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terça-feira, 9 de março de 2010

A liturgia “fácil de seguir”

Falando sobre a ideia de “Liturgia fácil de seguir”, Jeffrey Tucker escreveu no New Liturgical Movement, no dia 2 de Março passado:

(...) Muitas coisas são fáceis de seguir, e foram construídas para ser assim. Penso nos livros infantis. Os seriados de comédia também. O jornal. Placas em lugares públicos. Em cada um destes casos, há uma razão para a simplicidade extrema. A criança não tem maturidade e precisa de algo imediato. A comédia tem que entreter. O jornal tem que trazer as notícias e a publicidade. As placas precisam levar as pessoas aonde elas estão indo: ao ponto de ônibus, a tal lugar do aeroporto, à saída ou aonde for.

Não vejo o que é que isto tem a ver com o elevado propósito da Liturgia. Católicos sérios vivem constantemente no mundo da Liturgia durante a vida toda. Uma estrutura litúrgica que seja imediatamente “fácil de seguir” se torna, sem dúvida, cansativa dia após dia, semana após semana. Nem mesmo crianças leem o mesmo livro todos os dias durante um ano, menos ainda durante décadas. E nem mesmo estou falando da suposição construtivista de que a Liturgia pertence “a nós” e que pode ser reinventada em uma geração de acordo com aquilo que um pequeno número de intelectuais acha “fácil de seguir”.


Estas palavras, sem dúvida, se aplicam a muitos aspectos da Liturgia e, de maneira especial, àquele aspecto que me cabe tratar aqui no Salvem a Liturgia: a música. Penso que estes dois parágrafos tragam em si bons argumentos para alimentar a reflexão tanto daqueles que concordaram imediatamente após os ler como daqueles que ainda se colocam a favor de qualquer (ou quase qualquer) iniciativa de tornar a Liturgia supostamente acessível, pagando o trágico preço de a empobrecer.

3 comentários:

  1. Esse comentário, em si, é ambíguo e dá azo a interpretações mais progressistas. As crianças podem não ler o mesmo livro todas as semanas. Mas nós assistimos ao mesmo sacrifício.

    A casa é construída e sua planta não costuma mudar muito durante a vida de um homem. Acidentes como a pintura, os azulejos da cozinha ou o piso, vez por outra, são alterados, mas a estrutura permanece sempre a mesma a fim de sustentar a casa. Não raramente, para realizar alterações tão essenciais, acaba por ser necessário demolir o edifício para se fazer outro.

    Verdadeiramente há que se diferenciar, pois, aspectos acidentais dos essenciais.

    Pax,
    Pro Catholica Societate

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  2. Thiago,

    Percebo que não entendeste o que Jeffrey Tucker quis dizer, e o Alfredo Votta transcrever.

    Trata-se de uma crítica à simplicidade EXTREMA, tal como os minimalistas, que aplicam do Novus Ordo somente aquilo que é obrigatório, desejam. Não é erro apenas o abuso litúrgico que cria e inova algo que não está nas rubricas, mas também aquele que se contenta, todos os dias, apenas com o estritamente obrigatório, sem levar em conta as faculdades excepcionais do rito.

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  3. Eu sempre achei que alguns sacerdotes tratam o povo como se fosse um grupo de crianças que são incapazes de dar um passo a mais. Nesta lógica tudo é nivelado sempre por baixo: o povo não entende o latim, o povo não sabe cantar o gregoriano, o povo..., o povo..., o povo... E nisso a liturgia acaba por ser empobrecida. Creio que o povo de Deus, se bem catequizado liturgicamente, tem sempre o coração aberto para o mistério e para a verdadeira liturgia católica. Mas é preciso o esforço...principalmente dos que são responsáveis, os sacerdotes. PAX!
    Laerte Rodrigues

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