sexta-feira, 7 de maio de 2010
Música litúrgica - o Ofertório
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Nós sabemos que não estamos sós... Agora, ELES precisam saber que não estão sós!
Ordenações sacerdotais no Opus Dei - AO VIVO PELA INTERNET
O Sacerdote e a reparação
O Servo de Deus João Paulo II ainda como sacerdote
Pe. Antonio Rivero, L.C.Que relação tem a reparação e o sacerdote? O sacerdote “é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hebreus 5, 1). Aqui está a razão e a relação entre sacerdote e reparação. O sacerdote não só sabe das fraquezas e pecados dos seus irmãos, os homens e mulheres. Ele mesmo é também pecador. Por isso precisa da reparação pelos pecados próprios e pelos pecados da humanidade. Porque o pecado ofende a Deus, Senhor e Pai.
Como pode o sacerdote reparar seus pecados e os pecados dos seus irmãos para poder contentar a Deus? Mediante a oração humilde, o sacrifício amoroso e a Eucaristia oferecida pela reparação dos pecados. Deus fica lastimado com cada um de nossos pecados. E ai está o sacerdote mediante a reparação dando consolo a Deus, magoado e ferido por culpa dos pecados da humanidade.
Deus fica triste com cada um de nossos pecados. E ai está o sacerdote mediante a reparação, enxugando as lágrimas de Deus, entristecido por nosso desamor e arrancando dele um bel sorriso. Deus fica com o coração aflito e coroado de espinhos por culpa dos pecados. E ai está o sacerdote com esse sacrifício voluntário e buscado, essa renuncia oferecida, essa oração elevada com coração limpo e humilde, dando a Deus um pouco de alívio para seu coração. Deus fica pisoteado, maltratado, cuspido com os nossos pecados. E ai está o sacerdote de joelhos em oração humilde, dia e noite, manhã e tarde, limpando o rosto de Deus, sujo por o nosso desprezo. Deus fica um pouco abalado e desanimado pela indiferença de tantos, que preferem seguir o seu caminho de perdição longe dEle. E ai está o sacerdote celebrando com fervor essa santa Missa para dar a Deus toda a Glória que se merece e roubada por seus filhos e filhas e pedindo pela conversão de seus irmãos.
Deus amado, consolado, animado pelo seu amigo, o sacerdote. Que mistério tão maravilhoso e tão real! Bendito sejas tu, ó sacerdote, que podes alegrar o coração de Deus com teu espírito reparador. Não deixes sofrer a Deus que te chamou a ser seu amigo íntimo e inseparável.
Aprendendo o Latim (Parte III)
Não é fácil definir, com precisão, a pronúncia original do latim. Se assim fosse, não haveria tanta polêmica entre latinistas franceses, alemães, italianos e outros.
O grupo ti, seguido de vogal, soa como ci em português. Por exemplo: justitia (justicia). Só o segundo ti soa ci porque seguido da vogal a.
Outra importante observação: os ditongos ae, oe se pronunciam como é, mas não são necessariamente tônicos. Como não há palavras oxítonas em latim, rosae se pronuncia róse e não rosé.
Para evitar equívocos, convém pronunciar sempre o o e o e latinos como o e e e não u e i como acontece no português. Por exemplo, se pronuncio civitate como civitati, o som i mudaria por completo a função da palavra, que deixaria de ser ablativo para se tornar dativo, como verá mais adiante.
Aqui o áudio da Oração "Santo Anjo do Senhor":
Angele Dei, qui custos es mei, me tibi commíssum pietáte supérna, illúmina, custódi, rege et gubérna. Amen.
b) Pronúncia Clássica.
O latim só tinha letras maiúsculas, as minúsculas são utilizadas por primeira vez na Idade Média. A pronúncia é por sílabas, muito parecida ao português.
Todas as vogais podem ser longas ou curtas. A pronúncia das vogais cá descrita é muito aproximada e fundamentada na evolução do latim para o português (vogais longas tornam-se fechadas, breves tornam-se abertas).
A, letra chamada em latim A, quando longo mais ou menos como em levar, quando breve como em chazinho
B, BE, como em barco
C, CE, sempre como em carro (também em -CE-, -CI-). Arcaicamente, o C também podia ser um G (cfr. CAIVS e GAIVS)
D, DE, como em deixar
E, E, quando longo como em dedo, quando breve como em vetar
F, EF, como em fevereiro
G, GE, sempre o g português em gato (também em -GE-, -GI-; nos -GUE-, -GUI- o u é pronunciado, como semivogal)
H, HACCA, só os falantes muito cultos aspiravam o H (como o inglês hen) mesmo na época clássica, para a maioria era mudo na altura
I, I, quando longo como em ruído, quando breve como em enorme
J: esta letra não existia em latim clássico, foi criada na Idade Média para fazer diferença entre o i vogal e o i consonântico para o que muitos i latinos foram evoluíndo
K, KA, como o C latino; arcaicamente havia uma diferença entre C e K, mas perdeu-se e o K só ficou nalgumas palavras: KARTHAGO (mas também CARTHAGO), KALENDA... muitas delas emprestadas da língua grega;
L, EL, como em levar
M, EM, como em muito, não nasaliza as vogais anteriores a ele
N, EN, como em nome
O, O, quando longo como em toda, quando breve como em mormente
P, PE, como em português
Q, QV, sempre antes do u semivogal, -QV-. A diferença é clara em, p.ex. CVI e QVI: em CVI o u é vogal e tónico, "cú-i", em QVI o u é semivogal e o i é o tónico, "kwí"
R, ER, possivelmente como em caro, ou talvez como em carro (rr não uvular, mas alveolar, o "clássico" europeu e como se pronúncia ainda nas zonas rurais de Portugal, em África ou na Galiza), talvez ambos dois segundo regras similares às do português
S, ES, possivelmente como em só
T, TE, como em tempo (t do padrão europeu)
V, V, nunca como o v português, sempre é vogal ou semivogal: quando vogal longo, como em miúdo, quando vogal breve como em surdo, quando semivogal como em mau. É semivogal quando diante de outra vogal, como em SOLVO ou QVARTVS. Na Idade Média, o V minúsculo grafava-se "u", o "u" afinal foi utilizado só para o som vogal e "v" para o consonântico (como no português);
X, EX, "gs" ou "ks", segundo a palavra (LEX-LEGIS, gs; DUX-DUCIS, ks)
Y, YPSILLON, como o u francês ou o ü/ue alemão, a letra é grega e não latina (este som não existe em latim), mas empregou-se para empréstimos do grego;
Z, ZETA, como o z alemão, aproximadamente "ts", também para empréstimos do grego;
Há também estes dígrafos para empréstimos gregos:
CH, como o j espanhol ou o ch alemão; também aparece em palavras latinas, nelas é talvez um K levemente aspirado, é dizer, K+H, (PVLCHER, LACHRIMA) ou apenas um simples K
PH, aproximadamente como um P aspirado (PHILOSOPHIA)
RH, como o R ou RR (RHETOR, RHOMBVS)
TH, como em inglês thin ou o c/z espanhol da península
As letras para os empréstimos gregos tendiam a ser pronunciadas com os sons mais próximos do latim, assim o Y pronunciava-s I ou V, o Z como S, CH como K, TH como T, PH como F, etc.
As letras das consoantes podem ser duplas, BB, CC, DD, FF, GG, LL, MM, NN, LL, PP, RR, SS, TT, mesmo a vogal VV (MORTVVS)... a pronúncia é como duas letras separadas em sílabas diferentes, ILLE é "IL-LE" (ou um L mais longo), têm valor fonológico, p.ex. ANVS, "A-NVS", "(mulher) velha", não é, nem se pronúncia como ANNVS, "AN-NVS", "ano", SVMVS, "SV-MVS", "nós somos", não tem a ver com SVMMVS, "SVM-MVS", "o mais alto".
Arcaicamente, as vogais longas por vezes eram escritas como duplas, nos tempos da República com um acento grave (APEX), e no Império com algo parecido a um acento agudo. Mas nunca foi universal nem unanimemente aceite. Na Idade Média, sobretudo nos livros de aprendizagem, adoptou-se o costume de grafar as vogais longas com um tracinho acima (mácron), e as breves com um u pequeninho (bráquia).
Há ditongos e tritongos (muito raros), AE, AV, EI, EV, OE, OI, VI, e pronunciavam-se com os sons correspondentes, mas muito cedo foram evoluindo para outros sons, p.ex. AE passou a ser pronunciado como um E aberto, OE como E fechado, AV como o "ou" (ow) português, etc.
Há estes grupos consonânticos: BL, BR, CL, CR, DR, FL, FR, GL, GN, GR, PL, PR, SC, SCR, SGR, SP, SPL, ST, STR, TR, a pronúncia deles é a união dos sons, mas fazem parte duma única sílaba: DRV-SVS, GNA-TVS; qualquer outro caso as consonantes fazem parte de sílabas diferentes: AR-TIS, MOR-TEM, PROP-TER, OM-NI-A
Hoje o latim é escrito empregando letras maiúsculas e minúsculas segundo as regras universais, e utilizando a diferença na escrita do u vogal e consonântico, u/v, isto é, mortuus e não MORTVVS ou unum e não VNVM, mas cave (de CAVE) e não caue (em geral: v sempre entre vogais). O emprego do i/j fica à vontade mas dentro duma coerência (ou é utilizado o j, ou não é).
As sílabas em latim são abertas se terminam em vogal, fechadas se em consoante. Uma sílaba é breve se aberta e contém uma vogal breve: fu-ga, do-mi-na, ou quando vai diante doutra vogal (ainda que tiver uma vogal longa ou um ditongo): au-re-us, om-ni-a. A sílaba é longa se fechada ou contém uma vogal longa.
No latim não há palavras oxítonas, excepto as poucas que perdem uma vogal final: educ (edúc, de educe), illic (il-líc, de illice).
As palavras com duas sílabas são paroxítonas: unda (únda), rosa (rósa).
Se houver mais de duas sílabas: são paroxítonas se a penúltima sílaba é longa, amicus (amícus), frumentum (fruméntum). Também se a última sílaba é uma partícula enclítica, fratresque (fratrésque, mas frâtres), reginave (regináve, mas regína).
Em todos os demais casos são proparoxítonas: dominus (dóminus), agricola (agrícola).
Há palavras átonas, proclíticas ("colam" por diante) ou enclíticas (por trás). As enclíticas puxam para si o acento: Inter (átona) +homines (hómines) = interhomines (interhómines); ipse (ípse) + met (átona) = ipsemet (ipsémet). Mas se não era considerada composta (como em português "porém" ou "decerto", p.ex.), não acontecia: itaque (ítaque, "então"), itaque (ita+que > itáque, "e assim").
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Transmissão ao vivo, sábado, na EWTN, de Missa cantada na forma extraordinária
Para assistir, no sábado, clique em http://viewers.multicastmedia.com/viewer/detection.asp?alias=SF&networkID=3001844&nsn=EWTNTVEUS
Lembrem-se de que o horário é o da Costa Leste dos EUA, sempre 1h a menos do que o Horário Oficial de Brasília.
Reflexões sobre a celebração pública da Missa de acordo com o usus antiquior
Reflexões sobre a celebração pública da Missa de acordo com o usus antiquior
Por Pe. Dominic Holtz, O.P.
Tradução: Fabiano Rollim
Original em inglês disponível em: http://speciouspedestrian.blogspot.com/2010/05/reflections-on-public-celebration.html
Um leitor perguntou se eu poderia fazer uma reflexão sobre minha primeira celebração pública da Missa de acordo com o Missal Romano de 1962, fato ocorrido recentemente, em 29 de abril. Com as impressões ainda frescas em minha mente, considerei válido, primeiramente para mim, atender à solicitação, mesmo que não fosse para meus outros leitores.
Devo chamar a atenção para algumas coisas. Em primeiro lugar, já celebrei algumas vezes, de maneira privada, a Missa na forma extraordinária. Também já celebrei a Missa na forma ordinária publicamente em latim (a primeira vez, duas semanas após minha ordenação), ad orientem, com canto gregoriano, polifonia, etc. Procuro manter-me fiel ao texto do Missal, esforço-me para que meus gestos e posturas se conformem às formas clássicas, aproveito bastante as oportunidades de oração silenciosa (especialmente no Ofertório), e por aí vai. Com isto quero dizer: as impressões registradas aqui são baseadas realmente na celebração pública da forma clássica da Missa, e não resultam de outros fatores.
Ainda a título de prefácio, reconheço que tive o maravilhoso e raro privilégio de contar com um coral (acompanhado de instrumentos clássicos) que cantou o Ordinário e o Próprio da Missa, com motetos[1], talvez antes só ouvidos, se tanto, em cortes reais da Bavária e da Áustria no século XVI. A música foi simplesmente sublime e admito que minha experiência maravilhosamente positiva e edificante foi devida, ao menos em parte, à gloriosa música oferecida por estudantes e docentes da Jacob School of Music da Universidade de Indiana. Mesmo assim, pretendo falar mais diretamente de minha própria experiência da celebração da Missa qua celebrante, isto é, como sacerdote.
De início, assim que o frio no estômago cessou, fiquei impressionado existencialmente com aquilo que já sabia conceitualmente, a saber, o fato de toda a “ante-Missa” ser tão útil espiritualmente e, mais especificamente, as orações no limiar do altar. Uma vez que as orações tiveram início, houve uma verdadeira calma espiritual acompanhada de um senso claro a respeito da seriedade daquilo que eu estava para fazer, até que chegasse o momento de me aproximar do altar. Certamente as orações durante a vestição e minhas próprias orações antes da Missa, que eu faria de qualquer maneira, foram importantes. Todavia, a esplêndida alternância de orações entre eu e os acólitos, a mútua (não meramente conjunta) confissão dos pecados, as palavras sóbrias e ainda assim esperançosas do Aufer a nobis e Oramus te e, durante todo esse tempo, o não precisar me preocupar em “sustentar” a celebração da Missa, desde o início deram-me um senso de propósito e intenção diferente do que eu geralmente já havia experimentado em uma Missa.
Ao mesmo tempo (foi uma Missa cantata) encontrei verdadeira consolação na recitação silenciosa enquanto aguardava o coral terminar o Kyrie e o Glória. Foi um tipo de espera que ao mesmo tempo permitiu-me um espaço de recolhimento em oração particular e manteve-me atento ao meu papel como um servidor do rito. Por mais crucial que fosse o meu papel, não era “minha” hora de dirigir a ação, mas minha hora de esperar.
Devo mencionar aqui que a distinção de toda a Missa dos Catecúmenos como sendo mais vocal, mais coral, mais audível, também se tornou aparente de maneira experiencial, embora eu já soubesse disso conceitualmente. O que eu e toda a assembléia experimentamos desde o começo do Intróito até a conclusão do Evangelho foi um extenso e contínuo ato de louvor e proclamação. Certamente, eu não era ouvido continuamente, mas sempre que alguém não estava cantando ou rezando, outro alguém estava. Destaco isto porque o contraste com a Missa dos Fiéis, notável por seus significativos momentos de silêncio (falo mais sobre isso abaixo), tornou-se cada vez mais claro no decorrer da Missa.
Digno de nota é o sentimento de que a homilia, sem ser algo estranho nem inapropriado, é pelo menos uma cesura, uma Luftpause[2] na celebração. Como qualquer poeta ou músico poderá dizer, estas pausas não são inconsequentes, e realmente “pertencem” ao lugar onde são colocadas. Mesmo assim, trata-se de uma interrupção, uma parada, uma pausa, que se torna claríssima também: ritualmente no gesto de remover o manípulo; topograficamente no meu deslocamento do altar até o ambão; vocalmente na mudança do canto em latim para a fala em inglês; e intencionalmente quando deixo de usar as palavras, movimentos e gestos recebidos da Igreja para usar minhas próprias palavras, recebidas no encontro orante com as Escrituras na preparação da pregação. Pelo menos agora entendo, de uma forma que não tinha entendido antes, o que especialistas em homilética queriam dizer ao se preocuparem com a homilia antiga como não sendo “litúrgica”. Por ora, em relação a ser ou não algo bom, não julgarei. Uma coisa que a homilia realmente me fez ver foi o quão profundamente eu havia entrado no Sancta sanctorum ao rezar o Aufer a nobis, uma vez que me senti realmente transportado de um estado mental e espiritual para outro (considerando que isso envolveu mudar não apenas minha orientação, mas deixar o espaço próprio do altar). Foi diferente do que aconteceu em outros momentos em que me voltei para o povo, como no Orate fratres ou na preparação da Comunhão dos fiéis (o Ecce Agnus Dei e o triplo Domine non sum dignus).
Talvez não seja nem notável nem surpreendente dizer, ainda que seja verdade, que fui profundamente afetado pelo silêncio da celebração do Cânon. Havia uma intensidade, uma presença, uma abundância de conteúdo naquele silêncio, diferente de tudo que eu já havia experimentado antes. Talvez tenha sido devido em parte ao contraste com a música sublime e quase contínua que eu tinha ouvido até o Sanctus. Então, quando o último Hosanna in excelsis chegou ao fim e tudo que podia ser ouvido era o silêncio de minha oração... É uma experiência bem difícil de por em palavras, ainda mais quando tento evocar o que significou dizer as palavras da consagração sem tentar comunicá-las de forma audível e inteligível para uma assembléia heterogênea de fiéis, mas dizendo-as sob o véu do silêncio de forma que elas pudessem ser o que são em simplicidade evidente e profunda... Só posso dizer que foi transformador, ou melhor, espero que venha a sê-lo.
Como disse acima, também fiquei impressionado pelo relativo aumento do silêncio na Missa dos Fiéis, pelas várias, na verdade frequentes, “interrupções” quando nada era ouvido. Mesmo assim, não foram meras pausas, nem simplesmente “conclusões” de orações longas demais para serem cobertas pela música. Foram silêncios significativos, densos, que me dirigiram (e espero que também os fiéis) à Comunhão de um jeito que a forma ordinária não faz. Hesito neste ponto em fazer um julgamento, mas a experiência foi certamente diferente e notável.
Uma confirmação que tive foi esta: é infinitamente mais prático, e ao mesmo tempo mais conforme, que os fiéis (na medida em que forem capazes) recebam a Eucaristia na língua e de joelhos. Notem bem, fico muito feliz que qualquer um dos fiéis, propriamente disposto, se aproxime para receber Nosso Senhor no Sacramento, e preferiria vê-los se aproximando aos pulos do que se afastando com medo. Mesmo assim, de um ponto de vista prático, ter as cabeças de todos mais ou menos no mesmo lugar (com exceção das crianças pequenas e dos homens muito altos), não ter que adivinhar onde ou como cada um vai comungar (mão ou língua, de pé à distância ou bem perto, etc), permitiu-me estar mais a vontade ao dar-lhes a comunhão. Noto isto comparando com os vários anos de experiência ajudando na Catedral Basílica de St. Louis onde, mesmo com sua louvável celebração da Missa, as pessoas que se aproximavam para comungar podiam se apresentar (e realmente se apresentavam) em uma curiosa variedade de formas!
Devo também acrescentar que, a despeito do ritual relativamente longo envolvendo minha própria Comunhão e as abluções, não me senti nem mesmo remotamente pressionado pelo tempo. De novo, o forte senso de estar no Santo dos Santos, e as orações que me assistiam durante o rito, verdadeiramente mantiveram-me focado nas coisas do altar; e isto devido não apenas à orientação (apesar de que, não gostaria que o ótimo fosse inimigo do bom aqui, e endosso completamente o bem que também experimentei na celebração ad orientem da Missa na forma ordinária). Da mesma forma, o Placeat (que rezo ao final da Missa mesmo na forma ordinária, mas geralmente no caminho de volta à sacristia) e o Último Evangelho não me pareceram apêndices, mas formas salutares de me conduzir desde o altar até de volta para o mundo em torno.
Deve ser bem fácil perceber que esta foi uma experiência poderosa e bela para mim. Cada rubrica foi observada perfeitamente? Duvido. Parte da beleza veio da música? Certamente. Parte do poder percebido foi resultado da “novidade”? Talvez. O tempo e a experiência irão dizer. O que posso afirmar com certeza é que agora digo de maneira existencial o que antes teria dito, corretamente, mas de maneira conceitual, a saber, que há benefícios grandiosos e reais que vêm da celebração clássica da Missa do Rito Romano; benefícios que sacerdotes e fiéis em geral fariam bem em encontrar.
[1] N. do T. – Moteto é um gênero musical polifônico surgido no século XII onde, inicialmente, usavam-se textos distintos para cada voz. O apogeu do seu uso deu-se no século XVI.
[2] N. do T. – Luftpause (origem alemã): trata-se de um símbolo utilizado na escrita musical, semelhante a uma vírgula, que instrui o cantor ou instrumentista a fazer uma breve pausa, criando um efeito similar ao de uma vírgula em um discurso; lit. “pausa para respiração”.
Cardeal Pell será novo prefeito da Congregação para os Bispos!
("A Liturgia não é a respeito de nós, mas de Deus" - tradução livre)
Essas palavras já nos dão uma amostra do pensamento litúrgico do Cardeal George Pell que, segundo nos conta Andrea Tornielli, foi confirmado como próximo prefeito da Congregação para os Bispos, no lugar do Cardeal Giovanni Battista Re. O anúncio oficial será feito semana que vem.
Andrea Tornielli ressalta que o cargo permite o "filtro" das indicações para o episcopado, e afirma que isso influenciará o rosto da Igreja nos próximos 20 anos. Dessa forma, é uma excelente notícia a sua nomeação. Também o articulista ressalta que Sua Eminência é estrangeira e não tem experiência na Cúria, uma novidade.
Cardeal Pell é o chefe do Vox Clara, que conduziu a nova tradução, decorosa, do Missal em inglês. Amigo do "Adoremus" e de vários grupos pela "reforma da reforma" e pela correta celebração da Missa atual, ele é "conservador", tem uma história de diálogo ecumênico com os anglicanos (desejando-lhes a verdadeira conversão), tem um grande apreço pela liturgia e um grande apreço pela forma extraordinária. O Cardeal também é um grande promotor de programas de apologética e conversão de protestantes.
Algumas belíssimas fotos de Sua Excelência a celebrar Vésperas na forma extraordinária e Missa na ordinária podem ser vistas no New Liturgical Movement.
Ordenações na forma extraordinária nos Franciscanos da Imaculada
terça-feira, 4 de maio de 2010
Três "porquês" para entender a Vigília Pascal
Meu primo Mateus tem cinco anos de idade. Ele está passando pela famosa fase dos “porquês”. Por que temos que tomar banho? Por que o seu pai tem que trabalhar? Por que a semana tem sete dias? Por que isso? Por que aquilo?
Essa estratégia dos porquês pode servir muito bem para viver melhor a liturgia nesse tempo tão especial que é a Semana Santa.
Pare de ler esse texto agora mesmo, feche os olhos e tente lembrar-se das três coisas que mais lhe chamaram a atenção na Vigília Pascal do ano passado.
O mais provável é que você se lembrou primeiro que era uma vigília, depois da benção do fogo na frente da igreja antes da missa e então do Círio Pascal. Esses são os detalhes externos que ficam gravados na memória e ajudam a compreender o sentido tão profundo da celebração da Páscoa. Mas quanto conhecemos desses detalhes para realmente aproveitar o que Deus quer nos falar através da liturgia?
Então, para entender a Vigília Pascal melhor podemos seguir o método do Mateus e fazer três perguntas. Por que a Vigília Pascal é uma vigília? Por que fazemos a bênção do fogo? Por que usamos o Círio Pascal?
1º Por que a Vigília Pascal é uma vigília?
Há dois motivos principais para que o tempo próprio para a celebração da Vigília Pascal seja depois do pôr-do-sol do Sábado Santo. Primeiramente, o sentido espiritual dado pelos judeus à celebração da Páscoa que também acontecia à noite. Deus mesmo fez uma vigília durante a noite do Êxodo para proteger o seu povo. Os judeus comemoravam a libertação da escravidão fazendo memória à vigília que Deus fez por eles.
O segundo motivo é que nós guardamos o sábado como um dia de luto, em continuação à sexta-feira santa. Na minha casa, por exemplo, minha mãe nos ensinou que desde a celebração da Ceia do Senhor na quinta-feira santa não assistíamos televisão, não jogávamos vídeo-game nem falávamos em alta voz até a Vigília Pascal.
A Ressurreição de Cristo ocorreu de noite e esperamos o dia inteiro de sábado para celebrá-la. Portanto o sábado é o dia de espera da vinda do Senhor, pois o noivo foi tirado da noiva e colocado numa tumba. Essa atitude de espera deve marcar toda a nossa vida.
2º Por que fazemos a bênção do fogo?
A celebração da Vigília começa fora da igreja com a benção do fogo. Essa tradição teve início no século IV. Havia na Europa, especialmente nos mosteiros, um antigo costume de rezar algumas orações especiais ao acender as velas que eram usadas durante a noite.
A oração que é feita durante a benção diz que a verdadeira festa pascal é a eterna festa de luz nos Céus. Esse é o símbolo de Cristo e sua vitória sobre a morte e o pecado, a vitória da luz sobre a escuridão.
3º Por que usamos o Círio Pascal?
A procissão com o Círio acendido para dentro da igreja escura é a dramatização da Ressurreição de Jesus que traz luz e vida ao mundo. Todos os presentes recebem luz do Círio Pascal para acender suas próprias velas, porque todos os cristãos participam da glória da Ressurreição como filhos da luz. Além disso, o Círio Pascal que usamos possui o sinal da cruz, as iniciais do nome de Cristo, os números representando o corrente ano e cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Cristo, os troféus do Rei vitorioso.
O mais importante é que esses três detalhes que fazem a Vigília Pascal tão especial estão direcionados à comemoração de uma preciosa verdade de nossa fé: Jesus é a luz do mundo, Ele ressuscitou e nos deu a vida eterna.
O diácono grego na Missa papal
Excelente o texto do Pe. Athanasius D. McVay, traduzido e comentado pelo Thiago de Moraes, em seu Apologética Católica. Clica no link para ler.
Liturgia de dedicação de uma Igreja
A riqueza simbólica da liturgia de dedicação de uma igreja constitui uma verdadeira catequese que exige ser aprofundada e degustada. Oferecemos ao leitor algumas considerações sobre o significado desse belo cerimonial litúrgico.
Por José Antonio Dominguez
http://www.arautos.org/view/show/395-liturgia-de-dedicacao-de-uma-igreja
Desde os primórdios do Cristianismo, os fiéis se reuniam em assembléia (ecclesiæ)para celebrar a Eucaristia, ministrar os sacramentos e ouvir a pregação da Palavra de Deus. Os lugares de reunião eram habitualmente suas próprias casas, onde utilizavam a sala mais espaçosa para esse fim. Alguns desses locais de culto são mencionados no Novo Testamento.
Também é tradição certa que o Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, se hospedava em Roma em casa do senador Pudente. Ali se congregavam os cristãos para ouvir suas instruções, assistir aos santos Mistérios e receber a Sagrada Eucaristia. Pode-se ainda ver esse venerando recinto na igreja de Santa Pudenciana, filha do fervoroso e santo senador 1.
Com o tempo, as casas nas quais se reunia a assembléia passaram a ter cômodos específicos reservados para o culto divino. E, a partir do fim do século II, esses prédios começam a ser chamados de Domus Ecclesiæ.
Ao longo do século III, esses aposentos foram crescendo em importância e as outras partes do edifício, destinadas a finalidades profanas, vão sendo separadas dele. A Domus Ecclesiæ se transforma em Domus Dei.
Consagração ao culto
Já a partir do século IV, a dedicação da Domus Dei era considerada uma das festas mais solenes da Liturgia, a fim de ressaltar o caráter sagrado do edifício, que não poderia mais ser usado para fins profanos. Comenta, a este respeito, Dom Guéranger: Nossas igrejas são santas por sua pertencença a Deus, pela celebração do Sacrifício, pelas preces e louvores nelas oferecidos ao Hóspede divino. A um título melhor do que o tabernáculo simbólico ou o templo antigo, sua dedicação as separou para sempre de qualquer morada de homens e as elevou acima de qualquer palácio da Terra.
Contudo, não obstante os ritos cuja magnificência enche seu recinto no dia de sua consagração a Deus, sob o óleo santo do qual suas paredes permanecem para sempre impregnadas, elas não ficam menos desprovidas de sentimento e de vida.
O que dizer, pois, senão que essa sublime cerimônia de dedicação das igrejas, como também a festa destinada a perpetuar sua memória, não se detêm no santuário construído por nossas mãos, mas elevam-se a realidades mais augustas e vivas? A principal glória do nobre edifício será de simbolizar a grandeza. Sob a sombra de seus arcos a humanidade se iniciará em inefáveis segredos cujo mistério se consumará para além mundo, no pleno dia do Céu 2.
A igreja e a Jerusalém Celeste
No ritual litúrgico da dedicação de uma igreja destacam-se quatro elementos essenciais: a aspersão com a água benta, a deposição das relíquias dos santos, a unção sagrada do altar e da igreja, a incensação, a iluminação e, por fim, o principal, a Celebração Eucarística.
| Em virtude da unção, o altar se torna símbolo |
| de Cristo, o "Ungido" por excelência, pois o |
| Pai o ungiu com o Espírito Santo e o consti - |
| tuiu Sumo Sacerdote, para oferecer no altar o |
| Sacrifício pela salvação de todos |
As inspiradas palavras de Santo Agostinho nos explicam com sublime genialidade a relação entre ambasas realidades: Esta é, de fato, a casa das nossas orações; mas nós próprios somos casa de Deus. Somos construídos como casa de Deus neste mundo e seremos dedicados solenemente no fim dos tempos. O edifício, ou melhor, a construção, faz-se com trabalho; a dedicação realiza-se com alegria. O que acontecia aqui quando esses materiais se erguiam, isso acontece agora quando se reúnem os que acreditam em Cristo. Com efeito, ao aceitarmos a Fé, é como se fossem cortadas as madeiras e as pedras nas florestas e nos montes. Ao sermos catequizados, batizados, instruídos, é como se fôssemos desbastados, alinhados e aplainados nas mãos dos carpinteiros e artistas. No entanto, esses materiais não constroem a casa do Senhor, senão quando se unem pela caridade. [...] Por conseguinte, o que aqui vemos feito materialmente nas paredes, faça-se espiritualmente nas almas; e o que vemos aqui realizado nas pedras e madeiras, também se realize nos vossos corpos, por obra da graça de Deus 3.
E a própria Prece de Dedicação o confirma com a bela linguagem da liturgia latina: Este edifício faz vislumbrar o mistério da Igreja, que Cristo santificou com seu Sangue, para apresentá-la a Si mesmo, qual Esposa gloriosa, Virgem deslumbrante pela integridade da Fé, Mãe fecunda pela virtude do Espírito. [...] Aqui, as ondas da graça divina sepultem os delitos, para que vossos filhos e filhas, ó Pai, mortos para o pecado, renasçam para a vida eterna.
[...] Aqui, como jubilosa oblação de louvor, ressoe a voz do gênero humano unida aos coros dos Anjos e suba até Vós a prece incessante pela salvação do mundo.
Aqui, os pobres encontrem misericórdia, os oprimidos alcancem a verdadeira liberdade e todos sintam a dignidade de ser vossos filhos e filhas, até que, exultantes, cheguem à Jerusalém Celeste.
Aspersão do altar e do templo
A Santa Missa começa substituindo o do ato penitencial pela a aspersão da água benta. Ela é um sacramental que, usado com Fé, nos purifica dos pecados veniais e afasta o espírito maligno. Por seu caráter exorcístico, se aspergem também o altar e as paredes da igreja, para purificá-los, assim como todo o povo, em sinal de penitência, e em lembrança do Batismo.
Assim como Cristo nos precedeu nas águas do Batismo, no Jordão - explica Dom Guéranger - as aspersões começam pelo altar que O representa e depois se fazem no edifício inteiro.
Primitivamente, era então que não só todo o interior e o pavimento do templo, mas também o exterior das paredes e, em alguns lugares, até os tetos eram inundados da chuva santificante que expulsa o demônio, dá a Deus essa morada e a prepara para os favores que se seguirão 4. Deposição das relíquias O costume de colocar relíquias de santos sob o altar originou-se nos primeiros séculos da Igreja, nas catacumbas, onde se tornou habitual celebrar a Missa sobre a pedra tumular de um mártir. Com isso, se queria significar que o sacrifício dos membros encontra seu princípio no sacrifício da Cabeça, que é Jesus Cristo.
| Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no |
| Seminário dos Arautos do Evangelho, foram |
| depositadas sob o altar as relíquias de santos |
| comemorados pela liturgia romana, ao longo |
| dos 365 dias do ano. |
Era o acabamento final, a passagem do tempo para a eternidade 5.
Santidade do altar
Em virtude da unção, o altar se torna símbolo de Cristo, o "Ungido" por excelência, pois o Pai o ungiu com o Espírito Santo e o constituiu Sumo Sacerdote, para oferecer no altar de seu Corpo o sacrifício da vida pela salvação de todos. Por isso, desde tempos remotos, o altar foi cercado de respeito e veneração pelos cristãos: Um lugar santo é o altar cristão.
Chamavam-no sanctus, divinus, regalis, tremendus. S. João Crisóstomo: admirabilis. S. Gregório Nisseno ensina que o altar é tão santo que nem todos, mas só os sacerdotes, e estes só com reverência, o podem tocar. Beijavam-no. Os imperadores Teodósio e Valentiniano proibiram trazer armas nas igrejas e junto dos altares. [...] Desde o século IV, o altar tinha o privilégio de asilo 6.
A santidade do altar exige, daqueles que dele se aproximam na liturgia uma correspondente santidade de vida: Eles devem possuir a pureza da consciência e o perfume da boa reputação, que são simbolizados pelo santo Crisma, composto de azeite e de bálsamo. Devem ter uma consciência pura, para poderem dizer com o Apóstolo: "Nós temos a glória de que nossa consciência nos dá testemunho de uma boa reputação" (2 Cor 1, 12).
Diz ainda São Paulo: "Importa também que [o Bispo] tenha o bom testemunho daqueles que estão fora da Igreja" (1 Tm 3, 7).
E São Crisóstomo acrescenta: "Os clérigos não podem ter mácula alguma, nem em sua palavra, nem no seu pensamento, nem nas suas ações, nem na sua opinião, porque eles são a beleza e a força da Igreja: se eles fossem maus, eles A maculariam por inteiro" 7.
A unção com o Crisma
A unção do altar é feita com o Crisma, como explica Dom Guéranger: O óleo confere ao cristão, pelo segundo Sacramento, a perfeição de seu ser sobrenatural, faz também os reis, os sacerdotes e os pontífices. Por todas essas razões, o óleo santo, por sua vez, flui abundantemente sobre o altar, que é o Cristo Chefe, Pontífice e Rei, para dEle, como fez a água, atingir as paredes, a igreja inteira. Com efeito, doravante o templo é efetivamente digno do nome de igreja; pois, assim batizadas, assim consagradas com o Homem- Deus na água e no Espírito Santo, as pedras com as quais ele foi construído representam ao vivo a assembléia dos eleitos, ligados entre si, e com a Pedra Divina, pelo indestrutível laço do amor 8.
Em seguida, também a igreja é ungida, nas doze cruzes fixadas nas quatro paredes do edifício, em sinal de triunfo, pois, a Cruz é o estandarte de Jesus Cristo e a insígnia de sua vitória. É para mostrar que este local está sob o domínio do Senhor que elas são insculpidas nas paredes. A unção da igreja significa que ela está dedicada, toda inteira e para sempre ao culto cristão. As unções são doze para significar que a igreja é a imagem de Jerusalém, a cidade santa, da qual está dito no Apocalipse: "A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e neles os doze nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro" (Ap 21, 14).
Incensação do altar e da igreja
| O fogareiro com o incenso simboliza que o |
| sacrifício de Cristo sobe até Deus, como sua- |
| ve aroma, juntamente com as orações dos fiéis |
Iluminação festiva
Procede-se, por fim, à iluminação festiva da igreja, pois Cristo é a luz para iluminar as nações. As doze velas colocadas no lugar das unções são acesas em sinal de alegria. Postas diante das cruzes, elas simbolizam os doze Apóstolos que, pela Fé no Crucificado, iluminaram o universo, o instruíram e o inflamaram de amor.
Ao dedicar a igreja de Santa Maria da Nova Evangelização, em Roma, o Papa Bento XVI destilou com mestria o simbolismo mais profundo desses belos gestos litúrgicos: O outro aspecto que quereria mencionar aqui são os doze fundamentos da cidade, sobre os quais estão inscritos os nomes dos doze Apóstolos. Os fundamentos da cidade não são pedras materiais, mas seres humanos, são os Apóstolos com o testemunho da sua Fé. Os Apóstolos permanecem como os fundamentos essenciais daacendemos nas paredes da igreja, nos lugares onde serão feitas as unções, evocam precisamente os Apóstolos: a sua Fé constitui a verdadeira luz que ilumina a Igreja. E, ao mesmo tempo, é o fundamento sobre o qual ela está alicerçada. A Fé dos Apóstolos não é algo antiquado.
As pedras vivas da Jerusalém Celeste
Cristão - lembra Dom Guéranger, em sua magistral obra -, pelo Batismo, tu te tornaste santuário de Deus. Que este dia de dedicação te recorde as consagrações que te arrebataram para fazer de ti o templo do Espírito Santo, para dar-te a Cristo, com o qual tua vida está doravante oculta no dulcíssimo e fecundíssimo segredo da face do Pai. Aprende a, em tua alma, cumular a Santíssima Trindade das homenagens devidas à sua presença.
Enfim, alma batizada e consagrada, lembra-te de que não estás sozinha no banquete do amor de teu Deus; de que a divina caridade que te une ao Cristo Esposo deve também juntar-te a seus membros, e aparelhar-te, pedra viva, preparada neste mundo para o lugar que será teu um dia, no edifício do nova cidade, da Igreja, por intermédio do ministério da sucessão apostólica: mediante os Bispos. As pequenas velas que santuário dos Céus. Aprende a adaptar- te à Igreja viva, a vibrar em uníssono com a grande Esposa, preparando- te para a eternidade, onde tua única e feliz ocupação será a de glorificar como ela a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, pelos séculos dos séculos 10.
(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2008, n. 76. p. 18 à 23)
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Missa prelatícia, na forma extraordinária, em Bolonha, celebrada por seu Arcebispo
O Cardeal Cafarra, Arcebispo de Bolonha, celebrou a Missa “prelatícia”, i.e., uma Missa cantada por um Bispo, mas que não é pontifical, no rito tradicional. O fato se reveste de profundo significado, dado que não é um Prelado de fora que a celebra, mas o Ordinário do lugar, em sua própria Catedral!
Fotos do Messa in Latino.
Parabéns a Sua Eminência.

Vestes corais
Por fim, podem-se usar vestes corais, facultativamente, para orações privadas e atos de piedade em local sagrado.
O Bispo (cf. CB, 1199-1202) , além do anel, que deve sempre portar, usa como vestes corais, nesta ordem:
* veste talar (batina) violeta;
* faixa de seda violeta, guarnecida com franjas de seda nas duas extremidades;
* roque ou sobrepeliz sobre a batina;
* mozeta (murça) violeta sem capuz, sobre a sobrepeliz
* cruz peitoral com cordão verde entrançado de ouro, sobre a mozeta;
* solidéu violeta;
* barrete violeta, com borla, sobre o solidéu;
* meias violetas;
* sapatos pretos sem fivelas.
Dentro da sua própria Diocese, em festividades especiais, pode usar, além disso, a capa magna violeta.
A mozeta pode ser substituída, segundo o costume, pela manteleta violeta.
Os Cardeais (cf. ibidem, 1205) usam as mesmas vestes corais, exceto que a cor, de violeta, passa a ser vermelha, e o cordão da cruz peitoral é de cor vermelha entrançado de ouro.
Alguns oficiais da Cúria Romana, quais sejam os Prelados superiores dos vários dicastérios que não sejam, porventura, Bispos, os auditores do Tribunal da Rota Romana, o promotor geral da justiça, o defensor do vínculo no Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, os protonotários apostólicos numerários e os clérigos da Câmara Apostólica, usam a batina violeta com faixa violeta guarnecida de franjas de seda, roquete ou sobrepeliz, manteleta (mas não mozeta) violeta, e barrete preto com borla vermelha. Já os protonotários apostólicos supranumerários e os Prelados honorários de Sua Santidade vestem batina violeta e faixa violeta de seda, guarnecida com franjas, sobrepeliz e barrete preto. Por sua vez, os Capelães de Sua Santidade, usam a batina preta com debruns e demais ornatos violetas, com faixa de seda também violeta, e a sobrepeliz por cima (cf. ibidem, 1205).
Os sacerdotes e diáconos usam, como vestes corais, se forem diocesanos ou religiosos sem hábito próprio, a batina preta com sobrepeliz e meias pretas. Podem usar barrete preto, com ou sem solidéu preto, e, segundo o costume, mozeta preta por cima da sobrepeliz. Se forem cônegos usam sempre, por cima da sobrepeliz, a mozeta preta ou cinza, e, se não forem beneficiários, também o cordão violeta. Sacerdotes e diáconos religiosos com hábito próprio, usam-no, como vestes corais, sem a sobrepeliz (a qual é envergada sobre o hábito somente quando servem à Missa como acólitos) (cf. ibidem, 1210).
Além das vestes corais, para uso dos clérigos em cerimônias quando nelas presentes em local de destaque, sem as celebrar, existem outras vestes previstas para alguns atos.
Se tais atos forem solenes, o Bispo usa:
* veste talar (batina) preta, com cordão, orla, costuras, caseado e botões vermelhos, com ou sem romeira preta (avivada com cordão vermelho);
* faixa de seda violeta, guarnecida com franjas de seda nas duas extremidades;
* cruz peitoral pendente de cordão simples (que não precisa ser verde e ouro como na veste coral);
* solidéu violeta.
As meias podem ser pretas ou violetas, à escolha. É possível também usar um chapéu de aba larga, preto, e, oportunamente, adornado com cordões e borlas verdes (que é a cor heráldica episcopal).
Em ocasiões mais solenes, pode-se usar o ferraiolo (manto talar amplo), na cor violeta. O manto talar amplo distingue-se da capa magna, que é maior, mais comprida. Em ocasiões mais simples, pode-se usar uma capa preta com uma romeira.
Para os Cardeais, as vestes em atos solenes fora das celebrações litúrgicas são as mesmas dos Bispos, mudado o violeta para o vermelho, como nas vestes corais.
Aqueles oficiais da Cúria Romana já referidos e também os protonotários apostólicos supranumerários usam batina preta com debruns e ornatos vermelhos (sem romeira), faixa de seda violeta com franjas igualmente de seda, facultativamente o ferraiolo violeta, e meias pretas com sapatos comuns sem fivelas. Já os Prelados honorários de Sua Santidade usam essas mesmas vestes, mas sem o ferraiolo. E os Capelães de Sua Santidade vestem as mesmas vestes dos Prelados honorários, porém com os debruns e ornatos violetas.
A veste talar (tanto a coral quanto a para atos solenes não-litúrgicos) é usada, com sobrepeliz, quando as rubricas prescrevem seu uso para a celebração de alguns atos litúrgicos.
No uso corrente, todos os clérigos devem usar, a teor do Código de Direito Canônico (cf. cân. 284), os trajes eclesiásticos. Regulares o hábito de seu instituto, e seculares (bem como regulares sem hábito próprio, e mesmo aqueles que o tenham em algumas ocasiões) a batina preta. O Bispo pode usar tanto a batina preta simples, igual aos sacerdotes e diáconos, como também a batina preta (com ou sem ornatos vermelhos), com solidéu e faixa violeta (não necessariamente de seda). O Cardeal usa a mesma veste do Bispo, mas o solidéu e a faixa são vermelhos. Bispos e Cardeais religiosos podem usar o hábito de seu instituto. Todos, sacerdotes, diáconos permanentes, Bispos e Cardeais, religiosos ou diocesanos, devem, se não trajarem batina, usar camisa com colarinho romano (clergyman), preferencialmente preta, e com roupa distinta (calça social e paletó). Bispos e Cardeais, de batina ou de clergyman, usam a cruz peitoral sustentada por uma corrente, bem como o anel. A batina preta, para diáconos, sacerdotes e Bispos pode ser trocada pela branca, por indulto ou costume, em regiões muito quentes.
O Papa usa sempre batina branca.
O roquete e a sobrepeliz, vistos acima, são muitíssimo parecidos. As diferenças entre ambos são: o roquete, mais estreito, e tem suas mangas bem unidas às da batina, notadamente os punhos, além de sempre ter rendas; já a sobrepeliz, mais larga, com punhos mais soltos, mangas não rentes à batina, e as rendas são inexistentes ou em menor quantidade. O roquete só é usado por Bispos e outros Prelados com privilégio para tal. Já a sobrepeliz é para todos os ministros, ordenados ou não. Na administração dos sacramentos fora da Missa ou presidência de outro ato litúrgico, se usa sempre sobrepeliz, mesmo que quem administre ou presida seja Bispo ou Prelado com privilégio. Já quando se usa a veste coral, para assistir celebrações litúrgicas, a veste adequada é o roquete (para aqueles que podem usar, claro, i.e., Bispo ou Prelado com privilégio), mas que pode sempre ser substituído pela sobrepeliz. O sacerdote e o diácono, assim como acólitos, usam sempre sobrepeliz, nunca roquete.
Lembramos que os hábitos que não sejam especificamente talares, i.e., que não cheguem aos tornozelos, não podem ter sobre si a sobrepeliz nem o roquete. Nesse caso, o sacerdote, se o enverga, usa a alva ou coloca uma batina em vez do hábito, para, aí sim, envergar a sobrepeliz.
Aprendendo o Latim (Parte II)
O latim, quando disciplina obrigatória dos currículos escolares, era língua destacada, de aprendizagem difícil e, em alguns casos, desesperadora. A razão disso é que nossa língua-mãe tem outras maneiras de construir suas orações. O latim é língua sintética, isto é, seus vocábulos e sua fraseologia são de extrema concisão. Com dois termos, pode formular uma oração que, nas línguas derivadas, teria meia dúzia de palavras. Veja esta inscrição nos antigos cemitérios: MORITURI MORTUIS que, traduzida para o português, teria a seguinte redação: "Aqueles que um dia hão de morrer (oferecem, dedicam aos mortos".
Aqui o áudio da oração "Ave Maria":
Em gregoriano:
Ave, María, grátia plena, Dóminus tecum. Benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus.
Sancta María, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.
A B C D E F G H I L M N O P Q R S T V
às quais se acrescentam os símbolos Æ e Œ para a representação dos ditongos AE e OE, respectivamente.
As letras K Y Z são usadas na grafia de palavras oriundas do Grego.
As letras J e U foram criadas tardiamente para se distinguir, na escrita, entre o I e o V vogal e semivogal.
domingo, 2 de maio de 2010
Uma Igreja dos EUA adota AD ORIENTEM para todas as Missas
Fonte: http://www.newliturgicalmovement.org/2010/03/st-marys-salem-restores-ad-orientem.html
Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS
Após dois anos e meio de catequeses tanto do púlpito como em seções de boletins, pelo uso do arranjo Beneditino do altar, bem como por celebrações ocasionais da Missa ad orientem (Nota do SaL: versus Deum) para várias festas e tempos do ano litúrgico, a Igreja de Santa Maria em Salem, Dakota do Sul restaurou completa e inteiramente a celebração ad orientem para todas as Missas paroquiais (Nota do SaL: Missas na forma ORDINÁRIA, i.e., no rito MODERNO, PÓS-CONCILIAR)
Como parte disto restauraram o uso do altar-mor original, que mais uma vez é o altar central e primário da igreja.
Foto da Igreja na Páscoa de 2009 (Nota do SaL: que já era bonita, e tinha um altar versus populum muito digno):

Foto da Igreja atualmente:
O altar e a direção da oração litúrgica devem ser uma matéria de particular consideração, a que se deve voltar a atenção acerca do quão profundamente isto pode influenciar nosso foco e enfatizar nossa orientação dentro da sagrada liturgia - e isto tanto para o clero como para os fieis.
Pe. Martin Lawrence, vigário de Santa Maria, deve ser felicitado muito justamente por sua visão a este respeito, e por realçar isso, com uma abordagem estratégica, mais ainda.







