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quinta-feira, 11 de abril de 2013

A companhia de Deus e os dias da Páscoa


Uma das coisas oferecidas pela Liturgia ao fiel é a constante companhia do Senhor por meio da constante companhia da Igreja. Gosto de olhar o Missal (ou a Liturgia Diária, com freqüência na internet...) e especialmente a Liturgia das Horas e de constatar a inexistência de dias sem Liturgia; pode haver dia sem Missa, e ainda assim é um só, a Sexta-feira da Paixão do Senhor; nela, porém, tem lugar a Solene Ação Litúrgica em que se adora Jesus crucificado, com a riqueza dos Improperia, do Trisagion, do Ecce lignum Crucis, do simples e impressionante silêncio com que o sacerdote acede ao altar e dele se retira; não há, entretanto, um único dia sem Liturgia. Pelo contrário, tanto na Missa quanto no Ofício Divino, há datas nas quais se faz necessário consultar uma tabela específica para se decidir qual celebração deve ser realizada, porque coincidem duas ou mais. Por exemplo, a Solenidade da Anunciação do Senhor, normalmente em 25 de Março, no ano de 2013 cedeu seu lugar à Segunda-feira Santa. Sendo uma Solenidade, porém, não pode simplesmente ser omitida, sendo celebrada no dia livre mais próximo. Passada toda a Semana Santa, chega a Oitava da Páscoa, também soleníssima, e somente na Segunda-feira da Segunda Semana da Páscoa, em 8 de Abril, é que a Anunciação do Senhor se celebra liturgicamente em 2013.

A Igreja oferece a companhia do Senhor na Santa Missa e também no Ofício Divino, todos os dias, e no caso deste último o faz várias vezes ao longo do dia. O fiel não está sozinho. À hora de dormir, o católico abre seu breviário e vê as Completas, isto é: a Igreja não permite que durma sem poder ouvir a voz de sua Mãe. Não falo em obrigação de rezar o Ofício Divino (existente para os clérigos, mas não para os leigos), mas no fato de que Deus espera o homem a todas as horas, de diversos modos, e um deles é litúrgico e é na hora de se recolher, nas Completas; é na hora em que se levanta, nas Laudes; e em todas as outras horas canônicas. E sozinho também não está, este mesmo fiel, porque uma vez que recite um ofício, está em comunhão com a Igreja e com numerosos fiéis que recitam aquele mesmo ofício. Incluindo um católico do outro lado do mundo que já recitou o mesmo ofício doze horas antes.

Outro modo pelo qual a companhia do Senhor se faz presente é na adorável extensão das celebrações mais importantes. A Páscoa se comemora no Domingo de Páscoa. Porém, ensinam-nos, é apenas o primeiro de sete dias, e em todos eles se comemora a mesma Páscoa. Na Missa, o Gloria está extraordinariamente presente em todos esses dias; também em todos eles se pode cantar a seqüência Victimae Paschali Laudes (obrigatória no Domingo); o verso principal do Gradual, durante a semana toda, é Hoje é o dia que o Senhor fez para nós (o Haec dies). Mas que dia? O Domingo? A Segunda? Mas se canto assim em todos eles! Esse dia é maior que os outros, é um dia sem fim. Um dos modos de mostrar a ausência de fim desse dia é estendê-lo por sete. E que maneira maravilhosa de estender os sete dias prolongando-os até cinqüenta, para mostrar quão gloriosa é a Páscoa, e fazendo desse tempo o Tempo Pascal da Liturgia da Igreja. Há um dia de Páscoa, há sete dias de Páscoa, há cinqüenta dias de Páscoa, para tentar nos fazer entender um pouco melhor, dentro das nossas limitações, a imensidão desse acontecimento. Temos quarenta dias para o recolhimento quaresmal, temos cinqüenta dias para um outro tipo de “recolhimento” pascal.

Embora, depois de Pentecostes, esteja terminado o Tempo Pascal da Liturgia, não creio ser muito exato dizer que “volta” o Tempo Comum. Que bom seria não entrar no Tempo Comum como mero retorno dentro de um ciclo, mas como uma espiral se abrindo a cada ano, à luz da Quaresma e da Páscoa passadas.
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