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terça-feira, 13 de abril de 2010

Cinco problemas, cinco soluções

Jeffrey TUCKER

Tradução de frei Cleiton Robson, OFMConv.

Depois de anos de observação do cenário da música católica, nomeadamente no que afeta a vida litúrgica da Igreja, pode-se reduzir a cinco os problemas mais prementes do nosso tempo. A boa notícia é que todos têm soluções fáceis de se lançar mão. Por esta razão, todos temos motivos para estar muito esperançosos.

1. Os músicos não têm um modelo, muito menos ideais, em mente. Os músicos católicos são pessoas muito sinceras que aspiram fazer pesquisas para que eles possam realizar bem o seu trabalho. Eles lêem, organizam livro após livro lêem muitos documentos oficiais. E mesmo depois disso, a música que eles cantam durante as Missas parecem grandes borrões. Eles escolhem para um tipo de Missa alguns hinos e percorrem seu caminho através de várias pequenas partes; no entanto, têm pouca compreensão da estrutura que estão fazendo.

A melhor solução para essas pessoas é dissecar analiticamente tudo o que eles cantam no decurso de uma Missa, classificando como ordinário, próprio e diálogos. Eles precisam reconhecer que os seus hinos são substitutos para os próprios, que precisam de um modelo estável e previsível para lidar com os diálogos, e que o ordinário da Missa, que está mudando, envolve apenas um conjunto restrito de música. Compreender isto já é meio caminho andado para estabilizar e, por fim, solenizar a Liturgia.

Numa segunda etapa, os músicos precisam perceber que, em cada caso, há soluções ideais para todas estas questões musicais. Esse ideal é encontrado na tradição do canto em geral e do Gradual romano em particular. Muitos músicos ficariam espantados ao descobrir que o que eles estão cantando são nada mais que substiutos para a música que a Igreja tem nos dado há muito tempo para cantar a Missa! Esse entendimento seria um grande passo na direção certa.

2. Os recursos típicos da música nas dioceses são nada menos que patéticos! Toda semana, lembramos disso quando tentamos cantar um hino regular e descobrimos que as palavras no folheto são diferentes dos livros de coral a partir do qual os músicos cantam. Às vezes, os versos estão faltando. Os Salmos, que os principais editores católicos estão empurrando, são uma mera sombra do verdadeiro Canto Salmódico. Os arranjos variam de ruins a medonhos, com variações inúteis dos arranjos tradicionais somente para permitir o registro de direitos autorais. O próprio folheto deixa de fora as seqüências e cantos importantes para a Semana Santa. E esta afirmação é apenas um “arranhão na superfície” do que é real e do que se vê por aí. Os recursos disponíveis hoje para os músicos católicos são um constrangimento grave. O pior pesadelo de um músico católico é receber a visita de um amigo presbiteriano ou episcopaliano, e que eles vejam o que estamos usando!

Aqui pode-se fazer elogios às glórias da mídia digital. Na internet, pode-se encontrar tudo o que se precisa para deslocar e substituir todo este lixo que bagunça os bancos da igreja. Há Salmos, há os próprios gratuitamente em Inglês e Latim (Português e Latim). Há ferramentas grátis para os cantos comuns em Inglês (Português) e Latim. Há dezenas de milhares de motetes e outras peças. Há tutoriais e arquivos de som e muito mais. É tudo 100% liberado. É realmente incrível. Agora, com certeza, há que se ter a mínima noção do que se está fazendo para utilizar proveitosamente os recursos. Estamos todos trabalhando juntos para fazer todo esse material mais acessível. O tempo virá. Em qualquer caso, esta é “a fonte da nossa salvação”.

3. A competência musical em uma paróquia típica é escandalosamente baixa. Muitas paróquias de 500 famílias têm poucas pessoas que sabem ler partituras ou qualquer notação musical. Entre eles, muito poucos estão dispostos a comprometer-se a cantar a cada semana ou realizar um trabalho voluntário de liderança. Como resultado, em muitas paróquias falta mesmo o pessoal para começar um programa sério de música sacra.

Não se pode falar de como as coisas eram antes do grande desastre dos anos 1960, mas é fato inegável, que a competência musical foi depreciada após o Vaticano II. Muitas pessoas passaram a acreditar, durante o grande movimento popular, que a competência musical era uma coisa ruim que as pessoas eram impedidas de criar arte a partir do coração. Mas esta já é uma velha história bem conhecida. De qualquer forma, estamos presos aos resultados. A massa de católicos que não conseguem acompanhar um hino a quatro vozes é enorme! Notação musical é “grego” para eles!

Felizmente, o canto pode ser entoado sem treinamento formal em notação musical. Muitas vezes é melhor cantado por amadores dedicados. Acima de tudo, música sacra exige “reis de humildade”. Pessoas sem formação são mais aptas à humildade simplesmente porque têm espíritos que são mais dóceis. Não é que a falta de competência técnica seja uma coisa boa, mas a música católica não é fechada a eles. Na verdade, começar do zero não é necessariamente um desastre. Pode-se contornar esse problema e transformá-lo em uma vantagem.

Outro elemento importante: os coros infantis. Isso nunca deve ser negligenciado!



4. Os católicos carecem de uma música universal. Este problema mostra-se não apenas entre países, mas entre as dioceses e mesmo dentro de paróquias. Na madrugada, a Missa é tradicional, “dos idosos”. No meio da manhã a Missa é de um “adulto contemporâneo”, isto é, dos que têm entre 30 e 50 anos de idade. As Missas à noite estão divididas entre a população estudantil. E assim por diante. E ninguém usa a música que se ouve em qualquer outra Missa. É uma verdadeira Torre de Babel. Estamos divididos e fraturados e, às vezes, pela necessidade de manter a paz.

Mas isto não será positivo a longo prazo. Precisamos de uma música católica universal e a resposta é clara: só há um organismo viável de música para reivindicar este manto: o canto gregoriano. É a música que pode leva-nos todos juntos. É a música do próprio rito, e seu estilo não conhece espaço ou período de tempo. Durou; e durou tanto como mil anos, com uma tradição que remonta talvez três mil anos. Estará aqui muito depois que estivermos todos mortos! Ao cantá-la, estamos nos tornando parte de algo maior que a nossa própria geração. Ajudamos na ligação do passado com o futuro. Fazemos os nossos esforços musicais significarem algo. Então nós podemos realmente nos reunir como uma paróquia ou mesmo como os católicos de todas as nações e cantarmos juntos.

5. O problema final envolve a orientação e não nos refirimos apenas à orientação do altar, mas isso é um sintoma. Temos que tomar uma decisão aqui. Missa é por e para as pessoas ou Missa é por e para Deus? Há uma diferença crucial aqui. Se estamos devidamente orientados para Deus, voltar-nos para o Senhor deve ser uma postura que permeia todas as ações, não só do celebrante, mas de tudo e todos. Deixaremos de exigir músicas alegrinhas com muitas palmas só porque gostamos assim. Com uma orientação adequada, o povo vai exigir a música própria para oração e a oração se tornará a nossa principal necessidade. Esta, afinal, é a essência do que é a liturgia: retirar-nos de nossa fixação mundana em nossas necessidades terrenas para nos preparar para um encontro eterno. Se tudo o que fazemos é exigir mais do que se pode conseguir fora da Igreja, nunca vamos realmente encontrar satisfação na Liturgia.

Talvez este último ponto seja o mais grave de todos. A única maneira de abordá-lo é através da liderança pastoral. Precisamos de pessoas como Moisés, que condenem nossos “bezerros de ouro” feitos a partir de nossos bens e nos levar a objetivos mais elevados. Uma vez que corrijamos nossa orientação, o resto vem naturalmente. Encontraremos a nossa voz, nossa música, encontrar os recursos, e desenvolver os nossos conhecimentos e talentos.


Disponível no original em inglês em:

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