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domingo, 11 de dezembro de 2011

Terceiro Domingo do Advento pelo Beato Cardeal Schuster

Hoje, Terceiro Domingo do Advento, publicamos o texto do Beato Schuster sobre este dia litúrgico, assim como nos dois Domingos passados trouxemos os textos respectivos escritos pelo Cardeal.

Beato Ildefonso [Alfredo Ludovico], Cardeal Schuster, OSB - do segundo tomo de Liber Sacramentorum - Notes historiques et liturgiques sur le Missel Romain: Terceiro Domingo do Advento. Estação em São Pedro.
Como não se tinha estação em Roma, o Quarto Domingo do Advento – devido às grandes ordenações de padres e de diáconos mense decembri, que ocorriam na noite precedente – esta terceira estação preparatória para o Natal era celebrada em São Pedro, com um insólito esplendor de ritos e de procissões que, no espírito da Igreja, deviam como que inaugurar as santas alegrias do ciclo da Natividade.
Tal é a semana dos grandes escrutínios e jejuns solenes que precedem as sagradas ordenações. É por isto que os fiéis se juntam ainda hoje ao redor da tumba do Príncipe dos apóstolos, para se assegurar de sua proteção celeste e compartilhar com o Pastor Ecclesiae o júbilo que inunda a alma do rebanho ao feliz anúncio da parusia próxima: Prope est iam Dominus [o Senhor está próximo].
O Papa se dirigia à basílica Vaticana na noite do Sábado e, assistindo às Vésperas, entoava a primeira e a última antífonas que lhe indicava um cânon. (...)
Ao capítulo vaticano cabia a obrigação de fornecer ao papa o jantar e a hospedagem na primeira parte da noite; esta não era longa, pois ofício da vigília devia começar pouco depois da meia-noite. O Papa, precedido pelos acólitos com tochas, incensava os altares dos Santos Leão I, Gregório Magno, Sebastião, Tibúrcio, Apóstolos Simão e Judas, da Santa Face, da Santa Virgem e do Santo Pastor. Feito isto, descia ao hipogeu da Confissão de São Pedro, e, depois de oferecer incenso sobre a tumba do apóstolo, começava o primeiro ofício da vigília. O clero cantava três salmos e três leituras da Escritura; em seguida, o decano entoava o Te Deum, o Papa recitava a coleta e assim terminava a primeira parte da salmodia noturna ad corpus.
Então, na mesma ordem em que tinha vindo, o cortejo voltava à basílica superior e, depois da incensação do altar sobre o qual repousava São Pedro, começava o ofício de Matinas propriamente dito. O rito se desenrolava sem particularidades especiais. Os cânones do Vaticano cantavam as lições do primeiro noturno; as duas primeiras do segundo noturno, extraídas da carta de São Leão I ao patriarca Flaviano, eram reservadas aos bispos; a terceira do segundo noturno e a primeira do terceiro noturno a dois cardeais; a penúltima ao chefe do capítulo vaticano e a última ao papa. O ofício da aurora vinha em seguida; o Pontífice entoava a antífona para o Cântico de Zacarias e recitava a coleta final.
A Missa estacional deste dia, precedendo imediatamente o ciclo do Natal, tinha, como dito, um caráter claramente festivo. Sabe-se que as novenas e os tríduos de preparação para as grandes festas são de origem posterior; na idade de ouro da liturgia, esses períodos que precediam a Páscoa e o Natal, estas missas de vigília e estas sinaxes estacionais nas basílicas mais veneradas da Cidade eterna tinham precisamente o propósito de preparar a alma dos fiéis e lhes obter do Céu a graça de percorrer frutuosamente as diversas solenidades do ciclo litúrgico.
Na Missa, o Papa entoava o hino angélico, que todo o clero cantava. Depois da coleta, os cantores, sob a direção dos cardeais-diáconos, dos subdiáconos apostólicos e dos notários, recitavam aclamações ou “Laudes” em honra do Pontífice, do clero e do povo romano. Este rito ainda se conserva na coroação dos Soberanos Pontífices. Realizado o santo Sacrifício, os diáconos coroavam o papa com a tiara e, todos retornando a seus assentos, faziam a solene cavalgada até o Latrão, onde ocorria o banquete. 
A cerimônia atual conservou bem pouco de todo esse ritual, de todo esse fausto esplendor. O júbilo realmente não é a nota dominante da sociedade moderna. Na Missa, ao invés dos habituais ornamentos violeta, os ministros sagrados se revestiam de rosa e o órgão inundava com suas harmonias as naves do templo. O ofício divino não sofreu alterações e conserva intacto seu primitivo caráter de festa, pleno de entusiasmo em razão da vinda próxima do Salvador.
O Introito provém da epístola de São Paulo aos Filipenses (4, 4) e se adapta bem à circunstância. O Senhor está próximo, e este anúncio inunda o coração de alegria: alegria, a propósito, muito diferente daquela à qual o mundo se abandona, porque é fruto da paz interior que o Espírito Santo comunica à alma quando ela se mantém fiel à santa vontade de Deus. Esta fidelidade, este cumprimento exato dos deveres do estado de vida, é chamada modéstia por São Paulo, como o modo e a medida exata de todas as virtudes. A paz interior pode encontrar obstáculos, é verdade, nas dores e nas inquietudes da vida exterior; mas São Paulo deseja que desapeguemos nosso coração de todas as solicitudes desordenadas. Recorramos a Deus em nossa oração com humilde confiança e apresentemos nossas necessidades àquEle que é chamado Pai das misericórdias e Deus de toda consolação. O salmo que segue a antífona é o 84, que é propriamente um cântico da libertação.
Na coleta, rezamos a Deus para que dê ouvidos a nossos gemidos e dissipe rapidamente as trevas do pecado pelo esplendor de sua vinda.
A leitura é tirada da mesma passagem da epístola aos Filipenses que o Introito (4, 4-7). O Apóstolo termina desejando a seus fiéis que a paz inefável do Espírito Santo os guarde no amor do Cristo. Esta paz sobrenatural, que é um dos frutos do Paráclito, é a estabilidade inabalável da alma no serviço divino.
O Gradual é tirado do salmo 79, que já víramos no Introito do Domingo anterior. AquEle que está sentado no trono sobre os Querubins da glória, e dirige a sorte dos homens, virá com todo o seu poder para combater o antigo adversário.
O versículo aleluiático pertence ao mesmo salmo.
Na leitura evangélica (Jo 1, 19-28), João Batista continua sua missão de preparar as vias dos corações a Jesus, afim de que acolham de maneira frutuosa a semente sagrada. O mundo parece cansado em sua longa espera e, pela voz de seus representantes mais autorizados, interroga João para saber se finalmente é ele o Profeta prometido por Moisés, e que, já há tanto tempo, devia vir. Mas o Amigo do Esposo não lhe usurpa os direitos; antes, rebaixa-se em sua humildade para proclamar a dignidade messiânica de Jesus e sua eterna preexistência. Quanto a si mesmo, não é mais do que um eco, uma sombra, indigno até mesmo de prestar a Jesus os humildes serviços que os escravos faziam para seus donos. Tamanha humildade é verdadeiramente igual à grandeza do Precursor, sobre quem o Verbo disse não haver pessoa maior. Nos primeiros tempos da pregação apostólica, o testemunho que João dera da divindade de Jesus facilitou muito a difusão da fé entre os sacerdotes e entre os discípulos e admiradores do austero pregador do rio Jordão. Em Éfeso, São Paulo encontrou grupos inteiros de crentes que haviam recebido somente o batismo do Precursor.
O Ofertório é tomado de empréstimo, como o Introito, ao salmo 84. A vinda de Jesus sobre a terra é a bênção prometida pelo Senhor a Abraão; é a libertação da escravidão, é a remissão do pecado.
Na coleta sobre as oblações, pede-se a Deus a graça de renovar o sacrifício incruento com uma devoção perseverante. Que o mistério eucarístico a se realizar nos seja garantia da salvação eterna.
Durante a Comunhão, ressoa um último convive aos pusilânimes. Não temais; não é um profeta, nem um jurista, nem um escriba, como no Antigo Testamento, mas o próprio Deus que vem para nos salvar (Is 35, 4).
Na coleta de ação de graças – “Eucaristia” – rezamos a Deus para que o Dom sagrado nos purifique, afim de nos prepararmos dignamente para a solenidade próxima. Importa muito dispor-se às graças divinas, preparar-se convenientemente antes de se aproximar dos sacramentos por meio da oração e da meditação. Se Jerusalém renegou o Messias, foi precisamente por falta de preparação para a graça messiânica. Mergulhada na vaidade e no sensualismo, Jerusalém estava mal disposta para reconhecer o Rei da glória no Homem das dores. O ritualismo e as práticas exteriores de devoção são louváveis e necessários, mas a preparação para o bom uso da graça é muito mais íntima, muito mais necessária.
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