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sábado, 15 de maio de 2010

Missa "de sempre", "em latim" etc, e algumas considerações...

Algumas pessoas se referem à forma extraordinária chamando-a "Missa de sempre" ou "Missa em latim", e considerando a Missa na forma ordinária "bagunçada, irreverente, modernista e protestantizada".

Por conta disso, resolvemos expor os seguintes esclarecimentos. Adiantamos que não são um artigo ou estudo aprofundado, mas breves notas sobre o tema.

1. Toda Missa é de sempre. Do contrário, não seria Missa.

2. Talvez queiram dizer "rito de sempre". Ainda assim é errado, pois o rito a que se referem foi codificado por São Pio V, baseado no sacramentário de São Gregório Magno. Logo, não é de sempre. Mais ainda: os demais ritos são tão antigos, ou mais, que o romano. Portanto, não existe isso de um rito ser "de sempre".

3. Dizer que a Missa de São Pio V é a mesma coisa que "Missa em latim" é um absurdo. A Missa nova também é em latim. Pode ser celebrada versus Deum também. Eu mesmo tenho, seguidamente, Missas em latim, versus Deum, e com canto gregoriano, incenso etc. E é Missa no rito novo mesmo!!!!

4. Contrapor a Missa no rito antigo romano ao rito novo romano é uma falácia tradicionalista. Ambas são válidas, lícitas, legítimas, e santificantes. Se o rito antigo tinha pontos positivos, também tinha limitações (tanto que, após Pio V, houve muitas reformas, até Pio XII e João XXIII). O mesmo com o rito novo: limitações, mas pontos positivos.

5. Importa assistir Missa bem celebrada, seja em rito oriental, ocidental, tradicional, moderno. Evidentemente, pode-se ter preferências estéticas e mesmo teológicas, invocando sérias razões para, por exemplo, considerar que a reforma litúrgica do rito romano foi feita de um modo um tanto equivocado, ou que o rito anterior, hoje forma extraordinária, tinha certas peculiaridades que o faziam, em certo sentido, superior ao atual no modo de expor a doutrina católica e salientar o sentido sacrifical, ou que, na reforma, não houve pleno respeito ao princípio do desenvolvimento harmônico etc. Esse tema desenvolvemos em vários artigos, bastando procurar pelo label "reforma da reforma".

6. A bagunça litúrgica que se vê na esmagadora maioria das Missas em rito romano moderno no Brasil não é culpa do rito novo e da reforma litúrgica. A Missa bagunçada que vemos não é a Missa nova, mas uma distorção da Missa nova.

7. Poderíamos dizer que a Missa celebrada pelo Papa é irreverente, modernista, protestantizada? Pois é uma Missa no rito novo...

8 comentários:

  1. Olá, primeiramente, obrigada por postar esse artigo.

    Eu sou brasileira e catolica. Tenho, entretanto, vivido há anos fora do Brasil, e portanto, posso dizer que tenho uma vivência bastante ampla da celebração da Santa Missa em vários países estrangeiros...Na Europa, nos países onde tive a oportunidade de participar da missa, Espanha, Suiça e Suécia,onde vivi por alguns anos, mas também no Reino Unido, o que se vè é um rito bastante tradicional. Porém, não se trata da missa no antigo Rito Romano. Mas mesmo sendo elas celebradas no Rito Moderno, como aquele rezada pelo Papa, ainda preservam-se bastante da SOLENIDADE tão linda do catolicismo, que de certa forma distiguem o Santo Sacríficio Católico dos cultos Evangelicos.

    Nos EUA e Canadá percebo o mesmo. A missa inicia-se com a procissão de entrada, onde o Decano caminha á frente exibindo a Santa Escritura, os ajudantes de altar mais atrás levando as velas e Cruz, ao final o Celembrante. Faz-se então a reverência da genuflexação diante da mesa sacrificial, a purificação do altar com incenso, bem como da congregação. Os hinos, por sua vez, são tradicionais, alguns compostos há centenas de anos, o salmo responsorial é feio de forma cantada, e respondido cantado pelos fieis...

    Tudo isso eu não lembro de ter visto no Brasil. Posso estar errada, pois ha muito tempo não participo da uma missa ai, mas seguramente não lembro de haver procissão de entrada....

    Vou rezar para que a chamada 'protestantização' da missa no Brasil não acabe de vez com as missas conservadoras, pois eu creio que MUITOS fieis ainda preferem o rito mais tradicional, e essa talvez seja a forma pela qual a Igreja volte a atrair mais católicos de volta para a Igreja de Cristo.

    Deus abençoe a missão de voces com esse site.

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  2. Por favor, uma correção do meu comentário anterior. Onde escrevi Decano, leia-se Diácono...Misturei ingles, Deacon E saiu isso...

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  3. Olá Rafael

    Sábado estive num casamento sem missa e o padre permitiu que os noivos dessem a comunhão um ao outro quando a Redemptionis Sacramentum proibe no número 94. Estou escrevendo para o padre para pedir que corrija tal atitude, porém o documento fala da proibição na "missa nupcial". Pergunto por acaso no ritual do matrimônio fora da missa haveria alguma brecha nas rubricas para licitar tal atitude de permitir que os noivos sejam ministros da comunhão um do outro? Não quero ser injusto com o sacerdote.

    Abraço,
    Sidnei

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  4. Essa questão do termo "Missa de Sempre" é bem interessante... foi ao estudar História da Liturgia que eu parei de usar essa terminologia simplista, hehehe.

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  5. Rafael, adorei esse seu post e comentário.
    Penso e entendo como você.
    Toda missa é Santa Missa, toda missa é Missa de Sempre e toda missa é de Cura e Libertação.
    Não há uma mais importante ou mais correta que a outra, as duas formas são corretas e fazem parte do liturgia católica, importa que sejam celebradas em conformidade com o Missal Romano.
    Graziela

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  6. Amigos

    A Redemptionis Sacramentum proibe no número 94 que os noivos entreguem a comunhão um ao outro na missa nupcial. Pergunto se na celebrãção do matrimônio sem missa também existe esta proibição.

    Grato

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  7. Sidnei,

    Onde há a mesma situação, há a mesma razão, segundo o ditado antigo. A proibição é à Comunhão, que não se difere ontologicamente quando é distribuída dentro ou fora da Missa.

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  8. Rafael

    Grato pela confirmação.

    Sidnei

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