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domingo, 15 de agosto de 2010

A Assunção da Virgem Maria

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Por Dom Henrique Soares da Costa - Bispo Auxiliar de Aracaju - SE
Esta é a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus: transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai!
Para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de São Paulo:“Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada”. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que nele nascem pelo batismo, os que nele crêem e nele vivem, ressuscitarão com ele e como ele: logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos “alma”; e, no final dos tempos, quando todo o universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos, um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a ele!
Ora, a Igreja crê, desde os tempos antigos, que a Virgem Maria já entrou plenamente nessa glória. Aquilo que todos nós só teremos em plenitude no final dos tempos, a Santíssima Mãe de Deus, já recebeu logo após a sua morte. Ela é a “Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Ela já está totalmente revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já pisa a lua, símbolo das mudanças e inconstâncias deste mundo que passa. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha perfeita do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Assim, a Virgem, logo após a sua morte – doce como uma dormição -, foi elevado ao céu, à glória do seu Filho em todo o seu ser, corpo e alma. Aquela que esteve perfeitamente unida ao Filho na cruz (cf. Lc 2,34s; Jo 19,25ss), agora está perfeitamente unida a ele na glória. São Paulo não dissera, falando do Cristo morto e ressuscitado? “Fiel é esta palavra: Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (2Tm 2,12). Eis! A Virgem que perfeitamente esteve unida ao seu Filho no caminho da cruz, perfeitamente foi unida a ele na glória da ressurreição. Aquela que sempre foi “plenamente agraciada” (Lc 1,28), de modo a não ter a mancha do pecado, não permaneceu na morte, salário do pecado. Assim, o que nós esperamos em plenitude para o fim dos tempos, a Virgem já experimenta agora e plenitude. Como é grande a salvação que o Cristo nos obteve! Como é grande a sua força salvífica ao realizar coisas tão grandes na sua Mãe!
Mas, a Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama: “Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”. Este senhorio de Cristo aparece hoje radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia canta: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo!
Estejamos atentos! A festa hodierna recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool… É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa… Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Um documento recente da Igreja sobre a relação homem-mulher, chamava-se atenção exatamente para essa questão: o corpo em si, para o mundo, parece que não significa muita coisa, que não tem uma linguagem própria, que não diz algo do que eu sou, da minha identidade – inclusive sexual. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo: “O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós – em nosso corpo- pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (1Cor 6,14.20).
Então, caríssimos, olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!” A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Fonte: Dom Henrique

O rito dominicano

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A estrutura do rito dominicano é semelhante à do rito romano. Aliás, os ritos ocidentais são todos muito parecidos. Há diferenciações o suficiente, todavia, para que o consideremos um rito particular, autônomo, e não apenas um uso próprio do mesmo rito.

A preparação do cálice ocorre não no Ofertório, como no rito romano, e sim quando o celebrante chega ao altar. Até o início da Missa, ademais, ele usa o amito como um capuz sobre a sua cabeça. Em relação à forma extraordinária do rito romano, distingue-se o rito dominicano, outrossim, pela ausência do Salmo Judica me, e pelo Confiteor mais curto, em que se invoca São Domingos. O Confiteor mais curto e a ausência do Judica me foram, segundo alguns especialistas, inspirações para a reforma do rito romano em seu uso moderno.

O Gloria é iniciado no centro do altar, terminando em frente ao Missal. O mesmo com o Credo.

A hóstia e o cálice formam uma mesma e única oblação no Ofertório, com a prece Suscipe Sancta Trinitas. As uniões de mãos no Cânon são diversas das prescritas no rito romano. Há também a previsão, ainda no Cânon, de ter os braços em forma de crucifixo em certas partes. Não há oração na Comunhão do Sangue pelo padre.

Já na Missa Solene, outras diferenças existem em relação ao rito romano: o cálice é levado em procissão até o altar durante o canto do Glória, e o corporal é aberto pelo diácono enquanto o subdiácono canta a Epístola. Assim que termina de cantá-la, vai o subdiácono ao altar, com os ministros sentados, e prepara o cálice. Há uma incensão dos ministros durante o canto do Prefácio. Os movimentos cerimoniais são diferentes dos previstos pelas rubricas do rito romano.

Há também distinções no breviário, e na notação e melodia de alguns cantos gregorianos, que, aliás, nem sempre são os mesmos previstos para os mesmos atos no rito romano.

O Ano Litúrgico dominicano é dividido em duas partes: Advento até a Trindade, e Trindade até o Advento.

Também a Confissão no rito dominicano não pede, quando solene, o hábito/batina com sobrepeliz e estola roxa, mas apenas o hábito completo (com a capa preta), sem estola. A fórmula da absolvição também é distinta. Há diferenças também na Unção dos Enfermos, como o rito do beijo na cruz, que, aliás, foi aproveitado para o rito romano atual.

Os dominicanos abandonaram o seu rito próprio, nos anos 70, adotando, em massa, o rito romano moderno, hoje chamado "forma ordinária do rito romano". Todavia, segundo parecer da Comissão Ecclesia Dei, os superiores provinciais da Ordem dos Pregadores poderão autorizar, no espírito do Motu Proprio Summorum Pontificum, que autorizou universalmente o uso do rito romano tradicional, antigo, "forma extraordinária", que seus sacerdotes celebrem o rito dominicano próprio.

A Fraternidade São Vicente Ferrer, de inspiração dominicana, mas autônoma em relação à Ordem dos Pregadores, sendo um instituto religioso específico, preserva a liturgia dominicana antiga.

Além disso, mesmo no rito romano moderno, quando celebrado pelos dominicanos, alguns elementos do antigo rito dominicano foram mantidos, a exemplo dos cistercienses. A bênção das palmas no Domingo de Ramos, por exemplo, mesmo no rito atual, romano, ordinário, pode ser executada segundo o antigo rito dominicano.

Desse modo, dentro da Ordem dominicana, temos, hoje, duas possibilidades:

a) celebrar o rito romano moderno, com as derrogações autorizadas pela Ordem e pela Santa Sé e que se encontram na tradição litúrgica dominicana;
b) celebrar, quando autorizado pelos priores provinciais, o rito dominicano.



















































































































































































sábado, 14 de agosto de 2010

Beato Cardeal Schuster: A Santa Liturgia, suas divisões e suas fontes, parte III

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Estamos publicando, em quatro partes, o primeiro capítulo do primeiro tomo do Liber Sacramentorum do Beato Ildefonso [Alfredo Ludovico] Cardeal Schuster, OSB

A segunda parte deste texto se encontra neste link. Hoje publicamos a terceira. A quarta e última parte será publicada no próximo Sábado. Até lá, não deixe acompanhar nossas novidades diárias.

*

Sacramentário gregoriano. Este é o nome atribuído pelo papa Adriano I (772-795) a uma coleção de Missas estacionais, da qual uma parte é, sem dúvida, anterior ao pontificado de São Gregório Magno, mas que compreende também numerosos elementos posteriores a ele. O compilador adotou, certamente, como base de seu trabalho, um sacramentário cujo nome era o do santo Pontífice, mas como ignoramos o critério de suas modificações, talvez fosse mais exato dar à coleção o nome do papa Adriano I. Este sacramentário contém apenas as Missas estacionais às quais o papa tomava parte do ordinário, e omite todas as outras festas e solenidades nas quais não se celebrava o tempo litúrgico.

Sacramentário gelasiano. Este nome foi atribuído na França a uma coleção litúrgica romana, importada pelos gauleses entre 628 e 731, bem depois de São Gregório Magno, mas bem antes do pontificado de Adriano I. O original romano sofreu na França grandes modificações, e por esta razão que esta coleção exige uma crítica e uma seleção bem cuidada, a fim de que seus documentos possam testemunhar os usos litúrgicos de Roma anteriores a Carlos Magno. A introdução do sacramentário gregoriano na França ameaçou, por um instante, obscurecer o renome da coleção gelasiana, mais tendo-se mostrado o livro de São Gregório insuficiente para o uso cotidiano das igrejas, ele foi aumentado e enriquecido com elementos emprestados àquele atribuído ao papa Gelásio, o qual, graças a esta fusão, deixou numerosos traços mesmo na atual liturgia romano-franca.

Missale Francorum. É representado por um único manuscrito uncial fragmentário do século VII, conservado antigamente na abadia de Saint-Denis, e atualmente na Biblioteca Vaticana. As onze Missas que compreende são todas de estilo romano, mas a coleção não está isenta de interpolações galicanas, especialmente nas rubricas.

Sacramentário leonino. É o mais antigo e copioso dos sacramentários, mas infelizmente a estranha desordem e a própria natureza dos materiais litúrgicos empregados pelo compilador impedem que esta coleção tenha algum dia um caráter verdadeiramente oficial. Encontram-se nele, por exemplo, violentas declamações contra os falsos devotos que, sub specie gratiae, enganam os simples, e se insiste sobre a necessidade de se precaver contra sua malícia. Algumas Missas parecem inspirar-se na angústia e na dor dos Romanos durante o cerco dos ostrogodos (537-539); uma coleta fúnebre se reporta à sepultura do papa Simplício (morto em 483); mas, em todo caso, esta recolha é anterior a São Gregório e parece a única fonte romana ao abrigo de interpolações estrangeiras. Talvez a feliz conservação do texto se deva ao caráter privado da coleção, que não saiu dos estreitos limites da basílica e do título ao qual era destinada. Os materiais empregados pelo redator apresentam todas as características de autenticidade, mas não se pode excluir a hipótese de que a coleção nunca tenha tido caráter oficial nem de uso prático, não tendo nunca sido usada. De acordo com alguns, a inteção do compilador teria sido apenas bibliográfica.

Rolo de Ravena. Assim é chamado um rolo opistográfico em grandes caracteres unciais que pertencia, muito provavelmente, aos arquivos metropolitanos de Ravena. Compreende ao todo quarenta orações de tipo romano, em preparação para a Solenidade do Natal, mas é bem difícil determinar sua data, podendo remontar ao tempo de São Pedro Crisólogo.

Ordines Romani. Esta é uma importantíssima compilação de cerimoniais de diversas épocas, permitindo-nos seguir passo a passo, do século VIII ao século XV, todo o desenvolvimento progressivo da liturgia papal em Roma. O mais antigo destes Ordines, o primeiro, parece datar do século VIII, mas os elementos contidos nele não são sincrônicos, e nem todos podem reivindicar cidadania romana. Repete-se aqui o caso dos sacramentários, os quais, uma vez fora de Roma, foram modificados e adaptados ao uso de outras cortes episcopais, sem possuir, entretanto, nenhuma correlação com o desenvolvimento litúrgico que, por sua vez, seguia seu curso na Cidade Eterna. A este respeito, um caso singular ocorre com Amalhar: atribuía ao Ordo Romanus autoridade que entendia indiscutível. Ora, quando foi a Roma em 832, constatou, quase escandalizado, que o clero romano tinha perdido completamente a noção de tal Ordo.

Os documentos mais importantes da liturgia galicana são o Missale Gothicum da igreja de Autun, de fins do século VII; o Missale Gallicanum vetus, da mesma época; as onze missas descobertas por Mone num palimpsesto que pertencera a João II, Bispo de Constança (760-781); o lecionário de Luxeuil (século VII), as homilias de São Germano de Paris e o Missal de Bobbio (século VII).

A liturgia hispânica ou moçárabe deixou materiais documentais mais numerosos, mas ainda parcialmente inéditos. Dom Morin publicou em 1893 o Liber Comicus ou Comes, contendo as leituras da Missa com rubricas muito importantes; Dom Férotin publicou o Liber Ordinum, espécie de eucológio ou ritual, mas ainda falta realizar um estudo cuidadoso sobre o sacramentário e sobre o antifonário, pois o rito moçárabe, exumado por Ximénès no século XV para uso de uma capela na Catedral de Toledo, sofreu importantes interpolações de numerosos empréstimos feitos à liturgia romana; é por isso que o missal e o breviário moçárabes reproduzidos por Migne em sua Patrologia (t. LXXXV) não se prestam a finalidades verdadeiramente científicas.

A liturgia de Milão também possui suas fontes documentais próprias. Entre as mais importantes estão o Sacramentário de Biasca, do século X, e o de Bérgamo, do século XI. Os monges de Solesmes ajuntaram à publicação de um antifonário ambrosiano um estudo bem detalhado e profundo de Dom Cagin, e Magistretti publicou o Beroldus do século XII, demonstrando a grande importância histórica e litúrgica destas coleções de tradições cerimoniais; lembrando os Ordines Romani. Finalmente, Ceriano publicou o texto antigo do missal ambrosiano, e, depois de sua morte, Magistretti e Ratti, completando a obra do ilustre mestre, editaram o aparelho crítico deste insigne monumento da igreja milanesa.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Faça o vermelho / Leia o preto

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Os livros litúrgicos têm as rubricas (regras que o sacerdote deve seguir) escritas em vermelho e o texto a ser lido escrito em preto. Como infelizmente muitos sacerdotes desobedecem à Lei da Igreja que manda seguir as rubricas, o Prof. Carlos Ramalhete decidiu fazer esse adesivo, que deve ser impresso em uma folha de papel adesivo. Ele contém o texto (latino) do cânone do Código de Direito Canônico que manda seguir as rubricas sem nada acrescentar, modificar ou retirar e o texto "Faça o Vermelho / Leia o Preto". O adesivo está disponível como imagem JPG de baixa resolução (para ver na tela do browser clique aqui) e como arquivo PDF para impressão. Cada folha do arquivo PDF imprime três adesivos.

EDITADO em 21/05/2013: Atualizados os links da imagem e do PDF.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Convite para as ordenações diaconais dos legionários de Cristo no Rio de Janeiro

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A Missa é muito mais que uma reunião fraterna

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Encontrei este artigo de Dom Hilário Moser, SDB Bispo Emérito de Tubarão (SC), na home da Canção Nova! O artigo tinha sido publicado no blog do Professor Felipe Aquino, contudo foi publicada primeiramente no blog do Bispo. Grifei algumas partes que achei relevantes.


Quando a Liturgia se corrompe, é toda a vida cristã que corre perigo de se corromper.
A Liturgia é a oração oficial da Igreja, do Povo de Deus, do Corpo Místico de Cristo.
Na Liturgia, é o próprio Jesus, junto com todos os que estão unidos a ele pelos laços da fé, do batismo e do Espírito Santo, que se apresenta ao Pai em sacrifício de salvação do mundo inteiro; que ora ao Pai, que lhe oferece louvor, adoração, agradecimento, pedido de perdão, pedido de ajuda...
O centro da Liturgia é JESUS.
Ela não é – não pode ser! – propriedade particular de nenhum celebrante, de nenhuma comunidade, de nenhum grupo de fiéis, de ninguém: cabe à Igreja – e só à Igreja – organizá-la, modificá-la, aperfeiçoá-la.
Infelizmente, em nome de uma criatividade mal entendida (e de um Concílio Vaticano II mal interpretado), a Liturgia tem sido muitas vezes manipulada a bel prazer.
Indo muito além da liberdade de ação que ela própria permite, tem-se visto de tudo em algumas celebrações litúrgicas.
O fato é que quando as pessoas se permitem certas liberdades no campo da Liturgia, violando suas normas e seus limites, as mesmas atitudes, aos poucos, vão sendo permitidas em outros campos da vida cristã, ou seja, na moral, nos mandamentos, na doutrina e por aí afora.
Tudo fica relativo, isto é, tudo depende do ponto de vista de cada um e cada um faz “do jeito que gosta”.
Corrompida a Liturgia, corrompe-se também a vida cristã e eclesial.
Sem entrar em detalhes, a Liturgia – sempre! – deve pôr em seu centro JESUS, sua vida, sua palavra, sua morte, sua ressurreição, sua presença no meio de nós.
Neste sentido, não é a comunidade o centro da Liturgia, menos ainda o celebrante.
A comunidade e o celebrante se reúnem em torno do Senhor.
É a Ele que deve ser orientada a participação da comunidade e a ação do celebrante.
O celebrante deve ter a consciência e a humildade de não pretender ser o centro das atenções; deve rejeitar todo tipo de exibicionismo.
Pelo contrário, a fé e a devoção do celebrante devem dar o tom da celebração.
A comunidade precisa ser informada e formada para que sua participação não se torne um “festival”, onde há muita “alegria e participação”, mas onde falta o silêncio, a concentração, a atenção à Palavra de Deus, o respeito pelo Corpo e Sangue de Cristo.
Sobre este ponto, no dia 15 de abril de 2010, ao receber em audiência os bispos do Regional Norte 2 da CNBB, Bento XVI dirigiu-lhes palavras muito oportunas.
É bom que você conheça as passagens principais e compreenda sua importância para que uma celebração eucarística seja autêntica.
– “Sinto que o centro e a fonte permanente do ministério do Papa estão na Eucaristia, coração da vida cristã, fonte e vértice da missão evangelizadora da Igreja. Podeis assim compreender a preocupação do Sucessor de Pedro por tudo o que possa ofuscar o ponto mais original da fé católica: hoje Jesus Cristo continua vivo e realmente presente na hóstia e no cálice consagrados. Uma menor atenção que por vezes é prestada ao culto do Santíssimo Sacramento é indício e causa de escurecimento do sentido cristão do mistério, como sucede quando na Santa Missa já não aparece como proeminente e operante Jesus, mas uma comunidade atarefada com muitas coisas em vez de estar recolhida e deixar-se atrair para o Único necessário: o seu Senhor”.
– “Ora, a atitude primária e essencial do fiel cristão que participa na celebração litúrgica não é fazer, mas escutar, abrir-se, receber… É óbvio que, neste caso, receber não significa ficar passivo ou desinteressar-se do que lá acontece, mas cooperar – porque tornados capazes de o fazer pela graça de Deus – segundo «a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultaneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos» (Const. Sacrosanctum Concilium, 2)”.
– “Se na liturgia não emergisse a figura de Cristo, que está no seu princípio e está realmente presente para a tornar válida, já não teríamos a liturgia cristã, toda dependente do Senhor e toda suspensa da sua presença criadora. Como estão distantes de tudo isto quantos, em nome da inculturação, decaem no sincretismo introduzindo ritos tomados de outras religiões ou particularismos culturais na celebração da Santa Missa (cf. Redemptionis Sacramentum, 79)”!
– “O mistério eucarístico é um «dom demasiado grande – escrevia o meu venerável predecessor o Papa João Paulo II – para suportar ambiguidades e reduções», particularmentequando, «despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa» (Enc. Ecclesia de Eucharistia, 10).
– "O culto não pode nascer da nossa fantasia; seria um grito na escuridão ou uma simples auto-afirmação. A verdadeira liturgia supõe que Deus responda e nos mostre como podemos adorá-Lo. «A Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na Eucaristia, precisamente porque o próprio Cristo Se deu primeiro a ela no sacrifício da Cruz» (Exort. ap.Sacramentum caritatis, 14). A Igreja vive desta presença e tem como razão de ser e existir ampliar esta presença ao mundo inteiro”.
Até aqui as palavras de Bento XVI.
Reflita um pouco sobre elas.
Pelo que depender de você, ponha no centro da Liturgia, em particular da Eucaristia, o próprio Jesus e, junto com sua comunidade, volte-se para Ele e permita que Ele tome conta de sua vida.
Não faça da Liturgia um laboratório de experiências, que só na aparência seriam pastorais...
Respeite a Liturgia tal como a Igreja propõe: respeitar a Liturgia, em particular a Eucaristia, é respeitar a oração do próprio Jesus.
Faça da Eucaristia, celebrada e participada com fé, devoção e respeito, como o “fogo da lareira” que aquece toda a sua vida de discípulo/a de Jesus.
Particularmente a Eucaristia nos domingos e dias santos: sem ela, você “esfria” no seguimento do Mestre.
Sem Eucaristia, o mundo iria de mal a pior, pois a Eucaristia é Jesus.
E Jesus é o único que pode salvar o mundo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Dedicação de Altar e Divina Liturgia Patriarcal em Taubaté

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Como anunciamos no Salvem a Liturgia, via Sinaxe, o Patriarca Melquita, Sua Beatitude Gregório III, está no Brasil para visitar seus fiéis da Eparquia. Uma celebração patriarcal é algo raro na Terra de Santa Cruz!

Nosso amigo Philippe, em seu blog, nos traz a seguinte informação e depois as fotos da Divina Liturgia (Santa Missa) celebrada por Sua Beatitude:

Neste dia 10 de agosto de 2010, nosso Patriarca Gregório III celebrou a Divina Liturgia na Igreja Melquita de Sant’Ana em Taubaté/ SP, e fez a cerimônia da dedicação do novo altar e do iconostácio, construídos graças ao trabalho do pároco, Pe. Dimitrios Bertani, que tanto tem se empenhado na renovação e adaptação da capela à arquitetura bizantina. A Liturgia foi televisionada pela TV Canção Nova.

Concelebraram com o Patriarca: o Arcebispo Melquita do Brasil, Dom Farès Maakaroun, o Arcebispo Emérito de Taubaté, Dom Antonio (nota do Salvem: ao que parece, pelas fotos, o Arcebispo de Taubaté, assistiu a Liturgia de veste talar, mas não concelebrou, pois estava sem paramentos), o Arquimandrita Antoine Dib, Chanceler Patriarcal, o pároco, Pe. Dimitrios, que já citamos, o Pe. Marcos, da Catedral de Taubaté, e o Frei José Moacyr Cadenassi, Franciscano Capuchinho, grande amigo da comunidade de Sant’Ana (e também amigo meu!). Havia a presença de seminaristas das Dioceses de Taubaté e de S. João da Boa Vista, dos subdiáconos e acólitos da comunidade local. Segundo o paroquiano e acólito Marcelo Debortoli, a visita do Patriarca foi “um momento de muita emoção vivido por todos nós”. Sua Beatitude, segundo ele, é “uma simpatia em pessoa e muito amoroso com todos!”.

Dom Fares, o Arquieparca Melquita do Brasil

O Patriarca















Colocando a mitra











Fotos por Marcelo Debortoli:

Telefones: (12) 3027-8504 / 9131-8361



Música litúrgica - o Gloria

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O Gloria, fazendo parte do Ordinário, é (ou deve ser) muito bem conhecido pelos fiéis, pois figura em todas as Missas dominicais. Todas? Bem – não exatamente em todas, mas já chegaremos lá. A maioria das Missas dominicais utiliza, sim, o Gloria, que vou escrever sem acento neste texto por usar a palavra latina.

Maioria das Missas Dominicais, isto é, não todas; donde já concluímos que o Gloria é uma daquelas partes do Ordinário que se omitem em certas datas litúrgicas. Não se trata de regra e exceção; a Missa com o Gloria não é a regra, e a Missa sem Gloria também não é a regra. A regra é, de acordo com a data, usá-lo ou não.

Acredito ser interessante começarmos com a distinção entre as datas litúrgicas conforme seu uso ou omissão do Gloria. Vamos pensar na Forma Ordinária. Nestes dias o Gloria não aparece:

1-) Dias de semana (Segunda a Sábado) de qualquer tempo. A não ser que ocorra uma Festa ou Solenidade.

2-) Todos os dias (inclusive Domingo) do Advento e da Quaresma. A não ser que ocorra Solenidade.

Solenidade que costuma ocorrer durante a Quaresma é a Solenidade de São José, em 19 de Março; a Missa tem o Gloria. No Advento sempre ocorre a Solenidade da Imaculada Conceição, em 8 de Dezembro; também então a Missa tem o Gloria.

O Gloria aparece em:

1-) Todos os Domingos. A não ser na Quaresma e no Advento.

2-) Festas e Solenidades.

O texto do Gloria se origina, como se pode notar, do canto dos anjos na noite do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim diz a Escritura em Lc 2, 14:

Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens, objetos da benevolência (divina) [Bíblia Ave Maria]

Gloria in altissimis Deo et in terra pax in hominibus bonae voluntatis [Vulgata]

Gloria in altissimis Deo, et super terram pax in hominibus bonae voluntatis [Neo Vulgata]

Com estas palavras a abri-lo, este texto foi composto em grego; era um dos inúmeros psalmi idiotici que se escreveram nos séculos II e III. Esta designação pode nos causar a nós, falantes de português, um certo estranhamento, por idiotici nos fazer lembrar da palavra idiota, que tem para nós significado bastante negativo. Entretanto, mesmo o nosso idiota vem do grego idiôtés, referindo-se ao homem privado, particular (e não público). Os psalmi idiotici são “salmos privados”, de composição nova, diferentemente dos poemas do Saltério hebraico.

Antes mesmo que São Jerônimo empreendesse a tradução da Bíblia Sagrada para a língua latina, o Gloria foi traduzido para esse mesmo idioma, embora não tão antes. Isto explica a diferença entre o Gloria in excelsis com que começa o Gloria propriamente dito e o Gloria in altissimis que São Jerônimo preferiu para traduzir o versículo evangélico.

Quando o Gloria foi introduzido na Santa Missa em Rito Romano, era exclusivo da celebração litúrgica do Natal do Senhor. A extensão do uso se deu lentamente, passando a ser usado nos Domingos, em algumas festas, mas sempre só pelos bispos; posteriormente, foi concedido aos padres usar o Gloria, embora apenas no dia de sua ordenação e na Páscoa.

No século XII, finalmente, pode-se dizer que estava pronta a configuração que conhecemos na Forma Extraordinária, que omite o Gloria desde a Septuagésima até a Semana Santa; e a introdução do caráter mais penitencial do Advento, do qual o Gloria passou a ser omitido também.

Infelizmente, já na Idade Média o texto do Gloria se submetia, com certa freqüência, a adições não previstas pela Liturgia. É verdade que a natureza de tais adições se mostra muito diferente daquelas que vemos em nossos dias; porém, tratam-se, da mesma maneira, de elementos novos colocados sem autoridade e sem autorização na celebração Litúrgica, cujas normas devem ser dadas somente pela Igreja. Aqueles tempos talvez pudessem, aqui, gozar de alguma complacência devido à existência de Missais diversos. A partir de 1570, entretanto, esta desculpa não existe; nesse ano, o Santo Padre, o papa São Pio V promulgou o que chamamos de Missal Tridentino e deixou mais claro ainda como devia ser a celebração da Liturgia. As regras para inclusão e omissão do Gloria continuam válidas para a Forma Extraordinária do Rito Romano em nossos dias, e para incluí-las neste texto me vem em socorro a Catholic Encyclopaedia:

(...) [o Gloria] é omitido nos dias de semana (exceto no Tempo da Páscoa), Têmporas, Vigílias, durante o Advento e da Septuagésima até a Páscoa, quando a Missa é de tempore. A festa dos Santos Inocentes, mas não sua oitava, é mantida com vestimentas roxas e sem o Te Deum ou Gloria. Tampouco se diz o Gloria nas Missas de Requiem ou votivas, com três exceções: Missas Votivas da Santíssima Virgem aos Sábados, dos Anjos e aquelas ditas pro re gravi ou por causa pública da Igreja, a não ser que as vestimentas sejam roxas. (...)
A menção ao Te Deum se refere ao Ofício Divino, e não precisamos nos preocupar com ela agora.

A tradução portuguesa do Gloria que utilizamos na Missa traz a curiosidade de inverter dois blocos de texto, quando a comparamos com o Gloria em latim. Não encontrei até hoje nenhuma explicação para esta ocorrência. Agradeço a quem puder esclarecer este fato. O quadro abaixo mostra a inversão, ao mesmo tempo em que coloca para o estimado leitor, lado a lado, o Gloria em latim e o Gloria em português. Para vê-lo maior, clique no quadro.


De qualquer forma, isto se encontra muito distante de ser o maior problema que temos com o Gloria. Esta simples inversão se conserta com a publicação de uma nova versão oficial; o que parece difícil de consertar é o uso de outros textos no lugar do Gloria.

ATUALIZAÇÃO [12.8.2010] Leia os comentários feitos a este texto. Lá o nosso leitor Irmão Tomás de Aquino e o Rafael Brodbeck nos explicam essa questão.
São dois pensamentos básicos que dão origem a abusos no Gloria. O primeiro é que, por se tratar de um hino de louvor, qualquer “hino de louvor” pode ser colocado neste momento. Engano gravíssimo. O Gloria faz parte do Ordinário da Missa e não dá lugar a nenhum outro texto. A IGMR diz, textualmente: o Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro.

O texto não pode ser substituído por nenhum outro. Isto exclui textos parecidos, paráfrases, extensões, abreviações etc. Tampouco vejo como seria possível admitir versões métricas.

O segundo pensamento é o de que o Gloria é um “louvor trinitário”. Pois bem; ainda que consideremos o Gloria como louvor à Trindade, não é nisto que ele se concentra; e mesmo que fosse o caso, o fato de ser um louvor trinitário não autoriza ninguém a substitui-lo por outro texto que seja considerado “louvor trinitário” por quem quer que seja.

Daí provêm canções, freqüentemente utilizadas em nossos dias no lugar do Gloria, cujo texto dedica uma estrofe para cada Pessoa da Santíssima Trindade, com as quais se alterna um refrão que costuma conter a palavra “Glória” – e estes simples elementos ficam considerados suficientes para que a tal canção seja colocada neste momento da Liturgia. Ainda que a música não fosse péssima, seria um erro litúrgico muito grave.

É urgente abolir essas canções. Certamente há muita música que precisa ser extirpada da Liturgia, atualmente, mas o Gloria realmente clama aos céus. Não é possível que se jogue no lixo um texto de mais de quinze séculos para pôr, em seu lugar, uns versos fraquíssimos de péssimo gosto musicados com o que há de mais medíocre na música. O que há algum tempo temos visto no Gloria é comparável ao uso de vasos de plástico no altar, comparável à substituição dos paramentos por bermudas e camisetas.

Em alguns fóruns da internet ainda se faz a pergunta: é permitido bater palmas no Gloria? Esta pergunta encerra um pensamento bastante curioso: seria permitido bater palmas na Missa, mas não em todas as partes. Tal assunto já foi bastante debatido, e a resposta definitiva é não; não se batem palmas em nenhum momento da Missa. E é especialmente desagradável que, indo a uma Missa, deparemo-nos com música que poderia ser acompanhada de palmas (mesmo que efetivamente não seja).

*

Por ser um texto relativamente longo, no canto gregoriano o Gloria nunca é melismático, mantendo-se no silábico e se aventurando um pouco no neumático. Recordemo-nos: melismático, muitas notas para uma sílaba; neumático, algumas notas para uma sílaba; silábico, uma nota por sílaba.

O Gloria possivelmente mais simples é o Gloria chamado ambrosiano. O leitor pode ver na figura abaixo suas primeiras linhas, e poderá perceber que é bastante silábico. Somente na sílaba bi de tibi é que surge um melisma (de treze notas), o qual marquei em verde.


Assim ele continua, alternando muitas frases silábicas com ocasionais melismas. Seu Amen é melismático – dezenove notas na segunda sílaba!


Este Gloria ambrosiano é o quarto das melodias ad libitum, não fazendo parte dos dezoito ordinários do Kyriale. O Gloria colocado como primeira ilustração deste texto é o Gloria IV do Kyriale. Aquela imagem é de um livro mais antigo. Vejamos a mesma partitura (com a continuação, claro) impressa em 1961:


Este Gloria IV também é eminentemente silábico, com poucos melismas; mais numerosos, entretanto, que os do Gloria ambrosiano. Um aspecto do ambrosiano que o faz mais fácil é seu constante uso de notas repetidas, como se fosse um canto salmódico. Observe o leitor que o Gloria IV se move bem mais.

Na música polifônica sempre se deixou a primeira frase – Gloria in excelsis Deo – para o celebrante entoar, entrando o coro a partir de et in terra pax. Na verdade, isto acontece também no gregoriano, mas o efeito é mais forte na música polifônica, pois a primeira frase é cantada por um homem só e, de repente, se ouvem múltiplas vozes cantando a várias partes.

Aproveitando que no texto do Kyrie ouvimos o Kyrie da Missa Papae Marcelli, de Palestrina, vamos ouvir também seu Gloria. Se no começo o volume estiver baixo e o leitor não tiver ouvido bem o início, volte para perceber as primeiras palavras cantadas pelo solista e a entrada do coro todo em et in terra.

Veja o leitor, na partitura, que a música do coro começa com et in terra, e o Gloria in excelsis Deo ali escrito é meramente o título da composição. Na gravação abaixo, o solista canta o início do Gloria VIII.


A Missa Papae Marcelli, lembremo-nos, foi assim intitulada por Palestrina em homenagem ao papa Marcelo II, que em 1555 reinou por apenas 22 dias.

Palestrina (1525-1594), Gloria da Missa Papae Marcelli

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novo Livro-Aula do Pe. Paulo Ricardo

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A Editora Ecclesiae acaba de lançar o novo livro-aula do Padre Paulo Ricardo, que se encontra à venda em nossa loja.

Na terceira aula do curso de “Introdução à Teologia” da Coleção Teologia das Fontes, o Pe. Paulo Ricardo completa os estudos sobre Teologia Fundamental e ainda nos traz um tocante depoimento sobre a sua conversão. Esta aula gira em torno do famoso trinômio da Igreja: Sagradas Escrituras, Tradição e Magistério. As explicações também abordam detalhes da tradição, com a apresentação do legado dos Santos Padres, mostrando em parte, a teologia desses que ajudam a formar a grande riqueza doutrinal da Igreja.

Capítulos
1. Sagradas Escrituras, Tradição e Magistério
2. Camadas de Interpretação das Sagradas Escrituras
3. Tradição e Escritura nas Primeiras Pregações
4. Riqueza do Magistério
5. A Geração Sub-Apostólica
6. Princípio da Tradição em São Basílio
7. Os Quatro Legados dos Santos Padres

Extra
Uma Tertúlia ao Cair da Tarde - Pe. Paulo nos conta sobre o seu processo de conversão.

Ficha Técnica:
  • Número de Páginas: 68
  • Editora: Ecclesiae
  • Idioma: Português (Brasil)
  • ISBN: 978-85-63160-02-7
  • Dimensões do pacote (Livro+DVD+CD): 13,5 x 19 x 2,2 cm

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Diocese de Franca fará celebrar Missa Solene na forma extraordinária

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É o que diz o sempre bem-informado blog Fratres in Unum:

No dia 21 de agosto, às 15 horas, na Catedral de Franca, SP, será celebrada uma missa solene no Rito Latino-Gregoriano pelo Padre Michel Rosa da Silva, por ocasião de seu aniversário de ordenação sacerdotal.

Segundo informa o leitor Ícaro de Faria Luis, “na diocese de Franca temos dois padres que sabem rezar a missa na forma extraordinária do rito romano, que está em vias de tornar-se semanal com o apoio de nosso bispo diocesano, Dom Pedro Luiz Stringhini, e existem mais padres com interesse em conhecer a missa tridentina”.

Na África não tem Missa Afro…

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Pois é… Tanto se fala em colocar cultura afro na Missa romana por aqui, e, da África mesmo, a real, a de verdade, não a ideologicamente inventada, temos um belíssimo exemplo: Dom Gregory Ochiagha, Bispo Emérito de Orlu, Nigéria, celebrou seu Jubileu de Ouro com uma Solene Missa Pontifical na forma extraordinária.

 

Isso mesmo. Na África não tem Missa Afro. Na África tem Missa Tridentina!

 

Mas não diziam que o povo negro quer Missas com atabaques, falando “axé”, dançando no altar, com roupas extravagantes?

 

As fotos, que nos chegam via New Liturgical Movement, falam por si e nos dão esperança de que a liturgia será salva!

 

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Após a Comunhão. Inspirador!

domingo, 8 de agosto de 2010

Santa Missa em Latim na forma Ordinária - Aracaju - SE

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Postamos um convite da Paróquia Bom Jesus dos Navegantes em Aracaju - SE.

Será oficiada uma vez por mês uma Santa Missa na forma Ordinária do Rito Romano em Latim. A primeira Missa acontecerá no próximo domingo, Solenidade da Assunção da Virgem Maria.


Entrevista com o Pe. Darvan da Rosa, da Diocese de Pelotas, RS

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Apresentamos, com alegria, uma entrevista que fizemos com o Pe. Darvan Hernandez da Rosa, pároco de Nossa Senhora da Conceição, em Piratini, RS, Diocese de Pelotas. O Pe. Darvan é amigo de alguns membros do Salvem a Liturgia, e celebrou, em latim, na forma ordinária, o Batismo de Maria Antônia Taddei Brodbeck, minha filha com a Aline, também de nossa equipe.

O Pe. Darvan, em sua paróquia...

Agradecemos ao senhor pela disponibilidade em atender ao nosso convite. O senhor é um leitor do Salvem a Liturgia? O que mais gosta em nosso blog?
Sim. Gosto sobretudo do zelo pela liturgia de jovens, na maioria leigos. Perceber como estudam, como se esforçam para que a Liturgia seja bem celebrada. O conteúdo também é muito bom. Quanto à entrevista é um grande prazer.

O senhor considera que esse tipo de apostolado virtual tem repercussão real entre os católicos do Brasil?
Sem dúvida. Já tem me ajudado muito. Tenho aprendido e também tenho sido contagiado pelo desejo de melhorar a Liturgia em minha Paróquia. Surpreendo-me quando chego em algum lugar e vejo um jovem que tem carinho pela Liturgia. Indico-lhe o "Salvemaliturgia" e ele me responde: já o conheço - com ar de estima. Ele chega em mais pessoas do que imaginamos. Penso que a repercussão maior vem da ação do Espírito Santo. Estou convencido que Ele está levando os cristãos a quererem Liturgias bem feitas e fiéis ao Espírito da Igreja, sem abusos, com toda a riqueza multissecular. Neste sentido o "Salvemaliturgia" tem sido um grande instrumento de Deus.

E entre os padres e Bispos?
É o Espírito Santo que renova constatemente a Igreja de Cristo. Vendo tantos católicos verdadeiros - fiéis, coerentes, perseverantes, com espírito de comunhão - no "Salvemaliturgia", percebo que com o tempo este espírito repercutirá também em outros, inclusive nos Pastores. A verdade e o bem se espalham com a graça de Deus, quando a testemunhamos, mais do que esperamos. A internet faz com que aquilo que parecia impossível, ou seja, que quem se preocupa com aprimorar e tornar a Liturgia fiel às normas emanadas pela Autoridade competente da Igreja, pudessem ter proximidade para se ajudarem nos diversos lugares do Brasil. Isto faz o Salvem. Sei que nossos irmão leigos poderão ajudar muito a nós sacerdotes, se forem humildes, leais e amigos. Não existe má vontade na grande maioria de nós padres em celebrar corretamente a Santa Missa.

Como atingir mais pessoas, despertando-as para um maior amor à liturgia bem celebrada, de acordo com as normas, respeitando a tradição do rito romano? Há alguma receita?
Fazendo a experiência de celebrar bem, sem improvisar nem inventar. Colocando todo nosso coração no que estamos celebrando. Quando celebramos bem com todo o coração a Liturgia atrai as pessoas paro o que devia atrair: Deus ali presente. Não é o carisma humano e particular da pessoa do celebrante que deve atrair as pessoas para a Liturgia, mas o Deus inefável ali presente em Seu Mistério sagrado. Repito, não é o carisma humano. Com isto a edificação espiritual dos crentes é sólida. As pessoas começam a gostar cada vez mais, e lhes dói a improvisação, o chamar atenção, a inclusão de palavras pessoais em desacordo com o estabelecido. Isto é mecher em algo que não pode ficar a mercê da improvisação, pois é algo infinitamente grande. Por perceber que é tão sagrado os fiéis respeitam, buscam com avidez e profundidade. Isto repercute na vida. Não se pode querer outra coisa maior. Esta é a melhor maneira de despertar as pessoas para um amor profundo pela Liturgia, além, é claro, da oração.


De quem o senhor recebeu esse gosto pela liturgia? Há alguma inspiração maior?
Penso que de Deus mesmo. Na minha caminhada cristã senti que Cristo me pedia com força para ajudar os irmãos neste sentido: Celebrar de maneira fiel, correta, sem rubricismo e mera exteriorizaçao. Sempre que via uma Liturgia celebrada com decoro, sacralidade, fidelidade, sobriedade... Deus me fazia ver que Ele espera isto para toda a Igreja. Podia ser uma percepção arbitrária, subjetiva, coisa da minha cabeça, mas Ele me confirmava isto vendo as manifestações do Magistério eclesiástico. Confirmou-me também os frutos que observo.

Que papel os padres do Opus Dei e a espiritualidade de São Josemaria Escrivá possuem nesse tema da liturgia em relação ao sacerdócio?
Sem dúvida que confirmaram esta moção interior. São Josemaria tinha um amor indizível pela Santa Missa. E sua Missa era sóbria, bela, profunda, sacra. E a repercussão na salvação e santificação do mundo foi impressionante. Esta atitude do Santo - refletida nos seus filhos espirituais - me ajudou a perceber o que é a Missa mesmo, mais do que com palavras (aliás, como deve ocorrer conosco: como dizer que a Missa é tão importante, sagrada e decisiva para o mundo, se abusamos com inovações, estilos próprios, improvisações, tirando o foco do essencial?).

Como cultivar uma espiritualidade litúrgica?
Colocando todo nosso coração no Rito sagrado, em cada gesto, palavra, símbolo. Ter vida profunda de oração diante do Sacrário, tendo como base a Palavra de Deus. Estudando os textos do Magistério sobre liturgia e os bons autores. Procurando ser coerente com o que celebramos, ou seja, ser santo.

A reza diária do breviário tem ainda seu lugar na oração do padre moderno?
Claro. É a Palavra de Deus. Quase todo o breviário é extraído da Bíblia. É o trabalho fundamental do sacerdote: rezar pelo Povo e no lugar do Povo. É impressionante como a perseverança na oração do Breviário dá frutos na vida pessoal e no ministério do presbítero, e também da Igreja e do Povo a ele confiado.

O senhor usa batina, anda sempre de clergyman, veste a casula, celebra a Missa com rigor na liturgia, prega homilias ortodoxas, gosta de latim. Não tem receio da incompreensão de alguns leigos e mesmo colegas padres?
Não. Fazer tudo com amor e espírito de unidade com a Igreja é um grande bem. Mesmo que não se entenda bem no momento. Tudo isto que o senhor falou na pergunta é a Igreja que orienta que deve ser feito, não é iniciativa pessoal minha.

Sabemos que o senhor é um apóstolo da confissão. Ao chegar em Piratini, tomou como uma das primeiras medidas atender as pessoas no confessionário. O que pode nos dizer dessa experiência? Quais os frutos para a vida espiritual dos paroquianos? Que conselhos daria aos párocos nesse tema?
Teria mais que aprender do que falar. Digo no entanto: rezar pelos paroquianos, falar da confissão, estar a disposição. O uso do confessionário é muito positivo. Ajuda o fiel perceber que está se encontrando com Cristo, dá mais liberdade aos que estão pouco acostumado com esta experiência. A profundidade da vida cristã passa por este sacramento.

O senhor, há pouco, teve a feliz idéia de, na Semana Santa fazer celebrar a Missa em latim e versus Deum, no rito novo mesmo, pós-conciliar. Ao mesmo tempo em que o parabenizamos pela decisão, aproveitamos para pedir que o senhor nos descreva a celebração e como a preparou.
Foi sobretudo pelos 200 anos da Paróquia. A maioria das Missas na história da Paróquia foram celebradas em latim e no altar antigo. Influenciado por Bento XVI e João Paulo II rezei muito e percebi que é importante manter nos fiéis a percepção de continuidade e não de ruptura com a Igreja de todos os tempos. Fizemos em latim as orações próprias, o Kyrie (cantado), o Sanctus (cantado), a Oração Eucarística, o Pater Noster e o Agnus Dei (cantado). As mudanças têm que serem feitas com prudência, formação, gradualidade, tendo por objetivo o crescimento espiritual dos fiéis, na comunhão da Igreja, sem espaço para os meros gostos pessoais do sacerdote, que é o que menos conta.

Qual a reação dos fiéis após essa Missa? Sofreu muita perseguição, comentários maldosos ou incompreensões?
A reação foi muito boa. Tratou-se de uma experiência muito positiva para mim e para os fiéis. Claro que é necessário uma boa explicação e Catequese. Surpreendi-me com a alegria e aprovação sobretudo dos jovens. Houve uma pessoa que com toda lealdade e franqueza veio me perguntar o porquê. Foi muito bom também, neste clima de diálogo e crescimento, ajudarmo-nos a melhor entender a Liturgia e o "sentir com a Igreja".



Quais passos o senhor pretende dar a partir de agora? Há chance de ter um coro gregoriano, um grupo estável de coroinhas, Missas periódicas em latim?
Os passos são continuar rezando, pedindo inspiração de Deus, sem deixar de estar em sintonia com meu Bispo e Diocese. Temos verdadeira dificuldade de cantos, de coroinhas, mas sei que Deus provê Sua amada Igreja. Tudo é para o crescimento espiritual dos fiéis, para que sejam cristãos adultos na fé, capazes de transformar o mundo pela santidade de suas vidas e de sua ligação vital com Cristo e Sua Igreja.

E quanto à Missa na forma extraordinária, o senhor pretende aprendê-la?
Gostaria muito.

O que pensa a respeito da "reforma da reforma" levada a cabo pelo Papa? Essa revalorização de aspectos tradicionais, de Missas versus Deum, de mais latim e gregoriano, a tomada de posição pelo arranjo beneditino, a liberação da Missa tridentina... O que tem isso a ver com a Nova Evangelização, tão pedida pela Igreja?
Para a Nova Evangelização precisamos de cristãos fortes e maduros, prontos a testemunharem Cristo na sociedade que se paganiza. Isto só é possível com a centralidade da Eucaristia e da Palavra de Deus em suas vidas. E como conseguir eficazmente esta centralidade senão com Liturgias celebradas com profundidade, com sacralidade, com fidelidade, exalando o mistério divino que se aproxima de nós? O Papa Bento XVI tem dedicado grande parte de seu Magistério neste sentido, porque o Espírito Santo está conduzindo com força a Igreja nesta direção.

E os jovens? Como explicar que alguns não queiram Missas mais sóbrias alegando que eles não irão mais à igreja, mas que, ao contrário dessas previsões, sejam eles na linha-de-frente pela Missa tridentina, pela Missa nova bem celebrada, pelo latim, pelo véu nas mulheres, pela valorização da sacralidade?
Para mim é claramente obra do Espírito Santo na Igreja. Este é o futuro da Igreja. Pois o confirma isto também o Magistério. Se os cristão não encontram o Mistério e a sacralidade em nossas Liturgias ficam enfraquecidos na fé, na esperança e caridade. Alguns procuram outros caminhos. O coração do jovem quer experimentar Deus. Percebo que a renovação litúrgica passa pela juventude. Tenhamos confiança no Senhor e paciência.

Que apelo o senhor faz aos seus irmãos sacerdotes quanto à observância das normas litúrgicas?
Se não experimentaram, que experimentem. Com o tempo se pode ver a ação de Deus de maneira mais profunda e eficaz. Se já o fazem, perseverem, sem se deixar mudar pelos elogios ou criticas, em espírito de humildade e comunhão.

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