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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Discurso do Papa Bento XVI aos Bispos da Regional Norte II da CNBB.

Com júbilo, reproduzimos com destaques em preto e [comentários em vermelho] (aos moldes do Pe. Z), o discurso do Papa Bento XVI aos bispos brasileiros da Regional Norte 2 da CNBB. Alegramo-nos muito em saber que nós, em nosso trabalho no Salvem a Liturgia, estamos andando no passo do Papa nesta seara. Cum Petro et sub Petro! Em nosso apostolado litúrgico queremos sempre ter o Papa como nosso modelo.


***


Amados Irmãos no Episcopado,

A vossa visita ad Limina tem lugar no clima de louvor e júbilo pascal que envolve a Igreja inteira, adornada com os fulgores da luz de Cristo Ressuscitado. Nele, a humanidade ultrapassou a morte e completou a última etapa do seu crescimento penetrando nos Céus (cf. Ef 2, 6). Agora Jesus pode livremente retornar sobre os seus passos e encontrar-Se como, quando e onde quiser com seus irmãos. Em seu nome, apraz-me acolher-vos, devotados pastores da Igreja de Deus peregrina no Regional Norte 2 do Brasil, com a saudação feita pelo Senhor quando se apresentou vivo aos Apóstolos e companheiros: «A paz esteja convosco» (Lc 24,36).

A vossa presença aqui tem um sabor familiar, parecendo reproduzir o final da história dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 33-35): viestes narrar o que se passou no caminho feito com Jesus pelas vossas dioceses disseminadas na imensidão da região amazônica, com as suas paróquias e outras realidades que as compõe como os movimentos e novas comunidades e as comunidades eclesiais de base em comunhão com o seu bispo (cf. Documento de Aparecida, 179). Nada poderia alegrar-me mais do que saber-vos em Cristo e com Cristo, como testemunham os relatórios diocesanos que me enviastes e que vos agradeço. Reconhecido estou de modo particular a Dom Jesus Maria pelas palavras que acaba de me dirigir em nome vosso e do povo de Deus a vós confiado, sublinhando a sua fidelidade e adesão a Pedro. No regresso, assegurai-o da minha gratidão por tais sentimentos e da minha Bênção, acrescentando: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (Lc 24,34).

Nesta aparição, palavras - se as houve - diluíram-se na surpresa de ver o Mestre redivivo, cuja presença diz tudo: Estive morto, mas agora vivo e vós vivereis por Mim (cf. Ap 1,18). E, por estar vivo e ressuscitado, Cristo pode tornar-Se «pão vivo» (Jo 6, 51) para a humanidade. Por isso sinto que o centro e a fonte permanente do ministério petrino estão na Eucaristia, coração da vida cristã, fonte e vértice da missão evangelizadora da Igreja. Podeis assim compreender a preocupação do Sucessor de Pedro por tudo o que possa ofuscar o ponto mais original da fé católica: hoje Jesus Cristo continua vivo e realmente presente na hóstia e no cálice consagrados.

Uma menor atenção que por vezes é prestada ao culto do Santíssimo Sacramento é indício e causa de escurecimento do sentido cristão do mistério, como sucede quando na Santa Missa já não aparece como proeminente e operante Jesus, mas uma comunidade atarefada com muitas coisas em vez de estar recolhida e deixar-se atrair para o Único necessário: o seu Senhor [Por isso nossa ênfase no Salvem a Liturgia em sinais sensíveis: paramentos, crucifixos, candelabros, que apontem para o sentido real da liturgia eucarística]. Ora, a atitude primária e essencial do fiel cristão que participa na celebração litúrgica não é fazer, mas escutar, abrir-se, receber… É óbvio que, neste caso, receber não significa ficar passivo ou desinteressar-se do que lá acontece, mas cooperar – porque tornados capazes de o fazer pela graça de Deus – segundo «a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultaneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos» (Const. Sacrosanctum Concilium, 2). Se na liturgia não emergisse a figura de Cristo, que está no seu princípio e está realmente presente para a tornar válida, já não teríamos a liturgia cristã, toda dependente do Senhor e toda suspensa da sua presença criadora.

Como estão distantes de tudo isto quantos, em nome da inculturação, decaem no sincretismo introduzindo ritos tomados de outras religiões ou particularismos culturais na celebração da Santa Missa (cf. Redemptionis Sacramentum, 79)! O mistério eucarístico é um «dom demasiado grande – escrevia o meu venerável predecessor o Papa João Paulo II – para suportar ambigüidades e reduções», particularmente quando, «despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa» (Enc. Ecclesia de Eucharistia, 10). Subjacente a várias das motivações aduzidas, está uma mentalidade incapaz de aceitar a possibilidade duma real intervenção divina neste mundo em socorro do homem. Este, porém, «descobre-se incapaz de repelir por si mesmo as arremetidas do inimigo: cada um sente-se como que preso com cadeias» (Const. Gaudium et spes, 13). A confissão duma intervenção redentora de Deus para mudar esta situação de alienação e de pecado é vista por quantos partilham a visão deísta como integralista, e o mesmo juízo é feito a propósito de um sinal sacramental que torna presente o sacrifício redentor. Mais aceitável, a seus olhos, seria a celebração de um sinal que corresponda a um vago sentimento de comunidade.

Mas o culto não pode nascer da nossa fantasia; seria um grito na escuridão ou uma simples auto-afirmação [por isso, pedir fidelidade às rubricas não é "rubricismo", mas um desejo de uma mística mais profunda na vida dos cristãos]. A verdadeira liturgia supõe que Deus responda e nos mostre como podemos adorá-Lo. «A Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na Eucaristia, precisamente porque o próprio Cristo Se deu primeiro a ela no sacrifício da Cruz» (Exort. ap. Sacramentum caritatis, 14). A Igreja vive desta presença e tem como razão de ser e existir ampliar esta presença ao mundo inteiro.


«Fica conosco, Senhor!» (cf. Lc 24, 29): estão rezando os filhos e filhas do Brasil a caminho do XVI Congresso Eucarístico Nacional, daqui a um mês em Brasília, que deste modo verá o jubileu áureo da sua fundação enriquecido com o "ouro" da eternidade presente no tempo: Jesus Eucaristia. Que Ele seja verdadeiramente o coração do Brasil, donde venha a força para todos homens e mulheres brasileiros se reconhecerem e ajudarem como irmãos, como membros do Cristo total. Quem quiser viver, tem onde viver, tem de que viver. Aproxime-se, creia, entre a fazer parte do Corpo de Cristo e será vivificado! Hoje e aqui, tudo isto desejo à esperançosa parcela deste Corpo que é o Regional Norte 2, ao conceder a cada um de vós, extensiva a quantos convosco colaboram e a todos os fiéis cristãos, a Bênção Apostólica. [Amém!]

7 comentários:

  1. Acho interresante o uso de crucifixos e candelabros sobre o altar, no sentido de que Ele tambem é altar do sacrificio, mas por vezes esquecemos que o mesmo(o altar) tambem é mesa da refeição (o banquete eucaristico)o proprio Cristo.É belo fazer este tipo de decoração mas usar sempre perder-se um pouco de sentido por vezes escondedno a eucaristia a visão do proprio povo (perdendo assim a participação dos fieis), sabemos que não exite só este tipo de decoração (arramjo beneditino), mas outras que tambem são validas e aceitas pela Igreja.

    pax et bonun!!

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  2. Rodrigo

    tambem concordo!
    é muito belo esse tipo de ornamentação, mas não existe só esse tipo! não devemos limitar a Liturgia!

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  3. Anônimo 1: devemos fazer o "aceito" ou tentar dar sempre o melhor a Deus? É certo que em determinadas situações você não consegue ter um arranjo beneditino. Há lugares em que se celebram missas em cima de mesas de uso comum, quando muito com duas velinhas que algum fiel consegue, e o crucifixo tirado do peito de um devoto. Tudo muito piedoso e correto. É claro que isso é aceito. Mas se nossa paróquia tem 6 candelabros lindíssimos e um crucifixo, que estão por enferrujar, por que não limpá-los deixá-los no altar, como instantemente nos pede o Santo Padre com suas palavras e seu exemplo?

    A missa é primordialmente o sacrifício, e só secundariamente banquete. O primeiro sentido deve se sobrepor, nos aspectos sensíveis, ao primeiro. Quando se prioriza a ideia de "banquete", vem o que o Papa adverte nessa belíssima admoestação: a perda do senso do sagrado e, consequentemente, da Fé.

    A Deus, o melhor. O mais belo. O mais sublime. O mais delicado. O mais trabalhoso.

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  4. Emanuel

    Percebo em tudo isso uma coisa!
    sera que só o arranjo beneditino é o melhor e o mais belo, o santo padre poe isso como norma a ser seguida, mas como algo para melhora-la.
    acho ruim limitar a belza e a dignidade a liturgia ao um simples arranjo, existem muitas catedrais belas e dignas, Lógico se possuo material para isso pq não usa-lo?! mas por como norma para ser seguido sempre limita de mais a liturgia.

    desde jah orações

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  5. Amigos do Salvem

    O arranjo ao qual chamam "beneditino", não é mais que a disposição do crucifixo e candelabros usados na forma extraordinária. O que o papa fez foi aplicar esse arranjo na forma ordinária.

    Anônimos

    Vamos distinguir "mesa" de "altar" e "comunhão" de "refeição". Não caiamos na heresia de achar que esses termos tem o mesmo significado dos usados fora da missa.

    Concordo em partes que existem outras formas de ornamentações, o importante é que todas elas exprimam a dignidade do serviço que prestam.

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  6. O altar, em que se torna presente sob os sinais sacramentais o sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, na qual o povo de Deus é chamado a participar quando é convocado para a Missa; o altar é também o centro da acção de graças celebrada na Eucaristia. (IGMR-296 )

    chamar o altar de mesa da refeição não é um pecado,(termo ainda usado, mas nao erraso) pois a eucaristia é Deus que se faz alimento para nós.

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  7. Só para fechar a questão para não haver desentendimento, o altar é mesa de refeição, mas, primeiro é altar. Quando vemos o altar apenas como mesa, passamos a achar que essa mesa é igual a qualquer outro móvel semelhante.
    Ai é que está o problema dessas expressões que, em si, não são erradas, mas, em nome de uma modernização tem seu sentido totalmente deturpado.

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