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domingo, 7 de março de 2010

Erros litúrgicos e sugestões para coibi-los - XIII

Paramentos

O Cânon 929 do Código de Direito Canônico prescreve que se utilizem, obrigatoriamente, os paramentos descritos nas regras litúrgicas. Na Missa, os paramentos utilizados pelo padre, são a alva, o amito, a estola, o cíngulo, a casula e o manípulo; o Bispo, além desses, utiliza a cruz peitoral e a mitra, além de ter nas mãos o báculo; o diácono usa alva, amito, estola, cíngulo e dalmática; o acólito, se estiver de batina, usa a sobrepeliz por cima, e, sem ela, apenas alva e cíngulo. Os ministros ordenados coloquem a alva, que consiste em uma veste branca que reveste o corpo inteiro, e, se necessário, o amito, pano quadrado utilizado para cobrir as partes da roupa não-litúrgica que estiver por baixo da alva. Depois, devem vestir a estola (ao longo do corpo para os sacerdotes; transversa para os diáconos), com a cor respectiva do tempo ou da festa. Segurando a estola para mantê-la junto ao corpo, deve estar o cíngulo, a não ser que a forma da alva dite o contrário – quando, por exemplo, já houver uma espécie de cíngulo costurado àquela. Por cima de tudo, deve estar a casula, com a cor correspondente, e que pode ser de duas formas, gótica e romana. O manípulo é um pano que fica no punho do sacerdote, e tem a cor da casula e da estola; é um paramento optativo depois da reforma do Vaticano II. O diácono, ao invés da casula, usa a dalmática, que deve ter a cor do tempo ou da festa também.

Ao contrário do que pensam alguns, a casula é obrigatória! Não bastam alva e estola! A casula é a veste própria do sacerdote, e simboliza a Cruz, a dignidade própria do padre! Quem a aboliu de seus cultos foram os protestantes mais exaltados, para negarem o caráter sacrifical da Missa. Se a Santa Missa é a Cruz tornada presente, mesmo invisível, a casula a torna visível, por seu simbolismo. A casula remete ao sacrifício!

Entretanto, quando a Missa for celebrada fora do recinto sagrado, i.e., em local que não seja uma igreja ou oratório, há um indulto em alguns países – no Brasil, inclusive, por determinação da CNBB, decidida em sua 11a Assembléia Geral, e aprovada pela Santa Sé em 31 de maio de 1971 –, para que se possa utilizar uma veste que seja um misto de alva e casula: a túnica. Ao invés de alva, amito, estola, cíngulo e casula, pode ser usada, nesses casos, túnica e estola. Mesmo assim, é uma opção que deve ser evitada na maioria dos casos, servindo apenas para quando houver dificuldade de conseguir as vestes apropriadas, quer pela distância do local, quer por outros fatores pastorais.

Outrossim, quando a Missa for concelebrada por mais de um sacerdote, a obrigação de usar a casula é só do celebrante principal, ou presidente. Os demais celebrantes não necessitam utilizar a casula, embora seja vivamente recomendável que o façam, se possível até com um feitio de casula diferente para o presidente da Santa Missa (uma sugestão é que o sacerdote principal utilize paramentos romanos e os demais góticos, ou o contrário).

O calor, contudo, não justifica o abandono da casula: usem casulas de tecido mais leve!

Em outros ritos litúrgicos, a norma é que, se estiver o ministro (Bispo, padre ou diácono) vestindo batina, coloque a sobrepeliz por cima, com a estola e o pluvial, e não estando com aquela, utilize alva, cíngulo, estola e, se achar conveniente, pluvial – capa magna; os acólitos vistam-se como de costume.

Na Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, a regra é diferente: durante a exposição, por cima do conjunto de alva, cíngulo e estola, sem batina, ou de batina, sobrepeliz e estola, o sacerdote ou diácono que expuser o Santíssimo pode usar pluvial; durante a bênção, se ela for solene, i.e., com a Hóstia consagrada no ostensório, deve usar o pluvial, e se for simples, com a Hóstia consagrada no cibório, seu uso é optativo; em qualquer das bênçãos, solene ou simples, deve ser usado o véu umeral por cima das outras vestes. Em algumas igrejas, os sacerdotes utilizam apenas o umeral, esquecendo o pluvial – capa magna –, ou o contrário. Isso está errado!

Pode a estola ser colocada por cima da casula? Não! A estola deve ser corretamente colocada sobre a alva e sob a casula, pois esta, como símbolo da caridade de Cristo – além de o ser da Cruz –, deve cobrir o sacerdote, como Seu amor nos reveste totalmente. Além disso, as rubricas dispõem que seja assim.

É possível que o celebrante ofereça a Santa Missa trajando a estola somente por cima da batina ou do hábito religioso, sem usar alva? Outro costume que está tristemente generalizado. A batina é a veste cotidiana do sacerdote diocesano e de certas ordens e congregações religiosas – jesuítas, legionários de Cristo etc. O hábito, por sua vez, é o equivalente da batina para os religiosos – sacerdotes ou não – da maioria das ordens e congregações. Assim, há o hábito dos beneditinos, o dos dominicanos, o dos cistercienses, o dos redentoristas, o dos franciscanos, o dos capuchinhos, o dos carmelitas, o dos carmelitas descalços, o dos servitas, o dos agostinianos, o dos trapistas, e assim por diante. A função do hábito ou da batina é servir de vestimenta diária, e não de paramento propriamente litúrgico: não é para o uso nas cerimônias da Igreja, e sim para o trajar do dia-a-dia, podendo, aliás, ser substituído por camisa clerical com colarinho romano, estilo clergymen.

Em vista disso, se um sacerdote celebrar a Missa com a batina ou hábito como se fossem substitutos da alva, estará equivocado. Já vi um sacerdote carmelita celebrar a Santa Missa sem alva, usando a estola e a casula diretamente sobre o hábito de sua ordem. Outra vez, vi um padre capuchinho celebrar da mesma forma, com a agravante de estar, inclusive, sem a casula: e ainda justificou o uso do hábito pelo fato de ser frade! Ora, nada mais errôneo! Seu hábito é para o uso cotidiano; na Missa, deve, por cima do hábito – ou, no calor, no lugar dele –, vestir a alva, e só depois a estola e a casula.

Nem mesmo os sacerdotes de ordens e congregações que tenham hábito branco, ou diocesanos que tenham sua batina nessa cor, podem presumir que sua veste – em vista de ser a mesma cor da alva – substitua a alva. Não há privilégio algum vigente, nem poderia haver!

“Está reprovado o uso de celebrar, ou até concelebrar, só com a estola em cima da cógula monástica (nota do autor: i.e., hábito religioso), em cima da batina ou do traje civil.” (Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução Liturgicae Instaurationes, 8 c)

Como devem estar trajados os clérigos que, assistindo a Santa Missa, não a estejam celebrando? Se estiverem assistindo a Missa sem serem oficialmente convidados, da mesma maneira que simples fiéis, basta que estejam com seu traje comum: batina, hábito do instituto religioso, camisa com colarinho romano – clergyman. Do contrário, se lhes for concedido um lugar de destaque, por alguma razão especial qualquer, por cima da batina devem usar sobrepeliz e, se quiserem, também barrete. Sendo Bispos, devem estar com o traje talar apropriado por cima da sobrepeliz. Os cardeais têm a batina e o traje talar vermelhos, como os Bispos e Monsenhores os têm de tom violáceo – ou batina preta com traje talar violáceo.

Os clérigos que, estando presentes, desempenharem alguma função litúrgica, sem celebrarem, como no caso de ordenações ou de auxílio na distribuição da Sagrada Comunhão, devem, por cima da sobrepeliz, trajar a estola com a cor respectiva.

Na prática

1. O celebrante, se não usa, passe a usar a casula em todas as Missas. Adquira-se tal paramento nas lojas especializadas.
2. Respeite-se a cor litúrgica.
3. Nas demais cerimônias, usem-se sempre os paramentos requeridos. Na Exposição do Santíssimo, se for solene, não basta o véu umeral, devendo o ministro portar a capa pluvial.
4. O sacerdote, ao assistir Missa em um lugar de destaque, esteja com sua veste coral adequada.
5. Procure-se ter sempre os paramentos de todas as cores, estolas, casulas, dalmáticas, cíngulos, pluviais, para que não falte o necessário a uma celebração. Sejam de tecidos nobres e dignos para a liturgia. Eventualmente, não só de formato gótico, como também romano, para certas festividades ou para diferenciar o celebrante principal dos demais em uma concelebração.
6. Tenha-se sempre mais de uma casula de cada cor para as concelebrações.
7. Os acólitos vistam batina e sobrepeliz, ou alva com cíngulo. O cerimoniário, como chefe dos acólitos, vista batina e sobrepeliz sempre: sua batina será preta, mas se os demais acólitos vestirem batina preta, este poderá ter uma batina violeta.
8. Os coroinhas usem batina vermelha com sobrepeliz, e jamais alva.

28 comentários:

  1. agradeço pela informação. espero que todos possam saber, sobretudos os sacerdotes e futuros padres, a celebrar correctamente a missa. é sempre bom ñ esquecer-mos a liturgia de sempre.

    abraço amigo a todos os seminaristas.

    olga.

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  2. Ola gostei muito dessa postagem assim como as outras que ja li e posso comentar que ja vi um sacertote dar a benção do santissimo Sem qualquer paramento liturgico.
    Em minha opinião é uma ofença a liturgia

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  3. gostaria de saber de onde veio essa indicação: "8. Os coroinhas usem batina vermelha com sobrepeliz, e jamais alva.". procurei em todos os livro litúrgicos oficiais possiveis e não achei. Espero que possa me ajudar.
    Obrigado!

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  4. As vestes dos acólitos, instituídos ou não, como é o caso dos coroinhas, são dadas pela tradição local. Nosso costume, na maioria dos lugares, é esse.

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  5. Meus irmãos! Bom dia!
    Hoje me deparei com uma situação "litúrgica" nova em toda a minha vida de Cristão.
    Hoje, numa paróquia de natal RN, na procissão de Corpus Christis, quem conduziu o Santíssimo Sacramento (Ostensório foi um Ministro Extraordinária da Comunhão Eucarística, ajoelhado em cima de um carro e usando o Véu Humeral, ficando o sacerdote, de pé, animando os fiéis durante a procissão.
    Na liturgia isso é novo? é correto?

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  6. Não, não é correto. Há aqui uma "inversão de papéis"; na verdade, nem isso, pois não é função nem do MESCE e muito menos do padre "animar" os fiéis durante a procissão. É bom lembrar que cada um tem sua função específica durante as ações litúrgicas. Para esta procissão específica, o Cerimonial dos Bispos - que também o cerimonial da Igreja, em que as rubricas feitas para os Bispos, também se aplicam em alguns casos, para os padres, diz no nº 391 §5, que é o próprio Bispo ou este não podendo, "o sacerdote que leva o Santíssimo Sacramento" e não outro ministro.

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  7. Parabéns pelo ótimo site, e glória a Deus pelos frutos que já produziu!
    Fiquei aqui com algumas dúvidas sobre a vestimenta do coroinha:
    1) O coroinha quando usa batina vermelha, como deve ser, pode/deve utilizar também o amito para cobrir a roupa civil? Até onde sei o amito é comum a quem usa a alva, mas como os coroinhas vão utilizar a batina como paramento na Missa, não seria apropriado também o utilizarem?
    2) O coroinha de batina deve usar também a faixa? Pergunta pela foto do Sem. Wescley, que é cerimoniário e utiliza a faixa.
    3) (Esta não exatamente sobre coroinhas, mas também sobre paramentos.) A casula é símbolo da cruz, e as casulas romanas quase sempre têm uma cruz na parte de trás. Essa presença da cruz é obrigatória? E quanto às casulas góticas? Também poderiam/deveriam ter tal cruz?

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  8. Obrigado pelos parabéns, Rafael. Sobre suas perguntas:

    1) Não. Quando se usa batina e sobrepeliz não se faz uso do amito. O amito é usado, como você mesma disse, apenas com alva na forma ordinária do rito romano.
    O uso do amito com batina seria o seguinte: um clerigo que usa batina e sobre ela vai vestir a alva usa amito SOBRE a batina e SOB a alva. E não SOB a batina.

    2)Sim. A faixa é uma parte integrante da batina e é usada junto com a mesma, mesmo por coroinhas.

    3)A presença da cruz nas casulas, sejam elas góticas, romanas, cônicas é opcional. Todas podem apresentar a cruz ou não. É válido lembrar que a imagem da Cruz na casula é um costume louvável, embora não obrigatório.

    Para melhor conhecer sobre esses paramentos, neste mês de julho, o salvem publicará um artigo sober "Cíngulo e Amito" e, acredito que em Agosto, outro sobre "Casula e Manípulo".

    Em Cristo,
    Kairo Rosa Neves de Oliveira

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  9. Obrigado pelas respostas. Estarei acompanhando e aguardando os próximos artigos.
    Em Cristo.

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  10. Os Cônegos Regulares da Ordem da Santa Cruz têm permissão Papal para presidirem a missa com seus hábitos.

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  11. Quanta besteira. A Igreja é muito mais do rituais vazios. Vocês são um bando de fariseus.

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  12. No caso de que eu esteja indo para a missa onde irei servir, posso ja me dirigir ao templo de casa vestido em meus paramentos?

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  13. não, paramentos para celebração litúrgica, exclusivamente.

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  14. Coroinhas não podem usar alva? Interessante, não sabia disso...apesar que sempre achei mais bonito batina e sobrepeliz do que alva e cíngulo rs

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  15. Um Coroinha cerimoniário do bispo, com autorização deste, pode utilizar batina de outra cor (fora o vermelho)?

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  16. Um coroinha não instituído pode vestir a batina e o sobrepeliz?

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  17. Caros amigos,
    gostaria de saber se um frade religioso de uma congregação que possui hábito próprio poderia sem equívocos usar a batina quando não estiver usando o hábito ou é proibido o uso da batina para sacerdotes religiosos?
    Desde já, paz e bem!

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  18. O cerimoniário chefe dos coroinhas (leigo) pode usar Faixa preta junto a batina preta, amito e sobrepeliz?

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    Respostas
    1. O cerimoniário não é chefe dos coroinhas, ele é coordenador de TODA a liturgia, o que inclui leitores, coral, acólitos, o celebrante e também aqueles que o auxiliam no presbitério. Ele pode usar batina, faixa e o colarinho romano com sobrepeliz. Amito é outra coisa, amito é o paramento usado SOBRE a batina, antes de vestir a alva.

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  19. OS CERIMONIÁRIOS / COROINHAS PODEM USAR CRUZ PEITORAL ? A ALGUMA NORMA QUANTO A ISSO ?

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  20. Eu sou coroinha mas não sou instituído, já era para ser mas na minha diocese não há esse costume posso usar veste preta? ou cingulo?

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  21. Ola , gostaria de saber quanto os paramentos o que é licito para os acolitos (leigos ) do uso da batina e da faixa e do singulo se é licito a estes e se o singulo varia coma cor liturgica
    e como funciona para o bispo instituir acolitos leigos a instituidos obrigado

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  22. Olá, parabéns pelo belíssimo trabalho, gostaria de tirar uma dúvida: quando, no post, é falado sobre acólito devo entender somente acólito instituído ou acólito leigo (não instituído) também?
    Salve Maria!

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  23. Bom dia!
    O sacerdote pode ao menos presidir a Missa de hábito, mas com a sobrepeliz e estola?

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  24. O sacerdote pode ao menos presidir a Santa Missa de hábito, mas com a sobrepeliz e estola por cima do hábito?

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  25. Bom dia!
    O sacerdote pode ao menos presidir a Missa de hábito, mas com a sobrepeliz e estola?

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  26. o sacerdote pode celebrar a missa só de alva sem a estola ?

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  27. Boa noite!
    Eu gostaria de saber se é correto liturgicamente os leitores usarem a camiseta de sua Pastoral (do Dízimo, do ERM, da saúde, etc), em vez de usar as Vestes dos Leitores. Obrigado.

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