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terça-feira, 20 de julho de 2010

Os modos de celebrar a Liturgia das Horas

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A Liturgia das Horas, ou Ofício Divino, tanto na forma ordinária quanto na forma extraordinária do rito romano, consta de livros chamados comumente "breviários". Na forma extraordinária, esse nome era emprestado ao título oficial de tais livros litúrgicos: Breviarium Romanum. Na forma ordinária, o título foi reformado: Liturgia Horarum iuxta Ritum Romanum. De qualquer modo, à celebração chamamos Liturgia das Horas ou Ofício Divino, e ao livro geralmente denominamos breviário.


Na forma ordinária são quatro volumes, quer em latim, quer em vernáculo, embora existam edições compactas sem o Ofício de Leituras e algumas horas menores (hoje, horas médias). Na forma extraordinária, já houve tempo em que se dividiam os ofícios em quatro volumes, mas a edição clássica em latim de 1961, aprovada para uso das comunidades que optaram pelo rito antigo conforme o Motu Proprio Summorum Pontificum, é dividida em apenas dois volumes.

Conforme a tradição litúrgica, as rubricas quer da Liturgia Horarum iuxta Ritum Romanum moderna, quer do Breviarium Romanum tradicional, e as disposições do Cerimonial dos Bispos, o Ofício Divino pode ser celebrado nas seguintes modalidades:


1) As Vésperas


Hora canônica mais importante, principalmente se a contrastarmos com a tradicional celebração da Missa pela manhã, as Vésperas são a oração da tarde. Como hoje se pode celebrar Missa pela tarde e mesmo pela noite, não há mais tanto esse significado de ofício vespertino por excelência, dado que a Missa ocupa esse lugar. Ainda assim, a Igreja insiste no valor das Vésperas, a ponto de a colocar como modelo para as demais horas do breviário.


As Vésperas, em linhas gerais, podem ser celebradas:


a) pela recitação individual


É o modo mais comum. Ainda que sozinho no seu quarto, ao ar livre, em uma igreja etc, o recitante, clérigo ou leigo, religioso ou não, estará prestando culto público, i.e., oficial. A recitação, celebração, é individual, mas nunca estritamente privada. Para rezar as Vésperas individualmente, basta seguir as rubricas do breviário: pode-se estar sentado ou de pé em todo o tempo, ainda que se possa adotar as posições distintas da celebração comunitária (como veremos adiante), e sem vestimentas especiais (embora ao clérigo seja recomendável que esteja de veste talar).


É preciso, mesmo na recitação individual, ainda que sempre sentado, que se façam os sinais e gestos indicados nas rubricas do breviário utilizado. Pode ser cantada ou rezada, e, se rezada, com trechos cantados. Pode ser em latim ou vernáculo, ou combinando ambos.


É preferível que se faça em
vox secreta, mas não apenas mentalmente, pois é oração vocal por sua própria natureza (cf. Trimeloni). Todavia, as rubricas não especificam.


Há a possibilidade de se fazer em vox clara para que, quem ouve a recitação, possa a ela se associar. Nesse caso, não se trata de celebração comunitária do Ofício, ainda que com mais pessoas, e sim de várias celebrações individuais concomitantes, mesmo que os demais, ao anuir ao que recita em vox clara, não o faça nem em vox secreta, mas somente de modo mental.


b) de modo comunitário e simples


É feita com um celebrante principal, ou presidente. Estando presente um clérigo, é ele quem dirige. Se houver um clérigo de maior ranking, naturalmente ocupará a presidência. Pode ser cantada ou rezada, e, se rezada, com trechos cantados. Pode ser em latim ou vernáculo, ou combinando ambos.


Se for dirigida por um leigo, não se dá a bênção e se observam certas particularidades descritas nas rubricas. As posições do corpo são preceptivas: de pé no início, no hino, no Cântico Evangélico, nas preces (do rito moderno), no Pai Nosso, na coleta e na bênção; sentados nos salmos, antífonas, leituras e responsórios; de joelhos nas preces do rito antigo.


O clérigo traja apenas a veste talar ou o clergyman, sem paramentos, mesmo que presida. A celebração é simples, como o nome indica.


A recitação in choro, comum em casas religiosas, é justamente essa comunitária e simples, em que todos os irmãos, clérigos ou não, usam seus hábitos comuns, e recitam ou cantam, sem o destaque na direção.


c) de modo comunitário com diferentes graus de solenização


Podem-se incorporar diversos graus de solenização à celebração comunitária das Vésperas quando dirigida por um clérigo. As posições do corpo são preceptivas, e pode-se cantar, rezar, usar latim, etc, exatamente como descrito antes. Pode-se incensar o altar durante o Cântico Evangélico, e ter certo número de acólitos e cantores.


Nessa celebração comunitária com diferentes graus de solenização, o celebrante, se for sacerdote, usará:


- nenhum paramento, só o traje eclesiástico (veste talar ou clergyman)
;

- veste talar com sobrepeliz e estola, ou alva (cíngulo e amito) e estola;

- veste talar com sobrepeliz e estola, ou alva (cíngulo e amito) e estola, em ambos os casos com pluvial.


Se for presidida por diácono, ele usará:


- nenhum paramento, só o traje eclesiástico (veste talar ou clergyman);

- veste talar com sobrepeliz e estola, ou alva (cíngulo e amito) e estola;

- alva (cíngulo e amito), estola e dalmática.


O que caracteriza essa celebração é a ausência de algum dos elementos das Vésperas solenes (diáconos ou sacerdotes auxiliares; acólitos; incensação) ou os paramentos utilizados. Também esse modo de celebrar Vésperas pode ser presidido por diácono, ao passo em que na maneira solene não é possível.


d) de modo solene


É a celebração das Vésperas por excelência, tal como descrita no Cerimonial dos Bispos. O incenso é obrigatório no Cântico Evangélico.


O sacerdote contará com um oi dois diáconos, ou dois sacerdotes assistentes. O celebrante usa alva (com amito e cíngulo), estola e, obrigatoriamente, a capa pluvial. Os diáconos usarão alva (com amito e cíngulo), estola, e pode optar entre a dalmática ou o pluvial. Os sacerdotes assistentes trajarão alva (com amito e cíngulo), estola e pluvial. Se o diácono vestir pluvial ao invés de dalmática, pode usar, no lugar da alva, a sobrepeliz em cima da veste talar, caso em que também o sacerdote presidente a usará. O Bispo celebrante usará mitra.


Podem assistir às Vésperas solenes, clérigos em vestes corais, ou com estola e pluvial (usando quer a alva, quer a sobrepeliz).


É imprescindível a presença de acólitos. No mínimo, um cruciferário, dois ceroferários, um turiferário, e um porta-livros. Pode haver também um cerimoniário, um naveteiro, e acólitos que auxiliem o diácono. Se forem instituídos, usam veste talar com sobrepeliz. A veste talar do cerimoniário pode ser violeta. Acólitos não-instituídos apresentam-se com suas vestes civis ou com veste talar e sobrepeliz.


O cantor pode ser um acólito, um clérigo ou um fiel. No último caso, com vestes civis, ou veste talar e sobrepeliz. O cantor, se estiver com sobrepeliz, pode usar também um pluvial, especialmente se for clérigo, mas sempre sem a estola. Um cantor religioso deve apresentar-se com seu hábito, com ou sem sobrepeliz, e, usando-a, com ou sem pluvial.


Nas celebrações com canto é preciso ter um coral bem treinado nas melodias gregorianas e, eventualmente, em polifonia e cantos vernáculos, principalmente no modo de salmodiar, que é o mesmo tanto em latim quando nas línguas vulgares.


Há uma procissão de entrada, conforme imagem abaixo, que se dirige à sede ou cátedra, onde celebrarão. Os clérigos em vestes corais estarão no coro, i.e., entre o presbitério e a nave.


2) As Laudes


Este Ofício é celebrado dos mesmos modos que as Vésperas. Para tanto, as regras acima descritas são plenamente aplicáveis aqui.


3) O Ofício de Leituras


Pode ser recitado a qualquer momento, mas o horário tradicional é como primeira oração do dia, quando segue ao Invitatório. É possível recitá-lo combinado com Laudes e, em coro, geralmente assim se faz. Todavia, ainda que rezado como primeira ação litúrgica, pode haver um espaço entre o Ofício das Leituras e as Laudes.


Os modos de recitá-lo são os mesmos: individual, em comunidade e mais simples, em comunidade com diversos graus de solenização, e em comunidade e solene. Pode-se, em qualquer desses modos, usar a opção com vigília (acrescentando-se outros textos). Aplicam-se as regras acima das Vésperas. As vestes são as mesmas também, exceto para a forma solene, em que só se usa pluvial quando for celebrado como Vigílias e com afluência do povo.


O Ofício de Leituras é, na forma ordinária, o equivalente às Matinas da forma extraordinária.


4) As Completas


É um ofício, em regra, mais simples, incluído, por isso, entre as chamadas horas menores.


Pode ser celebrado justamente de modo simples, ou de modo solene. No modo simples é presidido por leigo, candidato ao estado clerical, acólito instituído, diácono ou sacerdote, sempre sem paramentos. O modo simples admite que seja recitado individualmente ou em comunidade, e, nos dois casos, cantado ou rezado, com ou sem cantos, em latim, vernáculo ou combinando.


No modo solene, é presidido por candidato ao estado clerical, acólito instituído, diácono ou sacerdote, e os paramentos, em qualquer caso, são a alva ou as vestes corais, e sempre sem estola. Pode ser cantado, rezado, com cantos ou não, em latim etc. O incenso é facultativo conforme o costume.


5) As Horas Médias


As três horas médias – Terça, Sexta e Noa – também são horas menores, em comparação com o Ofício de Leituras, Vésperas e Laudes. São celebradas do mesmo modo que as Completas.


6) Combinação de alguma hora com a Missa e a Exposição do Santíssimo Sacramento


Essa modalidade está descrita no Cerimonial dos Bispos, para o que remetemos o leitor, recomendando que o adquira para crescer em formação litúrgica.

sábado, 17 de julho de 2010

Crisma da Juliana Fragetti, na forma extraordinária

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No dia 4 de julho último, nossa amiga e leitora Juliana Fragetti, fiel da Administração Apostólica São João Maria Vianney, e ex-protestante, recebeu, de seu Bispo, D. Fernando Arêas Rifan, o sacramento da Confirmação, segundo o rito próprio dessa circunscrição eclesiástica: o romano na sua forma clássica. A celebração foi na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte.

Abaixo, um texto da mesma Juliana, do seu blog, e algumas fotos.

Hoje foi um dia verdadeiramente especial. Em uma linda cerimônia, recebi(emos) a Crisma das mãos de D. Fernando Arêas Rifan, onde fomos selados com o Espírito Santo, tendo recebido a plenitude de seus dons e da sua graça. O que recebemos no Batismo, em flor, em botão, se torna pleno e vivo agora. Somos doravante soldados de Cristo e da Santa Igreja.

Algumas coisas fazem esse dia mais especial ainda: como o dia de São Pedro e São Paulo caiu numa terça (29/06), a Igreja desloca a festa e a solenidade para o domingo seguinte, onde pode-se celebrar esses dois grandes apóstolos com toda a honra merecida e os fiéis podem vivenciar e participar desse dia lindo.

Antes da cerimônia começar, tivemos um momento muito gostoso de confraternização com S. Excia: um gostoso café da manhã onde comemos e conversamos descontraidamente.

Um bom café da manhã... por Jú R. Lima.

Ele é verdadeiramente uma pessoa muito especial e é um prazer imenso ter esse sucessor dos apóstoslos como amigo - que sei que ele é - e o fato de ter sido crismada por ele me deixa muito lisonjeada, já que ele é um dos bispos mais fieis ao Santo Padre que conheço, além de ser o único bispo ligado ao rito tradicional no mundo, hoje.

Pouco antes de começar a cerimônia (a Crisma foi durante a Missa), ele dá uma palavrinha conosco e nos lembra que agora a coisa é mais séria. Que o fato de recebermos a Crisma das mãos do bispo mostra a comunhão que temos que ter com a Igreja hierárquica, já que o óleo do Crisma é ungido pelo Bispo na Quinta-Feira Santa. Uma missa linda, pois foi toda cantada pelo coro, gregoriano, linda mesmo.

Mais rico ainda foi o sermão de Dom Fernando, que por ser a comemoração de S. Pedro e S. Paulo, nos lembrou da importância da Igreja. Uma Igreja divina e humana como o próprio Cristo, lembra-nos e também isso é-nos recordado em S. Pedro. O seu lado humano é conhecido de nós: falhou, etc. E, ao mesmo tempo, ele tinha a certeza, dada pelo próprio Cristo, de que "as portas do Inferno não prevalecerão". As chaves foram dadas a ele, num sinal de poder e autoridade. Ainda nos lembrou da analogia usada por S. Paulo, onde a Igreja pe um corpo, em que seus membros tem "mais" ou "menos" importancia, mas que todos são irrigados pelo mesmo sangue. E quem irriga a Igreja é o Espírito Santo, que estávamos a receber logo em seguida.

Ainda ele nos trouxe a São Paulo o seu último livro sobre a missa. Muito bom. Ele não irá agradar a muitos, tanto de um lado como de outro, mas a verdade está dita ali.

Ponho abaixo algumas fotos da cerimônia para que vocês vejam como foi lindo.

Os paramentos do bispo por Jú R. Lima.

Detalhes por Jú R. Lima.

Tudo em ordem por Jú R. Lima.

Só conferindo por Jú R. Lima.

O altar por Jú R. Lima.

Nós juntas por Jú R. Lima.
A crismanda e sua madrinha

Rezando por Jú R. Lima.
Antes da Missa, D. Fernando Rifan reza o breviário

Uma palavra por Jú R. Lima.
Uma pequena palestra aos crismandos antes da Missa

Chamada... por Jú R. Lima.
Pe. Jonas faz a chamada dos crismandos

Começa a missa por Jú R. Lima.

Confiteor do bispo por Jú R. Lima.

Confiteor dos fieis. por Jú R. Lima.

Oremus por Jú R. Lima.

Epístola por Jú R. Lima.

Incenso por Jú R. Lima.

Homilia por Jú R. Lima.

Imposição das mãos (Crisma) por Jú R. Lima.
O Bispo impçoe as mãos sobre os crismandos

Dom Fernando impõe as mãos sobre mim por Jú R. Lima.

"confirmo te crismate salutis" por Jú R. Lima.
"confirmo te crismate salutis"

Lavando as mãos por Jú R. Lima.

Orando pelos crismandos por Jú R. Lima.

Bênção por Jú R. Lima.
Bênção sobre os crismados

Preparando o altar por Jú R. Lima.
Preparação para o ofertório

Ofertório por Jú R. Lima.

"Hoc est corpus meum" por Jú R. Lima.

"Hic est enim calix sanguinis meum" por Jú R. Lima.

Todos rezam novamente o confiteor por Jú R. Lima.

Ecce Agnus Dei por Jú R. Lima.

Guardando por Jú R. Lima.

Segundo lavabo por Jú R. Lima.

Todos juntos por Jú R. Lima.

Eu com D. Fernando por Jú R. Lima.






sexta-feira, 16 de julho de 2010

Características da espiritualidade litúrgica

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A Igreja manifesta na liturgia uma espiritualidade própria e as características peculiares desta espiritualidade pertencem ao tesouro da vida espiritual cristã. Examinemos quais são as características principais desta espiritualidade:

1- Espiritualidade bíblica

A espiritualidade litúrgica é fundamentalmente bíblica. A liturgia não somente se serve constantemente da Sagrada Escritura, mas não pode prescindir dela, porque é a Palavra de Deus que prepara e explica a ação litúrgica no seu sentido e no seu valor eminentemente salvífico. O que é anunciado pela Palavra é levado a termo no ato sacramental. A Palavra de Deus na liturgia deixa de ser uma 'palavra escrita', morta, para assumir sempre mais a função de anúncio-proclamação de um acontecimento salvífico. Em outras palavras, o acontecimento que 'se lê' na Escritura é o mesmo que 'se realiza' na liturgia. Portanto, o Lecionário da Missa e o da Liturgia das Horas, além de serem os principais livros de meditação e de oração propostos à comunidade dos fiéis, são o anúncio permanente da salvação presente e atuante no mistério litúrgico.
Precisamente porque bíblica, a espiritualidade litúrgica é histórica e profética. Ela é sensível ao sentido salvífico dos acontecimentos da história do povo de Deus, especialmente da vida de Cristo, na qual continua a atuar o mistério divino da salvação (cf. Ef 3, 3-11). De fato, a liturgia repropõe o acontecimento salvífico, que tem como centro o Cristo morto e ressuscitado, com as suas leis objetivas de preparação, de crescimento na vida do homem, de remate e de projeção para o Reino. O fato histórico proposto não está fechado em si mesmo e proposto como tal, mas é oferecido em vista do seu envolvimento na situação existencial do crente; isto é, o acontecimento histórico tem a sua especificidade soteriológica , sua finalidade histórica.

2- Espiritualidade cristológica

A liturgia abrange todas as dimensões da história salvífica reunidas e centradas em Cristo. Todo o acontecimento Cristo é levado em consideração, da Encarnação até a sua volta gloriosa, no fim da história. O mistério de Jesus não pode ficar reduzido aos acontecimentos da sua vida terrestre. Jesus está vivo na glória do Pai. Cristo está presente na Igreja que Ele vivifica e conserva no Espírito Santo. A Liturgia cristã é, portanto, uma cristologia 'extensiva', que recapitula em si toda a história humana e cósmica. A liturgia, manifestando fielmente essa visão do Mistério de Cristo, revela, anuncia e torna presente no tempo e no espaço a sua força salvífica.



Parte-se de Cristo, mas atinge-se necessariamente a Trindade inteira. O Pai de quem Cristo é Revelador; o Espírito que Ele promete e envia. A espiritualidade litúrgica manisfesta continuamente, desta forma, a dimensão trinitária do Mistério da Salvação. Por conseguinte, a liturgia é uma escola na qual se aprende o Plano de Salvação que existe desde a eternidade em Deus e o modo da sua atuação, antes em Cristo e depois, por meio do Espírito, em nós.

3- Espiritualidade eclesial e sacramental

Na assembléia litúrgica a Igreja encontra a sua forma concreta de localização, pela qual nós, batizados, reunidos em assembléia, tomamos consciência e nos realizamos como Igreja que existe em determinado lugar e que aí tem o dever do testemunho e da missão. A Igreja destaca a dimensão comunitária da experiência cristã com a frequente referência a uma multiplicidade de imagens: povo, rebanho, família, etc. Além disso, os textos litúrgicos nos introduzem no caráter 'mistérico' da Igreja, já definida por Pio XII como Corpo Místico de Cristo. Ela é também Esposa de Cristo, nossa Mãe, nova Eva, Cidade Santa, Jerusalém Celeste, Reino de Deus, Casa de Deus, etc. A dimensão eclesiológica da liturgia torna-se evidente, especialmente na celebração dos sacramentos, dos quais a Igreja é depositária e dispensadora.

Os sacramentos da Igreja, que constituem a liturgia, são meios de participação direta e eficaz (ex opere operato) nos atos redentores de Cristo, especialmente pela sua morte e ressurreição. Deles nasce uma assimilação com a pessoa de Cristo, ou 'imitação' na própria vida dos mistérios celebrados na liturgia. É um assunto que aparece em muitas orações: imitar ou testemunhar nas obras o que é celebrado no sacramento. Assim, por exemplo, a oração da Coleta da sexta-feira na Oitava da Páscoa: "Concede-nos testemunhar na vida o mistério que celebramos na fé". Neste sentido, a espiritualidade litúrgica se transforma num estímulo permanente para o fiel tornar conforme à sua vida aquilo que está celebrando. Esta verdade é assimilada corretamente somente se considerarmos o sacramento como um encontro objetivo e eficaz de salvação com Cristo, encontro que transforma e renova o cristão. De fato, o cristão pode completar a Paixão de Cristo (ação moral) porque ela já existe inicialmente nele como realidade sacramental (ser cristão). O sacramento, portanto, não deve ser considerado principalmente como um meio para realizar um contato, de qualquer modo, com a pessoa de Cristo, especialmente com o objetivo de estabelecer um 'colóquio' interior com ele, dimensão procurada em certa espécie de espiritualidade; mas, é considerado como o ponto de inserção, que, ao mesmo tempo, é a comunicação do Mistério e razão de assimilação a Cristo justamente na perspectiva do Mistério comunicado.

4- A espiritualidade pascal

A espiritualidade litúrgica se baseia no Mistério Pascal enquanto ele é a síntese de toda a revelação-salvação. De fato, sob o denominador comum de "Páscoa" na Sagrada Escritura, praticamente, aparece, toda a revelação-atuação, tanto profética quanto definitiva, do plano da salvação humana, existente no desígnio de Deus desde toda a eternidade. A História da Salvação, que se concretizou no Mistério de Cristo, encontra o seu acabamento, a sua realização e o seu centro na Páscoa. Esta visão unitária do mistério salvífico, que tem como centro a Páscoa, não existe somente na Bíblia e na história salvífica por ela narrada, mas está presente na liturgia, que sempre é celebração do Mistério Pascal.



Segundo o Novo Testamento e a mistagogia dos Padres da Igreja, a vida cristã consiste na realização da vivência cotidiana da morte e ressureição de Cristo, que se realizou em nós, sacramentalmente na imersão e na emersão batismal e da qual nos nutrimos no banquete pascal, renunciando cada dia ao pecado para viver em novidade de liberdade (cf. Rm 6, 3-11). A liturgia, portanto, na sua essência, nos transmite a tendência para fazer-nos viver a salvação-mistério pascal em cada um dos seus momentos e consegue isso realizando em nós mesmo Mistério Pascal reproduzido no seu momento culminante: morte e ressurreição de Cristo.

O dinamismo pascal projeta, por sua vez, a nossa vida para o completo aperfeiçoamento da obra redentora. Daqui, origina-se também a dimensão escatológica da espiritualidade litúrgica.

5- A espiritualidade mistagógica

A liturgia não é a ocasião para apresentar uma idéia para despertar a atenção dos participantes ou para oferecer a eles um exemplo moral a ser imitado, mas é o momento indicado para entrar em contato com o 'mysterium salutis' de Deus, o Mistério de Cristo, chamado a tranformar nossa vida. Neste sentido, afirmamos que a liturgia é mistagogia. De fato, para os Padres da Igreja, a mistagogia é "um ensinamento destinado a provocar a compreensão do que os sacramentos significam para a vida, mas que pressupõe a iluminação da fé, que brota dos próprios sacramentos; é o que se aprende na celebração ritual dos sacramentos e o que se aprende vivendo conforme aquilo que os sacramentos significam para a vida". O método mistagógico usado pelos Padres da Igreja, identifica, portanto, três elementos: a valorização dos sinais na liturgia; a interpretação dos ritos à luz da Sagrada Escritura, na perspectiva da história da salvação; a abertura para o compromisso cristão e eclesial, expressão da vida nova em Cristo.

As celebrações litúrgicas que sucedem ao longo do ano litúrgico objetivam permitir-nos compreender e viver sempre em mais profunda plenitude o mistério de Cristo, atualizado pelos sacramentos. Daqui resulta a dimensão mística da espiritualidade litúrgica no sentido mais autêntico da palavra, isto é, como atualização do mistério celebrado na vida do cristão. O mistério que celebramos na liturgia é o dom da vida , escondido nos séculos em Deus, que ele quis manifestar e comunicar aos homens no seu Filho, morto e ressuscitado, com a efusão do Espírito Santo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Arcebispo de Olinda e Recife apóia a celebração da Missa na Forma Extraordinária

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Na manhã de hoje (quinta-feira, 15 de julho de 2010), um grupo de fiéis leigos foi recebido em audiência pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. Estes fiéis assistiam regularmente à Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano celebrada pelo pe. Nildo Leal de Sá, pároco da Imbiribeira. O padre havia comunicado, no domingo passado, que "por razões particulares" não mais a iria celebrar, fato que provocou angústia e perplexidade entre os fiéis que, para poderem continuar assistindo a esta Missa, recorreram ao seu Arcebispo.

Sua Excelência recebeu amavelmente a comissão (que era formada por jovens, casais com crianças de colo e senhores) designada para pedir-lhe pela continuidade da celebração da Missa. Garantiu-lhes a sua solicitude paternal e o seu apoio às justas reivindicações do grupo. Prometeu-lhes que iria intervir para que a Santa Missa continuasse a ser celebrada, o que deixou aliviados e felizes os fiéis que foram à Cúria com este propósito.

Os católicos de Olinda e Recife agradecem de coração a Dom Fernando Saburido pelo apoio concedido aos fiéis que assistem à Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, e pela garantia dada a estes de que esta Missa não deixaria de ser celebrada na Arquidiocese.

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