja um modelo simplificado, sem todos os detalhes daquelas usadas pelos clérigos. Isso não quer dizer que parte da batina seja proibida aos leigos, como a faixa ou o colarinho. A batina é clerical em toda a sua extensão; e justamente por ser clerical que só permite seu uso aos leigos durante as celebrações e nunca fora delas. A proibição de partes da batina aos coroinhas é ilógica e não encontra eco na tradição.

Sobre o colarinho romano em particular, é comum associar a ele toda a clericalidade das vestes sacerdotais. Algo que se pode entender, afinal de contas as camisas 'clergyman' são mais comuns que as batinas no nosso país, mas nada que tenha uma lógica histórica. Afinal de contas, as batinas já existiam muito antes do colarinho e, mesmo na atualidade, o formato das golas das batinas são bastante variáveis.

São Felipe Neri, com a batina sem o modelo romano do colarinho

Chega-se ao ponto de chamar de colarinho romano apenas aqueles usados pelo padre. O "branco" do pescoço dos coroinhas, é "amito". Outro equívoco. O amito é um paramento, usado SOBRE a batina e nunca sob ela. Faz-se uso do amito com a alva e, na forma extraordinária, por vezes também com a sobrepeliz. 

A parte irônica nesse pavor de clericalizar os coroinhas é que o tiro sai pela culatra. O amito é muito mais clerical que o colarinho romano uma vez que o colarinho é de uso comum aos coroinhas, enquanto que o amito, na forma extraordinária, é algo de uso exclusivo das ordens maiores, havendo inclusive o rito de entrega do amito pelo Bispo aos subdiáconos.

Clérigo vestindo o amito sobre a batina, antes dos demais paramentos.

Os responsáveis pelo ministério de coroinhas não devem ter medo de clericalizá-los por essas vestes. Séculos de tradição litúrgica e pastoral da Igreja deixam claro que não existe nada errado com elas!
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