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domingo, 27 de novembro de 2011

Primeiro Domingo do Advento pelo Beato Cardeal Schuster

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Notas do tradutor: quando o autor do texto fala em "missal atual", refere-se ao que hoje chamamos Forma Extraordinária do Rito Romano, que em sua época era a única e, obviamente, não tinha esse nome. Considerando também que o autor faleceu em 1954, seu "missal atual" não é sequer o de 1962, embora as alterações feitas nesse ano não pareçam ter sido extensas.

No que se refira a este dia litúrgico específico, o Primeiro Domingo do Advento, não há diferença nenhuma. Todos os textos aos quais o autor se refere são exatamente os mesmos que o leitor encontrará no Missal de 1962, na chamada "Missa Tridentina", a Forma Extraordinária do Rito Romano.

Mesmo que o leitor tenha como referência a Forma Ordinária, a leitura lhe será de proveito. Deve considerar o seguinte:

  1. Os textos do Introito, do Gradual, do Alleluia, do Ofertório e da Comunhão são os mesmos em ambas as formas.
  2. O Evangelho da Forma Extraordinária é o mesmo do Ano A da Forma Ordinária. Os anos B e C têm Evangelhos diferentes.
  3. A Forma Extraordinária tem apenas uma leitura, além do Evangelho; ela coincide com a Segunda Leitura da Forma Ordinária, mas só no Ano A. Os anos B e C têm Segundas Leituras diferentes.
  4. A Primeira Leitura da Forma Ordinária não está presente, de nenhuma maneira, na Forma Extraordinária.
  5. São também diferentes as orações do Ofertório e depois da Comunhão.

Finalmente, quanto ao venerável autor: o Beato Ildefonso Schuster (1880-1954), beneditino, cardeal da Santa Igreja Romana, nascido Alfredo Schuster, escreveu importantes textos sobre Liturgia, contidos no seu Liber Sacramentorum - notas históricas e litúrgicas sobre o Missal Romano. Foi arcebispo de Milão, predecessor imediato de Giovanni Montini, mais tarde papa Paulo VI, que abriu o processo de beatificação de dom Schuster.

Foi feito cardeal por Pio XI, e beatificado pelo Beato João Paulo II em 1996. Publicamos hoje um capítulo do segundo tomo dessa obra, no qual o Beato Schuster explica aspectos sobre o Primeiro Domingo do Advento.

A tradução das citações bíblicas em latim foi tomada da Bíblia Ave Maria, e aparece entre colchetes, assim como demais notas do tradutor.

Beato Ildefonso [Alfredo Ludovico], Cardeal Schuster, OSB - do Segundo Tomo de Liber Sacramentorum - Notes historiques et liturgiques sur le Missel Romain: Primeiro Domingo do Advento. Estação em Santa Maria Maior.
O Missal Romano atual começa hoje seu ciclo litúrgico, diferentemente dos antigos Sacramentários, nos quais o ano se abria com a Solenidade do Natal. A razão disto é que a encarnação do Verbo de Deus é o verdadeiro ponto central, a coluna divisória da longa série de séculos percorridos pela humanidade; esta, nos desígnios da divina Providência, ora prepara esta plenitude dos tempos que preludia o feliz dia da redenção, ora, do estábulo de Belém, dirige seus passos em direção ao vale de Josafá, onde o Menino da Manjedoura espera para julgar toda a descendência de Adão, resgatada com seu Sangue precioso. A ordem do missal atual é mais lógica e corresponde melhor a essa nobre concepção da história, que faz da Encarnação o verdadeiro ponto central do drama do universo; entretanto, os antigos, fazendo seus Sacramentários começarem com a festa do Natal, seguiam uma tradição da liturgia primitiva, que até o século IV não conhecia ainda um período de quatro ou seis semanas de preparação a esta grande solenidade.
Foi em meados do século V que, como contragolpe às heresias cristológicas de Nestório, a comemoração do nascimento do Salvador adquiriu uma grande solenidade; e, em Ravena, na Gália e na Espanha, começou a aparecer na liturgia um ciclo especial de preparação para o Natal. A polêmica contra Nestório e Eutiques e os grandes concílios de Éfeso e Calcedônia, onde foi solenemente proclamado o dogma das duas naturezas, divina e humana, na única pessoa do Senhor Jesus, e nos quais foram exaltadas as glórias e prerrogativas da Theotokos, deram um vigoroso impulso à piedade católica ligada ao mistério da Encarnação, que encontrou em São Leão Magno e em São Pedro Crisólogo os pregadores mais poderosos e mais entusiasmados deste mistério da Redenção.
O Sacramentário leonino, tendo sido mutilado, não nos pode ensinar sobre as origens do Advento litúrgico em Roma; mas é provável que o rito da metrópole pontifícia, neste ponto, tenha sido idêntico em substância àquele de Nápoles e da diocese sufragânea de Ravena, onde Crisólogo – embora não se lhe deva atribuir a paternidade das coletas do Advento do famoso rotulus [rolo] de Ravena – pronunciou esplêndidas homilias em preparação à festa do Natal, em quatro ocasiões diferentes.
Há alguns séculos a Igreja romana consagra quatro semanas à celebração do Advento. É verdade que os Sacramentários gelasiano e gregoriano, de acordo com muitos lecionários antigos, enumeram cinco; mas as listas de leituras de Cápua e de Nápoles, e o uso dos Nestorianos, que conheciam somente quatro semanas de Advento, ainda depõem neste ponto a favor da antigüidade da pura tradição romana.
Durante a Quaresma, o que predomina é o conceito de penitência e luto pelo deicídio que se consuma em Jerusalém; durante o Advento, pelo contrário, o espírito da santa liturgia, ao anúncio jubiloso da libertação próxima – Evangelizo vobis gaudium magnum quod erit omni populo ["Eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo"](Lc 2, 10) – é o de um santo entusiasmo, de um terno reconhecimento e de um desejo intenso da vinda do Verbo de Deus aos corações de todos os filhos de Adão. Nosso coração, como o de Abraão que exultavit, diz Jesus Cristo, ut videret diem meum, vidit et gavisus est ["Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia"](Jo 8, 56), deve estar penetrado de santo entusiasmo pelo triunfo definitivo da humanidade, que, pela união hipostática do Cristo, se eleva ao trono da Divindade.
Os cantos da missa, os responsos, as antífonas do ofício divino são, por esta razão, todas coloridas pelo alleluia; parece que a natureza inteira – como a descreveu o apóstolo, na espera da parusia final: expectatio enim creaturae revelationem filiorum Dei expectat ["a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus"](Rom 8, 19) – se exalta pela encarnação do Verbo de Deus que, depois de tantos séculos de espera, finalmente vem sobre esta terra para conferir à obra-prima de suas mãos a perfeição última – Instaurare omnia in Christo ["reunir em Cristo todas as coisas"](Ef 1, 10). A santa liturgia, durante este tempo, recolhe nas Escrituras as expressões mais enérgicas e mais aptas a exprimir o desejo intenso e a alegria com os quais os santos patriarcas, os profetas e os justos de todo o Antigo Testamento apressaram, por seus votos e clamores, a descida do Filho de Deus. Não há nada que possamos fazer melhor do que nos associar a seus piedosos sentimentos, suplicando ao Verbo encarnado que se digne nascer em todos os corações, e estender também seu reino àquelas regiões onde, até o presente, seu santo nome ainda não tenha sido anunciado, cujos habitantes ainda durmam nas trevas e nas sombras da morte.
Parece que a estação deste dia na basílica Liberiana – onde, desde a época de Sixto III se venerava uma reprodução romana do santuário da Natividade em Belém – quer sinalizar aos fiéis o propósito e o fim verdadeiros deste período de preparação e de oração. É lá que nos espera o Praesepe Domini, o berço do Verbo encarnado, que, demonstrando a verdade de sua natureza humana, é também o trono do qual Ele nos dá suas primeiras lições evangélicas sobre obediência, pobreza, mortificação dos sentidos, condenando o orgulho, a sensualidade e o pomposo enganador do mundo.
O Ordo Romanus de Cencius Camerarius nos atesta que no século XII o Papa ainda tinha o hábito de se dirigir a Santa Maria Maior para ali celebrar a missa estacional deste dia. É provável que este uso remonte ao tempo de São Gregório Magno, o reordenador por excelência da liturgia estacional; ainda, seguindo uma indicação de numerosos manuscritos antigos de suas obras, a homilia deste dia sobre o Evangelho, que se lê no breviário, foi pronunciada precisamente em Santa Maria Maior.
A antífona do introito Ad te levavi, com o salmo 24 que a segue, exprime muito bem os sentimentos da humanidade abatida, mas cheia de esperança; ela reza ao Senhor para que a recoloque no caminho que conduz a Belém, sob a verdade e a justiça.
Omite-se o Hino angélico [Gloria in excelsis..., "Glória a Deus nas alturas..."], para retomá-lo com maior alegria na noite de Natal. Entretanto, na Idade Média, o papa o entoava solenemente, neste dia, em Santa Maria Maior, o que combina bem com o caráter de festa de todo o Ofício do Advento.
Na coleta, suplica-se ao Senhor que se levante em nosso auxílio, e, por seu poder, que nos poupe dos perigos aos quais o pecado nos expõe.
A primeira leitura é tirada da epístola de São Paulo aos Romanos (13, 11-14). Depois da tibieza e da letargia espiritual na qual estávamos mergulhados pela prosperidade temporal, agora, ao fim do ano, a Igreja nos tira do sono com as palavras inspiradas do Apóstolo, que, certa vez, fizeram Agostinho converter-se. A noite do século, da ignorância e do pecado já quase terminou; a tocha evangélica, tal como aurora matinal, já doura os cimos dos colles mundi [montes do mundo], e convém que nossas ações sejam dignas, também elas, deste novo tempo de luz e de santidade inaugurado pelo Cristo. A frase lapidar de São Paulo “revestir-se de Jesus Cristo” é tão profunda que não se a pode traduzir ou explicar facilmente. Como o expõem os santos doutores, o divino Salvador, por seus exemplos, seus méritos, seu espírito, deve ser como uma vestimenta sobrenatural para nossa alma, e faz-se necessário que ela reviva, por assim dizer, Jesus, e continue de modo místico sobre a Terra sua encarnação e sua santíssima vida, para glória do Pai.
O responsório gradual, na mesma regra da antiga liturgia, é tomado de empréstimo ao mesmo salmo 24 do qual se tirou o Introito. O versículo aleluiático que, originalmente, seguia a segunda leitura – o Evangelho era a terceira – é tirado do salmo 84 e exprime o desejo de que o Pai nos mostre sua misericórdia e sua salvação, isto é, Jesus encarnado.

Na leitura evangélica deste dia (Lc 21, 25-33), a Igreja relaciona a segunda vinda de Jesus ao fim do mundo, in gloria majestatis suae, com sua primeira aparição em Belém in humilitate passionis, na qualidade de Redentor. Tanto num como noutro caso, ele convida seus eleitos a levantar a cabeça, porque o dia da batalha e da libertação se aproxima. A Igreja se manteve fiel a este chamado: as primeiras gerações cristãs terminavam suas sinaxes com um voto fervente, a fim de que Jesus apressasse a hora de sua última aparição. Amen, veni, Domine Iesu ["Amém, vem, Senhor Jesus"](Ap 22, 20) é, ainda hoje, a fé ardente que apóia a família católica em suas lutas e em suas dores, hi qui diligunt adventum eius ["aqueles que aguardam com amor a sua aparição"](2Tim 4, 8).
São Gregório Magno comentou aos fiéis de Roma a leitura evangélica deste dia naquela mesma basílica estacional de Santa Maria Maior onde ainda hoje nos reunimos; e, para reproduzir nas mais vivas cores a catástrofe final do mundo, ele tomou de empréstimo os elementos de sua descrição a um tremor de terra que, três anos antes, havia derrubado templos e casas, enchendo as almas de terror.
A antífona do ofertório também vem do salmo 24 – o salmo, então, próprio do Primeiro Domingo do Advento – e exprime muito bem seu significado: aquele que espera o Senhor com fé vigilante não será confundido.
A coleta sobre as oblações (Secreta) em sua sobriedade e sua elegante concisão exprime em termos diferentes o antigo conceito que ainda informa a epiclese romana, e suplica ao senhor que a eficácia do Sacrifício eucarístico purifique nossas almas e nos conceda aproximarmo-nos dignamente para receber o seu Autor.
A antífona para a Comunhão é um canto de júbilo e de gratidão, tirado do salmo 84, o mesmo que nos dera o versículo aleluiático. A Eucaristia é o penhor da bondade infinita do Senhor, e nossa terra, antes árida e estéril por causa do pecado, banhada pelo orvalho da graça tem agora o seu fruto.
A coleta de ação de graças depois da santa Comunhão – a verdadeira Eucharistia, no sentido etimológico – se inspira no salmo 47. O pão celeste do qual participamos é aquele que, melhor que qualquer outro, nos disporá por sua virtude divina à preparação conveniente para a festa próxima da redenção comum.
Na baixa Idade Média, no começo do novo ano litúrgico, era um costume disseminado cantar antes do Introito alguns versículos em honra de São Gregório Magno, o inspirado redator do Antifonário que leva seu nome:
Sanctissimus namque Gregorius, cum preces effunderet ad Dominum ut musicum tonum ei desuper in car minibus dedisset: tune descendit Spiritus Sanctus super eum in specie columbae, et illustravit cor eius. Et sic demum exorsus est canere ita dicendo: Ad te levavi etc. 
A célebre seqüência do século XVI, Dies irae, dies illa, antes de ser relacionada com os defuntos (acrescendo-se então o verso final Dona eis requiem. Amen["Dai-lhe o descanso. Amém."]) era cantada hoje antes do Evangelho, como para preparar as almas à terrível narração da catástrofe final descrita por São Lucas.
O homem se compõe de espírito e de carne; aquele se atrai pela verdade e pelo amor; esta somente compreende o bem ou o mal sensível, devendo ser mortificada pela penitência e por um temor salutar dos julgamentos divinos.

sábado, 26 de novembro de 2011

Franciscanos da Imaculada: pobres, mendicantes, mas FIÉIS ao Papa e zelosos pela Liturgia!

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Convite: Missa Solene na forma extraordinária, em São Gonçalo, RJ

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Até Bispos comungam de joelhos!

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Dom Orani João Tempesta, OCist, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro; Dom Karl Josef Romer, Bispo Auxiliar Emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro e Secretário Emérito do Pontifício Conselho para a Família; e Dom Fernando Guimarães, CSsR, Bispo de Garanhus. Todos assistindo a Santa Missa no II Encontro Sacerdotal Summorum Pontificum.

Créditos da foto: Hernan Gouveia.

Novo membro: Daniel Volpato

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Daniel Pereira Volpato, casado, é Mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordena a Pastoral dos Acólitos da Paróquia Santíssima Trindade, em Florianópolis, SC, onde também atua como cerimoniário e acólito não-instituído. E-mail

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Cardeal Koch sobre o Papa Bento XVI acerca da reforma litúrgica

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O texto é antigo, de 16 de maio, mas vale a pena tomar ciência desta tradução da leitora Adriana Rocha. Original do Catholic News Service, tal qual reproduzido no PrayTell - Worship, Wit & Wisdom.

Por John Thavis
 
A 'reforma da reforma' na liturgia promovida pelo papa continua, diz cardeal.

CIDADE DO VATICANO (CNS) – A flexibilização que Papa Bento XVI está fazendo às restrições sobre o uso do Missal Romano de 1962, conhecido como o rito tridentino, é apenas o primeiro passo de uma "reforma da reforma" na liturgia, diz ecumenista do Vaticano.

O objetivo a longo prazo do Papa não é simplesmente permitir que os ritos antigo e novo coexistam, mas para mover-se em direção a um "rito comum" formado pelo enriquecimento mútuo das duas formas de Missa, disse o cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho  Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em 14 de maio.

Com efeito, o papa está lançando um novo movimento de reforma litúrgica, disse o cardeal. Aqueles que resistem a ela, incluindo os progressistas "rígidos", erroneamente enxergam o Concílio Vaticano II como uma ruptura com a tradição litúrgica da Igreja, disse ele.

Cardeal Koch fez as declarações durante uma conferência em Roma sobre o "Summorum Pontificum", a carta apostólica do Papa Bento XVI que em 2007 ofereceu maior espaço para a utilização do rito tridentino. O texto do cardeal foi publicado no mesmo dia pelo L'Osservatore Romano, o jornal do Vaticano.

Cardeal Koch disse que o Papa Bento XVI acha que as mudanças litúrgicas pós-Vaticano II trouxeram "muitos frutos positivos", mas também problemas, incluindo um foco em questões puramente práticas e uma negligência do mistério pascal na celebração Eucarística. O cardeal disse que é legítimo perguntar se os inovadores litúrgicos tinham intencionalmente ido além das intenções declaradas do concílio.

Ele disse que isso explica por que o Papa Bento XVI introduziu um novo movimento reformista, começando com o "Summorum Pontificum". O objetivo, segundo ele, é revisitar os ensinamentos do Vaticano II sobre a liturgia e fortalecer certos elementos, incluindo as dimensões Cristológica e sacrifical da Missa.

Cardeal Koch disse que o "Summorum Pontificum" é "apenas o começo desse novo movimento litúrgico".

"Na verdade, o Papa Bento bem sabe que, a longo prazo, não podemos parar em uma convivência entre a forma ordinária e a forma extraordinária do rito romano, mas que no futuro a Igreja, naturalmente, mais uma vez precisará de um rito comum", disse.

"No entanto, porque uma nova reforma litúrgica não pode ser decidida teoricamente, mas requer um processo de crescimento e purificação, o papa no momento está frisando, acima de tudo, que as duas formas do rito romano podem e devem enriquecer-se mutuamente", disse ele.

Cardeal Koch disse que, àqueles que se opõem a este novo movimento de reforma e o vêem como um retrocesso ao Vaticano II, falta uma compreensão adequada das mudanças litúrgicas pós-Vaticano II. Como o papa tem enfatizado, o Vaticano II não foi uma quebra ou ruptura com a tradição, mas parte de um processo orgânico de crescimento, disse ele.

No último dia da conferência, os participantes assistiram a uma Missa celebrada segundo o rito Tridentino no Altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro. O Cardeal Walter Brandmüller presidiu a liturgia. Foi a primeira vez, em várias décadas, que o rito antigo foi celebrado neste altar. –CNS

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Entrevista de D. Rifan sobre o II Encontro Sacerdotal Summorum Pontificum

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A repórter se confunde e chama “rito extraordinário da FORMA romana”, mas tudo bem… Interessante que D. Rifan explica que o encontro serve mesmo para aqueles padres que celebram na forma ordinária, ou seja, no rito moderno, pós-conciliar, pois se trata de compreender melhor a liturgia e sua essência, e isso ajuda até mesmo a celebrar melhor a “Missa nova”.

Repostagens sobre o Advento

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O Tempo do Advento se avizinha e, nesse sentido, para orientar os nossos diletos leitores, recordamos algumas postagens sobre o tema:

Anotações para o Tempo do Advento - forma ordinária

Sobre as Missas Rorate, no Advento

As cores litúrgicas do Advento
Rosa, cor litúrgica para este III Domingo do Advento
A Coroa do Advento
Mons. Guido Marini em entrevista sobre o Advento

Forma extraordinária: Festa de Santa Teresinha no Seminário da Administração Apostólica São João Maria Vianney

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No dia 3 de outubro deste ano, celebrada a Missa pelo Pe. Gaspar Pelegrini. Foi dada a bênção com a relíquia ao fim da Missa, abençoadas as rosas e distribuídas para veneração pública.


























































































































































































Convite: Solene Te Deum no Dia Nacional de Ação de Graças, no Rio

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Convite

O Governo do Estado do Rio de Janeiro

a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e

a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

têm a honra de convidá-lo e a sua família para o

Solene TE DEUM

que, em comemoração ao

DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS,

será realizado às 11 horas do dia 24 de novembro de 2011,

na Igreja Nossa Senhora da Candelária, na Praça Pio X - Centro - Rio de Janeiro - RJ

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pe. Paulo Ricardo: “O que é a Liturgia das Horas e qual a sua importância?”

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"Cantai a Deus com arte e com júbilo!"

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Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo
(Ps 32, sermo 1,7-8: CCL 38,253-254, Séc.V)



Louvai o Senhor com a cítara, na harpa de dez cordas Salmodiai! Cantai-lhe um cântico novo! (Sl 32,2.3). Despojai-vos da velhice; conhecestes um cântico novo! Novo homem, nova aliança, novo cântico. O cântico novo não pertence aos homens velhos. Somente o aprendem os homens novos, renovados da velhice pela graça e já pertencentes à nova aliança, que é o reino dos céus.

Por ele anseia todo o nosso amor e canta um cântico novo. Cante o cântico novo não a língua mas a vida. Cantai-lhe um cântico novo, cantai bem para ele! Alguém pergunta como cantar para Deus. Canta para ele, mas não cantes mal. Ele não quer que seus ouvidos sejam molestados. Cantai bem, irmãos. Diante de um musicista de bom ouvido, dizem-te para cantar de modo que lhe agrade. Ora se não foste instruído na arte musical,temes cantar para não desagradar ao artista.

Não sabendo que és ignorante, ele te repreenderá. Quem se oferecerá para cantar bem a Deus, a ele que de tal modo julga o cantor, de tal modo examina tudo, de tal modo sabe escutar? Quando poderás apresentar um canto com tanta arte que absolutamente em nada desagrades aos ouvidos perfeitos?

Eis que ele te dá um modo de cantar: não procures palavras, como se pudesses explicar aquilo com que Deus se deleita. Canta na jubilação. É isto cantar bem para Deus, cantar na jubilação. O que é cantar no júbilo? Escuta, não se pode expressar por palavras aquilo que se canta no coração. De fato, aqueles que cantam seja na ceifa, seja na vinha, seja em qualquer outro trabalho cheio de ardor, começam com palavras de cantigas a exultar com alegria; depois, a alegria é tanta que já não podem dizê-la, então abandonam as sílabas das palavras e deixam-se levar pelo som do júbilo.

Júbilo é um som a significar que do coração brota algo impossível de se expressar. E quem merece esta jubilação, a não ser o Deus inefável? É inefável o que não podes falar. E se não o podes falar e não deves calar-te, o que te resta senão jubilar? Alegre-se o coração sem palavras, e a imensidão das alegrias não conheça o limite das sílabas. Cantai para ele com arte e com júbilo (cf. Sl 32,3). 

“Missa é outra coisa!”

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Há alguns dias, no Twitter, usuários católicos, revoltos em sua maioria, com o que vêem em suas comunidades paroquiais, ao chegarem em casa, começaram a tuitar o que a Missa não é e dizendo o que são as discrepâncias vistas. De fato, o que se percebe é um desejo profundo do que a Missa é e deve ser: o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, por amor.

Vale ressaltar que esta postagem é a título de descontração, entretanto, “toda brincadeira tem um fundo de verdade”. Então, fica o convite para os leitores acrescentarem mais a esta lista, em que foram selecionados os mais interessantes tuites. 

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#Missa não é lugar pra exibir cartazes de crianças e adolescentes. O nome disso é Feira de Ciências. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para repouso... o nome disso é cama. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para baixar espírito. O nome disso é terreiro de candomblé! #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para choradeiras e devaneios sentimentalóides. O nome disso é consultório de psicanalista. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para se cantar o que quer. O nome disso é Palco. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para apresentações artísticas. O nome disso é Teatro. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é onde se vai pra ver animação. O nome disso é Cartoon Network. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é aquilo que se vai pra receber cura. O nome disso é hospital. #Missa é outra coisa... 

#Missa também não é festa, nome disso é Buffet. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para encostar no irmão que está do seu lado. O nome disso é metrô no rush. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para se bater palmas ritmadas e fazer coreografias. O nome disso é Broadway. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar pra ir de mini saia. O nome desse lugar é boite. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar pra pedir ao irmão: "Cêis ora"? O nome disso é relógio #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar pra desfiles de carros alegóricos. Nome disso é sambódromo. #Missa e outra coisa... 

#Missa não é lugar para defender a Amazônia. O nome disso é Greenpeace. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de bater palma e sacudir os braços. O nome disso é apresentação musical. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar pra usar havaianas, nome disso praia. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para jogar conversa fora. Esse lugar é o bar. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de ficar reparando no que os outros estão vestindo. O nome disso é janela. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de falar em várias línguas. O nome disso é curso de idiomas. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de deixar criança correr por todo lado. O nome disso é parque. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para cantar: "como Zaqueu..." O nome disso é culto protestante! #Missa é infinitamente outra coisa... 

#Missa não é lugar de se cantar parabéns. O nome disso é festa de aniversário. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para agradar as pessoas. O nome disso é circo. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar pra usar atabaques, nome disso é roda de Capoeira. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de cada um pegar a sua comunhão, o nome disso é self-service. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é encontro social, o nome disso é happy hour. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar pra vender rifa, o nome disso é quermesse. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de leigo fazer homilia. O nome disso é desobediência #Missa é outra coisa.... 

#Missa não é lugar de passar filme. O nome disso é cinema. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para bateria, guitarra e baixo. O nome disso é show. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de curtição. O nome disso é Facebook. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar para sorteio de prendas. O nome disso é bingo. #Missa é outra coisa... 

#Missa não é lugar de queimar papéis. O nome disso é Conclave. #Missa é outra coisa...

#Missa não é lugar para defender teses pessoais. O nome disso é TCC. #Missa é outra coisa...

#Missa não é lugar para treinar a leitura de crianças. O nome disso é escola. #Missa é outra coisa...

#Missa não é lugar se você quer sorrir, dançar e brincar. O nome disso é Patati & Patatá. #Missa é outra coisa...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Fotos: Missa em rito carmelita no Rio

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Celebrada pelo Fr. Tiago de São José, ECarm, na Igreja do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro, no dia 17 de novembro passado, por ocasião do II Encontro Summorum Pontificum.

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O Dies Irae na última semana do ano litúrgico

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O poema latino Dies Irae foi adotado, pela Liturgia do Rito Latino, para a Missa dos Fiéis Defuntos. Este famoso texto se lê ou canta logo antes do Evangelho na Forma Extraordinária do Rito Romano. A reforma litúrgica de 1969-1970 o retirou da Missa, de modo que, assistindo à celebração da Forma Ordinária da Missa dos Fiéis Defuntos, o fiel vivo não o ouvirá.

Não é minha intenção, neste texto, discutir se a reforma litúrgica fez bem em tirar o Dies Irae da Missa dos Mortos; discussão, aliás, que os católicos podem empreender, certamente, dentro dos justos limites. Sabemos que muitos conhecedores da Liturgia advogam a introdução deste texto na Forma Ordinária.

O Dies Irae está ausente da Forma Ordinária da Missa, mas continua presente na Liturgia, e não apenas na Missa dos Fiéis Defuntos da Forma Extraordinária. A reforma litúrgica aprovada pelo papa Paulo VI o transferiu para o Ofício Divino, a que chamamos também Liturgia das Horas. Tornou-se um hino utilizado na última semana do Tempo Comum, e somente nela.

Se isto foi um “rebaixamento” do Dies Irae, também não me preocupa discutir, neste momento. O que nos interessa é que a sua presença na última semana do Ano Litúrgico está longe de ser arbitrária. O fim do Ano Litúrgico nos faz pensar também no fim dos tempos, e ao fim dos tempos está também ligado o Dies Irae, cujas palavras não se limitam simplesmente à meditação do tempo imediato da morte de um indivíduo, mas referem-se também à sua ressurreição, no futuro, ao juízo, e ao fim do mundo.

Já na Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, no Domingo, a primeira leitura do Ofício das Leituras é tomada do Livro do Apocalipse (Ap 1, 4-6. 10. 12-18; 2, 26. 28; 3,5b. 12. 20-21). Nessa mesma data, e nesse mesmo Ofício, ambos os Responsórios têm temas escatológicos, sugerindo também a primeira vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Primeiro Responsório do Ofício das Leituras da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo – Mc 13, 26-27; Sl 97 (98), 9b
R. Verão o Filho do Homem descer,
Das nuvens, com glória e poder
E Ele há de enviar anjos seus,
* E congregará seus eleitos de todos os cantos do mundo,
Dos confins mais distantes da terra
Aos extremos mais altos dos céus.
V. Julgará o universo com justiça,
Regerá as nações com eqüidade.
* E congregará seus eleitos de todos os cantos do mundo,
Dos confins mais distantes da terra
Aos extremos mais altos dos céus.
Segundo Responsório do Ofício das Leituras da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo – Ap 11, 15b; Sl 21 (22), 28b-29a
R. Instalou-se sobre o mundo a realeza,
A realeza do Senhor e de seu Cristo;
* E ele reinará na eternidade.
V. Pois ao Senhor é que pertence a realeza,
Ele domina sobre todas as nações;
Todos os povos e famílias das nações
Se prostrem adorando diante dele.
* E ele reinará na eternidade.
A meditação mais específica sobre a morte aparece nesta semana, na Liturgia das Horas, também por meio da impressionante segunda leitura do Ofício das Leituras da Sexta, um trecho do Tratado sobre a morte, de São Cipriano:
Lembremo-nos de que devemos fazer a vontade de Deus, e não a nossa, de acordo com a oração que o Senhor ordenou ser rezada diariamente. Que coisa mais fora de propósito, mais absurda: pedimos que a vontade de Deus seja feita e quando Ele nos chama e nos convida a deixar este mundo, não obedecemos logo à sua ordem!
O leitor pode conhecer o texto inteiro na segunda página deste documento.

Certamente que a realeza de Cristo está presente em toda essa semana litúrgica, sejam o fim dos tempos e a morte mencionados ou não.

Por sua vez, o Dies Irae aparece como hino do Ofício das Leituras, de Laudes e das Vésperas. Não inteiro em cada um deles, mas distribuído, cantando-se ou se recitando uma terça parte do texto completo em cada um desses ofícios. Ademais, sua presença ocorre nos dias de semana, de Segunda a Sábado, mas não no Domingo, Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, dotada de hinos próprios.

Três alterações foram realizadas no texto do Dies irae para inclusão na Liturgia das Horas:

  1. Foi retirada a última estrofe, "Pio Senhor Jesus, dai-lhe o descanso eterno", que havia sido originalmente acrescentada para se usar o Dies Irae na Missa dos Defuntos;
  2. Foi acrescentada uma estrofe com uma invocação à Trindade (Doxologia), maneira pela qual normalmente terminam os hinos: O tu Deus majestatis / alme candor Trinitatis / nos coniunge cum beatis. Amen. [Ó, Vós, Deus de majestade / esplendor da Trindade / contai-nos entre os eleitos];
  3. Modificou-se o verso Qui Mariam absolvisti [Vós, que absolvestes Maria], que se tornou Peccatricem qui solvisti [Vós, que absolvestes a pecadora].
O Beato Cardeal Schuster escreve que o Dies Irae, antes de ser associado à liturgia fúnebre, foi utilizado pela Igreja no Primeiro Domingo do Advento como seqüência, isto é, antes do Evangelho. O Primeiro Domingo do Advento se segue ao Domingo de Cristo Rei, depois da reforma litúrgica, e assim podemos constatar que a presença do Dies Irae na Liturgia da última semana do Tempo Comum tem raízes num uso antigo: o de associar este texto não apenas à liturgia dos falecidos, mas também à do fim do ano litúrgico e à de seu imediato início, momentos em que são mais numerosas as meditações sobre o fim do mundo e as vindas de Nosso Senhor Jesus Cristo, tanto a primeira como a segunda.

A versão do Dies Irae em português utilizada no Brasil, constante do livro litúrgico oficial da Liturgia das Horas, é assim:
Ofício das Leituras
Dia de ira, aquele dia, será tudo cinza fria: diz David, diz a Sibila.
Que temor será causado, quando o Juiz tiver chegado, para tudo examinar!
Correrão todos ao trono quando, em meio ao eterno sono, a trombeta ressoar.
Morte e mundo se espantam, criaturas se levantam e ao Juiz responderão.
Vai um livro ser trazido, no qual tudo está contido, onde o mundo está julgado.
Quando Cristo se sentar, o escondido vai brilhar, nada vai ficar impune.
Vós, ó Deus de majestade, vivo esplendor da Trindade, entre os eleitos nos contai.
Laudes
Eu, tão pobre, que farei? Que patrono chamarei? Nem o justo está seguro.
Rei tremendo em majestade, que salvais só por piedade, me salvai, fonte de graça.
Recordai, ó bom Jesus, que por mim fostes à Cruz, nesse dia me guardai.
A buscar-me vos cansastes, pela cruz me resgatastes, tanta dor não seja vã.
Juiz justo no castigo, sede bom para comigo, perdoai-me nesse dia.
Pela culpa, se enrubesce o meu rosto; ouvi a prece e poupai-me justo Deus.
Vós, ó Deus de majestade, vivo esplendor da Trindade, entre os eleitos nos contai.
Vésperas
A Maria perdoando e ao ladrão na cruz, salvando, vós me destes esperança.
Meu pedido não é digno, mas, Senhor, vós sois benigno, não me queime o fogo eterno.
No rebanho dai-me abrigo, arrancai-me do inimigo, colocai-me à vossa destra.
Quando forem os malditos para o fogo eterno, aflitos, entre os vossos acolhei-me.
Dum espírito contrito escutai, Senhor, o grito: tomai conta do meu fim.
Lacrimoso aquele dia, quando em meio à cinza fria levantar-se o homem réu.
Libertai-o, Deus do Céu! Bom Pastor, Jesus piedoso, dai-lhe prêmio, paz, repouso.
Vós, ó Deus de majestade, vivo esplendor da Trindade, entre os eleitos nos contai.

Em Portugal se utiliza uma versão um pouco diferente:
I
Dia de ira, aquele dia, volve o mundo em cinza fria: diz David e a Sibila.
Que terror não há-de haver, quando Deus comparecer para julgar com rigor!
Nos sepulcros ressoando, vai a tuba convocando os mortos a tribunal.
A terra inteira estremece, quando o homem comparece para o juízo final.
Um livro será trazido em que tudo está contido para o mundo ser julgado.
Quando o Juiz Se sentar, tudo se há-de revelar: A justiça e o pecado.
Jesus, Deus de majestade, vivo esplendor da Trindade, contai-nos entre os eleitos.
Amen.
II
Pobre de mim, que direi, que patrono invocarei ao ver o justo em temor?
Rei de excelsa majestade, que salvais só por bondade, salvai-me no vosso amor.
Recordai-Vos, bom Jesus: por mim deixastes os Céus, não me condeneis então.
A buscar-me Vos cansastes, pela Cruz me resgatastes: tanta dor não seja em vão.
Justo Juiz do castigo, usai de graça comigo antes de chegar o fim.
Como réu envergonhado, sinto-me tremer, culpado: tende compaixão de mim.
Jesus, Deus de majestade, vivo esplendor da Trindade, contai-nos entre os eleitos.
Amen.
III
A pecadora absolvendo e o bom ladrão acolhendo, grande esperança me dais.
Embora não seja digno, vós me livrareis, benigno, dos tormentos infernais.
Entre os cordeiros contado, dos precitos separado, ponde-me à vossa direita.
Repelidos os malvados e a vivas chamas lançados, suba eu à pátria eleita.
Com profunda contrição imploro o vosso perdão: ajudai-me na agonia.
Quando nesse triste dia, das cinzas em que jazia, ressurgir o homem réu, perdoai-lhe, Deus do Céu.
Jesus, Deus de majestade, vivo esplendor da Trindade, contai-nos entre os eleitos.
Amen.
Os irmãos portugueses poderão me corrigir, se não for realmente este o Dies Irae de seu livro litúrgico; minha fonte é esta: http://www.liturgia.pt/lh/pdf/0635Sem34.pdf, do site www.liturgia.pt.

Ambas as versões em português utilizam o esquema de rimas AAB, diferente mas próximo do original AAA. Na versão usada em Portugal ocorrem diversas rimas entre os terceiros versos de estrofes contíguas. A métrica também está muito próxima, e fica possível cantá-las com a mesma melodia do Dies Irae gregoriano, feitos pequenos ajustes.

Por falar no Dies Irae gregoriano, não é demais lembrar que se trata de uma das melodias mais conhecidas deste gênero de música. Uma curiosidade é que, de tão marcada que ficou na cultura ocidental, foi utilizada por alguns compositores, em meio a suas obras, principalmente românticas, para simbolizar a morte; tal é o caso da Totentanz [Dança dos mortos] de Franz Liszt (1811-1886), que já no início faz ouvir o Dies Irae em atmosfera aterradora. Outra composição muito conhecida é a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz (1803-1869), cujo contexto é igualmente de romantismo um tanto mórbido.

Eis o Dies Irae gregoriano:



Em 2011 a última semana do ano litúrgico começou ontem, 20 de Novembro, com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. Assim, o Dies Irae seria utilizado na Liturgia das Horas entre os dias 21 e 26 de Novembro. Seria?

Sim; tal seria o caso se todos os dias desta semana fossem comuns. Entretanto, ocorrerão algumas celebrações litúrgicas de grau superior, levando precedência sobre os dias "normais". Hoje mesmo, 21 de Novembro, é a Memória da Apresentação de Nossa Senhora; amanhã, 22 de Novembro, ocorre a Memória de Santa Cecília; na Quinta-feira, 24 de Novembro, temos a Memória de Santo André Dung-Lac e seus companheiros. Todas essas celebrações são obrigatórias, possuindo seus próprios hinos. Em 2011, portanto, o Dies Irae será utilizado na Quarta-feira, na Sexta-feira e no Sábado, dias 23, 25 e 26 de Novembro. Sem nos esquecermos de que no fim da tarde do Sábado já se celebram as Primeiras Vésperas do Domingo, iniciando-se um novo ano litúrgico com o Primeiro Domingo do Advento.

domingo, 20 de novembro de 2011

A respeito de pretéritas particularidades hispanas do traje coral prelatício I

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Do excelente blog histórico e litúrgico de Espanha Inter Vestibulum et Altare, trazemos o texto do seu fundador, Pablo Pomar, traduzido pela leitora e amiga Juliana F. Ribeiro Lima:
image  Hoje vemos nas atuais cerimônias papais em Roma uma uniformidade formal e cromática impressionante entre os trajes dos bispos, arcebispos e cardeais. Uniformidade apenas quebrada – como sendo a exceção a confirmar a regra – pelos prelados de ritos orientais, com suas sugestivas particularidades, que mantém quase como um sinal de identidade. Mas nem sempre foi assim. Às diferenças de cor que caracterizavam os prelados religiosos e que duraram até 1969 (NdT: data da reforma litúrgica de Paulo VI e que resultou no novo rito da missa além das mudanças nos trajes eclesiásticos como fala o autor) devemos acrescentar a carta “dos roxos” que suspenderia a assistência coral em qualquer cerimônia de bispos vindos de diferentes partes do mundo. Isso durou até que um decreto da Sagrada Congregação Cerimonial de 24 de junho de 1933 estabelecesse, com um pedaço de tecido, que qualquer um poderia ver, anexo às páginas da Acta Apostolicae Sedis, onde se reproduz o decreto, qual era o tom preciso do roxo episcopal de suas Excelências Reverendíssimas e que a partir daquele momento seria assimilado pelo paonazzo romano. É que como não se tratava de uma cor primária, como o vermelho dos cardeais, mas antes era uma combinação de azul e vermelho, isso havia propiciado haver tantos tons de roxo quantos bispos existiam na época.

Os bispos espanhóis haviam interpretado a cor violácea como uma composição cromática em que havia muito mais azul que vermelho, chegando a situações em que encontrávamos exemplos de que o tom das vestes era tão celeste como o céu de uma manhã primaveril. As galerias de retratos dos palácios episcopais, seminários e catedrais da Espanha estão cheios de exemplos assim. Agora, muito embora essa seja uma diferença notável em relação ao uso romano, isso não era uma particularidade dos bispos hispanos, já que vemos azuis semelhantes em batinas, capas, manteletas e murças em prelados de outros países, como os franceses, por exemplo. E ainda existiam na Espanha interessantes particularidades no corte e uso entre as muitas peças que compõem o traje coral episcopal e cardinalício. Vamos por partes.
image
Enquanto a batina, a faixa e a murça tem-se pouco ou nada a dizer, com exceção do amplo uso da murça por todos os bispos, em conjunto com a manteleta, que ficava por baixo. Assim como faziam os cardeais em Roma sempre que a Sede não estivesse vacante, os bispos espanhóis se acostumaram a vestir por cima do roquete a manteleta e por cima dela, a murça. Então, se o uso romano e geral previa que o bispo usasse a murça dentro do território da sua jurisdição e a manteleta fora dele, na Espanha o costume era mais simples, já que todos usavam tudo, sendo que ambas as peças – uma sobre a outra – eram as que usavam também os bispos auxiliares, contrariamente ao uso geral de se usar só a manteleta. A colegialidade pátria avant la lettre.
image  A partir do Congresso Eucarístico Internacional de Barcelona se foi introduzindo na Espanha o já mencionado  costume geral, que seria logo consolidado no Concílio Vaticano II e que duraria bem pouco, já que desapareceria, pois na segunda sessão do concílio se pediu aos bispos que depusessem a manteleta e usassem a murça em sinal de jurisdição colegial e finalmente, quando em 1969, seu uso fosse ab-rogado pela revolucionária Ut sive sollicite. Por isso podemos qualificar de muito feliz e surpreendente a idéia do primaz espanhol de resgatar o uso simultâneo da murça e manteleta. Ele o fez ou por uma improvável queda pelas vestimentas tradicionais hispânicas ou simplesmente para combater o rígido frio pucelano.

Temos que dizer ainda, que o mantelete hispano difere do romano, pois enquanto este último deixava à vista o forro vermelho, o hispano não o fazia e contava com casas e botões decorativos, desconhecidos fora da Espanha e que também se foram perdendo por lá, ao longo do século XX, à medida que os prelados espanhóis iam se “romanizando”. Ainda que não houvessem regras fixas, como pudemos comprovar ao ver retratos históricos, como o do Cardeal Niño de Guevara, que sempre houveram prelados hispanos que preferiam adotar como traje coral o modelo romano.
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E por fim, a capa magna, essa soleníssima peça que já hoje os bispos não usam mais em suas dioceses, nem nas festividades mais solenes – na minha, não a vemos desde 1980 – seria o item que gozaria de maiores particularidades com relação ao modelo romano. Um bom conhecedor dessas peças disse que as diferenças eram que a romana era de proporções generosas, chegando ao cotovelo e, às vezes, ultrapassando-o. Não tem dobras laterais e nem alamares nos ombros e o capuz, que é bem menor, se abotoa no ombro direito. A capa hispana é mais curta que a romana, na frente se parece um grande babador , com os lados dobrados e mostrando parcialmente o forro, tem alamares e o capuz termina atrás do pescoço. O capuz romano é totalmente coberto de pelos na sua versão de inverno, o hispano é somente o babador e o interior do capuz. A capa romana é redonda e chega aos pés, como uma casula antiga larga, e o bispo tem que recolhê-la para caminhar. A capa hispana é uma capa aberta, com veios do forro à vista. Ambas terminam com uma larga cauda. Com certeza, ela é uma peça que, com exceção da cauda, é em tudo semelhante às antigas capas de coro dos nossos cônegos espanhóis, que sem dúvida a copiaram. Hoje podemos ver a cópia, mas não o original.


sábado, 19 de novembro de 2011

Padre Zuhlsdorf: sobre o fim do ano litúrgico e o começo do novo

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Ontem, 18 de Novembro, escreveu o padre John Zuhlsdorf (padre Z) a respeito do fim do ano litúrgico e o começo do novo (o original pode ser lido neste link):


No calendário novo, pós-conciliar, focamos o fim dos tempos na Festa de Cristo Rei. No calendário antigo, tradicional, não ocorre nenhuma festa litúrgica especial neste Domingo, apontando uma inquebrável continuação no ciclo pelo qual a Igreja representa os mistérios da salvação.
Ao mesmo tempo em que aguardamos a Segunda Vinda do Senhor – e é disso que se trata o Advento, a propósito; a Segunda Vinda, da glória e do julgamento – nós a tememos.
Os primeiros cristãos rezavam ansiosamente “Vinde! Senhor, vinde!”. Nos séculos posteriores esta ânsia deu lugar à sóbria percepção do que sofreremos no dia da Sua Vinda. Eles rezavam em direção ao Oriente, de onde acreditavam que o Senhor retornaria. Rezavam em jubiloso temor, em medo confiante do Senhor, o que é um começo de sabedoria.
Ambas estas atitudes nos podem ajudar, em nossos dias, a nos preocuparmos, temerosamente confiantes, sobriamente jubilosos, com o encontro que teremos com o Senhor quando Ele voltar.
O último dia de tua vida será uma antecipação da Segunda Vinda. Como escreveu Agostinho: Qualis in die isto quisque moritur, talis in die illo iudicabitur (ep. 199.2). Na morte, tua vida será desnudada. Na Sua Segunda Vinda, o Senhor desnudará todas as coisas. Tudo aquilo que toleramos na vida com paciente perseverança e, às vezes, sofrimento, será explicado.
Santo Agostinho explicou que os juízos do Senhor nos são obscuros agora; entretanto, mais tarde ficarão claros.
A justiça nesta vida é imperfeita. Na vida futura, ela será aperfeiçoada.
Tudo que Deus permite que aconteça aqui e agora terá suas razões explicadas. Veremos finalmente a justiça perfeita mesmo detrás daquilo que agora é oculto e desafiador.
O ano da Igreja nos apresenta, novamente, os mistérios imutáveis da nossa salvação. Mas a cada ano ficamos um pouco diferentes e mais próximos do momento quando a justiça oculta e os julgamentos do Senhor serão revelados.
Não te contentes em vagar pelo caminho da sua vida, rumo ao julgamento, com o mesmo conhecimento da Fé salvadora que possuías ao terminares o catecismo, quando criança.
Não permaneças frio nesse caminho sem o calor das obras de misericórdia.
Vive em alegria sóbria, ou sobriedade jubilosa quanto ao estado de tua alma enquanto segue o caminho rumo à Vinda do Senhor por meio dos misteriosos anos de espera da Santa Igreja.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Beleza e renovação da cultura católica - pelo Pe. Thomas Kocik, do Novo Movimento Litúrgico do

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Tradução da leitora Adriana Rocha
Original em The Way of Beauty

por DAVID CLAYTON em 24 de julho de 2011
Segue curto discurso de abertura dado em um simpósio de artistas católicos que ocorreu recentemente na Thomas More College of Liberal Arts (Faculdade Thomas More de Artes Liberais). É uma mensagem de grande esperança para o futuro da cultura católica.

Padre Thomas Kocik, colaborador do site New Liturgical Movement e ex-editor de Antiphon, a revista da Society for Catholic Liturgy, presidiu o debate. Ele é um sacerdote na diocese de Fall River, Massachusetts. Em sua palestra ele abordou o assunto central de qualquer discussão sobre o re-estabelecimento da cultura. Como ele apontou, a palavra "cultura" deriva do latim cultus, que significa aquilo que nós prezamos ou adoramos. A cultura Cristã é, portanto, centrada em Cristo, a beleza encarnada de Deus. "Fonte e ápice da vida Cristã" (Lumen Gentium, nº 11) e, portanto, da cultura Cristã, é a Liturgia: Santa Missa, os sacramentos, as diferentes horas de oração que santificam todo o dia. Na oração litúrgica, arte e cultura - na verdade toda a atividade humana – encontram seu verdadeiro significado; pois no centro da liturgia está Cristo, fonte e ápice de toda a esperança humana.

O texto completo da sua palestra segue aqui:


"O Concílio Vaticano II descreve a Sagrada Liturgia como" o ápice para a qual se dirige a  atividade da Igreja" e "ao mesmo tempo", como "fonte a partir da qual flui todo o seu poder" (SC 10).

Todo o poder da Igreja brota da Sagrada Liturgia: a partir do Santo Sacrifício da Missa, dos sacramentos, e da incessante rotina da oração litúrgica oferecida a cada dia pela Igreja. Se a pessoa não nutrir-se desta fonte de energia, pelo menos, na Missa Dominical e através da confissão regular, a vida de graça que lhe é dada no batismo definhará. Ele corre o risco da morte espiritual.

A Sagrada Liturgia é o ápice para o qual toda a atividade Cristã - tudo! - se dirige. Toda a atividade humana: vida política, vida familiar, vida social, trabalho, lazer, artes, atos de caridade e compaixão, mesmo as nossas lutas e sofrimento, encontram seu verdadeiro significado e realização quando oferecidos a Deus e unidos ao sacrifício de Cristo , o sacrifício da Missa.
Esta, então, é a razão pela qual somos obrigados (para nosso próprio bem) a nos reunir para a oração litúrgica: oferecer todos os aspectos de nossas vidas a Deus e receber dEle tudo o que precisamos para perseverar no serviço alegre a Deus e ao próximo.

Agora, enquanto a Missa Dominical é o mínimo, eu lembraria que uma vida Cristã, de qualquer cultura, que não é permeada pela oração é deficiente. Outra palavra para adoração é "culto" e não é por acaso que a palavra dá origem à palavra "cultura". Em certo sentido, nossa cultura é uma expressão do que nós adoramos - pense em qualquer das chamadas "figuras de culto." E assim, a cultura Cristã é uma cultura em que Cristo é adorado, louvado, amado e venerado.
Embora possa ser possível participar na Sagrada Liturgia apenas uma vez por semana, podemos, no entanto, manter o nosso espírito de adoração vivo através da oração. Alguns fazem isso rezando partes da oração da Liturgia das Horas, e não poderia haver melhor oração para uso diário. Outros fazem-no com orações, como o Ângelus, o que eleva a mente e o coração a Deus pela manhã, tarde e noite. Existem muitas outras maneiras de fazê-lo. A questão é que ela é feita, como o agricultor na famosa pintura de Millet, L'Angelus, entre os deveres e as distrações de nossos diferentes estados na vida presente, paramos e rezamos. Quando fizermos isso, teremos feito mais uma coisa para ajudar a trazer uma restauração da cultura Cristã, em nós mesmos e em nossa sociedade.

É muito fácil para nós a lamentar a perda da cultura Cristã e ser arrastados para baixo pelo secularismo que nos rodeia, e do qual às vezes até mesmo a Igreja não está imune. Mas não devemos esquecer quem somos: somos Cristãos; foi-nos dado o dom de Deus, o Espírito Santo através do nosso Batismo e da Confirmação. Somos um povo constituído pela fé, esperança e caridade. Sim, o nosso tempo apresenta seus desafios, mas que tempos não os apresentaram? A cultura Cristã foi lentamente construída ao longo de séculos, desde a fundação da fé e do testemunho de um punhado de indivíduos que pessoalmente encontraram Cristo ressuscitado e que deram tudo para proclamá-Lo como o Caminho, a Verdade e a Vida. Talvez tenhamos perdido muito nas últimas décadas; mas a nossa tarefa não é lamentar. É crer, esperar, rezar e trabalhar com integridade para uma renovação de todas as coisas em Cristo. Se os apóstolos e primeiros discípulos poderiam lançar as bases para a cultura Cristã, nós também podemos. Eles também tiveram que lidar com uma cultura predominantemente hostil que não conhecia a Cristo. Eles também, ao confessar um relacionamento com a pessoa de Jesus Cristo, foram recebidos com ceticismo e, por vezes, violenta hostilidade. E ainda, com a ajuda de Deus, eles mudaram o curso da história e influenciaram a cultura de incontáveis povos.

Vamos, portanto, não antepor nada ao opus Dei, à obra de Deus, à Sagrada Liturgia. E vamos sempre estar confiantes do bem que seguir este preceito pode nos render."
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