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sábado, 8 de novembro de 2014

Arquibasílica do Santíssimo Salvador



História
Na região do monte Célio, em Roma, também conhecido como latrão fora construído um palácio  para a mulher do Imperador Constantino que, depois da conversão do imperador passou a servir de morada aos papas desde os tempos antigos até o cativeiro de Avignon. Não se localiza propriamente no centro da cidade antiga, mas bem próximo aos muros aurelianos que delimitavam-na.



Por uma questão de conveniência, esta mesma região foi escolhida para abrigar a catedral da diocese de Roma a ser construída no século IV depois do édito de Milão. A basílica primitiva conhecida como Basilica Aurea, foi construída tendo a faixada voltada para o oriente e a abside para o ocidente, o oposto das tradicionais igrejas medievais. A basílica antiga já brilhava em grandeza e arte, possuía 5 naves separadas por colunas, com clarestórios. Sua arquitetura original sofreu muitos restauros em função das agressões do tempo e de vândalos, entre os quais se destaca aquela feita a mando do Papa Adriano na páscoa de 744, quando ali foi batizado Carlo Magno. Todavia, devido a um terremoto no ano de 896 o teto veio a baixo, sendo necessária uma completa reconstrução da basílica.




A segunda basílica, da baixa idade media, foi construída respeitando as proporções da antiga e dedicada no início do século X, foi também nessa época que a catedral ganhou o Batistério que fora dedicado a São João Batista, que passou a ser co-titular também da catedral. No século XII o Papa Julio II dedicou a São João Evangelista o Palácio Lateranense, acrescentando-o ao grupo dos co-titulares da catedral. Desse período até o século XIV a Catedral de Roma ganhou inúmeras obras de arte como mosaicos e túmulos. O fim da imponência desta igreja chegou com o cativeiro de Avignon, quando o complexo do latrão se viu em completo abandono. Até que na noite de 6 de Maio de 1608 a basílica foi quase que completamente destruída por conta de um incêndio.


A terceira basílica, alta idade media, mantinha a estrutura básica das antigas, mas embora se enviasse de Avignon a Roma algum dinheiro para a construção da basílica, as tentativas de manter a beleza de outrora eram insuficientes. A grande novidade na construção desta basílica foi a inserção do transepto, uma nave perpendicular às principais que fazia a igreja ganhar o formato de cruz latina. Assim a planta da basílica do latrão, por influência de São Paulo fora dos muros, passou a ser também em cruz. Também foi acrescentado ao altar um grandioso cibório com os bustos dos apóstolos Pedro e Paulo.



O fim da terceira basílica se deu quando o Papa Inocêncio X decidiu por confiar a Barromini a reforma da igreja. A quarta basílica, a atual, foi construída de Inocêncio X até clemente XII, quando foi terminada a faixada, projeto de Alessandro Galilei. Das basílicas medievais restaram apenas o chão, o cibório e os mosaicos próximos à catedra do Papa.
Títulos

 O título completo desta igreja é "Sacrossanta Catedral Papal Arquibasílica Romana Maior do Santíssimo Salvador dos Santos João Batista e Evangelista no Latrão, mãe e cabeça de todas as igrejas da Cidade (Roma) e do Mundo". Trata-se da Catedral de Roma, umas das quatro basílicas maiores da mesma cidade e a única com o título de arquibasílica, superando assim todas as demais igrejas no mundo, mesmo a Basílica Papal de São Pedro no Vaticano. Sua dedicação é a única celebrada em todo o mundo de rito romano a título de festa do senhor, tendo precedência inclusive sobre a liturgia dominical do tempo comum. Apesar de todos esses títulos, a Arquibasílica não é matriz paroquial, a dita Paróquia do Santíssimo Salvador tem como matriz uma capela anexa ao batistério da catedral, para uma melhor manutenção da vida paroquial.

Arquitetura e Arte Sacra

A Arquibasílica é riquíssima em arte e arquitetura sacra, descacam-se a faixada de estilo renascentista onde se notam três níveis básicos: os portões que dão para o átrio, a loggia e a cobertura onde estão diversas imagens de santos, dentre as quais a mais proeminente é a do Cristo com a Cruz, símbolo da Salvação. Entre os portões que dão acesso ao átrio se encontra a inscrição de "Mater et Caput..." e também as claves com a umbella.



Existe ainda uma faixada lateral, menor, de onde se pode sair da igreja em procissão ao batistério ou chegar à praça João Paulo II onde se encontra o Obelisco. Essa segunda entrada possui também um segundo átrio, decorado não com escultura como o principal, mas com pintura. Sobre este átrio encontra-se uma loggia igualmente decorada e ainda o campanário com os sinos da igreja.




No interior, as quatro naves laterais são decoradas com figuras angélicas alternadas, nessas naves se encontram os confessionários em madeira, todos identificados com as armas papais, o triregnum e as chaves, e as inscrições relativas à arquibasílica. Também se encontram ali as entradas para as muitas capelas laterais. A nave principal e o transepto possuem um pé direito mais elevado e também uma decoração muito mais pesada, baseada em símbolos litúrgicos esculpidos em material dourado sobre um fundo que se alterna entre o vermelho e o azul.





A lateral da nave principal possui esculturas representando os doze apóstolos feitas por diversos artistas, mas mantendo um mesmo estilo e dimensões, São Pedro e São Paulo ocupam a posição principal, próximos ao altar.


À frente do altar se encontra uma pequena "confessio" onde se encontra o túmulo do Papa Martinho V. O altar propriamente dito se encontra um baldaquino que abriga o busto dos apóstolos Pedro e Paulo. É um baldaquinho proveniente da terceira basílica de estilo gótico e por isso mesmo de dimensões muito mais reduzidas em relação àquele de São Pedro.


Na parte do fundo da nave central, atrás do transepto se encontra o elemento que confere a essa igreja tamanha dignidade: a catedra romana. Sobre uma quantidade considerável de degraus, em meio ao coro de madeira, a cátedra do Bispo de Roma.


 No transepto, do lado do evangelho se encontra o "Altar do Sacramento", um belíssimo altar com relicário e sacrário e um baldaquino unido à parede do fundo, ocupando o espaço do antigo órgão. No lado da epístola o órgão novo sobre o acesso ao átrio lateral. Uma atração que se pode ver por toda a igreja é o chão, uma das poucas partes da igreja que sobreviveram às agressões do tempo.


Das muitas capelas que a Igreja possui, uma que chama a atenção é a Capela de São Francisco de Assis, onde é reposto o santíssimo sacramento após a Missa na Ceia do Senhor da Quinta-feira Santa.



 Diferente das outras basílicas papais, o batistério da arquibasílica se encontra em um edíficio que, embora próximo, é separado. Neste edifício se encontram além da pia batismal, cinco altares. 



Vida Litúrgica
A Igreja Lateranense possui uma vida litúrgica intensa, oferendo diariamente pelo menos oito missas, um número ainda maior nos dias festivos. Existem na igreja doze confessionários onde os padres franciscanos atendem diariamente confissão em dez idiomas: polonês, italiano, espanhol, romeno, alemão, russo, francês, irlandês, português e inglês. Além disso, existe adoração eucarística todos os dias, com bênção eucarística duas vezes por dia: ao meio dia e às cinco da tarde.

Tomada de Posse da Catedra Romana
Embora o início do ministério do Bispo de Roma não se inicie com a sua posse na Catedral, a primeira visita do Papa à sua catedral e o simbólico gesto de sentar na cátedra se mantém como um dos mais importantes do início do pontificado. O rito bastante simples constitui em uma visita do sucessor de Pedro à arquibasílica e, no início da celebração eucarística, com mitra e báculo sobe os degraus da abside e se coloca no posto símbolo de sua autoridade suprema na Igreja. À seguir juram obediência ao Papa alguns representantes das diferentes classes de fiéis da diocese de Roma.








Inscrições que marcam a dedicação da Catedral pelo Papa Inocêncio X no ano jubilar de 1650.
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