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quarta-feira, 17 de março de 2010

Os franciscanos na Liturgia e na Piedade popular (Parte II - O antigo Rito Romano e da Ordem Franciscana)

A Regra de São Francisco obriga a todos os clérigos a exercerem as suas funções de acordo com a ordem da Igreja Romana. São Francisco de Assis pode ser justamente considerado como o "salvador" do antigo Rito Romano, uma vez que, na época da fundação da Ordem, em razão do seu desejo de viver a mesma vida religiosa que viveu com os Apóstolos de Jesus Cristo, dois anos antes dele “ter sido crucificado e morto”, pediu ao Papa Inocêncio III para tomar como o Rito de sua Ordem, o antigo Rito da Igreja Romana, que foi considerado o "Rito de São Pedro Apóstolo".
Durante o reinado de Inocêncio III, este Ritual só foi usado na festa da Cátedra de São Pedro, na capela privada do Papa, para os do Rito Galicano, que foi amplamente empregado na diocese de Roma. Além disso, apenas três cópias conhecidas dos livros litúrgicos deste rito antigo, ainda existente em 1215, um dos quais estava caindo aos pedaços – foi dada a São Francisco. O Papa Inocêncio III concedeu o pedido de São Francisco e deu-lhe um dos bons: as cópias ainda existentes do Sacramentário de então, o Lecionário, Rituale e outros livros.
Por conta da Regra de São Francisco, a Ordem Franciscana publicou o primeiro Missal em 1245 - que tinha direito ao Missale Regulare, isto é, o livro de orações das Horas Canônicas - de modo que todos os padres da Ordem poderiam facilmente cumprir os seus deveres, sem ter que carregar todos os livros litúrgicos. O Papa Inocêncio IV tentou reformar a liturgia da Igreja Romana, no mesmo ano, uma reforma que foi amplamente impopular com o clero da diocese de Roma de 1265.
E assim, no reinado do Papa Nicolau III, após ter ouvido falar bem e recebido o Missale Regulare da Ordem, um colaborador próximo de São Boaventura de Bagnoreggio, foi a todas as partes da Europa e propagou-o; e em virtude da grande devoção dos fiéis católicos a São Pedro Apóstolo, decidiu responder à não renovação litúrgica de Inocêncio IV, através do estabelecimento do antigo Rito Romano, uma vez mais como o rito adequado da diocese de Roma.
Este mesmo Missale Regulare de 1245, que foi aprovado com alterações muito pequenas para o calendário do clero diocesano em 1265; foi reeditado em 1465 como o Missal Curial. Foi este Missal que o Papa São Pio V, por sua Bula Quo Primum Tempore, de 1570, estabeleceu como o normativo para a Igreja do Ocidente, revogando todos os outros Missais e ritos que tivessem menos de duzentos anos. O privilégio de poder usar desse Missal mesmo depois da reforma litúrgica de Paulo VI foi confirmado por uma comissão de cardeais, em 1984, durante o pontificado do Papa João Paulo II, e recentemente por Bento XVI mediante o Motu Proprio Summorum Pontificum. Por esta razão, cada sacerdote da Ordem tem o direito de oferecer o antigo Rito Romano quando e onde ele puder e desejar! Rito romano antigo acrescido das particularidades já tratadas na primeira parte deste estudo, no que se chamou, saudavelmente, Missale Romano-Seraphicum.
Hoje, este antigo rito romano é evitado e desprezado por muitos no clero secular e na Ordem, em virtude da sua falta de apreço pelas virtudes da religião e para a importância da Fé na Sagrada Tradição e reverência para com memoriais tradições eclesiásticas. Nós filhos de São Francisco, devemos, mais do que nunca, dar um exemplo saudável de sobriedade espiritual, retornando ao patrimônio litúrgico da Ordem, ajudando da forma mais autêntica e fiel a todos os membros da Igreja!

2 comentários:

  1. Fr. Cleiton,

    muito bom o texto!!! Só uma dúvida... li no Curso de Liturgia do Pe. Reus que já no século VIII, Carlos Magno havia abolido o Rito Galicano (Guillaume Durand fala inclusive na queima dos livros litúrgicos galicanos)e imposto o Rito Romano em seu reino. Mas no seu texto diz que até Inocêncio III se usava o Rito Galicano até mesmo em Roma...

    Bom, é isso... desculpe incomodar, amigo. :)

    Pax et Bonum,
    Rafael Diehl.

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  2. Sim! A minha afirmação é veraz devido às cópias que alguns frades e alguns monges "arquivaram" secretamente em suas bibliotecas - como é sabido por muitos que isso até hoje acontece! E foram algumas destas cópias que chegaram até Inocêncio III, dentre elas subsiste ainda hoje 2 cópias no arquivo secreto da Basílica de São Francisco, em Assis.
    Como disse, todos bem sabemos que alguns monges e alguns frades, no intuito de conservarem suas obras (ou mesmo para que, se algumas delas forem parar no "Index"), têm-se cópias arquivadas secretamente e, em determinados momentos da história elas vêm de novo à tona. Talvez o Pe. Reus não tinha ciência desta informação. Mas lha digo em virtude do conhecimento das mesmas, por parte do Bibliotecário do Sacro Convento.

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