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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Espaço Litúrgico: Centro e Foco

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Algumas ideias tão simples e difundidas em nossas pastorais litúrgicas como "A comunidade se reúne em torno do altar" ou, em consequência desta, "O altar deve estar no centro da igreja" são assimiladas pelos fieis com muita naturalidade e muito raramente questionamos a origem e o real significado dessas ideias. Para entendê-las precisamos pensar, voltar aos conceitos mais básicos e nos indagar: o que é centro? E ainda, o altar realmente deve estar no centro?


A palavra "centro", tomando uma definição quase matemática se refere ao ponto de um espaço que está a uma mesma distância de suas partes mais externas, em uma linguagem mais simples: aquilo que está no meio. Um outro conceito, parecido, embora não idêntico é o de "foco", que por sua vez tem um sentido eminentemente óptico, como o ponto para o qual se encaminham os feixes de luz ou do qual se afastam, no nosso contexto litúrgico, podemos entender como sendo o ponto para o qual se voltam as atenções.
 

Embora numa linguagem abstrata e teórica as palavras possam ter um mesmo significado, referindo-se ao elemento principal, a ideia mais importante de dado contexto. Em um plano físico, e mais particularmente arquitetônico, diferem sensivelmente, uma vez que o centro do espaço pode não ser o local para o qual se voltam as atenções dos presentes.

Lembremo-nos da origem das igrejas no mundo latino. O primeiro tipo de igreja, ainda antes das basílicas eram as "domus ecclesiae", residências dos patrícios romanos que passaram ao uso eclesiástico. Estas habitações possuíam basicamente dois ambientes: atrium, ambiente menor, comunicava-se diretamente com a rua e era reservado aos serviços domésticos, ao seu centro ficava o impluvium, reservado para coleta da água pluvial; o segundo era perystilum, a verdadeira habitação familiar, que consistia de um jardim cercado por colunas ao fundo do qual se encontrava exedra, local reservado para receber convidados.



Atrium, foi reservado aos catecúmenos;  perystilum, aos fieis, dividindo-se segundo o sexo e colocando-se de um e de outro lado. O Bispo, servido pelo seu clero, realizava as funções na exedra. A escolha deste espaço e não do centro do perystilum parece ser justamente a diferença entre estar no centro e estar no foco. Estando ao fundo da Domus, o Bispo presidia a assembleia litúrgica, pronunciava as fórmulas sagradas e, assistido pela atenção de todos os fiéis, celebrava os sagrados mistérios.

Com o Édito de Milão, as Domus deram espaço às basílicas. As basílicas como eram chamadas os predios públicos romanos possuiam uma estrutura bastante simples e eficaz. Uma nave central, retangular, mais elevada com janelas para ventilação a iluminação, rodeada por naves laterais, duas ou quatro, mais baixas, foi este o lugar que ocupavam os fieis, dispostos como em Perystilum, de um e outro lado, ainda que o espaço central fosse agora coberto.




A estrutura dividida em três níveis, proveniente da domus foi mantido e aperfeiçoado na nova estrutura basilical. O atrio se tornou maior e passou a possuir colunas, como na figura abaixo, como se conserva ainda hoje na Basílica Maior de São Paulo fora dos Muros em Roma.


O antigo "presbitério", exedra, deu lugar a uma localização ainda mais prestigiosa e solene. Ao fundo da nave central, um semi-círculo concluía a construção: ábside. Nela foi disposta a cátedra do Bispo, o altar e, pouco mais adiante, o ambão. A abside, uma vez presente na liturgia das igrejas primitivas não se afastou da arquitetura sacra durante milhares de anos, ainda que se tenha modificado sensivelmente ao longo dos séculos. O motivo disso foi que ela proporciona um ponto monárquico dentro do espaço sagrado, seja pela sua posição frontal para todos se põem na nave central da igreja, seja pelo seu formato côncavo. 

A primeira modificação que se pode destacar em relação às transformações da abside é que no primeiro milênio com a proeminência da figura episcopal, era mais natural colocar na abside propriamente dita a cátedra, como se vê na Catedral de Roma ainda hoje, figura abaixo.



No segundo milênio, a cátedra mais comumente foi disposta à direita, deixando o ponto monárquico para o altar. Isso se deve a uma maior valorização do ministério sacerdotal em relação àquele episcopal, proeminente no milênio anterior. Também as absides, embora mantivessem a concavidade, deixaram de se apresentar semi-circulares para adquirir formatos poligonais, em particular na arte gótica.


 A perda desse elemento arquitetônico usado desde as basílicas primitivas, passando pelas catedrais góticas e chegando até o barroco, não se deve ao fato de se ter encontrado uma forma melhor de dar destaque aos sagrados mistérios- Ao contrário, o desaparecimento das absides, foi uma perda de um conceito fundamental na liturgia: o foco. No lugar deste passou-se a dispor o espaço liturgico ao redor de um centro, que, como já dissemos nem sempre consegue apenas por sua localização concentrar as atenções.

Desse vício nascem duas realidades. A primeira é a reforma inadequada dos espaços litúrgicos já existentes. Neles, tenta-se a todo custo — da simetria, da beleza, da praticidade — instalar um altar no meio da assembleia, mutilando a beleza da arquitetura original e produzindo um estranho dualismo de altares. Nesses casos, existe um ponto para onde se voltam naturalmente as atenções, todavia ele não está no local onde se celebra.


 A segunda situação é a construção de novos espaços, onde o altar se põe no centro, os assentos dos leigos e dos clérigos se dispõem indiferentemente ao redor do mesmo, em um formato elíptico. Tudo se realiza ao redor do altar, ou  deste e do ambão. A atenção de cada qual se volta para aquilo que está à sua frente: o outro lado da assembleia.

 

Esse espaço sagrado trai o ideal da comunidade primitiva, da Domus Ecclesiae e rompe com a comunhão artística de tantos séculos. Pela abolição da exedra, do presbitério e da abside, nasce um espaço acéfalo, incapaz de representar a Igreja, corpo místico, do qual Cristo é a cabeça. Sendo adequado apenas para uma comunidade horizontal que celebra a si mesma, voltada para dentro de si.

Apesar dessa clara descontinuidade artística e eclesiológica, muitos se referem a esse modelo de igreja como uma alternativa participativa. Como se o modelo dito tradicional reproduzisse um teatro greco-romano, onde se distinguem duas partes em lados diferentes do ambiente: o público e os artistas. A esse argumento, cabe lembrar que também o picadeiro é um palco, ainda que o público se ponha ao redor.

Por fim, usa-se o Concílio Vaticano II para justificar toda e qualquer mudança em matéria litúrgica. Nesse caso em particular, poderia-se dizer que a constituição conciliar sobre liturgia diz claramente que "todos devem dar a maior importância à vida litúrgica da diocese que gravita em redor do Bispo, (...) especialmente na mesma Eucaristia, numa única oração, ao redor do único altar a que preside o Bispo rodeado pelo presbitério e pelos ministros". Poderia-se dizer isso, ou poderíamos ir ao texto latino aprovado pelos padres conciliares e vermos que a expressão em negrito acima no original " ad unum altare", onde a preposição em nada se refere a estar ao redor, mas simplesmente estar ao altar.

Assim, torna-se claro que centro e foco não são conceitos intercambiáveis entre si e que ter o altar no centro, fisicamente falando, nunca foi uma necessidade litúrgica, urge, portanto, um trabalho técnico e artístico para relocar nos espaços litúrgicos a celebração dos sagrados mistérios, principalmente da sagrada Eucaristia, uma vez que não basta que Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de seu corpo e seu sangue estejam no centro do espaço sagrado.


É preciso ter foco nEle!


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O vencedor do concurso de presépios paroquiais 2014

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-------> ATENÇÃO <------ - Os vencedores, DEVEM entrar contato via e-mail para: daniel@salvemaliturgia.com com o endereço para o qual o(s) prêmio(s) devem ser enviados em até 48 horas. Caso não seja, o ganhador perde direito à premiação; sendo o primeiro colocado, sua premiação passará ao segundo colocado.

Cortesia: Loja Arte Sacro


-------> ATENÇÃO <------ - Os vencedores, DEVEM entrar contato via e-mail para: daniel@salvemaliturgia.com com o endereço para o qual o(s) prêmio(s) devem ser enviados em até 48 horas. Caso não seja, o ganhador perde direito à premiação; sendo o primeiro colocado, sua premiação passará ao segundo colocado.

Post by Salvem a Liturgia!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Você decidirá o vencedor do Concurso de Presépios 2014!

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No último dia de 2014, nossa equipe escolheu os finalistas do Concurso de Presépios Paroquiais do Salvem a Liturgia!, edição 2014. Os três presépios que se classificaram para a segunda fase já foram publicados em nossa página no Facebook e os votos já estão sendo computados (basta "curtir" a foto do presépio).

Todas as três paróquias finalistas serão premiadas por nossa parceira, a Arte Sacro, conforme enunciado nas regras desta edição.


Premiação:
  
1º lugar: conjunto de estola e casula neste modelo (cor a decidir)
2º e 3º lugares: jogo de altar (imagem meramente ilustrativa)

Eis os finalistas (clique na foto para ser direcionado à página de votação):

Diocese de Franca-SP.
Cidade de Restinga-SP.
Pároco: Pe. Michel Rosa

Diocese - Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 
Cidade/estado - Rio de Janeiro/RJ
Nome do pároco: Padre Jorge Lutz, SVC (Sodalício de Vida Cristã)
Foto enviada por: Thiago de Oliveira Tavares


Cura: Padre José Gonçalo Vieira
Arquidiocese de Belém - PA
Enviada por: André Magno Vilhena

sábado, 27 de dezembro de 2014

Concurso de Presépios 2014: Inscrições abertas!

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As inscrições para o Concurso de Presépios Paroquiais do Salvem a Liturgia!, em parceria com a Arte Sacro, estão abertas.


Não deixe de inscrever sua paróquia até o dia 29 de dezembro, quando encerra-se a primeira fase, e concorrer a uma estola e casula neste estilo (cor a escolher), além de outros prêmios:




As inscrições já realizadas estão sendo divulgadas em nossa página no Facebook.

Inscreva-se já, lendo as regras aqui!



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O que é o presépio? Especialistas respondem

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Amanhã (25), Natal do Senhor, inicia-se a segunda edição do Concurso de Presépios Paroquiais do Salvem a Liturgia!, em parceria com a Arte Sacro Paramentos Litúrgicos. Não deixe de visitar as regras do concurso e inscrever tua paróquia. Além de fomentar uma maior piedade aos fiéis neste tempo tão importante da vida da Igreja, estarão concorrendo a belíssimos prêmios.

Para aprofundarmo-nos no presépio, trago logo abaixo o capítulo introdutório do livro "O Presépio das Crianças" (Editora Quadrante), de autoria do Pe. Flávio Sampaio de Paiva, que explica o presépio sob ângulos diversos.

Presépio do Vaticano (2014) | Foto: REUTERS/Giampiero Sposito | D.R.

O livro traz dois contos natalinos que servem como ótima meditação para este Tempo do Natal que se aproxima. Os contos também foram gentilmente publicados pelo autor em blogues e podem ser encontrados em: O Conto do Presépio das Crianças e O Conto dos Animais do Presépio.

O primeiro conto, aliás, conta a história de um sacerdote que deseja, através do presépio, ajudar seus paroquianos a meditarem melhor no mistério do Natal. O cura pensava consigo: "As pessoas não sabem entrar no presépio, não descobriram as chaves que abrem as portas do verdadeiro presépio de Belém. E assim não abrem as portas do seu coração para que Deus entre nele e ali possa nascer."Tudo a ver com nosso Concurso de Presépios, não?

Presépio do Vaticano (2014) | Foto: REUTERS/Giampiero Sposito | D.R.
***
Perguntei a um especialista em línguas: O que é o presépio? Ele respondeu-me:

Presépio é uma obra de arte sacra, composta de figuras de materiais diversos, que representa o estábulo de Belém e as cenas relacionadas com o nascimento de Jesus. Contém a representação da manjedoura (cocho) em que Jesus foi posto ao nascer.

A palavra presépio vem do latim praesepium, que por sua vez vem de prae – “antes”, “na frente de” – e de saepes – “sebe”, “cerca”, “grade” –. O significado original dessa palavra era, pois, o de um recinto fechado onde se encerravam os animais: um curral, uma estrebaria. E como os animais confinados no curral precisavam comer, o significado dessa palavra estendeu-se também ao lugar em que os animais comem, à manjedoura.


Perguntei a um crítico de arte brasileiro: O que é o presépio? E ele respondeu-me:

Os cristãos celebram o Natal desde fins do século III,  quando já peregrinos se dirigiam ao local de nascimento de Cristo, a gruta de Belém. No século seguinte, a cena da Natividade aparece em relevos de sarcófagos, instrumentos litúrgicos ou afrescos, que mostram a Virgem Maria, a Adoração dos Reis Magos e o Menino a repousar na manjedoura.

A primeira dessas imagens de que se tem notícias foi esculpida em um sarcófago do século IV, e encontra-se hoje no Museu das Termas, em Roma. É um baixo-relevo em que uma árvore faz o papel de cabana, um pastor medita apoiado em um bastão, o Menino está em um cocho rústico envolto em panos, ladeado por um burro e um boi.

Bem depois, em 1223, na Itália, ocorre um fato marcante na história dos presépios. São Francisco de Assis, em vez de festejar a noite do Natal na igreja, como se fazia habitualmente, decidiu levar uma manjedoura, um boi, um burro e outros elementos do presépio a uma gruta nos arredores da cidadezinha de Greccio, fazendo uma representação ao vivo da cena. Assim, Francisco ganhou a fama de ter criado o presépio, embora somente séculos mais tarde os presépios tenham adquirido a forma atual.

No século XV, passou a haver representações do Natal em forma de esculturas, muitas vezes em tamanho natural, expostas em oratórios (capelas) nas igrejas. Sempre havia aí uma preocupação didática: pretendia-se que os espectadores, ao olharem o presépio, tivessem a sensação de estar penetrando no palco da História Sagrada.

No século seguinte, as figuras libertam-se das capelas e começam a aparecer soltas, em grupos. Nasce assim o presépio como o concebemos hoje: capaz de ser modificado por cada artista que o constrói ou por cada pessoa que o monta, em sua casa, ano após ano. Aliás, a graça do presépio está em ser criativo, tornando cada um deles diferente, pessoal e único. O primeiro presépio deste tipo que se conhece em uma casa privada foi provavelmente elaborado em 1567: sabemos pelo seu testamento que a Duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini, possuía dois baús com 116 figuras, utilizadas para representar o Nascimento e a Adoração dos Reis Magos.

No século XVIII, conventos e cortes dedicaram-se à construção de presépios. Em Nápoles, Carlos III, rei das Duas Sicílias, investiu fortunas para construir presépios de madeira talhada ou pedra esculpida com um enorme número de personagens coloridos e cenas da vida popular; daí proveio a tradição dos presépios napolitanos.

Se Nápoles, Sicília, Munique e a região alpina alemã estabeleceram uma tradição em presépios, o Brasil não ficou atrás. Já em 1532, o padre José de Anchieta, ajudado pelos índios, modelava em barro pequenas figuras representando o presépio, com o propósito de inculcar nos indígenas a tradição de honrar o Menino Jesus no dia de Natal. Mais tarde, começaram a aparecer cenas com características nacionais, como lavadeiras que carregavam trouxas, fazendeiros que cuidavam de animais, mulheres que davam milho a galinhas, monjolos, montes, árvores da terra e igrejinhas iluminadas.

No século XX, surgem legítimos representantes nacionais da arte do presépio. Um caso é o presépio do Pipiripau, em Belo Horizonte, com quarenta e duas cenas. Outro destaque é o trabalho das figureiras do Vale do Paraíba, em São Paulo, principalmente Taubaté. E como esquecer o mestre Vitalino de Caruaru, Pernambuco, com as suas pequenas figuras modeladas em barro? E as obras realizadas em São Paulo por Evarista Ferraz Salles, pioneira no Brasil em trabalhos de artesanato de palha, milho e bucha, com os seus presépios dentro de cabaças, que são reconhecidos nacional e internacionalmente? (4)

(4) Cfr. Oscar D´Ambrósio, A arte dos presépios, em www.artcanal.com.br/oscardambrosio/presepio.


Perguntei a um teólogo: O que é o presépio? Ele respondeu-me sabiamente:

A festa de Natal ocupa um lugar muito especial no coração dos cristãos. Possui um brilho e um calor humano que nos comovem mais do que qualquer outra festa cristã. Muito desse encanto se deve a São Francisco de Assis e à famosa celebração do Natal em Greccio, no ano de 1223. Essa celebração contribuiu decisivamente para que se desenvolvesse e se estendesse o formosíssimo costume de montar presépios para comemorar o evento.

Tomás de Celano, o primeiro biógrafo de São Francisco, relata-nos: “Celebrava com incrível alegria, mais que nenhuma outra solenidade, o Natal do Menino Jesus, pois afirmava que era a festa das festas, em que Deus, feito um menino pobrezinho, pendeu de peitos humanos. Beijava como um esfomeado as imagens dessa criança, e a derretida compaixão que tinha no coração pelo Menino fazia com que balbuciasse palavras doces, como uma criancinha. Para ele, esse nome era como um favo de mel nos seus lábios”(5)

São Francisco tinha um amor imenso por Jesus, Deus-conosco, que o levou a visitar a Terra Santa e a relíquia da manjedoura em que Jesus teria sido posto ao nascer, e que hoje se encontra em Santa Maria Maior, em Roma. Essas viagens podem tê-lo animado a montar a celebração de Greccio. Mas, sem dúvida, o que mais influiu nele foi o desejo de viver com maior realismo e proximidade o nascimento de Jesus.

Havia naquela cidade um homem chamado João, “de boa fama e vida ainda melhor, por quem São Francisco tinha especial amizade”, e a quem o santo encarregou de preparar a representação da cena, dizendo-lhe: “Quero evocar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os meus próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”. (6)

Já na véspera do Natal, o povo aproximou-se, alegre com a expectativa de ver o mistério representado ao vivo. Os frades cantavam, dando louvores ao Senhor. A missa de Natal foi celebrada ali mesmo, e diz-se que o sacerdote que a celebrou sentiu uma piedade que jamais experimentara até então. São Francisco, que era diácono, cantou com voz sonora o santo Evangelho. Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas maravilhosas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém. (7)

O cardeal Ratzinger, antes de tornar-se Papa, comentou a nova dimensão que São Francisco tinha outorgado à festa cristã do Natal. A descoberta da revelação do «Emanuel», Deus-conosco, realizada no Menino Jesus, penetra profundamente nos corações dos cristãos, porque nenhum obstáculo de sublimidade ou de distância nos separa mais dEle. Como menino, aproximou-se tanto de nós que podemos tratá-lo sem receio, com simplicidade e total confiança:

“No Menino Jesus, torna-se patente, mais que em nenhuma outra parte, o amor indefeso de Deus: Deus vem sem armas, pois não pretende assaltar de fora, mas conquistar de dentro, e a partir daí transformar-nos. Se algo pode desarmar e vencer os homens, a sua vaidade, a sua sede de poder ou a sua violência, assim como a sua cobiça, é a fragilidade de um menino. Deus escolheu essa fragilidade para nos vencer e para tornar-nos conscientes do que realmente somos. [...]
“Quem não entendeu o Mistério do Natal não entendeu o que é mais decisivo e fundamental no ser cristão. Quem não o aceitou, não pode entrar no reino dos céus. Isso é o que Francisco pretendia recordar à cristandade da sua época e à de todos os tempos posteriores”(8)

Podemos ainda perguntar-nos: Por que o boi e o asno fazem parte do presépio desde o começo? Novamente é o cardeal Ratzinger quem nos responde:

“O boi e o asno não são mera produção da fantasia. Converteram-se, pela fé da Igreja, [...] nos acompanhantes do acontecimento natalino. Com efeito, em Isaías 1,3 diz-se concretamente: «O boi conhece o seu dono, e o asno o presépio do seu amo, mas Israel não entende, o meu povo não tem conhecimento».

“Os Padres da Igreja viram nessas palavras uma profecia que apontava para o novo povo de Deus, a assembléia dos judeus e dos cristãos. Diante de Deus, todos os homens, tanto judeus como pagãos, eram como bois e asnos, sem razão nem conhecimento. Mas o Menino, no presépio, abriu-lhes os olhos, de maneira que agora reconhecem a voz do seu dono, a voz do seu Senhor.

“Nas representações medievais do Natal, não deixa de causar estranheza o fato de esses animais chegarem a ter rostos quase humanos e a prostrar-se e inclinar-se perante o mistério do Menino, como se o entendessem e o estivessem adorando. Mas isso era lógico, uma vez que esses dois animais eram como símbolos proféticos sob os quais se oculta o mistério da Igreja, o nosso mistério, já que nós somos boi e asno diante do Eterno, boi e asno cujos olhos se abrem na noite de Natal, de forma que, no presépio, reconhecem o seu Senhor. [...]

“Quando colocamos as figuras que nos são familiares no presépio, devemos pedir a Deus que conceda aos nossos corações a simplicidade que sabe descobrir o Senhor no Menino, tal como Francisco na sua época. Então poderemos experimentar o que nos conta Celano acerca dos participantes da celebração de Greccio com umas palavras muito parecidas às de São Lucas a propósito dos pastores da primeira noite de Natal (Lc 2,1220): «Todos regressaram para suas casas repletos de alegria»”(9)

(5) Tomás de Celano, “Segunda vida de São Francisco”, em Fontes franciscanas, 9ª ed., Vozes/FFB, Petrópolis, 2000, n 199.
(6) Tomás de Celano, “Primeira vida de São Francisco”, em Fontes franciscanas, n. 84.
(7) Cfr. ibid., ns. 85-86.
(8) Joseph Ratzinger, El rostro de Dios, Ediciones Sígueme, Salamanca, 1983, págs. 19-25.
(9) Ibid.


Depois de perguntar aos entendidos, resolvi perguntar a uma criança: O que é o presépio?

Ela simplesmente me respondeu: é o lugar onde Deus nasce.


Perguntei também a um escritor de contos: O que é o presépio? Ele respondeu-me:

É o lugar ideal para voltarmos a ser crianças e deliciar-nos com os sonhos de Deus. É a inspiração indispensável para escrever e ler contos de Natal.

***

Reforço o convite aos leitores para que leiam O Conto do Presépio das Crianças e O Conto dos Animais do Presépio, e se inscrevem em nosso concurso.

Présepios da Exposição do Museu de Arte Sacra de SP

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Amanhã (25), Natal do Senhor, inicia-se a segunda edição do Concurso de Presépios Paroquiais do Salvem a Liturgia!, em parceria com a Arte Sacro Paramentos Litúrgicos. Não deixe de visitar as regras do concurso e inscrever tua paróquia. Além de fomentar uma maior piedade aos fiéis neste tempo tão importante da vida da Igreja, estarão concorrendo a belíssimos prêmios.

Por conta do nosso Concurso de Presépios Paroquiais, lembrei-me da visita ao Museu de Arte Sacra de São Paulo que fiz no ano de 2012. Na ocasião pude visitar a exposição permanente de presépios que lá se encontrava, cujas fotos que tirei publico agora, também como uma forma de inspirar os nossos leitores nos presépios que serão inscritos no concurso deste ano.

Presépio polonês
Presépio polonês (detalhe)





Presépio napolitano



Atualmente o museu exibe a exposição "Presepe di Carta - Coleção Celso Battistini Castro Rosa" e a exposição virtual "Cenas do Presépio Napolitano".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A origem da coroa do advento, por Pe. Paulo Ricardo

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O Revmo. Pe. Paulo Ricardo publicou recentemente uma de suas "respostas católicas" a respeito da origem da Coroa do Advento.

O vídeo, de pouco mais de 6 minutos, pode ser visto aqui.

De acordo com as pesquisas do padre, a origem estaria na igreja luterana:
Pode parecer surpreendente, mas a sua origem está ligada à religião luterana. O seu uso começou em 1839, por iniciativa de um pastor chamado Johann Wichern. Ele cuidava de uma casa de auxílio social a crianças pobres. Nas proximidades do Natal, as crianças, ansiosas, sempre perguntavam quando era a festividade. Então, para marcar a sua chegada, ele fez uma roda com uma vela para cada dia do Advento, de forma que havia velas pequenas para os dias da semana e quatro maiores para simbolizar o domingo. Vários pastores começaram a fazer o mesmo em suas comunidades, simplificando o enfeite para quatro velas. Depois, juntou-se a essa ideia a já tradicional guirlanda natalina.
A coroa do advento proposta pelo pastor Wichern (Fonte: Wikimedia Commons)
Aos interessados, há outra pesquisa sobre o assunto, desta vez de autoria de Frei Alberto Beckhäuser, que já publicamos aqui.



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