sábado, 7 de agosto de 2010
Primeira Missa - Pe. Horácio - Arquidiocese de Aracaju
Beato Cardeal Schuster: A Santa Liturgia, suas divisões e suas fontes, parte II
A primeira parte deste texto está publicada neste link. Hoje publicamos a segunda. A terceira e a quarta (final) aparecerão nos próximos dois Sábados. Até lá, não deixe de visitar o Salvem a Liturgia, pois trazemos novidades diariamente.
Na qualidade de ciência, a Liturgia tem seus cânones, suas leis, suas subdivisões, como todas as outras ciências, e particularmente como a teologia positiva, com a qual possui muitas afinidades, tanto por método como por objetivo. Ela se propõe, de fato, a estudar sistematicamente o culto cristão, ditinguindo e classificando as diferentes fórmulas litúrgicas de acordo com o tipo específico de cada família, ordenando-as de acordo com as diversas datas de redação, instituindo exames e comparações entre os diferentes tipos, a fim de descobrir nelas seu esquema de origem em comum. Somente assim é que se pode chegar a um tronco único das liturgias aparentemente irredutíveis, como, por exemplo, a romana, a galicana e a hispânica; e sem isto não se chegaria a compreender como a unidade do símbolo da Fé não teria como conseqüência imediata a unidade primitiva de sua expressão litúrgica. Ao contrário, estudos recentes e pesquisas minuciosas e pacientes descobriram em todas as liturgias, mesmo naquelas que se diferenciam muito umas das outras, um substrato comum. Às vezes um conceito idêntico se exprime por fórmulas rituais e numa linguagem completamente diferentes, mas não se pode mais duvidar que as liturgias orientais e ocidentais derivam, todas, de um tronco único, antiqüíssimo, que forma como a base e o ponto de apoio da unidade católica no culto eclesiástico.
Entre as fontes para o estudo da santa liturgia, umas são diretas, outras são indiretas. À primeira espécie pertencem as publicações antigas e recentes das anáforas orientais e os diferentes sacramentários latinos. Recentemente [NT: a edição que usamos do texto do beato é de 1925], o príncipe Maximiliano de Saxe empreendeu a publicação, em fascículos, de diversos textos das Missas orientais, siro-maronita, caldaica, grega, armênia, siríaco-antioquena, e não são escassos os bons estudos e comentários sobre quase todos os livros litúrgicos orientais editados até o presente.
Entre as fontes ocidentais, é preciso mencionar especialmente os sacramentários leonino, gelasiano e gregoriano; os Ordines Romani, o Missale gothicum, o galicano antigo e os livros litúrgicos moçárabes. Se nos damos conta de seu desenvolvimento cronológico e de suas relações etnográficas, podemos agrupá-los aproximadamente da seguinte maneira:
Fontes litúrgicas da era imediatamente posterior aos tempos apostólicos: Didaké, Primeira Epístola de São Clemente, Epístola de Santo Inácio
Século II: liturgias ocidentais, São Justino, fragmento latino palimpsesto de Verona, Tertuliano
Século III: Canones Hippolyti
Século IV: Liturgias:
1-) Orientais antioquenas:
Siríaca – catequeses de São Cirilo; constituições apostólicas; liturgia grega de São Tiago; liturgia siríaca de São Tiago; liturgia de São Basílio; litrugia de São João Crisóstomo (grega; armênia)
Nestoriana da Pérsia e da Mesopotâmia – anáfora de Bickell (século VI); liturgia dos Santos Adai e Mari; anáfora de Teodoro de Mopsuesto; de Nestório, etc.
2-) Alexandrina:
Eucologia de Serapion – liturgia grega de São Marcos.
Liturgias coptas – São Cirilo de Alexandria (liturgia abissínia; XII apóstolos); São Gregório de Nazianzo; São Basílio.
3-) Latinas:
Românica – milanesa (Áquila; Ravena); galicana; hispânica; céltica.
Este esquema apresenta exclusivamente as grandes linhas de classificação de diferentes famílias litúrgicas, e às vezes as aproximações não têm um valor exato, como quando se trata de fazer depender de Roma todas as outras liturgias latinas.
Os antigos sacramentários romanos merecem uma menção particular; estão às vezes bem longe de representar exatamente o estado da liturgia de Roma em seu período primitivo, pois quase todos sofreram, mais ou menos, retoques galicanos de adaptação local.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Visita do Patriarca Melquita ao Brasil
A programação, conforme o blog de notícias orientais Sinaxe, de nosso amigo Philippe Gebara, é a seguinte:
Dia 4 de Agosto, Quarta-feira
17:00 Chegada do Rev.mo. Secretário Pe. Antoine Dib
Dia 05 de Agosto, Quinta Feira
- 17:10 Chegada da Sua Beatitude Gregórios III Laham, GUARULHOS, KLM 1000. Recepção no Aeroporto.
- 19:00, Recepção na Igreja.
- Coquetel no Salão da Igreja.
- Ida para o Hotel
Dia 06 de Agosto, Sexta Feira, Festa da Transfiguração
10:30 Ida para Boa Esperança – MG, de carro. Visita a S.E. Dom Spiridon, Bispo Emérito de N.Sra. do Paraíso de São Paulo dos Greco-Melquitas.
16:30 Acolhida no trevo de Campos Gerais16:45 Encontro Comunitário no inicio da avenida Joaquim Três Pontas (entrada da cidade)17:00 Carreata até a residência de D.Spiridon19:30 Grande concentração dos fiéis para recepção oficial de sua Beattude e subida rumo ao Santuário20:00 Solene Liturgia Eucarística presidida por Gregorios III e celebrada por D.SpiridonDia 07 de Agosto, Sábado
- 08:30 Volta a São Paulo, de Carro.
- 14:30 Ida para GUARULHOS – 16:50 Viagem para Fortaleza, de Avião
- 20:10 Chegada a Fortaleza no Aeroporto Pinto Martins – Recepção e Programação local.
Dia 08 de Agosto, domingo, em Fortaleza
08:00 – café da manhã com conselho paroquial da paróquia melquita Nossa Senhora do Líbano
18:00 – Missa solene, seguida de recepção, na dita paróquia
Dia 09 de Agosto, Segunda Feira
10:00 – visita ao Arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio
14:00 – embarque para Brasília
14:35 viagem para Brasília, de Avião
17:12 Chegada e Programação local (não aberta ao público)
Dia 10 de Agosto, Terça Feira
- 09:15 Volta para São Paulo de Avião – 10:57 Chegada em Congonhas
- 12:30 Almoço
- 15:30 Viagem para Taubaté, de Carro.
- 17:30 Recepção – 18:00 Celebração da Divina Liturgia, com Dedicação do Altar e jantar
Dia 11 de Agosto, Quarta Feira
08:28 Viagem para Juiz de Fora de Avião TAM
09:30 – Recepção no aeroporto, com a presença do Arcebispo local dos latinos D.Gil, o Prefeito Municipal, o Comandante da Polícia Militar, Polícia Civil, Exercito, Judiciário e fiéis.
10:30 – Momento de oração na Catedral de Santo Antônio
11:00 – Encontro de oração com o pároco e fiéis na Paróquia São Jorge
15:00 – Divina Liturgia na Paróquia São Jorge
18:00 – Visita à Obra dos Pequenos Monges do Pater Noster – Recepção na chegada com músicos dos Arautos de Evangelho, entrada na pequenina Capela e visita do Patriarca e sua comitiva, do Eparca dos Melquitas no Brasil e dos demais Bispos presentes à clausura e demais dependências da casa;
- 18:10 – homenagens à Madre Paulina (que veio da Ordem de Santa Clara, devidamente licenciada pela Santa Sé Apostólica, para iniciar esta Fundação) e ao nosso querido Eparca, S. Excia. Revma. Dom Fáres Maakaroum, que levou o Projeto da Fundação para Aprovação do Papa João Paulo II em 2003. Será passado um pequeno filme de 15 minutos sobre o histórico da Obra e uma recente entrevista da Madre Paulina na TV Canção Nova, sobre o Projeto de difusão da Iconografia Bizantina;
- 18:35 – Comunicação oficial do início do ramo masculino da Obra, com a Benção Patriarcal e o Ingresso sob condição de quatro candidatos para implantação do Projeto do CENÓBIO SÃO CHARBEL. Os candidatos abertos à experiência são: – Pe. Rhawy (membro da Sociedade Brasileira de Canonistas do Brasil); Dom Dâmaso (Monge Beneditino com Votos Solenes e Perpétuos); Luís Fernando (Ex-noviço da Ordem dos Cartuxos) e André (candidato ao Diaconato Permanente);
- 18:35 – Assinatura do Patriarca no documento de Aprovação do Projeto assinado pelo Santo Padre o Papa João Paulo II, em 2003;
- 18:50 – Homenagem do Patriarca aos benfeitores da Obra dos Pequenos Monges do Pater Noster e benção de algumas lembranças que serão distribuidas aos colaboradores;
- 19:00 – Benção Patriarcal a todos presentes e despedida (os convidados permanecerão para um pequeno chá);
21:00 – Jantar no Clube Sírio e Libanês com todas as autoridades religiosas, civis e militares e fiéis
Dia 12 de Agosto, Quinta Feira, Viagem para Rio de Janeiro de Carro
13:00 – Chegada, encontro com o Conselho e visita ao Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta
18:00 - Divina Liturgia na Paróquia de S. Basílio e de N.Sra. do Perpétuo Socorro (haverá, aprox. 30 min antes, uma procissão com o Patriarca).
Dia 13 de Agosto, Sexta Feira, Rio e São Paulo
8:00 – Visita ao Cristo Redentor
? – Retorno a São Paulo
18:00 – Benção dos Ícones e Divina Liturgia
Dia 14 de Agosto, Sábado, Nossa Senhora do Paraíso,10:00 Batismo e Crisma… 12:00 Divina Liturgia, Visita da Chácara e almoço
Dia 15 de Agosto, domingo, Dormição da Nossa Senhora, Festa da Nossa Igreja.
- 11:00 Santa e Divina Liturgia. 13:00 Grande Almoço
- 18:00 Visita à comunidade Russa Católica, à comunidade Siríaca e jantar
Dia 16 de Agosto, Segunda Feira, Votorantim
Ida para Votorantim – Instituto F.M.C. de Carro
- 19:00 Celebração Litúrgica e Jantar
Dia 17 de Agosto, Terça Feira, 08:25 (Avianca86/80 via Bogotá) Venezuela
Abaixo, fotos de sua chegada, publicadas pelo site do Patriarcado:
Tons gregorianos para a salmodia - LH, Missa etc
I Tom: http://www.youtube.com/watch?v=wh4jSN5Y
II Tom: http://www.youtube.com/watch?v=OJcULqY3
III Tom: http://www.youtube.com/watch?v=kaJRXdFP
IV Tom: http://www.youtube.com/watch?v=7sevtF39
V Tom: http://www.youtube.com/watch?v=qQwYGU7A
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Anunciada uma Solene Missa Pontifical na forma extraordinária, em Belém do Pará
Nos dias de 18 a 21 de agosto de 2010, nosso grupo de estudo católico estará realizando, aqui em Belém, um encontro com o Padre Almir de Andrade (FSSP), Seminaristas do IBP que estarão em visita a Belém e professor Alberto Zuchi, cujo o tema será o Motu Proprio “Summorum Pontificum” e a Missa Antiga.
Padre Almir é o unico brasileiro membro da comissão Eclesia Dei, e virá trazendo além de seu vasto conhecimento em liturgia, novidades sobre Roma e o Papa. A palestra do Padre Almir será dia 18 de Agosto as 19 horas no Auditório da Cúria Metropolitana de Belém.
No dia 21, sábado, (o próprio Arcebispo) Dom Alberto celebrará Missa Tridentina Pontifical as 09 horas da manhã, na capela do Colégio Gentil Bittencourt.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Ordenações Sacerdotais - Arquidiocese de Aracaju - SE
Pe. José Horácio Matos Fraga
Pe. Euclides Francisco Carvalho
Pe. Flávio Gomes Negromente.
A Ordenação aconteceu no dia 18 de junho deste ano na Catedral Metropolitana da Arquidiocese de Aracaju. O ordenante foi o Sr. Arcebispo Metropolitano, Dom José Palmeira Lessa.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Exposição do Santíssimo e Missa - forma ordinária
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
"O Perdão de Assis" ou "Indulgência da Porciúncula"
domingo, 1 de agosto de 2010
Cardeal Cañizares ordena sacerdotes para a FSSP

sábado, 31 de julho de 2010
Dois níveis da "reforma da reforma"
A tão propalada reforma da reforma litúrgica comporta, a meu ver, comporta dois níveis, que podem ou não ser simultâneos, e um deve influenciar o outro. O tema, aliás, é francamente embasado no pensamento do Pe. Thomas Kocik, do New Liturgical Movement:
1) O primeiro nível é a reelaboração dos livros litúrgicos reformados, fazendo com que os pontos positivos do Missal (e demais livros) de Paulo VI sejam absorvidos no contexto do Missal tridentino. Ou, em palavras distintas, reescrever os livros da forma ordinária com o espírito da forma extraordinária. Um terceiro modo de dizer o mesmo: unificar as formas com o "melhor" do rito moderno e o "melhor" do rito antigo: as boas idéias da reforma litúrgica com os elementos que nunca deveriam ter saído.
2) Enquanto se estuda o modo de implementar o primeiro nível, e como que uma preparação para sua perfeita execução, sem "canetaço", pode-se ir celebrando o rito novo com uma "mentalidade", digamos assim, de rito antigo: celebrar a forma ordinária de modo que, com mais expressividade, se denote as grandes luzes da tradição litúrgica presente na forma extraordinária. Claro que, em certo sentido, isso é nada mais do que celebrar o Novus Ordo exatamente como prevê a IGMR, exatamente como mandam as rubricas (com casula, número adequado de velas, sem invenções etc). Mas não só: trata-se de, diante de várias opções lícitas e igualmente previstas, escolher a mais "tradicional", se é possível (latim, versus Deum, gregoriano, incenso, fórmula 1 no Ato Penitencial), e também de, onde há silêncio, introduzir, elementos tradicionais (vestes mais bonitas, manípulo, "delicadeza" nas prostrações e genuflexões, uso da posição tradicional dos dedos na Consagração e após etc).
Funeral pontifical no rito antigo
Funeral dos restos mortais da família dos condes de Aranda, na Espanha, celebrado, segundo a forma extraordinária do rito romano, pelo Arcebispo de Saragoza, D. Manuel Ureña Pastor, com fotos do New Liturgical Movement.
Lembremos que, na forma ordinária, também se pode usar pluvial, os diáconos com dalmática, e os paramentos também podem ser negros (ainda que, facultativamente, possam ser roxos).
Beato Cardeal Schuster: A Santa Liturgia, suas divisões e suas fontes, parte I
Beato Ildefonso [Alfredo Ludovico] Cardeal Schuster (1880-1954)A Santa Liturgia, suas divisões e suas fontes(Capítulo primeiro do tomo primeiro de Liber sacramentorum - notas históricas e litúrgicas sobre o Missal Romano)A Santa Liturgia, em seu significado mais amplo, tem por objeto a vida religiosa e sobrenatual do Cristianismo em suas diferentes manifestações sacramentais, eucológicas, rituais, literárias e artísticas, abrangendo assim, como uma vasta síntese, o que de mais sublime foi pensado no mundo, para apreender e exprimir o indescritível e o divino. Isto não é tudo. Filhos da Igreja Católica e herdeiros da revelação dogmática feita aos antigos Patriarcas e aos Profetas de Israel, nossa organização religiosa em seus elementos fundamentais antecede não apenas a própria vinda do Filho de Deus ao mundo, mas é anterior, em numerosos séculos, às mais antigas civilizações que a História menciona, impondo-se, por isto mesmo, ao respeito e à veneração dos eruditos. Sua origem não é puramente natural e humana, seja porque o elemento dogmático do Cristianismo provém de uma revelação divina direta e positiva, seja ainda porque a vida e a atividade da Igreja derivam do Espírito de Jesus, que nela vive e opera.Trata-se de um poema sagrado verdadeiramente tocado pelo céu e pela terra, no qual a humanidade, resgatada pelo Sangue do Cordeiro sem mancha, voa muito alto sobre as asas do espírito até o Trono de Deus. É mais do que uma simples elevação, pois a liturgia sagrada não apenas representa e exprime o inefável e o divino, mas, por meio dos sacramentos e de suas fórmulas eucológicas, produ-la e a realiza nas almas dos fiéis, aos quais comunica a graça da Redenção. Além disso, pode-se dizer que a fonte da santidade da Igreja está toda compreendida em sua Liturgia, ao ponto em que, sem os divinos sacramentos, a Paixão do Salvador, na economia presente instituída por Deus, não teria em nós eficácia nenhuma, pela falta de instrumentos aptos a nos transmitir seus tesouros.A Liturgia não deve nada a nenhuma outra ciência, pois abarca as origens primeiras da humanidade, suas relações essenciais com o Criador, a Redenção, os sacramentos, a graça, a escatologia cristã; tudo o que existe, em suma, de mais sublime, de mais perfeitamente estético, de mais importante e necessário ao mundo. Por razões de método, no entanto, este vasto campo pode ser dividido e repartido em diferentes seções, das quais cada uma compreende um lado e um aspecto particular e determinado da vida religiosa católica. Assim, pode-se-lhe traçar um diagrama:[NT: Este diagrama foi traduzido e copiado exatamente como aparece no livro. Para vê-lo um pouco maior, clique nele.]
sexta-feira, 30 de julho de 2010
A identidade do Sacerdote
"Foi escolhido entre todos os viventes para oferecer o sacrifício do SENHOR, o incenso e o perfume, como memorial, para fazer a expiação por seu povo" (Eclo 45,20)
Logo no início podemos perguntar: "Quem é o Sacerdote? O que se requer dele? Qual é a sua identidade? Não é, com certeza, nas ciências do comportamento humano, nem nas estatísticas sócio-religiosas que procuraremos a nossa resposta, mas sim, em CRISTO e na Fé" (João Paulo II, Hom. Na ordenação de novos Sacerdotes no Rio de Janeiro a 2/7/1980, nº 2).
Em Valência, a 8 de Novembro de 1982, exclamou o Papa João Paulo II: "Vós, os Sacerdotes, sois chamados, consagrados e enviados. Esta tríplice dimensão explica e determina a vossa condição e estilo de vida. Estais "postos à parte", segregados, mas "não separados" (Presbyterum Ordinis, 3).
SOMOS CHAMADOS
Cada história dum Sacerdote começa por um chamamento divino, total como aconteceu com os Apóstolos. Na escolha deles é manifestada a intenção de JESUS. É ELE quem toma a iniciativa: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi"(Jo 15,15). A escolha dos doze, foi um acontecimento de suma importância na vida pública do Mestre, pois, antes de o fazer "foi à montanha para orar e passou a noite inteira em oração a DEUS. Depois que amanheceu, chamou os discípulos e entre eles escolheu doze" (Lc 6,12-13).
Quem são estes que ELE escolhe? ELE não leva em conta a sua classe social, conforme diz S. Paulo: O que é fraqueza no mundo, DEUS o escolheu para confundir o que é forte" (1Cor 1,27). DEUS compraz-Se em agir na "loucura da Cruz", para deixar bem patente que a obra realizada é sua. Quando Bernardette Soubirous falava das aparições da Virgem em Lourdes, dizia: "Certamente Nosso Senhor me escolheu, porque era a mais pobre da família mais humilde do lugar".
Uma coisa é certa na vida de cada Sacerdote: somos chamados, e isto quer dizer que somos amados por ELE. Na verdade, a vocação ao sacerdócio é um sinal de predilecção da parte d'Aquele que nos escolheu entre tantos, que talvez tivessem mais qualidades humanas, mais consolidação na virtude, mais vida de intimidade com o SENHOR... no entanto, não foi a esses que o SENHOR pronunciou o Seu "Vem e segue-Me!" (Jo 2,43). Este chamamento leva a uma participação muito especial da Sua amizade: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. EU vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de Meu PAI" (Jo 15,15).
O chamamento ao sacerdócio, assinala o momento mais alto da liberdade pessoal, que provocou a grande e irrevogável opção de vida!
SOMOS CONSAGRADOS
O rito da Ordenação, introduziu o Sacerdote num novo género de vida que o separou de tudo, para o unir totalmente a CRISTO com um vínculo original, inefável e irreversível. Através deste sacramento, o chamado é um homem consagrado, "um homem de DEUS" (1Tim 6,11). Afirma A. de Portillo nos seus "Escritos sobre o Sacerdócio" que, "na vida peregrinante do Povo de DEUS através da história da humanidade, o Sacerdote foi sempre um eleito, um ungido, tirado do meio dos homens e constituído em favor dos homens nas suas relações com DEUS" (Heb 5,1).
Explica o Santo Padre João Paulo II que "esta missão do sacerdócio não é um simples título jurídico. Não consiste apenas num serviço eclesial prestado à comunidade, delegado por ela e, por isso, revogável pela mesma comunidade ou renunciável por livre escolha do 'funcionário'. Trata-se, ao contrário, de uma real e íntima transformação por que passou o vosso organismo sobrenatural por obra de um "sinete" divino, o "carácter" que vos habilita a agir "in persona CHRISTI" (nas vezes de CRISTO), e por isso vos qualifica em relação a ELE como instrumentos vivos da Sua obra" (Hom. Ordenação, Rio de Janeiro, 2/7/1980, João Paulo II).
Deste modo, o Sacerdote não pertence mais ao mundo. "Se fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo e Minha escolha vos separou do mundo, o mundo, por isso, vos odeia" (Jo 15,19). Então, ele é uma exclusiva propriedade do SENHOR. O carácter sagrado atinge o Sacerdote em tal profundidade que todo o seu ser e agir estão orientados, integralmente, para o sacerdócio. Cada acto, pensamento ou palavra deveriam ser uma liturgia.
Continua o Papa João Paulo II na referida homilia: "No sacerdote não resta nele mais nada de que possa dispor como se não fosse Sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realiza acções que, por sua natureza são de ordem temporal, o Sacerdote é sempre ministro de DEUS. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se "sacerdotalizado", como em JESUS, que sempre foi Sacerdote, sempre agiu como Sacerdote, em todas as manifestações de Sua vida".
JESUS nos identifica de tal modo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade fica totalmente submergida n'ELE, como a gota de água dentro do cálice com vinho, já que é ELE que age por meio do Sacerdote. No livro "Sacerdote per l'eternitá" (Milano, 1975, pg. 30) está escrito: Pelo Sacramento da Ordem, o Sacerdote torna-se efectivamente idóneo a emprestar a JESUS a voz, as mãos e todo o seu ser. É JESUS que, na Santa Missa, com as palavras da consagração, muda a substância do pão e do vinho, na do Seu Corpo e do Seu Sangue". O mesmo podemos dizer com o Sacramento da Reconciliação. É o próprio JESUS que no Padre pronuncia o "Eu te absolvo!". "Os teus pecados te são perdoados" (Mt 9,2; cfr. Lc 5,20; 7,48; Jo 20,23).
É CRISTO quem fala, quando o Sacerdote, exercendo o seu ministério em nome e no espírito da Igreja, anuncia a Palavra de DEUS. É sempre o "Bom Pastor" (cfr. Jo 10,11) quem apascenta, quando os pastores cuidam das Suas ovelhas (cfr. Jo 21,15-17) gordas, doentes ou fracas (cfr. Ez 34,1ss), das quais terão de dar contas!
SOMOS ENVIADOS
Este prodígio, realizado no Sacerdote, no entanto, não é para ele, mas para a Igreja, isto é, para o mundo a ser salvo. A dimensão sagrada do sacerdócio é totalmente ordenada à dimensão apostólica, pois disse JESUS: "Como o PAI Me enviou, também EU vos envio" (Jo 20,21). Por isso o Sacerdote é o ENVIADO.
"O Sacerdote, - conforme ensina o Concílio Vaticano II- é o homem da comunidade, ligado de forma total e irrevogável ao seu serviço" (PO N.º 12)
Assim, ele tem uma dupla mediação:
1ª - Revestido da Pessoa de CRISTO, é o dispensador dos mistérios divinos (cfr. 1Cor 4,1) junto do Povo de DEUS, como por exemplo, no múnus profético (interpretação e explicação da Palavra Divina). Verdadeiramente já afirmou Santo Tomás de Aquino:"O Sacerdote é verdadeiro mediador entre DEUS e os homens" (S. Th. 3, q. 22,a 1).
2ª - Mas também junto de DEUS é o representante do povo em todos os seus componentes: as crianças, os jovens, as famílias, os trabalhadores, os pobres, os pequenos, os doentes, e até mesmo dos distantes e adversários. O Sacerdote é o portador das suas ofertas, das suas vozes orantes, suplicantes, exultantes e gementes.
Tal coisa especificou Pio XI quando afirmou: "O Sacerdote é o intercessor público da humanidade junto de DEUS e recebeu o encargo e o mandato de oferecer a DEUS em nome da Igreja, não só o real e verdadeiro Sacrifício do Altar, mas também o"sacrifício de louvor" (Sl 49,14). Com "Salmos, hinos e cânticos espirituais" (Ef 5,19) tirados em grande parte dos livros inspirados, oferece a DEUS várias vezes ao dia o devido tributo de adoração e cumpre o necessário dever de rogar pela humanidade, hoje mais aflita, e, mais do que nunca, necessitada de DEUS" (Ad. Catholica Sacerdotti, 20/12/1935).
"Antes de mais, dentro da Igreja - afirma Santo Ambrósio - todos somos ungidos pela graça do ESPÍRITO para sermos membros do Reino de DEUS e formar parte do seu sacerdócio" (Trat. Sobre os ministérios, 29-30)- E completa S. Beda: "Todos são chamados "sacerdócio régio" para que se recordem de esperar o Reino eterno e de oferecer, sem cessar a DEUS, o sacrifício de uma vida sem mancha" (Sobre 1Pe 2). Esta dimensão do sacerdócio comum dos fiéis foi mais evidenciada pelo Concílio Vaticano II, e ofereceu ao laicado a ocasião de descobrir mais a vocação de todo o baptizado ao apostolado e o seu necessário compromisso activo e consciente com a tarefa da Igreja.
Afirma A. de Portillo que "o sacerdócio é fundamentalmente uma configuração, uma transformação sacramental e misteriosa do cristão em CRISTO, Sumo e Eterno Sacerdote, único Mediador. O Sacerdote não é mais cristão que os demais fiéis, mas é mais Sacerdote, e inclusive o é dum modo essencialmente distinto" (Esc. sobre o Sacerdócio, pg. 114).
No entanto, o sacerdócio comum dos fiéis não diminui a importância nem a necessidade do sacerdócio ministerial, nem pode justificar o menor empenho pelas vocações eclesiásticas. Afirma o Papa João Paulo II que "o sacerdócio comum dos fiéis não pode justificar a tentativa de transferir para a assembleia ou comunidade o poder que CRISTO conferiu exclusivamente aos ministros sagrados. O papel do Sacerdote permanece insubstituível, apesar da solicitação de todos os modos, da colaboração dos leigos. Mas, na economia da Redenção, existem tarefas e funções - como o oferecimento do Sacrifício Eucarístico, o perdão dos pecados, o ofício do Magistério - que CRISTO quis legar essencialmente ao sacerdócio, e nas quais ninguém, sem ter recebido a Ordem sagrada, poderá substituir. Sem o ministério sacerdotal, a vitalidade religiosa corre o risco de se cortar das suas fontes, a comunidade cristã de desagregar-se e a Igreja de secularizar-se" (Hom. da Ordenação, Rio de Janeiro, 2/7/1980, João Paulo II).
FORÇA DO SINAL
Actualmente, o ministério sacerdotal desenvolve-se num ambiente de uma sociedade secularizada, cuja característica é o eclipse progressivo do sagrado e a eliminação dos valores religiosos. Dentro deste mundo, o Sacerdote é chamado a realizar nela a salvação com "sinais e instrumentos do mundo invisível".
O "Alter CHRISTUS" vive entre os homens para partilhar das suas angústias, esperanças e aspirações. Porém, esta partilha no meio do mundo não pode, nem deve, turvar a realidade operada nele por CRISTO. "PAI, EU lhes dei a Tua Palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como EU não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno"(Jo 17,14-15)- O Sacerdote não deve, nem pode, ajustar-se às opiniões ou aos gostos deste mundo, como exorta S. Paulo "Exorto-vos... pela misericórdia de DEUS, que... não vos conformeis com este mundo" (Rom 12,1-2).
Explicou o Santo Padre em Julho de 1980: "A força do sinal não está no conformismo, mas na distinção. A luz é diversa das trevas para poder iluminar o caminho de quem anda no escuro. O sal é diverso da comida para dar-lhe sabor. CRISTO chamou-nos: "Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se torna insosso, com que salgaremos? Para nada mais serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo... Não se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candelabro" (Mt 5,13-15).
Num mundo dissipado e confuso como o nosso, a força do sinal está exactamente em ser diferente. O Sacerdote deve destacar-se tanto mais quanto a acção apostólica exige maior inserção na massa humana. A este propósito, quem não percebe que uma certa absorção da mentalidade do mundo, a frequentação de ambientes dissipantes, como também o abandono do modo externo de apresentar-se podem diminuir a sensibilidade do próprio valor do sinal (Hom. da Ordenação, João Paulo II).
Numa alocução em 9/11/1978, o Papa João Paulo I, afirmava: "Somos necessários aos homens, somos imensamente necessários, mas não a meio serviço nem a meio tempo, como se fôssemos uns "empregados"; somos necessários como o que dá testemunho, e despertamos nos outros a necessidade de dar testemunho. E se alguma vez parecer que não o somos, isto quer dizer, que devemos começar a dar testemunho ainda mais claro, e então nos daremos conta do muito que o mundo de hoje necessita do nosso testemunho sacerdotal, do nosso serviço, do nosso sacerdócio".
Quando se perdem de vista estes horizontes luminosos, a figura do Padre obscurece-se, a sua identidade entra em crise, seus deveres peculiares não se justificam mais, contradizem-se e enfraquece a sua razão de ser.
Na continuação da homilia do Papa João Paulo II no Rio de Janeiro acima citada, foi referido que "esta fundamental razão de ser do Sacerdote, não se recupera com o fazer-se "um-homem-para-os-outros". Acaso não o deve ser quem quer que deseje seguir o Divino Mestre? "Homem-para-os-outros", o Sacerdote é, mas em virtude da sua peculiar maneira de ser, "Homem-para-DEUS". O serviço de DEUS é o alicerce sobre o qual se constrói o genuíno serviço dos homens, que consiste em libertar as almas da escravidão do pecado e em reconduzir o homem ao necessário serviço de DEUS.
Fique assim bem claro que o serviço sacerdotal, se permanecer fiel a si mesmo, é um serviço excelente e essencialmente espiritual. Isto deve ser acentuado contra as multiformes tendências de secularizar o serviço do Padre, reduzindo-o a uma função meramente filantrópica.
O seu serviço não é do médico, do assistente social, do político ou do sindicalista. Em certos casos, talvez, o Padre poderá prestar-se, embora de maneira supletiva... mas hoje eles são realizados adequadamente por outros membros da sociedade, enquanto que o nosso serviço se especifica sempre mais claramente como um serviço espiritual. É na área das almas, das suas relações com DEUS, e de seu relacionamento interior com os seus semelhantes, que o Sacerdote tem uma assistência material, mediante as obras de caridade... mas esse serviço não deve jamais fazer perder de vista o serviço principal, que é o de ajudar as almas a descobrirem o PAI, abrirem-se para ELE e a amá-Lo sobre todas as coisas.
Somente assim é que o Sacerdote jamais poderá sentir-se um inútil, um falido, ainda quando fosse constrangido a renunciar a qualquer actividade exterior. O Santo Sacrifício da Missa, a oração, a penitência, ou melhor, antes, o essencial do seu sacerdócio permaneceria íntegro, como foi para JESUS nos 30 anos de Sua vida oculta. A DEUS seria dada ainda uma glória imensa. A Igreja e o mundo não ficariam privados de um autêntico serviço espiritual" (2/7/1980).
SÚPLICA À MÃE DO SACERDOTES
"Que MARIA, Mãe dos Sacerdotes, os ensine a viver melhor o dom inestimável da sua singular vocação!"


































