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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Serviço de nove lições e cânticos de Natal

O “Festival of Nine Lessons & Carols” é uma tradição anglicana, mas que penetrou em paróquias luteranas e católicas da Inglaterra e dos Estados Unidos, por uma natural e saudável influência. Como a liturgia dos protestantes, excetuando-se setores da High Church, é mais livre, comum se tornou que, na véspera de Natal, se executasse esse tipo de culto em que nove leituras (lições) da Sagrada Escritura são lidas, alternando-as com hinos e cânticos natalinos. 

Surgiu em 1880, com Dom Edward White Benson, então bispo anglicano de Truro, na Cornualha, Inglaterra, e, mais tarde, arcebispo de Canterbury.

Hoje é uma tradição muito forte no King’s College, na Universidade de Cambridge, que transmite o culto pela BBC de Londres.

O rito utilizado em 2008, segundo a Wikipedia, foi o que segue:
Prelúdio ao órgão
Hino processional: "Once in Royal David's City" – letra de Cecil Frances Humphreys Alexander; melodia de H.J. Gauntlett, harmonizada por H.J. Gauntlett e A.H. Mann


Oração Inicial
Cântico: "If Ye would Hear the Angels Sing" – D. Greenwell e P. Tranchell
Primeira Lição: Gn 3,8-15;17-19
Cântico :"Remember, O Thou Man" – letra do séc. XVI; música de Thomas Ravenscroft
Cântico: "Adam lay ybounden" – letra do séc. XV; música de Boris Ord


Segunda Lição: Gn 22,15-18
Cântico: "Angels from the Realms of Glory" – letra de James Montgomery; música original de um antigo tom francês, com arranjo de Philip S. Ledger
Cântico: "In Dulci Jubilo" – letra alemã do séc. XIV; música por Hieronymus Praetorius
Terceira Lição: Is 9,2;6-7
Cântico : "Nowell Sing We Now All and Some" – letra e música medievais, editadas por John Stevens
Hino: "Unto Us is Born a Son" – letra latina do séc. XV, traduzida por G.R. Woodward; música encontrada no Piae Cantiones e arranjada por David V. Willcocks
Quarta Lição: Is 11,1-3a;4a;6-9
Cântico: "The Lamb" – letra de William Blake; música de John Tavener
Cântico: "A Spotless Rose is Blowing" – letra alemã do séc. XV, traduzida por C. Winkworth; música de Philip S. Ledger
Quinta Lição: Lc 1,26-35;38
Cântico: "I Sing of a Maiden" – letra do séc. XV; música de Lennox Berkeley


Cântico: "The Night when She First Gave Birth" ("Mary") – letra de Bertolt Brecht, traduzida por Michael Hamburger; música de Dominic Muldowney
Sexta Lição: Lc 2,1;3-7
Cântico: "Sweet Baby, Sleep! What Ails My Dear?" ("Wither's Rocking Hymn)" – letra de George Wither; música de Ralph Vaughan Williams
Cântico: "What Sweeter Music can We Bring" – letra de Robert Herrick; música de John Rutter
Sétima Lição: Lc 2,8-16
Cântico: "Infant Holy, Infant Lowly" – letra polonesa tradicional, traduzida por Edith M.G. Reed; música arranjada por Stephen Cleobury
Hino: "God Rest You Merry, Gentlemen" – tradicional inglês; arranjos por David V. Willcocks
Oitava Lição: Mt 2,1-12
Cântico: "Illuminare Jerusalem" – letra adaptada do manuscrito de Bannatyne por John e Winifred MacQueen, A Choice of Scottish Verse, 1470–1570 (1972); música de Judith Weir
Cântico: "Glory, Alleluia to the Christ Child" – letra do séc. XVII; música de A. Bullard
Nona Lição: Jo 1,1-14
Hino: "O Come, All Ye Faithful" ("Adeste Fideles") – letra latina do séc. XVIII, traduzida por Frederick Oakeley; melodia de John Francis Wade, arranjada por Stephen Cleobury
Coleta
Bênção
Hino: "Hark! The Herald Angels Sing" – letra de Charles Wesley e George Whitefield; música de Felix Mendelssohn


Órgão: "In Dulci Jubilo" (BWV 729) de Johann Sebastian Bach, e "Dieu Parmi Nous" de Olivier Messiaen
Pós-lúdio de órgão
As leituras tradicionais são essas e perde-se o sentido em mudá-las, mas os cânticos e hinos podem ser reformulados. A conferência episcopal norte-americana apresenta uma sugestão de rito: http://www.nccbuscc.org/advent/lessons.shtml

Em um contexto católico, a véspera de Natal pede a liturgia da Missa da Vigília, a Missa da Noite (ou “Missa do Galo”), ou a recitação das I Vésperas do Natal ou do Ofício de Leituras. O serviço de nove lições e cânticos de Natal pode ser feito, então, no Advento, reforçando o sentido de preparação à Natividade deste período.

Embora a tradição seja mais anglo-saxã, nada impede que no Brasil ou em Portugal, sem perder nossos próprios costumes piedosos, possamos implementar esse serviço, até como forma de aproximar os anglicanos e garantir a unidade segundo a Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus.

Pode-se utilizar esse serviço de duas formas: litúrgica ou para-litúrgica.

Modo litúrgico

Como o próprio nome diz, trata-se de uma liturgia. Como tal, é uma oração oficial da Igreja, e deve-se seguir as rubricas. Ora, alguns perguntarão, se o serviço é originado no protestantismo, não constituindo uma liturgia católica, eles não seria, entre nós, uma mera devoção? E, continuam, se é devoção, como será liturgia?

Ocorre que há um rito litúrgico que permite a introdução, em dado momento, de atos de piedade individual: a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento. Após a Exposição, e antes da Bênção e da Reposição, há o período da adoração, que, segundo as rubricas do Ritual Romano, pode ser feita de modo livre, com orações, silêncio e cânticos. É aqui que muitos rezam o terço ou fazem outros atos de devoção, bem como combinam com a liturgia de Vésperas.

Para celebrar o festival de nove lições de um modo litúrgico, basta introduzi-lo nesta liturgia da Exposição e Bênção, que permite, na adoração, que se rezem atos de piedade pessoais.

Após a Exposição, antes da Bênção, pode-se adaptar o serviço acima descrito, do King’s College, escolhendo as canções e hinos natalinos mais apropriados, em latim ou vernáculo, gregorianos, polifônicos e populares, e intercalar com as nove leituras já elencadas. A coleta e a bênção são as próprias da Exposição.

O celebrante usará incenso e os paramentos específicos da Exposição e Bênção do Santíssimo: alva, amito e cíngulo (ou veste talar com sobrepeliz), com a estola, na Exposição (podendo já portar o pluvial), e, na adoração, Bênção e Exposição, o mesmo e mais o pluvial e, quando tocar o ostensório, o véu umeral. Se for exposto o Santíssimo no cibório, não é preciso usar pluvial, e o incenso não é obrigatório.

Modo para-litúrgico

Uma para-liturgia não é uma liturgia. Portanto, não é ato oficial, não segue rubricas. É, todavia, inspirado na liturgia, neste caso, na liturgia anglicana.

Pode-se fazer exatamente como descrito no rito do King’s College, mudando-se as músicas, se for melhor assim. Há um vasto repertório de cantos em latim e português para a ocasião.

Começa-se com uma procissão em direção ao ambão, enquanto se toca um prelúdio no órgão, e depois um hino. Faz-se uma oração inicial, composta para a ocasião, ou espontânea, ou retirada de um livro litúrgico anglicano, ou mesmo da liturgia católica (Missal ou breviário). O mesmo em relação à oração final.

O padre celebrante, por não se tratar de liturgia, não é obrigado a usar paramentos, mas pode envergar a veste tradicional para pregação: veste talar, sobrepeliz e estola roxa (por conta do Advento). Não deve usar pluvial, dado que é reservado para ocasiões litúrgicas.

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Esse costume é muito interessante, e servirá até mesmo para treinar bons corais. Temos tempo para ensaiar nossos cantores?
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