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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Curso: Como catequizar seus filhos em casa

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MATRÍCULAS ABERTAS!


A tão pedida Turma II do curso COMO CATEQUIZAR SEUS FILHOS EM CASA está oficialmente lançada agora. Inscrições abertas!
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A responsabilidade dos pais na transmissão da fé cristã às crianças é primordial. Faz parte dos votos matrimoniais. É uma obrigação espiritual, teológica, moral e canônica.
Você tem dúvidas de como educar seus filhos com os conteúdos indispensáveis à sua formação catequética? Faça o curso!
Quer aprender como catequizar seus filhos em casa? Faça o curso!
Com eficácia, transmitindo doutrina segura e os ajudando a crescer não só no conhecimento da fé católica como na intimidade com Cristo e na busca pela santidade? Faça o curso!
Quer aplicar princípios pedagógicos sérios na catequese infantil no lar e entender o processo de conduzir as crianças a Deus? Faça o curso!
Está perdido quanto ao conteúdo que deve ser passado? Faça o curso!
Os alunos que fizeram parte da primeira turma do curso, relatam:
"Prezados Rafael e Aline, Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pelo conteúdo do curso Como Catequizar Seus Filhos em Casa! Para mim e para meu marido, que não tivemos boa formação religiosa na infância e temos agora que educar nossos filhos, Teresa (quase 2 anos) e Luís (6 meses), o curso está sendo muito bem aproveitado e veio num momento providencial."
"Confesso que estou sendo educada na fé ao procurar educar meus filhos, e quanta coisa que estou aprendendo! Sou muito grata a Deus por ter encontrado o blog de vocês, Aline e Rafael."
"Ontem, assisti a aula 5 ( espero hj pegar a 6), e queria que você soubesse que você "tocou meu coração " ontem. Sua aula foi profunda e me fez refletir sobre o meu papel de mãe. Me fez pensar em quão efetiva estou sendo na tentativa de guiar as manhãs filhas para a santidade. Cheguei a conclusão que tenho que aprimorar muito as técnicas aqui de casa. Meu Deus, ilumine a minha caminhada! Muito importante a astúcia que precisamos ter para extrair o melhor dos diferentes temperamentos, e também para fortalecer a virtude ao mesmo tempo em que tentamos atenuar/corrigir os defeitos. A questão crucial da ACEITAÇÃO, também me fez pensar em quanto eu realmente aceito cada um dos meus tesouros com suas limitações, tentando ajudá-las a se tornarem seres humanos melhores, e o quanto eu tento impor o que eu acho correto. Tenho muitas dúvidas em relação a isso. Se você tiver alguma bibliografia que possa me ajudar a aprofundar essa questão, eu te agradeceria imensamente. Enfim, obrigada por mais essa aula."
"As correntes pedagógicas apresentadas são de uma relevância imensurável para a formação do catequizando como ser humano em toda sua dimensão! Sou catequista e em nenhum documento lido e estudado tive conhecimento dessas pedagogias. Há algum tempo venho me sentindo incomodada com essa questão pedagógica na Catequese e com essa instrução vejo que é possível refazer e reestruturar meu trabalho catequético, mais que isso: Devo começar educar eu mesma nessa riqueza pedagógica. Muitíssimo obrigada!!!"
"O que vejo na minha realidade, Arquidiocese de Brasília, é que a maioria das catequeses paroquiais, utilizam livros e/ou apostilas "sem pé e sem cabeça" não há uma coesão: um começo, um meio e um fim no conteúdo a ser abordado, são temas soltos. Além de ser catequista sou "formadora" de catequistas, "formadora" : não se pode falar professora... Estava na Escola Arquidiocesana de Catequese e decidi sair para estudar, principalmente nos padres da Igreja, buscar respostas para minha angústia. E nesse curso que você e sua esposa estão ministrando vejo que eu estava certa, o que estava fazendo está tudo errado!!! Ufa, perdoe-me ta exurrada deste desabafo, mas o problema da Catequese hoje é muito, muito sério!!! Obrigada pela instrução!!!"
"assistindo agora: "pais com fé adulta transformam crianças com fé infantil; pais com fé infantil não transformam crianças com fé nenhuma...", excelente!"
"As aulas estão excelentes, dão um bom norte sobre como funciona a catequese familiar. Tanto na parte mais prática, de como montar um plano de aulas, etc., como na parte sobre os temperamentos. Percebo que temos um curso completo, não só sobre a catequese formal, mas também sobre como nos adaptarmos à personalidade de cada uma de nossas crianças. Muito rico! Irá nos ajudar muito, e imagino que todos os alunos. Parabéns e obrigado!"
"Você possui uma didática excelente, e como alguns já colocaram, aprendi mais nestes vídeo que em toda minha vida de catequese. Já fui catequista (com 15 anos) e na época não tinha a dimensão da responsabilidade e complexidade de uma catequese. Encontrei o blog de vocês em minhas pesquisas pela internet, e fiquei muito animada, pois quero muito que meus dois filhos tenham uma boa base de fé (coisa que eu não tive plenamente)."
"Rafael, gostei muito da forma com que você situou o curso. Aspecto surpreendente foi a catequese adulta, fundamental para catequese infantil. Gerou muita reflexão e a certeza de que Deus iluminou minha caminhada para encontrar esse curso, nesse momento!"
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Já estão abertas as inscrições para o evento "O tesouro da educação"

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Não percam! 

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Vai ficar de fora dessa?

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O Pentecostes. Festa restaurada ou cortada? - Pe. Jean-Pierre Herman

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Publicamos um artigo sobre a Vigília de Pentecostes que nos foi encaminhado pelo Pe. Jean-Pierre Herman. Infelizmente não consegui publicá-lo ainda durante a Oitava de Pentecostes, contudo, tenho certeza que será do agrado de nossos leitores.

O Pentecostes: Festa restaurada ou cortada? 

Por Pe. Jean-Pierre Herman
Originalmente publicado em Schola Sainte Cécile 
Tradução: Pe. Jean-Pierre Herman / Daniel Pereira Volpato


O Missal promulgado por Paulo VI em 03 de abril de 1969 praticamente eliminou as antigas vigílias e oitavas para as principais festas.

As oitavas são agora limitadas à Páscoa e ao Natal. Quanto às vigílias, permanece, para algumas festas, uma "Missa à noite anterior", que muitas vezes passa despercebida nas paróquias. É uma antecipação da festa e não mais um dia de jejum e preparação para a ela.

A Missa da Vigília de Pentecostes é um caso especial. Ela oferece a opção de quatro textos para a primeira leitura. São textos do Antigo Testamento que preparam para o dom do Espírito Santo. Isso é tudo o que resta da antiga e rica liturgia da vigília de Pentecostes. 

A "desmontagem" da liturgia de Pentecostes foi feita em duas etapas. A vigília caiu durante a reforma dos anos 50, e a oitava foi abolida durante a promulgação do novo missal.

A antiga Vigília de Pentecostes e seu carácter batismal

Monsenhor Gromier, em uma palestra famosa em ambientes tradicionais sobre a liturgia dita "restaurada" da Semana [Santa] por  Pio XII em 1955 [1], afirma:
A vigília de Pentecostes não possui mais nada de batismal, se transformou em um dia como qualquer outro, e fazendo mentir o missal no cânon. Esta vigília era um vizinho chato, um rival formidável! A posteridade educada será provavelmente mais severa do que a visão atual com relação à pastoral. [2]
Ele está se referindo aqui à recuperação próxima da vigília batismal de Páscoa pelos cristãos, praticada desde os tempos antigos na véspera de Pentecostes.

Os cristãos primitivos celebravam primeiramente todo o Mistério Pascal: morte, ressurreição, ascensão e o dom do Espírito Santo durante a grande noite da Páscoa. No entanto, muito rapidamente, o ensinamento da Igreja destacou os diferentes aspectos dela, quebrando as celebrações de acordo com a cronologia dos evangelhos.

Por outro lado, sabemos que os sacramentos da iniciação cristã: batismo, confirmação e Eucaristia, eram anteriormente atribuídos aos candidatos durante a mesma celebração, uma prática mantida pelas igrejas orientais. Cito o cardeal Schuster sobre a ligação intrínseca e ao mesmo tempo distinta entre Batismo e Confirmação:
Embora o sacramento do Batismo seja distinto do da Confirmação, ele recebe esse nome porque a descida do Espírito Santo na alma do fiel completa a obra de sua regeneração sobrenatural. Através do caráter sacramental, é conferido ao neófito uma mais perfeita semelhança com Jesus Cristo, que imprime o último selo ou confirmação à sua união com o divino Redentor. A palavra confirmação era também utilizada na Espanha para indicar a oração invocatória do Espirito Santo durante a missa: Confirmatio sacramenti; também a analogia existente entre a epíclese (que na missa, pede ao Paráclito a plenitude de seus dons sobre aqueles que se aproximam da Santa Comunhão) e a Confirmação, que os antigos administravam imediatamente após o batismo, esclarece o profundo significado teológico que está escondido sob o vocábulo “Confirmação” atribuído ao segundo sacramento. [3]
Tertuliano já fala da celebração dos batismos, não só na grande vigília de Páscoa, mas também para o Pentecostes:
Outro dia solene do batismo é Pentecostes, quando acontece um longo intervalo de tempo para dispor e educar aqueles que devem ser batizados.
A escolha não é inocente, porque no batismo, o bispo coloca sua mão direita sobre a cabeça do neófito, chamando o Espírito Santo por meio de uma bênção. [4]

Temos também uma carta do Papa Siricius (384-399) [5] ao bispo de Tarragona Himera atestando essa prática. Além disso, em uma carta aos bispos da Sicília, o Papa São Leão Magno (440-461) exorta-os a imitar São Pedro, que batizou três mil pessoas no dia do primeiro Pentecostes. [6]

Os livros litúrgicos posteriores nos dão um diagrama de uma celebração do mesmo tipo da Vigília Pascal, que encontramos em todos os missais que precederam a reforma de Trento e no Missal de São Pio V até a reforma da década de 1950.

Vamos deixar a Dom Guéranger o cuidado de descrever essa prática:
Nos tempos antigos, esse dia se assemelhava a véspera da Páscoa. Na noite os fiéis iam para a igreja para participar nas solenidades da administração do batismo. Na noite que se seguia, o sacramento da regeneração era conferido aos catecúmenos cuja ausência ou alguma doença os tinham impedido de se juntar aos outros na noite de Páscoa. Aqueles que ainda não tinham sido considerados suficientemente aprovados, ou cuja educação não parecia completa, tendo satisfeito as justas exigências da Igreja, também ajudavam a formar o grupo de aspirantes ao novo nascimento que se recebe a partir da fonte sagrada. Em vez das doze profecias que se liam à noite de Páscoa, enquanto os sacerdotes executavam os ritos preparatórios aos catecúmenos para o batismo, eles costumavam ler seis; Isto leva à conclusão de que o número de batizados na noite de Pentecostes era menos considerável. [7] 
O círio pascal reaparecia durante esta noite de graça, para educar o novo recruta o que fazia a Igreja, respeito e amor pelo Filho de Deus que se fez homem para ser "a luz do mundo”. Todos os rituais que temos descrito e explicado no Sábado Santo se realizavam nesta nova oportunidade, onde aparecia a fecundidade da Igreja, e o Divino Sacrifício do qual tomaram parte os felizes neófitos começava ainda antes do amanhecer. [8]

Nos tempos antigos, como relata Schuster, a celebração, junto com a Vigília Pascal, se fazia no Latrão durante a noite de sábado para domingo. No século XII foi antecipada para o início da tarde. Pelo fim do dia, o Papa então ia para São Pedro, para o canto das Vésperas e Matinas solenes. A extensão da celebração do batismo a outros dias e a prática do batismo infantil quam primum removeram a exclusividade destas celebrações na véspera de Pentecostes, reduzindo esse dia ao grau de preparação para a festa, mesmo grau das demais vigílias, mas mantendo na celebração um caráter claramente batismal.

Como apresentou Pio Parsch:
“Hoje é uma vigília solene e, portanto, de penitência completa, com jejum e abstinência (em algumas dioceses, no entanto, esta obrigação não se impõe mais com a pena do pecado; isso não é mais do que um simples conselho). A vigília é sempre um dia de preparação. A casa da alma deve ser limpa e preparada para a grande festa. Dois pensamentos ocupam o cristão que vive com a Igreja: a) ele se lembra de seu batismo; b) ele se prepara para Pentecostes.” [9]

Tempo e Estrutura da Vigília

Depois das nonas, lemos as profecias sem título, com as velas apagadas, assim como no Sábado Santo.

Esta é a rubrica que antecede a celebração da Vigília de Pentecostes nos missais. O seu tempo é o mesmo que o da vigília pascal. Anteriormente celebrada na noite de sábado para domingo, em seguida, no início da tarde, ele caiu dentro do âmbito do decreto de São Pio V, que impôs a antecipação dos ofícios ao amanhecer. A Vigília de Pentecostes, portanto, é celebrada na manhã de sábado.

Sua estrutura é semelhante ao do Sábado Santo, com a exceção da bênção do fogo e do Círio Pascal. Pius Parsch chama-lhe uma imitação abreviada do Sábado Santo. Ela começa pelas leituras das profecias, cada qual seguida de uma resposta e uma oração pelo celebrante, que é precedido por um convite do diácono: Oremus. Flectamus genua.

Depois, partimos em procissão até o batistério com a bênção da água, cantando versos do Salmo 41 (Sicut Cervus ad fontes aquarum). Depois de uma oração, o celebrante diz a oração de bênção da água, como na Vigília Pascal. Em seguida, retornamos para o altar em procissão cantando a Ladainha dos Santos, enquanto os celebrantes vão para a sacristia, a fim de revestir os paramentos para a Missa. [10]

A cor da vigília é o roxo. É especificado que o sacerdote utilize a capa de asperges para a procissão para o fonte batismal. O diácono e subdiácono levam a casula plicada (dobrada). A missa é em vermelho, a cor de Pentecostes.

No final das ladainhas, acendem-se as velas, os ministros vão para o altar enquanto o coro canta o Kyrie, eles recitam as orações ao pé do altar e o sacerdote incensa e entoa o Glória, durante o qual se tocam os sinos. [11]


Plano Da Vigília de Pentecostes

Proclamação das seis profecias:
Leitura + resposta + Flectamus genua + Oração
Procissão a pia batismal
Salmo 41
Bênção da Água
Procissão até o altar
Ladainha dos Santos
Missa


As Profecias

No rito primitivo havia doze leituras, como na Páscoa. Este número foi reduzido para seis por São Gregório Magno, e foi assim mantida até o século VIII, quando, sob a influência do Sacramentário Gelasiano, devolvemos à Vigília Pascal suas leituras originais.

As leituras de Pentecostes são tiradas da Páscoa, mas em uma ordem diferente.

Leitura
Pentecostes
Páscoa
1
Gn. 22 Sacrifício de Abraão
3
2
Ex 14 e 15 A passagem do Mar Vermelho
4
3
Dt 31 O Testamento de Moisés, o cumprimento da Lei
11
4
Is 4 A libertação de Jerusalém
8
5
Bar 3 O retorno à Terra Prometida
6
6
Ez 37 ossos secos
 7

A cada leitura se segue um responso.  Três desses são os mesmos que na Vigília pascal. As orações que se seguem, no entanto, são diferentes, retiradas do Sacramentário Gregoriano [12].

Elas reforçam, a sua própria maneira, a continuidade entre os dois Testamentos, e entre a passagem do Israel do Antigo Testamento, liberto da escravidão, ao novo Israel, de pessoas batizadas, libertas do pecado. Citamos aqui apenas aqueles que seguem a segunda e a quarta leitura, que são admiráveis:
“Deus, Vós revelastes pela luz da Nova Aliança o significado dos milagres realizados nos primeiros tempos: o Mar Vermelho tornou-se a figura da fonte sagrada do batismo, e as pessoas libertados da escravidão no Egito expressam os mistérios do povo cristão: fazei com que todas as nações que receberam pelo mérito da fé o privilégio de Israel sejam regeneradas através da participação em seu Espírito”. 
“Deus eterno e Todo-Poderoso, Vós tendes mostrado através de seu Filho unigênito que Vós sois o jardineiro de sua Igreja, misericordiosamente cuidador de todos os ramos frutificados em seu Cristo, que é a videira verdadeira, para que produzam mais frutos: fazei que os espinhos do pecado não sobrepujem vossos fiéis, que libertastes do Egito como uma vinha pela fonte do batismo; e que, fortalecidos pela santificação do Vosso Espírito, sejam enriquecidos por uma colheita sem fim”.
A descida para a pia batismal e a bênção da água, após a oração da sexta profecia, reutiliza todos os textos da Vigília Pascal, com exceção da coleta que precede a bênção da água, a qual fala da festa do dia:
“Concedei, nós vos rogamos, Deus Todo-Poderoso: nós, que celebramos a solenidade dos dons do Espírito Santo, que inflamados dos desejos celestes, tenhamos sede da fonte da vida.”
Vemos claramente, através destes textos, a íntima conexão entre o batismo, o dom do Espírito Santo e vida cristã.

Missa

Como vimos, a missa segue imediatamente a Ladainha. Como à Páscoa, não há Introito.  Só mais tarde, quando se espalhou o uso de missas privadas, que se acrescentou o Intróito "Cum sanctificatus”, emprestado da quarta-feira da quarta semana da Quaresma.

É o ápice da Vigília e reitera de uma maneira muito concisa a conexão entre o batismo e o dom do Espírito Santo em sua coleta:
Fazei, nós vos rogamos Deus Todo-Poderoso, que o esplendor de Vossa luz brilhe sobre nós; e o brilho de Vossa luz confirme, pela iluminação do Espírito Santo, os corações daqueles que Vossa graça tem revivido. Por Nosso Senhor...
Esta ligação é enfatizada ainda mais na carta dos Atos dos Apóstolos [13]. Trata-se do encontro de Paulo com os discípulos de João Batista.  Eles sequer tinham ouvido falar que há um Espírito Santo, depois do que Paulo batiza-os em nome de Jesus Cristo.

O resto da Missa é inteiramente centrada em Pentecostes, com o Evangelho [14] em que Jesus prometeu a seus discípulos que não os deixaria órfãos, mas que deviam orar ao Pai para que Ele enviasse o Consolador.

A Secreta e a Pós-comunhão pedem a purificação dos corações por meio do derramamento do Espírito Santo.

A oração do Canon contém duas partes próprias.  No Communicantes menciona-se a festa do dia:
“Unidos em uma comunhão e celebrando o santo dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo apareceu aos Apóstolos sob a forma de múltiplas línguas de fogo, e venerando primeiro a memória da gloriosa Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo nosso Deus e Senhor (...)”
Enquanto o Hanc igitur, como na Páscoa, reza pelos batizados da noite:
“Então, Senhor, este sacrifício que nós oferecemos, e com todos os seus filhos, hoje especialmente para aqueles que vós vos dignastes a regenerar pela água e pelo Espírito Santo, concedendo-lhes a remissão de todos os seus pecados...”

A reforma de 1955

Nos missais após 1955, a Vigília de Pentecostes é agora reduzida a missa, como descrito acima, com o seu Intróito "Cum sanctificatus”. As profecias, a procissão e a bênção da água foram simplesmente abolidos.

O caráter batismal da vigília foi apagado e a liturgia é inteiramente direcionada para a vinda do Espírito Santo.

Mantivemos a letra, que faz a conexão entre os dois sacramentos. Mas pode-se perguntar por que mantivemos o Hanc igitur que intercede pelos batizados da noite. E isto para a Vigília, dia e Oitava de Pentecostes, como era feito na Páscoa.

Esta oração já era simbólica antes da reforma, já que quase nunca havia batismos durante a celebração. No entanto, ela alargava o caráter batismal da vigília e [por isso] manteve seu lugar. Sua conservação aqui [após 1955], isola-a do resto da celebração e a reduz, mais do que antes, a um simples vestígio.

O missal de 1969

O Missal de 1969 inclui, como já dissemos acima, uma "Missa da noite." É uma missa de antecipação de Pentecostes que, apesar de uma ou outra oração mantida, está longe de ser a antiga vigília.

A antífona de abertura não é mais o velho Intróito "Cum sanctificatus", mas uma citação de Romanos 5.5: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Seu Espírito que habita em nós, aleluia.

O aspecto batismal não é mais explicitamente mencionado e a ênfase é sobre a vinda do Espírito Santo e o encerramento do Tempo Pascal.

A antiga coleta foi mantida, mas é uma alternativa a outra, que está listada em primeiro lugar. Isto é, aparentemente, uma nova composição:
“Deus Todo-Poderoso e eterno, Vós quisestes que a celebração do mistério pascal crescesse durante estes 50 dias de alegria; fazei que as nações e os povos espalhados se reúnam apesar da divisão linguística para confessar juntos o teu nome. Jesus ...”
Esta é uma alusão a Babel, à divisão de linguagem, e à leitura Do dia seguinte, dos Atos, onde todos entendem na sua própria língua a pregação dos Apóstolos.

A peculiaridade desta Missa, única no missal, é uma escolha entre quatro textos como primeira leitura:
  • Gênesis 11, 1-9: A torre de Babel 
  • Êxodo 19, 3-20: Deus se manifestou no fogo, no meio de seu povo 
  • Ezequiel 37, 1-14: Os ossos secos 
  • Joel 3, 1-5: O Espírito vem habitar em todos os homens

À parte do texto de Ezequiel, todos os outros são diferentes das profecias da antiga vigília.
A continuação da Liturgia da Palavra é fixa: 
  • Salmo 104, 1: Senhor envie o seu Espírito e renovai a face da terra! 
  • Romanos 8, 22-27: O Espírito nos ajuda em nossa fraqueza 
Quanto ao evangelho, manteve-se Jo 7, 37-39: Jesus promete o Espírito aos crentes

O communicantes próprio da Oração Eucarística I é o do antigo missal:
“Na comunhão de toda a Igreja, celebramos o santo dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo se manifestou aos Apóstolos em inúmeras línguas de fogo; e nós queremos mencionar primeiro a bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e nosso Senhor Jesus Cristo ...”
A mesma fórmula, adaptada, também é transferida para as outras orações eucarísticas e, portanto, à Oração III:
“É por isso que estamos aqui reunidos na vossa presença e na comunhão de toda a Igreja, celebramos o santo dia  Pentecostes, quando o Espírito Santo se manifestou aos Apóstolos em inúmeras línguas de fogo. Deus Todo-Poderoso, nós vos imploramos consagrar as ofertas que trazemos ...”
Há logicamente mais menções de batizados no Hanc igitur ou seu correspondente nas novas orações.

A Oração sobre as Oferendas e a Oração Após a Comunhão referem-se frequentemente ao Espírito:
“Nós oramos, Senhor, derramai a bênção de Vosso Espírito em nossas ofertas; que Vossa igreja receba essa caridade que fará brilhar no mundo a verdade de sua salvação.”
E
“Senhor, que esta comunhão nos seja aproveitável, fazendo-nos viver do fervor do Espírito Santo com o qual Vós preenchestes vossos apóstolos maravilhosamente.”

Quanto à Antífona da Comunhão, ela é tirada do Evangelho:
“O último dia da festa, Jesus levantou-se e gritou: ‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba’ Aleluia.”
É de se perguntar por que a seqüência da frase, " Quem crê em mim", não foi adicionada.

Continuidade ou ruptura?

"A obrigação de rever e enriquecer as fórmulas Missal Romano foi sentida. O primeiro passo dessa reforma foi o trabalho de nosso predecessor Pio XII, com a reforma da Vigília Pascal e do rito da Semana Santa. Esta é a reforma que deu o primeiro passo para a adaptação do Missal Romano à mentalidade contemporânea”. Assim se expressa Paulo VI na Constituição Apostólica Missale Romanum [15].
Nós sempre voltamos para a mesma pergunta: as alterações desde os anos 50, e então durante a reforma litúrgica, são elas continuidade lógica e histórica do antigo rito romano-franco ou elas marcam uma ruptura?

Aqui vemos uma prática antiga completamente abolida. Esta eliminação, assim diz Mons. Gromier, remove todo o caráter batismal deste dia e centra-o na vinda do Espírito Santo.  Provavelmente era o objetivo dos membros da Comissão insistir sobre o batismo na Páscoa e sobre a confirmação em Pentecostes, através do dom do Espírito Santo.

No entanto, a Missa foi conservada, ainda que contenha elementos que lembram a vigília. Isto é, no mínimo, uma inconsistência. A "restauração" dos anos 50, aqui, nada restaurou. Não há necessidade de grande erudição para se perceber que esta reforma foi realizada às pressas e descobrir nela muitas inconsistências.

Quanto à forma de 1969, ela é, como já mencionado, uma nova criação. Atualmente a maioria das dioceses organizam uma "Vigília de Pentecostes”, às vezes com a Missa da Vigília, frequentemente com o sacramento da Confirmação, mas com largo espaço para "criação" e "criatividade" devido à falta de orientações suficientes da parte do Missal.

Longe do “desenvolvimento orgânico” [16] querido pelo Padre Reid, devemos, mais uma vez, ver a falta de lógica e continuidade nos trabalhos das comissões. Neste caso, muita coisa foi removida, deixando um vácuo e criando um amplo espaço para a improvisação. Talvez mais do que em qualquer outro dia do ano litúrgico, as práticas da Vigília de Pentecostes nos diferentes lugares – dioceses e paróquias -, mostram uma diversidade que é uma lembrança de uma das leituras oferecida a escolha dos celebrantes: a de Babel.

Bibliografia

  • SCHUSTER, I., Liber Sacramentorum. Notes historiques et liturgiques sur le Missel romain. Tome IV : Le baptême dans l’Esprit et dans le feu (la Sainte liturgie durant le cycle pascal). Bruxelles, 1939.
  • GUERANGER P., L’année liturgique, Tome ii: Le Temps pascal, Mame & Fils, Paris, 1920,
  • PARSCH, P., The Church’s Year of Grace, Liturgical Press, Collegeville, 1953.
  • REID A., The Organic Development of the Liturgy, St Michael’s Abbey Press, Farnborough 2004

Notas



[3] Schuster, I., Liber Sacramentorum. Notes historiques et liturgiques sur le Missel romain. Tome IV : Le baptême dans l’Esprit et dans le feu (la Sainte liturgie durant le cycle pascal). Bruxelles, 1939.

[4] Tertuliano, De Baptismo 8, 1.

[5] Epist. ad Himerium cap. 2 : Patrologia Latina vol. XIII, col. 1131B-1148A

[6] Epist. XVI ad universos episcopos per Siciliam constitutos : P.L. LIV col. 695B-704A

[7] Durante a leitura das profecias do Sábado Santo, os sacerdotes terminavam os ritos de preparação dos catecúmenos ao Batismo, o que tomava um certo tempo.  Daí o comentário de Dom Guéranger sobre a relativa brevidade das profecias.

[8] GUERANGER P., L’année liturgique, Tome ii: Le Temps pascal, Mame & Fils, Paris, 1920, p. 260

[9] PARSCH, P., The Church’s Year of Grace, Liturgical Press, Collegeville, 1953.

[10] A rubrica especifica: nos lugares onde não há pia batismal, depois da sexta profecia com sua oração, o celebrante tira a casula e se prosterna com os ministros diante do altar.  E, estando ajoelhados todos os outros, cantam-se as ladainhas.  São cantadas por dois cantores no meio do santuário, as dois coros respondem juntos.  Ao verso Peccatores, te rogamus o padre e os ministros levantam-se e vão à sacristia, e vestem paramentos vermelhos.

[11] Citamos novamente a rubrica: Ao fim das ladainhas, canta-se o Kyrie Eleison para a missa, repetindo-o conforme o costume.  Durante esse tempo o celebrante e os ministros vão para o altar e fazem a confissão. Ao fim do Kyrie Eleison se entoa o Gloria in excelsis Deo e tocam-se os sinos.

[12] Esse documento, catalogado Codex Regina 337, foi recentemente publicado pela Biblioteca Vaticana. É um manuscrito do século VIII que descreve a liturgia papal em Latrão, depois da organização da liturgia pelo Papa São Gregório Magno e seus sucessores, até o tempo do papa Adriano I (+795), que enviou o manuscrito ao imperador Carlo Magno a fim de estabelecer a liturgia romana em todo o seu império. O Codex Regina 337 foi analisado por H.A. Wilson no livro The Gregorian sacramentary under Charles the Great, publicado pela Henry Bradshaw Society em Londres em 1915.

[13] Atos 19, 1-8.

[14] João, 14, 15-21.

[15] 03 de abril de 1969.

[16] Alcuin Reid OSB, The Organic Development of the Liturgy, St Michael’s Abbey Press, Farnborough 2004.

sábado, 30 de maio de 2015

Orai sem cessar III

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6. Hora na presença do Santíssimo Exposto
A exposição do Santíssimo Sacramento se pode fazer de dois modos: solene e simples. Para a exposição solene usa-se o ostensório e se acendem quatro ou seis velas e se deve fazer incensação. Na simples, que se faz com cibório, acendem-se pelo menos 2 velas e o incenso é opcional. Pode-se celebrar qualquer hora litúrgica na presença do Santíssimo Sacramento exposto, com qualquer grau de solenidade; todavia algumas celebrações são mais apropriadas, mormente se se pretende dar a bênção com o Santíssimo Sacramento, por exemplo Laudes ou Vésperas celebradas solenes. Essas celebrações explicaremos com maiores detalhes.

A celebração inicia como de costume, se o Santíssimo já estiver exposto, a uma considerável distancia do presbitério o Bispo depõe a mitra, o solidéu e o báculo, que passa a ser carregado à sua frente; chegando ao presbitério faz genuflexão, não beijam o altar e seguem para seus lugares. Inicia-se a celebração como de costume. Se não estiver ainda exposto o Sacramento, aproximam-se do presbitério e faz a devida reverência, beija-se o altar. Todos se ajoelham, inicia-se o hino eucarístico. Estando a reserva eucarística no próprio altar, abre-se o sacrário, genuflete-se e coloca-se o Santíssimo Sacramento no ostensório. Se o sacrário estiver em uma capela própria, o sacerdote ou um diácono, munido de véu umeral branco a transporta até o altar da exposição, a coloca no ostensório e gunuflete. A seguir, de joelhos, incensa-se o Santíssimo Sacramento. Durante a exposição canta-se um canto eucarístico. Uma vez exposto o Santíssimo, inicia-se a hora.



A celebração se faz como de costume, todavia o Bispo não usa mitra ou solidéu durante toda a cerimônia. No cântico evangélico, durante o qual se incensaria a cruz, o altar, o sacerdote e o povo, seguindo o que era realizado no rito antigo, nas missas que se celebrava na presença do Santíssimo exposto e as instruções de Mons. Peter Elliott, procede-se a incensação do Santíssimo de Joelhos, em substituição à incensação da cruz, e a seguir a incensação do altar, genufletindo cada vez que se passa diante do ostensório. Esse modelo remonta à celebração da missa in coram sanctissimo existentes na forma extraordinária do Rito.

Ao fim da hora, se se vai conceder a bênção com o Santíssimo Sacramento, omite-se a bênção costumeira. Procede-se ao canto do Tão Sublime Sacramento ou outro canto eucarístico do ritual, todos de joelhos, o celebrante à frente do altar. Seis acólitos com tochas (ou castiçais), além do turiferário, naveteiro e, se possível um diácono se põem dirante do altar de joelhos, como na consagração da Santa Missa. Terminado o canto, o sacerdote ou diácono levanta-se para a oração, enquanto os demais permanecem de joelhos. Toma, então o santíssimo com o véu umeral branco e traça o sinal da cruz sobre os fiéis, se for sacerdote ou diácono, uma única cruz; se for Bispo três cruzes: à esquerda, ao centro e à direita. Durante a bênção eucarística, toca-se o sino. Depois podem-se fazer as preces de ação de graças, como de costume. 

Se o santíssimo for reposto em seguida, procede-se como para a exposição, levando-o de volta ao sacrário. O Bispo retoma o solidéu, a mitra e o báculo. Se a exposição permanecer, o Bispo permanece sem solidéu, mitra e báculo, que é levado à sua frente, e só os retomará a uma boa distância do altar da reposição. Um diácono ou sacerdote despede o povo. Por fim, faz-se o recessional em direção à sacristia.


7. Relação da Liturgia das Horas com a Missa
A relação do ofício divino com a Santa Missa é bastante estreita. A começar pelos horários, a Santa Missa só se pode celebrar depois de rezadas as Laudes; da mesma forma, só se diz Missa do domingo ou solenidade depois que se celebrou as I Vésperas deste ofício. Cabe ao ofício divino "inaugurar" o ofício do dia. O próprio da Santa Missa, salvo nas missas votivas e para diversas necessidades, será sempre relativo à Liturgia das Horas. Por exemplo, se se celebra em determinado dia a festa de um santo, se dirá o ofício do santo e também a missa dele com mesmo grau de solenidade, no exemplo, festa.

 Permite-se unir a o ofício das leituras com uma das horas (antepondo sempre o ofício à outra hora), omite-se a oração e conclusão da hora que precede e o versículo introdutório da hora que sucede. Existe, neste mesmo sentido, rubricas que permitem unir uma hora canônica à Santa Missa, todavia pela "mescla" entre os ritos que se faz, as supressões e a mistura da liturgia das horas com a liturgia sacramental, vemos essa união como pouco adequada. Sendo mais lógico que se façam duas celebrações diversas, como acontece nos cabidos das basílicas romanas e na grande maioria dos seminários.



8. Conclusão

A estrutura das horas, como escolher os textos e alguns detalhes da celebração comunitária e solene, embora tenhamos tentado apresentar de uma maneira organizada e sucinta, pode ainda parecer extremamente confusa para quem não tem o hábito de rezá-las. Não existe nenhuma maneira melhor para aprender do que rezando. Um religioso, uma religiosa, um sacerdote ou mesmo um leigo que tenha o hábito de rezar porá ser um bom orientador, fornecendo indicações e sanando dúvidas.  Permaneçamos juntos com a Igreja e perseverantes na oração para sermos mais perfeitamente "uma só corpo e um só espírito".




 Veja também:

Orai sem cessar I
Orai sem cessar II


domingo, 17 de maio de 2015

Ajude o Instituto Cristandade, comprando os Paramentos Imaculada Conceição

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Recebemos o e-mail abaixo e publicamos para os amigos, para que ajudem.

"Olá, Salve Maria!

Através desse email quero expressar minha gratidão ao apostolado virtual Salvem a Liturgia que muito tem ajudado a Igreja Católica. Desejo que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil abençoe esse blog hoje e sempre.

Também gostaria de pedir a ajuda de uma publicação sobre uma moça que está fazendo paramentos litúrgicos aqui em Presidente Prudente, SP.  A loja se chama Paramentos Imaculada. A responsável pela confecção é nossa amiga Aline Pomin, do Instituto Cristandade, que, mesmo muito doente, com dedicação aprendeu a confeccionar vestes para a Liturgia. Não possuindo uma máquina para bordar está bordando à mão.

Ela me pediu para enviar esse email este foi seu comentário a mim:  "Comecei a confeccionar os paramentos com o intuito de ajudar a Igreja Católica e de ajudar o Instituto Cristandade. Tenho como objetivo ajudar a manter a Tradição através da beleza dos paramentos."


Marlon Victor

Contatos: Página do Facebook: Paramentos Imaculada Conceição: https://www.facebook.com/pages/Paramentos-Imaculada-Concei%C3%A7%C3%A3o/803277359739453?fref=ts
telefone: (18) 98173-3670 -  Aline Pomin"

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O que a Forma Extraordinária significa para mim

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Encontro-me em circunstâncias privilegiadas em relação à maior parte dos fiéis portugueses. A crise em Portugal obrigou-me a emigrar e, graças a tal, tenho a possibilidade de participar na vetus ordo semanalmente. É sobre a minha vivência da vetus ordo que vos quero falar, sobretudo aos leitores portugueses que, por um motivo ao outro, se vêm privados da FE em terras lusitanas. Desde já o seguinte caveat: não pretendo ser polémico, nem pretendo demonstrar que a novus ordo é pior que a vetus ordo; simplesmente quero apresentar alguns motivos porque esta última me ajuda a viver melhor a nossa Fé. Irei-me focar muito sumariamente em apenas três aspectos. As palavras seguintes serão as minhas opiniões – fruto de meditação, mas mesmo assim opinião, portanto têm o valor que têm.

http://www.effedieffe.com/images/stories/vetus_ordo.jpg


Próprios

Posso contar nos dedos a quantidade de vezes que ao longo dos anos ouvi os próprios nas várias Missas paroquiais em que participei em Portugal. Que existam lugares onde se utilizem, não duvido. É falha da novus ordo? Não, pois os próprios estão lá; se se optam por outros textos, os motivos que levam a tal já me são alheios.
Não existindo a possibilidade de escolher outros textos que não os próprios que vêm no missal (que por sua vez vêm dum livro chamado Graduale), a vetus ordo coloca-nos obrigatoriamente em contacto com estes. Os próprios falam-nos da festa que se está a celebrar, seja dum santo seja duma efeméride. Ajudam-nos a sentir cum Ecclesiae; colocam-nos na boca as palavras através das quais a Igreja entende o acto que se está a concretizar. Devido aos próprios toda a Missa está impregnada das Escrituras; são raros os casos em que os próprios não são textos retirados das Escrituras (os casos excepcionais que me ocorrem de momento nem são no missal romano, mas sim no bracarense).
Os próprios põem-nos em contacto com o Saltério pois são maioritariamente compostos por versos tirados dos Salmos. Enquanto que a exposição principal aos Salmos nas celebrações da novus ordo se dá aquando do Salmo responsarial (porque se opta muitas vezes por ignorar os próprios), na vetus ordo toda a celebração é intercalada com versos dos Salmos. Encontramos os Salmos no Intróito, no Gradual, no Tracto, no Aleluia, no Ofertório e na antífona da Comunhão. É também através dos próprios que a Igreja nos ajuda a interpretar as Escrituras.
Veja-se, por exemplo, o caso dos próprios da primeira Missa do Natal. O Intróito é  Sl 2, 7.1: Dominus dixit ad me: Filius meus es tu; ego hodie genui te. Quare fremuerunt gentes, et populi meditati sunt inania? A Igreja põe estes versos do Salmo 2 na boca de Cristo; dá-lhes uma interpretação cristológica. O Gradual vai buscar o Sl 109, 3.1 Tecum principium in die virtutis tuæ in splendoribus sanctorum: ex utero, ante luciferum, genui te. Dixit Dominus Domino meo: Sede a dextris meis, donec ponam inimicos tuos scabellum pedum tuorum e dá-lhes também uma interpretação cristológica (interpretação essa que já o próprio Jesus tinha dado, como podemos atestar nos Evangelhos). O Ofertório apresenta Sl 95, 11.13 Lætentur cæli, et exsultet terra;
commoveatur mare et plenitudo ejus;  a facie Domini, quia venit
. Mais uma vez a Igreja, utilizando este verso na sua Liturgia, mostra-nos que ele se refere a Cristo e ao Seu nascimento.


Repetição

Umas das coisas que talvez salte à vista (e aos ouvidos) de quem participa pela primeira na vez na Missa segundo a vetus ordo são as repetições. São as vezes que o sacerdote se vira do altar para a congregação; o tríplice bater no peito durante o Confiteor; os vários ósculos que o sacerdote faz ao altar; os vários sinais da cruz; as varias genuflexões;… Apesar da vetus ordo ser o rito menos “floreado” dos ritos latinos (o rito bracarense, como praticamente todo o uso medieval, tem bastante mais “ritual”), é notoriamente mais ritualizado que a novus ordo. Mas porque dar importância às repetições? Não são as repetições maçadoras ou supérfluas? Creio que não; antes pelo contrário, creio que são bastante pedagógicas para o crente que participa na Missa e ajudam melhor a entrar no mistério. Acredito que quem esteja atento ao que se passa durante a celebração é levado a questionar-se sobre o porquê da repetição de certos gestos e palavras. A Igreja, na sua sabedoria, instrui os seus filhos através da repetição. Estas repetições de gestos e palavras são, entre outras coisas, chamadas de atenção; obrigam-nos a focar no que se está a fazer ou chamam-nos de volta se por acaso nos tenhamos distraído. Quantas vezes não me distraí após o Pater Noster e é a segunda ou terceira repetição de Domine non sum dignus que sou chamado de volta à realidade. Nenhum gesto é supérfluo; tudo tem o seu significado e cabe a nós descobri-lo e apropria-lo ao invés de ceder a soberba e dizer “não entendo a razão de ser disto, logo deve estar errado”. Diz Origenes que o corpo é ícone da alma, portanto a postura e os gestos fazem parte da oração. Os Padres da Igreja dão testemunho de como o corpo é importante na oração (os Nove Modos de Orar de S. Domingos atestam a este facto); de facto a vetus ordo acaba por envolver mais a corporalidade da oração através de gestos que já nos vem de tempos remotos.

Participação

Após regressar a Igreja ouvi falar muito de participação activa e era bombardeado com opiniões contraditórias do que isso significaria.
Foi sobretudo o frequentar a vetus ordo que me ensinou a participar na Liturgia, seja em que rito ou forma for. Participação activa no seu sentido mais pleno é participar na Paixão de Cristo, completando o que falta nas Suas tribulações (cf Col 1, 24). Assistir a Missas solenes ajudou bastante para esclarecer qual o papel dos leigos na Missa (uso aqui a palavra assistir não no sentido de espectador, como é usual entender-se quando se critica que “não se assiste à Missa”, mas no sentido de quem ajuda, de quem dá apoio, que é o verdadeiro sentido). Para quem assiste pela primeira vez a uma Missa solene, parecerá certamente tudo uma confusão. Estão várias coisas a acontecer ao mesmo tempo: o sacerdote e os seus ministros estão a rezar orações que lhes são próprios, o coro está a cantar algum dos próprios da Missa do dia, os leigos estão a fazer alguns gestos (ou até a acompanhar o coro se souberem) ou estão “apenas” receptivos, atentos ao que se passa. Mas o que é à primeira vista uma confusão revela-se de facto uma sinfonia. Cada grupo está a exercer o seu munus, cada qual tem o seu papel a desempenhar na Liturgia.
Inicialmente seguia tudo pelo missal. E apesar de ainda recorrer por vezes ao missal (sobretudo para ver os próprios), com o passar do tempo tenho-me familiarizado mais e mais com a estrutura da Missa em si. A familiarização com a estrutura da Missa ajuda a que eu junte as minhas orações pessoais às do sacerdote nos momentos em que os leigos nada têm a responder durante a Missa. Vou aprendendo a trazer para a Liturgia a minha vida, a oferecê-la aquando do Ofertório para que aquilo que o sacerdote, através de Cristo, realiza ao oferecer o pão e vinho se venha a realizar em mim, para que o Cristo que se torna presente sobre o altar se vá tornando presente em mim. Nas orações do Canon junto as minhas intenções às do sacerdote, para que ele as apresente sobre o altar. 

http://stlouisreview.com/sites/default/files/article-images/137252/LatinMass0312.jpg


Termino por aqui este breve resumo, deveras incompleto, da minha participação na vetus ordo. Teria muito mais a dizer sobre outros aspectos, mas creio que outros já o terão dito e melhor do que eu alguma vez o poderia dizer. Desejo apenas que este testemunho acenda nalgum leitor português o desejo de descobrir o seu património litúrgico, de não o descartar logo a partida, e qual pai de família aprenda a tirar deste tesouro coisas novas e velhas.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Ofício romano do séc. VI aos nossos dias. Continuidade ou ruptura? Um ensaio de avaliação crítica

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Recebi do Pe. Jean-Pierre Herman e sacerdote da diocese de Namur (Bélgica).  Ele nasceu em 1959.  Exerceu até hoje diversos ministérios em Europa, nos Estados Unidos e no Brasil.  É autor de diversos artigos em língua francesa sobre a história da liturgia.

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O Ofício romano do séc. VI aos nossos dias

Continuidade ou ruptura?

Um ensaio de avaliação crítica

Pe Jean-Pierre Herman


Ofício Romano. Um breve percurso histórico

Em 1971 apareceu a primeira edição da Liturgia Horarum juxta ritum romanum[1], que substituiu o venerável Breviarium romanum. Um dos objetivos dos reformadores do Vaticano II era restituir ao Ofício divino seu estatuto de oração do povo de Deus. Hoje as edições em vernáculo do novo Ofício[2] são amplamente difundidas e utilizadas para a oração comunitária e individual dos cristãos, clérigos ou laicos. Pareceu-nos, contudo, conveniente arriscar uma avaliação após quarenta anos de prática. Apresentaremos aqui, portanto, duas questões cruciais: por um lado «O Ofício divino atual é realmente o digno herdeiro do Breviário romano, ou ele marca uma ruptura com uma tradição secular?» e de outro: «Os reformadores, preocupados em restituir ao povo cristão a oração das horas, alcançaram seu objetivo?» A breve reconstrução histórica a seguir ajudar-nos-á a responder.

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