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domingo, 23 de maio de 2010

Arte e Arquitetura Sacra no UNIV Forum 2010

Por Rafael Diehl

Entre o final do mês de maio e o início de abril, tive a oportunidade de participar do 43º UNIV Forum, um Congresso universitário promovido pelo Opus Dei todo ano em Roma, próximo à Semana Santa. Vários professores e estudantes se reuniram em palestras, conferências e debates sobre o tema “Pode o Cristianismo inspirar uma Cultura Global?”.

No dia 30 de maio, participei de um encontro cultural promovido pelo Prof. Ralf van Bühren (foto ao lado), que leciona Arte e Arquitetura na Pontifícia Universidade de Santa Cruz, em Roma. O encontro, intitulado “O que há de ‘cristão’ na arte e arquitetura sacra?” propunha-se a discutir o que sucede com a arte religiosa moderna, tendo em vista que antigamente havia certo acordo geral acerca dos elementos e critérios básicos da arte e arquitetura sacra cristãs. Também se perguntava se havia algum cânon de beleza cristão.

Em sua fala inicial, o Prof. Bühren comentou que há hoje uma grande discussão sobre o que pode ou não entrar em nossas igrejas. Então, explicou que a arte das igrejas não pode ser a imagem por si. Falou da importância da beleza para o homem, que é por ela levado à reflexão, e de que a verdadeira beleza é norteada por um aspecto moral. Esses seriam os critérios iniciais para se discutir o que pode ou não haver de arte em uma igreja.

O objetivo da arte na Igreja, segundo o professor, seria o de expor os Mistérios da Fé e recordar a História da Salvação. As imagens, portanto, contavam a História da Salvação e lembravam a presença dos santos na Liturgia e no ambiente sagrado. As igrejas são locais sagrados, construídas para a Liturgia e Oração especificamente. Nesse sentido, Bühren também recordou o fato de que os cristãos rejeitaram o modelo arquitetônico do templo pagão e adotaram o das basílicas (um edifício civil) porque se adequava melhor às suas liturgias (as basílicas podiam congregar os fiéis e sacerdotes sob o mesmo teto e também permitiam a Liturgia da Palavra).

O Prof. Bühren também frisou que a renovação artística desejada pelo Concílio Vaticano II deve ser guiada pela tradição da Arte Sacra. Como lembrava João Paulo II, apesar dos elementos subjetivos (expressão pessoal do artista e liberdade de escolha dos estilos artísticos), a arte sacra deve transmitir a fé e se referenciar na Tradição Apostólica.

Outra questão colocada pelo conferencista foi sobre qual a necessidade da Arte na Igreja. Segundo Bühren, a arte está primeiramente ligada à Liturgia, sendo uma referência visível aos mistérios invisíveis, e uma expressão da fé, de forma a estabelecer uma comunicação com o homem.

O período pós-conciliar até 1985 aproximadamente foi marcado por um desinteresse dos artistas pela arte religiosa, por uma crise de identidade cristã e pelo liturgicismo ascetista surgido na Alemanha e França. A crise de identidade cristã e o desinteresse dos artistas gerou uma falta de produção de Arte Sacra, visto que não se sabia mais o que caracterizava a arte cristã nem havia significativa quantidade de artistas que buscassem trabalhar em prol dessa arte. O liturgicismo ascetista desprezava as imagens e a decoração das igrejas, pois consideravam como algo supérfluo, que obscurecia a presença de Cristo na Liturgia. Assim, começaram a construir diversas igrejas simplistas, sem nenhuma decoração, com formas estranhas à tradição dos templos cristãos.

Na década de 1970, contudo, surgiu uma corrente na Espanha chamada de image tradition, que valorizava as imagens na arte sacra, influenciados pela forte tradição espanhola das imagens nas igrejas e procissões. Contudo, o liturgicismo ainda é bastante forte hoje em dia, e é por isso que temos tantas igrejas sem imagens ou que mais se assemelham a salões de reunião do que a um recinto sagrado.

Em conclusão, o Prof. Bühren frisou que arte é comunicação, que na Arte Sacra o objetivo é comunicar a fé aos fiéis. Nesse sentido, a intenção da obra e do artista influenciam na mensagem que a obra transmite. A imagem sacra dever unir corpo e alma, e não ser apenas um mero retrato. O artista deve portanto buscar apoiar-se na tradição iconográfico da história da Arte cristã e buscar uma linguagem imagética que possa se comunicar com todos os fiéis. Assim, Bühren finalizou dizendo que o que a obra expressa é mais importante do que o seu estilo.

Um comentário:

  1. Pequeto "report" sobre o encontro no site oficial do UNIV Forum: http://www.univforum.org/detalle_noticia.php?id_not=88&idi=1&sec=39

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