Nossos Parceiros

terça-feira, 18 de maio de 2010

Salva pela Liturgia: A liturgia fiel às rubricas e a minha conversão

View Comments

Alguns se têm se os bancos das igrejas não são mais católicos do que os que estão sentados sobre eles. No fundo, é como se indagassem: Será que aquelas pessoas que ali estão tiveram um real encontro com Cristo? Ou são como os bancos de uma igreja, apenas cumprindo um papel, uma função.

Afirmações deste tipo, são comuns: “Vou na igreja porque é importante ter uma religião” ou ainda “Sou católico porque toda minha família é!” Devemos parar e pensar o porquê de estarmos ali, qual o real motivo que nos leva a crer em Cristo e sua dileta Esposa.

Eu não nasci em um lar propriamente católico. Apesar de batizada, fui conhecer a Cristo Eucarístico já na casa dos meus vinte anos de idade. E graças a Deus, Ele quis que eu O conhecesse como realmente Ele é – um Cristo chagado e dolorido, coberto de sangue e feridas, por culpa dos MEUS pecados. Sim, porque aquele Papai do Céu bonitinho, de bochechas rosinhas eu conhecia. Importante eu amá-lo assim, bondoso também, mas este não me levou a rever o meu papel de cristã.

Entretanto, para que isto ocorresse, eu precisei muito mais do que um preparo, pois tive a melhor catequese, com o professor mais preparado que um cristão atualmente pode ter. Fiz minha primeira confissão com muito entendimento de sua importância. Recebi pela primeira vez a Sagrada Comunhão plenamente consciente do que recebia. Mas... faltava algo.

Tinha doutrina, um certo grau de conhecimento e tudo que eu desejasse saber ao meu alcance sobre a fé católica. Esse algo que me referi, era um real encontro com Cristo. Eu não falo de sentimentos, apenas, de lágrimas e coração batendo mais forte. Nem entrarei nessa questão. Refiro-me a enxergar Cristo, a conversar com Ele, a ver suas chagas, a sentir um pouco, ao menos, de sua dor. No entanto para ter este sofrivelmente belo encontro eu precisei de ajuda que encontrei em uma celebração litúrgica DE ACORDO COM AS RUBRICAS, numa pequena comunidade chamada Santa Rita de Cássia, celebrada por um jovem sacerdote diocesano ligado ao Opus Dei, com uma vida de busca pela santidade exemplar. Alguém com uma impressionante vida de oração e que zela pela correta celebração da liturgia, que transforma os lugares por onde trabalha apenas por fazer o que é o correto: uso diário da batina, zelo pelo latim, celebração da Santa Missa em comunidades esquecidas de um município servido apenas por TLs.

A celebração de que falo era a Solene Ação Litúrgica de Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor. O referido padre de batina, amito, alva, cíngulo, estola, e, coisa raríssima por estas bandas, casula. Uma linda casula vermelha, em estilo gótico. Quando, em vez de se ajoelhar como fazem alguns, se prostrou, como mandam as rubricas, deitando-se no chão, e assim permanecendo por alguns minutos, algo mudou em mim. Vi que estava diante de um culto verdadeiro a Deus, e não ao homem. O fiel cumprimento das rubricas, longe do farisaísmo de uma liturgia fria ou só preocupada com normas, me fez enxergar a Cristo, e fortaleceu em mim a idéia de que não é “improvisando”, “tendo criatividade”, e mudando o Missal, que atrairemos as almas para Ele. A liturgia é da Igreja, aprovada por ela, e tem um poder como que intrínseco para levar as almas a Deus, mesmo que sua função não seja essa, e sim de cultuar a Deus. E cultuar a Deus como Deus quer ser cultuado, ou seja, de acordo com as normas dadas pela Igreja que é d’Ele.

Resultado de tudo isso? Minha conversão, obviamente, e uma igreja cheia, mas de verdade, não de pessoas que, como um banco, estão ali porque estão. E se tivesse algum desses “desavisados” poderia prestar verdadeira atenção na homilia e ouviria a VERDADE, a correta doutrina, de maneira simples e real. Também poderia se embasbacar pela beleza que é uma celebração bem feita, ou seja: TEOCENTRICA. Sem banda de música pop, invenções teatrais, nem nada. Somente aquilo que ensina o Magistério da Santa Mãe, a Igreja Católica.

Sou grata a Nosso Senhor por todas as Missas celebradas corretamente que assisti, sejam em grandes catedrais ou em uma simples capela. Assim, quando assisto uma missa em que se vê de tudo, e muito pouco a Cristo, sei que ainda assim Ele está lá. E sei o que sou e o que devo er como cristã. Não sou como mais um banco daquela Igreja.

---

Abaixo, fotos de várias liturgias, ao redor mundo, da Sexta-feira Santa, bem celebradas, para que os leitores comparem com o que vêem nas suas paróquias:









segunda-feira, 17 de maio de 2010

Do Zenit, sobre o rito mozárabe

View Comments
Importante notícia que nos traz o Zenit:

Apresentado em Roma importante estudo sobre rito moçárabe
Permitirá aprofundar no significado teológico e da celebração da liturgia hispânica

ROMA, segunda-feira, 17 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Na semana passada, na sede da Rádio Vaticano de Roma, foi apresentada a obra Concordantia Missalis Hispano-Mozarabici, editada pela Libreria Editrice Vaticana. Trata-se de um livro de grande importância no âmbito da pesquisa da liturgia.

A Concordantia é o resultado de vários anos de trabalho dos investigadores espanhóis Félix María Arocena e Adolfo Ivorra, e do italiano Alessandro Toniolo.

Nele se recolhe todo o patrimônio oral do rito hismano-moçárabe, e pela primeira vez, as Concordantias, "instrumento essencial que permite se aprofundar na rica teologia presente nos textos", afirmam os autores.

O livro foi publicado no ano passado, como parte da coleção Monumenta Studia Instrumenta Liturgica, dirigida por Manlio Sodi e Achille Maria Triacca.

Trata-se de um volume de quase mil páginas, que oferece um apoio para o estudo da eucologia eucarística (ou seja, um conjunto de orações contidas em um formulário litúrgico, em um livro ou, geralmente, em livros de uma tradição litúrgica).

A Concordantia permitirá compreender as acepções semânticas de cada termo litúrgico e o contexto em que se encontra.

"O profundo significado teológico de algumas fórmulas, as particularidades do latim hispânico e as discrepâncias entre o Missal e as fontes hispânicas são outras das benfeitorias que possibilita este instrumento".

"O trabalho baseado nas Concordâncias permitirá conhecer não apenas a densidade teológica do Missale Hispano-Mozarabicum, como também a transcendência e a beleza de nossa tradição ritual", afirmam os autores.

Eles se disseram confiantes de que a Concordantia "será um incentivo para a reflexão teológica sobre o atual Missal Hispânico, facilitando sua aproximação, e corrigindo, quando for o caso, as hipóteses e conclusões, até agora formuladas, por meio de uma inspeção in directo dos textos, sensível a sua história - nem sempre clara".

Rito moçárabe

O rito moçárabe ou hispânico é um dos ritos ocidentais antigos (juntamente ao romano, ao ambrosiano e ao galicano), tendo nascido e se consolidado na península ibérica por volta do século VI, antes da invasão muçulmana.

Segundo os especialistas, uma das características deste rito é a importante presença do canto. Outros garantem que esse rito conversa, muito mais que os demais ritos, influências da liturgia judia nas sinagogas.

Apesar das dificuldades (conquista muçulmana e imposição do rito romano, especialmente depois de Trento), o rito hispânico sobreviveu em Toledo. Em 1495, o cardeal Cisneros empreendeu uma importante reforma, dedicando uma capela para a celebração desta liturgia, e compondo um missal escrito que coletava as tradições orais que ainda prevaleciam.

Contudo, não foi até o século XX, quando o Concílio Vaticano II dispôs, na Sacrosanctum Concilium, o mesmo direito e honra aos ritos legitimamente reconhecidos, quando se empreendeu a verdadeira reforma do rito, com a edição do Missal atual.

Posteriormente, o Papa João Paulo II concedeu a permissão (que até então só tinha em Toledo) de celebrar esta liturgia em qualquer lugar da Espanha. O próprio pontífice quis celebrar a Missa com este rito, em 28 de maio de 1992, se tornando o primeiro papa que o utilizava em Roma.

Salvem o altar!

View Comments
Excelente vídeo que mostra como transformar um altar de uma paróquia em apenas 15 minutos de trabalho, o vídeo em si tem 5.

Passos para melhorar a liturgia na paróquia

View Comments
Reverendo padre, se o senhor deseja melhorar a liturgia em sua paróquia, para afiná-la com as normas da Igreja e o grande desejo do Santo Padre em resgatar o seu papel como verdadeiro culto a Deus, abaixo damos alguns passos que pensamos ser úteis para seguir. Tijolo a tijolo, vamos fazendo a obra do Senhor.

1ª FASE

Trata-se, senhor padre, de implementar as normas litúrgicas, mediante um roteiro com o mínimo que o senhor precisa para que a Missa seja dignamente celebrada de acordo com o Missal. Ainda nessa primeira fase, o senhor irá trabalhando em um ponto facultativo, mas muito importante para nossa identidade católica romana: a Missa em latim.

1. Organizar um grupo de estudos litúrgicos. Chamar os ministros extraordinários, os responsáveis pelos setores, os acólitos, os clérigos da paróquia, membros do conselho ou diretoria, e equipe de liturgia, e compartilhe com eles textos da Instrução Geral do Missal Romano, da Instrução Redemptionis Sacramentum, da Encíclica Mediator Dei, da Encíclica Ecclesia de Eucharistia, e textos de formação em liturgia do Salvem a Liturgia e do Veritatis Splendor. Falar, nesse grupo, da importância do latim. A primeira reunião deve tratar das normas básicas e do que irá mudar na paróquia, baseado no ponto 4 adiante.

2. Concomitantemente, estabelecer um horário, duas vezes por semana, para atendimento de confissões NO CONFESSIONÁRIO, vestindo batina e estola roxa, podendo usar sobrepeliz. Anunciar amplamente esse horário.

3. Fundar um coral para treinarem peças fáceis de canto gregoriano: Missa De Angelis, Missa Orbis Factor, Pater Noster, Tantum Ergo, Pange Lingua, Adoremus in Aeternum etc.

4. A partir da primeira reunião, fazer na próxima Missa uma “faxina geral”: os ministros extraordinários ficam na nave e não no altar, e só são chamados em casos realmente extraordinários; a Comunhão será dada só na boca, proibindo-se na mão; incentivar antes de distribuir a Comunhão que os fiéis se ajoelhem; usar paramentos completos, incluindo casula; colocar sobre o altar seis velas e um crucifixo, em “arranjo beneditino”; flores só se o tempo litúrgico permitir; usar incenso, auxiliado pelos acólitos; o Kyrie, o Gloria, o Sanctus e o Agnus Dei rezados ou cantados conforme a letra do Missal, ainda que em português, sem alteração nenhuma do estabelecido; deixar certa liberdade apenas nas músicas de Entrada, Ofertório e Comunhão; a purificação seja feita pelo senhor, não pelos outros; cessem todos os abusos, proibidos pela Redemptionis Sacramentum. Isso permanecerá em todas as Missas seguintes.

5. Um sermão, fora da Missa, pode ser pregado a todos os fiéis, anunciando as mudanças e os motivos. O senhor pode usar batina, sobrepeliz e estola nesse sermão.

6. Após duas ou três Missas, introduzir, nas Missas de Domingo o Pai Nosso cantado em gregoriano.

7. Fazer, todas as quintas-feiras, no horário mais apropriado, a Solene Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, com cantos e orações em latim, e conforme o rito correto, com paramentos adequados, incenso, ostensório.

8. Conforme o grupo for amadurecendo, um ou dois meses após a primeira reunião, marcar um dia para uma Missa em latim, no rito moderno mesmo, esse que sua paróquia utiliza. Como o senhor já celebra essa Missa diariamente, não será difícil, apenas requerendo certo treino na pronúncia. Essa Missa não precisa ser toda cantada, mas se houver um coro treinado pelo menos para o Pater Noster, Kyrie, Gloria, Sanctus e Agnus Dei, seria interessante. Use a melodia da Missa De Angelis (VIII) para o coro, que é mais fácil.

9. A essa altura, o coro gregoriano já pode adquirir o Graduale Romanum ou o Graduale Simplex, com os monges de Solesmes, e procurar ensaiar o Próprio das Missas mais importantes (pelo menos uma de Quaresma, as da Semana Santa, a da Páscoa, uma de Advento, a de Natal, Pentecostes, Sagrado Coração, alguma mariana etc).

10. Celebrar, após um mês da primeira Missa, novamente em latim, ainda no rito novo, desta vez toda cantada, ou menos com a Coleta, Evangelho, Sobre as Oferendas, Prefácio, e Depois da Comunhão, cantados, além do Pater Noster, Kyrie, Gloria, Sanctus e Agnus Dei.

2ª FASE

Dados os passos acima, a paróquia já estará não só obedecendo as rubricas, o que é algo raro no Brasil, como vivendo uma espiritualidade litúrgica profundamente conectada com a tradição do rito romano. Se, entretanto, o senhor julgar oportuno, pode dar mais alguns passos, para melhor ajudar o Papa na implementação do que se vem chamando “reforma da reforma”.

Embora os passos acima já sejam uma grande conquista, não se poderá deixar de elogiá-lo, senhor padre, caso queira deixar ainda mais clara a sua fidelidade ao Sucessor de Pedro, no auxílio de seu apostolado, pelos pontos abaixo. São facultativos, mas ao nosso ver, vivamente recomendados. Noutros termos, tendo feito o que a Igreja manda, caso o senhor queira ainda amoldar a liturgia em sua paróquia aos desejos e pedidos do Santo Padre, eis algumas atitudes adicionais que o senhor pode adotar:

1. Fixar uma Missa semanal em latim, em um dos horários de Domingo.

2. Tomar aulas de “Missa tridentina”, para aprender a forma extraordinária do rito romano. Existem DVDs por aí, e o Salvem a Liturgia poderá ajudá-lo nisso.

3. Adotar a posição versus Deum para todas as Missas, inclusive as celebradas em português:

a) se houver dois altares no presbitério, um antigo, “colado à parede”, e outro novo, remover o novo para outro local da igreja ou para outra igreja, oratório ou capela;

b) havendo só o novo, ver se é possível transportá-lo para junto à parede, e instalar sobre ele um retábulo, com o sacrário, a cruz, imagens de santos, notadamente do titular da igreja. É interessante colocar alguns degraus e um pavimento um pouco acima do restante do presbitério;

c) se esse altar novo, sendo o único, for fixo ao pavimento, não podendo ser transportado, adaptá-lo à celebração exclusivamente versus Deum, colocando um retábulo sobre ele, como no item “b”;

d) se, no caso anterior, o espaço entre o altar novo fixo e os degraus do presbitério for muito curto, impedindo que o sacerdote nele celebre versus Deum, procurar fazer uma obra na arquitetura da igreja para corrigir esse problema.

4. Ornar o altar versus Deum com flores, se o tempo litúrgico permitir, as seis velas e a cruz, além do retábulo, sacrário, imagens etc.

5. Construir uma mesa de Comunhão (balaustrada), entre o presbitério e a nave, para que os fiéis comunguem de joelhos, um ao lado do outro.

6. Celebrar sua primeira Missa na forma extraordinária.

7. Se os fiéis desejarem – e é bom formá-los para que desejem –, estabelecer um horário semanal para a Missa na forma extraordinária, de modo a ter, em cada Domingo: Missa em português na forma ordinária, Missa em latim na forma ordinária, Missa em latim na forma extraordinária.

8. Com o tempo, as Missas em latim, nas duas formas, sejam solenes (com diácono) ou, ao menos, cantadas (sem diácono, mas inteiramente cantadas e com incenso). Se for útil, além das Missas latinas cantadas ou solenes, pode-se ter Missa latina “baixa” nos Domingos e nos dias de semana.

Apêndice I: Modelo de horário para uma paróquia com um padre

Segundas, terças e quartas
17h30 – Terço
18h – Missa (forma ordinária, português)

Quintas
17h30 – Solene Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento (latim), com terço
18h30 – Missa (forma ordinária, latim)

Sextas
15h – Via Sacra
17h30 – Terço
18h – Missa (forma extraordinária, latim)

Sábados
8h – Missa de sábado (forma ordinária, português)
17h30 – Terço
18h – Missa de Domingo antecipada (forma ordinária, português)

Domingos
8h – Missa Solene ou Cantada (forma extraordinária, latim)
10h30 – Missa Solene ou Cantada (forma ordinária, latim)
18h – Missa rezada (forma ordinária, português)

Apêndice II: Modelo de horário para uma paróquia com mais de um padre

Segundas, terças e quartas
7h30 – Missa (forma extraordinária, latim)
17h30 – Terço
18h – Missa (forma ordinária, português)

Quintas
7h30 – Missa (forma extraordinária, latim)
17h30 – Solene Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento (latim), com terço
18h30 – Missa (forma ordinária, latim)

Sextas
7h30 – Missa (forma extraordinária, latim)
15h – Via Sacra
17h30 – Terço
18h – Missa (forma ordinária, português)

Sábados
7h30 – Missa de sábado (forma extraordinária, latim)
8h15 – Missa de sábado (forma ordinária, português)
17h30 – Terço
18h – Missa de Domingo antecipada (forma ordinária, português)

Domingos
7h – Missa rezada (forma extraordinária, latim)
8h – Missa Solene ou Cantada (forma extraordinária, latim)
9h30 – Missa rezada (forma ordinária, latim)
10h30 – Missa Solene ou Cantada (forma ordinária, latim)
18h – Missa rezada (forma ordinária, português)
19h – Missa Solene ou Cantada (forma ordinária, português, com cantos em latim)

domingo, 16 de maio de 2010

Na Ascensão do Senhor

View Comments
Oportuna e profunda reflexão do Jorge Ferraz, em seu ótimo blog Deus lo Vult:

Hoje é a solenidade da Ascensão do Senhor Jesus aos Céus. Após a leitura do Evangelho, o Círio Pascal – que desde o Sábado de Aleluia ardia em nossas igrejas – é apagado. Isto significa (conforme explicou o reverendíssimo sacerdote na Missa que assisti pela manhã) que a Santíssima Humanidade de Nosso Senhor agora Se esconde aos nossos olhos. O Senhor subiu ao toque da trombeta, e encerrou aquela particular página da História iniciada na Encarnação. Hoje se celebra o último Mistério do Verbo Encarnado.

Volta ao Pai, mas permanece conosco: na Graça Santificante semeada nas almas dos que n’Ele creram, na força do Espírito Santo cuja vinda celebraremos na próxima semana, e de um modo especialíssimo na Sagrada Eucaristia – onde está com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Mas a Sua Humanidade agora está escondida, até mesmo na presença real do Santíssimo Sacramento do altar. Como cantamos no Adoro Te Devote: “In cruce latebat sola Deitas / At hic latet simul et humanitas”. Na versão brasileira mais conhecida: “lá na Cruz Se escondia a Tua Divindade, / mas aqui também Se esconde Tua Humanidade”. Na festa de hoje, celebramos a ocultação aos nossos olhos da Santíssima Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Está escondida a nós, acessível somente pela Fé, até o dia da Sua Segunda Vinda Gloriosa.

Mas a festa de hoje não faz as vezes de uma “Revelação às avessas”, como se poderia pensar à primeira vista. A Ascensão de Nosso Senhor não é para torná-Lo inacessível a nós. Ao contrário; Ele subiu aos Céus – como disse expressamente nos Evangelhos – para preparar-nos um lugar. Subiu aos Céus para, na expressão clássica, entronizar a nossa humanidade no seio da Trindade Santa. Na festa de hoje, a natureza humana é exaltada de uma maneira tal que seria inconcebível fora da Revelação Cristã: Nosso Senhor, que é Deus, participa da mesma humanidade da qual nós participamos.

E a leva conSigo aos Céus, quer dizer: a humanidade de Nosso Senhor não se trata meramente de um “instrumento” temporário do qual Deus fez uso em algum momento da História, para algum propósito, e depois descartou. Não; na Encarnação, é como se a natureza humana se tornasse parte constituinte de Deus. Ao voltar aos Céus, o Verbo não volta “como veio”, i.e., puro espírito: volta com o Seu Corpo e Sua Alma. Volta 100% homem.

Volta aos Céus com a nossa natureza! Além de nos inflamar com um profundo desejo do Céu – afinal de contas, a nossa natureza humana, elevada à esfera sobrenatural graças à Encarnação do Verbo, tende agora para o infinito, tende agora para a Vida Eterna -, a consideração destas verdades deve também provocar em nós um profundo senso de respeito para com a nossa humanidade. Afinal, é um corpo como este, são olhos como estes, são mãos como estas, pés como estes, enfim, é uma natureza humana como a minha que está hoje sentada à direita de Deus Pai. E, como corruptio optimi pessima est, o mau uso da nossa humanidade é hoje abissalmente mais degradante e mais grave do que o era, p.ex., para os pagãos que viviam antes da Encarnação do Verbo. Cuidemos com atenção e zelo daquilo que compartilhamos com o Deus Todo-Poderoso!

E que a Virgem Santíssima nos ajude neste Vale de Lágrimas. Que Ela – ainda estamos no mês de Maio a esta Boa Senhora dedicado – possa ser em nosso favor, e que por Seus méritos e preces mereçamos um dia alcançar o lugar que Nosso Senhor foi aos Céus preparar para nós.

O crucifixo no centro do altar

View Comments

1

O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica no nº 218, faz a seguinte pergunta: "O que é a liturgia?" E responde:

A liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do Mistério pascal. Nela, através do exercício do ofício sacerdotal de Jesus Cristo, com sinais se manifesta e se realiza a santificação do homem e é exercido pelo Corpo Místico de Cristo, que a cabeça e os membros, o culto público devido a Deus.

A partir desta definição, entendemos que o centro da ação litúrgica da Igreja é Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e seu mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição. A celebração litúrgica deve ser a transparência dessa verdade teológica. Por muitos séculos, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e do corpo durante a liturgia é uma representação de Jesus crucificado.

A centralidade do crucifixo na celebração do culto divino é mais proeminente no passado, quando existia a tradição de que o padre e os fiéis durante a celebração eucarística estavam voltados para o crucifixo no centro, acima do altar, que era geralmente contra a parede. Para o costume de celebrar o atual "versus populum", muitas vezes, a cruz está localizada ao lado do altar, perdendo a sua localização central.

2

O então teólogo e cardeal Joseph Ratzinger, tinha reiterado que, mesmo durante a celebração "versus populum", o crucifixo devia se mantido na sua posição central, mas é impossível pensar que a imagem do Senhor crucificado - que exprime o seu sacrifício e então o significado mais importante da Eucaristia - pudessem ser de alguma maneira perturbadora. Depois de se tornar Papa, Bento XVI, em seu prefácio ao primeiro volume de sua "Gesammelte Schriften", disse que estava feliz pelo fato que se estava fazendo sempre mais vezes a sua proposta em seu famoso ensaio "Introdução ao Espírito da Liturgia". Esta proposta foi a sugestão de "não avançar com novas transformações, mas simplesmente pôr a cruz no centro do altar, para que esta possa assistir ao mesmo tempo sacerdote e fiéis, para serem orientados, assim, para o Senhor, a Quem nós oramos juntos."

3

O crucifixo no centro do altar nos mostra o esplendor do significado da sagrada liturgica, que podem ser resumidas no nº 618 do Catecismo da Igreja Católica, uma parte que termina com uma citação agradável de Santa Rosa de Lima:

A cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens" (1Tm 2,5). Mas, pelo fato de que, na sua Pessoa Divina encarnada, "de certo modo uniu a si mesmo todo homem" (Concílio Ecumênico Vaticano II, Gaudium et Spes, 22), "oferece a todos os homens, de uma forma que Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao Ministério Pascal. (ibid.). Chama a seus discípulos a "tomar a cruz e a segui-lo" (Mt 16, 24), pois "sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos" (1Pd 2, 21). Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários dele. (cf. Mc 10,39 João 21,18-19; Col 1:24). Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério do seu sofrimento redentor. (cf. Lc 2,35).

"Fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao céu". (Santa Rosa de Lima, cf. P. Hansen, Vita mirabilis, Louvain 1668).

4

Fonte: Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/details/ns_lit_doc_20091117_crocifisso_it.html

sábado, 15 de maio de 2010

Missa "de sempre", "em latim" etc, e algumas considerações...

View Comments
Algumas pessoas se referem à forma extraordinária chamando-a "Missa de sempre" ou "Missa em latim", e considerando a Missa na forma ordinária "bagunçada, irreverente, modernista e protestantizada".

Por conta disso, resolvemos expor os seguintes esclarecimentos. Adiantamos que não são um artigo ou estudo aprofundado, mas breves notas sobre o tema.

1. Toda Missa é de sempre. Do contrário, não seria Missa.

2. Talvez queiram dizer "rito de sempre". Ainda assim é errado, pois o rito a que se referem foi codificado por São Pio V, baseado no sacramentário de São Gregório Magno. Logo, não é de sempre. Mais ainda: os demais ritos são tão antigos, ou mais, que o romano. Portanto, não existe isso de um rito ser "de sempre".

3. Dizer que a Missa de São Pio V é a mesma coisa que "Missa em latim" é um absurdo. A Missa nova também é em latim. Pode ser celebrada versus Deum também. Eu mesmo tenho, seguidamente, Missas em latim, versus Deum, e com canto gregoriano, incenso etc. E é Missa no rito novo mesmo!!!!

4. Contrapor a Missa no rito antigo romano ao rito novo romano é uma falácia tradicionalista. Ambas são válidas, lícitas, legítimas, e santificantes. Se o rito antigo tinha pontos positivos, também tinha limitações (tanto que, após Pio V, houve muitas reformas, até Pio XII e João XXIII). O mesmo com o rito novo: limitações, mas pontos positivos.

5. Importa assistir Missa bem celebrada, seja em rito oriental, ocidental, tradicional, moderno. Evidentemente, pode-se ter preferências estéticas e mesmo teológicas, invocando sérias razões para, por exemplo, considerar que a reforma litúrgica do rito romano foi feita de um modo um tanto equivocado, ou que o rito anterior, hoje forma extraordinária, tinha certas peculiaridades que o faziam, em certo sentido, superior ao atual no modo de expor a doutrina católica e salientar o sentido sacrifical, ou que, na reforma, não houve pleno respeito ao princípio do desenvolvimento harmônico etc. Esse tema desenvolvemos em vários artigos, bastando procurar pelo label "reforma da reforma".

6. A bagunça litúrgica que se vê na esmagadora maioria das Missas em rito romano moderno no Brasil não é culpa do rito novo e da reforma litúrgica. A Missa bagunçada que vemos não é a Missa nova, mas uma distorção da Missa nova.

7. Poderíamos dizer que a Missa celebrada pelo Papa é irreverente, modernista, protestantizada? Pois é uma Missa no rito novo...

Dedicação, na forma ordinária, e absolutamente fiel e sacral, da Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Seminário dos Arautos do Evangelho, em 2008

View Comments

Comentários do Salvem a Liturgia:

Trata o artigo abaixo de uma belíssima cerimônia de dedicação de igreja aqui no Brasil com raríssimo cumprimento de todas as disposições litúrgicas. A beleza, o uso do latim, os paramentos, podem nos fazer pensar em uma dedicação na forma extraordinária (tridentina), mas é no rito novo mesmo.

---

Pe. José Francisco Hernández Medina, EP

Pelas mãos sagradas de Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal Franc Rodé, CM, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, foi dedicada - no dia 24 de fevereiro - a Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Seminário dos Arautos do Evangelho.



igreja_11_rae 76.jpgSeminário dos Arautos do Evangelho encontra-se num lugar privilegiado, em meio à abundante vegetação tropical da Mata Atlântica brasileira, nos altos da Serra da Cantareira. O nome desses montes evoca um belo simbolismo: em idos tempos, as propriedades ao norte da então pequena cidade de São Paulo abasteciam-se dos mananciais de água pura que neles brotam. O precioso líquido era transportado em cântaros, que ficavam depositados junto às estradas da região. Daí nasceu o nome da serra: "cantareira".

A dedicação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário fez surgir, nesse mesmo local, uma abundante fonte de Água Viva, da qual fala o Evangelho (cf. Jo 4, 10-15). A partir do momento em que foi consagrado, passaram a defluir desse templo as torrentes de graças divinas que o Santo Sacrifício da Missa, bem como os demais Sacramentos ali ministrados, disponibilizam para todos os fiéis, saciando sua sede de Infinito.

O templo material é símbolo da Igreja, formada por pedras vivas, que sãoigreja_10_rae 76.jpg todos os cristãos. Representa ainda a Jerusalém Celeste, onde triunfaremos eternamente com Cristo. Convêm que sua construção seja bela, e até esplendorosa, recordando a quem transpõe seus umbrais benditos que o Céu é o destino dos que perseverarem na Fé e na prática da virtude.

Inspirada no estilo gótico, caracterizado, entre outros detalhes, pela forma dos arcos, bem como pelo entrecruzar de ogivas e nervuras, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário busca exatamente essa beleza ideal, criando em seu interior,igreja_25_rae 76.jpgatravés da profusão de cores e da riqueza de formas, um ambiente adequado para as celebrações litúrgicas.

Ocupando 1.125 m2, com capacidade para 1.100 pessoas sentadas, ela atinge uma altura interna de 24 metros. O projeto arquitetônico foi orientado pelo Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP e desenhado pelo arquiteto espanhol Baltazar Gonzalez Fernandez, falecido recentemente.

Tal realização jamais teria sido possível sem o generoso auxílio dos colaboradores da Associação Católica Nossa Senhora de Fátima, do Brasil, da Associação Salvadme Reina, da Espanha, da Associazione Madonna di Fatima - Stella della Nuova Evangelizzazione, da Itália e da Associação dos Custódios de Maria de Portugal.

O rito da dedicação

Com enorme alegria os arautos participaram da solene celebração litúrgica de dedicação; alegria que veio não apenas do fato em si, que marcou a história da instituição, mas, sobretudo, de verem atendido um acalentado anseio proveniente do mais fundo de suas almas. Com efeito, o carisma que neles deve brilhar com todo o fulgor, a fim de poderem dar testemunho do Evangelho, passa agora a expressar-se também neste edifício sagrado, na elegância das linhas arquitetônicas, no variado desenho das pedras, no jogo cromático das pinturas e na luz capturada Mons Joao com as chaves.jpgpelo colorido dos vitrais.

O cerimonial de dedicação de uma nova igreja é rico, e consiste num harmonioso encadeamento de atos litúrgicos, todos eles cheios de significado. A celebração foi presidida por Sua Eminência o Cardeal Franc Rodé, CM, e concelebrada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e por D. José Maria Pinheiro, Bispo Diocesano de Bragança Paulista - bem como por mais de 20 bispos e numerosos sacerdotes. Mons. Adriano Paccanelli, mestre das celebrações litúrgicas da Basílica Papal de Santa Maria Maggiore, atuou como cerimoniário.

Entrega das chaves da Igreja

Após os ritos iniciais, o Cardeal Franc Rodé, CM, recebeu dos representantes igreja_12_rae 76.jpgdos construtores as chaves do edifício, e as entregou em seguida ao Superior Geral da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, pois é a este que compete o múnus pastoral da nova igreja.

Bênção da água e asperçãoigreja_8_rae 76.jpg

A água benta é um sacramental que, usado com fé, nos purifica dos pecados veniais, e por seu caráter exorcístico, afasta o espírito maligno. O Cardeal Rodé abençoou a água, com a qual aspergiu o povo, em sinal de penitência e em lembrança do Batismo, assim como as paredes e o altar da nova igreja, a fim de purificá-los.

igreja_26_rae 76.jpgTambém os principais concelebrantes - Cardeal Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo e D. José Maria Pinheiro, Bispo de Bragança Paulista - participaram da asperção.

Deposição das relíquias

O costume de colocar relíquias de santos sob o altar originou-se nos primeiros séculos da Igreja, nos espaços limitados e recônditos das Catacumbas, onde se tornou habitual celebrar a Missa sobre a pedra tumular de um mártir. Entre as centenas de relíquias colocadas sob o igreja_2_rae 76.jpgaltar, destacam-se as dos Doze Apóstolos.

Prece de Dedicação, unção do altar e das paredes da igreja

Após a Prece de Dedicação (foto à esquerda) o altar foi ungido com o Santo Crisma. Nos quatro ângulos e no centro foram traçadas cruzes com o crisma, que simbolizam misticamente as cinco Chagas do próprio igreja_6_rae 76.jpgCristo, o "Ungido" pelo Pai, por meio do Espírito Santo, como único Sacerdote da Nova Aliança.

Desde este momento, o templo passou a ser digno do nome de igreja, porque suas pedras "batizadas" (com a aspersão da água benta) e sagradas com o óleo, já representavam a assembléia dos eleitos, ligados entre si, assim como com Cristo, a Pedra Divina, pelo indestrutível cimento do amor.

Após a unção do altar foram ungidas as paredes da igreja. Nas fotos ao igreja_19_rae 76.jpglado, o Cardeal Scherer (à esquerda), bem como o Cardeal Rodé (à direita) ungem algumas das 12 cruzes, símbolo dos Apóstolos de Cristo, colocadas no templo.

igreja_27_rae 76.jpgIncensação do altar e da igreja

Depois do rito da unção, colocou-se sobre o altar um fogareiro para queimar o incenso, sinal de que o sacrifício de Cristo, perpetuado aqui sacramentalmente, sobe até Deus como suave aroma, junto com as orações dos fiéis.
Em seguida, o celebrante incensou o próprio altar, e quatro diáconos percorreram a igreja incensando o recito e os fiéis. A cena fazia lembrar o que é narrado pelo o Antigo Testamento quando uma nuvem sobrenatural tomou conta do Templo de Salomão, após sua
igreja_17_rae 76.jpgdedicação.

Iluminação do altar e da igreja

Procedeu-se, então, a iluminação festiva da igreja, pois Cristo é a Luz que ilumina as nações. Todas as velas e as 12 tochas, colocadas no lugar das unções, são acesas em sinal de alegria.

Estas doze tochas, simbolizam uma vez mais os Apóstolos, que pela Fé no Crucificado iluminaram o Universo, o instruíram e o inflamaram de igreja_23_rae 76.jpgamor.

Enquanto isso foi entoado um canto em honra de Cristo, luz do mundo.

Inauguração da capela do Santíssimo

Após o Rito Eucarístico, teve lugar a inauguração da Capela do Santíssimo. Ali, o Sacramento do Altar ficou exposto, onde permanecerá perpetuamente.

Dia e noite, os Arautos do Evangelho elevarão suas orações até o trono doigreja_20_rae 76.jpgAltíssimo, pedindo pelo Sumo Pontífice, pela Sagrada Hierarquia, pela Santa Igreja, pela santificação dos membros desta instituição e pelas intenções dos cristãos do mundo inteiro.

Ritos Finais

Monsenhor Joao ...jpgAo término da cerimônia, o Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP deu leitura ao paternal telegrama enviado por Sua Santidade Bento XVI concedendo a todos os presentes a Bênção Apostólica.

Foi aclamado com um caloroso e prolongado aplauso. Do mesmo modo foi dado conhecimento de um especial dom, recebido por tão jovem templo: o vínculo de parentesco espiritual com a Basílica Papal de Santa Maria Maggiore.

E foi lido, por fim, o Decreto da Penitenciaria Apostólica, concedendo indulgência plenária aos fiéis que participem nesse templo de uma função sacra, em determinadas ocasiões.

http://www.arautos.org/view/show/394-primeira-igreja-dos-arautos-do-evangelho

---

Assista abaixo o vídeo:

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Vigília e Santa Missa na Noite da Páscoa na Igreja Santissima Trinitá del Pellegrini

View Comments

03 de abril de 2010 – Sábado Santo

Vigília e Santa Missa na Noite da Páscoa, celebrada na Igreja da Santissima Trinitá del Pellegrini, em Roma, Paróquia Pessoal da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, foi celebrada na forma extraordinária do rito romano.

01

02

04

05

06

07

08

12

13

14

17

19

24

27

28

35

37

39

O sacramento da Penitência e da Reconciliação: Como efetivá-lo nas Paróquias?

View Comments

Nas quatro Basílicas Maiores de Roma, sempre existiu o serviço de atendimento às confissões. Serviço este, organizado definitivamente, pelo Papa São Pio V (1566 – 1572). Depende diretamente da Penitenciaria Apostólica, organismo vaticano encarregado das concessões de indulgências, que assinala a diferentes Ordens religiosas a confissão em diferentes basílicas.
Na Basílica de São Pedro estão os Franciscanos Conventuais, em São João de Latrão, os Franciscanos Menores, em Santa Maria Maior, os Dominicanos, e em São Paulo Fora dos Muros, os Monges Beneditinos.

O sacerdote dominicano Pedro Fernández, confessor em Santa Maria Maior, foi entrevistado pelo site de informações da Igreja "Zenit" (02/10/2009). Para ele, este trabalho significa exercitar o sacerdócio que a Igreja lhe confiou em nome de Cristo. Permite-lhe estar em contato direto com as pessoas e as almas.
Ele assinala que sua missão muitas vezes vai além de absolver: “vejo muita solidão. Há penitentes que vêm desejando desabafar, ser escutados. O confessor deve ajudá-los em primeiro lugar a se darem conta dos pecados para poder arrepender-se, porque ninguém se arrepende do que não conhece”.
Inclusive o diálogo com o penitente pode ser uma oportunidade de evangelizar. “Percebe-se muito a ignorância religiosa. Convém que o confessor faça nesse momento uma catequese adequada”.

O padre Fernández admite que para administrar este sacramento como deveria ser, a Igreja necessita de muitas mãos: “se houvesse mais confessores, haveria mais confissões. Sempre custa ir pedir a um sacerdote que me confesse, mas se o vejo sentado disponível, é mais fácil”.
Ele enfatizou a importância de que os fiéis vejam este sacramento como um presente e não como um castigo: “Temos de nos aproximar da confissão para acolher este perdão. Aí está a beleza da confissão. É o sacramento da paz consigo mesmo”.
E como em todo trabalho, há dias mais atarefados que outros, em que mais fiéis acorrem e as filas se alongam. “No Advento, Quaresma, nas primeiras sextas-feiras do mês há muito mais gente. É uma experiência estupenda ver uma pessoa arrependida”.

Mas por que contar os pecados a um sacerdote? Por que não confessar com Deus diretamente? São perguntas que muitos católicos fazem. O padre Fernández explica: “a relação com Deus é mediada. Em nossa fé, essa mediação é por meio dos sacramentos, da fé e da experiência mística”.“Para confessar-se, é preciso ter fé, crer em Deus, em teus pecados e arrepender-se. Não é um caminho imposto pela Igreja. É um caminho que a fé nos indica”.
E assinala o verdadeiro sentido da confissão: “não se trata de um consultório psicológico e que dêem uma razão humana de seus problemas. Sobretudo é o perdão”.

Um sacramento ao qual Bento XVI tem dado grande ênfase neste ano sacerdotal: “o fato de que o Papa recomende aos sacerdotes que nos sentemos a confessar quer dizer que temos de ser conscientes de nossa identidade e santificação”, diz o padre Fernández.
Ele concluiu a entrevista assegurando que ninguém dá o que não tem: “confessando-se é como se aprende a confessar. Dificilmente alguém pode ser confessor se não se confessa bem”!
*******
1. Tendo como introdução esta entrevista, o Salvem a Liturgia expõe, como um modo de práxis, uma recordação do que se refere sobre este sacramento e que se encontram em livros basais, os quais todo sacerdote deveria saber muito bem, pois trata-se do CIC e do Ritual da Penitência. Sobretudo aos do clero secular (diocesanos); haja vista que no clero religioso os trabalhos já são menos dispendiosos, por conta da vida comunitária, mas não pouco também descuidados.

2. O Catecismo da Igreja Católica reza sobre o que seja, como executar e verdadeiramente ensina o sacerdote a administrar este sacramento, como dom e serviço, em prol do bem das almas. Há que se recordar da importância para o próprio sacerdote que ouve a confissão do penitente.
3. O sacerdote, como na celebração do Santo Sacrifício da Missa age in persona Christi, ou seja, deve inculcar nos fiéis penitentes que não é para ele que confessa os pecados, mas ao próprio Cristo Senhor.

4. A grande questão é organizar o seu tempo para o atendimento na Paróquia ou nas capelas, pois, mesmo sendo um único que administre a comunidade paroquial, a administração do seu tempo e a disponibilização para o atendimento do povo é fator constituinte do seu ministério.

5. Portanto, que se dê atenção às sextas-feiras – dia penitencial por excelência – e esteja mais presente para o bom atendimento do povo. O que este espera é ser bem acolhido por um sacerdote do Altíssimo e não por “um homem qualquer”.

6. Por isso, deve procurar atender os penitentes paramentado com o que lhe é próprio: batina, sobrepeliz e estola de cor roxa. Se não for possível, ao menos uma túnica e, sobre ela, a estola roxa. Se for um sacerdote religioso, a regra é a mesma: hábito, sobrepeliz e estola ou túnica e estola. Mas nunca somente a estola. Aqui também voga o princípio do bom senso, ou seja, se em todo caso, não for possível, que se atenda a (s) confissão (ões) mesmo sem paramentos.

7. Consoante a isso, o Cerimonial dos Bispos (que é também o Cerimonial da Igreja), no nº 622 reza claramente quanto às vestes. O Ritual da Penitência, no nº 14 indica que as vestes litúrgicas para tal sacramento deve-se observar as normas dos ordinários locais, isto é, dos Bispos. Em caso extremo, como morte iminente, pode-se administrar este sacramento sem o uso de nenhum paramento, pois é "sacramento de cura" e salvação da alma (CIC 1421).

8. Quanto ao modo de ouvir os penitentes, recomenda-se que seja de joelhos, em ato de contrição. Mas aqueles que por debilidade física, etária ou outro caso de saúde pode confessar-se sentado ou de pé. Vale aqui o discernimento do sacerdote para bem atender o fiel.
*******

Do Ritual da Penitência:

10. a) Para que o confessor possa desempenhar fiel e retamente o seu ofício, deve discernir as enfermidades espirituais, aplicar-lhes os remédios convenientes e exercer com sabedoria seu ofício de juiz; deve adquirir a ciência e prudência necessárias, pelo estudo assíduo guiado pelo Magistério da Igreja, e sobretudo recorrendo a Deus pela oração. Pois o discernimento dos espíritos é o conhecimento íntimo da ação de Deus no coração dos homens, dom do Espírito Santo e fruto da caridade.
b) O confessor deve mostrar-se disposto a ouvir as confissões dos fiéis, sempre que o peçam de modo razoável.
c) Quando o confessor acolhe o penitente e o conduz à luz da verdade, desempenha uma função paterna, revelando aos homens o coração de Deus Pai, e tornando-se a imagem de Cristo Pastor: Deve recordar-se, por conseguinte, que lhe foi confiado o mesmo ministério de Cristo, que cumpriu misericordiosamente a obra da redenção para salvar os homens, e está presente, pelo seu poder, nos sacramentos.
d) O confessor, sabendo que conheceu, na qualidade de ministro de Deus, a consciência secreta de seu irmão, está obrigado a guardar religiosamente o sigilo sacramental.



Do Catecismo da Igreja Católica:

1441. Só Deus perdoa os pecados (34). Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: «O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados» (Mc 2, 10) e exerce este poder divino: «Os teus pecados são-te perdoados!» (Mc 2, 5) (35). Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome.

1442. Cristo quis que a sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua atividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18). O apóstolo é enviado «em nome de Cristo» e «é o próprio Deus» que, através dele, exorta e suplica: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20).

RECONCILIAÇÃO COM A IGREJA

1443. Durante a sua vida pública. Jesus não somente perdoou os pecados, como também manifestou o efeito desse perdão: reintegrou os pecadores perdoados na comunidade do povo de Deus, da qual o pecado os tinha afastado ou mesmo excluído. Sinal bem claro disso é o fato de Jesus admitir os pecadores à sua mesa, e mais ainda: de se sentar à mesa deles, gesto que exprime ao mesmo tempo, de modo desconcertante, o perdão de Deus (37), e o regresso ao seio do povo de Deus (38).

1444. Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de Cristo a Simão Pedro: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus» (Mt 16, 19). «Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28, 16-20)» (39).

1445. As palavras ligar e desligar significam: aquele que vós excluirdes da vossa comunhão, ficará também excluído da comunhão com Deus; aquele que de novo receberdes na vossa comunhão, também Deus o acolherá na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.

O SACRAMENTO DO PERDÃO

1446. Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja, antes de mais para aqueles que, depois do Batismo, caíram em pecado grave e assim perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de reencontrarem a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como «a segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a perda da graça» (40).

1447. No decorrer dos séculos, a forma concreta segundo a qual a Igreja exerceu este poder recebido do Senhor variou muito. Durante os primeiros séculos, a reconciliação dos cristãos que tinham cometido pecados particularmente graves depois do Batismo (por exemplo: a idolatria, o homicídio ou o adultério) estava ligada a uma disciplina muito rigorosa, segundo a qual os penitentes tinham de fazer penitência pública pelos seus pecados, muitas vezes durante longos anos, antes de receberem a reconciliação. A esta «ordem dos penitentes» (que apenas dizia respeito a certos pecados graves) só raramente se era admitido e, em certas regiões, apenas uma vez na vida. Durante século VII, inspirados pela tradição monástica do Oriente, os missionários irlandeses trouxeram para a Europa continental a prática «privada» da penitência que não exigia a realização pública e prolongada de obras de penitência, antes de receber a reconciliação com a Igreja. O sacramento processa-se, a partir de então, dum modo mais secreto, entre o penitente e o sacerdote. Esta nova prática previa a possibilidade da repetição e abria assim o caminho a uma freqüência regular deste sacramento. Permitia integrar, numa só celebração sacramental, o perdão dos pecados graves e dos pecados veniais. Nas suas grandes linhas, é esta forma de penitência que a Igreja tem praticado até aos nossos dias.

1448. Através das mudanças que a disciplina e a celebração deste sacramento têm conhecido no decorrer dos séculos, distingue-se a mesma estrutura fundamental. Esta inclui dois elementos igualmente essenciais: por um lado, os atos do homem que se converte sob a ação do Espírito Santo, a saber, a contrição, a confissão e a satisfação: por outro, a ação de Deus pela intervenção da Igreja. A Igreja que, por meio do bispo e seus presbíteros, concede, em nome de Jesus Cristo, o perdão dos pecados e fixa o modo da satisfação, também reza pelo pecador e faz penitência com ele. Assim, o pecador á curado e restabelecido na comunhão eclesial.

1449. A fórmula de absolvição, em uso na Igreja latina, exprime os elementos essenciais deste sacramento: o Pai das misericórdias é a fonte de todo o perdão. Ele realiza a reconciliação dos pecadores pela Páscoa do seu Filho e pelo dom do seu Espírito, através da oração e do ministério da Igreja:

«Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo» (41).

Os atos do penitente

1450. «Poenitentia cogit peccatorem omnia libenter sufferre; in corde eius contritio, in ore confessio, in opere tota humilitas vel fructifera satisfactio – A penitência leva o pecador a tudo suportar de bom grado: no coração, a contrição; na boca, a confissão; nas obras, toda a humildade e frutuosa satisfação» (42).

A CONTRIÇÃO

1451. Entre os atos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar. Ela é «uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro» (43).

1452. Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita «perfeita» (contrição de caridade). Uma tal contrição perdoa as faltas veniais: obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental (44).

1453. A contrição dita «imperfeita» (ou «atrição») é, também ela, um dom de Deus, um impulso do Espírito Santo. Nasce da consideração da fealdade do pecado ou do temor da condenação eterna e das outras penas de que o pecador está ameaçado (contrição por temor). Um tal abalo da consciência pode dar início a uma evolução interior, que será levada a bom termo sob a ação da graça, pela absolvição sacramental. No entanto, por si mesma, a contrição imperfeita não obtém o perdão dos pecados graves, mas dispõe para obtê-lo no sacramento da Penitência (45).

1454. É conveniente que a recepção deste sacramento seja preparada por um exame de consciência, feito à luz da Palavra de Deus. Os textos mais adaptados para este efeito devem procurar-se no Decálogo e na catequese moral dos evangelhos e das cartas dos Apóstolos: sermão da montanha e ensinamentos apostólicos (46).

A CONFISSÃO DOS PECADOS

1455. A confissão (a acusação) dos pecados, mesmo de um ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita a nossa reconciliação com os outros. Pela confissão, o homem encara de frente os pecados de que se tornou culpado; assume a sua responsabilidade e, desse modo, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, para tornar possível um futuro diferente.

1456. A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência: «Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência, após se terem seriamente examinado, mesmo que tais pecados sejam secretíssimos e tenham sido cometidos apenas contra os dois últimos preceitos do Decálogo (47); porque, por vezes, estes pecados ferem mais gravemente a alma e são mais perigosos que os cometidos à vista de todos» (48):

«Quando os fiéis se esforçam por confessar todos os pecados de que se lembram, não se pode duvidar de que os apresentam todos ao perdão da misericórdia divina. Os que procedem de modo diverso, e conscientemente ocultam alguns, esses não apresentam à bondade divina nada que ela possa perdoar por intermédio do sacerdote. Porque, "se o doente tem vergonha de descobrir a sua ferida ao médico, a medicina não pode curar o que ignora"» (49).

1457. Segundo o mandamento da Igreja, «todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano» (50). Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal, não deve receber a sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente recebido a absolvição sacramental (51); a não ser que tenha um motivo grave para comungar e não lhe seja possível encontrar-se com um confessor (52). As crianças devem aceder ao sacramento da Penitência antes de receberem pela primeira vez a Sagrada Comunhão (53).

1458. Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais) é, contudo vivamente recomendada pela Igreja. (54) Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior freqüência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (55):

«Aquele que confessa os seus pecados e os acusa, já está de acordo com Deus. Deus acusa os teus pecados; se tu também os acusas, juntas-te a Deus. O homem e o pecador são, por assim dizer, duas realidades distintas. Quando ouves falar do homem, foi Deus que o criou: quando ouves falar do pecador, foi o próprio homem quem o fez. Destrói o que fizeste, para que Deus salve o que fez. [...] Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz» (56).

A SATISFAÇÃO

1459. Muitos pecados prejudicam o próximo. Há que fazer o possível por reparar esse dano (por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a boa reputação daquele que foi caluniado, indenizar por ferimentos). A simples justiça o exige. Mas, além disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens causadas pelo pecado (57). Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a perfeita saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados: «satisfazer» de modo apropriado ou «expiar» os seus pecados. A esta satisfação também se chama «penitência».

1460. A penitência que o confessor impõe deve ter em conta a situação pessoal do penitente e procurar o seu bem espiritual. Deve corresponder, quanto possível, à gravidade e natureza dos pecados cometidos. Pode consistir na oração, num donativo, nas obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios e, sobretudo, na aceitação paciente da cruz que temos de levar. Tais penitências ajudam-nos a configurar-nos com Cristo, que, por Si só, expiou os nossos pecados (58) uma vez por todas. Tais penitências fazem que nos tornemos co-herdeiros de Cristo Ressuscitado, «uma vez que também sofremos com Ele» (Rm 8, 17) (59):

«Mas esta satisfação, que realizamos pelos nossos pecados, não é possível senão por Jesus Cristo: nós que, por nós próprios, nada podemos, com a ajuda "d'Aquele que nos conforta, podemos tudo" (60). Assim, o homem não tem nada de que se gloriar. Toda a nossa «glória» está em Cristo [...] em quem nós satisfazemos, "produzindo dignos frutos de penitência" (61), os quais vão haurir n'Ele toda a sua força, por Ele são oferecidos ao Pai, e graças a Ele são aceites pelo Pai» (62).

O ministro deste sacramento

1461. Uma vez que Cristo confiou aos Apóstolos o ministério da reconciliação (63) os bispos, seus sucessores, e os presbíteros, colaboradores dos bispos, continuam a exercer tal ministério. Com efeito, os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados, «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

1462. O perdão dos pecados reconcilia com Deus mas também com a Igreja. O bispo, chefe visível da Igreja particular, é justamente considerado, desde os tempos antigos, como o principal detentor do poder e ministério da reconciliação: é o moderador da disciplina penitencial (64). Os presbíteros, seus colaboradores, exercem-no na medida em que receberam o respectivo encargo, quer do seu bispo (ou dum superior religioso), quer do Papa, através do direito da Igreja (65).

1463. Certos pecados particularmente graves são punidos pela excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiásticos (66) e cuja absolvição, por conseguinte, só pode ser dada, segundo o direito da Igreja, pelo Papa, pelo bispo do lugar ou por sacerdotes por eles autorizados (67). Em caso de perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo que careça da faculdade de ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de toda a excomunhão (68).

1464. Os sacerdotes devem exortar os fiéis a aproximarem-se do sacramento da Penitência; e devem mostrar-se disponíveis para a celebração deste sacramento, sempre que os cristãos o peçam de modo razoável (69).

1465. Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote exerce o ministério do bom Pastor que procura a ovelha perdida: do bom Samaritano que cura as feridas; do Pai que espera pelo filho pródigo e o acolhe no seu regresso; do justo juiz que não faz acepção de pessoas e cujo juízo é, ao mesmo tempo, justo e misericordioso. Em resumo, o sacerdote é sinal e instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador.

1466. O confessor não é dono, mas servidor do perdão de Deus. O ministro deste sacramento deve unir-se à intenção e à caridade de Cristo (70). Deve ter um conhecimento comprovado do comportamento cristão, experiência das coisas humanas, respeito e delicadeza para com aquele que caiu; deve amar a verdade, ser fiel ao Magistério da Igreja, e conduzir o penitente com paciência para a cura e a maturidade plena. Deve rezar e fazer penitência por ele, confiando-o à misericórdia do Senhor.

1467. Dada a delicadeza e a grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas, a igreja declara que todo o sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram, sob penas severíssimas (71). Tão pouco pode servir-se dos conhecimentos que a confissão lhe proporciona sobre a vida dos penitentes. Este segredo, que não admite exceções, é chamado «sigilo sacramental», porque aquilo que o penitente manifestou ao sacerdote fica «selado» pelo sacramento.

Os efeitos deste sacramento

1468. «Toda a eficácia da Penitência consiste em nos restituir à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (72). O fim e o efeito deste sacramento são, pois, a reconciliação com Deus. Naqueles que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e disposição religiosa, seguem-se-lhe «a paz e a tranqüilidade da consciência, acompanhadas duma grande consolação espiritual» (73). Com efeito, o sacramento da reconciliação com Deus leva a uma verdadeira «ressurreição espiritual», à restituição da dignidade e dos bens próprios da vida dos filhos de Deus, o mais precioso dos quais é a amizade do mesmo Deus (74).

1469. Este sacramento reconcilia-nos com a Igreja. O pecado abala ou rompe a comunhão fraterna. O sacramento da Penitência repara-a ou restaura-a. Nesse sentido, não se limita apenas a curar aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas também exerce um efeito vivificante sobre a vida da Igreja que sofreu com o pecado de um dos seus membros (75). Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador é fortalecido pela permuta de bens espirituais entre todos os membros vivos do corpo de Cristo, quer vivam ainda em estado de peregrinos, quer já tenham atingido a pátria celeste (76):

«É de lembrar que a reconciliação com Deus tem como conseqüência, por assim dizer, outras reconciliações, que trarão remédio a outras rupturas produzidas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no mais profundo do seu ser, onde recupera a própria verdade interior: reconcilia-se com os irmãos, que de algum modo ofendeu e magoou: reconcilia-se com a Igreja; reconcilia-se com toda a criação» (77).

1470. Neste sacramento, o pecador, remetendo-se ao juízo misericordioso de Deus, de certo modo antecipa o julgamento a que será submetido no fim desta vida terrena. É aqui e agora, nesta vida, que nos é oferecida a opção entre a vida e a morte. Só pelo caminho da conversão é que podemos entrar no Reino de onde o pecado grave nos exclui? (78). Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé, o pecador passa da morte à vida «e não é sujeito a julgamento» (Jo 5, 24).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Parceiros