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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Prof. Carlos Ramalhete e a Missa das Crianças

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Criança não racionaliza, consegue perceber melhor que a gente não só o Mistério dos ofícios solenes, como o paternalismo insultante das "missas para criança". Criança odeia ser tratada como imbecil.

Aliás, das duas uma: ou eles ao ficar prestando atenção em musiquinha e palminha-bate e vão ignorar o Mistério, ou vão perceber o Mistério e ficar irritados com palminha-bate e tatibitate.

A melhor Missa pra criança é a mais solene, com canto gragoriano, incenso, trocentos acólitos, sinos que parecem vir de todos os lugares ao memso tempo, etc.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Repost: Santo Elias, doutor de Israel

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Repostagem sobre meu livro "Santo Elias, o doutor de Israel".

Pode ser adquirido na Ecclesiae ou na Cultura, bem como em outras livrarias Brasil afora.


A Editora Ecclesiae, a mesma que publica os livros e DVDs do Pe. Paulo Ricardo, acaba de lançar meu novo livro (o primeiro em tema religioso, já que antes escrevia apenas de temas jurídicos), sobre o profeta Elias.



O Salvem a Liturgia divulga essa minha obra de apostolado porque nele há informações litúrgicas (inclusive o Próprio do santo para a Missa e Liturgia das Horas).

Comprem pelo link acima diretamente.

Abaixo, a informação da editora:

Santo Elias: O Doutor de Israel

Preço Unitário (Un): R$19,50


Autor: Rafael Vitola Brodbeck

Descrição:
Não estamos todos acostumados a chamar os patriarcas, reis e profetas do Antigo Testamento de santos. No entanto, eles o são. Se salvos foram por Cristo, após sua morte, hoje estão no céu, redimidos, e por nós intercedem. Constam do Martirológio Romano, em data específica para que deles nos lembremos, e em alguns calendários litúrgicos – especialmente dos ritos orientais e de certas ordens religiosas – há uma celebração própria para eles.

Um desses santos é justamente o abordado na presente obra: Elias, o profeta. Com efeito, Elias foi tido, entre os judeus, como um modelo do Messias, como um seu precursor, a tal ponto de que muitos dos que ouviam falar de São João Batista achavam que estavam diante de Elias. Foi um autêntico apóstolo do Senhor dos Exércitos, defendendo com ardor a verdadeira fé e a causa de Deus.

A Liturgia Bizantina proclama: “Profeta de sublime nome, Elias, que prevês os grandes feitos do nosso Deus e submetes à tua palavra as nuvens portadores de chuva, roga por nós ao único Amigo dos Homens”. Por sua vez, a tradição carmelita, no Ocidente, também lhe rende culto, e o tem por padroeiro e inspirador, fundador espiritual de sua Ordem.

Ficha Técnica:

Número de Páginas: 132
Editora: Ecclesiae
Idioma: Português-BR
ISBN: 978-85-63160-18-8
Dimensões do Livro: 11,8 x 17,8 cm

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Missa na Forma Extraordinária com Dom Rifan em Niterói

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Recebemos estas informações e fotos do leitor Hernan Gouveia:

No Domingo, 12/02/11, Dom Fernando Rifan, bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, celebrou a Santa Missa na Forma Extraordinária na Matriz Sagrados Corações, Ponta D'areia - Niterói. Tendo como capelão na missa Padre Demétrio.


















quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O que é o Graduale Simplex?

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Para respondermos à pergunta que dá título a este texto, precisamos conhecer primeiro um livro chamado Graduale Romanum.

O Graduale Romanum é um livro litúrgico cujo conteúdo é exclusivamente de partituras de canto gregoriano, quer dizer: ele contém apenas música. Apenas música, e toda a música necessária para a celebração de qualquer Missa do ano litúrgico.

Este livro já existia no Rito Tridentino, e depois da reforma litúrgica de 1969-1970 recebeu alguns ajustes para funcionar no Rito Novo. A edição de 1974 é essa, usada na Forma Ordinária. A edição de 1961 se utiliza na Forma Extraordinária.

Se o leitor quer o Graduale Romanum de 1974, deve comprá-lo; se quer o de 1961, encontra-o para download na internet.

Ambos contêm um “Kyriale”, isto é: peças musicais para o Ordinário da Missa (Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei, junto com as antífonas de aspersão Asperges me e Vidi aquam); e além dele também o Próprio (Introito, Gradual, Ofertório, Comunhão, Trato, Aleluia, Seqüência) para o ano inteiro, incluindo as comemorações dos santos e da Santíssima Virgem Maria.

É preciso estudo para cantar as peças musicais do Graduale Romanum. São cantos generosamente ornamentados, pedindo muita concentração e perícia.

Se a paróquia (ou casa religiosa ou qualquer outra igreja) abriga cantores treinados, tem a possibilidade de utilizar integralmente o Graduale Romanum em cada Missa, o que inclui a Comunhão. Claro que nem todo lugar tem esses cantores. Não podemos pensar que antes da reforma litúrgica a Missa Tridentina fosse celebrada em todos os lugares com canto gregoriano do Graduale Romanum. Isso acontecia onde havia recursos para isso: os cantores; se não havia, o Próprio era cantado em tons salmódicos (com abundantes notas repetidas), pois as rubricas só permitiam o Graduale Romanum ou tons salmódicos. No Rito Tridentino continua sendo assim, havendo ainda a terceira possibilidade, a polifonia; mas se não há cantores treinados para o gregoriano, ainda mais improvável é que os haja para a polifonia. Por esta razão, havia muitas Missas sem música, missas “baixas”; ou então os fiéis cantavam cantos devocionais, tanto em vernáculo como em latim; mas era (e continua sendo) proibido que esses cantos usem os textos do Próprio; esses cantos durante a Missa não fazem parte dela, sendo uma maneira piedosa (e legítima) de se unir ao sacrifício da mesma forma que recitar o Rosário. Esses cantos devocionais são chamados “hinos”; na Liturgia das Horas (mesmo antes da reforma litúrgica), os hinos são realmente parte integrante, constando dos livros litúrgicos, contando entre seus espécimes peças como “Veni Creator Spiritus”, “Pange lingua” e muitos outros. Na Missa não.

Rezar o Rosário na Missa do Rito Novo, a Forma Ordinária, continua sendo uma forma legítima de se unir ao sacrifício. Os hinos, mais ou menos. Não são proibidos, mas ocupam o último lugar na lista de opções, lembrando que o pop litúrgico não está na lista nem no mais absurdo sonho (ou pesadelo). A reforma litúrgica colocou mais opções onde o Rito Tridentino oferecia três. O leitor perceba que não estou dizendo que o Rito Tridentino seja mau por causa disso. Na verdade, o Rito Novo também oferece apenas essas mesmas três opções, diferindo apenas ao expandir as fontes de onde se tomam os cantos. O Rito Tridentino nos dava o Graduale Romanum. O Rito Novo nos dá o Graduale Romanum e o Graduale Simplex, abrindo ainda a possibilidade de uso do vernáculo para a qual confia nos compositores da Igreja. Se existem um Graduale Romanum e um Graduale Simplex em latim, a lógica nos leva à necessidade de livros similares nas línguas vernáculas, contendo música que siga o rastro do gregoriano. Mas não marchinhas, nem forrós, nem chamamés, nem guarânias, nem rock, nem reggae.

Repetindo, os livros litúrgicos de música em latim já existem; se há permissão para o vernáculo, também são necessários livros em vernáculo; mas o gênero musical precisa ser aparentado ao gregoriano, precisa continuá-lo, de alguma forma; precisa beber da sua tradição e da sua influência.

Se há pretexto para se usar um gênero folclórico ou popular moderno como os da lista dada mais acima, se se usa rock, marchinha, reggae, pop meloso ou sem mel, há também pretexto para modificar os textos litúrgicos, e assim se inventa um rito que não é da Igreja e não tem a sua aprovação.

Assim, o Graduale Simplex foi organizado para que as igrejas possam ter canto gregoriano mesmo que o Graduale Romanum seja difícil demais para seus cantores. Antes, a dificuldade impunha que o Próprio fosse cantado em tons salmódicos ou que a Missa não fosse cantada; agora existe o Graduale Simplex, com melodias mais simples e Próprios que se podem repetir dentro do mesmo tempo litúrgico.

A elaboração desse livro atende a um mandato do Concílio Vaticano II constante de Sacrosanctum Concilium, 117:

117. Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.
Convirá preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores.

A ênfase é nossa. Com efeito, na capa do livro lemos Graduale Simplex in usum minorum ecclesiarum - repetindo exatamente o texto do documento conciliar.

Numa situação mais próxima da ideal, as catedrais, por exemplo, usariam o Graduale Romanum, e mesmo as grandes paróquias. Entretanto, como o leitor sabe, a situação da Liturgia é diferente, e até mesmo em celebrações do papa na Basílica de São Pedro, em Roma, às vezes se utiliza... o Graduale Simplex.

De maneira nenhuma quero dizer que o Graduale Simplex seja proibido para grandes igrejas. Essa proibição não existe e, se a minha opinião vale qualquer coisa, acredito que não faria sentido proibir. Até porque quando existe o desejo de transformar a Liturgia naquilo que ela não deve ser, usar o Graduale Simplex é arma completamente ineficiente; para tal se deve introduzir música pop, folclórica etc. O material do Graduale Simplex é muito bom, e mesmo que uma igreja não chegue nunca a usar o Graduale Romanum, estará muito bem com o Simplex. Teoricamente as catedrais usariam o Romanum, mas se elas usassem sempre o Simplex, já seria um avanço espantoso...

Ademais, o próprio prefácio do Graduale Simplex sugere que este livro seja usado também como fonte de variação do repertório; isto é, além de ser acessível às igrejas pequenas, é também de interesse para as igrejas grandes e catedrais, onde seu uso pode enriquecer a Liturgia.

O Graduale Simplex é mais acessível inclusive no nível paroquial, mesmo às pequenas paróquias. É sempre importante lembrar que quando um fiel faz uma leitura na Missa, ele está usando um conhecimento (a leitura) para cuja aquisição precisou ir à escola ou, mesmo tendo aprendido em casa, não adquiriu da noite para o dia. Para o Graduale Simplex temos a mesma situação. Deve-se valorizar o livro e a função do músico na Liturgia, tratar a celebração com respeito e dedicar-se ao estudo dos rudimentos da notação gregoriana, cuja dificuldade talvez seja igual à de aprender as letras do alfabeto - ou menor.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Revisão do Missal de 1962: Comentários da Una Voce Internacional

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A Federação Internacional Una Voce publicou um interessante texto sobre uma futura revisão do missal de 1962, algo que já havia sido indicado pelo Santo Padre na Carta que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum. A Una Voce Brasil traduziu este texto, que segue abaixo:

Revisão do Missal de 1962
As preocupações da Federação Internacional Una Voce

Preâmbulo

É sabido que se iniciou em Roma um trabalho de revisão do Missal de 1962. Como tem sido a norma nos últimos anos, estes assuntos são conduzidos de forma muito discreta e somente são dados ao conhecimento público quando um documento relevante é publicado, como: Summorum Pontificum e a instrução Universae Ecclesiae.

O mandato dado pelo Santo Padre à Comissão Ecclesia Dei na sua “Carta que acompanha o Motu Proprio” [07/07/2007] foi: no Missal antigo poderão e deverão ser inseridos novos santos e alguns dos novos prefácios. Nenhuma outra mudança foi sancionada. O Papa Bento XVI também afirmou que a “A Comissão «Ecclesia Dei», em contato com os diversos entes devotados ao usus antiquior, estudará as possibilidades práticas de o fazer”.

Aqueles que são “devotados ao usus antiquior” devem contínua e cuidadosamente assegurar que esse mandato específico não seja excedido por aqueles que, em Roma e noutros lugares, desejam enfraquecer a integridade do Missal de 1962, através da inclusão de algumas novidades que foram introduzidas na liturgia após 1962.

A Federação Internacional Una Voce foi fundada em meados de 1965, mesmo depois do Concílio Vaticano II ter terminado, e é a mais antiga das organizações, leigas ou clericais, que é devotada ao Usus antiquior. Enquanto outras organizações e sociedades, clericais e leigas, podem também ser devotas ao Usus antiquior, nenhuma consegue superar 46 anos de história da Federação Una Voce na sua devoção inabalável a esta causa. A Federação teve um papel único em ser a primeira e contínua voz dos leigos buscando adesão aos desejos expressos pelos padres do Concílio Vaticano II, como declarado na Sacrosanctum Concilium n.4

O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos, quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos

Os membros da Federação Internacional Una Voce, tendo sempre em mente este decreto dos padres conciliares, se mantiveram obedientes à Tradição, têm constantemente afirmado a igualdade e a dignidade da missa antiga, e se esforçaram desde 1965 para preservar e promover este rito legalmente reconhecido. No seu Motu Proprio Summorum Pontificum, nosso Santo Padre Bento XVI confirmou o que a Federação Internacional sempre afirmava, que o missal de 1962 nunca foi juridicamente ab-rogado. O Santo Padre também confirmou na sua carta que a sua decisão foi trazer “uma reconciliação interior no coração da igreja”.

Inovação e criatividade litúrgicas não são desejadas pelos fiéis e têm constantemente lhes perturbado, magoado e alienado nos anos depois do Concílio Vaticano II. Isto não pode acontecer novamente com a adulteração do Missal de 1962. A Federação Internacional aceita o desenvolvimento orgânico, mas rejeita enfaticamente a inovação litúrgica que é estranha ao caráter, ao espirito e à integridade do rito antigo. O tesouro inestimável da antiga liturgia não pode ser prejudicado pela novidade, pelo reducionismo e pela modernização destrutiva. Nada descreve com maior força a atracao do usus antiquior que o crescente número de jovens católicos espalhados pelo mundo, incluindo muitos seminaristas e jovens sacerdotes, que estão descobrindo a antiga e espiritualmente profunda liturgia e são cativados por ela.

Leo Darroch entrega ao Papa Bento XVI o relatório da FIUV
Estamos entrando num período critico na vida da liturgia da Santa Madre Igreja. Decisões que são tomadas em Roma hoje terão um impacto duradouro no bem-estar espiritual dos fiéis por gerações. A necessidade de implementar o desejo do Santo Padre por uma mudança limitada e orgânica em harmonia com o caráter do missal de 1962 não deve ser desculpa para a introdução na liturgia romana tradicional de conceitos estranhos que criaram muita desunião e desarmonia nos anos imediatamente após do Concílio Vaticano II.

Após a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, o presidente da Foederatio Internationalis Una Voce apresentou um documento à Comissão Ecclesia Dei em junho de 2008. Agora que o trabalho de alteração do missal de 1962 começou, talvez seja tempo pra republicar este documento numa forma atualizada, para deixar claro, mais uma vez, os desejos e aspirações dos membros da Federação Una Voce.

Uma Reflexão sobre Summorum Pontificum e o papel da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei antes e depois de setembro de 2007.

Leo Darroch,
Presidente Executivo – Federação Internacional Una Voce.
02 de junho de 2008.

Desde a promulgação de Summorum Pontificum, em Julho de 2007, houve uma grande alegria da parte daqueles que desejavam reter as tradições e proteger a Tradição. Não há dúvida que a declaração do Papa Bento XVI que o missal de 1962 nunca havia sido juridicamente ab-rogado, e a liberdade que ele concedeu aos padres do rito romano de celebrar esta forma da missa, conduziu a um grande aumento no número de celebrações deste antigo e venerável rito. Entretanto, é também claro que a promulgação do Motu Proprio abriu muitas questões sobre a maneira de celebrar e as rubricas que se aplicam ao missal revisado pelo Beato João XXIII. Parece que há alguns, incluindo muitos bispos, que deliberadamente desejam criar confusão e dissenso numa tentativa de dissuadir os padres e os fiéis de se beneficiarem da solicitude pastoral do Santo Padre e insistem que os desenvolvimentos posteriores ao ano 1962 (como a comunhão na mão, meninas no altar) são perfeitamente válidos nas missas celebradas de acordo com o missal de 1962. Por outro lado, há outros que possuem dúvidas genuínas sobre o que é permitido durante a celebração da forma extraordinária da missa. Questão estão sendo feitas mais ou menos de forma diária e a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei (PCED) é inundada de cartas contendo pedidos de clarificação; a tal ponto um que um documento tenha sido preparado que visa clarificar esses assuntos de uma vez  por todas. Fomos aconselhados a esperar pacientemente pela publicação deste documento.

Procissão do ofertório nas Filipinas, com o Ordo de 1965
Como eu havia deixado claro no meu Relatório à PCED em abril de 2008, eu acredito que o Summorum Pontificum (e a Quattuor Abhinc Annos [1984] e Ecclesia Dei Adflicta [1988] antes dele) deve ser interpretado de acordo com a intenção do legislador no seu desejo de reparar, entre outras coisas, o que muitos católicos tradicionais acreditam ter sido um abuso das suas legítimas aspirações. Eu acredito que aqueles que buscam modificar as orientações de Summorum Pontificum para incorporar as mudanças pós-1962 devem ser informados que eles podem livremente fazer uso do Novus Ordo em latim onde a maioria das adaptações já se encontram disponíveis ou podem ser adotadas sem quaisquer dificuldades. O ordinal de 1965 e a “Missa Normativa” de 1967 foram, pela sua própria natureza, apenas estágios transitórios e temporários e perderam qualquer significado particular já que a edição de 1969 o missal romano foi publicada pelo Papa Paulo VI. Não há sentido, consequentemente, em encorajar a adoção dos elementos desses ordos como sendo uma evolução natural e genuína do missal de 1962, que permanece a única expressão legítima da forma Extraordinária do Rito romano, como definido pelo Papa Bento XVI.

Recentemente houve muita publicidade sobre uma carta enviada pela PCED em 1997 e assinada pelo presidente, Cardeal Felici, e pelo monsenhor Perl, secretário. Esta carta permite um número de modificações na celebração do missal de 1962 relativas às leituras, Evangelho, Glória, Credo, Pater Noster e os prefácios do apêndice do Missale Romanum de 1965 e de 1970. Elas, entretanto, estão supressas pelas provisões do Summorum Pontificum. Pois, se o Pontífice desejasse que as antigas provisões litúrgicas fossem observadas, ele teria declarado isso no Motu Proprio de 2007.

No meio de toda essa confusão há, talvez, uma única questão a ser colocada, cuja resposta pode fazer todas as respostas às outras várias perguntas irrelevantes. Mas primeiro é necessário entender o contexto.

O Santo Padre, no Summorum Pontificum, não poderia ter sido mais claro ao afirmar que ele quer dizer e dizer o que ele afirmou. Ele se refere constantemente ao missal de 1962 ou ao missal de 1970. Não há ambiguidade; é uma escolha direta entre um ou outro. Não há meio termo.
Com a plena autoridade de Pedro, o Supremo Legislador declarou que “Nós decretamos”. Ele então declara que o missal do Beato João XXIII:
  • Deve gozar do respeito devido por seu uso venerável e antigo [art. 1];
  • todo sacerdote católico pode utilizar seja o Missal Romano editado pelo beato Papa João XXIII em 1962, seja o Missal Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1970, [art. 2];
  • Nas paróquias o pároco poderá celebrar a Santa Missa segundo o rito do Missal Romano editado em 1962 [art. 5]
A única concessão garantida pelo Papa Bento XVI no Motu Proprio está no artigo 6, quando ele escreve: Nas missas celebradas com o povo segundo o Missal do Beato João XXIII, as leituras podem ser proclamadas também em língua vernácula, usando edições reconhecidas pela Sé Apostólica.

Assim, a intenção do Papa Bento XVI no Motu Proprio é clara – ele é ou o Missal de 1970 ou o Missal de 1962. Sua Santidade se mantém fiel a este tema na sua Carta aos Bispos, que acompanhou o Motu Proprio. Ele afirma que, “a última versão do Missale Romanum antes do Concílio … em 1962 e utilizada durante o Concílio, vai agora ser usada como Forma extraordinária da Celebração Litúrgica.” Ele também afirma que, “Não há contradição entre as duas edições do Missal Romano “, indicando assim, mais uma vez, que, enquanto não há nenhuma contradição, há uma nítida diferença entre os dois missais.

E agora eu venho com o centro do meu argumento. Um indulto é uma permissão ou privilégio garantido pela autoridade eclesiástica competente – a Santa Sé ou o ordinário local, conforme o caso – para uma exceção a uma norma particular da lei da Igreja num caso específico. Tanto a Quattuor Abhinc Annos quanto a Ecclesia Dei Adflicta foram dadas num contexto geral que indicava que o Missal de 1962 havia sido ab-rogado – abolido – depois da publicação do missal do Papa Paulo VI em 1970. Os motivos para Quattuor Abhinc Annos e Ecclesia Dei Adflicta foram bem diferentes. Ecclesia Dei Adflicta (depois da comissão de Cardeais reportar) foi para “pro bono pacis”, mas esse não era o caso da Quattuor Abhinc Annos.

Na sua carta aos bispos, Bento XVI declara:

Quanto ao uso do Missal de 1962, como Forma extraordinária da Liturgia da Missa, quero chamar a atenção para o facto de que este Missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio sempre continuou permitido.

Em Summorum Pontificum ele repete isto com a força da lei e declara:
Por isso é licito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgado pelo beato João XXIII em 1962, que não foi ab-rogado nunca, como forma extraordinária da Liturgia da Igreja. As condições para o uso deste missal estabelecidas nos documentos anteriores “Quattuor abhinc annos” e “Ecclesia Dei”, serão substituídas como se estabelece a seguir.

No caso dos dois documentos, estes indultos foram substituídos a partir da meia noite de 13 de setembro de 2007 e deixaram de ter qualquer força de lei. Eles são redundantes, obsoletos.

O Papa nos deu duas afirmações claras: que o Missal de 1962 nunca foi ab-rogado e que a carta apostólica Summorum Pontificum dada em Motu Proprio substitui os indultos Quattuor Abhinc Annos e Ecclesia Dei Adflicta. Todas as várias permissões e modificações dadas pela PCED foram concedidas no período destes indultos. Pela lógica, entretanto, que se o Missal de 1962 nunca foi ab-rogado e o Santo Padre afirma que as condições prescritas pelos antigos documentos (Quattuor Abhinc Annos e Ecclesia Dei Adflicta) para o uso do missal de 1962 são substituídas com o efeito da meia noite do dia 13 de setembro de 2007, então todas as permissões, interpretações, relaxações, modificações, etc. que se seguiram a Quattuor Abhinc Annos e Ecclesia Dei Adflicta devem também ser “substituídas” com o efeito da meia noite de 13 de setembro de 2007 e não mais serem aplicadas. O Papa clarificou a situação que existia desde 1970 e apagou o quadro dos indultos de 1984 e 1988. O dia 14 de setembro de 2007 trouxe um novo começo na compreensão da lei, um começo baseado em princípios jurídicos e não na concessão de privilégios.

Se aceita-se que todas as concessões e privilégios que foram concedidos no âmbito de Quattuor Abhinc annos e Ecclesia Dei Adflicta foram substituídos pela nova lei, qual, então, é a posição atual? Muito claramente, começamos com um quadro limpo. De 14 setembro de 2007, começamos mais uma vez com o Missal de 1962, intocado e sem modificação ou adaptação. Em sua Carta aos Bispos, o Papa Bento XVI reconhece que algumas mudanças irão ocorrer, mas ele é muito específico;, e ele fala no tempo futuro, não só, no passado. Ele diz:

“o Missal antigo poderão e deverão ser inseridos novos santos e alguns dos novos prefácios. A Comissão «Ecclesia Dei», em contato com os diversos entes devotados ao usus antiquior, estudará as possibilidades práticas de o fazer”.

Por isso, nenhuma mudança pode ser feita no missal de 1962 até a PCED implementar a vontade do Santo Padre e consultar-se “com os diversos entes devotados ao usus antiquior

Alguém pode imaginar que a primeira ação da Pontificia Comissão seria estabelecer uma lista de “entes” a serem consultados. Apenas quando os vários entes forem identificados, o processo poderá começar a estudar as possibilidades práticas de inserir novos santos e novos prefácios. Devemos entrar num período de silenciosa diplomacia e de consulta durante o qual o Missal de 1962 deve permanecer intocado. Engajar-se neste processo corretamente estruturado terá um número de benefícios. Aqueles que temem que o Missal de 1962 será, pouco a pouco, adulterado, como aconteceu durante a década de 1960, devem ser assegurados de que nada vai mudar até que um debate sério tenha ocorrido entre a PCED e aqueles que estão ligados à antiga tradição litúrgica latina, e a PCED será capaz de dirigir-se à tarefa que lhe foi confiada pelo Papa Bento XVI, sem ser inundada diariamente com pedidos de esclarecimentos sobre diversos assuntos, muitos dos quais são triviais e servem apenas para sobrecarregar o pessoal da Comissão e desviá-los do importante trabalho que eles estão lá para fazer.

Adendum

O muito aguardado documento de clarificação, Universae Ecclesiae, foi publicado pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei em 30 de abril de 2011 e foi assunto para muito comentário e análise detalhada na mídia. A Federação Internacional Una Voce acolhe o documento.

Embora alguns tenham comentado que Universae Ecclesiae ainda deixa algumas questões pouco claras, o que está perfeitamente claro é que o Santo Padre tenha restaurado para a Igreja universal o rito romano tradicional, tal como consagrado nos livros litúrgicos de 1962, que as rubricas em vigor em 1962 devem ser rigorosamente observadas, e que o latim e Antiquior Usus devem ser ensinados nos seminários onde há uma necessidade pastoral. E essa necessidade pastoral deve ser determinada por aqueles que desejam beneficiar do Summorum Pontificum e Universae Ecclesiae, e não ser decidida por aqueles muitos com autoridade cujo natural desejo é o de impedir a sua implementação.

A Federação Internacional de Una Voce tem trabalhado paciente e incansavelmente para a restauração da liturgia tradicional por mais de 45 anos e agora está testemunhando uma reivindicação de sua fidelidade à Santa Madre Igreja e à Sé de Pedro. No entanto, os seus membros, os fiéis leigos da Santa Madre Igreja, estão plenamente conscientes de que muitos nas fileiras do clero têm um ardente desejo de frustrar as suas legítimas aspirações de se beneficiar espiritualmente da solicitude pastoral do Papa Bento XVI. Para este fim, nós que somos os beneficiários desses documentos, desejamos afirmar inequivocamente que, apesar de aceitar a vontade declarada do nosso Santo Padre para a inclusão de novos santos e alguns novos prefácios para o Missal de 1962, vamos respeitosa e vigorosamente desafiar qualquer proposta que se desvia para além desses limites claramente definidos e pretende adulterar a integridade desse Missal.

Leo Darroch,
Presidente – Foederatio Internationalis Una Voce.
30 de janeiro de 2012.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Música litúrgica em português: duas antífonas para Comunhão

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O Salvem a Liturgia está oferecendo a seus leitores, em português, as Sete Antífonas Eucarísticas ad libitum, que se podem usar em qualquer Missa do ano litúrgico na Forma Ordinária do Rito Romano. Há poucos dias publicamos a primeira. Neste texto anunciamos a publicação da segunda.


No arquivo PDF de cada antífona o leitor encontrará a melodia da antífona e os versículos de salmos, por extenso, que se cantam em alternância com a antífona.


A primeira antífona é Eu sou a videira, cujo texto são as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jo 15, 5. A segunda antífona é Provai e vede, com texto do Salmo 33.

Para receber as duas antífonas, o leitor enviará um e-mail para o autor deste texto: alfredo arroba salvemaliturgia ponto com - simplesmente solicitando-as. Elas serão enviadas tão prontamente quanto possível.

Em breve deixaremos todas as antífonas disponíveis na internet para download sem necessidade de pedir por e-mail.

Publicadas estas duas, temos ainda cinco para completar a série.

Lembramos que elas podem ser usadas com fins litúrgicos e didáticos, e sua distribuição é livre, mantendo-se o crédito ao apostolado Salvem a Liturgia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Que música se deve utilizar na Comunhão?

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A distribuição da Sagrada Comunhão aos fiéis, na Santa Missa, se acompanha comumente de música. Como toda a música da Liturgia, são prescritas pela Igreja, para este momento, peças musicais específicas, que chamamos informalmente de “comunhões”, cujo nome exato é “antífonas da comunhão”.

Já falamos, aqui no Salvem a Liturgia, sobre a antífona da Comunhão, na série sobre o Próprio. Chega o momento de nos referirmos a ela mais uma vez. A diferença é que nos concentraremos na Forma Ordinária do Rito Romano (introduzida no ano litúrgico de 1970), buscando inclusive propor passos que se podem dar na Liturgia da paróquia em que o leitor assiste à Missa (ou, quem sabe, até mesmo na paróquia em que o leitor celebre a Missa, sendo ele um sacerdote).

A comunhão possivelmente seja um dos primeiros momentos a se abordar na restauração musical das celebrações litúrgicas. Uma vez que o fiel recebe a espécie sagrada, deixa de cantar, se estava cantando até então, e passa a um momento em que se recolhe. A introdução do canto gregoriano (ou também da polifonia, em resumo: a remoção da música errada e indigna) pode favorecer muito essa atmosfera.

O livro litúrgico que contém a música da Missa é o Graduale Romanum, em primeiro lugar. Trata-se verdadeiramente de um livro litúrgico, repito. Nele se encontram as diversas partes da Missa, inclusive a parte que nos interessa neste momento, a Comunhão. De acordo com este livro, a Comunhão se repete em alguns dias, mas em grande parte temos peças musicais específicas para cada dia (especificidade que se torna muito intensa na Quaresma). Para o fiel da Missa de Domingo, importa dizer que a Comunhão do 4º Domingo do Tempo Comum é uma, e a do 5º Domingo é outra e assim por diante.

(Não se pode, neste momento, dizer que isso é difícil e que então temos que usar pop litúrgico repetido toda semana e que o povo conheça da televisão e das bandas católicas. Estamos aqui seguindo uma linha de raciocínio de acordo com os livros litúrgicos e as instruções da Igreja.)

O Graduale Simplex, por sua vez, contém algumas antífonas para a Comunhão que se podem usar durante todo um tempo litúrgico determinado. Por se destinar a igrejas menores, em que normalmente não há cantores treinados para o Graduale Romanum, apresenta melodias mais simples.

Além do Graduale Simplex, o próprio Graduale Romanum de 1974 nos dá uma lista de sete antífonas que podem ser usadas em qualquer Missa. São as chamadas antífonas eucarísticas ad libitum, encontráveis na página 391 daquele livro, ao final do Tempo Comum. Ao procurar essa página, o leitor encontrará apenas a lista das antífonas com o número da página em que cada uma se encontra, porque cada uma delas é a antífona da Comunhão de alguma celebração litúrgica do ano. Além de servirem as suas próprias celebrações, essas antífonas se prestam a qualquer Missa porque seu texto faz referência direta à Eucaristia. Lembremo-nos de que as antífonas de Comunhão não necessariamente falam da Eucaristia (isto é mais exceção do que regra); com freqüência elas se referem ao Evangelho que se leu na Missa, ou se relacionam mais com o tempo litúrgico, ou têm ainda alguma outra relação com a Liturgia do dia.

Apresentam-se a seguir, na ordem em que o Graduale Romanum as lista, as sete antífonas eucarísticas ad libitum. Estão aqui o tempo litúrgico respectivo, a origem do texto, o próprio texto em latim, o texto em português conforme o Missal e o número do Salmo do qual se extraem versículos para alternarem com a antífona, sempre de acordo com o Graduale Romanum (lembrando que durante o Tempo Pascal se acrescenta um Alleluia):

1ª – Ego sum vitis vera (“Eu sou a verdadeira videira”). Esta antífona é do Quinto Domingo do Tempo Pascal. Seu texto é Jo 15, 5: “Ego sum vitis vera et vos palmites; qui manet in me et ego in eo hic fert fructum multum”. Em português: “Eu sou a videira, vós os ramos, diz o Senhor. Quem permanece em Mim e Eu nele dá muito fruto”. Alterna-se com versículos do Salmo 79.

2ª – Gustate et videte (“Provai e vede”). Esta antífona é do 14º Domingo do Tempo Comum, e de toda a 14ª Semana, exceto do Sábado. Seu texto é Sl 33, 9: “Gustate et videte quoniam suavis est Dominus; beatus vir, qui sperat in eo”.  Em português: “Provai e vede como é bom o Senhor; feliz o homem que nEle se abriga”. Alterna-se com versículos do Salmo 33.

3ª – Hoc corpus (“Este corpo”). Esta antífona é da Quinta-feira Santa, e também prescrita para a Solenidade de Corpus Christi no ano C. Seu texto é 1Cor 11, 24.25: “Hoc corpus, quod pro vobis tradetur; hic calix novi testamenti est in meo sanguine, dicit Dominus; hoc facite, quotiescumque sumitis, in meam commeorationem.” Em português: “Este é o Corpo que será entregue por vós; este é o Cálice da Nova Aliança no Meu Sangue, diz o Senhor. Todas as vezes que os receberdes, fazei-o em Minha memória”. Alterna-se com versículos do Salmo 22.

4ª – Manducaverunt (“Comeram”). Esta antífona é do Sexto Domingo do Tempo Comum e de toda a Sexta Semana, exceto da Sexta-feira e do Sábado. Seu texto é Sl 77, 29.30: “Manducaverunt, et saturati sunt nimis, et desiderium eorum attulit eis Dominus; non sunt fraudatia desiderio suo”. Em português: “O Senhor deu-lhes o Pão do Céu; comeram e ficaram saciados”. Alterna-se com versículos do Salmo 77.

5ª – Panem de caelo (“Pão do Céu”). Esta antífona é do 18º Domingo do Tempo Comum e de toda a 18ª Semana, exceto da Sexta-feira. Seu texto é Sab 16, 20: “Panem de caelo dedisti nobis, Domine, habentem omne delectamentum, et omnem saporem suavitatis”. Em português: “Vós nos destes, Senhor, o Pão do Céu, que contém todo sabor e satisfaz todo paladar”. Alterna-se com versículos do Salmo 77.

6ª – Panis quem ego dedero (“O Pão que Eu darei”). Esta antífona é do 19º Domingo do Tempo Comum e de toda a 19ª Semana, exceto do Domingo do ano C. Seu texto é Jo 6, 52: “Panis , quem edo dedero, caro mea est pro saeculi vita”. Em português: “O Pão que Eu darei é a Minha Carne para a vida do mundo”. Alterna-se com versículos do Salmo 110.

7ª – Qui manducat (“Quem come”). Esta antífona é da Solenidade de Corpus Christi, exceto no ano C quando a antífona é “Hoc corpus”, terceira desta lista. Seu texto é Jo 6, 57: “Qui manducat carnem meam, et bibit sanguinem meum, in me manet, et ego in eo, dicit Dominus. Em português: “Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor”. Alterna-se com versículos do Salmo 118.

Observemos o tema eucarístico em todas estas antífonas. Não poderia estar ausente desta lista a antífona da Comunhão de Corpus Christi, justamente a sétima.

Vejamos ainda como se facilitou a presença do canto gregoriano na Missa. Se para um coro ou cantor é difícil demais aprender uma Comunhão diferente toda semana, pode-se estudar algumas destas, ou todas – ou mesmo uma só! Se mesmo estas antífonas forem difíceis, existe o Graduale Simplex, com peças musicais silábicas, do qual o coro não é obrigado a escolher mais do que uma a cada tempo litúrgico. Vê-se que, além de ter mantido o Graduale Romanum e, conforme o pedido do Concílio Vaticano II, elaborado o Graduale Simplex, foi colocado (no caso da Comunhão) um nível intermediário entre eles, a lista das sete antífonas eucarísticas ad libitum.

Nenhum momento da Missa, nem a Comunhão, é hora para música pop, nem rock, nem valsa, nem marcha-rancho, nem canção sertaneja, nem qualquer outro gênero popular. A reforma litúrgica facilitou muito o uso do canto gregoriano. Entretanto, os documentos e os livros não podem cantar por si mesmos nas Missas. Quem precisa fazer isso são as pessoas, e se tantas delas decidiram tomar caminhos heterodoxos na Liturgia, de quem é a culpa?

*

O Salvem a Liturgia oferece a seus leitores as sete antífonas eucarísticas ad libitum em português, em notação gregoriana, incluindo os versículos dos salmos para se alternarem com a antífona respectiva. As melodias são de composição recente, e, embora guardem algumas semelhanças com canto gregoriano, não se limitam a adaptar melodias gregorianas específicas (o que também se pode fazer).

Para receber a partitura gregoriana da primeira antífona, o leitor enviará um e-mail ao autor deste texto no endereço alfredo arroba salvemaliturgia ponto com, solicitando-a. Será então enviada em pdf.

As antífonas seguintes estarão disponíveis muito em breve, e possivelmente sem necessidade de se as pedir por e-mail.

O uso litúrgico (e didático) e a difusão de tais partituras é livre, mantendo-se apenas a menção ao Salvem a Liturgia.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

São Cirilo e São Metódio e a Liturgia vernácula

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Hoje a Igreja celebra a memória dos santos Cirilo (presbítero) e Metódio (consgrado bispo no final de sua vida), monges gregos que evangelizaram os povos eslavos no século IX. Celebravam a Liturgia na língua eslavônia e por isso foram acusados de heresia por alguns bispos francos. Em sua defesa, o Papa João VIII escreveu uma Bula na qual defendia que não era contra a Fé celebrar a Liturgia em línguas vernáculas. Isso mostra que a Igreja, apesar de valorizar o latim como língua oficial e sinal de unidade, nunca anatematizou o Vernáculo como alguns tradicionalistas dizem ao interpretarem erroneamente os Cânones do Concílio de Trento. Segue abaixo o texto da Bula:

"Certamente não é contra a fé e a doutrina cantar a missa em língua eslava, ou ler os santos Evangelhos ou os escritos do Novo ou do Antigo Testamento, bem traduzidos e interpretados, ou cantar os outros ofícios de horas, pois aquele que fez as três principais línguas, o hebraico, o grego e o latim, criou também as outras línguas para seu louvor e sua glória." (Papa João VIII. Bula Industriae Tuae, ano 880. PL CXXVI col. 906. In: KNOWLES, David; OBOLENSKY, Dimitri. Nova História da Igreja. Vol II - Idade Média. Petrópolis: Vozes, 1974, p. 31)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Jovens - futuro da Sagrada Liturgia

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Do blog Oblatvs, da lavra do amigo Pe. Clécio:


Solene Pontifical celebrado na Igreja de San Francisco de Sales em Madri para os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude.

O celebrante é o bispo de Fréjus-Toulon, Dom Dominique Rey, que tive a alegria de conhecer há mais de 10 anos em Toulon, quando lá estive visitando um antigo professor, Pe. Thierry Dassé. Na ocasião, Dom Rey ainda estava mais vinculado aos novos movimentos e falou-me com entusiasmo sobre a Shalom que ele conheceu e levou para sua diocese. Penso que ainda se encontram lá alguns missionários leigos da Shalom.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Missa Pontifical do Arcebispo de Miami

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Fonte: Secretum Meum Mihi

Tradução: Wagner Marchiori

Informe do canal local de Miami CBS 4, de 03 de fevereiro de 2012. A nota contém um vídeo que pode ser visto aquí. Tradução ao espanhol do SMM e ao português pelo Wagner Marchiori para o Salvem.

South Miami (CBS 4) – Mais de mil pessoas lotaram uma igreja de South Miami para uma Missa especial. O arcebispo celebrou uma missa na forma extraordinária do Rito Romano, em latim, pela primeira vez aqui em 40 anos.

Foi um serviço com pompa e cerimônia, com os sacerdotes vestidos com paramentos tradicionais e levando velas. O aroma do incenso e o som dos cantos em latim e as orações encheram a Igreja da Epifania, em South Miami.

“Estamos unidos com nossos antepassados na fé que é uma outra forma de representar a unidade da Igreja”, disse o Arcebispo Thomas Wensi.

A Missa da noite dessa quinta-feira trouxe recordações a Lucy Jackson.

“Quando era mais nova a Missa era sempre em latim, sempre”, disse Jackson.
“Isto não é somente algo nostálgico para os católicos mais velhos. É algo pelo qual os jovens estão fortemente atraídos”, disse o padre Calvin Goodwin, da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, um grupo muito tradicional de sacerdotes que estava visitando a cidade.

Havia pessoas de todas as idades na igreja e Elliot Clemente, de 18 anos, notou muitas diferenças entre essa Missa de quinta-feira à noite e Missa à qual assiste regularmente. Por exemplo: “ as coisas que o sacerdote faz ou as vestimentas usuais.

Durante a Missa, o arcebispo não ficava de frente para a assistência e, em vez disso, olhava para o altar.

Apesar de não entenderem o latim, muitos dos assistentes puderam seguir a Missa.

A multidão era tão grande que acabaram-se os folhetos que ajudavam os fiéis a seguir a celebração.

Do lado de fora da igreja, algumas pessoas ficaram protestando contra a visita do Papa a Cuba. Muitas pessoas que assistiram à Missa crêem que essa visita ajudará a renovar a fé da comunidade do Sul da Flórida.


O site da internet da Arquidiocese de Miami tem a homilía pronunciada por Mons. Wenski durante a Missa, assim como um artigo (artículo) que relata o acontecimento junto com algumas imagens. LiveMass.net tem disponível o vídeo da Missa.

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

D. Francisco Barroso Filho apóia o Salvem a Liturgia

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Recebemos a seguinte mensagem:
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Caros amigos do blog Salvem a Liturgia,
Venho trazer a minha benção e aprovação ao blog Salvem a Liturgia que tanto contribui para a evangelização por meio da internet. Que este blog seja a cada dia mais fonte de estudos e de aperfeiçoamentos na liturgia. Que o povo de Deus saiba preservar a liturgia que muitas vezes no nosso dia a dia é tão criticada e que foi se perdendo com a modernização dos tempos. Sim sabemos que hoje o latim infelizmente foi perdendo o seu uso, já que o Concílio Vaticano II dentro de suas "normas"  colocou as missas na língua dos povos, sim foi um grande avanço, mas não podemos descartar a liturgia tridentina, que muito foi utilizada ao longo dos tempos.

Que o bondoso e misericordioso Deus de a cada um dos escritores deste blog as suas bençãos e graças.

+ Francisco Barroso Filho
Bispo Emérito de Oliveira, MG

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A música intolerável na Liturgia

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Quero convidar o leitor a imaginar comigo uma situação.

Suponhamos uma cerimônia, na Grã-Bretanha, em que seja cantado o tão conhecido hino nacional daquele país, "God save the Queen". O leitor sabe que essa frase significa "Deus salve a Rainha", e que quando o monarca é um homem a frase é "God save the King", "Deus salve o Rei".

Agora o leitor imagine que alguém responsável pela cerimônia queira "dar uma variada", "atrair os jovens", "atualizar-se" ou coisa assim. E então decide substituir o "God save the Queen" pela famosa "Dancing Queen", da banda sueca ABBA.

Afinal, a letra de "Dancing Queen" também fala em Rainha, ora. Está lá. E a Rainha dessa música tem dezessete anos e dança, bem mais atraente do que uma Rainha poderosa e gloriosa como "God save the Queen" pede a Deus. A Rainha do ABBA é menos distante do fiel comum, parece-se mais com a filha ou irmã dele, ou com a própria jovem fiel. Uma Rainha mais aceitável, que não seja melhor que eu em nada.

Não preciso me estender muito na imaginação. O que quero dizer é que as Missas celebradas no Brasil, em sua maioria, realizam substituições do mesmo naipe de trocar "God save the Queen" por "Dancing Queen". Isto é: uma substituição completamente absurda, para a qual ainda se procura achar uma justificativa ("mas a letra fala na Rainha").

Se o exemplo, por ser estrangeiro, estiver distante demais de algum dos leitores, sugiro imaginar uma cerimônia cívica no Exército em que os presentes não cantem o Hino Nacional Brasileiro, mas cantem "Meu país", do Ivan Lins.

A mesma substituição está acontecendo na Liturgia; obviamente este fato não é novo, tampouco acontece apenas no Brasil. Algumas pessoas não percebem que isto é absurdo porque estão dessensibilizadas; muitas delas só conhecem a Missa com a música errada; além da formação litúrgica pobre ou inexistente, e em alguns casos simplesmente distorcida.

As "bandas católicas" que fazem música pop (ou outros gêneros populares) com letras católicas exercem grande fascínio sobre um número não pequeno de fiéis. Eu gostaria de sugerir que esta influência fosse usada pelos seus próprios integrantes no sentido de deixar claro aos fiéis e aos músicos litúrgicos que esse tipo de música não se destina à Liturgia de maneira nenhuma.

Já era terrível a presença, há tempos estabelecida, de gêneros interioranos brasileiros na Missa, como guarânias, valsas, forrós, xaxados, marchas-rancho. Agora acontece esta invasão do pop. Não podemos tolerar esse tipo de situação. O leitor perceba que já se transformou a Liturgia num programa de auditório: se uma música está nas paradas de sucesso, entra. Será que ainda é necessário dizer que a Liturgia não é isso? Por quanto tempo é necessário dizer o óbvio?

Não sei por quanto tempo é necessário dizer o óbvio; mas, uma vez que exista alguém que não saiba, é preciso dizê-lo. E não existe "alguém". Existe uma massa numerosíssima.

Meu apelo é no sentido de:

1 - extirpar da Missa toda peça musical que não utilize o texto correto;

2 - retirar da Missa toda música pop (inclusive das "bandas católicas") ou de gêneros populares (não me refiro ao canto religioso popular encorajado pelo papa Pio XII).

Ainda que se tenha de dar estes passos em etapas, eles certamente levam ao caminho da correta celebração litúrgica. O ganho espiritual será tanto maior quanto mais fiel se for às verdadeiras leis litúrgicas.

Este texto se dedica a falar das coisas que não se devem fazer. Ainda daremos nossa contribuição positiva, propondo as coisas que se devem ou se podem fazer.
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