quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Dedicação da Igreja de Nossa Senhora da Vitória
Pe. Uwe Lang em Perúgia: Missa e Vésperas na forma extraordinária em honra do Beato Newman
Anunciamos aqui as festividades em honra do Beato João Henrique Newman, oratoriano, convertido do anglicanismo, feitas em Perúgia, Itália, sob o comando do conhecido Pe. Uwe Michael Lange, CO, consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Papa. O Pe. Lang, aliás, recentemente autor de um artigo retratado em um post aqui no Salvem.
Agora, via Blog Messa in Latino, postamos as fotos do evento anunciado, que se realizou no dia 4 de dezembro:
Nas fotos, aparecem acolitando tanto oratorianos quanto franciscanos da Imaculada, duas congregações que se destacam pela celebração tanto do rito antigo quanto do rito novo bem celebrado e em latim.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Verbum Domini sobre canto gregoriano
"No âmbito da valorização da Palavra de Deus durante a celebração litúrgica, tenha-se presente também o canto nos momentos previstos pelo próprio rito, favorecendo o canto de clara inspiração bíblica capaz de exprimir a beleza da Palavra divina por meio de um harmonioso acordo entre as palavras e a música. Neste sentido, é bom valorizar aqueles cânticos que a tradição da Igreja nos legou e que respeitam este critério; penso particularmente na importância do canto gregoriano." (VD, 70)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Primeira Comunhão em Belém, com dignidade e sacralidade
No dia 8 de dezembro último, Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, o Pe. Carlos Augusto Azevedo da Silva, pároco de Santa Maria Goretti, no Bairro do Guamá, em Belém do Pará, conferiu, pela primeira vez, o sacramento da Eucaristia a 72 crianças e adolescentes. A Missa foi celebrada às 18h.
A igreja fica em uma periferia, em uma das comunidades mais populosas, violentas e pobres de Belém. Durante anos, sofreu as terríveis influências do modernismo, sendo reduto da teologia da libertação. Na primeira Missa do referido sacerdote, em um Domingo, a igreja, que tem capacidade para 600 pessoas sentadas, tinha míseros 48 fiéis. Dois anos depois, aplicando-se o rigor na observância das rubricas, oferecendo-se Missa em latim na forma ordinária e fazendo-se celebrar a forma extraordinária, os frutos aparecem.
Como nos disse o Pe. Carlos Augusto: "Quero saber quem disse que na periferia não pode ter solenidade e beleza na Liturgia? A liturgia é Celebrada para Deus e pelo povo, portanto, não importa onde estejamos celebrando, numa belissima catedral gótica ou numa humilde capela do interior a diginidade, sacralidade e beleza do culto deverão ser as mesmas."
Abaixo, algumas fotos da Missa. Percebam que o padre está de batina, com barrete, e que a Comunhão é dada de joelhos e exclusivamente na boca.
Homilia da Ordenação Diaconal de Frei Paulo Maria, OFMConv.
A Província São Maximiliano Maria Kolbe celebra duas alegrias neste dia: a ordenação diaconal do Frei Paulo Maria e a bênção de reinauguração deste maravilhoso Santuário Nossa Senhora Imaculada Conceição, edificado neste lugar de grande significado para nós: o Jardim da Imaculada. Quantas pessoas encontram neste ambiente o caminho de sua conversão e santificação. O desejo da Santíssima Virgem será sempre este: nossa conversão e santificação. Dom frei Agostinho, na sua carta de 04 de outubro último aos seus confrades e amigos diz “esperar que o Jardim da Imaculada seja sempre um lugar muito especial para todos os Frades da Província. Que seja o lugar de inspirações, de formação e de muitas obras de apostolado”.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Ordenação Diaconal e Presbiteral na Diocese de Frederico Westphalen - RS
Na última sexta-feira 10 de dezembro de 2010, teve lugar na Catedral Santo Antonio, da Diocese de Frederico Westphalen a ordenação diaconal de Neymar Demarco e na mesma cerimonia a ordenação presbiteral do diacono Ademir Scheneider. Tendo como bispo ordenante S.E.R Dom Antonio Carlos Rossi Keller.
Estava presente o clero, como é marco da diocese de Frederico Westphalen, em sua quase totalidade, como sinal de intima união do clero diocesano. E se contava com inúmera presença dos fiéis, amigos e familiares dos ordenandos e seminaristas.
Penso que as fotos não necessitam legenda, dado que claramente se vê os momentos da ordenação, e como nós e nossos leitores, bem já vimos, e outra vez vemos, a solenidade, sacralidade e sobriedade, que compõem as cerimonias presididas por Dom Antonio, fiel defensor de uma liturgia digna e bem celebrada, digna Daquele a quem ela se dirige.
Uso da casula rosa no Domingo Gaudete, em Santana de Parnaíba, SP
Recebi do leitor e amigo Jean Carlo, notícia do uso, na forma ordinária, em vernáculo, da casula rosa no último Domingo Gaudete, em Missa celebrada por um padre dos Cônegos Regulares Lateranenses, na Diocese de Jundiaí:
Caríssimo Rafael, apresento fotos da celebração do Santo Sacrifício no Domingo Gaudete na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde o Pároco é o Pe. Antônio Marques Soares, CRL, em conformidade com a tradição da Santa Mãe Igreja, que nos apresenta nesta celebração especial a cor rosa.
Espero que estas fotos sirvam de exemplo para todo o nosso Brasil.
As Missas Dominicais são realizadas num salão que com a chegada do Pe. Antonio recebeu uma grande reforma, proporcionando um ambiente mais digno para as Celebrações dos Sagrados Mistérios, não se tratando da Igreja Matriz da referida Paróquia.
Desde já agradeço-vos e rezo por vosso apostolado em favor da Liturgia.
Jean Carlo, Mestre das Cerimônias Litúrgicas Paroquiais.
A Coroa do Advento
Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos. Só mais tarde é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
No geral, ela tem essas cores, mas pode ser também com as quatro velas brancas ou roxas. Ao redor do círculo, há os ramos de cipreste e uma tira vermelha: símbolo da vida nascente (sangue) do Senhor Jesus, na manjedoura. As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas.Desde a Antigüidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Lembremos a coroa de louros, a coroa de ramos de oliveira, com a qual são coroados os atletas vitoriosos nos jogos olímpicos.
domingo, 12 de dezembro de 2010
A nobre simplicidade dos paramentos litúrgicos
O artigo abaixo é do Padre Uwe Lang e foi publicado nas edições inglesa e italiana de Zenit, e foi traduzido pelo Oblatvs.
Uwe Michael Lang é padre da Congregação do Oratório de São Felipe Neri em Londres. Em setembro de 2008, o Papa Bento XVI nomeou-o consultor do Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.
A NOBRE SIMPLICIDADE DOS PARAMENTOS LITÚRGICOS
Uwe Michael Lang, CO
A tradição sapiencial da Bíblia proclama Deus como "o próprio autor da beleza" (Sb 13,3), glorificando-o pela grandeza e beleza das obras da criação. O pensamento cristão, seguindo o exemplo da Sagrada Escritura, mas também da filosofia clássica como auxiliar, desenvolveu o conceito de beleza como uma categoria teológica.
Este ensinamento ressoou na homilia de Bento XVI durante a Missa de Dedicação da Basílica da Sagrada Família em Barcelona (7/11/2010): "A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, uma obra bela é pura gratuidade; ela nos chama à liberdade e afasta-nos do egoísmo". A beleza divina manifesta-se a si mesma de uma forma totalmente particular na sagrada liturgia, também através de coisas materiais das quais o homem, feito de alma e corpo, necessita para chegar às realidades espirituais: o edifício do culto, o mobiliário, os paramentos, as imagens, a música, a dignidade das próprias cerimônias.
Releia-se a propósito o quinto capítulo sobre "Decoro da Celebração Litúrgica" na encíclica Ecclesia de Eucharistia do Papa João Paulo II (17/04/2003), onde ele afirma que o próprio Cristo quis um ambiente adequado e decoroso para a Última Ceia, mandando que seus discípulos o preparassem na casa de um amigo que tinha uma "grande sala mobiliada no andar superior" (Lc 22,12; Mc 14, 15). A encíclica recorda também a unctio de Betânia, um evento significativo que antecipa a instituição da Eucaristia (cf. Mt 26; Mc 14; Jo 12). Diante do protesto de Judas, para quem a unção com o precioso perfume era um "desperdício" inaceitável, dada a necessidade dos pobres, Jesus, sem diminuir a obrigação de caridade concreta para com os necessitados, declarou seu enorme apreço pela atitude da mulher, porque a unção que ela realizou antecipou aquelas "honras de que continuará a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mistério da sua pessoa." (Ecclesia de Eucharistia, 47). João Paulo II conclui que a Igreja, como a mulher de Betânia, "a Igreja não temeu «desperdiçar», investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia" (ibid., 48). A liturgia exige a melhor de nossas possibilidades para glorificar a Deus, Criador e Redentor.
No fundo, o cuidado atento pelas igrejas e pela liturgia deve ser uma expressão do amor ao Senhor. Mesmo nos lugares onde a Igreja não têm muitos recursos materiais, esta obrigação não pode ser negligenciada. Um importante Papa do século 18, Bento XIV (1740-1758) em sua encíclica Annus Qui Hunc (19/02/1749), dedicada sobretudo à música sacra, já exortava seu clero a manter as igrejas bem equipadas com todos os objetos litúrgicos necessários para a digna celebração da liturgia: "Nós queremos destacar que não estamos falando da suntuosidade e magnificência dos Templos Sagrados, ou da preciosidade dos objetos sagrados, nós bem sabemos que não podemos tê-los em toda parte. Falamos de decência e limpeza as quais a ninguém é lícito negligenciar, sendo decência e limpeza compatíveis com pobreza".
A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II pronunciou-se de modo similar: "Ao promoverem uma autêntica arte sacra, prefiram os Ordinários à mera sumptuosidade uma beleza que seja nobre. Aplique-se isto mesmo às vestes e ornamentos sagrados" (Sacrosanctum Concilium, 124). Esta passagem refere-se ao conceito de "nobre simplicidade" introduzido na mesma constituição no número 34. Este conceito parece ter origem no arqueólogo e historiador da arte alemã, Johann Joachim Winckelmann (1717-1768), segundo o qual a escultura clássica grega caracterizava-se pela "nobre simplicidade e silenciosa grandeza".
No início do século 20, o conhecido liturgista inglês Edmund Bishop (1846-1917) descreveu o "gênio do Rito Romano" como marcado pela simplicidade, sobriedade e dignidade (cf. E. Bishop, "Liturgica Historica," Clarendon Press, Oxford, 1918, pp. 1-19). Esta descrição não é desprovida de mérito, mas é necessário estar atento à sua interpretação: o Rito Romano é "simples" se comparado a outros ritos históricos, tais como os Orientais que se distinguem pela grande complexidade e suntuosidade. Portanto, a "nobre simplicidade" do Rito Romano não deve ser confundida com uma mal compreendida "pobreza litúrgica" e um intelectualismo que pode levar à ruína da solenidade, fundamento do culto divino (cf. a essencial contribuição de São Tomás de Aquino na Summa Theologiae III, q. 64, a. 2; q. 66, a 10; q. 83, a. 4).
A partir de tais considerações é evidente que os paramentos sagrados devem contribuir para "o decoro da ação sagrada" (IGMR, 335), sobretudo "pela forma e pelo material usado", mas também de modo comedido, nos ornamentos (ibid., 344). O uso dos paramentos litúrgicos expressa a hermenêutica da continuidade, sem excluir um estilo histórico particular.
Bento XVI oferece um modelo em seus celebrações quando ele usa tanto uma casula de estilo moderno quanto, em algumas ocasiões solenes, a casula "clássica", usada também por seus predecessores. Ele segue o exemplo do escriba, que tornou-se discípulo do reino dos céus, e que Jesus compara a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas, nova et vetera (Mt 13,52).
Fonte: Zenit
Tradução: OBLATVS



