Manchetes

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Convite: Dom Athanasius Schneider em lançamento de livro no Brasil

View Comments

Já falamos aqui do livro "CORPUS CHRISTI: A Sagrada Comunhão e a Renovação da Igreja", publicado originalmente pela editora do Vaticano e traduzido ao português de Portugal, de autoria de Dom Athanasius Schneider.

Dom Athanasius, um dos grandes nomes do atual movimento litúrgico, e apoiador deste nosso humilde apostolado, estará em São Paulo no próximo dia 27 para o lançamento de seu livro em nosso país.  Não percam!

Mais informações no convite abaixo:


Por fim, agradeço ao leitor José Tadeu Hoe pela indicação.

sábado, 15 de novembro de 2014

Cerimônia de investidura - Paróquia de Nossa Senhora do Rosário do Novo Guararapes em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco

View Comments

Cerimônia de investidura realizada no dia 07/09/2014, na paróquia de Nossa Senhora do Rosário do Novo Guararapes em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, Brasil, paróquia sob a administração do Padre Fábio Potiguar. A cerimônia foi realizada de acordo com o rito de consagração de novos acólitos, e foram consagrados para o altar 26 adolescentes, com idades entre 12 e 34 anos, meninos e meninas, sendo entre estes 8 cerimoniários. A celebração contou com a presença da comunidade e de acólitos vindos de paróquias vizinhas. As vestes foram confeccionadas em um atelier especializado em costura para a Igreja Católica, e escolhemos batinas pretas e sobrepeliz branca, com detalhes em linha desfiada e costura com fios dourados para os cerimoniários e cinza para os demais acólitos.


Fotos enviados pelo nosso leitor: Alexandre Joventino.

















quarta-feira, 12 de novembro de 2014

12 de Novembro: início dos 30 dias de preparação para a Consagração Total! Envie seus dados por aqui…

View Comments



Seguindo os passos de São João Paulo II, chegamos agora ao auge da nossa 5ª Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria. A primeira após a canonização deste Papa de Maria!  Milhares de pessoas espalhadas em grupos por todo o Brasil prepararam-se para fazer ou renovar a sua Consagração Total a Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de nossa Mãe Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 12 de dezembro de 2014, Festa de Nossa Senhora de Guadalupe (ou datas próximas, por razões locais).

Vivemos um Momento Mariano na Igreja, pois:
  • No Grande Jubileu do ano 2000, São João Paulo II consagrou o Terceiro Milênio à Nossa Senhora.
  • No dia 13 de Outubro de 2013, o Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria.
  • No dia 27 de Maio de 2014, o Papa Francisco elevou João Paulo II, que tão bem viveu a Consagração à Virgem Maria , à glória dos altares, juntamente com João XIII.
Agora, cabe a cada um de nós tomar posse, pessoalmente, dessa Consagração, e consagrar-se à Virgem Maria. É isso que queremos fazer em 12 de Dezembro.

A CONSAGRAÇÃO ou RENOVAÇÃO da Consagração pode ser feita, de preferência, na Santa Missa, ou ainda de maneira privada.

Para que não reste nenhuma dúvida, por favor, leiam o texto abaixo.

QUEM PODE SE CONSAGRAR EM NOSSA CAMPANHA?

Todos que se prepararam em grupo ou individualmente para fazer a Consagração Total à Maria Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 12 de dezembro de 2014, ou ainda em datas próximas.

De forma geral, recomendamos não se consagrar e nem mesmo iniciar os 30 dias de preparação SEM A LEITURA COMPLETA do Tratado. Devido à importância e abrangência da Consagração não é possível realizá-la sem conhece-la bem. Além disso, a Consagração é feita uma vez na vida, portanto, é importante conhecê-la bem.

Esclarecemos também que a Consagração pode ser realizada em outro momento, após a leitura do livro. Ela pode ser feita em grupo ou individualmente, em data escolhida livremente.

Para quem ainda não tem o “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, ele poderá ser adquirido através dos links abaixo, em nosso material de apoio.

QUEM PODE RENOVAR A CONSAGRAÇÃO NA NOSSA CAMPANHA?

Todos que já fizeram a Consagração Total pelo método de São Luis Maria Montfort, em absolutamente qualquer da data que tenha feito (a Consagração pode ser renovada, individualmente, todos os dias, inclusive).

A data da Renovação NÃO depende necessariamente da data da Consagração.

Recomendamos que aqueles que renovarem a Consagração façam também os 30 dias de orações preparatórias (embora não seja imprescindível, e quem por alguma razão não o fizer, poderá renovar tranquilamente).

ORAÇÕES PREPARATÓRIAS

Aqueles que irão se consagrar ou tão somente renovar a consagração na Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, devem iniciar os 30 dias de orações preparatórias no dia 12 DE DE NOVEMBRO.

As orações próprias estão indicadas no “Tratado” (n. 227-233), podendo também ser encontradas abaixo, em nosso material de apoio.

FALHEI DURANTE OS 30 DIAS: O QUE FAZER?

Recomendamos que, mesmo que haja alguma falha durante as orações preparatórias, que isso não seja motivo de desistência. Permaneça fiel e consagre-se.

O demônio odeia esta consagração total e poderá se utilizar de algum escrúpulo por não ter cumprido cem por cento os atos de preparação para, assim, incitar à desistência.

Além disso, a consagração é um ato interior, que não depende necessariamente dos atos exteriores de preparação.

No caso de uma queda em pecado mortal, que haja, evidentemente, arrependimento e se busque a Confissão o mais rápido possível, mas que isso também não seja motivo de desistência.

NO DIA DA CONSAGRAÇÃO, O QUE SE FAZ?

- deve-se oferecer algum tributo a Nosso Senhor e a Santíssima Virgem, em penitência das nossas infidelidades e em sinal de dependência Deles. Poderá ser algum jejum, ou penitência, ou ato de caridade a um necessitado (ver Tratado, n. 232).

- deve-se utilizar um sinal físico da Consagração, a ser levado sempre junto consigo (Tratado n.236-242). São Luis sugere usar “pequenas cadeias de ferro”, mas evidentemente que este sinal pode ser substituído com algo mais compatível com o estilo de vida de cada um (como uma Medalha da Santíssima Virgem, um Escapulário, uma pequena corrente, um anel etc).

- para a Consagração, propriamente dita, deve ser escrita e assinada em uma folha a fórmula da Consagração (que pode ser encontrada em nosso Material de Apoio). Aqueles que irão se consagrar durante a Santa Missa, devem ler a fórmula rezando a respectiva oração após a homilia ou Comunhão. 

Trata-se de um tesouro que deve ser guardado com muito zelo.

IMPORTANTE: ENVIO DOS DADOS
Aqueles que quiserem participar da nossa Campanha FAZENDO ou RENOVANDO a Consagração, deverão enviar os seus dados, preenchendo o formulário no link abaixo, até o dia 09 de Dezembro de 2014 (os nomes serão oferecidos na Santa Missa):

CLIQUE AQUI.

Os dados das crianças deverão ser enviados normalmente, da mesma forma que dos adultos.

Os coordenadores dos diversos grupos de preparação para Consagração deverão estar atentos para enviar os dados dos membros do grupo não tiverem acesso à internet.

MATERIAL DE APOIO

Temos à disposição:
  • Aulas do Pe. Paulo Ricardo explicando parte por parte do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” (aulas preparatórias para a Campanha de 2011) – versão on-line ou DVD
As dúvidas de todos poderão ser respondidas também pelo mail:  duvidas@consagrate.com

Site de referência: http://www.consagrate.com
“Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará!”


sábado, 8 de novembro de 2014

Arquibasílica do Santíssimo Salvador

View Comments


História
Na região do monte Célio, em Roma, também conhecido como latrão fora construído um palácio  para a mulher do Imperador Constantino que, depois da conversão do imperador passou a servir de morada aos papas desde os tempos antigos até o cativeiro de Avignon. Não se localiza propriamente no centro da cidade antiga, mas bem próximo aos muros aurelianos que delimitavam-na.



Por uma questão de conveniência, esta mesma região foi escolhida para abrigar a catedral da diocese de Roma a ser construída no século IV depois do édito de Milão. A basílica primitiva conhecida como Basilica Aurea, foi construída tendo a faixada voltada para o oriente e a abside para o ocidente, o oposto das tradicionais igrejas medievais. A basílica antiga já brilhava em grandeza e arte, possuía 5 naves separadas por colunas, com clarestórios. Sua arquitetura original sofreu muitos restauros em função das agressões do tempo e de vândalos, entre os quais se destaca aquela feita a mando do Papa Adriano na páscoa de 744, quando ali foi batizado Carlo Magno. Todavia, devido a um terremoto no ano de 896 o teto veio a baixo, sendo necessária uma completa reconstrução da basílica.




A segunda basílica, da baixa idade media, foi construída respeitando as proporções da antiga e dedicada no início do século X, foi também nessa época que a catedral ganhou o Batistério que fora dedicado a São João Batista, que passou a ser co-titular também da catedral. No século XII o Papa Julio II dedicou a São João Evangelista o Palácio Lateranense, acrescentando-o ao grupo dos co-titulares da catedral. Desse período até o século XIV a Catedral de Roma ganhou inúmeras obras de arte como mosaicos e túmulos. O fim da imponência desta igreja chegou com o cativeiro de Avignon, quando o complexo do latrão se viu em completo abandono. Até que na noite de 6 de Maio de 1608 a basílica foi quase que completamente destruída por conta de um incêndio.


A terceira basílica, alta idade media, mantinha a estrutura básica das antigas, mas embora se enviasse de Avignon a Roma algum dinheiro para a construção da basílica, as tentativas de manter a beleza de outrora eram insuficientes. A grande novidade na construção desta basílica foi a inserção do transepto, uma nave perpendicular às principais que fazia a igreja ganhar o formato de cruz latina. Assim a planta da basílica do latrão, por influência de São Paulo fora dos muros, passou a ser também em cruz. Também foi acrescentado ao altar um grandioso cibório com os bustos dos apóstolos Pedro e Paulo.



O fim da terceira basílica se deu quando o Papa Inocêncio X decidiu por confiar a Barromini a reforma da igreja. A quarta basílica, a atual, foi construída de Inocêncio X até clemente XII, quando foi terminada a faixada, projeto de Alessandro Galilei. Das basílicas medievais restaram apenas o chão, o cibório e os mosaicos próximos à catedra do Papa.
Títulos

 O título completo desta igreja é "Sacrossanta Catedral Papal Arquibasílica Romana Maior do Santíssimo Salvador dos Santos João Batista e Evangelista no Latrão, mãe e cabeça de todas as igrejas da Cidade (Roma) e do Mundo". Trata-se da Catedral de Roma, umas das quatro basílicas maiores da mesma cidade e a única com o título de arquibasílica, superando assim todas as demais igrejas no mundo, mesmo a Basílica Papal de São Pedro no Vaticano. Sua dedicação é a única celebrada em todo o mundo de rito romano a título de festa do senhor, tendo precedência inclusive sobre a liturgia dominical do tempo comum. Apesar de todos esses títulos, a Arquibasílica não é matriz paroquial, a dita Paróquia do Santíssimo Salvador tem como matriz uma capela anexa ao batistério da catedral, para uma melhor manutenção da vida paroquial.

Arquitetura e Arte Sacra

A Arquibasílica é riquíssima em arte e arquitetura sacra, descacam-se a faixada de estilo renascentista onde se notam três níveis básicos: os portões que dão para o átrio, a loggia e a cobertura onde estão diversas imagens de santos, dentre as quais a mais proeminente é a do Cristo com a Cruz, símbolo da Salvação. Entre os portões que dão acesso ao átrio se encontra a inscrição de "Mater et Caput..." e também as claves com a umbella.



Existe ainda uma faixada lateral, menor, de onde se pode sair da igreja em procissão ao batistério ou chegar à praça João Paulo II onde se encontra o Obelisco. Essa segunda entrada possui também um segundo átrio, decorado não com escultura como o principal, mas com pintura. Sobre este átrio encontra-se uma loggia igualmente decorada e ainda o campanário com os sinos da igreja.




No interior, as quatro naves laterais são decoradas com figuras angélicas alternadas, nessas naves se encontram os confessionários em madeira, todos identificados com as armas papais, o triregnum e as chaves, e as inscrições relativas à arquibasílica. Também se encontram ali as entradas para as muitas capelas laterais. A nave principal e o transepto possuem um pé direito mais elevado e também uma decoração muito mais pesada, baseada em símbolos litúrgicos esculpidos em material dourado sobre um fundo que se alterna entre o vermelho e o azul.





A lateral da nave principal possui esculturas representando os doze apóstolos feitas por diversos artistas, mas mantendo um mesmo estilo e dimensões, São Pedro e São Paulo ocupam a posição principal, próximos ao altar.


À frente do altar se encontra uma pequena "confessio" onde se encontra o túmulo do Papa Martinho V. O altar propriamente dito se encontra um baldaquino que abriga o busto dos apóstolos Pedro e Paulo. É um baldaquinho proveniente da terceira basílica de estilo gótico e por isso mesmo de dimensões muito mais reduzidas em relação àquele de São Pedro.


Na parte do fundo da nave central, atrás do transepto se encontra o elemento que confere a essa igreja tamanha dignidade: a catedra romana. Sobre uma quantidade considerável de degraus, em meio ao coro de madeira, a cátedra do Bispo de Roma.


 No transepto, do lado do evangelho se encontra o "Altar do Sacramento", um belíssimo altar com relicário e sacrário e um baldaquino unido à parede do fundo, ocupando o espaço do antigo órgão. No lado da epístola o órgão novo sobre o acesso ao átrio lateral. Uma atração que se pode ver por toda a igreja é o chão, uma das poucas partes da igreja que sobreviveram às agressões do tempo.


Das muitas capelas que a Igreja possui, uma que chama a atenção é a Capela de São Francisco de Assis, onde é reposto o santíssimo sacramento após a Missa na Ceia do Senhor da Quinta-feira Santa.



 Diferente das outras basílicas papais, o batistério da arquibasílica se encontra em um edíficio que, embora próximo, é separado. Neste edifício se encontram além da pia batismal, cinco altares. 



Vida Litúrgica
A Igreja Lateranense possui uma vida litúrgica intensa, oferendo diariamente pelo menos oito missas, um número ainda maior nos dias festivos. Existem na igreja doze confessionários onde os padres franciscanos atendem diariamente confissão em dez idiomas: polonês, italiano, espanhol, romeno, alemão, russo, francês, irlandês, português e inglês. Além disso, existe adoração eucarística todos os dias, com bênção eucarística duas vezes por dia: ao meio dia e às cinco da tarde.

Tomada de Posse da Catedra Romana
Embora o início do ministério do Bispo de Roma não se inicie com a sua posse na Catedral, a primeira visita do Papa à sua catedral e o simbólico gesto de sentar na cátedra se mantém como um dos mais importantes do início do pontificado. O rito bastante simples constitui em uma visita do sucessor de Pedro à arquibasílica e, no início da celebração eucarística, com mitra e báculo sobe os degraus da abside e se coloca no posto símbolo de sua autoridade suprema na Igreja. À seguir juram obediência ao Papa alguns representantes das diferentes classes de fiéis da diocese de Roma.








Inscrições que marcam a dedicação da Catedral pelo Papa Inocêncio X no ano jubilar de 1650.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Palavra e Silêncio

View Comments


"O silêncio, portanto, não é um fim em si mesmo; não gera mais silêncio, mas produz fruto, que é a palavra, favorecendo o colóquio da alma com Deus. Daí que se pode dizer que o silêncio realça a Palavra."


Passamos recentemente por mais um setembro, mês dedicado às Sagradas Escrituras pela Igreja no Brasil. Neste contexto, por mais estranho que possa parecer, é muito apropriado falarmos sobre o silêncio.

No mundo hodierno vivemos constantemente bombardeados por estímulos artificiais, principalmente visuais e sonoros. São outdoors amontoados, construções arquitetônicas desconexas do seu redor, televisores constantemente ligados em nossas casas, veículos automotivos, músicas com ritmos frenéticos, etc. Todos estes estímulos causam em nosso íntimo uma sensação de desordem, de falta de harmonia, que nos dificulta - e muito! - o recolhimento interior e a reflexão sobre aquelas questões essenciais ao homem e a nossa vida terrena.

A situação chegou em tal ponto que a maioria dos homens têm um certo medo do silêncio. Basta pensarmos no televisor ligado na sala para gerar ruído, sem que ninguém o esteja assistindo. Ou nos fones de ouvido que muitas pessoas usam ao andar nas ruas, num momento que seria propício para a reflexão interior, para, como se diz, colocar o pensamento em dia, por mais que o ambiente exterior continue rodeado destes estímulos. Não que o uso de fone de ouvido na rua seja de todo ruim; pelo contrário, ouvindo uma boa música (calma, independentemente do gênero) conseguimos eliminar muito destes ruídos externos que causam harmonia e desordem. Mas os homens, em geral, parecem acreditar que silenciar é perder tempo, e então procuram subterfúgios para evitá-lo a todo custo.
"No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias." (Papa Bento XVI. 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais)
São Bento, ao falar do silêncio, faz uma distinção entre quies e silentium: o primeiro é a ausência de ruídos, a quietude, o silêncio físico; o último é um estado da mente, duma consciência atenta, voltada para os outros e para Deus. O homem de hoje, movido principalmente pela falta de quies, perdeu a capacidade do silentium, que tão desconhecido lhe é a ponto de causar-lhe medo.



Tenho por certo que nesta pouca quietação do homem moderno encontra-se uma das principais causas de sua enorme dificuldade em buscar o transcendente. Recordemo-nos da experiência do Profeta Elias, a quem Deus manifestou-Se não na força ou no ruído, mas na brisa suave:
11. O Senhor disse-lhe: Sai e conserva-te em cima do monte na presença do Senhor: ele vai passar. Nesse momento passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra.
12. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira.
13a. Tendo Elias ouvido isso, cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna. (I Reis XIX - Bíblia Ave Maria)
Se a oração é o colóquio da alma com Deus, e toda conversação exige tanto momentos de fala como de escuta (silêncio), uma alma que não silencia torna-se incapaz de ouvir a Deus. 
“Para que as coisas possam guardar-se no interior e ser ponderadas no coração, é condição indispensável guardar silêncio. O silêncio é o clima que torna possível o pensamento profundo. Quem fala demasiado dissipa o coração e leva-o a perder tudo o que há de valioso no seu interior; assemelha-se então a um frasco de essência que, por estar destapado, perde o perfume, ficando apenas com água e um ligeiro aroma a recordar vagamente o precioso conteúdo de outrora” (SUÁREZ, Federico. A Virgem Nossa Senhora, Ed. Quadrante, pág. 185)
Infelizmente, no momento da história em que a humanidade menos silencia, nossas celebrações litúrgicas habitualmente não propiciam momentos de silêncio, ou não lhes dão a devida importância. Com isso, desacostumamo-nos com o silêncio na Liturgia, tal como estamos desacostumados com o silêncio no dia-a-dia. Sentimo-nos incomodados com os cinco segundos a mais que o grupo de música demorou para entoar o Kyrie, ou com o leitor que demora em começar a leitura do Lecionário.

Não temos uma alma contemplativa, que sabe silenciar (silentium). E aí temos um problema: sem o silêncio, a Liturgia transforma-se numa sequência ininterrupta de palavras, gestos e rituais em que apenas o homem fala, com pouco espaço para Deus. Este silêncio pode ser entendido como a pausa numa música, que possui uma função essencialmente ativa. Um instrumento em pausa coloca o seu instrumentista num estado de contemplação, por conta da sinfonia ocasionada pelos demais instrumentos, e simultaneamente de atenção, enquanto aguarda o momento de juntar-se aos demais de forma harmônica e bela. Sem as pausas, uma música transformar-se-ia num punhado de notas sobrepostas e difíceis de serem ouvidas e, portanto, contempladas.

De fato, a própria Liturgia cristã tem muito a ver com este sentido de pausa, de descanso. Deus, terminada a obra que havia feito, descansou ao sétimo dia da criação, consagrando-o (Gn II, 2ss). Também os cristãos passaram a consagrar o domingo, o Dies Domini (Dia do Senhor), o dia da nova criação, através principalmente da Liturgia, mas também do descanso do trabalho.

É preciso ter em conta que silenciar não é passar de uma postura ativa para outra, passiva. Não é passar do fazer para o nada fazer. Quem silencia troca uma ação (falar, fazer algum gesto ou rezar em voz alta) por outra ação (ouvir o que outro ou o próprio Deus fala, rezar interiormente unindo-se ao celebrante).

Uma das condições pessoais exigidas para uma frutuosa participação litúrgica é 
"o espírito de constante conversão que deve caracterizar a vida de todos os fiéis: não podemos esperar uma participação activa na liturgia eucarística, se nos abeiramos dela superficialmente e sem antes nos interrogarmos sobre a própria vida. Favorecem tal disposição interior, por exemplo, o recolhimento e o silêncio durante alguns momentos pelo menos antes do início da liturgia, o jejum e — quando for preciso — a confissão sacramental; um coração reconciliado com Deus predispõe para a verdadeira participação." (Papa Bento XVI, Sacramentum Caritatis, 55)
O silêncio, portanto, não é um fim em si mesmo; não gera mais silêncio, mas produz fruto, que é a palavra, favorecendo o colóquio da alma com Deus. Daí que se pode dizer que o silêncio realça a Palavra.
Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, n. 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.

Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a Concelebração Eucarística com os Membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de Outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. (Papa Bento XVI. 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais)



Por esta razão a Liturgia Romana sempre dedicou muito espaço para o silêncio. Quando foi normatizada por São Pio V, a Liturgia Romana já possuía muitos momentos de silêncio, e que ainda podem ser observados na Forma Extraordinária. Hoje, mesmo que todos os momentos de silêncio prescritos na Forma Ordinária sejam observados - o que raramente ocorre - ainda são em menor quantidade. Isto, aliado ao crescente interesse dos jovens pelo Usus Antiquior e à constante necessidade dos últimos Papas em reforçar a redescoberta do silêncio na Liturgia, leva a um saudável questionamento, tendo em vista uma eventual Reforma da Reforma, se a diminuição brusca do silêncio foi pastoralmente apropriada ou não. (Por outro lado, é digno de menção que a catequese litúrgica dos fiéis daqueles tempos muitas vezes não permitia que o rito mais silencioso fosse acompanhado de forma mais frutífera, algo que hoje parece superado entre os fiéis que freqüentam a Forma Extraordinária.)

O Silêncio na Forma Ordinária

Por não ser tão observado nas celebrações litúrgicas da Forma Ordinária, falemos mais do silêncio aí. O silêncio foi tido em conta pelos Padres Conciliares, a ponto de tocarem - embora sucintamente - de forma explícita no assunto. Ao contrário daquele que é o senso comum entre certos liturgistas modernos, o silêncio entrou justamente num trecho em que fala da participação ativa do povo, o que reforça o que foi dito anteriormente.

A Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, publicada em 1963, em seu Capítulo I, intitulado "Princípios Gerais em Ordem à Reforma e Incremento da Liturgia", na seção "III - Reforma da Sagrada Liturgia", subseção "A. Normas gerais", diz o seguinte:
"A participação do povo
30. Para fomentar a participação ativa, promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos, bem como as ações, gestos e atitudes corporais. Não deve deixar de observar-se, a seu tempo, um silêncio sagrado."
No 40º aniversário da Sacrosanctum Concilium, São João Paulo II, observando como o silêncio havia sido deixado de lado na liturgia, escreveu com maior ênfase sobre esta questão:
"Um aspecto que é preciso cultivar com maior compromisso, no interior das nossas comunidades, é a experiência do silêncio. Temos necessidade dele "para acolher nos nossos corações a plena ressonância da voz do Espírito Santo, e para unir estreitamente a oração pessoal à Palavra de Deus e à voz pública da Igreja"(32). Numa sociedade que vive de maneira cada vez mais frenética, muitas vezes atordoada pelos ruídos e perdida no efémero, é vital redescobrir o valor do silêncio. Não é por acaso que mesmo para além do culto cristão, se difundem práticas de meditação que dão importância ao recolhimento. Por que não começar, com audácia pedagógica, uma educação ao silêncio no contexto de coordenadas próprias da experiência cristã? Que esteja diante dos nossos olhos o exemplo de Jesus, que "tendo saído de casa, retirou-se num lugar deserto para ali rezar" (Mc 1, 35). Entre os seus diversos momentos e sinais, a Liturgia não pode minimizar o silêncio." (João Paulo II. Spiritus et Sponsa, n. 13)
Os livros litúrgicos modernos tratam do silêncio em alguns trechos, apresentados abaixo:

IGMR - Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição (2008)
O silêncio

XII. SILÊNCIO SAGRADO
201. Geralmente, em todas as celebrações litúrgicas se há de procurar «guardar, nos momentos próprios, um silêncio sagrado». Consequentemente, na celebração da Liturgia das Horas, facultar-se-á também a possibilidade de uns momentos de silêncio.
202. E assim, conforme as conveniências e a prudência aconselharem, seguindo o costume dos nossos maiores, poder-se-á introduzir uma pausa de silêncio após cada salmo, depois de repetida a antífona, mormente quando, a seguir ao salmo, se disser uma coleta salmódica (cf. n. 112); ou ainda após as leituras, breves ou longas, antes ou depois do responsório. Este momento de silêncio visa obter a plena ressonância da voz do Espírito Santo nos corações e unir mais estreitamente a oração pessoal à palavra de Deus e à oração oficial da Igreja.
Cuidar-se-á, porém, que o silêncio não venha alterar a estrutura do Ofício ou causar aos que nele participam mal-estar ou enfado.
203. Na recitação individual, é deixada mais ampla liberdade quanto a estas pausas, com o fim de meditar alguma fórmula susceptível de estimular afetos espirituais, sem que por isso o Ofício perca o seu caráter de oração pública.
45. Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado*. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite à oração, cada fiel se recolhe; após uma leitura ou a homilia, meditam brevemente o que ouviram; após a comunhão, enfim, louvam e rezam a Deus no íntimo do coração.
Convém que já antes da própria celebração se conserve o silêncio na igreja, na sacristia, na secretaria e mesmo nos lugares mais próximos, para que todos se disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios.
* Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrossanctum Concilium, n. 30; S. Congre. dos Ritos, Instr. Musicam sacram, de5 de março de 1967, n. 17: A.A.S. 59 (1967) p. 305 

Na edição anterior da IGMR, que acompanha a 2ª edição do Missal Romano, este trecho equivale ao n. 23. O último parágrafo, contudo, a respeito do silêncio extra-litúrgico na igreja, é uma novidade da atual edição da IGMR.

Ordo Lectionum Missae (1981), tradução minha a partir do espanhol
28. A Liturgia da Palavra deve celebrar-se de tal maneira que favoreça a meditação; por isso, há de se evitar todo tipo de pressa, que impede o recolhimento. O diálogo entre Deus e os homens, que se realiza com a ajuda do Espírito Santo, requer breves momentos de silêncio, adequados à assembléia presente, para que neles a palavra de Deus seja acolhida interiormente e se prepare uma resposta por meio da oração. 
Estes momentos de silêncio podem ser guardados, por exemplo, antes de começar a Liturgia da Palavra, depois da primeira e da segunda leituras, e ao terminar a homilia.

Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas
XII. SILÊNCIO SAGRADO

201. Nas ações litúrgicas deve-se procurar em geral que se guarde também, há seu tempo, um silêncio sagrado; por isso, haja ocasião de silêncio também na celebração da Liturgia das Horas.

202. Por conseguinte, se parecer oportuno e prudente, para facilitar a plena ressonância da voz do Espírito Santo nos corações e unir mais estreitamente a oração pessoal com a Palavra de Deus e com a voz pública da Igreja, pode-se intercalar uma pausa de silêncio, após cada salmo, depois de repetida sua antífona, de acordo com antiga tradição, sobretudo se depois do silêncio se acrescentar a coleta do salmo; ou também após as leituras tanto breves como longas, antes ou depois do responsório.

203. Na recitação a sós, haverá maior liberdade para demorar na meditação de alguma fórmula, que incentive a elevação espiritual, sem que com isso o Ofício perca sua natureza pública.


E você, caro leitor? Conte-nos como o silêncio é ou não vivido por ti ou em tua comunidade. Consegues aproveitar o silêncio em tuas celebrações litúrgicas? Ou ele está em falta?

Referências


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Vésperas Pontificais em Roma na Forma Extraordinária

View Comments

Nessa quinta-feira às 19:15 pelo horário de Roma, foram celebradas as vésperas pontificais na Igreja da Santíssima Trinità dei Pellegrini por Sua Excelência Dom Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei que cuida da celebração da liturgia na sua forma extraordinária. A celebração foi a primeira da Peregrinação à Roma organizada pelo Coetus Internationalis Summorum Pontificum. O Bispo chegou à igreja, já repleta de fiéis alguns minutos antes da celebração, foi recebido pelo clero e  saudou os presentes e lhes comunicou a Indulgência plenária concedida a seus participantes pela penitenciaria apostólica. As I vésperas de São Rafael Arcanjo foram integralmente cantadas em gregoriano, ao magníficat sua excelência incensou o altar auxiliado pelos capistas.








































Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...