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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ad Orientem - a direção do culto divino no Antigo e no Novo Testamentos

Instigante texto do Pe. Clécio, em seu Oblatvs:

O Ofício das Leituras desta 2ª feira da IV semana da Quaresma traz uma leitura do Levítico (16, 2-28) sobre o Dia da Expiação. A segunda leitura é uma homilia de Orígenes em que comenta o texto veterotestamentário.

Há não muitos anos o debate sobre a orientação da Santa Missa era um tabu. O grande responsável pela mudança de ambiente é o Papa Bento XVI. Também João Paulo II celebrava ad Orientem em sua capela particular. Mas é Bento XVI quem o faz publicamente, na Capela Sistina, além de sua contribuição teórica, em inúmeros escritos anteriores ao Sumo Pontificado.

Argumenta Joseph Ratzinger, segundando liturgistas e historiadores, que a celebração versus populum é contrária à Tradição. Segundo o Papa teólogo, tal desorientação é um mito difundido pelos teóricos e reformadores que souberam dar uma roupagem supostamente "restauracionista" ao que era, na realidade, uma inovação absoluta. Outros preferiram amparar a mudança radical no falso pressuposto de que tal arranjo seria espiritual e pastoralmente benéfico.

Não se discute a validade da Santa Missa versus populum; não é o que faz Joseph Ratzinger. Discutem-se os benefícios de sua correta orientação e, consequentemente, os prejuízos de sua desorientação.

Por que o Papa não determina, já que pode fazê-lo, um retorno à prática apostólica, zelosamente preservada no Oriente e no Ocidente nos últimos 20 séculos?

Porque uma das virtudes mais valiosas que deve ornar um Sumo Pontífice é a prudência. Proibir a celebração versus populum daria a impressão de autoritarismo, arbitrariedade, insensibilidade pastoral e espírito de mudancismo - tudo o que fizeram os reformados do século passado. Mais importante é formar as novas gerações, educá-las no espírito da Liturgia, apresentá-las à genuína orientação litúrgica e, sobretudo, derrubar os velhos mitos.

Que tal uma demitização?

Não! Na Igreja primitiva NÃO se celebrava versus populum.

Não! O simples fato de se celebrar versus populum NÃO traz benefícios pastorais e espirituais.

Não! O Vaticano II NÃO mandou que se celebrasse versus populum.

Segue abaixo a homilia de Orígenes, ordenado sacerdote por volta do ano 230!

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Cristo, sumo sacerdote, é a nossa propiciação

Uma vez por ano o sumo sacerdote, afastando-se do povo, entra no lugar onde estão o propiciatório, os querubins, a arca da aliança e o altar do incenso; ninguém pode entrar aí, exceto o sumo sacerdote.

Mas consideremos o nosso verdadeiro sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Tendo assumido a natureza humana, ele estava o ano todo com o povo – aquele ano do qual ele mesmo disse: O Senhor enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres; proclamar um ano da graça do Senhor e o dia do perdão (cf. Lc 4,18.19) – e uma só vez durante esse ano, no dia da expiação, ele entrou no santuário, isto é, penetrou nos céus, depois de cumprir sua missão redentora, e permanece diante do Pai, para torná-lo propício ao gênero humano e interceder por todos os que nele creem.

Conhecendo esta propiciação que reconcilia os homens com o Pai, diz o apóstolo João: Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados (1Jo 2,1-2).

Paulo lembra igualmente esta propiciação, ao falar de Cristo: Deus o destinou a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé (Rm 3,25). Por isso, o dia da expiação continua para nós até o fim do mundo.

Diz a palavra divina: Na presença do Senhor porá o incenso sobre o fogo, de modo que a nuvem de incenso cubra o propiciatório que está sobre a arca da aliança; assim não morrerá. Em seguida, pegará um pouco do sangue do bezerro, e com o dedo, aspergirá o lado oriental do propiciatório (cf. Lv 16,13-14). Ensinou assim aos antigos como havia de ser celebrado o rito de propiciação, oferecido a Deus em favor dos homens.

Tu, porém, que te aproximaste de Cristo, o verdadeiro sumo sacerdote que, como seu sangue, tornou Deus propício para contigo e te reconciliou com o Pai, não fixes tua atenção no sangue das vítimas antigas. Procura antes conhecer o sangue do Verbo e ouve o que ele mesmo te diz: Isto é o meu sangue, que será derramado por vós, para remissão dos pecados (cf. Mt 26,28).

Também a aspersão para o lado do oriente tem o seu significado. Do oriente nos vem a propiciação. É de lá que vem aquele homem cujo nome é Oriente e que foi constituído mediador entre Deus e os homens. Por esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o Sol da justiça, de onde a luz se levanta sobre ti, para que nunca andes nas trevas, nem te surpreenda nas trevas o último dia; a fim de que a noite e a escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre ti, mas vivas sempre na luz da sabedoria, no pleno dia da fé e no fulgor da caridade e da paz.

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