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sexta-feira, 11 de junho de 2010

“Doce Coração de Jesus, faz com que eu te ame sempre mais!”


Conquanto a devoção ao Sagrado Coração tenha sólidos fundamentos nas fontes da Revelação, isto é, na Sagrada Escritura e Tradição, e conquanto o culto tributado ao amor de Deus Pai e de Jesus Cristo, através do símbolo do Coração transfixado do Redentor nunca esteve completamente ausente da piedade dos fiéis, só gradualmente tal devoção foi se difundindo, de modo público, entre o povo cristão e obtendo a aprovação oficial da Igreja.

Se é certo que essa devoção tomou forte impulso, sobretudo depois que o próprio Senhor revelou o mistério divino de seu Coração à Santa Margarida Maria, é igualmente certo que ao aprová-la, a Igreja não se fundamentou nas revelações particulares aos santos.


São Boaventura de Bagnoreggio foi quem teve a primeira visão do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria – foi quem cunhou estes nomes aos Corações ("Sagrado" e "Imaculado"). A tradição franciscana notou que na aparição, compôs a jaculatória usada ainda hoje: “Doce Coração de Jesus, faz com que eu te ame sempre mais!”

Mas é também um grande fato a célebre visão que teve Santa Margarida Maria Alacoque, em 4 de outubro de 1686, quando lhe apareceu nosso Senhor Jesus Cristo e lhe mostrou São Francisco, revestido de uma luz e de um esplendor inefável, elevado em um eminente grau de glória sobre os santos e unido àquela memorável palavra: “Eis o Santo mais unido ao meu Coração; toma-o como o teu guia!”


Em 1675 um padre secular (Eudes) obteve do Papa Clemente X a aprovação das confrarias do Sagrado Coração, e indiretamente a aprovação dessa devoção. Em 1765, o Papa Clemente XIII aprovou uma festa litúrgica do Sagrado Coração só para a Polônia e para Roma, mas os franciscanos já celebravam internamente na Ordem. Quase um século depois, em 1856, o Papa Pio IX prescrevia essa festa para toda a Igreja.

Na Ordem, durante o governo de São Boaventura, como Ministro Geral (1257-1274), no ano de 1263 recebeu da Santa Sé (do Papa Bento XII) a aprovação para a devoção. Porém, a consagração da Ordem só se deu em 1879. Dez anos mais tarde (1889), o Papa Leão XIII elevou à categoria de primeira classe (solenidade) a festa particular dos franciscanos e das confrarias, com a encíclica Annum sacrum.

Este mesmo Papa abriu a série das encíclicas sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Desde então, a voz dos Papas não cessou de enaltecê-la e recomendá-la: encíclicas, cartas apostólicas, discursos, vieram se sucedendo nos últimos tempos.

Assim, a Igreja vem oferecendo ao povo cristão um rico manancial de um profundo conhecimento de Cristo, a fim de despertar os fiéis para um amor mais sincero e ardente para o Coração do Verbo Encarnado, incitando-os, ao mesmo tempo, a imitar os sentimentos do divino Coração. O ato de desagravo ao Sagrado Coração de Jesus foi publicado, pela primeira vez, pelo Papa Pio XI, em 08 de Maio de 1928, com a carta Miserentissimus Redemptor.


Foi à Santa Margarida Maria que as promessas foram feitas e, por este mesmo motivo, mais estruturalmente organizada a solenidade. O motivo do tempo de comemoração remonta sempre à Santíssima Trindade e ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, isto é, terceira sexta-feira (memorial da sexta-feira da Paixão) depois de Pentecostes e o terceiro sábado, que remonta ao Sábado Santo – dia da “grande espera”. Nesta ocasião é oportuna e recomendada a oração da Salve Regina, em que invocamos a Virgem Maria como “Advogada nossa”; o termo “Advogado”, em grego, é traduzido por “Paráclito”, que tanto para a Igreja do Oriente, como do Ocidente é a terminologia própria para a Terceira Pessoa da Trindade – o Espírito Santo – o que novamente remonta a Pentecostes.

Ou seja, numa linha de sucessão de solenidades e festas, desde pentecostes, passamos pelos mistérios da Santíssima Trindade, do Corpo e Sangue do Senhor e, finalmente, do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Sua Mãe.

4 comentários:

  1. Frei, conhee a procedência dessa imagem da aparição do Sagrado Coração à S. Boaventura? Pelos traços me parece renascentista... gostaria de saber quem é o autor da pintura... =)

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  2. Rafael, esta imagem fica em Bagnoreggio - Itália, numa igreja do século XIX, que tem uma fachada neo-clássica. Historicamente, o lugar onde hoje se ergue o templo, havia outra igreja dedicada a Santo Ângelo. A partir do momento em que foi adquirida pela Ordem Franciscana, em 1632, foi dedicada a São Boaventura. Acima do altar maior é mantida a pintura do Sagrado Coração de Jesus e S. Boaventura, pintado por Frei Silvestre, da Ordem dos Carmelitas Descalços em 1874, por ocasião do sexto centenário da morte do santo padroeiro.
    A original, sem cortes:

    http://www.comune.bagnoregio.vt.it/percorso/quadrosbonaventura.jpg

    Abraço.

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  3. Obrigado pela resposta, Frei. Como a pintura é do século XIX, deve ser neoclássica então. =)

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  4. FÓRMULA PARA A CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS INDULGÊNCIADA POR S. PIO X:

    “Domine Iesu, Redemptor noster amantissime et Sacerdos in aeternum, nos supplices tuos, quos appellare amicos et sacerdotii participes facere dignatus es, propitius respice. Tui sumus; tui perpetuo esse volumus: ideo sacratíssimo Cordi tuo, quod tamquam unicum salutis perfugium lavoranti humano generi ostendisti, dedicamus nos hodie totos e addcicimus. Tu, qui sacerdotibus, Cordis tui cultorisbus, úberes divini ministerii fructus promisisti, fac nos, quaesumus, idôneos in vinea tua operários vere humiles et mites, spiritu devotionis et patientiae plenos, ita flagrantes amore tui, ut eumdem caritatis ignem in animis fidelium excitare et fovere non cessemus. Nostra igitur corda incêndio tui Cordis innova, ut iam nihil aliud studeamus, quam tuam promovere gloriam et animas tibi lucrari, quas pretioso Sanguine redemisti. Miserere, Pastor boné, praesertim socerdotum, fratrum nostrorum, si qui, ambulantes in vanitate sensus sui, te et dilectam Sposam tuam, Ecclesiam, lacrimabili defectione constristarunt. Concede nobis ad tuum complexum eos reducere, aut certe ipsorum expiare delicta, rsarcire damna, et dolorem, quo te affliciunt, amoris nostri consolatione minuere. Sine, denique, te quisque nostrum exoret his Augustini verbis: O dulcis Iesu, vivas tu in me ete concalescat spiritu meo vivus carbo amoris tui ete excrescat in ignem perfectum; ardeat iugiter in ara cordis mei, feveat in medullis méis, flagret in absconditis animae meae; in die consummationis meae consummatus inveniar apud te, qui cum Patre et Spiritu Sancto vivis et regnas Deus in saecula saeculorum. Amem.”

    Cf. Enchiridion ingulgentiarum, 1950, n. 744.

    P.S.: Se possível, poderiam traduzir essa oração?

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