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segunda-feira, 2 de março de 2015

Cardeal Ratzinger: "Liturgias diferentes. Uma riqueza para a única Igreja" (excerto do recém-publicado "Ser Cristão na Era Neopagã")

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Recentemente foi lançado pela Editora Ecclesiae o primeiro volume de "Ser Cristão na Era Neopagã", trazendo material do então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, nunca antes publicado no Brasil. Trata-se de discursos, homilias, debates e entrevistas concedidas pelo cardeal à revista italiana 30 giorni nella Chiesa e nel mondo (30 dias na Igreja e no mundo).


Organizado por meu amigo Rudy Albino de Assunção, ratzingeriano de carteirinha*, que também escreveu a apresentação do livro e a maioria das notas que introduzem cada artigo, este primeiro volume reúne diversos discursos e homilias de Ratzinger. O terceiro volume, composto por entrevistas, será de especial interesse dos nossos leitores, trazendo inúmeras menções à Reforma Litúrgica que seguiu ao Concílio Vaticano II.

Rudy, que acompanha este nosso apostolado em defesa da sagrada Liturgia, teve a bondade de enviar-nos - com a devida permissão da Editora Ecclesiae, a quem desde já agradecemos - um trecho em que Ratzinger fala do que se convencionou chamar de as duas formas do Rito Romano.

É interessante notar como Ratzinger já havia refletido ali sobre muitos dos pontos relacionados à Forma Extraordinária os quais tocaria durante seu pontificado, a saber: o reconhecimento do zelo apostólico das comunidades ligadas ao rito antigo; as dificuldades que muitas dessas comunidades enfrentaram (e continuam enfrentando!), fruto do preconceito e de um entendimento errôneo e ideológico de unidade; a falta de diferenciação entre o Concílio e a Reforma Litúrgica que o seguiu; e, por fim, a aplicação excessiva de criatividade em boa parte das missas segundo o rito moderno.


* * *



LITURGIAS DIFERENTES.
UMA RIQUEZA PARA A ÚNICA IGREJA**
(Novembro de 1998)

No dia 02 de julho de 1998 a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei completava 10 anos de sua criação por parte do papa João Paulo II. Ela for criada para facilitar a comunhão com todos aqueles que estavam ligados de alguma maneira com Monsenhor Marcel de Lefebvre e também de possibilitar que os bispos fossem mais abertos a dar o indulto para a celebração da missa segundo o Missal de São Pio V. Na época se deram muitas comemorações, inclusive uma grande peregrinação a Roma de milhares de sacerdotes e fiéis tradicionalistas. Mas aliada à peregrinação, foi promovida uma mesa redonda no hotel Erfige, com a presença de Gérard Calvet, Camille Perl, Michael Davies, Robert Spaemann e do Cardeal Ratzinger, que fez a conferência de abertura. O que se segue é o texto da conferência de Ratzinger .
***
Que balanço podemos fazer hoje, há dez anos da publicação do motu proprio Ecclesia Dei? Creio que antes de tudo seja uma ocasião para expressar o nosso agradecimento. As várias comunidades que surgiram graças a este documento pontifício presentearam a Igreja com um grande número de vocações sacerdotais e religiosas que com zelo e alegria e em comunhão profunda com o Papa trabalham pelo Evangelho nesta época histórica. Graças a elas muitos fiéis reforçaram ou conheceram pela primeira vez a alegria de poder participar da liturgia e do amor para com a Igreja. Em numerosas dioceses espalhadas pelo mundo elas servem à Igreja colaborando ativamente com os bispos e instaurando um relacionamento positivo e fraterno com os fiéis que se sentem à vontade na forma renovada da liturgia. Tudo isso hoje merece todo o nosso agradecimento.
Todavia seria irrealista calar sobre os muitos lugares onde não faltam dificuldades, então como agora, porque alguns bispos, sacerdotes e fiéis consideram o apego à antiga liturgia (a dos textos litúrgicos de 1962) como um elemento de divisão que perturba a paz da comunidade eclesial e deixa supor uma certa reserva na aceitação do Concílio e, mais em geral, na obediência devida aos pastores legítimos da Igreja. Portanto, as perguntas que devemos nos colocar são as seguintes: como se podem superar estas dificuldades? Como podemos criar o clima de confiança necessário para fazer com que os grupos e as comunidades ligadas à antiga liturgia se insiram pacificamente e proficuamente na vida da Igreja? Porém, estas questões subentendem uma outra; qual é a razão profunda desta desconfiança ou, até mesmo, da recusa do prosseguimento da antiga liturgia? Sem dúvida há razões pré-teológicas ligadas ao temperamento de cada indivíduo, ao contraste entre os diversos caráteres, ou a outras circunstâncias externas. Mas certamente existem outras causas, mais profundas e menos fortuitas.
Há duas razões que se apresentam com maior frequência: a não obediência ao Concílio que reformou os textos litúrgicos e a ruptura da unidade derivante da existência de formas de liturgia diferentes. É relativamente simples contradizer ambos os raciocínios. Não foi propriamente o Concílio quem reformou os textos litúrgicos, ele apenas ordenou a sua revisão e, para tal fim, ficou algumas linhas fundamentais. O Concílio deu principalmente uma definição de liturgia que fixa a medida interna de cada uma das reformas e, contemporaneamente, estabelece o critério válido para cada celebração litúrgica legítima. A obediência ao Concílio seria violada no caso em que não fossem respeitados tais critérios fundamentais internos e fossem colocadas à parte as normae generales, formuladas nos números 34-36 da Constituição sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium). É necessário julgar as celebrações litúrgicas segundo estes critérios, sejam elas baseadas em velhos ou em novos textos. Com efeito, o Concílio, como já foi acenado, não prescreveu ou aboliu textos, mas deu normas de base que todos os textos devem respeitar. Neste contexto, é útil recordar o que foi declarado pelo Cardeal Newman: a Igreja no decorrer da sua história, nunca aboliu ou proibiu formas ortodoxas de liturgia, por que isso seria alheio ao próprio espírito da Igreja. Uma liturgia ortodoxa, ou seja que é expressão da verdadeira fé, de fato, jamais é uma simples reunião de cerimônias diferentes feita em bases a critérios pragmáticos, das quais pode-se dispor de maneira arbitrária, hoje de um modo, amanhã de outro. As formas ortodoxas de um rito são realidades vivas, nascidas do diálogo de amor entre a Igreja e o seu Senhor. São expressões da vida da Igreja, nas quais se condensam a fé, a oração e a própria vida das gerações e nas quais encarnaram-se numa forma concreta e num momento a ação de Deus e a reposta do homem. Estes ritos podem se extinguir se historicamente desaparece o sujeito que foi o seu portador ou se este sujeito está inserido com a sua herança num outro contexto de vida. Em situações históricas diferentes, a autoridade da Igreja pode definir e limitar o uso dos ritos, mas jamais os proíbe tout-court. Assim, o Concílio ordenou uma reforma dos textos litúrgicos e, consequentemente, das manifestações rituais mas não abandonou os velhos livros. O critério expresso pelo Concilio é, ao mesmo tempo, mais amplo e mais exigente: ele convida todos a um exame de consciência.
Mais tarde voltaremos a falar sobre este ponto. Por enquanto é necessário examinar um outro assunto, o da – pressuposta – ruptura da unidade. Sobre este propósito, é preciso distinguir na questão o aspecto teológico do prático. No que se refere a componente teorética e fundamental, devemos constatar que sempre existiram mais formas no rito latino que foram progressivamente caindo em desuso devido à unificação dos espaços de vida na Europa. Até a época do Concílio, ao lado do rito romano, conviviam o ambrosiano, o moçárabe de Toledo, o rito dos Dominicanos, e talvez muitos outros que eu não conheço. Jamais alguém se escandalizou pelo fato de que os Dominicanos, muitas vezes presentes em nossas paróquias, não celebrassem a missa como os párocos, mas seguissem um seu próprio rito. Todos nós sabíamos que o rito dele era católico assim como o romano e éramos orgulhosos da riqueza de tantas tradições diferentes. Além disso, não se pode esquecer que muitas vezes abusa-se da liberdade de espaço que o novo Ordo Missae deixa à criatividade e que a diferença entre os vários modos em que a liturgia é colocada em prática e celebrada nos diferentes lugares em base aos novos textos, muitas vezes é maior do que entre a antiga e a nova liturgia. Um cristão destituído de uma cultura litúrgica particular pouco distingue de uma missa cantada em latim segundo o velho Missal de uma cantada em latim segundo o novo, enquanto que pode ser enorme a diferença entre uma liturgia celebrada respeitando fielmente os ditames do Missal de Paulo VI e as várias formas de celebrações litúrgicas em língua viva amplamente difusas, que deixam grande espaço à criatividade e à imaginação. [...]

* * *
Para mais informações, visite o site da editora.

* Não deixem de visitar o site Ratzinger Brasil.
** RATZINGER, Joseph. Ser cristão na era neopagã. Campinas, Ecclesiae, 2014, pp. 183-186.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O canto por parte do Presidente da Assembleia Eucarística

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Por Dom Jerônimo Pereira Silva, OSB.

O canto por parte do Presidente da Assembleia Eucarística é apropriado, recomendado e louvado. A rigor o Rito Romano é também um rito cantado, para tal fim foi publicado pelos monges de Solesmes em 1975, como parte do Missale Romanum auctoritate Pauli PP VI promulgatum o Ordo Missae in Cantu (OMC), em forma manuscrita (caligrafado). No recente ano 2000 a Libreria Editrice Vaticana (LEV) havia se encarregado de tal publicação apresentando uma reedição do OMC “computadorizada” em 2012, em parceria com as Éditions de Solesmes

O Papa Emérito Bento XVI entoa o canto do Prefácio, na Santa Missa
durante a visita apostólica a República Tcheca, em
26 de Setembro de 2009
O Ordo Missae in Cantu iuxta editionem typicam tertiam, embora na presente edição não tenha ainda o caráter de livro litúrgico oficial, assume tal característica somente porque reproduz o quanto de oficial apresenta o Graduale Sacrosanctae Romanae Ecclesiae de Tempore, de Sanctis de 1979 (GR), páginas 798-802.809-821.

O atual OMC apresenta as seguintes formas musicais (notação gregoriana, texto, obviamente em latim, pois se trata de uma obra typica):

- Ritos Iniciais (Sinal da Cruz, 3 formulários para a Saudação Inicial, mais uma própria para o bispo, Ato Penitencial com uma única fórmula);
- Bênção da água (Introdução, duas fórmulas para uso fora do Tempo Pascal, uma fórmula para o Tempo Pascal, uma fórmula para bênção do sal, quando se mistura com a água e absolvição);
- Entoações do Glória (15 entoações, mais 4 dos Glórias ad libitum todos presentes no Kyriale);
- Entoações da Profissão de Fé (2 entoações);
- Preparação dos dons (sem notação musical);
- Prefácios (85 dos quais 41 apresentam as formas simples e solene);
- Orações Eucarísticas (as 4 OE mais 13 variações próprias da OE I);
- Rito da Comunhão (3 melodias para o Pai Nosso, com suas devidas introduções; o “Livrai-nos de todos os males...” com a sua resposta; o rito da paz: “Senhor Jesus Cristo, dissestes...” com o “Amém”; “A paz do Senhor...”, “Saudai-vos...”. As Secretas, a apresentação da eucaristia [“Felizes os convidados...], as fórmulas para a comunhão [presbítero e assembleia] e a oração de purificação, sem notação musical);
- Ritos Conclusivos ou Ritos Finais (Diálogo, também para a missa pontifical, Bênção e despedida);
- Bênçãos Solenes (27 formulários);
- Formulário da Oração Universal da Sexta-Feira Santa;
- Precônio Pascal.

Por causa da sua forma silábica o canto do Ordo Missae pode ser adaptado para muitas línguas. O português é uma das línguas que muito se presta para tal fim. Infelizmente, às vezes, encontramos adaptações mal feitas ou erros melódicos. 

Abaixo apresento a Doxologia Final da Oração Eucarística em português com notação gregoriana em tom simples e tom solene (de acordo com as melodias presentes no OMC e no GR), com a correção melódica do erro que muitos de nós aprendemos quase por intuição. 

Com a ajuda de um instrumento, um pouco de paciência e desejo de solenizar o centro da nossa fé, que é a celebração do Mistério Pascal de Cristo, um presbítero pode fazer o culto a Deus se tornar mais sutilmente refinado. Recordemo-nos que o canto da presidência é sempre a cappella.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Campanha "Salve um Padre": Homilia

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A Martyria Cursos e Editora, que já divulgamos em nosso blog algumas vezes, lançou recentemente uma campanha para suprir a formação deficitária de muitos dos sacerdotes desta nossa Terra de Santa Cruz.

Pietro di Sano - São Bernardo Pregando na Piazza del Campo em Sena (1445)
Nesta primeira etapa, o enfoque é dado na homilia. Como consta na postagem que lançou a campanha:
Como dizer ao padre que sua homilia não é boa? Nós lhe enviaremos o melhor livro sobre pregação, juntamente com uma carta, indicando respeitosamente que está sendo presenteado por alguém que lhe quer bem, e que quer ver-lhe salvando mais almas através da homilia.
Para colaborar com a campanha você pode indicar vários sacerdotes a quem deseja ajudar (preenchendo seus dados num formulário e/ou doar algum valor em dinheiro para auxiliar com os custos de correio e de impressão do livro.

O valor calculado para presentar a um sacerdote é de R$17,00.


Para mais informações, acesse o site da editora.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Espaço Litúrgico: Centro e Foco

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Algumas ideias tão simples e difundidas em nossas pastorais litúrgicas como "A comunidade se reúne em torno do altar" ou, em consequência desta, "O altar deve estar no centro da igreja" são assimiladas pelos fieis com muita naturalidade e muito raramente questionamos a origem e o real significado dessas ideias. Para entendê-las precisamos pensar, voltar aos conceitos mais básicos e nos indagar: o que é centro? E ainda, o altar realmente deve estar no centro?


A palavra "centro", tomando uma definição quase matemática se refere ao ponto de um espaço que está a uma mesma distância de suas partes mais externas, em uma linguagem mais simples: aquilo que está no meio. Um outro conceito, parecido, embora não idêntico é o de "foco", que por sua vez tem um sentido eminentemente óptico, como o ponto para o qual se encaminham os feixes de luz ou do qual se afastam, no nosso contexto litúrgico, podemos entender como sendo o ponto para o qual se voltam as atenções.
 

Embora numa linguagem abstrata e teórica as palavras possam ter um mesmo significado, referindo-se ao elemento principal, a ideia mais importante de dado contexto. Em um plano físico, e mais particularmente arquitetônico, diferem sensivelmente, uma vez que o centro do espaço pode não ser o local para o qual se voltam as atenções dos presentes.

Lembremo-nos da origem das igrejas no mundo latino. O primeiro tipo de igreja, ainda antes das basílicas eram as "domus ecclesiae", residências dos patrícios romanos que passaram ao uso eclesiástico. Estas habitações possuíam basicamente dois ambientes: atrium, ambiente menor, comunicava-se diretamente com a rua e era reservado aos serviços domésticos, ao seu centro ficava o impluvium, reservado para coleta da água pluvial; o segundo era perystilum, a verdadeira habitação familiar, que consistia de um jardim cercado por colunas ao fundo do qual se encontrava exedra, local reservado para receber convidados.



Atrium, foi reservado aos catecúmenos;  perystilum, aos fieis, dividindo-se segundo o sexo e colocando-se de um e de outro lado. O Bispo, servido pelo seu clero, realizava as funções na exedra. A escolha deste espaço e não do centro do perystilum parece ser justamente a diferença entre estar no centro e estar no foco. Estando ao fundo da Domus, o Bispo presidia a assembleia litúrgica, pronunciava as fórmulas sagradas e, assistido pela atenção de todos os fiéis, celebrava os sagrados mistérios.

Com o Édito de Milão, as Domus deram espaço às basílicas. As basílicas como eram chamadas os predios públicos romanos possuiam uma estrutura bastante simples e eficaz. Uma nave central, retangular, mais elevada com janelas para ventilação a iluminação, rodeada por naves laterais, duas ou quatro, mais baixas, foi este o lugar que ocupavam os fieis, dispostos como em Perystilum, de um e outro lado, ainda que o espaço central fosse agora coberto.




A estrutura dividida em três níveis, proveniente da domus foi mantido e aperfeiçoado na nova estrutura basilical. O atrio se tornou maior e passou a possuir colunas, como na figura abaixo, como se conserva ainda hoje na Basílica Maior de São Paulo fora dos Muros em Roma.


O antigo "presbitério", exedra, deu lugar a uma localização ainda mais prestigiosa e solene. Ao fundo da nave central, um semi-círculo concluía a construção: ábside. Nela foi disposta a cátedra do Bispo, o altar e, pouco mais adiante, o ambão. A abside, uma vez presente na liturgia das igrejas primitivas não se afastou da arquitetura sacra durante milhares de anos, ainda que se tenha modificado sensivelmente ao longo dos séculos. O motivo disso foi que ela proporciona um ponto monárquico dentro do espaço sagrado, seja pela sua posição frontal para todos se põem na nave central da igreja, seja pelo seu formato côncavo. 

A primeira modificação que se pode destacar em relação às transformações da abside é que no primeiro milênio com a proeminência da figura episcopal, era mais natural colocar na abside propriamente dita a cátedra, como se vê na Catedral de Roma ainda hoje, figura abaixo.



No segundo milênio, a cátedra mais comumente foi disposta à direita, deixando o ponto monárquico para o altar. Isso se deve a uma maior valorização do ministério sacerdotal em relação àquele episcopal, proeminente no milênio anterior. Também as absides, embora mantivessem a concavidade, deixaram de se apresentar semi-circulares para adquirir formatos poligonais, em particular na arte gótica.


 A perda desse elemento arquitetônico usado desde as basílicas primitivas, passando pelas catedrais góticas e chegando até o barroco, não se deve ao fato de se ter encontrado uma forma melhor de dar destaque aos sagrados mistérios- Ao contrário, o desaparecimento das absides, foi uma perda de um conceito fundamental na liturgia: o foco. No lugar deste passou-se a dispor o espaço liturgico ao redor de um centro, que, como já dissemos nem sempre consegue apenas por sua localização concentrar as atenções.

Desse vício nascem duas realidades. A primeira é a reforma inadequada dos espaços litúrgicos já existentes. Neles, tenta-se a todo custo — da simetria, da beleza, da praticidade — instalar um altar no meio da assembleia, mutilando a beleza da arquitetura original e produzindo um estranho dualismo de altares. Nesses casos, existe um ponto para onde se voltam naturalmente as atenções, todavia ele não está no local onde se celebra.


 A segunda situação é a construção de novos espaços, onde o altar se põe no centro, os assentos dos leigos e dos clérigos se dispõem indiferentemente ao redor do mesmo, em um formato elíptico. Tudo se realiza ao redor do altar, ou  deste e do ambão. A atenção de cada qual se volta para aquilo que está à sua frente: o outro lado da assembleia.

 

Esse espaço sagrado trai o ideal da comunidade primitiva, da Domus Ecclesiae e rompe com a comunhão artística de tantos séculos. Pela abolição da exedra, do presbitério e da abside, nasce um espaço acéfalo, incapaz de representar a Igreja, corpo místico, do qual Cristo é a cabeça. Sendo adequado apenas para uma comunidade horizontal que celebra a si mesma, voltada para dentro de si.

Apesar dessa clara descontinuidade artística e eclesiológica, muitos se referem a esse modelo de igreja como uma alternativa participativa. Como se o modelo dito tradicional reproduzisse um teatro greco-romano, onde se distinguem duas partes em lados diferentes do ambiente: o público e os artistas. A esse argumento, cabe lembrar que também o picadeiro é um palco, ainda que o público se ponha ao redor.

Por fim, usa-se o Concílio Vaticano II para justificar toda e qualquer mudança em matéria litúrgica. Nesse caso em particular, poderia-se dizer que a constituição conciliar sobre liturgia diz claramente que "todos devem dar a maior importância à vida litúrgica da diocese que gravita em redor do Bispo, (...) especialmente na mesma Eucaristia, numa única oração, ao redor do único altar a que preside o Bispo rodeado pelo presbitério e pelos ministros". Poderia-se dizer isso, ou poderíamos ir ao texto latino aprovado pelos padres conciliares e vermos que a expressão em negrito acima no original " ad unum altare", onde a preposição em nada se refere a estar ao redor, mas simplesmente estar ao altar.

Assim, torna-se claro que centro e foco não são conceitos intercambiáveis entre si e que ter o altar no centro, fisicamente falando, nunca foi uma necessidade litúrgica, urge, portanto, um trabalho técnico e artístico para relocar nos espaços litúrgicos a celebração dos sagrados mistérios, principalmente da sagrada Eucaristia, uma vez que não basta que Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de seu corpo e seu sangue estejam no centro do espaço sagrado.


É preciso ter foco nEle!


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O vencedor do concurso de presépios paroquiais 2014

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-------> ATENÇÃO <------ - Os vencedores, DEVEM entrar contato via e-mail para: daniel@salvemaliturgia.com com o endereço para o qual o(s) prêmio(s) devem ser enviados em até 48 horas. Caso não seja, o ganhador perde direito à premiação; sendo o primeiro colocado, sua premiação passará ao segundo colocado.

Cortesia: Loja Arte Sacro


-------> ATENÇÃO <------ - Os vencedores, DEVEM entrar contato via e-mail para: daniel@salvemaliturgia.com com o endereço para o qual o(s) prêmio(s) devem ser enviados em até 48 horas. Caso não seja, o ganhador perde direito à premiação; sendo o primeiro colocado, sua premiação passará ao segundo colocado.

Post by Salvem a Liturgia!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Você decidirá o vencedor do Concurso de Presépios 2014!

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No último dia de 2014, nossa equipe escolheu os finalistas do Concurso de Presépios Paroquiais do Salvem a Liturgia!, edição 2014. Os três presépios que se classificaram para a segunda fase já foram publicados em nossa página no Facebook e os votos já estão sendo computados (basta "curtir" a foto do presépio).

Todas as três paróquias finalistas serão premiadas por nossa parceira, a Arte Sacro, conforme enunciado nas regras desta edição.


Premiação:
  
1º lugar: conjunto de estola e casula neste modelo (cor a decidir)
2º e 3º lugares: jogo de altar (imagem meramente ilustrativa)

Eis os finalistas (clique na foto para ser direcionado à página de votação):

Diocese de Franca-SP.
Cidade de Restinga-SP.
Pároco: Pe. Michel Rosa

Diocese - Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 
Cidade/estado - Rio de Janeiro/RJ
Nome do pároco: Padre Jorge Lutz, SVC (Sodalício de Vida Cristã)
Foto enviada por: Thiago de Oliveira Tavares


Cura: Padre José Gonçalo Vieira
Arquidiocese de Belém - PA
Enviada por: André Magno Vilhena

sábado, 27 de dezembro de 2014

Concurso de Presépios 2014: Inscrições abertas!

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As inscrições para o Concurso de Presépios Paroquiais do Salvem a Liturgia!, em parceria com a Arte Sacro, estão abertas.


Não deixe de inscrever sua paróquia até o dia 29 de dezembro, quando encerra-se a primeira fase, e concorrer a uma estola e casula neste estilo (cor a escolher), além de outros prêmios:




As inscrições já realizadas estão sendo divulgadas em nossa página no Facebook.

Inscreva-se já, lendo as regras aqui!



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