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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Homilia sobre o Dies Irae




Com a proximidade da Celebração dos Fiéis Defuntos, publicamos hoje uma homilia sobre o Dies Irae, sequência cantada antes do Evangelho na Forma Extraordinária do Rito Romano na Missa pelos falecidos.

Na Forma Ordinária o Dies Irae não está presente, tendo sido transferido para a última semana do Tempo Comum na Liturgia das Horas.

Já publicamos aqui um texto sobre o Dies Irae e outro sobre sequências, que esperamos possam ser úteis para o leitor:



A homilia foi proferida no dia 14 de Julho de 2012 pelo padre Robert Pasley numa Missa em sufrágio pelas almas dos membros falecidos da Associação de Música Eclesiástica da América (CMAA). O leitor de língua inglesa poderá lê-la neste link: http://www.chantcafe.com/2012/07/fr-robert-pasley-on-dies-irae.html

* * *

Hoje oferecemos esta Missa de Requiem pelas almas dos membros falecidos da CMAA.
Dai-lhes o descanso eterno, Senhor, e que a luz perpétua brilhe sobre eles. Que descansem em paz. Amen.
Neste dia em que rezamos pelos mortos e meditamos acerca da realidade da morte com relação à nossa Fé, eu gostaria de usar alguns momentos para meditar um dos poemas mais sublimes já compostos para a Sagrada Liturgia.
Já foi dito: “Esta é a maior glória da poesia sacra e o mais precioso tesouro da Igreja Latina.
Este poema já foi traduzido para quase todas as línguas, e possui mais de 230 traduções distintas em inglês.
Estou falando do Dies Irae.
Há muitas teorias sobre a sua origem. A maioria dos historiadores parece supor sua origem entre 1253 e 1255. Também existem muitas teorias sobre seu autor. Muitos eruditos o attribuem a Tomás de Celano, amigo, confrade e biógrafo de São Francisco de Assis. Foi rapidamente incorporado ao Missal Romano e se tornou parte integrante da Liturgia Fúnebre até 1970. Esteve em uso constante por mais de 700 anos.
O Dies Irae é rico e de inexaurível profundidade espirital. Reflete sobre as palavras da Sagrada Escritura e tem algo muito importante a nos dizer enquanto rezamos pelos mortos, meditamos sobre a morte e nos preparamos para o dia da nossa própria morte.
Começa com temor reverente e humildade. “Ele é o Rei da Tremenda Majestade. A trombeta esparge o poderoso som pela região dos sepulcros, convocando todos ante o Trono.”
O homem moderno precisa aprender de novo a conhecer seu lugar diante da majestade de Deus. Deus é maior do que o poder do Sol que brilha no céu. É maior que o poder de todas as estrelas do universo. É incompreensível em glória e força – e virá para nos julgar todos.
Aqueles mergulhados no pecado, sem arrependimento, arrogantes, presunçosos e orgulhosos devem saber e ser advertidos de que será um Dia de Ira, um dia terrível. Para aqueles que morrerem na amizade com Deus, mas ainda com necessidade de purificação, será um lugar de fogo purificador – um tempo de purificação purgatorial.
O Dies Irae nos diz que a verdade será revelada. Todos os nossos pensamentos, palavras e ações virão à luz. Deus é um Deus de verdade e não pode ser enganado por mentiras. Somos responsáveis individualmente por nossas ações. Não é mais oportunidade de culpar os outros pelo que fizemos – “O livro da vida será aberto, e tudo que ele contém será lido, para julgar os vivos e os mortos.”
Deus é um Deus de justiça. Ele deve pagar o bem com bem e punir o mal. Ele não ignora nossos pecados se não nos arrependemos, e se nos arrependemos ainda precisamos fazer penitência para reparar o dano.
“Quando o Juiz se assentar
o oculto se revelará,
nada haverá sem castigo !”.
Repentinamente, depois destes pensamentos muito sóbrios e sombrios, a atmosfera muda e vemos agora o outro lado da relação de Deus conosco.
Ele é um Deus de Misericórdia. Ele nos salvará se gritarmos por ele. Ele nos perdoará se nos arrependermos de nossos pecados. “
“Que direi eu, pobre miserável?
A que Paráclito rogarei,
quando só os justos estão seguros ?”
“Rei, tremenda Majestade,
que ao salvar salva pela Graça,
salva-me, fonte Piedosa..”
“Recordai-vos, piedoso Jesus,
de que sou a causa de Vossa Via;
não me percais nesse dia.”
Cristo, nosso Senhor e Salvador, compreende nossa fraqueza, porque se tornou um de nós.
“Resgatando-me, sentistes lassidão,
me redimistes sofrendo a Cruz;
Que tanto trabalho não tenha sido em vão.”
O Senhor é cheio de compaixão.
“Ao que perdoou a Madalena,
e ouviu à súplica do ladrão,
Dai-me também esperança.”
Ele aceita um coração contrito e uma penitência sincera.
“Oro-Vos, rogo-Vos de joelhos,
com o coração contrito em cinzas,
cuidai do meu fim.”
Finalmente, somos novamente lembrados do Santo Temor, da Humildade e da Reverência.
Lacrimoso aquele dia
no qual, das cinzas, ressurgirá,
para ser julgado, o homem réu.”
E então, com um ultimo suspiro, nossa última petição, uma prece cheia de ternura e esperança…
“Perdoai-os, Senhor Deus
Piedoso Senhor Jesus,
Dai-lhes descanso eterno, Amém!”
Tira o nosso fôlego – e eu mal toquei a superfície.
Que profundidade, que equilíbrio, que realismo.
Que candor, que esperança, que jóia da nossa herança espiritual e litúrgica. 

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