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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Investidura de novos coroinhas no Rio de Janeiro

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INVESTIDURA DE NOVOS COROINHAS NO RIO DE JANEIRO





Após um adequado período de preparação, um grupo de 12 rapazes recebeu a investidura em 2 de setembro de 2012,na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, pelas mãos de S.Excia.Revma Dom Pedro Cunha Cruz, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro em uma Solene Missa com canto gregoriano tradicional da Missa De Angelis, concelebrada por Monsenhor Jan Kaleta, pároco zeloso pela tradição litúrgica da Igreja.
 A opção por investir somente rapazes, aliado a uma sólida formação litúrgica, baseada nos livros litúrgicos, como a Instrução Geral do Missal Romano, o Cerimonial dos Bispos e os documentos emitidos pela Congregação Para o Culto Divino tem feito o número dos coroinhas aumentar em quantidade e qualidade. Externamente,isso é visível quer nos gestos, quer nos trajes, quer na postura sóbria e discreta dos novos acólitos.







 O que a primeira vista pode parecer mera formalidade externa, como exigir dos rapazes roupa social impecável: calça social preta,a camisa de mangas longas, sapatos pretos, ao contrário do que se possa pensar, têm chamado cada vez mais meninos ao grupo. Os rapazes sentem-se atraídos pela disciplina e à formação tradicional. Em 9 meses, foram realizadas 2 cerimônias de Investidura; na primeira foram investidos 5 rapazes, e na segunda 12; e uma nova turma está sendo aberta devido ao grande entusiasmo de outros meninos que, a cada dia, se encantam com a beleza das celebrações que resplandecem na Liturgia celebrada de acordo com as normas litúrgicas. Com um maior número de coroinhas tornou-se possível fazer, com mais frequencia, celebrações solenes e tais celebrações, por sua vez, atraem mais e mais candidatos ao grupo de acólitos.














Uma formação sólida baseada nos documentos da Igreja, mesclada com encontros de oração, retiros, escalas nas Missas durante a semana, a devoção aos santos,engajamento na vida da eclesial, com a participação de encontros em nível vicarial e arquidiocesano, a presença em cerimônias na Catedral, nas procissões de Corpus Christi presididas pelo Arcebispo e também momentos de convivência comunitária ajudam na perseverança dos servidores do altar.
 

O Rito de Investidura. Em que consiste?


Não se trata aqui de um ministério instituído de acólitos, mas daqueles que, mesmo sem ser instituídos, atuam na Liturgia como acólitos - o que é perfeitamente lícito, na falta de instituídos (cânon 230,3). Dentre esses "não instituídos", estão os meninos que atuam nessa função, que se convencionou chamar de coroinhas.
Todo aquele que atua no ministério de acólito, sendo varão, em tese pode vir a receber o Sacramento da Ordem. Embora a Santa Sé não se oponha a que meninas sirvam ao altar na qualidade de coroinhas - se houver para isso justas razões pastorais , a mesma Sé Apostólica afirma que "será sempre muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos" e relaciona isso à questão vocacional: " Isto, como se sabe permitiu um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Por isso, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas".(Congregação Para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, a respeito das funções litúrgicas conferidas aos leigos, de acordo com a resposta do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos. Roma, 15 de março de 1994)

Rito da Investidura

1- Apresentação dos candidatos






2- Diálogo dos candidatos com o Senhor Bispo











3- Bênção das vestes litúrgicas






4- Paramentação







domingo, 7 de outubro de 2012

Recepção de Batinas na A.A.S.J.M.V.

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Trazemos fotos da cerimônia de recepção de batinas que aconteceu no último dia 29/09/2012. Seis seminaristas do Seminário da Imaculada Conceição receberam as batinas das mãos de S.E.R. Dom Fernando Rifan na Igreja São José.












sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Gregorius Magnus, a revista da Federação Internacional Una Voce

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Foederatio Internationalis Una Voce lançou recentemente uma revista bianual chamada Gregorius Magnus. A revista foi produzida para marcar o quinto aniversário do Motu Proprio Summorum Pontificum.

Aos que souberem inglês, não deixem de conferir.
Gregorivs Magnus n. 1 September 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Mensagem do Papa em Português na Audiência de hoje.

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Queridos irmãos e irmãs,

Orar é estar habitualmente na presença de Deus, viver a relação com Ele à semelhança das relações que temos com os nossos familiares e pessoas que nos são caras. Por meio da oração entramos numa relação viva de filhos de Deus com o Pai, por meio de Jesus Cristo, no Espírito Santo. Neste sentido, não podemos esquecer que a Igreja é o único lugar onde podemos encontrar a Cristo como Pessoa vivente, sobretudo nas celebrações litúrgicas. De fato, a liturgia, ao fazer presente e atual o Mistério pascal de Cristo, faz com que Deus entre na nossa realidade, permitindo-nos encontrá-Lo e, por assim dizer, tocá-lo. Assim, na liturgia aprendemos a fazer nossas as palavras que a Igreja dirige ao seu Senhor e Esposo, o que nos leva a compreender que a oração tem uma dimensão coletiva: não podemos nunca rezar a Deus de um modo individualista. Por isso a liturgia deve ser fiel às formas da Igreja Universal, não podendo ser modificada pelos indivíduos, sejam sacerdotes ou leigos, pois mesmo na celebração litúrgica da menor das comunidades, a Igreja inteira está presente.
* * *
Amados peregrinos vindos do Brasil e demais peregrinos de língua portuguesa: sede todos bem-vindos! Aprendei a viver bem a liturgia, pois esta é o caminho para dirigir o vosso olhar a Deus, superando todo individualismo e egoísmo, através da comunhão com a Igreja viva de todos os tempos e lugares. Que Deus vos abençoe! Obrigado!

Quando celebrar?: A Liturgia das Horas

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Dos estudos dos consultores do Departamento das Celebrações do Sumo Pontífice

A seção litúrgica do Catecismo da Igreja Católica (CIC), dentro do parágrafo dedicado ao «Quando celebrar?», dedica algum espaço para o «Ofício divino», hoje chamado «Liturgia das Horas» (LdH). A LdH é parte integrante do Culto divino da Igreja, não um mero apêndice dos sacramentos. É sagrada Liturgia no sentido verdadeiro e próprio. Na LdH, como naquela sacramental (especialmente a Liturgia Eucarística, da qual o Ofício é como que uma extensão), cruzam-se duas dinâmicas: «do alto» e «do baixo».
Considerada «do alto», a LdH foi trazida à terra pelo Verbo, quando encarnou-se para redimir-nos. Por isso o Ofício divino define-se como «o hino que se canta no Céu por toda a eternidade», introduzido «no exílio terreno» pelo Verbo encarnado (cf. Pio XII, Mediator DeiEE 6/565; também: Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium [SC], n. 83). Podemos cantar os louvores de Deus porque Deus mesmo nos habilita a isso e nos ensina como fazê-lo. Neste primeiro significado, a LdH representa a reprodução, obrada pela Igreja peregrina e militante, do canto dos espíritos celestes e dos beatos, que formam a Igreja gloriosa do Céu. É por esta razão que o lugar onde os monges, os frades e os cónegos se reúnem para rezar o Ofício tomou o nome de «coro»: ele quer reproduzir visivelmente as ordens angelicais e os coros dos santos, que constantemente louvam a majestade de Deus (cf. Is 6,1-4; Ap 5,6-14). Portanto, o coro está estruturado de forma circular não para facilitar o olhar-se mutuamente enquanto se celebra a LdH, mas para representar «o Céu que desce à terra» (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, n. 35), que ocorre quando se celebra o Culto divino.
Em segundo lugar, a LdH reflete uma dinâmica que «de baixo» vai em direção «ao alto»: é um movimento com o qual a Igreja terrena louva, adora, agradece o seu Senhor e lhe pede favores, ao longo de todo o período do dia. A cada momento recebemos benefícios do Senhor, por isso é justo que agradeçamos por eles a cada hora do dia. É por isso que Santo Tomás de Aquino concebe a oração como um ato que, pertencendo à virtude da religião, está relacionada à virtude da justiça (cf. S. Th. II-II, 80, 1, 83, 3). Com o «Prefácio» da S. Missa, podemos dizer que «na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação» louvar o Senhor a cada momento do dia.
Primeiramente Cristo deu o exemplo de incessante oração, dia e noite (cf. Mt 14,23; Mc 1,35; Hb 5,7). O Senhor também recomendou orar sempre, sem nunca se cansar (cf. Lc 18,1). Fiel às palavras e ao exemplo do seu Fundador (cf. 1 Ts 5,17; Ef 6,18), desde a época apostólica a Igreja desenvolveu a própria oração cotidiana segundo um ritmo ordenado que cobrisse toda a jornada, assumindo de forma nova as práticas litúrgicas do templo de Jerusalém. É certo que as duas horas canônicas principais (Laudes e Vésperas) surgiram também com relação aos dois sacrifícios cotidianos do templo: o matutino e o vespertino. Também as orações da Terceira, Sexta e Nona correspondem a tantos outros momentos de orações da praxi judaica. No dia de Pentecostes, os apóstolos estavam reunidos em oração na Hora Terceira (At 2,15). São Pedro teve a visão da toalha de mesa que descia do céu, enquanto estava em oração sobre um terraço pela Hora Sexta (cf. At 10,9). Em outra ocasião, Pedro e João subiam ao templo para rezar na Hora Nona (cf. At 3,1). E não esqueçamos que Paulo e Silas, fechados numa prisão, oravam cantando hinos a Deus por volta da meia-noite (cf. At 16,25).
Não é de admirar, então, que já no final do I século, o Papa são Clemente conseguisse recordar: «Temos que fazer com ordem tudo aquilo que o Senhor nos ordenou fazer durante os períodos especificados. Ele nos prescreveu fazer as ofertas e as liturgias e não de forma aleatória ou sem ordem, mas nas circunstâncias e horários estabelecidos» (Aos Coríntios, XL, 1-2). A Didaquê (cf. VIII, 2) recomenda recitar o Pai Nosso três vezes por dia, algo que atualmente a Igreja faz nas Laudes, Vésperas e na S. Missa. Tertuliano interpreta assim tal tradição antiga: «Nós rezamos, no mínimo, pelo menos três vezes por dia, dado que somos devedores dos Três: do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (De oratione, XXV, 5). No Ocidente, o grande ordenador do Ofício divino foi São Bento de Núrsia, que aperfeiçoou o uso anterior da Igreja de Roma.
Do que foi dito, surgem pelo menos duas considerações fundamentais. A primeira é que a LdH, já que essencialmente cristocêntrica, é profundamente eclesial. Isto implica que, como Culto público da Igreja, a LdH está fora da arbitrariedade do indivíduo e é regulada pela hierarquia eclesiástica. Além disso, ela é uma leitura eclesial da Sagrada Escritura, porque os salmos e as leituras bíblicas são interpretadas pelos textos dos Padres, dos Doutores e dos Concílios, como também das orações litúrgicas compostas pela Igreja mesma(cf. CIC, 1177). Como Culto público, a LdH também tem um componente visível e não apenas interno. Ela é a união de oração e gestos. Se é verdade que «a mente tem que concordar com a voz» (cf. CIC, 1176), também é verdade que o Culto não se celebra somente com a mente, mas também com o corpo (cf. S. Th. II-II , 81, 7). Por isso a Liturgia inclui cantos, recitações verbais, gestos, genuflexões, prostrações, inclinações, incensações, paramentos, etc. Isto também se aplica ao Ofício divino. Além disso, o carácter eclesial da LdH é tal que por sua natureza ela «está destinada a se tornar a oração de todo o povo de Deus» (CIC, 1175). Neste sentido, se é verdade que o Ofício pertence especialmente aos ministros sagrados e aos religiosos – e a Igreja particularmente confia-lhes isso – sempre envolve toda a Igreja: os fiéis leigos (tanto quanto lhes seja possível participar), as almas do Purgatório, os beatos e os anjos nos seus diversos grupos. Cantando os louvores de Deus, a Igreja terrena se une àquela celeste e se prepara para alcançá-la. Assim, a LdH «é realmente a voz da mesma Esposa que fala ao Esposo, ainda mais, é a oração de Cristo, com o seu Corpo, ao Pai» (SC, n. 84, cit. no CIC, 1174).

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quando Celebrar: O ano Litúrgico

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Dos estudos dos consultores do Departamento das Celebrações do Sumo Pontífice

Na Páscoa – que significa inseparavelmente cruz e ressurreição –resume-se toda a história da salvação, está presente de forma concentrada toda a obra da redenção. “Poder-se-ia dizer que a Páscoa é a categoria central da teologia do Concílio” (J. Ratzinger, Opera omnia, 774). Neste contexto está também o ano litúrgico. De fato, “a partir do «Tríduo Pascal», como da sua fonte de luz, o tempo novo da ressurreição enche todo o ano litúrgico com o seu brilho” (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1168).
Não poderia ser diferente já que a Paixão, morte e ressurreição do Senhor “é um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a Vida” (CIC, 1085). 
É verdade que a crucificação de Cristo, sua morte na cruz e, de maneira diferente, sua ressurreição do sepulcro, são eventos históricos únicos que, como tal, permanecem no passado. Mas se fossem unicamente feitos do passado, não poderia existir uma real conexão com eles. Em última análise, não teriam nada a ver conosco. Por isso o CIC continua: “A economia da salvação realiza-se no quadro do tempo, mas a partir do seu cumprimento na Páscoa de Jesus e da efusão do Espírito Santo, o fim da história é antecipado, pregustado, e o Reino de Deus entra no nosso tempo” (CIC, 1168).
Devemos reconhecer que a ressurreição está tão longe do nosso horizonte, é tão estranha a todas as nossas experiências, que é possível que nos perguntemos: Em que consiste propriamente isso de «ressuscitar»? O que significa para nós?
Bento XVI se aproxima desse mistério e diz: “A ressurreição é – se podemos usar uma vez a linguagem da teoria da evolução – a maior «mutação», o salto mais decisivo para uma dimensão totalmente nova, que nunca se produziu ao longo da história da vida e dos seus desenvolvimentos: um salto de uma categoria completamente nova, que nos afeta e que diz respeito a toda a história. [...] Era um com o Deus vivo, tão intimamente unido com Ele que formava com Ele uma única pessoa [...]. A sua própria vida não era somente sua, era uma comunhão existencial com Deus e estar inserido em Deus, e, por isso não era possível realmente tirá-lo. Ele pôde deixar-se matar por amor, mas justamente assim destruiu o caráter definitivo da morte, porque Nele estava presente o caráter definitivo da vida. Ele era uma só coisa com a vida indestrutível, de modo que esta desabrochou de novo através da morte. Expressemos mais uma vez a mesma coisa de outro ponto de vista. A sua morte foi um ato de amor. Na última ceia, Ele antecipou a morte e a transformou no dom de si mesmo. A sua comunhão existencial com Deus era concretamente uma comunhão existencial com o amor de Deus, e este amor é a verdadeira potência contra a morte, é mais forte que a morte” (Homilia da Vigília Pascal, 15.04.2006).
Este é o verdadeiro núcleo e a verdadeira grandeza da Eucaristia, que sempre é mais do que um banquete, pois pela sua celebração se faz presente o Senhor, junto com os méritos da sua morte e ressurreição, acontecimento central da nossa salvação (cf. Ecclesia de Eucharistia, 11). Assim, “O mistério da ressurreição, em que Cristo aniquilou a morte, penetra no nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo Lhe seja submetido” (CIC, 1169). Isso acontece porque Cristo, Deus e homem, mantém sempre atual, na sua dimensão pessoal de eternidade, o valor de fatos históricos do passado, como são sua morte e ressurreição.
Por esta razão, a Igreja celebra a obra salvadora de Cristo, cada semana no dia do Senhor, em que a Celebração eucarística supõe um caminhar para o interior da contemporaneidade com o mistério da Páscoa de Cristo, e uma vez por ano, na máxima solenidade da Páscoa que não é simplesmente uma festa entre outras: é a “Festa das festas”, “Solenidade das solenidades” (CIC, 1169).
Além disso, da mesma maneira que “durante a sua vida terrena, Jesus anunciava pelo seu ensino e antecipava pelos seus atos o seu mistério pascal” (CIC, 1085) agora durante o tempo da Igreja do ano litúrgico se apresenta como “o desenrolar dos diferentes aspectos do único mistério pascal. Isto vale particularmente para o ciclo das festas em torno do mistério da Encarnação, que comemoram o princípio da nossa salvação e nos comunicam as primícias do mistério da Páscoa” (CIC, 1171).
Finalmente durante todo o ano litúrgico, a Igreja venera de forma especial a Santíssima Virgem, “indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho; nela vê e exalta o mais excelso fruto da redenção e contempla com alegria, como numa imagem puríssima, o que ela própria deseja e espera ser inteiramente” (CIC, 1172). E na memória dos santos “proclama o mistério pascal realizado naqueles homens e mulheres que sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados, propõe aos fiéis os seus exemplos, que a todos atraem ao Pai por Cristo, e implora, pelos seus méritos, os benefícios de Deus” (CIC, 1173).

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quando celebrar?: O tempo litúrgico

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Dos estudos dos consultores do Departamento das Celebrações do Sumo Pontífice


A Igreja celebra a cada ano a redenção realizada por Jesus Cristo, começando pelo domingo, o dia da semana que pega o nome do Senhor Ressuscitado, até culminar com a grande solenidade da Páscoa anual. Mas são todos os mistérios da vida de Cristo que se resumem e se fazem presentes: em que sentido? Se Cristo é contemporâneo a todos os homens em cada época, as suas ações, como Filho de Deus, não são fatos do passado, mas atos sempre presentes em todos os tempos, com todos os seus méritos, que por isso trazem salvação a todos os que fazem memória (cfCatecismo da Igreja Católica, [CIC], 1163). As ações de Jesus Cristo são eternas como as suas palavras: comunicam e explicam a vida; por isso não passam, começando pelo ato supremo do seu sacrifício na cruz; isto é representado ou renovado, como diz ainda o Catecismo, porque nunca passou, mas está sempre presente. E nós fazemos memória obedecendo ao chamado d'Ele: "Fazei isto em memória de mim."
Talvez seja crucial entender o conceito de memória para compreender o tempo litúrgico: isso não significa a memória do passado, mas a capacidade do homem, dada por Deus, para entender, em união com o hoje, o passado e o futuro. Na verdade, o homem que perde a memória, não só esquece o passado, mas não compreende que ele está no presente, e muito menos pode projetar-se no futuro.
E depois, na passagem do tempo existem as festas cristãs – festum lembra algo ao qual se participa, nos apressa, se celebra, ou seja há participação numerosa – mas também os dias feriais em que não são necessariamente muitos, também igualmente faz-se memória de Cristo, o qual é hoje e sempre. As festas são em grande medida a continuação e o cumprimento daquelas judaicas, começando pela Páscoa.
Não é suficiente comemorá-las, ou melhor, devemos comemorá-las agradecendo – por isso as festas se celebram essencialmente com a Eucaristia –, mas é necessário também passá-las às novas gerações e trazê-las para a própria vida. A moralidade do homem depende da memória de Deus, diz Santo Agostinho nas Confissões: mais se celebra o Senhor, podemos dizer, mais se torna moral. O tempo litúrgico revela-se assim tempo da Igreja, colocado entre a Páscoa histórica e o advento do Senhor no final dos tempos. O mistério de Cristo, atravessando o tempo, faz novas todas as coisas. Por isso, toda vez que fazemos festa, recebemos a graça que nos renova e nos transforma (cf. CIC, 1164).
Mas no léxico teológico-litúrgico há um advérbio temporal que engloba bem o tempo litúrgico: “hoje”, em latim “hodie”, em grego “kairós”. A liturgia, especialmente nas grandes festas, afirma que Cristo hoje nasceu, hoje ressuscitou, hoje ascendeu ao céu. Não é invenção: Jesus mesmo dizia: “hoje entrou a salvação nessa casa...”, “hoje estarás comigo no paraíso”. Com Jesus, Filho de Deus, o tempo do homem é “hoje”, é presente. É o Espírito Santo que faz isso, com a sua entrada no tempo e no espaço. Na Terra Santa, a liturgia acrescenta também o advérbio de lugar: “aqui”, “hic”. O Espírito de Jesus ressuscitado faz que o homem entre no “agora” de Deus que veio em Cristo e que atravessa o cosmos e a história. Com a citação do Pseudo-Hipólito, o Catecismolembra que, para nós que acreditamos em Cristo, surgiu um dia de luz, longo, eterno, que não se apagará mais: a Páscoa mística (CIC, 1165).
Começamos por dizer que Jesus é nosso contemporâneo: porque é o Filho de Deus, o Vivente entrado na história. Sem ele o ano litúrgico e as festas litúrgicas estariam vazias de sentido e privadas de eficácia para a nossa vida. “O que significa afirmar que Jesus de Nazaré, vivido entre a Galiléia e a Judéia há dois mil anos, é ‘contemporâneo’ de cada homem e mulher que vive hoje e em cada tempo? Nos explica Romano Guardini, com palavras que permanecem atuais como quando foram escritas: ‘A sua vida terrena entrou na eternidade e de tal forma está relacionada a cada hora do tempo, redimido pelo seu sacrifício ... Naquele que crê realiza-se um mistério inefável: Cristo, que está «lá em cima», «sentado à direita de Deus» (Col 3,1), está também «neste» homem, com a plenitude da sua redenção; porque em cada cristão cumpre-se de novo a vida de Cristo, o seu crescimento, a sua maturidade, a sua paixão, morte e ressurreição, que constitui a sua verdadeira vida’ (R. Guardini, Il testamento di Gesù, Milão 1993, p. 141)” (Bento XVI,Mensagem ao Congresso "Jesus, nosso contemporâneo", 09.02.2012).
O dia de Cristo, o dia que é Cristo, constitui o tempo litúrgico. Qualquer pessoa que o siga, oferece-se a Ele, junta-se ao seu sacrifício vivente com todo o seu coração, faz o trabalho de Deus, ou seja, faz liturgia.
O tempo litúrgico faz presente a dimensão cósmica da criação e da redenção do Senhor, que recapitulou em si todas as coisas, todo o tempo e o espaço. Por isso a oração cristã, a oração daqueles que adoram o Deus verdadeiro, é dirigida para o Oriente, ponto cósmico da aparição da Presença. E o tempo e o espaço litúrgicos foram fixados especialmente na Cruz, à qual dirigir-se para olhar para o Senhor. Como iremos restaurar a percepção do tempo litúrgico? Olhando para Cristo, princípio e fim, alfa e ômega do Apocalipse, que constantemente faz novas todas as coisas. Justamente o simbolismo da Páscoa, com a iluminação do círio, nos lembra isso.
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