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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Música litúrgica - o Ofertório

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Continuemos nossa série de textos a respeito do Próprio da Liturgia da Santa Missa em Rito Romano. Estes são os artigos anteriores:


Este sexto texto se dedica ao Ofertório.

*

Na Forma Extraordinária do Rito Romano, a “Missa Tridentina”, o Ofertório possui a sua própria antífona, assim como, já vimos, o Introito possui a sua e, logo veremos, a Comunhão também.

No Missal da Forma Ordinária do Rito Romano existem antífonas para o Introito e para a Comunhão, mas não para o Ofertório. Esta não foi a única modificação feita no Ofertório pelos executores da reforma litúrgica de 1969-1970; no Rito Novo ele se tornou consideravelmente mais curto.

Antífona do Ofertório da Solenidade da Ascensão do Senhor no Missal de 1962,
Rito Tridentino (Forma Extraordinária do Rito Romano)

Temos feito sempre alusão ao Graduale Romanum, nesta série de textos, como a fonte das peças gregorianas que se usam na Missa. Depois da reforma litúrgica de 1969-1970 foi organizado e publicado também um novo Graduale Romanum para o Rito Novo. A propósito, esta publicação foi feita não apenas por ser muito desejável, mas em cumprimento a uma determinação do Concílio Vaticano II.

Claro: quando o Concílio elaborou seus documentos, a reforma litúrgica ainda não tinha acontecido, e talvez não se esperasse que viesse a ser tão profunda. Entretanto, refiro-me às seguintes palavras:

117. Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.
Convirá preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores.

...que podem ser lidas no documento Sacrosanctum Concilium. A “edição com melodias mais simples” foi realizada no Graduale Simplex. Sem sequer pretender entrar, ainda que minimamente, em questões de interpretação do Concílio Vaticano II, fica muito claro por sua letra que seu ensinamento é o de pôr o canto gregoriano em “primeiro lugar”:

116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.

Certo: “primeiro lugar” não significa “exclusividade”; mas isto abordaremos em outro texto, fora desta série.

De volta ao Graduale Romanum: temos uma edição feita em 1974, que atende às necessidades do Rito Novo. Para a Forma Extraordinária, utilizamos a edição de 1961.

Entretanto, ambas nos dão antífonas para o Ofertório. Isto é natural para a Forma Extraordinária, mas não encontra correspondente no Missal do Rito Novo.

Nisto acabaríamos entrando na questão das diferenças entre os textos das antífonas do Gradual e os textos das antífonas do Missal, e este assunto poderia obscurecer um pouco o foco desta série. Em todo caso, é importante dar-se conta de que se o Missal não provê uma antífona de Ofertório na Forma Ordinária, o Graduale Romanum o faz, e sua publicação traz a autoridade de um livro litúrgico aprovado pelo Sumo Pontífice.

A IGMR, infelizmente, não dá informações claras sobre a música no Ofertório, embora algumas conclusões possam ser tiradas.

74. O canto do ofertório acompanha a procissão das oferendas (cf. n. 37, b) e se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar. As normas relativas ao modo de cantar são as mesmas que para o canto da entrada (cf. n. 48). O canto pode sempre fazer parte dos ritos das oferendas, mesmo sem a procissão dos dons.

Com a permissão do leitor, preciso utilizar numerosas citações da IGMR. O número 74, colocado acima, faz referência ao 48 ao falar das “normas relativas ao modo de cantar”. O 48 explica o “canto de entrada”; já o vimos quando falamos do Introito.

48. O canto é executado alternadamente pelo grupo de cantores e pelo povo, ou pelo cantor e pelo povo, ou só pelo grupo de cantores. Pode-se usar a antífona com seu salmo, do Gradual romano ou do Gradual simples, ou então outro canto condizente com a ação sagrada e com a índole do dia ou do tempo, cujo texto tenha sido aprovado pela Conferência dos Bispos.
Não havendo canto à entrada, a antífona proposta no Missal é recitada pelos fiéis, ou por alguns deles, ou pelo leitor; ou então, pelo próprio sacerdote, que também pode adaptá-la a modo de exortação inicial (cf. n. 31).

Aplica-se, então a regra sobre quem canta (cantores e povo, cantor e povo ou cantores). Aplica-se também a regra de tomar música do Graduale Romanum ou do Graduale Simplex (e, como o canto gregoriano não é o único tipo de música permitido, pode-se usar também outra música que siga o texto destes livros).

A possibilidade de a antífona ser recitada, entretanto, não se aplica, já que para o Ofertório não existe “antífona proposta no Missal”. Esta parte, portanto, não se relaciona ao Ofertório.

Entretanto, existe a previsão de um Ofertório sem música:

142 (...) Contudo, se não houver canto de preparação das oferendas ou não houver música de fundo do órgão, na apresentação do pão e do vinho, o sacerdote pode proferir em voz alta as fórmulas de bendição, respondendo o povo: Bendito seja Deus para sempre.

Ofertório sem música não parece muito incomum, e pelo que tenho observado não poucas pessoas sabem a resposta Bendito seja Deus para sempre.

O número 142 menciona até “música de fundo do órgão”, que não aparece, na IGMR, em nenhum outro ponto que mencione o Ofertório – trata-se de música exclusivamente instrumental executada pelo órgão. Pessoalmente, gosto desta possibilidade, embora defenda o uso das antífonas do Ofertório colocadas pelo Graduale.

E por falar nas antífonas de Ofertório do Graduale, lembremo-nos de que, constantes apenas desse livro, e não do Missal, elas nos estão disponíveis apenas em latim. Se por qualquer motivo utilizamos o português (ou outra língua nacional) na Liturgia, não parece haver obstáculos para o uso de uma tradução correta e sóbria. Ademais, como os textos das antífonas são praticamente sempre extraídos da Escritura, uma simples consulta aos versículos pode prover o texto. Na pior das hipóteses, este texto entra na categoria de “outros” que, precisando da aprovação da conferência episcopal, já me parecem tê-la por simplesmente serem parte da Escritura. O leitor certamente concordará comigo que tal opção se mostra bem mais conveniente do que um famoso “canto de ofertório” usado em muitas paróquias no Tempo Pascal:

Eu creio num mundo novo
Pois Cristo ressuscitou
Eu vejo sua luz no povo
(...)
No pobre que se liberta
Eu vejo ressurreição.

Sabendo que as antífonas de Ofertório tomam seu texto da Sagrada Escritura, compreendemos imediatamente que não existe a menor necessidade de que os textos falem em pão, vinho, trigo, uva etc. É verdade que alguns cantos populares piedosos usados no Ofertório, já há algum tempo, falam nestas coisas todas; certamente não estou dizendo que seja errado. Entretanto, não há obrigatoriedade; exigir isto seria um pensamento de trilha sonora, em que o texto da música supostamente tivesse que descrever os acontecimentos.

*

As antífonas de Ofertório não diferem daquelas de Introito, quanto à estrutura de seu texto. A diferença mais notável se vê quando examinamos as partituras gregorianas: os Ofertórios são mais difíceis de cantar do que os Introitos, que em geral são um pouco menos complexos (as Comunhões, por sua vez, com grande freqüência são ainda menos complexas que os Introitos).

Por esta razão, é comum que, nos lugares onde se começa a implantar o uso do canto gregoriano, o Ofertório fique para depois – e deve ficar mesmo; parece-me mais produtivo começar pelas partes capazes de produzir resultados mais imediatos, como o Ordinário, a Comunhão, o Salmo Responsorial etc. A seu tempo, o Ofertório poderá ser feito.

O leitor me perdoe se eu me repito, mas gostaria de esclarecer novamente: estou, aqui, falando do canto gregoriano. Se a igreja (a paróquia, a capela, o instituto religioso etc.) utiliza outro tipo de música litúrgica legítimo e verdadeiramente sacro, pode ser que seu repertório específico não apresente essa dificuldade no Ofertório.

Que eu utilize o canto gregoriano como base destes textos sobre o Próprio se deve ao seu primeiro lugar no patrimônio litúrgico musical do Rito Romano. Aproveitamos assim a oportunidade de uma coisa (entender o Próprio) para já fazer outra (entender um pouco mais o canto gregoriano).

Na Forma Extraordinária, sendo o Ofertório (o rito, não a antífona) mais longo, é comum que, ao se terminar o canto da antífona, ainda reste tempo, durante o qual se pode cantar um moteto – uma composição polifônica sobre outro texto, que não a antífona do Ofertório. Este costume se encontra claramente codificado em Tra le sollecitudine, o motu proprio do papa São Pio X que provê numerosas diretrizes para a música sacra:

8. (...) Permite-se outrossim que, depois de cantado o ofertório prescrito, se possa executar, no tempo que resta, um breve moteto sobre palavras aprovadas pela Igreja.

Outra possibilidade foi trazida mais ao alcance dos grupos de canto gregoriano pela publicação do Offertoriale Triplex, em 1985. Este livro traz versículos adicionais para o Ofertório, da mesma maneira que, como vimos, é possível fazer no Introito.

No caso do Introito (e o mesmo ocorre na Comunhão), canta-se a antífona, e em seguida um versículo do salmo em tom salmódico; repete-se a antífona, e outro versículo; e assim por diante.

O Ofertório apresenta uma pequena diferença: depois de um versículo adicional, não se repete a antífona inteira, mas sua última “metade” (essa metade pode ser maior ou menor que uma “metade de verdade”). Esta é a estrutura de um responsório, tal como se pode encontrar no Ofício Divino (na Liturgia das Horas).

Abaixo, um exemplo: um responsório tomado do Ofício das Leituras do Ofício dos Fiéis Defuntos da Liturgia das Horas. A primeira parte, marcada com R, consta de quatro versos (um asterisco marca o início da segunda metade). A segunda parte, marcada com V, consta de três versos. Depois dela, é repetida apenas a parte de R que começa com o asterisco.

R - É preciso que ele reine até que tenha colocado
Debaixo de seus pés seus inimigos, todos eles,
* A morte há de ser o seu último inimigo,
A ser exterminado.
V - A morte e o seu reino devolverão todos os mortos
E a morte e o seu reino serão precipitados
No lago incandescente.
* A morte há de ser o seu último inimigo,
A ser exterminado.

Se numerarmos os versos, sua recitação (ou canto) ocorre nesta ordem: 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 7 – 3 – 4.

A repetição, no final, do trecho marcado com asterisco, é comumente abreviada nos livros (neste responsório, no livro vemos apenas * A morte.) – mas deve ser feita integralmente.

Mesmo quem não possua o Offertoriale Triplex pode utilizar estes versos adicionais, se adota o canto gregoriano em sua igreja. No link abaixo o leitor pode copiar um pdf feito por Richard Rice, do qual constam partituras gregorianas para um versículo, em tom salmódico, para cada Ofertório. As datas litúrgicas se referem à Forma Extraordinária, mas para o uso na Forma Ordinária basta consultar o nome do Ofertório respectivo.


No vídeo que deixo de exemplo, é cantado o Ofertório Sicut in holocausto, que na Forma Ordinária se aplica à Décima-Terceira Semana do Tempo Comum e, na Forma Extraordinária, ao Sétimo Domingo Depois de Pentecostes. A antífona é cantada uma única vez no vídeo, e o leitor poderá acompanhar o texto e a partitura no próprio vídeo. A direção é do professor William Mahrt, e a schola é composta apenas por mulheres.

O texto é do Livro de Daniel, capítulo 3, versículo 40: “como um holocausto de carneiros, touros e milhares de gordos cordeiros, seja diante de ti, hoje, nosso sacrifício, de vosso agrado. Pois não é confundido quem em vós põe sua confiança”.

Em latim: sicut in holocausto arietum et taurorum, et sicut in milibus agnorum pinguium: sic fiat sacrificium nostrum in conspectu tuo hodie, ut placeat tibi: quia non est confusio confidentibus in te Domine.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nós sabemos que não estamos sós... Agora, ELES precisam saber que não estão sós!

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Produção de May Feelings!

Ordenações sacerdotais no Opus Dei - AO VIVO PELA INTERNET

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Veja como aqui.

O Sacerdote e a reparação

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Trazemos um belo artigo de espiritualidade litúrgica e teologia do sacerdócio, publicado pelo Pe. Antonio Rivero, LC, professor no Seminário Interdiocesano Maria Mater Ecclesiae, em Itapecerica da Serra, SP:



O Servo de Deus João Paulo II ainda como sacerdote

Pe. Antonio Rivero, L.C.

Que relação tem a reparação e o sacerdote? O sacerdote “é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hebreus 5, 1). Aqui está a razão e a relação entre sacerdote e reparação. O sacerdote não só sabe das fraquezas e pecados dos seus irmãos, os homens e mulheres. Ele mesmo é também pecador. Por isso precisa da reparação pelos pecados próprios e pelos pecados da humanidade. Porque o pecado ofende a Deus, Senhor e Pai.

Como pode o sacerdote reparar seus pecados e os pecados dos seus irmãos para poder contentar a Deus? Mediante a oração humilde, o sacrifício amoroso e a Eucaristia oferecida pela reparação dos pecados. Deus fica lastimado com cada um de nossos pecados. E ai está o sacerdote mediante a reparação dando consolo a Deus, magoado e ferido por culpa dos pecados da humanidade.

Deus fica triste com cada um de nossos pecados. E ai está o sacerdote mediante a reparação, enxugando as lágrimas de Deus, entristecido por nosso desamor e arrancando dele um bel sorriso. Deus fica com o coração aflito e coroado de espinhos por culpa dos pecados. E ai está o sacerdote com esse sacrifício voluntário e buscado, essa renuncia oferecida, essa oração elevada com coração limpo e humilde, dando a Deus um pouco de alívio para seu coração. Deus fica pisoteado, maltratado, cuspido com os nossos pecados. E ai está o sacerdote de joelhos em oração humilde, dia e noite, manhã e tarde, limpando o rosto de Deus, sujo por o nosso desprezo. Deus fica um pouco abalado e desanimado pela indiferença de tantos, que preferem seguir o seu caminho de perdição longe dEle. E ai está o sacerdote celebrando com fervor essa santa Missa para dar a Deus toda a Glória que se merece e roubada por seus filhos e filhas e pedindo pela conversão de seus irmãos.

Deus amado, consolado, animado pelo seu amigo, o sacerdote. Que mistério tão maravilhoso e tão real! Bendito sejas tu, ó sacerdote, que podes alegrar o coração de Deus com teu espírito reparador. Não deixes sofrer a Deus que te chamou a ser seu amigo íntimo e inseparável.

Aprendendo o Latim (Parte III)

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Não é fácil definir, com precisão, a pronúncia original do latim. Se assim fosse, não haveria tanta polêmica entre latinistas franceses, alemães, italianos e outros.

Nesta breve iniciação na língua latina, importam apenas alguns instrumentos práticos. Em geral, os bons dicionários latinos registram os vocábulos com pequenos sinais diacríticos para indicar se as vogais são breves (ˇ) ou longas (-). Mas o latim mesmo não tinha acentos gráficos. Trata-se, portanto, de simples recurso didático para facilitar a aprendizagem. Aqui nos limitaremos a grafar em negrito a vogal tônica das palavras proparoxítonas. A palavra que não tem vocal em negrito é paroxítona. Exemplos: honoris, pronuncia-se honóris; populus, pópulus, etc. No latim não há palavras oxítonas, com exceção, é claro, de monossílabos tônicos, por exemplo, algumas interjeições.

O grupo ti, seguido de vogal, soa como ci em português. Por exemplo: justitia (justicia). Só o segundo ti soa ci porque seguido da vogal a.

Outra importante observação: os ditongos ae, oe se pronunciam como é, mas não são necessariamente tônicos. Como não há palavras oxítonas em latim, rosae se pronuncia róse e não rosé.

Para evitar equívocos, convém pronunciar sempre o o e o e latinos como o e e e não u e i  como acontece no português. Por exemplo, se pronuncio civitate como civitati, o som i mudaria por completo a função da palavra, que deixaria de ser ablativo para se tornar dativo, como verá mais adiante.

Aqui o áudio da Oração "Santo Anjo do Senhor":




Angele Dei:
Angele Dei, qui custos es mei, me tibi commíssum pietáte supérna, illúmina, custódi, rege et gubérna. Amen.


b) Pronúncia Clássica.

O latim só tinha letras maiúsculas, as minúsculas são utilizadas por primeira vez na Idade Média. A pronúncia é por sílabas, muito parecida ao português.


Todas as vogais podem ser longas ou curtas. A pronúncia das vogais cá descrita é muito aproximada e fundamentada na evolução do latim para o português (vogais longas tornam-se fechadas, breves tornam-se abertas).

A, letra chamada em latim A, quando longo mais ou menos como em levar, quando breve como em chazinho

B, BE, como em barco

C, CE, sempre como em carro (também em -CE-, -CI-). Arcaicamente, o C também podia ser um G (cfr. CAIVS e GAIVS)

D, DE, como em deixar

E, E, quando longo como em dedo, quando breve como em vetar

F, EF, como em fevereiro

G, GE, sempre o g português em gato (também em -GE-, -GI-; nos -GUE-, -GUI- o u é pronunciado, como semivogal)

H, HACCA, só os falantes muito cultos aspiravam o H (como o inglês hen) mesmo na época clássica, para a maioria era mudo na altura

I, I, quando longo como em ruído, quando breve como em enorme

J: esta letra não existia em latim clássico, foi criada na Idade Média para fazer diferença entre o i vogal e o i consonântico para o que muitos i latinos foram evoluíndo

K, KA, como o C latino; arcaicamente havia uma diferença entre C e K, mas perdeu-se e o K só ficou nalgumas palavras: KARTHAGO (mas também CARTHAGO), KALENDA... muitas delas emprestadas da língua grega;

L, EL, como em levar

M, EM, como em muito, não nasaliza as vogais anteriores a ele

N, EN, como em nome

O, O, quando longo como em toda, quando breve como em mormente

P, PE, como em português

Q, QV, sempre antes do u semivogal, -QV-. A diferença é clara em, p.ex. CVI e QVI: em CVI o u é vogal e tónico, "cú-i", em QVI o u é semivogal e o i é o tónico, "kwí"

R, ER, possivelmente como em caro, ou talvez como em carro (rr não uvular, mas alveolar, o "clássico" europeu e como se pronúncia ainda nas zonas rurais de Portugal, em África ou na Galiza), talvez ambos dois segundo regras similares às do português

S, ES, possivelmente como em só

T, TE, como em tempo (t do padrão europeu)

V, V, nunca como o v português, sempre é vogal ou semivogal: quando vogal longo, como em miúdo, quando vogal breve como em surdo, quando semivogal como em mau. É semivogal quando diante de outra vogal, como em SOLVO ou QVARTVS. Na Idade Média, o V minúsculo grafava-se "u", o "u" afinal foi utilizado só para o som vogal e "v" para o consonântico (como no português);

X, EX, "gs" ou "ks", segundo a palavra (LEX-LEGIS, gs; DUX-DUCIS, ks)

Y, YPSILLON, como o u francês ou o ü/ue alemão, a letra é grega e não latina (este som não existe em latim), mas empregou-se para empréstimos do grego;

Z, ZETA, como o z alemão, aproximadamente "ts", também para empréstimos do grego;

Há também estes dígrafos para empréstimos gregos:

CH, como o j espanhol ou o ch alemão; também aparece em palavras latinas, nelas é talvez um K levemente aspirado, é dizer, K+H, (PVLCHER, LACHRIMA) ou apenas um simples K

PH, aproximadamente como um P aspirado (PHILOSOPHIA)

RH, como o R ou RR (RHETOR, RHOMBVS)

TH, como em inglês thin ou o c/z espanhol da península

As letras para os empréstimos gregos tendiam a ser pronunciadas com os sons mais próximos do latim, assim o Y pronunciava-s I ou V, o Z como S, CH como K, TH como T, PH como F, etc.

As letras das consoantes podem ser duplas, BB, CC, DD, FF, GG, LL, MM, NN, LL, PP, RR, SS, TT, mesmo a vogal VV (MORTVVS)... a pronúncia é como duas letras separadas em sílabas diferentes, ILLE é "IL-LE" (ou um L mais longo), têm valor fonológico, p.ex. ANVS, "A-NVS", "(mulher) velha", não é, nem se pronúncia como ANNVS, "AN-NVS", "ano", SVMVS, "SV-MVS", "nós somos", não tem a ver com SVMMVS, "SVM-MVS", "o mais alto".

Arcaicamente, as vogais longas por vezes eram escritas como duplas, nos tempos da República com um acento grave (APEX), e no Império com algo parecido a um acento agudo. Mas nunca foi universal nem unanimemente aceite. Na Idade Média, sobretudo nos livros de aprendizagem, adoptou-se o costume de grafar as vogais longas com um tracinho acima (mácron), e as breves com um u pequeninho (bráquia).

Há ditongos e tritongos (muito raros), AE, AV, EI, EV, OE, OI, VI, e pronunciavam-se com os sons correspondentes, mas muito cedo foram evoluindo para outros sons, p.ex. AE passou a ser pronunciado como um E aberto, OE como E fechado, AV como o "ou" (ow) português, etc.

Há estes grupos consonânticos: BL, BR, CL, CR, DR, FL, FR, GL, GN, GR, PL, PR, SC, SCR, SGR, SP, SPL, ST, STR, TR, a pronúncia deles é a união dos sons, mas fazem parte duma única sílaba: DRV-SVS, GNA-TVS; qualquer outro caso as consonantes fazem parte de sílabas diferentes: AR-TIS, MOR-TEM, PROP-TER, OM-NI-A

Hoje o latim é escrito empregando letras maiúsculas e minúsculas segundo as regras universais, e utilizando a diferença na escrita do u vogal e consonântico, u/v, isto é, mortuus e não MORTVVS ou unum e não VNVM, mas cave (de CAVE) e não caue (em geral: v sempre entre vogais). O emprego do i/j fica à vontade mas dentro duma coerência (ou é utilizado o j, ou não é).

As sílabas em latim são abertas se terminam em vogal, fechadas se em consoante. Uma sílaba é breve se aberta e contém uma vogal breve: fu-ga, do-mi-na, ou quando vai diante doutra vogal (ainda que tiver uma vogal longa ou um ditongo): au-re-us, om-ni-a. A sílaba é longa se fechada ou contém uma vogal longa.

No latim não há palavras oxítonas, excepto as poucas que perdem uma vogal final: educ (edúc, de educe), illic (il-líc, de illice).

As palavras com duas sílabas são paroxítonas: unda (únda), rosa (rósa).

Se houver mais de duas sílabas: são paroxítonas se a penúltima sílaba é longa, amicus (amícus), frumentum (fruméntum). Também se a última sílaba é uma partícula enclítica, fratresque (fratrésque, mas frâtres), reginave (regináve, mas regína).

Em todos os demais casos são proparoxítonas: dominus (dóminus), agricola (agrícola).

Há palavras átonas, proclíticas ("colam" por diante) ou enclíticas (por trás). As enclíticas puxam para si o acento: Inter (átona) +homines (hómines) = interhomines (interhómines); ipse (ípse) + met (átona) = ipsemet (ipsémet). Mas se não era considerada composta (como em português "porém" ou "decerto", p.ex.), não acontecia: itaque (ítaque, "então"), itaque (ita+que > itáque, "e assim").

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Transmissão ao vivo, sábado, na EWTN, de Missa cantada na forma extraordinária

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Para assistir, no sábado, clique em http://viewers.multicastmedia.com/viewer/detection.asp?alias=SF&networkID=3001844&nsn=EWTNTVEUS

Lembrem-se de que o horário é o da Costa Leste dos EUA, sempre 1h a menos do que o Horário Oficial de Brasília.

Reflexões sobre a celebração pública da Missa de acordo com o usus antiquior

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Um excelente artigo que nos foi enviado por um leitor, Fabiano Rolim, que o traduziu.

Reflexões sobre a celebração pública da Missa de acordo com o usus antiquior

Por Pe. Dominic Holtz, O.P.

Tradução: Fabiano Rollim

Original em inglês disponível em: http://speciouspedestrian.blogspot.com/2010/05/reflections-on-public-celebration.html

Um leitor perguntou se eu poderia fazer uma reflexão sobre minha primeira celebração pública da Missa de acordo com o Missal Romano de 1962, fato ocorrido recentemente, em 29 de abril. Com as impressões ainda frescas em minha mente, considerei válido, primeiramente para mim, atender à solicitação, mesmo que não fosse para meus outros leitores.

Devo chamar a atenção para algumas coisas. Em primeiro lugar, já celebrei algumas vezes, de maneira privada, a Missa na forma extraordinária. Também já celebrei a Missa na forma ordinária publicamente em latim (a primeira vez, duas semanas após minha ordenação), ad orientem, com canto gregoriano, polifonia, etc. Procuro manter-me fiel ao texto do Missal, esforço-me para que meus gestos e posturas se conformem às formas clássicas, aproveito bastante as oportunidades de oração silenciosa (especialmente no Ofertório), e por aí vai. Com isto quero dizer: as impressões registradas aqui são baseadas realmente na celebração pública da forma clássica da Missa, e não resultam de outros fatores.

Ainda a título de prefácio, reconheço que tive o maravilhoso e raro privilégio de contar com um coral (acompanhado de instrumentos clássicos) que cantou o Ordinário e o Próprio da Missa, com motetos[1], talvez antes só ouvidos, se tanto, em cortes reais da Bavária e da Áustria no século XVI. A música foi simplesmente sublime e admito que minha experiência maravilhosamente positiva e edificante foi devida, ao menos em parte, à gloriosa música oferecida por estudantes e docentes da Jacob School of Music da Universidade de Indiana. Mesmo assim, pretendo falar mais diretamente de minha própria experiência da celebração da Missa qua celebrante, isto é, como sacerdote.

De início, assim que o frio no estômago cessou, fiquei impressionado existencialmente com aquilo que já sabia conceitualmente, a saber, o fato de toda a “ante-Missa” ser tão útil espiritualmente e, mais especificamente, as orações no limiar do altar. Uma vez que as orações tiveram início, houve uma verdadeira calma espiritual acompanhada de um senso claro a respeito da seriedade daquilo que eu estava para fazer, até que chegasse o momento de me aproximar do altar. Certamente as orações durante a vestição e minhas próprias orações antes da Missa, que eu faria de qualquer maneira, foram importantes. Todavia, a esplêndida alternância de orações entre eu e os acólitos, a mútua (não meramente conjunta) confissão dos pecados, as palavras sóbrias e ainda assim esperançosas do Aufer a nobis e Oramus te e, durante todo esse tempo, o não precisar me preocupar em “sustentar” a celebração da Missa, desde o início deram-me um senso de propósito e intenção diferente do que eu geralmente já havia experimentado em uma Missa.

Ao mesmo tempo (foi uma Missa cantata) encontrei verdadeira consolação na recitação silenciosa enquanto aguardava o coral terminar o Kyrie e o Glória. Foi um tipo de espera que ao mesmo tempo permitiu-me um espaço de recolhimento em oração particular e manteve-me atento ao meu papel como um servidor do rito. Por mais crucial que fosse o meu papel, não era “minha” hora de dirigir a ação, mas minha hora de esperar.

Devo mencionar aqui que a distinção de toda a Missa dos Catecúmenos como sendo mais vocal, mais coral, mais audível, também se tornou aparente de maneira experiencial, embora eu já soubesse disso conceitualmente. O que eu e toda a assembléia experimentamos desde o começo do Intróito até a conclusão do Evangelho foi um extenso e contínuo ato de louvor e proclamação. Certamente, eu não era ouvido continuamente, mas sempre que alguém não estava cantando ou rezando, outro alguém estava. Destaco isto porque o contraste com a Missa dos Fiéis, notável por seus significativos momentos de silêncio (falo mais sobre isso abaixo), tornou-se cada vez mais claro no decorrer da Missa.

Digno de nota é o sentimento de que a homilia, sem ser algo estranho nem inapropriado, é pelo menos uma cesura, uma Luftpause[2] na celebração. Como qualquer poeta ou músico poderá dizer, estas pausas não são inconsequentes, e realmente “pertencem” ao lugar onde são colocadas. Mesmo assim, trata-se de uma interrupção, uma parada, uma pausa, que se torna claríssima também: ritualmente no gesto de remover o manípulo; topograficamente no meu deslocamento do altar até o ambão; vocalmente na mudança do canto em latim para a fala em inglês; e intencionalmente quando deixo de usar as palavras, movimentos e gestos recebidos da Igreja para usar minhas próprias palavras, recebidas no encontro orante com as Escrituras na preparação da pregação. Pelo menos agora entendo, de uma forma que não tinha entendido antes, o que especialistas em homilética queriam dizer ao se preocuparem com a homilia antiga como não sendo “litúrgica”. Por ora, em relação a ser ou não algo bom, não julgarei. Uma coisa que a homilia realmente me fez ver foi o quão profundamente eu havia entrado no Sancta sanctorum ao rezar o Aufer a nobis, uma vez que me senti realmente transportado de um estado mental e espiritual para outro (considerando que isso envolveu mudar não apenas minha orientação, mas deixar o espaço próprio do altar). Foi diferente do que aconteceu em outros momentos em que me voltei para o povo, como no Orate fratres ou na preparação da Comunhão dos fiéis (o Ecce Agnus Dei e o triplo Domine non sum dignus).

Talvez não seja nem notável nem surpreendente dizer, ainda que seja verdade, que fui profundamente afetado pelo silêncio da celebração do Cânon. Havia uma intensidade, uma presença, uma abundância de conteúdo naquele silêncio, diferente de tudo que eu já havia experimentado antes. Talvez tenha sido devido em parte ao contraste com a música sublime e quase contínua que eu tinha ouvido até o Sanctus. Então, quando o último Hosanna in excelsis chegou ao fim e tudo que podia ser ouvido era o silêncio de minha oração... É uma experiência bem difícil de por em palavras, ainda mais quando tento evocar o que significou dizer as palavras da consagração sem tentar comunicá-las de forma audível e inteligível para uma assembléia heterogênea de fiéis, mas dizendo-as sob o véu do silêncio de forma que elas pudessem ser o que são em simplicidade evidente e profunda... Só posso dizer que foi transformador, ou melhor, espero que venha a sê-lo.

Como disse acima, também fiquei impressionado pelo relativo aumento do silêncio na Missa dos Fiéis, pelas várias, na verdade frequentes, “interrupções” quando nada era ouvido. Mesmo assim, não foram meras pausas, nem simplesmente “conclusões” de orações longas demais para serem cobertas pela música. Foram silêncios significativos, densos, que me dirigiram (e espero que também os fiéis) à Comunhão de um jeito que a forma ordinária não faz. Hesito neste ponto em fazer um julgamento, mas a experiência foi certamente diferente e notável.

Uma confirmação que tive foi esta: é infinitamente mais prático, e ao mesmo tempo mais conforme, que os fiéis (na medida em que forem capazes) recebam a Eucaristia na língua e de joelhos. Notem bem, fico muito feliz que qualquer um dos fiéis, propriamente disposto, se aproxime para receber Nosso Senhor no Sacramento, e preferiria vê-los se aproximando aos pulos do que se afastando com medo. Mesmo assim, de um ponto de vista prático, ter as cabeças de todos mais ou menos no mesmo lugar (com exceção das crianças pequenas e dos homens muito altos), não ter que adivinhar onde ou como cada um vai comungar (mão ou língua, de pé à distância ou bem perto, etc), permitiu-me estar mais a vontade ao dar-lhes a comunhão. Noto isto comparando com os vários anos de experiência ajudando na Catedral Basílica de St. Louis onde, mesmo com sua louvável celebração da Missa, as pessoas que se aproximavam para comungar podiam se apresentar (e realmente se apresentavam) em uma curiosa variedade de formas!

Devo também acrescentar que, a despeito do ritual relativamente longo envolvendo minha própria Comunhão e as abluções, não me senti nem mesmo remotamente pressionado pelo tempo. De novo, o forte senso de estar no Santo dos Santos, e as orações que me assistiam durante o rito, verdadeiramente mantiveram-me focado nas coisas do altar; e isto devido não apenas à orientação (apesar de que, não gostaria que o ótimo fosse inimigo do bom aqui, e endosso completamente o bem que também experimentei na celebração ad orientem da Missa na forma ordinária). Da mesma forma, o Placeat (que rezo ao final da Missa mesmo na forma ordinária, mas geralmente no caminho de volta à sacristia) e o Último Evangelho não me pareceram apêndices, mas formas salutares de me conduzir desde o altar até de volta para o mundo em torno.

Deve ser bem fácil perceber que esta foi uma experiência poderosa e bela para mim. Cada rubrica foi observada perfeitamente? Duvido. Parte da beleza veio da música? Certamente. Parte do poder percebido foi resultado da “novidade”? Talvez. O tempo e a experiência irão dizer. O que posso afirmar com certeza é que agora digo de maneira existencial o que antes teria dito, corretamente, mas de maneira conceitual, a saber, que há benefícios grandiosos e reais que vêm da celebração clássica da Missa do Rito Romano; benefícios que sacerdotes e fiéis em geral fariam bem em encontrar.

[1] N. do T. – Moteto é um gênero musical polifônico surgido no século XII onde, inicialmente, usavam-se textos distintos para cada voz. O apogeu do seu uso deu-se no século XVI.

[2] N. do T. – Luftpause (origem alemã): trata-se de um símbolo utilizado na escrita musical, semelhante a uma vírgula, que instrui o cantor ou instrumentista a fazer uma breve pausa, criando um efeito similar ao de uma vírgula em um discurso; lit. “pausa para respiração”.


Cardeal Pell será novo prefeito da Congregação para os Bispos!

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"The Liturgy is not about us, but about God!"
("A Liturgia não é a respeito de nós, mas de Deus" - tradução livre)


Essas palavras já nos dão uma amostra do pensamento litúrgico do Cardeal George Pell que, segundo nos conta Andrea Tornielli, foi confirmado como próximo prefeito da Congregação para os Bispos, no lugar do Cardeal Giovanni Battista Re. O anúncio oficial será feito semana que vem.

Andrea Tornielli ressalta que o cargo permite o "filtro" das indicações para o episcopado, e afirma que isso influenciará o rosto da Igreja nos próximos 20 anos. Dessa forma, é uma excelente notícia a sua nomeação. Também o articulista ressalta que Sua Eminência é estrangeira e não tem experiência na Cúria, uma novidade.

Cardeal Pell é o chefe do Vox Clara, que conduziu a nova tradução, decorosa, do Missal em inglês. Amigo do "Adoremus" e de vários grupos pela "reforma da reforma" e pela correta celebração da Missa atual, ele é "conservador", tem uma história de diálogo ecumênico com os anglicanos (desejando-lhes a verdadeira conversão), tem um grande apreço pela liturgia e um grande apreço pela forma extraordinária. O Cardeal também é um grande promotor de programas de apologética e conversão de protestantes.


Algumas belíssimas fotos de Sua Excelência a celebrar Vésperas na forma extraordinária e Missa na ordinária podem ser vistas no New Liturgical Movement.

Ordenações na forma extraordinária nos Franciscanos da Imaculada

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Imagens das ordenações conferidas, segundo o rito romano tradicional, pelo Cardeal Franc Rodé, no último dia 25 de março, aos frades Franciscanos da Imaculada, que celebram in utroque usu.

Fotos tiradas por James Bradley.

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terça-feira, 4 de maio de 2010

Três "porquês" para entender a Vigília Pascal

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De um excelente artigo do Ir. Antonio Lemos, LC:

Meu primo Mateus tem cinco anos de idade. Ele está passando pela famosa fase dos “porquês”. Por que temos que tomar banho? Por que o seu pai tem que trabalhar? Por que a semana tem sete dias? Por que isso? Por que aquilo?

Essa estratégia dos porquês pode servir muito bem para viver melhor a liturgia nesse tempo tão especial que é a Semana Santa.

Pare de ler esse texto agora mesmo, feche os olhos e tente lembrar-se das três coisas que mais lhe chamaram a atenção na Vigília Pascal do ano passado.

O mais provável é que você se lembrou primeiro que era uma vigília, depois da benção do fogo na frente da igreja antes da missa e então do Círio Pascal. Esses são os detalhes externos que ficam gravados na memória e ajudam a compreender o sentido tão profundo da celebração da Páscoa. Mas quanto conhecemos desses detalhes para realmente aproveitar o que Deus quer nos falar através da liturgia?

Então, para entender a Vigília Pascal melhor podemos seguir o método do Mateus e fazer três perguntas. Por que a Vigília Pascal é uma vigília? Por que fazemos a bênção do fogo? Por que usamos o Círio Pascal?

1º Por que a Vigília Pascal é uma vigília?

Há dois motivos principais para que o tempo próprio para a celebração da Vigília Pascal seja depois do pôr-do-sol do Sábado Santo. Primeiramente, o sentido espiritual dado pelos judeus à celebração da Páscoa que também acontecia à noite. Deus mesmo fez uma vigília durante a noite do Êxodo para proteger o seu povo. Os judeus comemoravam a libertação da escravidão fazendo memória à vigília que Deus fez por eles.

O segundo motivo é que nós guardamos o sábado como um dia de luto, em continuação à sexta-feira santa. Na minha casa, por exemplo, minha mãe nos ensinou que desde a celebração da Ceia do Senhor na quinta-feira santa não assistíamos televisão, não jogávamos vídeo-game nem falávamos em alta voz até a Vigília Pascal.

A Ressurreição de Cristo ocorreu de noite e esperamos o dia inteiro de sábado para celebrá-la. Portanto o sábado é o dia de espera da vinda do Senhor, pois o noivo foi tirado da noiva e colocado numa tumba. Essa atitude de espera deve marcar toda a nossa vida.

2º Por que fazemos a bênção do fogo?

A celebração da Vigília começa fora da igreja com a benção do fogo. Essa tradição teve início no século IV. Havia na Europa, especialmente nos mosteiros, um antigo costume de rezar algumas orações especiais ao acender as velas que eram usadas durante a noite.

A oração que é feita durante a benção diz que a verdadeira festa pascal é a eterna festa de luz nos Céus. Esse é o símbolo de Cristo e sua vitória sobre a morte e o pecado, a vitória da luz sobre a escuridão.

3º Por que usamos o Círio Pascal?

A procissão com o Círio acendido para dentro da igreja escura é a dramatização da Ressurreição de Jesus que traz luz e vida ao mundo. Todos os presentes recebem luz do Círio Pascal para acender suas próprias velas, porque todos os cristãos participam da glória da Ressurreição como filhos da luz. Além disso, o Círio Pascal que usamos possui o sinal da cruz, as iniciais do nome de Cristo, os números representando o corrente ano e cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Cristo, os troféus do Rei vitorioso.

O mais importante é que esses três detalhes que fazem a Vigília Pascal tão especial estão direcionados à comemoração de uma preciosa verdade de nossa fé: Jesus é a luz do mundo, Ele ressuscitou e nos deu a vida eterna.

O diácono grego na Missa papal

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Excelente o texto do Pe. Athanasius D. McVay, traduzido e comentado pelo Thiago de Moraes, em seu Apologética Católica. Clica no link para ler.

 

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Liturgia de dedicação de uma Igreja

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A riqueza simbólica da liturgia de dedicação de uma igreja constitui uma verdadeira catequese que exige ser aprofundada e degustada. Oferecemos ao leitor algumas considerações sobre o significado desse belo cerimonial litúrgico.

Por José Antonio Dominguez

http://www.arautos.org/view/show/395-liturgia-de-dedicacao-de-uma-igreja

Desde os primórdios do Cristianismo, os fiéis se reuniam em assembléia (ecclesiæ)para celebrar a Eucaristia, ministrar os sacramentos e ouvir a pregação da Palavra de Deus. Os lugares de reunião eram habitualmente suas próprias casas, onde utilizavam a sala mais espaçosa para esse fim. Alguns desses locais de culto são mencionados no Novo Testamento.

É certo - afirma o rubricista espanhol, Pe. Joaquín Solans, em seu Manual Litúrgico - que os Apóstolos celebravam os
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Divinos Mistérios em casas particulares. Nos Atos dos Apóstolos (20, 7-11), conta-se que São Paulo o fez num terceiro andar, adornado com muitas lâmpadas, onde se haviam reunido os fiéis, aos quais, depois de bem instruídos, distribuiu o Pão Eucarístico.

Também é tradição certa que o Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, se hospedava em Roma em casa do senador Pudente. Ali se congregavam os cristãos para ouvir suas instruções, assistir aos santos Mistérios e receber a Sagrada Eucaristia. Pode-se ainda ver esse venerando recinto na igreja de Santa Pudenciana, filha do fervoroso e santo senador 1.

Com o tempo, as casas nas quais se reunia a assembléia passaram a ter cômodos específicos reservados para o culto divino. E, a partir do fim do século II, esses prédios começam a ser chamados de Domus Ecclesiæ.

Ao longo do século III, esses aposentos foram crescendo em importância e as outras partes do edifício, destinadas a finalidades profanas, vão sendo separadas dele. A Domus Ecclesiæ se transforma em Domus Dei.

Consagração ao culto

Já a partir do século IV, a dedicação da Domus Dei era considerada uma das festas mais solenes da Liturgia, a fim de ressaltar o caráter sagrado do edifício, que não poderia mais ser usado para fins profanos. Comenta, a este respeito, Dom Guéranger: Nossas igrejas são santas por sua pertencença a Deus, pela celebração do Sacrifício, pelas preces e louvores nelas oferecidos ao Hóspede divino. A um título melhor do que o tabernáculo simbólico ou o templo antigo, sua dedicação as separou para sempre de qualquer morada de homens e as elevou acima de qualquer palácio da Terra.

Contudo, não obstante os ritos cuja magnificência enche seu recinto no dia de sua consagração a Deus, sob o óleo santo do qual suas paredes permanecem para sempre impregnadas, elas não ficam menos desprovidas de sentimento e de vida.

O que dizer, pois, senão que essa sublime cerimônia de dedicação das igrejas, como também a festa destinada a perpetuar sua memória, não se detêm no santuário construído por nossas mãos, mas elevam-se a realidades mais augustas e vivas? A principal glória do nobre edifício será de simbolizar a grandeza. Sob a sombra de seus arcos a humanidade se iniciará em inefáveis segredos cujo mistério se consumará para além mundo, no pleno dia do Céu 2.

A igreja e a Jerusalém Celeste

No ritual litúrgico da dedicação de uma igreja destacam-se quatro elementos essenciais: a aspersão com a água benta, a deposição das relíquias dos santos, a unção sagrada do altar e da igreja, a incensação, a iluminação e, por fim, o principal, a Celebração Eucarística.

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Em virtude da unção, o altar se torna símbolo
de Cristo, o "Ungido" por excelência, pois o
Pai o ungiu com o Espírito Santo e o consti -
tuiu Sumo Sacerdote, para oferecer no altar o
Sacrifício pela salvação de todos

Por ser o edifício visível um sinal peculiar da Igreja peregrina na terra e imagem da Igreja que habita nos céus, a Jerusalém Celeste, esses ritos manifestam simbolicamente algo das obras invisíveis que o Senhor realiza por meio dos divinos mistérios da Igreja, ou seja, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia.

As inspiradas palavras de Santo Agostinho nos explicam com sublime genialidade a relação entre ambasas realidades: Esta é, de fato, a casa das nossas orações; mas nós próprios somos casa de Deus. Somos construídos como casa de Deus neste mundo e seremos dedicados solenemente no fim dos tempos. O edifício, ou melhor, a construção, faz-se com trabalho; a dedicação realiza-se com alegria. O que acontecia aqui quando esses materiais se erguiam, isso acontece agora quando se reúnem os que acreditam em Cristo. Com efeito, ao aceitarmos a Fé, é como se fossem cortadas as madeiras e as pedras nas florestas e nos montes. Ao sermos catequizados, batizados, instruídos, é como se fôssemos desbastados, alinhados e aplainados nas mãos dos carpinteiros e artistas. No entanto, esses materiais não constroem a casa do Senhor, senão quando se unem pela caridade. [...] Por conseguinte, o que aqui vemos feito materialmente nas paredes, faça-se espiritualmente nas almas; e o que vemos aqui realizado nas pedras e madeiras, também se realize nos vossos corpos, por obra da graça de Deus 3.

E a própria Prece de Dedicação o confirma com a bela linguagem da liturgia latina: Este edifício faz vislumbrar o mistério da Igreja, que Cristo santificou com seu Sangue, para apresentá-la a Si mesmo, qual Esposa gloriosa, Virgem deslumbrante pela integridade da Fé, Mãe fecunda pela virtude do Espírito. [...] Aqui, as ondas da graça divina sepultem os delitos, para que vossos filhos e filhas, ó Pai, mortos para o pecado, renasçam para a vida eterna.

[...] Aqui, como jubilosa oblação de louvor, ressoe a voz do gênero humano unida aos coros dos Anjos e suba até Vós a prece incessante pela salvação do mundo.

Aqui, os pobres encontrem misericórdia, os oprimidos alcancem a verdadeira liberdade e todos sintam a dignidade de ser vossos filhos e filhas, até que, exultantes, cheguem à Jerusalém Celeste.

Aspersão do altar e do templo

A Santa Missa começa substituindo o do ato penitencial pela a aspersão da água benta. Ela é um sacramental que, usado com Fé, nos purifica dos pecados veniais e afasta o espírito maligno. Por seu caráter exorcístico, se aspergem também o altar e as paredes da igreja, para purificá-los, assim como todo o povo, em sinal de penitência, e em lembrança do Batismo.

Assim como Cristo nos precedeu nas águas do Batismo, no Jordão - explica Dom Guéranger - as aspersões começam pelo altar que O representa e depois se fazem no edifício inteiro.

Primitivamente, era então que não só todo o interior e o pavimento do templo, mas também o exterior das paredes e, em alguns lugares, até os tetos eram inundados da chuva santificante que expulsa o demônio, dá a Deus essa morada e a prepara para os favores que se seguirão 4. Deposição das relíquias O costume de colocar relíquias de santos sob o altar originou-se nos primeiros séculos da Igreja, nas catacumbas, onde se tornou habitual celebrar a Missa sobre a pedra tumular de um mártir. Com isso, se queria significar que o sacrifício dos membros encontra seu princípio no sacrifício da Cabeça, que é Jesus Cristo.

Na atualidade, a Igreja não exige que as relíquias colocadas sob o altar sejam exclusivamente de mártires.
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Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no
Seminário dos Arautos do Evangelho, foram
depositadas sob o altar as relíquias de santos
comemorados pela liturgia romana, ao longo
dos 365 dias do ano.

Sobre este antiqüíssimo costume, nos dá Dom Guéranger uma sintética resenha histórica: Nos primeiros séculos da Idade Média, realizava-se a triunfal transladação das relíquias destinadas a entrar no altar, as quais até então se encontravam na tenda do exílio; no Oriente, é este o arremate glorioso da consagração das igrejas. [...] Entre os gregos, o Pontífice deposita as santas relíquias no tabuleiro sagrado e as leva acima de sua cabeça, honrando como temível mistério esses restos preciosos, pois o Apóstolo disse dos fiéis: "Vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros" (1 Cor 12, 27). No Ocidente, até o século XIII e mais tarde, encerrava-se no altar, com os Santos, o próprio Senhor em seu Corpo Eucarístico. "Era a Igreja unida ao Redentor, a Esposa ao Esposo", diz São Pedro Damião.

Era o acabamento final, a passagem do tempo para a eternidade 5.

Santidade do altar

Em virtude da unção, o altar se torna símbolo de Cristo, o "Ungido" por excelência, pois o Pai o ungiu com o Espírito Santo e o constituiu Sumo Sacerdote, para oferecer no altar de seu Corpo o sacrifício da vida pela salvação de todos. Por isso, desde tempos remotos, o altar foi cercado de respeito e veneração pelos cristãos: Um lugar santo é o altar cristão.

Chamavam-no sanctus, divinus, regalis, tremendus. S. João Crisóstomo: admirabilis. S. Gregório Nisseno ensina que o altar é tão santo que nem todos, mas só os sacerdotes, e estes só com reverência, o podem tocar. Beijavam-no. Os imperadores Teodósio e Valentiniano proibiram trazer armas nas igrejas e junto dos altares. [...] Desde o século IV, o altar tinha o privilégio de asilo 6.

A santidade do altar exige, daqueles que dele se aproximam na liturgia uma correspondente santidade de vida: Eles devem possuir a pureza da consciência e o perfume da boa reputação, que são simbolizados pelo santo Crisma, composto de azeite e de bálsamo. Devem ter uma consciência pura, para poderem dizer com o Apóstolo: "Nós temos a glória de que nossa consciência nos dá testemunho de uma boa reputação" (2 Cor 1, 12).

Diz ainda São Paulo: "Importa também que [o Bispo] tenha o bom testemunho daqueles que estão fora da Igreja" (1 Tm 3, 7).

E São Crisóstomo acrescenta: "Os clérigos não podem ter mácula alguma, nem em sua palavra, nem no seu pensamento, nem nas suas ações, nem na sua opinião, porque eles são a beleza e a força da Igreja: se eles fossem maus, eles A maculariam por inteiro" 7.

A unção com o Crisma

A unção do altar é feita com o Crisma, como explica Dom Guéranger: O óleo confere ao cristão, pelo segundo Sacramento, a perfeição de seu ser sobrenatural, faz também os reis, os sacerdotes e os pontífices. Por todas essas razões, o óleo santo, por sua vez, flui abundantemente sobre o altar, que é o Cristo Chefe, Pontífice e Rei, para dEle, como fez a água, atingir as paredes, a igreja inteira. Com efeito, doravante o templo é efetivamente digno do nome de igreja; pois, assim batizadas, assim consagradas com o Homem- Deus na água e no Espírito Santo, as pedras com as quais ele foi construído representam ao vivo a assembléia dos eleitos, ligados entre si, e com a Pedra Divina, pelo indestrutível laço do amor 8.

Em seguida, também a igreja é ungida, nas doze cruzes fixadas nas quatro paredes do edifício, em sinal de triunfo, pois, a Cruz é o estandarte de Jesus Cristo e a insígnia de sua vitória. É para mostrar que este local está sob o domínio do Senhor que elas são insculpidas nas paredes. A unção da igreja significa que ela está dedicada, toda inteira e para sempre ao culto cristão. As unções são doze para significar que a igreja é a imagem de Jerusalém, a cidade santa, da qual está dito no Apocalipse: "A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e neles os doze nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro" (Ap 21, 14).

Incensação do altar e da igreja

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O fogareiro com o incenso simboliza que o
sacrifício de Cristo sobe até Deus, como sua-
ve aroma, juntamente com as orações dos fiéis

Depois do rito da unção, coloca-se sobre o altar um fogareiro para queimar o incenso ou os perfumes, simbolizando com esse ato que o sacrifício de Cristo, perpetuado ali sacramentalmente, sobe até Deus como suave aroma, juntamente com as orações dos fiéis. A incensação de todo o espaço da igreja indica ser ela, pela dedicação, uma casa de oração. Também os fiéis são incensados, por serem "templos vivos de Deus" (Cf. 1 Cor 3,16-17; Ef 2, 22).

Iluminação festiva

Procede-se, por fim, à iluminação festiva da igreja, pois Cristo é a luz para iluminar as nações. As doze velas colocadas no lugar das unções são acesas em sinal de alegria. Postas diante das cruzes, elas simbolizam os doze Apóstolos que, pela Fé no Crucificado, iluminaram o universo, o instruíram e o inflamaram de amor.

Ao dedicar a igreja de Santa Maria da Nova Evangelização, em Roma, o Papa Bento XVI destilou com mestria o simbolismo mais profundo desses belos gestos litúrgicos: O outro aspecto que quereria mencionar aqui são os doze fundamentos da cidade, sobre os quais estão inscritos os nomes dos doze Apóstolos. Os fundamentos da cidade não são pedras materiais, mas seres humanos, são os Apóstolos com o testemunho da sua Fé. Os Apóstolos permanecem como os fundamentos essenciais daacendemos nas paredes da igreja, nos lugares onde serão feitas as unções, evocam precisamente os Apóstolos: a sua Fé constitui a verdadeira luz que ilumina a Igreja. E, ao mesmo tempo, é o fundamento sobre o qual ela está alicerçada. A Fé dos Apóstolos não é algo antiquado.

Uma vez que é verdade, é também o fundamento sobre o qual nos encontramos, é a luz através da qual vemos 9.
Em seguida, dá-se continuidade à celebração Eucarística.

As pedras vivas da Jerusalém Celeste

Cristão - lembra Dom Guéranger, em sua magistral obra -, pelo Batismo, tu te tornaste santuário de Deus. Que este dia de dedicação te recorde as consagrações que te arrebataram para fazer de ti o templo do Espírito Santo, para dar-te a Cristo, com o qual tua vida está doravante oculta no dulcíssimo e fecundíssimo segredo da face do Pai. Aprende a, em tua alma, cumular a Santíssima Trindade das homenagens devidas à sua presença.

Enfim, alma batizada e consagrada, lembra-te de que não estás sozinha no banquete do amor de teu Deus; de que a divina caridade que te une ao Cristo Esposo deve também juntar-te a seus membros, e aparelhar-te, pedra viva, preparada neste mundo para o lugar que será teu um dia, no edifício do nova cidade, da Igreja, por intermédio do ministério da sucessão apostólica: mediante os Bispos. As pequenas velas que santuário dos Céus. Aprende a adaptar- te à Igreja viva, a vibrar em uníssono com a grande Esposa, preparando- te para a eternidade, onde tua única e feliz ocupação será a de glorificar como ela a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, pelos séculos dos séculos 10.

1) SOLANS, Joaquín. Manual Litúrgico.
Barcelona: E. Subirana, t. I, p. 23.
2) GUÉRANGER, Dom Prosper. La Fête de La Dedicace des églises in L'année liturgique, pp. 258-259.
3) Sermo 336, 1.6; PL 38, 1471-1472.1475.
4) GUÉRANGER. Ibidem, p. 270.
5) GUÉRANGER. Ibidem, p. 271.
6) REUS, S.J., Pe. João Batista. Curso de Liturgia. Petrópolis: Ed. Vozes, 1944, p. 82.
7) VORAGINE, Jacques de. La Legende Dorée, Paris: Garnier-Flamarion, 1967, t. II, p. 450-451.
8) GUÉRANGER. Ibidem, p. 270.
9) BENTO XVI. Homilia durante a concelebração eucarística para a dedicação da igreja de Santa Maria Estrela da Evangelização, 10/12/2006.
10) GUÉRANGER. Ibidem, pp. 291-292.

(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2008, n. 76. p. 18 à 23)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Missa prelatícia, na forma extraordinária, em Bolonha, celebrada por seu Arcebispo

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O Cardeal Cafarra, Arcebispo de Bolonha, celebrou a Missa “prelatícia”, i.e., uma Missa cantada por um Bispo, mas que não é pontifical, no rito tradicional. O fato se reveste de profundo significado, dado que não é um Prelado de fora que a celebra, mas o Ordinário do lugar, em sua própria Catedral!

Fotos do Messa in Latino.

Parabéns a Sua Eminência.

Vestes corais

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As vestes corais são aquelas usadas pelos clérigos para assistir, de um local de destaque, a Santa Missa, modo laico, i.e., sem a celebrar, e outros atos litúrgicos. Igualmente, são usadas para presidir o Ofício das Leituras, bem como outras horas canônicas celebradas sem grande solenidade, e também quando se dirigem publicamente para a igreja ou dela regressam.

Por fim, podem-se usar vestes corais, facultativamente, para orações privadas e atos de piedade em local sagrado.

O Bispo (cf. CB, 1199-1202) , além do anel, que deve sempre portar, usa como vestes corais, nesta ordem:

* veste talar (batina) violeta;
* faixa de seda violeta, guarnecida com franjas de seda nas duas extremidades;
* roque ou sobrepeliz sobre a batina;
* mozeta (murça) violeta sem capuz, sobre a sobrepeliz
* cruz peitoral com cordão verde entrançado de ouro, sobre a mozeta;
* solidéu violeta;
* barrete violeta, com borla, sobre o solidéu;
* meias violetas;
* sapatos pretos sem fivelas.

Dentro da sua própria Diocese, em festividades especiais, pode usar, além disso, a capa magna violeta.

A mozeta pode ser substituída, segundo o costume, pela manteleta violeta.

Os Cardeais (cf. ibidem, 1205) usam as mesmas vestes corais, exceto que a cor, de violeta, passa a ser vermelha, e o cordão da cruz peitoral é de cor vermelha entrançado de ouro.

Alguns oficiais da Cúria Romana, quais sejam os Prelados superiores dos vários dicastérios que não sejam, porventura, Bispos, os auditores do Tribunal da Rota Romana, o promotor geral da justiça, o defensor do vínculo no Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, os protonotários apostólicos numerários e os clérigos da Câmara Apostólica, usam a batina violeta com faixa violeta guarnecida de franjas de seda, roquete ou sobrepeliz, manteleta (mas não mozeta) violeta, e barrete preto com borla vermelha. Já os protonotários apostólicos supranumerários e os Prelados honorários de Sua Santidade vestem batina violeta e faixa violeta de seda, guarnecida com franjas, sobrepeliz e barrete preto. Por sua vez, os Capelães de Sua Santidade, usam a batina preta com debruns e demais ornatos violetas, com faixa de seda também violeta, e a sobrepeliz por cima (cf. ibidem, 1205).

Os sacerdotes e diáconos usam, como vestes corais, se forem diocesanos ou religiosos sem hábito próprio, a batina preta com sobrepeliz e meias pretas. Podem usar barrete preto, com ou sem solidéu preto, e, segundo o costume, mozeta preta por cima da sobrepeliz. Se forem cônegos usam sempre, por cima da sobrepeliz, a mozeta preta ou cinza, e, se não forem beneficiários, também o cordão violeta. Sacerdotes e diáconos religiosos com hábito próprio, usam-no, como vestes corais, sem a sobrepeliz (a qual é envergada sobre o hábito somente quando servem à Missa como acólitos) (cf. ibidem, 1210).

Além das vestes corais, para uso dos clérigos em cerimônias quando nelas presentes em local de destaque, sem as celebrar, existem outras vestes previstas para alguns atos.


Se tais atos forem solenes, o Bispo usa:

* veste talar (batina) preta, com cordão, orla, costuras, caseado e botões vermelhos, com ou sem romeira preta (avivada com cordão vermelho);
* faixa de seda violeta, guarnecida com franjas de seda nas duas extremidades;
* cruz peitoral pendente de cordão simples (que não precisa ser verde e ouro como na veste coral);
* solidéu violeta.


As meias podem ser pretas ou violetas, à escolha. É possível também usar um chapéu de aba larga, preto, e, oportunamente, adornado com cordões e borlas verdes (que é a cor heráldica episcopal).

Em ocasiões mais solenes, pode-se usar o ferraiolo (manto talar amplo), na cor violeta. O manto talar amplo distingue-se da capa magna, que é maior, mais comprida. Em ocasiões mais simples, pode-se usar uma capa preta com uma romeira.

Para os Cardeais, as vestes em atos solenes fora das celebrações litúrgicas são as mesmas dos Bispos, mudado o violeta para o vermelho, como nas vestes corais.

Aqueles oficiais da Cúria Romana já referidos e também os protonotários apostólicos supranumerários usam batina preta com debruns e ornatos vermelhos (sem romeira), faixa de seda violeta com franjas igualmente de seda, facultativamente o ferraiolo violeta, e meias pretas com sapatos comuns sem fivelas. Já os Prelados honorários de Sua Santidade usam essas mesmas vestes, mas sem o ferraiolo. E os Capelães de Sua Santidade vestem as mesmas vestes dos Prelados honorários, porém com os debruns e ornatos violetas.

A veste talar (tanto a coral quanto a para atos solenes não-litúrgicos) é usada, com sobrepeliz, quando as rubricas prescrevem seu uso para a celebração de alguns atos litúrgicos.

No uso corrente, todos os clérigos devem usar, a teor do Código de Direito Canônico (cf. cân. 284), os trajes eclesiásticos. Regulares o hábito de seu instituto, e seculares (bem como regulares sem hábito próprio, e mesmo aqueles que o tenham em algumas ocasiões) a batina preta. O Bispo pode usar tanto a batina preta simples, igual aos sacerdotes e diáconos, como também a batina preta (com ou sem ornatos vermelhos), com solidéu e faixa violeta (não necessariamente de seda). O Cardeal usa a mesma veste do Bispo, mas o solidéu e a faixa são vermelhos. Bispos e Cardeais religiosos podem usar o hábito de seu instituto. Todos, sacerdotes, diáconos permanentes, Bispos e Cardeais, religiosos ou diocesanos, devem, se não trajarem batina, usar camisa com colarinho romano (clergyman), preferencialmente preta, e com roupa distinta (calça social e paletó). Bispos e Cardeais, de batina ou de clergyman, usam a cruz peitoral sustentada por uma corrente, bem como o anel. A batina preta, para diáconos, sacerdotes e Bispos pode ser trocada pela branca, por indulto ou costume, em regiões muito quentes.

O Papa usa sempre batina branca.

O roquete e a sobrepeliz, vistos acima, são muitíssimo parecidos. As diferenças entre ambos são: o roquete, mais estreito, e tem suas mangas bem unidas às da batina, notadamente os punhos, além de sempre ter rendas; já a sobrepeliz, mais larga, com punhos mais soltos, mangas não rentes à batina, e as rendas são inexistentes ou em menor quantidade. O roquete só é usado por Bispos e outros Prelados com privilégio para tal. Já a sobrepeliz é para todos os ministros, ordenados ou não. Na administração dos sacramentos fora da Missa ou presidência de outro ato litúrgico, se usa sempre sobrepeliz, mesmo que quem administre ou presida seja Bispo ou Prelado com privilégio. Já quando se usa a veste coral, para assistir celebrações litúrgicas, a veste adequada é o roquete (para aqueles que podem usar, claro, i.e., Bispo ou Prelado com privilégio), mas que pode sempre ser substituído pela sobrepeliz. O sacerdote e o diácono, assim como acólitos, usam sempre sobrepeliz, nunca roquete.

Lembramos que os hábitos que não sejam especificamente talares, i.e., que não cheguem aos tornozelos, não podem ter sobre si a sobrepeliz nem o roquete. Nesse caso, o sacerdote, se o enverga, usa a alva ou coloca uma batina em vez do hábito, para, aí sim, envergar a sobrepeliz.

Aprendendo o Latim (Parte II)

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O latim, quando disciplina obrigatória dos currículos escolares, era língua destacada, de aprendizagem difícil e, em alguns casos, desesperadora. A razão disso é que nossa língua-mãe tem outras maneiras de construir suas orações. O latim é língua sintética, isto é, seus vocábulos e sua fraseologia são de extrema concisão. Com dois termos, pode formular uma oração que, nas línguas derivadas, teria meia dúzia de palavras. Veja esta inscrição nos antigos cemitérios: MORITURI MORTUIS que, traduzida para o português, teria a seguinte redação: "Aqueles que um dia hão de morrer (oferecem, dedicam aos mortos".

A dificuldade na aprendizagem do latim é que não há condições de ensiná-lo como se ensinam as línguas modernas. Uma saída didática é utilizar-se dos cantos gregorianos. Por exemplo: para aprender o francês, o inglês, o espanhol, etc., você só precisa adquirir vocabulário, conjugar os verbos, ter noções de gênero e número e se exercitar na língua. No fundo, é um simples processo de memorização de regras e vocábulos. O latim, não. Você pode decorar todos os termos latinos, conjugar todos os verbos, saber de cor e salteado as cinco declinações e, apesar disso, não ser capaz de construir uma única oração, se não tiver sólidos conhecimentos de análise sintática. Este é o segredo da aprendizagem da língua latina. Se você não souber o que é sujeito, predicado, objeto direto ou indireto, complemento restritivo, adjunto adverbial, etc, o latim será língua cifrada para você.

Por isso, é lamentável que tenha sido retirado do currículo secundário, pois exercitar-se na língua latina é um método excelente de desenvolver o raciocínio, dar ordem às idéias, ter perfeito conhecimento das funções da palavra e aprender a redigir com clareza e correção.

Aqui o áudio da oração "Ave Maria":



Em gregoriano:




Ave, María, grátia plena, Dóminus tecum. Benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus.
Sancta María,  Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

a) O Alfabeto.

O alfabeto latino clássico consta das seguintes letras:

A B C D E F G H I L M N O P Q R S T V

às quais se acrescentam os símbolos Æ e Œ para a representação dos ditongos AE e OE, respectivamente.

As letras K Y Z são usadas na grafia de palavras oriundas do Grego.

As letras J e U foram criadas tardiamente para se distinguir, na escrita, entre o I e o V vogal e semivogal.

O Latim propriamente dito não utiliza nenhum acento. Porém, em obras didáticas, costuma-se colocar um acento sobre as vogais para indicar sua duração. As vogais longas são representadas com o acento conhecido como MACRON: Ā Ē Ī Ō Ū; e as vogais breves são marcadas com a BRACHIA: Ă Ĕ Ĭ Ŏ Ŭ.


domingo, 2 de maio de 2010

Uma Igreja dos EUA adota AD ORIENTEM para todas as Missas

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Fonte: http://www.newliturgicalmovement.org/2010/03/st-marys-salem-restores-ad-orientem.html

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

 

Após dois anos e meio de catequeses tanto do púlpito como em seções de boletins, pelo uso do arranjo Beneditino do altar, bem como por celebrações ocasionais da Missa ad orientem (Nota do SaL: versus Deum) para várias festas e tempos do ano litúrgico, a Igreja de Santa Maria em Salem, Dakota do Sul restaurou completa e inteiramente a celebração ad orientem para todas as Missas paroquiais (Nota do SaL: Missas na forma ORDINÁRIA, i.e., no rito MODERNO, PÓS-CONCILIAR)

Como parte disto restauraram o uso do altar-mor original, que mais uma vez é o altar central e primário da igreja.

Foto da Igreja na Páscoa de 2009 (Nota do SaL: que já era bonita, e tinha um altar versus populum muito digno):

Foto da Igreja atualmente:

O altar e a direção da oração litúrgica devem ser uma matéria de particular consideração, a que se deve voltar a atenção acerca do quão profundamente isto pode influenciar nosso foco e enfatizar nossa orientação dentro da sagrada liturgia - e isto tanto para o clero como para os fieis.

Pe. Martin Lawrence, vigário de Santa Maria, deve ser felicitado muito justamente por sua visão a este respeito, e por realçar isso, com uma abordagem estratégica, mais ainda.

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