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sábado, 25 de julho de 2009

Pastoral do Pano!

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Espalhou-se pelas sacristias paroquiais um novo jargão eclesiástico, possuindo como finalidade definir um tipo muito "característico" de seminarista, era criada assim a "pastoral do pano" e obviamente os "seminaristas do pano”.

Usando de uma perspectiva caricata certos padres demonstrando aversão pela atual atitude religiosa dos pretendentes ao sacerdócio, que não possuem mais valores morais ou utopias sociais, mas preocupam-se com rendas encontradas na "25 de março" (rua comercial em São Paulo) e os mais novos modelitos eclesiásticos que circulam pelo bairro de Santa Cecília. (emitimos o nome da famosa grife paulistana para não sofrermos as penas legais por uso impróprio)

Infelizmente, as duas posturas possuem bases muito sólidas e exageros mais que notórios. Qual seria em sã consciência o padre que perderia metade de seu dia escolhendo bordados, alamares, tecidos italianos ou forros canadenses? Alguém com uma clara percepção de que o centro de toda a liturgia é ele, quem deve brilhar é ele e como ele não pode sair por aí desfilando uma Channel no braço ele coloca uma renda carregada de frustrações por baixo da casula altamente bordada.

Esperem caros leitores do SL! Minha senha não foi roubada e quem escreve não é um adorador de Boff encerrado em alguma taberna marxista por esse mundo afora. Quem escreve é alguém que diante de extremos mais que desnecessários sente-se incomodado e impelido a soltar algumas palavras.

Qual seria o sacerdote que em pleno uso de suas faculdades usaria durante três meses a mesma túnica, sempre suja e já com aquele cheiro muito bem definido ou ainda aquela estola com todas as cores litúrgicas e ao mesmo tempo sem ter nada de litúrgica? Quem usaria em todas as Santas Missas as mesmas alfaias ou jamais teria em seu armário uma casula? (visto que no Brasil sempre faz calor! Alguém me explica o frio de São Paulo então!)

Explico onde quero chegar caro (a) leitor (a), a linha que separa a Pastoral do Pano e a Heresia do Desleixo é muito tênue e translúcida, sendo facilmente ultrapassada por quem quer que seja. Aqueles que acusam a existência de uma escrupulosa preocupação na Pastoral do Pano, podem estar nadando a braços largos na Heresia do Desleixo e por sua vez aqueles que indicam com voz clara a falta de rendas e brocados dourados em certos sacerdotes praticantes da Heresia do Desleixo, podem do mesmo modo, estar de braços dados com a vaidosa Pastoral do Pano.

Não venho trazer o mapa de onde se encontra o Santo Graal e muito menos o endereço da famosa grife eclesiástica, venho expor da maneira mais clara possível (e espero não desrespeitar os leitores) a dor que me atinge ao ver como é raro ver uma situação onde o "bom" das duas situações esteja em harmônica consonância. Comum é ver seminaristas que gastam centenas em alvas sempre mais brocadas e bordadas, cíngulos sempre mais brilhantes e caros, batinas para cada estação do ano e não possuem sequer uma Bíblia para estudo ou um livro de espiritualidade que os acompanhe.

Muito menos raro é ver padres e seminaristas "sociais" com livros e livros espalhados por onde passam (livros nem sempre bons), discursos sociais lançados durante o café da manhã ou quem sabe durante o intervalo das aulas, e durante uma Santa Missa aparecem com uma túnica amassada, amarelada e o pior de tudo, fétida. Desejam a igualdade e mal conseguem respeitar a igualdade de narinas que o bom Deus deu a cada ser humano.

Triste ver um grupo discutindo sobre paramentos caros e todo o resto e quando questionados sobre alguma parte doutrinária ou ensinamento espiritual, sobre partes da Sagrada Escritura, mais que rapidamente mudam de assunto! Ou aqueles outros sociólogos de porta de Igreja, quando perguntados sobre qualquer coisa referente ao culto, lançam a pergunta para o grupo precedente, (que obviamente bem longe se encontra)

Tarefa nossa é demonstrar que barretes não escondem cabeças vazias e caridade com o próximo sofredor não implica em permanecer sujo durante a Santa Missa. Queremos o que a Igreja tem para nos dar e não o que as misérias humanas insistem em dispensar a bel-prazer, nossa geração quer ser como foram os verdadeiros santos, o piedoso São Felipe Neri que não deixava de fazer caridade para não sujar a batina, São Francisco de Assis que fazia caridade e não se via impedido de usar o hábito.

A ausência de utopias que nos acusam é divertidamente ilógica, ela está impressa nos mais belos vitrais, nas mais belas colunas góticas, nas ogivas que protegem a assembléia, nos santos paramentos que esperam por quem os use em vitrines de museus, nos mosteiros convertidos em hotéis de luxo, nas Igrejas vendidas para supermercados, nos padres esquecidos em asilos, nas verdadeiras obras de caridade que estão esquecidas, na misericórdia vivida plenamente e descrita nas mais simples hagiografias.

"Quem tem olhos veja".

Mostrar que o zelo pela Sagrada Liturgia não acaba em si, mostrar que o "sofrido povo de Deus" tem direito ao belo e digno é mais que necessário. Casulas realmente não enchem barrigas, mas piquetes também não glorificam ao Deus Eterno.

A Beleza do Canto Gregoriano

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Abadia Cisterciense Stift Heiligenkreuz em Viena - Áustria


O Papa já se hospedou neste mosteiro, que é um dos mais lotados da Europa (tem cerca de 80 monges).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Minha Segunda Primeira Missa

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Presidindo a Liturgia no rito antigo

Em 23 de setembro cruzei o corridor central de nossa paróquia, fiz a genuflexão e o sinal da cruz enquanto dizia : “In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.” Assim começou minha primeira Missa de acordo com o Missal Romano de 1962 mais de 22 anos depois de minha primeira experiência celebrando a Eucaristia.

Quando o Papa Bento XVI publicou a carta de 7 de julho eliminando a maioria das restrições para o uso da dita Missa Tridentina, minha reação oscilou entre uma leve irritação (Isso vai criar conflito? Como vamos prover tais Missas?) e vago interesse (Será que há algum tesouro escondido na Antiga Missa?).

Em uma semana, as cartas começaram a chegar. Alguns exigiam Missa em latim todo domingo, insistindo que o Papa havia “ordenado” sua celebração regular. Outros eram mais razoáveis. Em agosto, tive uma reunião com uma dúzia de paroquianos que queriam a Missa. O encontro “esquentou” quando eu expliquei a eles que nunca tinha celebrado a Missa “antiga” como sacerdote, e tinha servido nesse tipo de Missa como coroinha somente por dois anos antes que tudo mudasse. Alguns pensaram que eu estava fingindo ignorância para evitar atendê-los.

Alguns dias após o encontro, eu consegui um Missal de 1962, dei uma olhada e concluí, relutantemente, que eu sabia mais latim do que tinha imaginado. Minhas objeções e minha rabugice original desmontavam sob a força da minha própria auto-imagem pastoral, amplamente formada pelo Concílio Vaticano II. Como promotor da diversidade e do pluralismo na Igreja, como poderia eu me recusar a lidar com uma forma litúrgica aprovada? Como pároco que tenta dar uma resposta a pessoas alienadas pelo que eu percebia como um rígido conservadorismo da Igreja, como eu poderia dar as costas a pessoas alienadas por padres como eu – párocos progressistas do “baixo clero” sem ouvido para a piedade tradicional? Um exame de consciência revelou um desequilíbrio na minha abordagem pastoral: uma abertura de bom grado à esquerda (como feministas, defensores do ‘direito de escolha’, casais em união informal e católicos seculares) e um ceticismo instantâneo para com a direita (tradicionalistas).

Uma vez decidido a oferecer a Missa Tridentina, iniciei o árduo processo de recuperar – e reforçar – minha gramática latina e meu vocabulário para que eu pudesse celebrar a liturgia de uma forma inteligível e devota. Enquanto estudava os textos latinos e rituais intrincados nos quais nunca havia prestado atenção enquanto jovem, descobri que a teologia e a espiritualidade sacerdotal do rito antigo eram exatamente o oposto do que eu esperava. Enquanto eu procurava por uma espiritualidade do “sumo sacerdote / rei da paróquia”, encontrei, ao invés disso, uma espiritualidade do “instrumento indigno a serviço do povo”.

As rubricas excessivamente detalhadas do antigo Missal me fizeram sentir como uma mera máquina, esvaziada de personalidade; porém, pensei, isso é tão ruim assim? Eu de fato me senti liberado de uma constante necessidade de desempenhar, de estabelecer conexão, de ser sempre o celebrante “legal”. Quando eu vi uma foto da antiga Missa latina em nosso jornal local, eu subitamente reconheci a habilidade engenhosa do rito em “encolher” o sacerdote. Visto do balcão do coral, eu era uma mera mancha verde, pequena, perto do grande altar. O foco estava não no sacerdote, mas na reunião das pessoas. E essa não é uma imagem válida da Igreja, o povo de Deus?

O ato de rezar o Cânon Romano vagarosamente e em voz baixa reforçava minha própria pequenez e mera instrumentalidade mais que tudo. Arrastando-me pelas primeiras cinquenta e tantas palavras do Cânon, senti uma intensa solidão. Enquanto prosseguia, no entanto, também ouvia o absoluto silêncio atrás de mim, 450 pessoas de todas as idades rezando, todas ligadas misteriosamente às palavras que eu pronunciava e às ações rituais que eu hesitante e desajeitadamente desempenhava. Em seguida à consagração, eu tive uma experiência paradoxal de intensa solidão ao contemplar o Sacramento e um inexplicável sentimento de solidariedade me conectando à multidão atrás de mim.

Por mais que eu valorize esta experiência, devo confessar que me senti desconfortável, duro, não eu mesmo. Algumas das rubricas, como não usar os polegares e indicadores depois da consagração, a não ser para tocar a hóstia, me paralisaram. Como estilo, realmente não combina comigo (também não me imagino usando renda). Mas, como padre, preciso me adaptar a muitos estilos e desempenhar muitas tarefas custosas. Porque nesse caso seria diferente? Talvez tenhamos aqui uma nova forma de ascética sacerdotal: adaptação pastoral pelo bem de poucos.

Meu relutante envolvimento com a Missa em Latim não minou minha espiritualidade sacerdotal, nascida do Vaticano II. Ao contrário, complementou e reforçou o ensinamento conciliar de que o padre é um instrumento de Cristo chamado a servir a todos, independentemente de estilo litúrgico ou teológico. No fim das contas, pouco importa se a Missa é em Latim ou Vernáculo, se vejo as pessoas rezando ou ouço o seu silêncio. Claro, tenho minha preferência, mas o serviço deve sempre vir à frente disso.

Pe. Michael Kerper é pároco da Paróquia Corpus Christi em Portsmouth, Diocese de Manchester, New Hampshire (NH).

Texto original em Inglês: americamagazine.org

quinta-feira, 16 de julho de 2009

BEATISSIMÆ VIRGINIS MARIÆ DE MONTE CARMELLO

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TITULARIS ET PATRONÆ TOTIUS ORDINIS CARMELITARUM



Flos Carmeli
vitis florigera,
splendor coeli,
Virgo puerpera, singularis.

Mater mitis,
sed viri nescia
,
Carmelitis

esto propitia, Stella maris.

Radix Iesse
germinans flosculum,
nos adesse
tecum in saeculum p
atiaris.

Inter spinas
quae crescis lilium
serva puras

mentes fragilium, tutelaris!

Armatura
fortis pugnantium
furunt bella,
tende praesidium scapularis.

Per incerta
prudens consilium,
per adversa
iuge solatium largiaris.

Mater dulcis
Carmeli domina,
plebem tuam
reple laetitia qua be
aris.

Paradisi

clavis et ianua,
fac nos duci
quo, Mater, gloria coronaris.
Amen.




Flor do Carmelo
Vinha florígera,
Celeste velo,
Virgem frutífera,
és singular.

Doce e bendita,
ó Mãe puríssima,
aos carmelitas,
sê tu propícia,
Estrela do mar.

Raiz de Jessé,
de brotos floridos,
queiras, feliz,
ao céu dos séculos
nos elevar.

Entre os abrolhos,
viçoso lírio,
guarda de escolhos,
o frágil ânimo,
Mãe tutelar.

Forte armadura
Frente o adversário,
Na guerra dura,
o escapulário
vem nos guardar.

Nas incertezas,
conselho sábio;
nas asperezas,
consolo sólido
queira nos dar.

Mãe de doçura
do Carmo régio
sê a ventura
que o povo, em júbilo,
faz exultar.

Do paraíso,
és chave, és pórtico;
prudente guia,
a nós, de glória,
vem coroar. Amém.


Deus, qui beatíssimæ semper Vírginis et Genitrícis tuæ Maríæ singulári título Carméli Ordinem decorásti: concéde propítius; ut cuius hódie
Commemora-tiónem solémni celebrámus offício, eius muníti præsídiis, ad gáudia sempitérna perveníre mereámur. Qui vivis et regnas cum Deo Patri in unitate Spiritus Sancti Deus.


Allelúia, allelúia. Glória Líbani dáta est éi: décor Carméli, et Sáron. Allelúia.



quarta-feira, 15 de julho de 2009

Espiritualidade Sacerdotal

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"Sentai-vos no confessionário todos os dias, ou pelo menos duas ou três vezes por semana, esperando ali as almas como o pescador espera os peixes. A princípio, talvez não venha ninguém. Levai o breviário, um livro de leitura espiritual ou alguma coisa para meditar. Nos primeiros dias podereis aprovietá-los; depois virá uma velhinha e lhe ensinareis que não basta que ela seja boa, que deve trazer os netos pequeninos. Quatro ou cinco dias depois virão duas menininhas, e depois um rapazote, e depois um homem, um pouco às escondidas...Ao cabo de dois meses,não podereis rezar nada no confessionário, porque as vossas mãos ungidas, como as de Cristo - confundidas com elas, porque sois Cristo -, estarão dizendo:EU TE ABSOLVO"

"E a alegria de deixá-Lo ali, realmente presente, com o seu Corpo, com o seu Sangue, com a sua Alma e com a sua Divindade, a presidir a toda a vida cristã da paróquia, à espera de que vamos até Ele a dizer-Lhe que O amamos? Sim, o Sacrário tem de ser um ponto importante na vida do sacerdote; a limpeza, as flores, os paramentos sagrados:tudo, tudo. É preciso ir até li com carinho, com amor de mãe e, além disso, com fortaleza de pai, e como crianças pequenas que necessitam de ajuda emprestada de seu Pai-Deus."





São Josemaría Escrivá. in PRADA, O Fundador do Opus Dei
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